ATRIBUIÇÕES DA ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO DE URGÊNCIAS OBSTÉTRICAS: MANEJO DA PRÉ-ECLÂMPSIA E ECLÂMPSIA

NURSING RESPONSIBILITIES IN OBSTETRIC EMERGENCY CARE: MANAGEMENT OF PRE-ECLAMPSIA AND ECLAMPSIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301905


Geovana de Melo Valente1
Myllena Crhistina Rodrigues Silvério1
Luana de Jesus de Oliveira2


Resumo 

A pré -eclâmpsia é uma desordem hipertensiva exclusiva da gestação, diagnosticada quando a pressão arterial atinge 160/110 mmHg ou mais, associada a proteinúria significativa (≥ 300 mg/24 horas), após a 20ª semana de gestação. A eclâmpsia é caracterizada por convulsões tônico-clônicas ou coma em mulheres com quadro hipertensivo e proteinúria importante. O objetivo deste estudo é identificar as principais práticas de enfermagem adotadas no manejo de gestantes com pré-eclâmpsia e eclâmpsia nos serviços de urgência e emergência. A metodologia utilizada é do tipo de revisão integrativa da literatura. Todos artigos respeitaram o recorde temporal (2020 a 2024), nas bases de dados BDENF, LILACS e MEDLINE, disponíveis na íntegra e de acesso gratuito, redigidos em português ou inglês. A busca dos materiais nas bases de dados utilizando os operadores booleanos com os descritores, foi encontrado 1.567 artigos, restando como amostra final 12. A enfermagem atua desde a identificação precoce dos fatores de risco até o monitoramento contínuo dos sinais de alerta, intervenções emergenciais e acompanhamento emocional da gestante. A avaliação rigorosa da pressão arterial, vigilância da proteinúria, monitorização de sinais vitais, controle hídrico, administração correta de medicações como anti-hipertensivos, sulfato de magnésio e corticoides, além da educação em saúde e da atuação em equipe multidisciplinar, representam pilares indispensáveis. 

Palavras Chaves: Pré-eclâmpsia. Eclâmpsia. Obstetrícia. Cuidados de enfermagem.  

1. INTRODUÇÃO 

A gravidez é um fenômeno biológico que se desenrola em três trimestres distintos. No primeiro trimestre, que compreende as primeiras 12 semanas, no qual o corpo da mulher passa por uma revolução hormonal, com níveis crescentes de hormônios como HCG (gonadotrofina coriônica humana), estrogênio e progesterona. Esses hormônios são essenciais para manter a gravidez e desencadeiam alterações físicas e fisiológicas, incluindo a interrupção do ciclo menstrual, o aumento do volume sanguíneo e as mudanças no tecido mamário. No segundo trimestre, que vai das 13 às 26 semanas, a maioria das mulheres começa a sentir-se fisicamente melhor e mais energética. O terceiro trimestre, das 27 semanas até o parto, geralmente por volta de 40 semanas, é o período em que o crescimento e o desenvolvimento fetal são mais intensos (Feliciano, 2023). 

Considerando a gestação como um período de transformações e desafios para mulheres e suas famílias, é crucial ter estruturas e programas de saúde que garantam um acompanhamento adequado. Para aprimorar as Redes de Atenção Materno-infantil e reduzir a morbimortalidade, o Ministério da Saúde criou a Rede Cegonha, que visa organizar e fortalecer os serviços de saúde para gestantes e recém-nascidos, com o pré-natal sendo uma parte essencial dessa iniciativa (Brasil, 2022). 

A organização dos processos de atenção durante o pré-natal, incluindo a estratificação de risco obstétrico, desempenha um papel crucial na redução da mortalidade materna. A estratificação de risco vai predizer quais mulheres têm maior probabilidade de apresentar eventos adversos à saúde, permitindo a otimização dos recursos para oferecer a tecnologia necessária para quem precisa dela. Essa classificação de risco deverá ser iniciada na primeira consulta de pré-natal e deverá ser dinâmica e contínua, sendo reavaliada a cada consulta (Medeiros FF, 2023). 

O Brasil registrou um aumento significativo na razão de mortalidade materna (RMM), que subiu de 57,9 para 74,7 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos entre 2019 e 2020, impulsionado pela pandemia de COVID-19. Esse aumento foi especialmente acentuado na Região Norte, onde a RMM variou de 82,5 para 98,9, devido às barreiras no acesso ao prénatal. As principais causas de morte materna incluem distúrbios hipertensivos, hemorragias, infecções, complicações no parto e abortamento inseguro, que representam cerca de 75% dos óbitos maternos no mundo (Brasil, 2022). 

A pré-eclâmpsia é uma condição mundialmente prevalente, especialmente em países de baixa e média renda. Trata-se de uma desordem hipertensiva exclusiva da gestação, diagnosticada quando a pressão arterial atinge 160/110 mmHg ou mais, associada a proteinúria significativa (≥ 300 mg/24 horas), após a 20ª semana de gestação. Em casos sem proteinúria, o diagnóstico pode ser baseado em sintomas como cefaleia, turvação visual, dor abdominal, elevação das enzimas hepáticas, comprometimento renal, edema pulmonar e distúrbios visuais ou cerebrais. Também é considerada pré-eclâmpsia quando a hipertensão é acompanhada de comprometimento sistêmico ou disfunção de órgãos alvo, além de sinais de comprometimento placentário como restrição de crescimento fetal ou alterações no doppler de artéria uterina (Brasil, 2022). 

Gestantes com pré-eclâmpsia podem enfrentar complicações graves, como alterações hepáticas, cerebrais, sanguíneas, hidroeletrolíticas e uteroplacentárias. Esse quadro pode evoluir para eclâmpsia, aumentando o risco de mortalidade (Oliveira et al., 2017).  

A eclâmpsia é caracterizada por convulsões tônico-clônicas ou coma em mulheres com quadro hipertensivo e proteinúria importante, podendo incluir outros sintomas como cefaleia intensa, edema generalizado, dor abdominal, distúrbios visuais, hemorragia cerebral, insuficiência renal e síndrome de HELLP. A síndrome de HELLP, que inclui hemólise, elevação das enzimas hepáticas e plaquetopenia, é uma das formas mais graves de pré-eclâmpsia e uma causa significativa de mortalidade materna no Brasil. Cerca de 2% a 3% das mulheres com pré-eclâmpsia grave morrem se não forem tratadas com sulfato de magnésio para prevenção de convulsões (Brasil, 2022). 

Na análise da epidemiologia da PE na América Latina, observa-se que aproximadamente 2% a 8% das gestantes são afetadas por essa condição, sendo responsáveis por um quarto dos óbitos maternos na região. No Brasil, entre 2009 e 2018, cerca de 15,84% das mortes maternas foram relacionadas à PE, com 44,1% desses casos sendo atribuídos diretamente a essa condição como causa principal (Guida et al., 2022). 

Em pesquisa realizada no Estado do Pará, foi possível constatar que a mortalidade materna permanece como um grave problema de saúde pública, sendo os transtornos hipertensivos a causa mais frequente. A prevalência desses óbitos foi observada em 14 municípios, incluindo Belém, Santarém, Marabá, Breves, Bragança, Castanhal, Itaituba, Altamira, Redenção, Cametá, Paragominas, Capanema, Ananindeua e Marituba (Miranda et al., 2019). 

A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender e fortalecer o papel da enfermagem no manejo das urgências obstétricas, uma vez que, diante do impacto dessas condições na saúde da gestante e do recém-nascido, torna-se essencial que os profissionais estejam devidamente capacitados para identificar precocemente sinais e sintomas, realizar intervenções seguras e eficazes e atuar de forma integrada nas redes de atenção à saúde; assim, o objetivo é identificar as principais práticas de enfermagem adotadas no manejo de gestantes com pré-eclâmpsia e eclâmpsia nos serviços de urgência e emergência.  

2. METODOLOGIA  

Este estudo é de natureza qualiquantitativa, onde a metodologia utilizada é do tipo de revisão integrativa da literatura, o que significa que o estudo se propõe a descrever, analisar e sintetizar os conhecimentos existentes sobre determinado tema a partir da revisão de estudos anteriores. Para Mendes, Silveira e Galvão (2008) e os autores Ursi e Galvão (2006) a pesquisa deve-se percorrer etapas importantes que ajudarão na construção da pesquisa, dividindo -se em 06 (seis) etapas, como demonstrado na figura 1 abaixo. 

Figura 1: Fluxograma das etapas pesquisa

Fonte: Adaptado de acordo Mendes, Silveira e Galvão (2008) e os autores Ursi e Galvão (2006). 

Foram incluídas publicações que tratem de intervenções de enfermagem e manejo obstétrico de gestantes com diagnóstico de pré-eclâmpsia e eclâmpsia em serviços de urgência e emergência. Todos artigos respeitaram o recorde temporal (2020 a 2024), nas bases de dados BDENF (Base de Dados em Enfermagem), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), disponíveis na íntegra e de acesso gratuito, redigidos em português ou inglês. Serão excluídos estudos que não envolvam gestantes, teses, dissertações, notas e editoriais, artigos duplicados, relatos de experiência e publicações que não apresentem rigor metodológico ou não estejam diretamente relacionados ao tema, e ainda que se enquadrem nos critérios de inclusão desta pesquisa.  

Os descritores selecionados incluem “pré-eclâmpsia”, “eclâmpsia”, “obstetrícia” e “cuidados de enfermagem” (“pré-eclâmpsia”, “eclâmpsia”, “obstetrics” and “nursing care”). A estratégia de busca foi estruturada com a combinação dos descritores por meio dos operadores booleanos “AND” e “OR”. A seguir, apresenta-se o Quadro 1, com a organização das bases de dados, descritores (em português e inglês) e a estratégia de busca correspondente. 

Quadro 1: Estratégia de busca nas bases de dados.

Base de dados Estratégia de busca (Booleanos) 
BDENF (“pré-eclâmpsia” OR “eclâmpsia”) AND (“obstetrícia” OR “cuidados de enfermagem”) 
LILACS (“pré-eclâmpsia” AND “cuidados de enfermagem”) OR (“eclâmpsia” AND “obstetrícia”) 
MEDLINE (“pré-eclâmpsia” OR “eclampsia”) AND (“obstetrics” AND “nursing care”) 

Fonte: Autoras, 2025. 

A busca dos materiais nas bases de dados utilizando os operadores booleanos com os descritores, foi encontrado 1.567 artigos, ao lançar os critérios relacionados aos anos de publicação e aos idiomas, foram excluídos 1.042 restando 525, destes 12 foram excluídos por duplicadas, restando 513, quanto as pertinências da temática foram exclusas 435 artigos, restando 78, destes ainda foram exclusas 04 dissertações e 05 teses, restando 69 para leitura na íntegra, onde foram exclusos 57 por não atenderem a pertinência da temática, restando como amostra final 12. Sendo 06 artigos das bases de dados BDENF, 04 artigos da LILACS e 02 artigos da MEDLINE. Abaixo encontra-se a figura 2 com o fluxograma de busca da amostra desta pesquisa.

Figura 2: Fluxograma de busca nas bases de dados.

Fonte: Autoras, 2025. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Para apresentar os dados desta pesquisa foi elaborado um questionário como instrumento da coleta de dados, ele contempla aspectos essenciais como autor, ano, base de dados, título, nível de evidência, objetivo, tipo de estudo, além dos resultados e conclusões de cada estudo. Esses elementos permitiram uma análise crítica e comparativa entre as publicações, garantindo maior rigor na seleção das evidências e contribuindo para a identificação das intervenções mais eficazes da enfermagem nesse contexto.

Quadro 2: Instrumento De Coleta De Dados

Fonte: Autoras, 2025.  

Quanto às doenças hipertensivas gestacionais, a sua definição consiste em uma intercorrência clínica da gestação e representam a principal causa de morbimortalidade materna no mundo. Elas se caracterizam pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez, com valores absolutos de pressão sistólica acima de 140 mmHg e/ou pressão diastólica acima de 90 mmHg (Lima et al., 2024). 

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão alta e danos aos órgãos, geralmente fígado e rins. A eclâmpsia, por outro lado, é uma forma grave de pré-eclâmpsia que envolve ataques ou convulsões. Embora a pré-eclâmpsia possa ser tratada com cuidados médicos adequados, a eclâmpsia é uma emergência médica que requer tratamento imediato (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). 

Como nova forma de classificação, propôs-se didaticamente a divisão entre Pré eclâmpsia de início precoce (que se desenvolve antes de 34 semanas) ou de início tardio (a partir de 34 semanas). A forma precoce se correlaciona com maiores repercussões, principalmente no desenvolvimento placentário e da circulação uteroplacentária, podendo representar maior deterioramento clínico e laboratorial. Em contrapartida, a pré-eclâmpsia de início tardio se associa a síndromes inflamatórias, metabólicas e à comprometimento endotelial crônico, o que predispõe a doenças crônicas, como a obesidade ao longo da vida (Silva; Vicente; França, 2024). 

Porém Souza e Silva (2021), afirmam que a eclâmpsia pode aparecer a qualquer momento, podendo ser na gravidez, parto ou após o parto. A doença é uma complicação grave da gravidez que, se não for tratada imediatamente, poderá acarretar complicações graves e até fatais para mães e bebês.  

Vários fatores de risco estão associados ao desenvolvimento de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, incluindo primeira gravidez, gestações múltiplas, obesidade, hipertensão crônica, diabetes e histórico de pré-eclâmpsia. Os sinais e sintomas da pré-eclâmpsia podem variar, mas frequentemente incluem pressão alta, proteína na urina, ganho repentino de peso e inchaço das mãos e rosto. A eclâmpsia é caracterizada por convulsões em mulheres cuja gravidez foi complicada por pré-eclâmpsia (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). 

Além disso, um outro fator que requer atenção é a associação da PE com outras patologias que podem acometer as gestantes, como diabetes e infecção do trato urinário, além de sinais e sintomas clínicos como edema em membros. Sendo estes frequentemente associado às mulheres que desenvolvem PE. O número de gestantes por si já é preocupante e se mostra ainda mais alarmante quando percebemos que tal patologia pode vir acompanhada de outra, devendo assim a equipe de enfermagem manter vigilância total (Silva et al., 2022).  

Souza et al. (2021), destacam o edema como sinais mais pontuados e que é procurado pelo enfermeiro durante os casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, salienta-se que esse achado é resultado da retenção exagerada de sal e água. Os autores Lisboa; Duarte e Silva (2024), destacam como sinais e sintomas da pré-eclâmpsia: proteína na urina, ganho repentino de peso e inchaço das mãos e rosto.  

Porém, até 2022, considerava-se obrigatória a presença de proteinúria associada a alteração dos níveis pressóricos para o diagnóstico de pré-eclâmpsia. Com a última publicação do “Manual de Gestação de Alto Risco” do Ministério da Saúde, passou-se a considerar tanto a associação de proteinúria quanto a presença de comprometimento sistêmico, disfunção de órgãos alvo ou sinais de comprometimento sistêmico como indicativos de pré-eclâmpsia, excluindo, é claro, patologias de base (Silva; Vicente; França, 2024). 

Lima e colaboradores (2024), afirmam que a partir dos sinais e sintomas que apontem para uma crise de pré-eclâmpsia as medidas de profilaxia precisam ser adotadas para evitar um possível agravo que leve ao estado de eclâmpsia. Os principais meios para a captação desses sintomas giram em torno de dois exames primordiais, a avaliação da pressão arterial a fim de identificar os níveis pressóricos e exame com fita de urina, que avalia a proteinúria por meio da coleta de urina durante 24 horas, sendo considerada significativa quando ultrapassa 300 mg ou ≥ 2 cruzes em fita numa amostra isolada de urina. 

A hipertensão na gravidez pode ter efeitos significativos na mãe e no feto. A mãe pode apresentar sintomas como dores de cabeça, visão turva e dor abdominal. Em casos graves, pode causar eclâmpsia, uma condição potencialmente fatal que pode causar convulsões e coma. O feto também pode sofrer restrição de crescimento, nascimento prematuro e até morte. Os enfermeiros devem ter conhecimento desses sinais e sintomas para detectá-los e notificá-los prontamente. Ao monitorar os sinais vitais, o débito urinário e a frequência cardíaca fetal, os enfermeiros podem identificar possíveis complicações e intervir adequadamente (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). 

Compreender os diferentes aspectos da hipertensão em pacientes grávidas é essencial para fornecer cuidados eficazes. Desde a identificação dos fatores de risco até o monitoramento dos sintomas e sinais vitais, os enfermeiros desempenham um papel crucial em cada etapa do processo de cuidado. Os enfermeiros devem estar atentos a sinais de alerta e sintomas para identificar precocemente qualquer complicação e garantir uma intervenção oportuna (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). 

Em casos graves, a hospitalização pode ser necessária para monitoramento e tratamento mais intensivos. Medicamentos e terapias são componentes essenciais do manejo da hipertensão em pacientes grávidas. Os enfermeiros devem trabalhar em estreita colaboração com a equipe de saúde para garantir que os pacientes recebam medicamentos e terapias apropriadas. Estes podem incluir medicamentos anti-hipertensivos, sulfato de magnésio e corticosteroides (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). 

Lima e colaboradores (2024), inferem para a crise hipertensiva o medicamento de escolha é a Hidralazina, que possui uma ação vasodilatadora potente, em que seu mecanismo de ação atua sobre a musculatura lisa dos vasos de resistência. Por apresentar uma ação potencial, precisa ser administrada em água destilada e por via intravenosa (IV) no qual 1ml do fármaco pode ser administrado em 9 ml de água destilada para ser administrado 2,5ml da medicação ou em 19 ml de água destilada para ser administrado 5ml da medicação, sua ação é rápida em que 15% a 25% da pressão arterial reduz na primeira hora após a introdução. E caso o feto apresente menos de 36 semanas será necessária a utilização de corticoides para maturação da função pulmonar fetal, o mais indicado para essa condição é o Betametasona.  

O sulfato de magnésio (MgSO₄) é a melhor opção para profilaxia de convulsões, iniciando com dose de ataque mais concentrada, diluída em 100–200 ml de solução isotônica e administrada em até 30 minutos. As doses de manutenção são menos concentradas, totalizando seis aplicações ao longo de 24 horas, período de maior risco convulsivo. São necessários cuidados rigorosos para evitar impregnação, que pode causar ausência de reflexos, alterações respiratórias, sinais vitais anormais e até parada cardiorrespiratória. Em caso de complicações, o gluconato de cálcio deve estar preparado como antídoto. Além disso, é indicada sonda vesical de demora e monitorização horária dos sinais vitais e hidratação venosa (Lima et al., 2024).  

Em um contexto primária, a fim de prevenir a pré-eclâmpsia, todas as gestantes com risco elevado devem praticar atividade física moderada por pelo menos 140 minutos semanais, desde que não haja contraindicação e fazer o uso de ácido acetil salicílico (AAS) entre 12ª e 36ª semana de gravidez para aquelas com risco elevado de PE. Também se recomenda, como medida profilática, a suplementação de cálcio em populações com baixa ingesta diária a partir do primeiro trimestre até o final da gestação (Silva; Vicente; França, 2024). 

O enfermeiro é um dos profissionais fundamentais em urgências obstétricas, pois ele é o primeiro membro da equipe a entrar em contato com a paciente. Por isso, ele deve prestar uma assistência de forma minuciosa, com responsabilidade, com base em evidências científicas atualizadas, com humanização, com acolhimento e de forma a reduzir a morbimortalidade materno/fetal, traumas físicos e psicológicos (Nunes et al., 2020). 

A primeira intervenção de enfermagem para gestantes hipertensas é realizar uma avaliação minuciosa de sua condição e sinais vitais. Isso inclui monitorar a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e níveis de saturação de oxigênio. Os enfermeiros também devem avaliar o estado geral de saúde do paciente, ao realizar uma avaliação abrangente, os enfermeiros podem identificar quaisquer riscos ou preocupações potenciais e desenvolver um plano de cuidados apropriado para gerir a condição do paciente (Lisboa; Duarte; Silva, 2024). Souza e colaboradores destacam que a mensuração da pressão arterial da gestante, deve ser realizada com a utilização de manguito adequado. Bem como a mediação deve ser realizada com a paciente sentada e um dos antebraços elevados à altura do átrio, devendo ser repetida de uma a duas vezes (Souza et al., 2021). 

No primeiro contato com a gestante, a avaliação das principais queixas e dos sinais vitais é realizado, ou seja, o histórico do paciente e o exame físico bem elaborado é feito para identificar os sinais e sintomas. A realização do exame físico é um instrumento de grande valia para a assistência uma vez que permite ao enfermeiro validar os achados da anamnese e como também a identificação de problemas (Souza et al., 2021). 

Nunes e colaboradores (2020), afirmam que os profissionais devem realizar: uma anamnese segura e detalhada da gestante; um exame físico criterioso sempre atentando para os níveis pressóricos e os sinais de alerta; avaliar os exames laboratoriais e ficar atento em especial à proteinúria de 24h; analisar a vitalidade fetal; estimular a paciente a continuar fazendo o pré-natal; e promover educação em saúde em todo o processo gestacional da cliente. 

Lisboa; Duarte; Silva (2024), ressaltam que os enfermeiros também podem oferecer apoio emocional e recursos para lidar com o estresse e a ansiedade associados a essas condições. Trabalhando em conjunto com outros profissionais de saúde, os enfermeiros desempenham um papel vital na garantia dos melhores resultados para mães e bebês afetados pela pré-eclâmpsia e eclâmpsia. Por isso Souza et al. (2024), destaca a atuação multidisciplinar, envolvendo enfermeiros, médicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde, é fundamental para criar planos de cuidado personalizados e mais eficazes. Essa abordagem colaborativa, no entanto, ainda enfrenta desafios como a falta de recursos adequados nas unidades de saúde, limitando a eficácia do atendimento.  

A pré-eclâmpsia evolui naturalmente e quando não tratada/interrompida a gestação, ocorre o desenvolvimento para as formas mais graves, especialmente a eclâmpsia e a síndrome HELLP. É de grande importância que o profissional de enfermagem atue de forma mais efetiva e presente, para que as reais necessidades das pacientes sejam supridas, havendo melhora do quadro clínico e eventuais complicações sejam evitadas (Mai; Kratzer; Martins, 2021). 

Para a decisão da melhor época para a interrupção da gestação, o Ministério da Saúde descreve que é necessário levar em conta a viabilidade fetal, uma vez que é variável em cada serviço, devido às diferentes infraestruturas das maternidades e das UTIs neonatais no território nacional. E, essa decisão é sempre compartilhada com os pais em gestações abaixo de 24 a 26 semanas. Já diante de maior viabilidade fetal (entre 26 e 34 semanas) é altamente recomendado vigilância materno fetal, na ausência de indicações de parto imediato, com recomendações fortes para corticoterapia para maturação pulmonar fetal. Caso haja estabilidade hemodinâmica materna e boa vitalidade fetal pode-se prolongar a gestação até 37 semanas (Silva; Vicente; França, 2024). 

É imprescindível que o profissional de enfermagem conheça e aprimore sua conduta com conhecimentos teórico-práticos pautados em evidências científicas atualizadas, a fim de detectar complicações que coloquem em risco a qualidade de vida da gestante e de seu bebê, evitando dessa forma a morbimortalidade materno/fetal. Por isso, os cuidados de enfermagem devem ser exercidos de forma criteriosa e segura, com o propósito de prestar uma assistência de excelência aos seus usuários (Bandeira et al, 2023).  

Desta forma destaca-se a SAE como documento importante que visa anotar e priorizar o atendimento e a assistência ao cliente oferecendo apoio, segurança e cuidados, além de auxiliar e ajudar a organização do trabalho de enfermagem. A SAE permite ao enfermeiro a identificação precoce de riscos ou alterações que esta gestante esteja sofrendo, com indício de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, na qual pode se ter um desfecho favorável, evitando a ocorrência de óbito materno-fetal. Desta forma, a SAE pode instrumentalizar o enfermeiro para uma abordagem assistencial, direcionando cuidados específicos para essas pacientes, evitando-se resultados negativos (Souza; Silva, 2021).  

Nos estudos de Neto et al. (2022), revelou como diagnósticos de enfermagem: à dor, volume de fluidos e respostas de ansiedade. Os mesmos afirmam que o diagnóstico de dor foi o mais frequente, relacionado a contrações uterinas, a ansiedade e problemas psicológicos em gestantes à falta de controle sobre o parto, lidando com partos prematuros, medicalizados e inesperados, e temendo por suas vidas e pela vida de seus filhos. Outros diagnósticos no estudo foram conforto prejudicado, manutenção da saúde ineficaz, medo e risco de infecção. Tais diagnósticos apresentados são implementados no ambiente hospitalar. Eles podem revelar um retrato da realidade, influenciando mudanças viáveis de acordo com as necessidades de cada gestante.  

De acordo com Souza e Silva (2021, algumas das intervenções para essas gestantes são: acomodar a paciente no leito e oferecer roupas adequadas; aferir e anotar sinais vitais de 2/2 horas; apoiar a paciente em suas necessidades; comunicar ao enfermeiro alteração na saturação, frequência cardíaca e pressão arterial; lavar as mãos antes e após contato com a paciente; manter leito limpo e organizado; manter monitoração cardíaca contínua e oximetria de pulso; observar e registrar a amamentação; observar local de punção venosa; observar nível de consciência; promover mudança de decúbito de 2/2hs; realizar acesso  venoso s/n; realizar higiene oral e corporal diariamente; realizar troca de acesso venoso periférico a cada 72 hrs; realizar troca de equipo de drogas.  

É importante que o(a) enfermeiro(a) disponha de recursos técnicos e estruturais para a realização de um cuidado adequado e humanizado. Damasceno e Cardoso (2022), sugere a capacitação continuada desses profissionais para o enfrentamento, foi identificada como fator essencial para a melhoria da assistência pré-natal, sendo um componente relevante para a redução dos agravos maternos e fetais.  

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Os cuidados de enfermagem no manejo da pré-eclâmpsia constituem um elemento essencial para a prevenção de desfechos graves, garantindo segurança materno-fetal e qualidade na assistência. A enfermagem atua desde a identificação precoce dos fatores de risco até o monitoramento contínuo dos sinais de alerta, intervenções emergenciais e acompanhamento emocional da gestante. A avaliação rigorosa da pressão arterial, vigilância da proteinúria, monitorização de sinais vitais, controle hídrico, administração correta de medicações como anti-hipertensivos, sulfato de magnésio e corticoides, além da educação em saúde e da atuação em equipe multidisciplinar, representam pilares indispensáveis. Por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), o enfermeiro consegue direcionar cuidados individualizados, reconhecer precocemente complicações e agir de forma rápida e eficaz, contribuindo diretamente para a redução da morbimortalidade materna e neonatal associada às doenças hipertensivas gestacionais. 

Embora haja avanços significativos no conhecimento e na prática assistencial voltada à pré-eclâmpsia, persistem limitações que desafiam a qualidade do cuidado. Entre elas destacam-se a escassez de recursos materiais e humanos em muitos serviços de saúde, a falta de capacitação continuada das equipes, desigualdades regionais e dificuldades na implementação plena da SAE. Essas lacunas podem comprometer a detecção precoce de sinais clínicos e limitar o manejo oportuno das complicações. Como perspectiva, reforça-se a necessidade de investimentos em educação permanente, protocolos padronizados baseados em evidências, ampliação da infraestrutura e fortalecimento da atuação multiprofissional. Ademais, pesquisas futuras podem aprofundar a avaliação da eficácia das intervenções de enfermagem, buscando estratégias inovadoras e tecnologias de apoio à decisão clínica, que contribuam para um cuidado cada vez mais seguro, humanizado e resolutivo às gestantes com pré-eclâmpsia. 

REFERÊNCIAS 

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