APRESENTAÇÃO DE MÉTODOS FISIOTERAPÊUTICOS NO MANEJO DA PLAGIOCEFALIA EM LACTENTES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510311251


Brenda Duarte Cavalcante
Samara Raquel Santos Viana
Orientadora: Profa. Msc. Natali dos Santos Dias
Coorientador: Prof. Anderson Felipe Bernardo da Silva


RESUMO 

A plagiocefalia posicional é uma deformidade craniana adquirida nos primeiros meses de vida, geralmente associada à manutenção prolongada da posição supina. Este trabalho teve como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica, a contribuição da fisioterapia no manejo dessa condição. A pesquisa foi realizada nas bases SciELO, PubMed e PEDro, considerando artigos publicados entre 2019 e 2024. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados oito estudos para análise. Os resultados apontaram que intervenções fisioterapêuticas, como reposicionamento postural, exercícios para o fortalecimento cervical, terapia manual e uso de órteses cranianas, mostraram-se eficazes na correção da assimetria craniana e na prevenção de complicações secundárias, além de favorecerem o desenvolvimento neuropsicomotor. Conclui-se que a atuação fisioterapêutica precoce é fundamental, devendo ser associada à orientação aos pais e cuidadores, com vista à promoção de melhores desfechos funcionais e estéticos para a criança. 

Palavras-chave: Plagiocefalia posicional. Fisioterapia pediátrica. Reposicionamento postural. Órteses cranianas. Desenvolvimento motor. 

ABSTRACT 

Positional plagiocephaly is a cranial deformity acquired in the first months of life, usually associated with prolonged supine positioning. This study aimed to analyze, through a literature review, the contribution of physiotherapy in managing this condition. The research was conducted in the SciELO, PubMed, and PEDro databases, including articles published between 2019 and 2024. After applying the inclusion and exclusion criteria, eight studies were selected for analysis. The findings indicated that physiotherapeutic interventions, such as postural repositioning, cervical strengthening exercises, manual therapy, and cranial orthoses, were effective in correcting cranial asymmetry and preventing secondary complications, while also supporting neuropsychomotor development. It is concluded that early physiotherapeutic intervention is essential and should be combined with guidance for parents and caregivers to promote better functional and aesthetic outcomes for children. 

Keywords: Positional plagiocephaly. Pediatric physiotherapy. Postural repositioning. Cranial orthoses. Motor development.

INTRODUÇÃO 

O termo plagiocefalia é derivado do grego plágios (oblíquo) e kephalé (cabeça), referindo-se a alterações no formato craniano (Buron; Imperatore; Zuleta, 2023), nas quais o crânio é submetido a forças assimétricas, resultando em achatamento de um lado e aumento da diferença diagonal (DD) entre as diagonais transcranianas (Wang et al., 2019). Trata-se, portanto, de uma deformidade craniana causada por forças externas aplicadas de forma contínua, principalmente durante os primeiros meses de vida, período em que o crânio ainda é maleável e altamente influenciado pelo posicionamento da cabeça (Blanco-Diaz et al., 2023). 

A literatura descreve dois tipos principais de plagiocefalia: a secundária à craniossinostose e a posicional ou deformacional, sendo esta última a mais comum e relacionada à aplicação prolongada de forças externas sobre o crânio do lactente. Essas forças podem ser de origem pré-natal, como a posição intrauterina, ou pós-natal, especialmente pelo tempo prolongado em decúbito dorsal (Pastor-Pons et al., 2021). 

A prevalência da PP tem aumentado nas últimas décadas, variando de 5% a 48% em lactentes saudáveis, com maior incidência aos quatro meses de idade (Charalambous et al., 2024). Esse crescimento está associado, em parte, à campanha “Sono Seguro”, de 1992, que recomendou o posicionamento supino para prevenir a síndrome da morte súbita infantil (Cabrera-Martos et al., 2021). Embora eficaz na redução da mortalidade, essa medida contribuiu para o aumento das deformidades cranianas posicionais (Lam et al., 2017). 

A plagiocefalia posicional (PP) é caracterizada pelo achatamento craniano assimétrico, protrusão contralateral e desalinhamento auricular, podendo resultar também em torcicolo postural e assimetrias cervicais. Tais alterações interferem não apenas na estética craniofacial, mas também no controle postural e no desenvolvimento motor global (Lam et al., 2017). 

Entre os principais fatores de risco estão a restrição intrauterina, prematuridade, parto instrumentalizado, primiparidade e gestações múltiplas (Cabrera-Martos et al., 2021; Lam et al., 2017). Durante o período de amamentação, relatos de assimetria craniana também se tornaram mais frequentes (Linz et al., 2017). 

Além das repercussões físicas, a PP pode gerar impactos psicossociais, como baixa autoestima e dificuldades de socialização (Pastor-Pons et al., 2021). Dessa forma, destaca-se a importância do diagnóstico precoce e da intervenção fisioterapêutica adequada, visando não apenas à correção estética, mas também à prevenção de alterações funcionais secundárias. 

A fisioterapia é reconhecida como primeira linha de intervenção para a plagiocefalia posicional , por atuar diretamente na reeducação postural, correção de assimetrias e estímulo do desenvolvimento motor global. As principais estratégias incluem o reposicionamento ativo, o alongamento da musculatura cervical encurtada, o fortalecimento dos músculos antagônicos, o treino de controle cefálico e de tronco, e a orientação aos pais ou cuidadores quanto ao posicionamento adequado e estímulos sensório-motores no dia a dia. (Blanco-Díaz et al., 2023) 

Tais técnicas, quando aplicadas precocemente, promovem melhora significativa na simetria craniana e no desenvolvimento funcional da criança, além de reduzirem a necessidade de intervenções ortóticas, como o uso de capacetes cranianos. Assim, a fisioterapia apresenta papel essencial tanto na prevenção quanto na reabilitação da plagiocefalia, reforçando sua relevância clínica e científica no acompanhamento do desenvolvimento infantil. (Cabrera-Martos et al., 2021). 

Dessa forma, este estudo busca apresentar a contribuição das técnicas fisioterapêuticas no manejo da plagiocefalia posicional, destacando sua importância na promoção do desenvolvimento neuropsicomotor e na melhoria da qualidade de vida dos lactentes acometidos por essa condição. 

OBJETIVOS 

Objetivo geral 

Apresentar as principais abordagens fisioterapêuticas como intervenção no manejo de lactentes que apresentam plagiocefalia, analisando suas indicações, características e contribuições para a correção craniana e o desenvolvimento motor. 

Objetivos específicos 

Avaliar a eficácia das principais intervenções fisioterapêuticas (como o reposicionamento, a terapia manual e a estimulação motora) na correção do formato craniano em lactentes com plagiocefalia posicional (PP), comparando seus resultados com a terapia isolada de reposicionamento e as estratégias multimodais que incluem o uso de órteses cranianas (CO). 

Analisar a importância fundamental da intervenção precoce, especialmente em grupos vulneráveis como lactentes prematuros, para a otimização da correção craniana e a prevenção ou manejo de possíveis comorbidades associadas à plagiocefalia posicional. 

Discutir criticamente as evidências científicas mais relevantes que apoiam a fisioterapia e o uso de órteses cranianas, destacando os benefícios observados e as limitações na literatura, incluindo as divergências metodológicas e a ausência de padronização nos protocolos terapêuticos. 

METODOLOGIA 

Esta pesquisa foi desenvolvida através de uma revisão bibliográfica, com o intuito de analisar e sintetizar as evidências científicas sobre os métodos fisioterapêuticos utilizados no manejo da plagiocefalia em lactentes. O enfoque desta revisão está na identificação das indicações, aplicações, impactos sobre a correção craniana e efeitos no desenvolvimento motor, contribuindo para uma análise crítica e abrangente da produção científica. 

O questionamento que desenvolveu a  pesquisa foi elaborada a partir da estratégia PICO, em que a população relacionada a lactentes com diagnóstico de plagiocefalia posicional; a intervenção referente às abordagens fisioterapêuticas, como técnicas manuais, orientações posturais, estimulação precoce, exercícios de reposicionamento e uso de órteses associadas à fisioterapia; o comparador que leva em consideração a ausência de intervenção, o tratamento habitual ou diferentes  métodos não fisioterapêuticos; e os desfechos estão ligados a correção da assimetria craniana, melhora do desenvolvimento motor e os ganhos funcionais através do tratamento. Visto isso, a pergunta que conduziu o estudo foi definida da seguinte maneira: Quais os efeitos das intervenções fisioterapêuticas no manejo da plagiocefalia em lactentes em relação à correção craniana e ao desenvolvimento motor? 

A apuração dos estudos foi direcionada por critérios de elegibilidade previamente estabelecidos. Foram incluídos artigos publicados entre os anos de 2016 e 2025, produzidos em português, inglês ou espanhol, disponíveis na íntegra e que apresentassem dados metodológicos consistentes, como ensaios clínicos, revisões sistemáticas, revisões clínicas e revisões de escopo. Foram admitidos apenas estudos que abordassem de forma direta, intervenções fisioterapêuticas voltadas para o manejo da plagiocefalia em lactentes. Em contrapartida, foram excluídas publicações anteriores a 2016, estudos não disponibilizados na íntegra, pesquisas que tratassem exclusivamente da plagiocefalia sinostótica ou que envolvessem intervenções não relacionadas à fisioterapia.  

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, PEDro e SciELO, reconhecidas pela relevância e abrangência na área da saúde. Para isso, foram utilizados descritores controlados e não controlados em português, inglês e espanhol. Os descritores de busca utilizados foram: (“Physiotherapy Modalities” OR “Physical Therapy Modalities”) AND (“Plagiocephaly” OR “Positional Plagiocephaly”) AND (“Motor Development” OR “Early Intervention”). Foram empregados, ainda, termos semelhantes em português, como “modalidades de fisioterapia”, “fisioterapia”, “plagiocefalia”, “intervenção precoce”, “dispositivos ortóticos” e “desenvolvimento motor”. 

Os dados foram analisados de forma descritiva e narrativa, sendo agrupados em categorias temáticas relacionadas às diferentes estratégias fisioterapêuticas identificadas. A síntese das evidências contemplou quatro eixos principais: técnicas manuais e de reposicionamento; estimulação precoce do desenvolvimento motor; orientações posturais e ambientais dirigidas aos cuidadores; e uso de órteses em associação à fisioterapia. Esse processo possibilitou uma abordagem abrangente sobre os efeitos, benefícios e limitações das intervenções fisioterapêuticas no manejo da plagiocefalia em lactentes, permitindo a elaboração de uma síntese fundamentada nas melhores evidências disponíveis. 

Por fim, os dados dos estudos selecionados foram extraídos por meio de uma planilha padronizada, contemplando informações como autor e ano de publicação, país de origem, delineamento metodológico, características da amostra, tipo de intervenção fisioterapêutica utilizada, duração e frequência das sessões, instrumentos de avaliação aplicados, principais desfechos analisados e resultados obtidos. Além disso, foram registradas as limitações metodológicas relatadas em cada estudo, a fim de subsidiar uma análise crítica e contextualizada das evidências encontradas 

RESULTADOS E DISCUSSÃO  

O processo de seleção foi realizado em três etapas sequenciais. Inicialmente, todas as referências recuperadas foram importadas para um gerenciador bibliográfico, no qual as duplicatas foram identificadas e removidas. Em seguida, foi feita à triagem dos estudos por meio da leitura dos títulos e resumos, de modo a excluir aqueles que não apresentavam relação com a temática. Posteriormente, os artigos potencialmente elegíveis foram lidos na íntegra, garantindo-se a inclusão apenas daqueles que preenchiam os critérios previamente estabelecidos. O fluxo desse processo será representado em um fluxograma contemplando as fases de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão final dos estudos. 

Quadro 1: Fluxograma de resultados

Na presente revisão, inicialmente foram incluídos 23 estudos, onde 4 foram excluídos por não fazer parte dos critérios de elegibilidade. As publicações estavam distribuídas entre os anos de 2016 e 2025, abrangendo diferentes tipos de delineamento, como ensaios clínicos, revisões sistemáticas, e revisão de escopo. Para melhor organização e compreensão dos achados, foi elaborada a Tabela 1, que reúne informações essenciais de cada estudo, incluindo autor, ano de publicação, objetivos, metodologia e principais conclusões. 

Quadro 2 : tabela de resultados

Autor/Ano Objetivos Metodologia Conclusões 
Baird et al. (2016)  Comparar fisioterapia com reposicionamento e almofadas posicionadoras.  Revisão sistemática: 2 RCTs e 1 estudo prospectivo.  Fisioterapia mais eficaz que reposicionamento; sem diferença com almofadas, mas preferida por segurança.  
Van Vlimmeren et al. (2016)  Avaliar evolução de deformidades cranianas até os 5 anos.  Coorte prospectiva com 970 crianças (2003–2005).  Prevalência caiu de 48,5% ao nascer para 19,3% aos 5 anos; maioria resolveu espontaneamente.  
Linz et al. (2017)  Analisar intervenções conservadoras e uso de capacetes.  Revisão baseada em evidências.  Muitas deformidades resolvem espontaneamente; capacetes indicados em casos graves.  
Lam et al. (2017)  Comparar reposicionamento, fisioterapia e capacetes.  991 lactentes <1 ano; estudo retrospectivo.  Capacete mostrou maior eficácia; intervenção precoce teve melhores resultados.  
Wang et al. (2019)  Investigar prevalência de deformidades cranianas em prematuros.  530 lactentes ≤6 meses, estudo transversal.  Plagiocefalia 51,1%; braquicefalia 85,1%; mais comum em <32 semanas; recomendação de detecção precoce.  
Gonzumlez-Santo-Santos et al. (2020)  Comparar capacete craniano e fisioterapia.  48 lactentes (5–10 meses), 40 sessões.  Ambos reduziram CVAI; sem diferença significativa.  
Ellwood; Draper-Rodi; Carnes (2020)  Avaliar eficácia de terapias em PP e CMT.  Revisão sistemática de 14 estudos (1999–2019).  Terapia manual superior ao reposicionamento, mas inferior ao capacete; necessidade de estudos mais robustos.
Kim et al. (2020)  Avaliar eficácia do capacete craniano.  39 lactentes com PP; idade média 5,5 meses.  Sucesso em 83,3%;idade inicial influenciou eficácia.  
Pastor-Pons et al. (2021)  Comparar PIMT + educação vs. educação isolada.  34 lactentes <28 semanas; estudo controlado.  Redução significativa do CVAI no grupo PIMT.  
Cabrera-Martos et al. (2021)  Avaliar eficácia de diferentes intervenções de fisioterapia.  6 ensaios clínicos (RCTs e não-RCTs).  Intervenções potencialmente úteis, mas amostras pequenas.  
Charalambous et al. (2021)  Mapear comorbidades associadas à DP.  Protocolo de scoping review.  Indícios de associação com atrasos, mas ainda controversos.  
Mosca-Hayler et al. (2023)  Analisar prevalência de deformidades em prematuros em PAT.  103 lactentes <4 meses corrigidos.  96,1% apresentaram deformidades; associação com hospitalização prolongada.  
Burón Klose et al. (2023)  Revisar literatura sobre PP em lactentes.  Revisão narrativa.  PP aumentou após campanha de decúbito supino; intervenção precoce essencial.  
Peraza Nieto (2023)  Discutir impacto do decúbito supino na PP.  Carta ao editor.  Redução da morte súbita (40%), mas aumento da PP; sugere exercícios posicionais.  
Loukou et al. (2023)  Avaliar impacto psicológico em pais de crianças com diagnóstico inconclusivo.Revisão narrativa sistemática.  Elevados níveis de estresse e ansiedade; necessidade de suporte psicológico.
Charalambous et al. (2024)  Analisar comorbidades em DP até 2 anos.  Revisão sistemática de 27 estudos.  Atraso motor e fala limitados; evidências ainda fracas.  
Moses et al. (2024) Avaliar adesão a diferentes intervenções em deformidades cranianas.  45 lactentes (2–12 meses).  Adesão associada ao sucesso terapêutico; fisioterapia aumenta adesão.  

Fonte: Autoria própria 

A plagiocefalia posicional (PP) em lactentes é uma condição cuja incidência aumentou após a campanha Back to Sleep. Embora essa medida tenha sido altamente eficaz na redução da Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI), resultou também em maior prevalência de deformidades cranianas posicionais. Diante desse cenário, a intervenção precoce torna-se fundamental tanto para a correção craniana quanto para a prevenção de possíveis complicações (Lam et al., 2017).  

No acompanhamento longitudinal de Linz et al. (2017), a prevalência de deformidades cranianas caiu de 48,5% ao nascimento para 19,3% aos cinco anos, indicando que muitas deformidades podem se resolver espontaneamente ou com intervenção precoce. Tal evidência reforça a importância do início rápido da fisioterapia, uma vez que resultados são mais eficazes quando iniciados nos primeiros meses de vida (Peraza Nieto, 2023).  

A incidência de PP é maior em lactentes prematuros, especialmente aqueles com menos de 32 semanas de idade gestacional (Gonzumlez-Santos et al., 2020). A hospitalização prolongada também se associa positivamente às deformidades cranianas (Mosca-Hayler et al., 2023). Nesse grupo vulnerável, a detecção precoce e a intervenção direcionada tornam-se ainda mais essenciais. Adicionalmente, a literatura sugere que medidas cranianas específicas podem variar entre populações, como observado em crianças chinesas (Gonzumlez -Santos et al., 2020). 

As diretrizes baseadas em evidências recomendam a fisioterapia como abordagem terapêutica de primeira linha no manejo da PP (Vlimmeren et al., 2017). Entre as estratégias utilizadas, destacam-se a educação sobre reposicionamento e o uso de almofadas posicionadoras. No entanto, a fisioterapia demonstrou maior eficácia que o reposicionamento isolado. Ainda que os resultados obtidos com fisioterapia e almofadas, ambas não apresentem diferenças estatísticas significativas, a fisioterapia é preferida por ser mais segura e não comprometer as recomendações de sono seguro (Baird et al., 2016). 

Além do reposicionamento, a fisioterapia inclui terapia manual, estimulação motora e alongamentos, geralmente combinados com orientação aos pais e cuidadores (Charalambous et al., 2021). Nesse sentido, o estudo de Cabrera-Martos et al. (2021) mostrou que a Terapia Manual Integrativa Pediátrica (PIMT), associada à educação parental, promoveu redução significativa do Índice de Assimetria da Abóbada Craniana (CVAI) (3,72 ± 1,40%), além de melhorar a percepção estética dos pais em relação à condição dos filhos. 

A terapia de reposicionamento (RP) e a fisioterapia (PT) são consideradas intervenções centrais no tratamento da PP, contribuindo tanto para a correção craniana quanto para o desenvolvimento motor. Evidências apontam que, enquanto órteses cranianas personalizadas (CO) promovem melhora significativa de 36,7% no Índice de Diagonais Oblíquas (ODD), a associação entre reposicionamento, fisioterapia e órtese craniana pode alcançar uma melhora de até 33,5%. Em contrapartida, RP e PT isolados resultam em apenas 15,1% de melhora, sugerindo que estratégias multimodais produzem resultados mais expressivos (Wang et al., 2016). 

Quando comparados, o uso do capacete craniano (CHT) e a técnica de terapia manual e reposicionamento demonstraram reduções semelhantes sem diferenças estatisticamente significativas. Revisões apontam que a terapia manual supera o reposicionamento, mas ainda é menos eficaz que o capacete (Ellwood; Draper-Rodi; Carnes, 2020). A Helmet Molding Therapy, por sua vez, apresentou taxa de sucesso de 83,33%, sendo sua eficácia dependente da idade de início do tratamento e das medidas cranianas iniciais (Kim et al., 2020). Esses achados reforçam que tanto a gravidade da deformidade quanto a idade do lactente são fatores determinantes na escolha terapêutica.  

O estudo de Linz et al. (2017) não encontrou diferenças significativas no desenvolvimento neuropsicomotor entre crianças com e sem deformidades cranianas. Entretanto, outros trabalhos relataram associação com atraso motor, déficits auditivos, visuais, de fala e dificuldades mandibulares (Charalambous et al., 2023). Apesar disso, tais evidências ainda são consideradas frágeis e destacam a necessidade de pesquisas com menor risco de viés (Moses et al., 2024). 

De modo geral, as intervenções fisioterapêuticas, incluindo orientação parental, terapia manual e estimulação motora têm se mostrado eficazes, sendo a adesão ao tratamento um fator crucial para o sucesso terapêutico (Charalambous et al., 2021). Apesar disso, a literatura ainda apresenta limitações metodológicas, como diferenças nos protocolos aplicados, heterogeneidade nas amostras e falta de padronização dos desfechos. Isso contribui para resultados inconsistentes e controversos em algumas abordagens (Ellwood; Draper-Rodi; Carnes, 2020). 

CONCLUSÃO 

O presente estudo de revisão teve como objetivo geral apresentar as principais abordagens fisioterapêuticas no manejo da plagiocefalia posicional (PP) em lactentes, analisando suas contribuições para a correção craniana e o desenvolvimento motor. A análise da literatura confirma que a incidência de deformidades cranianas posicionais aumentou após a campanha “Back to Sleep”, tornando a intervenção para a PP uma necessidade clínica crescente. 

Em resposta aos objetivos, as evidências científicas estabelecem a fisioterapia como a abordagem terapêutica de primeira linha para a plagiocefalia posicional. O desfecho analítico dos estudos aponta que intervenções como a terapia manual, o alongamento da musculatura cervical, a estimulação motora e a orientação a pais e cuidadores demonstraram ser eficazes na redução da assimetria craniana e na promoção do desenvolvimento neuropsicomotor. Demonstrou-se, inclusive, que a fisioterapia possui maior eficácia quando comparada ao reposicionamento isolado. 

A avaliação comparativa das intervenções indica que o uso de estratégias combinadas produz melhores resultados à aplicação isolada das terapias. Enquanto as órteses cranianas (capacetes) são uma ferramenta eficaz, sendo indicadas principalmente em casos graves. A análise dos principais achados reforça que a associação da órtese com a fisioterapia e o reposicionamento eleva o potencial de melhora em relação à aplicação de forma independente. A escolha da intervenção mais adequada, seja ela conservadora ou ortótica, deve considerar a gravidade inicial da deformidade e o momento de início da intervenção. 

Uma síntese fundamental evidenciada nesta pesquisa é a importância da intervenção precoce no manejo da PP. O início imediato do tratamento está associado a melhores resultados terapêuticos e à prevenção de complicações secundárias, como alterações no desenvolvimento motor, embora estas ainda sejam controversas na literatura. A detecção precoce e intervenção imediata do tratamento tornam-se ainda mais cruciais em grupos vulneráveis, como os lactentes prematuros, especialmente aqueles com idade gestacional inferior a 32 semanas e histórico de hospitalização prolongada, devido à maior incidência de deformidades neste grupo. 

Em síntese, o estudo alcançou seu objetivo de discutir criticamente as evidências, indicando que apesar do avanço progressivo da base de dados e da eficácia demonstrada tanto pela fisioterapia quanto pelo uso de órteses cranianas, a literatura ainda apresenta limitações metodológicas e divergências, como a heterogeneidade das amostras e a falta de padronização nos protocolos terapêuticos. A adesão ao tratamento, que pode ser aumentada pela intervenção fisioterapêutica, é um fator crucial para o sucesso terapêutico.  

Dentre as limitações encontradas, destaca-se que se faz necessário a realização de pesquisas assegurando maior precisão metodológica e confiabilidade estatística, a fim de padronizar protocolos e consolidar recomendações clínicas mais consistentes, assegurando o melhor cuidado possível aos lactentes acometidos. 

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