ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511242220


Crystian Nonato Lima França
Janaína Feitoza Barbosa
João Vitor de Jesus Costa
Lourena Camilly Silva Nogueira
Samilly Costa Martins
Silvia Graziele Costa Pestana


RESUMO

As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) representam um grave problema de saúde pública, com impacto significativo na morbimortalidade e custos hospitalares. A equipe de enfermagem, por sua atuação direta e contínua na assistência, possui papel fundamental na prevenção e controle dessas infecções. O presente trabalho tem como objetivo analisar a atuação da enfermagem na prevenção das IRAS mediante revisão bibliográfica. Revisão bibliográfica realizada entre setembro e outubro de 2025, utilizando artigos científicos publicados entre 2019-2025, documentos técnicos e relatórios institucionais. Identificou-se que as principais medidas de prevenção incluem higienização das mãos, implementação de bundles para dispositivos invasivos e educação permanente. A adesão às práticas é influenciada por carga de trabalho, disponibilidade de recursos e suporte institucional. A atuação sistematizada da enfermagem é determinante na redução das IRAS, necessitando de investimento em educação continuada, recursos adequados e fortalecimento das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar.

ABSTRACT

Healthcare-Associated Infections (HAIs) represent a serious public health problem, with a significant impact on morbidity, mortality, and hospital costs. The nursing team, due to its direct and continuous involvement in patient care, plays a fundamental role in the prevention and control of these infections. This study aims to analyze the role of nursing in the prevention of HAIs through a literature review. The bibliographic review was conducted between September and October 2025, using scientific articles published between 2019 and 2025, as well as technical documents and institutional reports. It was identified that the main preventive measures include hand hygiene, implementation of bundles for invasive devices, and continuing education. Adherence to these practices is influenced by workload, resource availability, and institutional support. The systematic performance of nursing professionals is crucial in reducing HAIs, requiring investment in continuing education, adequate resources, and the strengthening of Hospital Infection Control Committees.

Palavras-chave: Infecção Hospitalar; Equipe de Enfermagem; Prevenção de Infecções; Segurança do Paciente.

1. INTRODUÇÃO

As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são infecções que o paciente adquire durante ou depois de receber cuidados em qualquer local de saúde. Elas não estavam presentes em fase de incubação ou no momento da entrada do paciente. Essa definição inclui não só hospitais, mas também clínicas, ambulatórios, unidades de cuidados em casa e instituições onde o paciente permanece por um período prolongado. (Brasil, 1998; Anvisa, 2021).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as IRAS estão entre as principais causas de doenças e mortes ao redor do mundo. Isso representa um grande desafio para garantir a segurança dos pacientes e oferecer um atendimento de qualidade (World Health Organization, 2022). Evidências epidemiológicas mostram que o surgimento dessas infecções está ligado a fatores como internações prolongadas em hospitais, o uso de equipamentos médicos, a ocorrência de diferentes doenças ao mesmo tempo em um paciente e a complexidade dos protocolos de tratamento atuais. (Patino, 2024; Assis et al., 2023).

No contexto brasileiro, a prevalência de IRAS pode chegar a 15% em hospitais terciários, o que provoca custos hospitalares elevados e prolongamento do tempo de internação (Assis et al., 2023). As consequências para os pacientes incluem não apenas a gravidade do quadro clínico, mas também maior risco de óbito e proliferação de microorganismos muito resistentes (Zimmermann et al., 2025).

Tendo em vista que a equipe de enfermagem é a categoria profissional que passa mais tempo ao lado do paciente, torna-se sua atuação fundamental na prevenção e no controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). Por isso, este estudo surge da importância de organizar e aprofundar o conhecimento sobre as estratégias que a enfermagem utiliza para evitar essas infecções, para contribuir e oferecer um cuidado de maior qualidade e garantir a segurança dos pacientes.

2. METODOLOGIA

Este estudo consiste em uma revisão bibliográfica, realizada entre setembro e outubro de 2025. Foram incluídos artigos científicos publicados nos últimos cinco anos (2019-2025), livros, documentos técnicos e relatórios institucionais disponíveis em plataformas acadêmicas e sites oficiais, incluindo periódicos da base SciELO, LILACS, PubMed, portais governamentais e publicações especializadas na área da saúde.

A seleção das fontes baseou-se em critérios de relevância para o tema, atualidade, credibilidade do veículo de publicação e relação direta com a temática das IRAS e atuação da enfermagem. As palavras-chave utilizadas foram: “Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde”, “IRAS”, “controle de infecção”, “prevenção de infecções hospitalares” e “enfermagem”.

A metodologia se constitui das seguintes etapas: identificação dos estudos relevantes nas bases de dados selecionadas; leitura crítica dos títulos e resumos; análise completa dos textos selecionados; extração e síntese das informações; e organização dos resultados de acordo com os objetivos específicos propostos.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Principais medidas de prevenção implementadas pela enfermagem

A análise dos estudos indicou que as principais estratégias de prevenção de IRAS adotadas pela equipe de enfermagem envolvem a correta higienização das mãos, a atenção aos dispositivos invasivos (como cateteres venosos centrais, sondas vesicais e tubos endotraqueais), a limpeza e desinfecção de superfícies, além do uso apropriado de equipamentos de proteção individual (Anvisa, 2021).

Para Oliveira et al. (2023), a aplicação de bundles para a prevenção de infecções da corrente sanguínea associadas ao cateter venoso central pela equipe de enfermagem levou a uma diminuição de 70% nas taxas de infecção. A higienização das mãos, principalmente, revelou ser a estratégia mais econômica na prevenção, apesar de sua adesão ainda enfrentar obstáculos (Costa et al., 2023).

3.2. Fatores que influenciam a adesão da equipe de enfermagem às práticas de controle

A adesão da equipe de enfermagem às práticas de controle de infecção é afetada por diferentes fatores, com exemplo, a educação continuada, a disponibilidade de recursos, o suporte institucional e uma liderança eficiente são alguns dos fatores que facilitam. Entretanto, a alta carga de trabalho, a falta de recursos materiais, o tempo limitado e a necessidade de conhecimento dos protocolos representam obstáculos importantes (Silva et al., 2023; Souza et al., 2023).

Assis et al. (2023) observaram que unidades com programas educativos contínuos e com uma relação mais equilibrada entre o número de profissionais e pacientes, mostraram taxas de adesão mais elevadas às medidas de prevenção. A atuação das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) também revelou um fator importante para a adesão apropriada acerca das práticas (Pereira et al., 2023).

3.3. Impacto das ações de enfermagem na redução das taxas de IRAS

Segundo Mendes et al. (2023) evidenciaram que a implementação de protocolos supervisionados e executados pela enfermagem pode reduzir em até 70% as infecções relacionadas a dispositivos invasivos. Desse modo, a atuação qualificada da enfermagem impacta diretamente na redução das taxas de IRAS

Zimmermann et al. (2025) constataram que a atuação proativa da enfermagem, por meio de auditorias regulares das práticas e feedback imediato, resultou na diminuição considerável nas taxas de infecção sanguínea associada ao cateter venoso central. De maneira semelhante, a correta manipulação de sondas vesicais pela equipe de enfermagem demonstrou a redução das taxas de infecção do trato urinário associada ao uso de sonda vesical. (Oliveira et al., 2023).

3.4. Estratégias educativas e de gestão para fortalecer a atuação da enfermagem

As estratégias educativas mais efetivas identificadas incluem a educação permanente, a simulação de situações reais, o treinamento hands-on e a discussão de casos clínicos. Santos et al. (2023) destacam que programas educacionais contínuos aumentam em 45% a adesão às medidas preventivas.

Do ponto de vista gerencial, a eficiência foi demonstrada pela implementação de protocolos claros, auditorias frequentes das práticas, feedback aos profissionais e reconhecimento das equipes de melhor desempenho (Silva et al., 2023). A colaboração entre a CCIH e a equipe de enfermagem é considerada essencial para o sucesso das estratégias de prevenção. (Pereira et al., 2023).

4. CONCLUSÃO

A revisão da literatura mostra que a atuação da enfermagem é essencial para a prevenção e controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Quando fundamentadas em evidências e aplicadas com rigor técnico, as ações adotadas pela equipe de enfermagem têm um impacto considerável na diminuição das taxas de infecção.

A adesão às práticas preventivas é influenciada por diversos fatores, incluindo aspectos individuais, institucionais e contextuais. A sobrecarga de trabalho e a escassez de recursos materiais se destacam como obstáculos importantes, ao passo que a educação continuada e o apoio institucional se apresentam como facilitadores fundamentais.

Estratégias educativas contínuas e abordagens gerenciais que valorizem a equipe e forneçam os recursos necessários são imprescindíveis para o sucesso das ações preventivas. Recomenda-se o fortalecimento das parcerias entre CCIH e equipe de enfermagem, além do investimento em educação permanente e em recursos materiais adequados.

Para pesquisas futuras, sugere-se a investigação da custo-efetividade de diferentes estratégias educativas e a identificação de tecnologias inovadoras que possam auxiliar a equipe de enfermagem na prevenção das IRAS, sempre com foco na melhoria da segurança do paciente e na qualidade da assistência prestada.

REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: ANVISA, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centralsdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/caderno-4-medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude.pdf. Acesso em: 30 set. 2025.

ASSIS, S. et al. Dados epidemiológicos e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde em unidades de terapia intensiva no Brasil. Revista Brasileira de Saúde, v. 15, n. 2, p. 45-60, 2023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998. Diretrizes e normas para a prevenção e o controle das infecções hospitalares. Diário Oficial da União, Brasília, 1998.

COSTA, M. J. S. et al. Adesão da equipe de enfermagem à higienização das mãos: intervenções educativas e barreiras. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 44, p. e20230045, 2023.

MENDES, K. D. S. et al. Infecções relacionadas à assistência à saúde: impacto das ações de enfermagem na redução de taxas. Acta Paulista de Enfermagem, v. 36, p. eAPE032634, 2023.

OLIVEIRA, A. C. et al. Bundles de prevenção para infecção da corrente sanguinária associada a cateter venoso central: eficácia da implementação pela enfermagem. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 31, p. e4025, 2023.

PATINO, A. G. Conceitos básicos sobre as infecções relacionadas à assistência à saúde. Revista Saúde.com, v. 20, n. 3, p. 112-125, 2024.

PEREIRA, R. M. et al. O papel das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar no combate às IRAS. Jornal de Saúde Pública, v. 28, n. 4, p. 78-92, 2023.

SANTOS, L. M. et al. Educação permanente em serviço para prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 76, n. 3, p. e20220345, 2023.

SILVA, D. R. et al. Fatores associados à adesão da enfermagem às precauções padrão: estudo multicêntrico. Texto & Contexto Enfermagem, v. 32, p. e20230123, 2023.

SOUZA, A. C. M. et al. Carga de trabalho da enfermagem e sua relação com a ocorrência de IRAS em UTIs brasileiras. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 25, p. 82312, 2023.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global guidelines for the prevention of surgical site infection. 2. ed. Geneva: WHO, 2022.

ZIMMERMANN, G. S. et al. Ocorrência de infecções relacionadas à assistência em saúde e indicadores gerenciais em UTI durante a pandemia de COVID-19. Revista de Enfermagem, v. 35, n. 1, p. 23-35, 2025.


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