ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PRESTADA À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE VÍTIMA DE VIOLÊNCIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510131948


Gisele Brito Barros
Lidia Veloso Pereira
Orientadora: Profa. Me. Vânia Maria Alves de Sousa


RESUMO

Introdução: Os atos de violência cometidos contra a criança e ao adolescente ainda são bastante comuns e se tornaram um problema de saúde pública que atinge o cenário mundial. O Brasil possui o 4° maior índice de mortes decorrentes da violência contra crianças e adolescentes, no entanto, nos últimos anos, o entendimento da população a respeito dessa realidade mudou e os casos que antes eram tratados com negligência agora estão sendo denunciados. Objetivos: Esse artigo tem como objetivo analisar a assistência de enfermagem prestada à criança e ao adolescente vítima de violência. Métodos: A metodologia adotada será uma revisão integrativa da literatura, selecionando artigos publicados entre 2019 a 2024, no idioma português, de modo a reunir as evidências mais recentes sobre o tema, a coleta será realizada nos bancos de dados de pesquisa como BDENF, LILACS e MEDLINE, onde foram utilizados os descritores: Violência; Criança; Adolescente; Cuidados de enfermagem, combinados com o operador booleano AND. Ao final da busca, foram encontrados 10 artigos, os quais compuseram o corpus da pesquisa. Resultados e Discussão: A análise dos estudos indicou que crianças e adolescentes vítimas de violência estão sujeitos a variados fatores de risco, incluindo conflitos familiares, violência doméstica, consumo de substâncias e influência das mídias digitais. Os enfermeiros desempenham função essencial na detecção precoce de casos, orientação às famílias, notificação e articulação com a rede de proteção, enfrentando dificuldades como a carência de treinamento específico e protocolos padronizados. A implementação de capacitação contínua, simulações clínicas e tecnologias sociais mostrou-se eficaz para aprimorar habilidades, promover acolhimento e fortalecer a prática profissional. Conclusão: O cuidado de enfermagem às vítimas de violência infanto-juvenil exige uma abordagem abrangente, que integre assistência direta, prevenção e garantia dos direitos das vítimas. O desenvolvimento contínuo de competências técnicas e interpessoais, aliado ao uso de estratégias inovadoras, possibilita intervenções mais seguras, humanizadas e eficientes, destacando a importância da articulação com políticas públicas e redes de proteção.

Palavras-chave: Violência; Criança; Adolescente; Cuidados de enfermagem.

1. INTRODUÇÃO 

Atualmente, o Brasil ocupa o 4° lugar entre os países com maior índice de mortes decorrentes da violência contra crianças e adolescentes, conforme estudo realizado com 99 nações. Apesar desse dado alarmante, observa-se uma mudança positiva na consciência da população nos últimos anos, já que situações que antes eram negligenciadas passaram a ser denunciadas com mais frequência e seriedade (Freitas; Moura; Monteiro, 2016).

De maneira geral, a violência contra crianças e adolescentes permanece como uma prática comum e preocupante, sendo reconhecida como um grave problema de saúde pública no cenário global. Entre as diversas formas de violência, a doméstica se destaca como a mais recorrente. Essa modalidade é caracterizada por qualquer ação ou omissão praticada por um familiar, seja dentro ou fora da residência, que resulte em agressão física, psicológica ou negligência à vítima (Leite et al., 2016).

No que se refere à violência sexual, essa é considerada uma das mais graves violações dos direitos das crianças e adolescentes, especialmente por ser frequentemente cometida por pessoas próximas às vítimas, como parentes, vizinhos ou conhecidos. Essa proximidade torna o rompimento do ciclo de violência ainda mais difícil, prolongando o sofrimento da criança ou adolescente. As consequências psicológicas e sociais podem ser severas, incluindo quadros de depressão, ansiedade, transtornos de estresse pós-traumático, além de impactos negativos no desempenho escolar e nas relações interpessoais. Em muitos casos, o medo e a intimidação silenciam as vítimas, dificultando a notificação dos casos e a oferta de suporte adequado (Deslandes; Assis, 2005).

Além disso, um outro fator agravante da violência infantojuvenil está ligado às desigualdades sociais e econômicas. Crianças e adolescentes que vivem em contextos de pobreza, com acesso precário à educação, à moradia digna e à segurança alimentar, estão mais vulneráveis à negligência, exploração e violência. A carência de políticas públicas efetivas e de uma rede de proteção estruturada contribui para a perpetuação da violência nesses territórios. Ademais, muitos serviços públicos não possuem estrutura ou profissionais capacitados para lidar com esses casos de forma eficiente, o que dificulta tanto a prevenção quanto o acompanhamento das vítimas (Costa et al., 2019).

Sob essa perspectiva, a violência contra crianças e adolescentes demanda uma abordagem sensível e estruturada por parte da equipe de enfermagem, especialmente na Atenção Primária à Saúde. O enfermeiro, por sua proximidade com a comunidade, desempenha papel estratégico tanto na identificação precoce dos sinais de violência quanto na promoção de ações educativas e preventivas. No entanto, estudos indicam que muitos profissionais enfrentam dificuldades relacionadas à falta de capacitação específica, desconhecimento dos protocolos de notificação e escassez de apoio institucional, o que limita sua atuação frente a essas situações. A superação desses obstáculos requer investimentos em educação permanente, fortalecimento dos vínculos intersetoriais e criação de fluxos eficazes de acolhimento e proteção às vítimas (Almeida; Sousa; Santos, 2020).

A atuação da enfermagem é respaldada por conhecimentos técnicos e sensibilidade ética, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde e  os enfermeiros, por estarem em contato direto com as famílias, têm papel essencial na identificação de sinais precoces de violência, na escuta qualificada e na condução dos encaminhamentos necessários junto à rede de proteção.(Silva; Carvalho; Freitas, 2022).

Dessa forma, esta pesquisa tem como questão norteadora: como a assistência de enfermagem é prestada à criança e ao adolescente vítimas de violência? O objetivo geral consiste em analisar a assistência de enfermagem direcionada a esse público, sendo estabelecidos como objetivos específicos: verificar, nas evidências científicas, as práticas de assistência de enfermagem voltadas às crianças e adolescentes em situação de violência; identificar as ações desenvolvidas pelos profissionais de enfermagem diante desses casos; e analisar os principais desafios e barreiras enfrentados pela equipe de enfermagem na oferta de uma assistência adequada e humanizada a esse público. Nesse sentido, o estudo justifica-se pela relevância em contribuir para a compreensão do papel da enfermagem no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes, possibilitando reflexões que favoreçam o aprimoramento das práticas assistenciais e a efetivação de estratégias de proteção à saúde e à vida desse grupo vulnerável.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que é um método de pesquisa que permite reunir, analisar e sintetizar de forma abrangente os resultados de estudos relevantes sobre um determinado tema. Essa abordagem possibilita responder a uma questão norteadora previamente definida, promovendo uma compreensão ampla do estado do conhecimento atual. Além disso, busca integrar achados de pesquisas anteriores com o objetivo de aprofundar a compreensão do fenômeno investigado, identificar lacunas no conhecimento e apoiar a tomada de decisões baseadas em evidências (Souza; Silva; Carvalho, 2010).       

O estudo foi realizado com base nas seguintes etapas: 1 – Formular uma questão de investigação; 2 – Produzir um protocolo de investigação; 3 – Definir os critérios de inclusão e de exclusão; 4 – Pesquisar a literatura para encontrar os estudos; 5 – Selecionar os estudos encontrados; 6 – Avaliar a qualidade dos estudos selecionados; 7 – Extrair os dados relevantes; 8 – Sintetizar os dados extraídos; 9 – Divulgar os resultados por meio da publicação (Donato; Donato, 2019).

Como critérios de inclusão foram utilizados artigos científicos, publicados no idioma português, que abordam assuntos relacionados ao tema escolhido, e que se enquadram no período de publicação entre os anos de 2019 a 2024, foi escolhido esse marco temporal devido ser interessante para a comunidade científica artigos mais recentes. Como critérios de exclusão, após a leitura do título e do resumo, foram descartados todos os artigos cuja a publicação não corresponde ao período escolhido, e os que não se encaixam com o tema proposto.

O levantamento dos estudos foi realizado por meio de pesquisas em artigos científicos disponíveis em revistas indexadas em acervos eletrônicos das bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE). Essas bases foram escolhidas por sua ampla cobertura de publicações na área da saúde, além de fornecerem acesso a produções científicas relevantes e atualizadas, com resumos e citações adequadas ao escopo da pesquisa.

Para a busca dos estudos, foram utilizados os descritores indexados na base Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): violência; criança; adolescente; cuidados de enfermagem, combinados por meio dos operadores booleanos AND. Após selecionar os estudos científicos por meio dos critérios de inclusão e exclusão, foi realizada uma leitura dessas produções no intuito de identificar as principais informações relacionadas ao tema.

Os dados obtidos foram organizados de acordo com sua relevância para a produção deste estudo. Os resultados encontrados foram apresentados de forma descritiva por meio de um quadro contendo o título dos estudos, o nome do autor, o ano de publicação, a metodologia utilizada e os seus resultados.

Fonte: Dados extraídos das bases de dados BDENF, LILACS e MEDLINE (2025).

3. RESULTADOS

O quadro apresenta um panorama de estudos recentes sobre o cuidado de enfermagem a crianças e adolescentes vítimas de violência, mostrando a diversidade de abordagens metodológicas e achados. Observa-se que fatores de risco, como conflitos familiares, violência doméstica, uso de drogas, influência das mídias digitais e desigualdades sociais, são frequentemente mencionados. Os enfermeiros desempenham papel central na identificação de casos, orientação às famílias, notificação e articulação com serviços de proteção. Os resultados também destacam a necessidade de constante capacitação, desenvolvimento de competências interpessoais, como acolhimento e mediação de conflitos, e aplicação de estratégias inovadoras, incluindo simulações clínicas e tecnologias sociais. Dessa forma, a prática de enfermagem vai além do cuidado físico, englobando ações preventivas, educativas e de promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

ArtigoTítuloAutorAnoRevistaTipo de EstudoResultados
1Saúde Mental Infanto-juvenil Nas Escolas: Percepção De EnfermeirosBIANCHI, B. N. L.; SINIAK, D. S.; et al.2024Cogitare Enferm.Estudo qualitativo, exploratório e descritivoO conceito de saúde mental foi associado tanto ao conceito tradicional quanto ao da clínica ampliada. Os fatores de risco para a saúde mental de crianças e adolescentes destacados foram conflitos familiares, preconceito, exposição à violência, influência digital, uso de substâncias psicoativas e criminalidade.
2A Atuação Do Enfermeiro Na Atenção Primária À Saúde No Enfrentamento À Violência Intrafamiliar Contra O AdolescenteROCHA, J. R.; AZEVEDO, P. C. G.; et al.2023Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPARrevisão narrativa da literaturaApós a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão surgiram 3 categorias para melhor compreensão dos resultados: 1)Caracterização da Violência Intrafamiliar contra Adolescentes; 2) A Atuação do Enfermeiro na Atenção Primária à Saúde do Enfrentamento à Violência e 3) Os Desafios do Enfermeiro diante dos Casos Suspeitos ou Confirmados de Violência Intrafamiliar contra o Adolescente.
3Violência Intrafamiliar Contra Criança e Adolescente: O Papel Da EnfermagemFREITAS, R. J. M.; LIMA, C. L. F.; COSTA, T. A. M.; et al.2021Fun Care OnlinePesquisa descritiva de abordagem qualitativa.Os enfermeiros compreendem o que é violência intrafamiliar, conhecem os tipos de violência e como identificar na sua prática. Acreditam que o papel do enfermeiro é ouvir e orientar os pais, notificar e acionar os órgãos responsáveis. Ainda, relatam que o município é carente em capacitação de profissionais acerca desse assunto.
4Assistência De Enfermagem À Criança/Adolescente Vítima De Violência: Revisão IntegrativaSILVA, M. S.; MILBRATH, V. M.; SANTOS, B. A.; et al.2020Fun Care OnlineRevisão sistematizadaOs dados foram discutidos através dos tópicos: despreparo dos profissionais frente aos casos de violência infantil; sentimentos dos profissionais envolvidos no cuidado à criança/adolescente vítima de violência; notificação, protocolos e rotinas na assistência à criança/adolescente vítima de violência; estratégias de assistência à criança/adolescente vítima de violência.
ArtigoTítuloAutorAnoRevistaTipo de EstudoResultados
5Violência sexual contra crianças e adolescentes: uma análise da prevalência e fatores associadosHERMENEGILDO, M. H.; MIRANDA, F. E. C.; FERNANDES, R. A. M.; et al.2020Escola de enfermagem da USP (REEUSP) Estudo ecológicoForam registrados 1.232 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, com maior prevalência no sexo feminino, na faixa etária de 10 a 14 anos, entre pardos, e com ensino fundamental incompleto. A violência ocorreu com maior frequência no domicílio e o agressor, em sua maioria, era do sexo masculino, conhecido ou membro da família da vítima. A análise multivariada mostrou associação estatisticamente significativa entre a violência sexual e variáveis como idade, sexo, raça/cor, escolaridade e vínculo com o agressor.
6Tecnologia Social E A Promoção De Práticas De Prevenção Da Violência Na Adolescência Na Atenção PrimáriaSILVA, D. P. P.  2022Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-graduação em Prática do Cuidado em SaúdeEstudo exploratório-descritivo e pesquisa qualitativa do tipo pesquisa-açãoOs resultados mostraram1.948 notificações de violências contra pessoas de 10 a 19 anos (26,4% dos casos notificados no município), 72,6% das vítimas são do sexo feminino; o principal local de ocorrência foi a residência da vítima, seguido pela escola; as principais ocorrências foram violência física seguida de violência auto infligida; principais agressores foram pai e mãe.
7Conhecimento De Enfermeiros Da Alta Complexidade Sobre Violência Contra Crianças e AdolescentesSANTOS, E. B. A.; ARAÚJO, K.; BEZERRA, I. S.; et al.2024Enferm Atual In DermeEstudo observacional do tipo transversalVerificou-se melhora estatisticamente significativa entre as variáveis conhecimento sobre a temática, estatuto da criança e do adolescente, aptidão para discussão do tema, encaminhamento da vítima, consulta de enfermagem e receio de abordar a situação
ArtigoTítuloAutorAnoRevistaTipo de EstudoResultados
8Perfil das notificações de violência contra crianças e adolescentesSILVA, S. B. J.; NUNES, H.; CONCEIÇÃO, J.; et al.2020Enferm UFPE online.Estudo quantitativo, descritivo, exploratório, retrospectivo.Verificou-se que a violência foi prevalente em crianças com idades entre dez a 14 anos (36,47%), pardas (90,59%), do sexo feminino (83,53%), com Ensino Fundamental (60,60%) e que 98,82% não possuíam alguma deficiência ou transtorno. Revela-se que o tipo de violência mais comum foi a psicológica/moral (43,66%) e o meio de agressão prevalente foi a ameaça (51,92%) praticada na residência (75,29%) da vítima por amigos/conhecidos (47,06%) do sexo masculino (91,76%).
9Cuidar da criança e jovem em risco de maus-tratos:Intervenções de EnfermagLÓPEZ, V. G.2020Escola Superior de Enfermagem de LisboaMetodologia descritiva, analítica e reflexiva,O Estágio permitiu o desenvolvimento de competências do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica e vai contribuir para a prestação de cuidados de enfermagem de qualidade à criança, ao jovem e à família de quem cuidarei, baseados na sua proteção e defesa dos seus direitos.
10Simulação clínica sobre violência por parceiro íntimo em mulheresadolescentes: contribuições para o ensino-saúdeBARAGATT, D. Y.; SCOTTO, L. S.; ALVES, C. A. et al.2025Latino-Am. EnfermagemEstudo quantitativoEmergiram dois temas: A complexidade da violência e Competências desenvolvidas com o uso da simulação. Os estudantes trouxeram a complexidade do atendimento devido a aspectos familiares, particularidades da população, ambivalência de sentimentos em um relacionamento violento e o limite entre a preservação da autonomia e a obrigatoriedade da denúncia. Foram desenvolvidas e exercitadas diversas competências, como habilidade de mediação de conflitos, respeito, vínculo, acolhimento e reconhecimento da rede de apoio.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

4. DISCUSSÃO

A análise dos artigos que fundamentaram este estudo evidencia que a violência contra crianças e adolescentes permanece configurada como um problema complexo, multifatorial e persistente no cenário brasileiro, produzindo repercussões significativas na saúde física, psicológica e social das vítimas. Embora se reconheçam avanços em políticas públicas e ações de enfrentamento, ainda se observam lacunas na prática da enfermagem, especialmente no que tange à detecção precoce dos casos, à qualificação técnico-científica dos profissionais e à integração efetiva entre saúde, educação, justiça e assistência social. Dessa forma, os resultados indicam que a violência infantojuvenil deve ser entendida como questão de saúde pública que demanda estratégias intersetoriais e articuladas, em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente e com as políticas nacionais de proteção social (SILVA et al., 2020).

Na pesquisa realizada por Freitas et al. (2021) reforça o protagonismo da enfermagem na atenção básica, salientando que os enfermeiros compreendem as manifestações da violência intrafamiliar, identificam seus diferentes tipos e apontam como atribuições principais a escuta qualificada, a orientação às famílias e a notificação compulsória. Entretanto, os autores destacam que a insuficiência de capacitação e a carência de educação permanente configuram obstáculos recorrentes, que comprometem tanto a qualidade da assistência quanto a efetividade das medidas de enfrentamento. Esses achados dialogam com a revisão integrativa de Silva et al. (2020), a qual demonstrou sentimento de insegurança e despreparo entre os profissionais diante de casos de violência, enfatizando a necessidade de protocolos padronizados que deem suporte à prática clínica e contribuam para decisões mais seguras.

Outro ponto recorrente na literatura refere-se à violência sexual, que ainda se mantém como uma das formas mais frequentes de violação dos direitos infanto-juvenis. A pesquisa de Miranda et al. (2020), realizada em Petrolina-PE, apontou mais de mil registros de violência sexual em sete anos, com prevalência entre vítimas do sexo feminino e predominância do ambiente doméstico como local de ocorrência. Esses dados não apenas evidenciam a gravidade do problema, mas também demonstram a vulnerabilidade das vítimas, uma vez que o espaço que deveria oferecer proteção acaba se configurando como ambiente de risco. Tal constatação reforça a importância do olhar atento do enfermeiro para sinais físicos e comportamentais sugestivos de abuso, garantindo a notificação e o encaminhamento adequados na rede de proteção (MIRANDA et al., 2020).

Na perspectiva da Atenção Primária à Saúde, Rocha et al. (2023) destacam que a enfermagem desempenha papel estratégico na identificação precoce de situações de violência contra adolescentes, considerando sua proximidade com a comunidade e o acompanhamento contínuo das famílias. Apesar dos avanços na visibilidade do problema, os autores evidenciam limitações relacionadas ao preparo técnico dos profissionais e às condições estruturais dos serviços, o que compromete a continuidade do cuidado e a efetividade da proteção. Ressalta-se ainda que a violência contra adolescentes impacta negativamente a qualidade de vida, com repercussões biopsicossociais que podem persistir ao longo da vida adulta.

De maneira geral, os estudos revisados convergem ao indicar que a assistência de enfermagem a crianças e adolescentes em situação de violência requer um olhar sensível, crítico e abrangente, que contemple não apenas a dimensão clínica, mas também os aspectos sociais, psicológicos e legais envolvidos. Entretanto, permanecem desafios expressivos, como a ausência de capacitação contínua, a fragilidade da articulação intersetorial e as barreiras institucionais para implementação de protocolos assistenciais. Tais limitações evidenciam a necessidade de ampliar investimentos em políticas públicas de saúde e em educação permanente em enfermagem, a fim de consolidar o papel do enfermeiro como agente de cuidado, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Os estudos analisados se complementam ao esclarecer que a violência contra crianças e adolescentes é um grave problema de saúde pública e dos direitos humanos, podendo causar sequelas físicas, emocionais e sociais que perduraram durante toda a vida. Nesse sentido, tanto a dissertação de Silva (2022) quanto o estudo de Silva et al. (2020) demonstram que os diferentes tipos de violência são mais comuns de acontecerem com vítimas do sexo feminino, sendo o ambiente doméstico o principal lugar onde ocorrem os casos que, muitas vezes, são cometidos por familiares, parentes, e amigos próximos. Os dados levantados por esses dois autores reforçam a ideia de que a família assume um papel contraditório, pois, ao mesmo tempo em que a mesma representa uma fonte de apoio e proteção, ela também pode se transformar em um ambiente de risco e hostilidade, tornando a violência infantil em um fenômeno mais complexo. Quanto aos tipos de violência, observa-se uma predominância nas formas psicológicas e físicas, além de episódios de negligência. 

Esses dados se correlacionam com a revisão de escopo de Santos et al. (2024), que evidencia as consequências da violência, sendo as mais comuns o desenvolvimento de problemas cognitivos, depressão, comportamentos suicidas e dificuldades nos relacionamentos interpessoais. Desse modo, o diagnóstico precoce e a notificação obrigatória surgem como importantes etapas a serem seguidas, ainda que as mesmas sejam afetadas negativamente por fragilidades na formação profissional e pelo medo que existe na hora de abordar situações tão sensíveis.

Contudo, uma prevenção bem realizada ainda é o melhor caminho para mudar esse cenário. Silva (2022) propõe o desenvolvimento de uma tecnologia que seja produzida com a participação de adolescentes, valorizando a construção coletiva e o engajamento social no intuito de promover neles o sentimento de segurança e visibilidade. Para complementar, López (2020) defende intervenções precoces baseadas no modelo sistêmico de Betty Neuman e nos cuidados centrados na família, reforçando a necessidade de incluir os cuidadores no combate aos maus-tratos. Ambos os trabalhos sugerem que estratégias inovadoras, participativas e educativas são mais eficazes para engajar adolescentes, famílias e comunidades na prevenção. Em relação à formação profissional, há consenso sobre a importância de adotar metodologias mais ativas que mostrem a esses futuros profissionais a realidade da violência infanto-juvenil. 

O estudo realizado por Baragatti et al. (2025) evidencia que a simulação clínica torna possível a vivência prática e reflexiva de estudantes diante de situações de violência por parceiro íntimo em adolescentes, estimulando o desenvolvimento de competências como acolhimento, mediação de conflitos e reconhecimento da rede de apoio. 

A pesquisa feita por Santos et al. (2024) obteve resultados parecidos, que demonstraram ganhos significativos no conhecimento de enfermeiros. Esses resultados reforçam a ideia de que estratégias formativas aplicadas de forma contínua aumentam a confiança dos profissionais na hora de manejar, notificar e encaminhar os casos de violência. Outro ponto a ser observado, é que o enfrentamento da violência exige uma atuação multissetorial, que envolva não apenas o setor saúde, mas também a educação, a assistência social, o sistema de justiça e os conselhos tutelares, e para isso, é preciso que sejam elaborados dados epidemiológicos concretos que sirvam como base para a implementação de políticas públicas que envolvam esses diferentes setores.

Sob a ótica da saúde coletiva, Bianchi et al. (2024) contribuem ao associar os efeitos da violência ao adoecimento psíquico de crianças e adolescentes no ambiente escolar. Os autores apontam que conflitos familiares, situações de violência e o uso excessivo de recursos digitais figuram como fatores de risco relevantes para transtornos mentais nesse público. Nesse cenário, o enfermeiro no Programa Saúde na Escola atua não apenas como educador em saúde, mas também como agente de vigilância capaz de identificar sinais de sofrimento mental e intervir preventivamente. Essa abordagem amplia a compreensão do cuidado de enfermagem, revelando que o atendimento não deve se restringir às demandas clínicas imediatas, mas também englobar ações de promoção da saúde e prevenção de agravos, especialmente no campo da saúde mental infantojuvenil.

5. CONCLUSÃO

A violência contra crianças e adolescentes causa consequências que não se limitam apenas ao aspecto físico, e atinge de forma significativa o bem-estar emocional, psicológico e social das vítimas. Apesar do surgimento de políticas públicas e do reconhecimento da importância da enfermagem no combate à violência infanto-juvenil, ainda existem falhas na formação do profissional, na articulação entre os setores envolvidos e na implementação de estratégias eficazes de identificação, notificação e encaminhamento dos casos.

A enfermagem, por estar presente na rede Atenção Primária e em programas como o Saúde na Escola, consegue atuar diretamente na prevenção e no enfrentamento da violência, no entanto, para que esse combate ocorra de forma efetiva, é preciso garantir uma formação contínua para esses profissionais, bem como o apoio institucional e a criação de protocolos bem definidos que sirvam como fonte de orientação. O desenvolvimento de programas preventivos, que aconteça de forma educativa e participativa envolvendo tanto os profissionais, como também os adolescentes, as famílias e a comunidade, torna-se o primeiro passo para a construção de ambientes seguros e acolhedores.

Portanto, conclui-se que o combate à violência contra a criança e ao adolescente carece de um trabalho conjunto entre os setores da saúde, educação, justiça e assistência social, para isso, é preciso que haja investimentos em políticas públicas pautadas em dados concretos, e na formação de profissionais que os preparem para lidar com situações tão delicadas e desafiadoras. Desse modo, será possível garantir uma proteção integral de crianças e adolescentes, que promova o respeito aos seus direitos e o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e segura.

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