THE CHALLENGES TO EFFECTIVE TUBERCULOSIS CONTROL BY NURSING TEAMS IN PRIMARY HEALTH CARE UNITS: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW
LOS DESAFÍOS PARA EL CONTROL EFECTIVO DE LA TUBERCULOSIS POR EQUIPOS DE ENFERMERÍA EN UNIDADES BÁSICAS DE SALUD: REVISIÓN INTEGRATIVA DE LA LITERATURA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512122116
Izabel Cristina da Costa Gonçalves
Lívia Leal Silva
Rosiléia Bitencourt de Sousa Ferreira
Daniel Tobelém
RESUMO
A tuberculose permanece como um dos maiores desafios da saúde pública, especialmente em regiões marcadas por desigualdades sociais e fragilidades estruturais dos serviços de atenção básica. Mesmo com diagnóstico e tratamento disponíveis no SUS, persistem altos índices de adoecimento, abandono terapêutico e dificuldades no acompanhamento clínico. A enfermagem, inserida na Atenção Primária à Saúde, desempenha papel essencial no diagnóstico precoce, entretanto, múltiplos obstáculos, sociais, organizacionais e culturais, ainda comprometem a efetividade dessas ações. O objetivo foi analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os principais desafios enfrentados pelas equipes de enfermagem no controle efetivo da tuberculose em Unidades Básicas de Saúde. Como metodologia, tratou-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e documental, conduzida a partir de uma revisão integrativa da literatura. A busca foi realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os descritores “dificuldades”, “tuberculose”, “enfermagem” e “Centros de Saúde”. Os resultados apontara que o controle da tuberculose depende de múltiplos fatores além do tratamento medicamentoso. As principais dificuldades identificadas incluem redução da vigilância e da busca ativa; atraso no diagnóstico; baixa adesão ao tratamento devido a barreiras econômicas, estigma, falta de orientação e fragilidades no acolhimento; falta de capacitação contínua das equipes para manejo de casos complexos e resistentes; desorganização dos fluxos assistenciais; e insuficiência de políticas intersetoriais que integrem saúde e assistência social. A enfermagem aparece como categoria central nesse processo, porém enfrenta sobrecarga, limitações de infraestrutura e desafios culturais nos territórios. Conclui-se com isso, que o controle efetivo da tuberculose requer ações integradas, contínuas e humanizadas. O fortalecimento da Atenção Primária, a capacitação permanente das equipes de enfermagem, o aprimoramento da vigilância epidemiológica, e o apoio social aos pacientes são estratégias fundamentais para reduzir abandonos, ampliar o diagnóstico precoce e promover a cura.
Palavras-chave: Tuberculose. Enfermagem. Atenção Primária à Saúde. Controle da Doença. Adesão ao Tratamento.
ABSTRACT
Tuberculosis remains one of the major challenges in public health, particularly in regions marked by social inequalities and structural weaknesses within primary care services. Even with diagnosis and treatment available through the Brazilian Unified Health System (SUS), high rates of illness, treatment abandonment, and difficulties in clinical follow-up persist. Nursing professionals, working within Primary Health Care, play an essential role in early diagnosis; however, multiple social, organizational, and cultural barriers still compromise the effectiveness of these actions. The aim of this study was to analyze, through an integrative literature review, the main challenges faced by nursing teams in the effective control of tuberculosis in Primary Health Care units. The methodology consisted of a qualitative, descriptive, and documentary study based on an integrative literature review. The search was conducted in the Virtual Health Library (BVS), using the descriptors “difficulties,” “tuberculosis,” “nursing,” and “Health Centers.” The results indicated that tuberculosis control depends on multiple factors beyond pharmacological treatment. The main challenges identified include reduced surveillance and active case finding; delays in diagnosis; low treatment adherence due to economic barriers, stigma, lack of guidance, and weaknesses in patient reception; insufficient continuous training of health teams to manage complex or drug-resistant cases; disorganization of care flows; and limited intersectoral policies integrating health and social assistance. Nursing emerges as a central category in this process but faces work overload, infrastructure limitations, and cultural challenges in various territories. It is concluded that effective tuberculosis control requires integrated, continuous, and humanized actions. Strengthening Primary Health Care, ensuring ongoing training for nursing teams, improving epidemiological surveillance, and expanding social support for patients are essential strategies to reduce treatment abandonment, enhance early diagnosis, and promote cure.
Keywords: Tuberculosis. Nursing. Primary Health Care. Disease Control. Treatment Adherence.
RESUMEN
La tuberculosis sigue siendo uno de los mayores desafíos de la salud pública, especialmente en regiones marcadas por desigualdades sociales y fragilidades estructurales en los servicios de atención primaria. Aunque el diagnóstico y el tratamiento están disponibles en el Sistema Único de Salud (SUS), persisten altas tasas de enfermedad, abandono terapéutico y dificultades en el seguimiento clínico. La enfermería, inserta en la Atención Primaria de Salud, desempeña un papel fundamental en el diagnóstico precoz; sin embargo, múltiples barreras sociales, organizativas y culturales aún comprometen la efectividad de estas acciones. El objetivo de este estudio fue analizar, mediante una revisión integradora de la literatura, los principales desafíos enfrentados por los equipos de enfermería en el control efectivo de la tuberculosis en unidades de atención primaria. La metodología consistió en una investigación cualitativa, descriptiva y documental basada en una revisión integradora de la literatura. La búsqueda se realizó en la Biblioteca Virtual en Salud (BVS), utilizando los descriptores “dificultades”, “tuberculosis”, “enfermería” y “Centros de Salud”. Los resultados señalaron que el control de la tuberculosis depende de múltiples factores más allá del tratamiento farmacológico. Entre las principales dificultades identificadas se encuentran la reducción de la vigilancia y de la búsqueda activa; el retraso en el diagnóstico; la baja adherencia al tratamiento debido a barreras económicas, estigma, falta de orientación y debilidades en la acogida; la capacitación insuficiente y continua de los equipos para el manejo de casos complejos o resistentes; la desorganización de los flujos asistenciales; y la escasez de políticas intersectoriales que integren salud y asistencia social. La enfermería aparece como categoría central en este proceso, pero enfrenta sobrecarga laboral, limitaciones de infraestructura y desafíos culturales en los territorios. Se concluye que el control efectivo de la tuberculosis requiere acciones integradas, continuas y humanizadas. El fortalecimiento de la Atención Primaria, la capacitación permanente de los equipos de enfermería, el mejoramiento de la vigilancia epidemiológica y el apoyo social a los pacientes son estrategias fundamentales para reducir el abandono, ampliar el diagnóstico precoz y promover la cura.
Palabras clave: Tuberculosis. Enfermería. Atención Primaria de Salud. Control de la Enfermedad. Adherencia al Tratamiento.
1. INTRODUÇÃO
A tuberculose (TB) é uma das doenças infecciosas mais antigas da história humana e, apesar de ser prevenível e tratável, continua figurando entre os principais desafios de saúde pública mundial. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020), cerca de 10 milhões de pessoas adoecem com tuberculose anualmente, e aproximadamente 1,4 milhão ainda morrem em decorrência da doença, revelando um cenário preocupante de negligência e desigualdade em sua abordagem.
A tuberculose vem sendo reconhecida como um dos principais desafios ainda presentes no cenário brasileiro de saúde pública, devido à sua elevada incidência e mortalidade entre populações vulneráveis, mesmo com avanços terapêuticos e de políticas públicas. Fatores socioeconômicos como pobreza, baixa escolaridade e exclusão social ampliam o risco de adoecimento e dificultam o acesso ao diagnóstico e tratamento em tempo oportuno, perpetuando um ciclo de transmissão difícil de ser interrompido (Silva; Souza; Albuquerque, 2024; Guimarães; Moura; Costa, 2023).
As barreiras no controle da TB incluem o estigma social, que reforça o isolamento do paciente e pode ocasionar o abandono do tratamento, particularmente em comunidades periféricas e entre privados de liberdade O abandono do tratamento é outro fator crítico, relacionado à longa duração do regime terapêutico e à falta de acompanhamento sistemático por parte das equipes de saúde, o que contribui para o surgimento de cepas resistentes (Rodrigues; Silva; Oliveira, 2021; Carvalho; Lima; Soares, 2022).
As fragilidades da vigilância epidemiológica tornaram-se evidentes no contexto da pandemia de COVID-19, agravando subnotificações e impactando diretamente a redução na detecção e monitoramento de novos casos. Os desafios adicionais estão na integração das políticas intersetoriais voltadas para o enfrentamento da TB, pois ainda há falhas na coordenação entre os níveis federal, estadual e municipal, prejudicando o desenvolvimento de estratégias eficazes (Pereira; Rodrigues; Menezes, 2022).
A descentralização das ações associada à escassez de recursos humanos e materiais em municípios prioritários colabora para a fragmentação das políticas e dificulta a efetividade do atendimento integral. O contexto prisional no Brasil evidencia a extrema vulnerabilidade quanto à TB, apresentando taxas de incidência muito superiores à média nacional e importantes lacunas no controle e tratamento, o que agrava a disseminação da doença. As populações indígenas e em situação de rua também estão entre os grupos mais atingidos, exigindo práticas diferenciadas e culturalmente sensíveis para garantir o acesso ao cuidado e romper o ciclo de adoecimento (Ferreira; Alves; Cerqueira, 2024; Martins; Freitas; Silva, 2023).
Por fim, a tuberculose permanece sendo um marcador de iniquidades sociais e desafios sistêmicos da saúde coletiva no Brasil, demandando soluções inovadoras que envolvam educação em saúde, investimento permanente em infraestrutura e fortalecimento da atenção primária (Santana; Oliveira; Ferreira, 2025).
Diante disso, o objetivo desse estudo é analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os principais desafios enfrentados para o controle efetivo da tuberculose por equipes de enfermagem em unidades básicas de saúde.
Sob perspectiva social, esta pesquisa busca contribuir para reflexão e aprimoramento das políticas públicas de controle da tuberculose, fortalecendo a atuação dos profissionais de saúde e promovendo equidade no cuidado. Espera-se que os resultados subsidiem estratégias locais de vigilância, prevenção e educação em saúde, com impactos positivos na qualidade de vida da população afetada.
2. METODOLOGIA
Este trabalho utiliza uma abordagem qualitativa e descritiva, que se dedica a entender os fenômenos com base nas percepções, vivências e significados que as pessoas atribuem ao seu contexto de vida. Além disso, busca apresentar, analisar e documentar as características de um fenômeno conforme ele ocorre na realidade. Conforme enfatiza Minayo (2014), a pesquisa qualitativa possibilita uma interpretação mais aprofundada das relações sociais, dos comportamentos e das práticas, caracterizam os fenômenos humanos. Já segundo Richardson (2017), a pesquisa descritiva visa retratar com precisão certos fatos, comportamentos ou fenômenos, proporcionando uma compreensão detalhada e organizada do objeto de estudo. Assim, essa característica torna mais claro e estruturado os desafios e as práticas da enfermagem no combate à tuberculose.
Logo, a pesquisa foi realizada com base em uma revisão integrativa da literatura, seguindo as seis etapas da metodologia sugerida por Mendes, Silveira e Galvão (2008): definição do tema e formulação da questão de pesquisa; estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; seleção das informações a serem extraídas; análise dos estudos selecionados; interpretação dos resultados; e apresentação da síntese final.
É uma pesquisa documental e descritiva, fundamentada na análise de documentos oficiais, livros e artigos científicos sobre a tuberculose. A busca pelas publicações será feita na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que é de grande importância para a saúde e é capaz de reunir produções atualizadas e de boa qualidade, sobretudo sobre os agravos de saúde pública que têm prioridade, como a tuberculose.
Os descritores “dificuldades”, “tuberculose”, “enfermagem” e “Centros de Saúde” serão usados na busca pelos artigos, intercalados pelos operadores booleanos AND e OR. Serão selecionados estudos publicados de 2021 a 2025, que estejam acessíveis na íntegra, em português, e que tratam da atuação e dos desafios da enfermagem no manejo da tuberculose.
Os dados foram organizados em fichamentos, com informações sobre autores, ano, objetivos, metodologia, resultados, conclusões e contribuições para o estudo, após a seleção. Com essa organização, foi possível apontar categorias temáticas e criar uma síntese integrativa que mostre, de forma clara e embasada, os principais obstáculos encontrados na atenção à tuberculose no campo da enfermagem.
3. RESULTADOS
A busca realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que identificou 80 estudos relacionados ao tema. Após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, 20 estudos permaneceram para leitura dos títulos, resumos e considerações, para avaliar se realmente respondia o objetivo da pesquisa. Depois dessa seleção mais cuidadosa, 12 estudos foram escolhidos para compor a discussão, por serem os que mais dialogavam com a atuação da Atenção Primária e da enfermagem no cuidado às pessoas com tuberculose. No Quadro 1, é possível ver a síntese dos estudos selecionados.
Quadro 1 – Síntese dos estudos encontrados sobre tuberculose.
| AUTORES & ANO | OBJETIVOS | METODOLOGIA | PRINCIPAIS RESULTADOS | CONTRIBUIÇÃO |
| Antunes; Conceição; Abreu; Ramis; Vasconcelos; Soares (2024) | Analisar impacto da pandemia no tratamento da TB | Estudo observacional | Redução da adesão, acesso e vigilância | O estudo destaca a necessidade de reorganização dos serviços, criação de planos emergenciais e fortalecimento de estratégias de vigilância. |
| Souza; Silva; Santos; Pereira; Gomes; Carvalho (2024) | Identificar efeitos da pandemia no controle da TB | Estudo descritivo | Redução da busca ativa e diagnóstico tardio | Reforça que a APS precisa restabelecer rotinas, reorganizar o processo de trabalho e retomar estratégias territoriais. Além disso, de como descontinuidade assistencial impacta indicadores epidemiológicos e agrava transmissão comunitária. |
| Lima; Silva; Barbosa; Sousa (2023) | Avaliar acesso aos programas sociais | Estudo transversal | Baixa inserção e barreiras socioeconômicas | O estudo reforça a necessidade de políticas intersetoriais articuladas entre saúde e assistência social, fortalecendo redes de proteção. |
| Germano; Ferreira; Nascimento; Rocha (2024) | Analisar assistência da enfermagem na TB resistente | Revisão integrativa | Falhas de capacitação e manejo clínico | Mostra que diante da TB resistente, destaca urgência de protocolos específicos, capacitação permanente e fortalecimento da autonomia clínica. |
| Santos; Farias; Lima; Costa (2025) | Compreender práticas plurais de cuidado | Estudo qualitativo | Cuidado fragmentado e desafios culturais | Evidencia a necessidade de cuidado centrado na pessoa, considerando dimensões culturais, familiares e sociais, que vínculo, comunicação e compreensão das trajetórias dos pacientes são essenciais para adesão. |
| Gonzales; Rodrigues; Castro; Fernandes (2025) | Avaliar capacidade da APS durante a pandemia | Estudo nacional | Queda na detecção e acompanhamento | Reforça necessidade de fortalecer infraestrutura, qualificar equipes e aprimorar processos de vigilância. Além disso, sugere que sistemas resilientes dependem de planejamento contínuo e recursos adequados. |
| Souza; Campos; Gomes (2022) | Revisar cuidados de enfermagem | Revisão integrativa | Educação em saúde essencial | Reforça atuação educativa da enfermagem como determinante para adesão. Destaca a importância do apoio familiar, orientação contínua e acompanhamento sistemático. |
| Ramos; Ribeiro; Souza (2021) | Descrever ações preventivas | Revisão | Busca ativa insuficiente | Mostra que a ausência de vigilância ativa dificulta detecção precoce e amplia risco epidemiológico. |
| Figueredo et al. (2022) | Revisar atuação da enfermagem | Revisão integrativa | Falhas na adesão e educação em saúde | Reforça a importância da atualização profissional e da integração das equipes. |
| Sousa et al. (2025) | Revisar atuação profissional | Revisão da literatura | Lacunas de acolhimento e orientação | Mostra a necessidade urgente de padronização de fluxos e educação permanente e que fragilidades no processo de cuidado comprometem continuidade e eficácia do tratamento. |
| Jesus; Almeida; Correia (2022) | Avaliar impacto da APS | Estudo de coorte | APS forte reduz incidência | O estudo reforça papel estratégico da APS no controle epidemiológico e na melhoria dos indicadores de saúde pública. |
| Lopes; Andrade; Silva (2025) | Analisar impacto da cobertura da APS | Estudo ecológico | Visitas domiciliares aumentam detecção | A pesquisa reforça importância da atuação territorializada e contínua da equipe de APS como estratégia central no controle da TB. |
4. DISCUSSÃO
Os estudos analisados mostram que o controle da tuberculose depende não apenas do tratamento medicamentoso, mas também da forma como os serviços de saúde organizam suas ações, acolhem os pacientes e mantêm um acompanhamento contínuo. Os autores apontam que a pandemia trouxe um impacto significativo sobre todo esse processo, dificultando o diagnóstico, reduzindo a busca por atendimento e prejudicando a adesão.
Nos estudos de Antunes et al. (2024) e Souza et al. (2024), a pandemia aparece como um ponto central para entender a piora dos indicadores da TB. Antunes et al. destacam que houve redução da adesão, dificuldades de acesso aos serviços e queda na vigilância. Eles apontam a necessidade de planos emergenciais, reorganização dos serviços e equipes preparadas para manter o cuidado mesmo em situações de crise. Já Souza, Campos e Gomes (2022) mostram que a APS perdeu grande parte de suas rotinas, especialmente a busca ativa, o acompanhamento das famílias e as visitas domiciliares. Isso resultou em diagnósticos mais tardios e aumento da transmissão comunitária.
Com isso, a análise conjunta desses dois estudos mostra que a pandemia não apenas interrompeu atividades essenciais, mas evidenciou fragilidades que já existiam na prática diária dos serviços de saúde. Ambos deixam claro que, quando a APS perde sua capacidade de atuar de forma contínua e próxima do território, todo o processo de detecção, acompanhamento e prevenção fica comprometido. Assim, os estudos reforçam que a organização dos serviços e a manutenção das rotinas da APS são fatores decisivos para evitar agravamentos nos indicadores da TB, especialmente em momentos de maior pressão sobre o sistema de saúde.
Outro ponto relevante da literatura envolve as condições sociais e o acesso às políticas públicas, como mostrado por Lima et al. (2023). Os autores observaram que muitas pessoas que vivem com TB enfrentam dificuldades econômicas, baixa inserção em programas sociais e barreiras que dificultam a continuidade do cuidado. Esse estudo destaca que o tratamento não avança somente com medicação, ele depende de apoio financeiro, alimentação adequada, estabilidade familiar e acompanhamento social. Assim, reforça a necessidade de articulação entre saúde e assistência social, mostrando que a TB é também um problema social, e não apenas clínico.
A atuação da enfermagem é outro eixo importante presente em vários estudos. Germano et al. (2024) focam no cuidado à TB resistente e mostram que muitos profissionais ainda não se sentem preparados para lidar com casos mais complexos, principalmente pela falta de capacitação contínua e pela ausência de protocolos específicos. Já Figueredo et al. (2022) destacam falhas na adesão dos pacientes e dificuldades no desenvolvimento de ações educativas, reforçando a necessidade de equipes integradas e atualizadas. Esses estudos evidenciam que, sem capacitação adequada e sem ações educativas bem estruturadas, o cuidado fica fragilizado, especialmente em casos mais complexos como a TB resistente. Ambos apontam que o preparo técnico da equipe e a orientação clara ao paciente são elementos essenciais para melhorar a adesão e a qualidade do cuidado.
Nessa mesma ideia, se complementando, Ramos, Ribeiro e Souza (2021) reforçam que a educação em saúde é fundamental para que o paciente compreenda sua condição, reconheça a importância do tratamento e consiga manter a adesão. Os autores também destacam que o apoio familiar e a orientação contínua ajudam a reduzir interrupções e melhoram os resultados. Já Sousa et al. (2025) mostram que ainda existem falhas no acolhimento, na comunicação com os pacientes e na organização dos fluxos assistenciais, o que pode gerar insegurança e abandono do tratamento. Logo, o que ficou apontado é que o cuidado não depende apenas da parte técnica, mas também de acolhimento, comunicação e apoio contínuo ao paciente. Quando essas dimensões não funcionam bem, aumentam as chances de abandono e piora nos indicadores. O bloco reforça que o cuidado em TB é mais eficaz quando leva em conta tanto a orientação quanto o vínculo e a clareza das informações passadas ao paciente.
Com relação aos estudos que abordam a Atenção Primária à Saúde, apresenta o território e a proximidade do profissional junto a comunidade, influencia diretamente nos indicadores da TB. Jesus, Almeida e Correia (2022) mostram que áreas com APS estruturada conseguem reduzir a incidência da doença, justamente porque mantém vigilância ativa e acompanhamento regular dos pacientes. Já Lopes, Andrade e Silva (2025) observam que as visitas domiciliares aumentam a detecção de novos casos, fortalecem o vínculo com as famílias e melhoram o tratamento. Esses achados dialogam com os estudos da pandemia, mostrando que, quando a APS reduz sua atuação territorial, os indicadores pioram; quando ela se fortalece, os resultados melhoram.
O estudo nacional de Gonzales et al. (2025) complementa essa discussão ao mostrar que a capacidade da APS foi bastante prejudicada pela falta de infraestrutura e de planejamento durante a pandemia. Os autores defendem que equipes bem preparadas, serviços organizados e recursos adequados são fundamentais para evitar prejuízos no cuidado. Nesse sentido, ele reforça que o sistema de saúde precisa ser constantemente aprimorado, não apenas em momentos de crise, mas de forma contínua.
E por fim, o estudo de Santos et al. (2025), amplia essa visão sobre o cuidado, ao mostrar que fatores culturais, familiares e sociais influenciam diretamente a adesão ao tratamento. Pacientes que não compreendem sua condição, não se sentem acolhidos ou vivem em contextos de maior vulnerabilidade tendem a abandonar o tratamento com mais facilidade. O estudo mostra que ouvir as histórias, respeitar os valores culturais e fortalecer a comunicação são ações essenciais para garantir bons resultados.
Diante de todas as evidências, fica claro que o controle da TB não depende apenas de diagnóstico e medicação, mas de uma série de ações integradas que incluem vigilância ativa, acolhimento, educação em saúde, políticas sociais e acompanhamento constante. As diferenças entre os estudos aparecem mais no foco de cada pesquisa, pandemia, APS, enfermagem, condições sociais, do que nos resultados em si. Todos enfatizam que ainda existe muito a melhorar, especialmente na organização dos serviços e na capacitação das equipes.
Com isso, mesmo trazendo informações valiosas, os estudos ainda apresentam limitações, como poucos acompanhamentos de longo prazo e ausência de análises aprofundadas sobre regiões específicas. Isso mostra que ainda há espaço para novas pesquisas que avaliem o impacto dessas estratégias ao longo dos anos e que investiguem formas de fortalecer a APS e o cuidado da enfermagem.
5. CONCLUSÃO
Com base nos estudos analisados foi possível confirmar que o controle da tuberculose depende de um conjunto de ações que vão além do tratamento medicamentoso. A pandemia evidenciou fragilidades antigas dos serviços de saúde, como a redução da vigilância, a queda na busca ativa e a interrupção do acompanhamento regular, fatores que contribuíram para diagnósticos tardios e aumento da transmissão comunitária. Ao mesmo tempo, apontam caminhos importantes para melhorar esse cenário, principalmente por meio da reorganização dos serviços e do fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.
A atuação da enfermagem aparece como um dos pontos centrais para garantir um cuidado mais completo. A capacitação contínua, educação em saúde, boa comunicação e acolhimento adequado são fatores que influenciam diretamente a adesão ao tratamento. Além disso, o apoio familiar e o acompanhamento próximo das equipes contribuem para reduzir abandonos e melhorar os resultados terapêuticos. Outro aspecto fundamental evidenciado é a influência das condições sociais na vida das pessoas com TB. Barreiras econômicas, dificuldades de acesso e baixa inserção em programas de proteção social dificultam a continuidade do tratamento, mostrando que o enfrentamento da doença exige também ações intersetoriais entre saúde e assistência social.
Com isso, pode concluir-se que o avanço no controle da tuberculose depende da soma de esforços, como organização dos serviços, fortalecimento da APS, capacitação das equipes, melhoria dos fluxos assistenciais, educação em saúde e suporte social. Assim, a revisão reforça que a tuberculose deve ser enfrentada por meio de um cuidado completo, contínuo e sensível às realidades sociais dos pacientes. Investir na APS, qualificar as equipes de saúde e ampliar o apoio social são passos essenciais para melhorar os indicadores da doença e promover um tratamento mais eficaz e humanizado.
Logo, esse estudo contribui de maneira importante, para que haja novos estudos que possam avaliar os impactos a longo prazo e as estratégias, especialmente em diferentes regiões do país.
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