ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM FRENTE A MULHER ACOMETIDA AO ABORTO ESPONTÂNEO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202508140728


Hilary Leonarda Erddmann
Samira Santoni De Souza
Tarsila Agnes Boiko


Resumo

O aborto espontâneo é uma complicação comum na gestação, afetando entre 10% e 20% das gestações e causando sofrimento físico e emocional significativo para as mulheres. O cuidado de enfermagem deve ir além dos procedimentos técnicos, oferecendo acolhimento emocional e humanização. Este estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, estratégias que contribuam para a qualificação da assistência de enfermagem à mulher em situação de aborto espontâneo. A metodologia adotada seguiu as etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008), com base na análise de 12 artigos selecionados entre 216 encontrados nas bases SciELO, LILACS, BDENF e Google Acadêmico, a partir de critérios previamente definidos. Os resultados foram organizados em oito eixos temáticos: impacto emocional do aborto espontâneo; importância da humanização no cuidado; necessidade de capacitação profissional; elaboração de protocolos assistenciais; atenção à saúde mental no pós-aborto; ações preventivas no pré-natal; revisão crítica das práticas atuais e trabalho em equipe multiprofissional. A análise evidenciou fragilidades na formação dos profissionais, lacunas na padronização do cuidado e ausência de suporte emocional adequado à mulher. Conclui-se que é necessário promover uma assistência integral, que considere a mulher em sua totalidade, respeitando sua vivência de luto e assegurando-lhe acolhimento ético, técnico e humanizado. A valorização da escuta, a presença empática e o fortalecimento de diretrizes baseadas em evidências são fundamentais para transformar a experiência do aborto espontâneo em um momento de cuidado digno e sensível.

Palavras-chave: Aborto espontâneo; Cuidados de enfermagem; Humanização; Acolhimento emocional, Saúde mental.

Introdução

O aborto espontâneo é umas das complicações mais comuns durante a gestação, e uma das principais causas da perda gestacional, afetando entre 10% e 20% das gestações, a maioria dentro das primeiras 12 semanas de gestação (Brasil, 2017). Esse episódio é marcado pelo sofrimento físico e psicológico, que é muitas vezes ampliado pelo silêncio e pela invisibilidade social. Nesse contexto, considera-se essencial a atuação da equipe de enfermagem, tanto na assistência clínica quanto no amparo emocional à mulher que enfrenta essa perda (Zanotto, 2020).

As pesquisas de Leite et al. (2022), destacam que as mulheres que passam por esse episódio são cercadas de sentimentos como tristeza e culpa, e ressaltam também a necessidade de uma escuta ativa e sensível por parte dos profissionais de enfermagem. De modo complementar, Freitas et al. (2022) apontam que a perda gestacional é, muitas vezes, negligenciada no contexto hospitalar, o que demanda maior atenção multidisciplinar para assegurar que a mulher se sinta amparada em seu processo de luto.

Nesse sentido, Zanotto (2020) enfatiza que o cuidado da enfermagem deve ir além dos procedimentos técnicos, incorporando o suporte emocional.

Oliveira (2021) reforça essa visão ao destacar a importância de uma assistência humanizada, pautada na dignidade e no respeito à mulher em situação de vulnerabilidade. Além disso, é crucial que a qualidade da assistência prestada esteja alinhada a protocolos bem estruturados.

Freitas, Ansaloni e Rodrigues (2022), sugerem que sejam elaborados materiais informativos para padronizar o atendimento, já que, conforme Mincov, Freire e Moraes (2020) existem lacunas na formação dos profissionais e reforçam a necessidade de diretrizes clínicas que considerem os aspectos físicos e emocionais da perda gestacional. Em relação às causas do aborto espontâneo.

Mattos (2017) menciona alguns fatores como: distúrbios genéticos, infecções, alterações hormonais, idade materna avançada e hábitos de vida prejudiciais, os quais devem ser abordados no pré-natal por meio de ações preventivas e educativas. Com base nisso, Santos et al. (2022) reforçam a importância da enfermagem no acompanhamento e orientação das gestantes, especialmente no que diz respeito a essas causas.

Outro aspecto fundamental é a saúde mental da mulher no período pós-abortamento. Estudos de Simões et al. (2022) indicam que a perda gestacional pode resultar quadros de ansiedade e depressão, o que exige que equipe de enfermagem esteja preparada para oferecer acolhimento emocional e, quando necessário, realizar encaminhamentos adequados.

Lupepsa e Azevedo (2022) concordam com essa abordagem e sugerem a inclusão de estratégias de cuidado psicológico nos protocolos de atendimento, garantindo suporte contínuo à mulher. Além disso, a percepção das mulheres sobre o atendimento que recebem também precisa ser notado.

Pesquisas de Silva et al. (2022) mostram alguns relatos sobre experiências desagradáveis, com frieza e julgamento por parte dos profissionais da saúde, o que aumenta o sofrimento causado pela perda e reforça a necessidade de um cuidado empático e centrado na paciente.

 São Bento et al. (2014), defendem uma abordagem holística e humanizada, que considere os aspectos físicos, emocionais e informativos como elementos essenciais da assistência à mulher em processo de abortamento.

Dessa maneira, a análise dos estudos selecionados demonstra a necessidade de uma prática de enfermagem que combine competência técnica com sensibilidade humana, assegurando um cuidado integral, respeitoso e eficaz às mulheres que vivenciam o aborto espontâneo.

1. METODOLOGIA

A metodologia deste trabalho é uma revisão integrativa, esse tipo de estudo auxilia na consolidação de informações importantes para a prática clínica, como é o caso da assistência de enfermagem à mulher que passou pelo aborto espontâneo.

A construção dessa revisão seguiu as etapas metodológicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008), que incluem: identificação do tema; questão da pesquisa para elaborar a revisão integrativa; definição dos critérios de inclusão e exclusão; definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados; análise crítica dos dados e apresentação dos resultados.

Mendes, Silveira e Galvão (2008), definem que a revisão integrativa consiste na análise de estudos relevantes que contribuem para embasar decisões e aperfeiçoar a prática clínica. Esse tipo de revisão permite reunir e sintetizar o conhecimento disponível sobre um tema específico, identificando tanto o que já se sabe quanto as lacunas existentes, que indicam a necessidade de novas investigações. Por meio da avaliação de diversos estudos publicados, é possível obter uma compreensão mais ampla e conclusões gerais sobre uma área determinada.

Com base nisso, a presente revisão tem como objetivo analisar as estratégias de cuidado de enfermagem voltadas para mulheres que vivenciaram o aborto espontâneo, buscando à melhoria da qualidade assistencial. Para isso, parte-se da seguinte pergunta norteadora: “Como melhorar a qualidade dos cuidados e da enfermagem para as mulheres que passaram por aborto espontâneo?”.

Nesse sentido, utilizamos critérios de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão envolvem artigos científicos publicados entre 2014 e 2024, nacionais, que abordam a atuação da enfermagem no cuidado de mulheres após aborto espontâneo, fatores de risco associados a essa condição, práticas de humanização e apoio psicológico, e aspectos relacionados à saúde pública, gestão do cuidado e prevenção, com texto completo disponível gratuitamente. Já os critérios de exclusão preveem a eliminação de artigos que trataram do aborto induzido ou outras formas de perda gestacional que não sejam espontâneos, estudos que não abordem a enfermagem ou que se concentrem apenas na área médica, e publicações com baixa qualidade metodológica, como resumos e anais de eventos.

A busca por artigos foi realizada por meio da análise de artigos acadêmicos disponíveis no Google Acadêmico e em repositórios e bases de dados científicos, como Scielo e LILACS, BDENF. Utilizaram-se descritores “Aborto”, “Cuidados de Enfermagem” e “Enfermagem”.

Após a seleção das publicações iniciou-se um processo de leitura dos mesmos e organização das informações. Inicialmente, obtiveram-se 216 artigos completos com a combinação das palavras chaves. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram selecionados 20 artigos e após uma leitura minuciosa, foram escolhidos 12 artigos que compuseram o corpus desta revisão. A análise dos artigos permitiu extrair dados sobre os sintomas do aborto espontâneo, fatores de risco, cuidados de enfermagem e abordagens humanizadas no atendimento, lacunas existentes nos estudos, contribuindo para a compreensão da prática de enfermagem no contexto do aborto espontâneo.

Para a extração das informações dos artigos científicos, utilizou-se um instrumento estruturado conforme proposto por Souza, Silva e Carvalho (2010), que contempla a identificação do estudo, as características metodológicas e as principais evidências encontradas. Esse roteiro foi adaptado para atender aos objetivos da presente pesquisa, permitindo uma análise sistematizada dos dados obtidos.

Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram selecionados 12 artigos que compuseram o corpus desta revisão. A análise dos artigos permitiu extrair dados sobre os sintomas do aborto espontâneo, fatores de risco, cuidados de enfermagem e abordagens humanizadas no atendimento, lacunas existentes nos estudos, contribuindo para a compreensão da prática de enfermagem no contexto do aborto espontâneo.

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta revisão integrativa foram analisados 12 trabalhos relacionados ao objetivo da pesquisa. Para facilitar a apresentação e analise desses resultados foram elaborados quadros e tópicos estratégicos.

No quadro 1: identificação, autor(a), ano, título, fonte/link, tipo de estudo e resultados. Essa análise de dados foi realizada de forma qualitativa, com ênfase na identificação de pontos em comum e divergências entre os estudos, respeitando o rigor metodológico necessário para revisões integrativas.

No quadro 2: área dos pesquisadores e porcentagem, essa análise foi realizada de forma quantitativa.

TABELA 1
Identificação, autor(es), ano, título, fonte/link, tipo de estudo e resultados.

TABELA 2
Área dos pesquisadores e porcentagem (%).

Diante dos resultados analisados, considera-se que os seguintes tópicos selecionados são relevantes para construir uma resposta efetiva à pergunta norteadora: “Como melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem para as mulheres que passaram por aborto espontâneo?

Compreensão do impacto emocional do aborto espontâneo: reconhecer a magnitude do sofrimento psicológico e a necessidade de acolhimento.

Importância da humanização no cuidado de enfermagem: práticas empáticas, respeitosas e centradas na paciente.

Necessidade de capacitação contínua: formação técnico-humanística que prepare os profissionais para atuar com competência e sensibilidade.

Elaboração e implementação de protocolos assistenciais: padronizar condutas com base em evidências científicas e considerar o suporte emocional como parte do cuidado.

Atenção à saúde mental da mulher no pós-aborto: encaminhamento para suporte psicológico e prevenção de agravos psíquicos.

Prevenção no contexto do pré-natal: ações educativas sobre os fatores de risco e promoção da saúde.

Avaliação crítica das práticas atuais: identificar falhas na assistência e buscar estratégias para superá-las.

Envolvimento de equipes multidisciplinares: fortalecer o cuidado integral e garantir que diferentes aspectos da saúde da mulher sejam considerados.

Cada tópico se articula de forma direta com as principais evidências encontradas nos estudos analisados, contribuindo para a construção de uma assistência mais qualificada, humanizada e centrada na mulher.

Além disso, esses tópicos estão alinhados com as diretrizes da Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento, publicada pelo Ministério da Saúde (2020), que reforça a importância de um acolhimento sensível, da capacitação profissional contínua e da padronização dos cuidados com base em evidências científicas. Essa norma destaca também a necessidade da atenção integral à saúde mental da mulher, o estímulo ao trabalho interdisciplinar e a promoção de práticas que respeitem a dignidade, autonomia e os direitos da paciente, refletindo diretamente os oito tópicos levantados neste estudo. Essa convergência reforça a relevância dessas dimensões para a efetivação de uma assistência segura, humanizada e de qualidade no contexto do aborto espontâneo.

O primeiro aspecto considerado importante é a entendimento do impacto emocional que acompanha o aborto espontâneo, um evento que causa grande dor na vida das mulheres. Leite et al. (2022) observam que emoções como tristeza, culpa e medo são frequentes nesse processo, e que o sofrimento emocional muitas vezes é inviabilizado nos ambientes hospitalares. De forma complementar, Freitas et al. (2022) ressaltam a necessidade de suporte psicológico, evidenciando que a falta de acolhimento pode agravar o trauma da perda. Esses autores concordam na necessidade de adotar uma abordagem que valide o luto gestacional como algo real e digno de respeito, solicitando dos profissionais de enfermagem não apenas habilidades técnicas, mas também uma capacidade de empatia emocional.

Nesse sentido, destaca-se o segundo tópico: a importância da humanização no cuidado de enfermagem. Zanotto (2020) defende a escuta ativa, o respeito e a empatia como pilares fundamentais do cuidado à mulher em processo de abortamento. Oliveira (2021) reforça essa visão, afirmando que a humanização deve abranger tanto o acolhimento quanto a execução dos procedimentos técnicos, tratando a mulher como sujeito integral. Por sua vez, Silva et al. (2022) revelam ainda relatos de pacientes que se sentiram julgadas ou negligenciadas durante o atendimento, evidenciando graves deficiências na conduta de alguns profissionais. Esses estudos indicam que a humanização não deve ser vista como um diferencial, mas como parte integrante da prática qualificada de enfermagem.

O terceiro ponto observado diz respeito à necessidade de capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, com ênfase na formação técnico-humanística. Mincov, Freire e Moraes (2020) apontam lacunas na formação acadêmica e profissional de enfermeiros no manejo do aborto espontâneo, particularmente nas áreas de apoio emocional e enfrentamento do luto. Zanotto (2020), ao discutir o papel da enfermagem no apoio à mulher após a perda gestacional, também destaca a falta de preparo dos profissionais para lidar com o sofrimento das mulheres.Os autores concordam que, sem formação adequada, o cuidado prestado é tipicamente fragmentado, insensível e, muitas vezes, insuficiente.

Em paralelo a isso, emerge o quarto tópico: a elaboração e implementação de protocolos assistenciais, como forma de padronizar condutas e garantir a qualidade do cuidado. Freitas, Ansaloni e Rodrigues (2022) sugerem a criação de materiais informativos para auxiliar os profissionais na assistência às mulheres em processo de abortamento, promovendo a segurança e a uniformidade da prática. Mincov, Freire e Moraes (2020) também defendem a necessidade de desenvolver diretrizes clínicas que incorporem não apenas intervenções físicas, mas também apoio emocional. Ambos os estudos confirmam que protocolos bem estruturados não apenas melhoram a qualidade do atendimento, mas também reduzem as desigualdades na assistência.

O quinto aspecto diz respeito à atenção à saúde mental da mulher no pós-aborto, uma etapa frequentemente negligenciada. Simões et al. (2022) demonstram que muitas mulheres desenvolvem quadros de ansiedade e depressão após a perda gestacional, tornando crucial que a equipe de enfermagem esteja atenta a esses sintomas e preparada para encaminhar para avaliações adequadas. Lupepsa e Azevedo (2022) corroboram essa visão, sugerindo a incorporação de estratégias de cuidado psicológico aos protocolos de atendimento para garantir suporte emocional contínuo. O cuidado pós-aborto não deve terminar com a alta hospitalar, mas deve incluir o monitoramento da saúde mental como parte do cuidado integral.

O sexto tópico identificado é outro ponto crucial: a prevenção no contexto do pré-natal, especialmente no que se refere aos fatores de risco para o aborto espontâneo. Mattos (2017) apresenta uma revisão da literatura que identifica causas como desequilíbrios hormonais, alterações genéticas, infecções, idade materna avançada e hábitos de vida prejudiciais. Santos et al. (2022) enfatizam o papel da enfermagem na educação das gestantes, orientando sobre medidas preventivas e promovendo hábitos saudáveis. Esses estudos demonstram que o cuidado de enfermagem deve começar antes mesmo da ocorrência do aborto espontâneo, por meio de intervenções educativas e preventivas que possam minimizar os riscos e fortalecer o vínculo com a paciente.

Com base na análise dos dados, também se destaca o sétimo tópico: a necessidade de uma avaliação crítica das práticas atuais de enfermagem. Conforme apontado por São Bento et al. (2014), há falhas frequentes no cuidado oferecido às mulheres que passam por abortos, indicando que muitos profissionais ainda não estão adequadamente preparados para atender a essas demandas. Santos et al. (2014), ao conduzirem uma revisão integrativa sobre os serviços no Brasil, reforçam que as práticas atuais são muitas vezes fragmentadas e carentes de fundamentação científica. Assim, torna-se fundamental revisar protocolos, rotinas e procedimentos com base em evidências, a fim de garantir um atendimento mais seguro e eficiente.

Por fim, o oitavo tópico evidencia o envolvimento de equipes multidisciplinares como estratégia essencial para garantir o cuidado integral. Santos et al. (2022) e São Bento et al. (2014) defendem a atuação conjunta de profissionais de enfermagem, psicologia, serviço social e medicina, de modo a contemplar todas as dimensões da saúde da mulher. Essa colaboração em equipe amplia a compreensão sobre o processo de abortamento e reforça o acolhimento, oferecendo à mulher não apenas atenção física, mas também suporte emocional e social necessário.

Diante dessas análises, conclui-se que a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados à mulher que passou por aborto espontâneo pode ser significativamente aprimorada por meio da valorização do acolhimento emocional, da humanização do cuidado, da formação contínua dos profissionais, da padronização das condutas com base em evidências, do acompanhamento psicológico, da prevenção durante o pré-natal, da revisão crítica das práticas vigentes e da atuação interdisciplinar. A integração desses elementos permite construir um modelo de cuidado verdadeiramente centrado na mulher, respeitoso, empático e comprometido com a dignidade e o bem-estar da paciente.

3. Considerações Finais

A presente pesquisa, por meio de uma revisão integrativa da literatura, buscou compreender como a qualidade dos cuidados de enfermagem pode ser aprimorada no atendimento às mulheres que passaram por aborto espontâneo. Ao analisar 12 artigos científicos, foi possível identificar diversas vulnerabilidades na assistência atual, bem como propor caminhos viáveis para qualificar o cuidado prestado.

O aborto espontâneo é um evento marcado por dor, expectativas frustradas e sofrimento emocional, exigindo da equipe de enfermagem não apenas habilidades técnicas, mas também sensibilidade, empatia e escuta ativa. Os resultados do estudo indicam que, apesar da relevância do tema, ainda existem falhas na formação dos profissionais, ausência de protocolos padronizados e uma carência de ações voltadas ao acolhimento emocional da mulher.

Dentre os principais aspectos discutidos, destacam-se: a importância da humanização da assistência, a valorização do luto gestacional, a necessidade de capacitação contínua, a elaboração de protocolos baseados em evidências, a atenção à saúde mental no pós-aborto, a atuação preventiva durante o pré-natal, a revisão crítica das práticas atuais e o envolvimento de equipes multiprofissionais. Esses elementos, quando integrados, podem transformar a experiência da mulher em um momento de cuidado respeitoso, digno e integral, mesmo diante de uma situação de perda.

Conclui-se, portanto, que o cuidado de enfermagem à mulher que vivencia o aborto espontâneo deve ser guiado por princípios éticos, científicos e humanísticos. A valorização da escuta, do acolhimento e da singularidade de cada mulher é essencial para minimizar os impactos físicos e emocionais decorrentes dessa experiência. Espera-se que este estudo contribua para a reflexão crítica sobre as práticas de enfermagem e incentive futuras pesquisas e formações que visem à melhoria contínua da assistência às mulheres em situação de abortamento.

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