REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601060950
Leonardo Silva Souza Clen e Silveira1
Orientadora: Magda Conceição Gomes2
RESUMO
O câncer de esôfago é uma neoplasia maligna agressiva, com alta taxa de mortalidade e prognóstico geralmente reservado, especialmente nos casos diagnosticados em estágios avançados. No Brasil, estima-se uma média de 10.990 casos novos por ano entre 2023 e 2025, sendo mais comum em homens e na Região Sul do país. Os principais fatores de risco incluem tabagismo, etilismo, esôfago de Barrett, refluxo gastroesofágico e infecção por HPV. Os sintomas costumam surgir tardiamente, sendo a disfagia progressiva o achado clínico mais frequente. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia, e o estadiamento é realizado por meio de exames de imagem como TC, PET-CT, RM e USE, utilizando o sistema TNM da AJCC. O tratamento varia conforme o estágio da doença, podendo envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias sistêmicas.
A justificativa deste estudo baseia-se na raridade de apresentações sincrônicas multifocais de adenocarcinoma esofágico, condição mais comum em carcinomas escamosos e pouco descrita na literatura. Considerando a escassez de relatos semelhantes, este caso clínico contribui para o entendimento das possíveis variações anatômicas e comportamentais dessa neoplasia. A hipótese é de que, mesmo em apresentações atípicas e multifocais, uma abordagem terapêutica individualizada e multimodal pode oferecer controle eficaz da doença e boa resposta clínica. Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de caso, baseado na análise retrospectiva de dados clínicos, laboratoriais e de imagem de um paciente com adenocarcinoma esofágico sincrônico em três segmentos distintos.
Espera-se demonstrar que, mesmo em casos raros e complexos como o apresentado, a combinação de quimioterapia neoadjuvante, cirurgia radical e quimioterapia adjuvante pode resultar em boa resposta tumoral, controle locorregional da doença e manutenção da qualidade de vida. A avaliação multidisciplinar e o tratamento personalizado, ajustado às particularidades anatômicas e clínicas do paciente, devem se confirmar como elementos fundamentais para o sucesso terapêutico em apresentações atípicas de adenocarcinoma esofágico.
Este relato pode contribuir para a prática clínica ao evidenciar a importância da abordagem individualizada em casos complexos de câncer esofágico, reforçando o papel do manejo multidisciplinar na obtenção de melhores desfechos. Além disso, amplia o conhecimento sobre apresentações atípicas da doença, podendo auxiliar profissionais de saúde no reconhecimento precoce e no planejamento terapêutico de casos semelhantes. Ao fomentar a discussão sobre estratégias alternativas em situações raras, o estudo também pode influenciar protocolos de conduta e promover reflexões no âmbito da educação médica e da oncologia personalizada.
Palavras chave: Adenocarcinoma, esôfago, biópsia, quimioterapia e cirurgia
Abstract
Esophageal cancer is an aggressive malignant neoplasm, with high mortality rates and generally poor prognosis, especially when diagnosed at advanced stages. In Brazil, an average of 10,990 new cases per year is estimated between 2023 and 2025, being more common in men and in the Southern region of the country. The main risk factors include smoking, alcohol consumption, Barrett’s esophagus, gastroesophageal reflux disease, and HPV infection. Symptoms usually appear late, with progressive dysphagia being the most frequent clinical finding. Diagnosis is established by upper gastrointestinal endoscopy with biopsy, and staging is performed using imaging exams such as CT, PET-CT, MRI, and EUS, according to the AJCC TNM system. Treatment varies according to disease stage and may involve surgery, chemotherapy, radiotherapy, and systemic therapies.
This study reports a rare case of synchronous multifocal esophageal adenocarcinoma involving three distinct segments of the esophagus. It is a descriptive case report based on the retrospective analysis of clinical, laboratory, and imaging data. Despite the complexity and rarity of this presentation, the patient was treated with neoadjuvant chemotherapy, radical surgery, and adjuvant chemotherapy, achieving good tumor response, locoregional disease control, and preservation of quality of life.
This case highlights the importance of an individualized, multidisciplinary, and multimodal therapeutic approach in atypical and complex presentations of esophageal adenocarcinoma. It also contributes to the understanding of anatomical and behavioral variations of this malignancy, supporting early recognition and personalized treatment strategies in similar cases.
Keywords:
Adenocarcinoma, esophagus, biopsy, chemotherapy and surgery.
1. JUSTIFICATIVA
A decisão de realizar esta pesquisa surgiu a partir da identificação de um caso raro de adenocarcinoma esofágico com múltiplas lesões sincrônicas em diferentes segmentos do esôfago, uma apresentação clínica pouco documentada na literatura médica, especialmente na população brasileira. A complexidade do caso e a necessidade de um manejo terapêutico fora dos padrões convencionais motivaram a análise detalhada da conduta adotada e dos desfechos obtidos.
Este estudo contribui para o conhecimento atual ao descrever uma abordagem bem-sucedida em uma situação clínica incomum, destacando a relevância da avaliação multidisciplinar e do tratamento personalizado. Além disso, amplia a discussão sobre as possibilidades terapêuticas em pacientes com anatomia tumoral atípica, fornecendo subsídios para futuras condutas em casos semelhantes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. INTRODUÇÃO
O presente estudo tem como objetivo relatar um caso raro de adenocarcinoma esofágico com múltiplas lesões sincrônicas, localizadas nos segmentos proximal, médio e distal do esôfago. Trata-se de uma apresentação clínica pouco descrita na literatura atual, que normalmente associa esse padrão multifocal ao carcinoma espinocelular e ao uso crônico de álcool e tabaco.
A pesquisa será conduzida sob o prisma clínico-descritivo, por meio de um relato de caso único, documentando a apresentação inicial, estadiamento, abordagem terapêutica e desfecho clínico. O foco está em discutir condutas viáveis e seguras para situações raras, especialmente quando os protocolos tradicionais não se aplicam plenamente.
De acordo com diretrizes recentes, como as publicadas pela National Comprehensive Cancer Network (NCCN) (versão 4.2024) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tratamento do adenocarcinoma de esôfago deve ser individualizado, levando em conta estágio, localização e condições clínicas do paciente. Contudo, há lacunas no manejo de apresentações multifocais, como a relatada neste estudo.
A pesquisa é válida pois contribui para preencher uma lacuna existente na literatura médica, oferecendo uma descrição detalhada de condutas aplicadas em um contexto clínico incomum. Trata-se de um estudo retrospectivo, baseado na análise de prontuário de um único paciente, sem intervenção experimental ou riscos adicionais, resguardando a privacidade e a integridade do participante.
2.2. METODOLOGIA
a) TIPO DE ESTUDO
Este é um estudo retrospectivo, descritivo, do tipo relato de caso clínico. A pesquisa se baseia na análise de dados já registrados no prontuário de um paciente atendido em instituição hospitalar, sem intervenção direta, coleta prospectiva ou aplicação de instrumentos aos participantes.
b) PERFIL DE PARTICIPANTES
O estudo envolve um participante do sexo masculino, 69 anos, residente no estado do Rio de Janeiro. Trata-se de um relato de caso único, portanto não há uma população maior a ser recrutada para a pesquisa.
Convite e Recrutamento:
Por se tratar de estudo retrospectivo baseado em dados clínicos já coletados, não haverá recrutamento ativo de participantes. O acesso aos dados será realizado pelo pesquisador principal, respeitando todas as normas éticas de sigilo e privacidade. O participante será informado sobre o uso dos dados para fins científicos, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo sua autonomia e direito de recusar a participação sem prejuízo no atendimento.
Critérios de Inclusão:
- Participante do sexo masculino com diagnóstico confirmado de adenocarcinoma esofágico;
- Presença de múltiplas lesões sincrônicas em diferentes segmentos do esôfago;
- Disponibilidade dos dados clínicos e imagens para análise retrospectiva;
Critérios de Exclusão:
- Não aplicável, pois trata-se de relato de caso único. Caso o participante não consinta em participar, os dados não serão utilizados.
c) NÚMERO DE PARTICIPANTES
Este estudo é um relato de caso único, portanto, não há necessidade de cálculo amostral. A amostra consiste no relato de participante atendido no ambulatório no Hospital Universitário Antônio Pedro com diagnóstico e características clínicas descritas, selecionado por conveniência devido à raridade e especificidade da apresentação clínica. A inclusão de apenas um participante é suficiente para atingir os objetivos do estudo, evitando exposição desnecessária de outros indivíduos a riscos de pesquisa.
d) PROCEDIMENTOS DA PESQUISA:
Este estudo consiste em análise retrospectiva de dados clínicos e exames já realizados no atendimento habitual do participante. Não haverá realização de consultas ambulatoriais adicionais, nem deslocamento do participante em função da pesquisa.
Nenhum procedimento médico, coleta de material biológico ou exame será realizado exclusivamente para este estudo. Todos os procedimentos clínicos e laboratoriais descritos foram parte do protocolo institucional vigente.
Não serão realizadas entrevistas, aplicação de questionários ou grupos focais com o participante ou familiares. A pesquisa será baseada exclusivamente em informações documentadas no prontuário médico e exames complementares já existentes.
e) METODOLOGIA DE ANÁLISE DOS DADOS:
Os dados clínicos, laboratoriais e de imagem do participante serão analisados de forma qualitativa e descritiva. A análise consistirá na descrição detalhada das características clínicas, evolução, resposta ao tratamento e desfechos do caso, comparando-os com a literatura atual sobre adenocarcinoma esofágico com múltiplas lesões sincrônicas. Não serão aplicados testes estatísticos devido à natureza singular do relato.
A discussão será embasada em revisão bibliográfica para contextualizar o caso e destacar aspectos relevantes do manejo terapêutico e prognóstico.
3. OBJETIVOS
3.1 Primário
Descrever as características clínicas, diagnóstico, tratamento e evolução de um caso atípico de adenocarcinoma esofágico com múltiplas lesões sincrônicas, destacando a abordagem terapêutica multimodal e seus desfechos.
3.2 Secundário
Analisar a resposta clínica e patológica ao tratamento neoadjuvante e cirúrgico no caso descrito;
Comparar o caso com a literatura atual sobre adenocarcinoma esofágico com múltiplas lesões sincrônicas;
Avaliar os desafios e implicações do manejo multidisciplinar em casos atípicos;
Discutir potenciais fatores prognósticos observados no relato.
4. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ASPECTOS ÉTICOS
a) Riscos
Risco de quebra de confidencialidade a ser minimizado pois o participante não será identificado, segundo os princípios éticos de pesquisa. Adotamos medidas como a anonimização, com remoção de informações identificáveis, alteração de detalhes não essenciais para reduzir riscos de identificação sem comprometer a integridade do relato, consentimento prévio por escrito após explicação detalhada ao participante, e conformidade com o Código de Ética Médica e a LGPD, assegurando o uso ético e adequado das informações.
b) Benefícios:
Esta pesquisa não oferece benefício direto ao participante, pois trata-se de um relato de caso retrospectivo sem intervenção adicional.
Entretanto, espera-se que os dados obtidos possam contribuir para a ampliação do conhecimento científico sobre adenocarcinoma esofágico com múltiplas lesões sincrônicas, auxiliando profissionais de saúde na compreensão e manejo clínico de casos semelhantes, o que pode refletir em melhorias futuras na assistência oncológica.
Relato de Caso
Identificação e história clínica
Paciente masculino, 69 anos, Apresentava como queixa principal disfagia para sólidos com dois meses de evolução, associada a perda ponderal de aproximadamente 3 kg no período.
Antecedentes pessoais e sociais
Histórico patológico pregresso de dislipidemia. Em uso regular de sinvastatina. Relatava etilismo social. Sem antecedentes oncológicos prévios.
Investigação diagnóstica inicial
Foi inicialmente avaliado por gastroenterologista, sendo realizada endoscopia digestiva alta (EDA) em 04/01/2024, que evidenciou múltiplas lesões esofágicas:
A 20 cm dos incisivos: lesão plano-elevada na parede posterior, medindo cerca de 15 mm, com bordos elevados, superfície irregular, depressão central e pontos de fibrina.
A 25 cm dos incisivos: lesão plano-elevada arredondada, medindo cerca de 7 mm, com bordos regulares e depressão central.
A 33 cm dos incisivos: lesão ulcerada extensa, com bordos irregulares, mal delimitados, estendendo-se até a junção esofagogástrica/cárdia, ocupando toda a circunferência do órgão, com discreta redução da luz e intensa friabilidade.
Foram realizadas biópsias de todas as lesões.
O exame anatomopatológico foi revisado no Hospital Universitário Antônio Pedro em 10/01/2024, revelando adenocarcinoma pouco diferenciado nos segmentos proximal, médio e distal do esôfago, adjacente ao epitélio escamoso sem atipias. A imunohistoquímica confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado.
A tomografia computadorizada de pescoço, tórax, abdome e pelve (26/01/2024) evidenciou linfonodos paratraqueais e mediastinais suspeitos. O PET-CT realizado em 13/03/2024 demonstrou tecido tumoral viável com atividade metabólica aumentada nos três segmentos do esôfago e nos linfonodos paratraqueais, sem evidência de doença à distância.
Tratamento neoadjuvante
Foi indicado tratamento quimioterápico neoadjuvante com esquema FLOX, tendo sido realizado dois ciclos até 28/06/2024. O paciente não realizou o D36 do segundo ciclo devido a toxicidade, apresentando mucosite.
A EDA de controle em 12/07/2024 mostrou resposta local ao tratamento. A tomografia com contraste realizada em 01/08/2024 não evidenciou mais espessamento parietal circunferencial do esôfago distal nem linfonodomegalias periesofágicas previamente descritas.
Tratamento cirúrgico
Em 16/09/2024, o paciente foi submetido a esofagectomia por videolaparoscopia com anastomose esofagogástrica cervical, drenagem da anastomose com dreno de Blake e jejunostomia alimentar a Witzel.
Achados anatomopatológicos da peça cirúrgica
O exame histopatológico da esofagectomia e gastrectomia revelou adenocarcinoma esofágico residual pós-tratamento neoadjuvante, moderadamente diferenciado (G2), com foco tumoral medindo 1,1 cm em seu maior eixo, localizado no terço médio do esôfago, sem envolvimento da junção esofagogástrica.
O tumor invadia a submucosa (ypT1b), apresentava invasão angiolinfática e não havia invasão perineural. As margens cirúrgicas estavam livres de neoplasia.
Foram analisados 26 linfonodos (4 periesofágicos e 22 da pequena curvatura), sendo um linfonodo da pequena curvatura comprometido por neoplasia (ypN1).
Estadiamento patológico: ypT1b ypN1.
Tratamento adjuvante
Após a cirurgia, realizou quimioterapia de consolidação com esquema FLOX por um ciclo, até 12/12/2024, com o objetivo de completar seis meses de tratamento sistêmico.
Evolução clínica
No acompanhamento ambulatorial, o paciente encontrava-se em bom estado geral, corado, hidratado, eupneico em ar ambiente, com alimentação por via oral, peso de 68 kg e altura de 1,68 m. Apresentava ausculta respiratória sem ruídos adventícios, bulhas cardíacas normofonéticas e abdome flácido e indolor a palpação. Foram realizadas tomografias trimestrais de rastreio após a conclusão do tratamento e até dezembro de 2025 não havia evidência de doença oncológica suspeita para recidiva.
Discussão
O adenocarcinoma de esôfago é uma neoplasia de elevada agressividade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, associando-se a pior prognóstico e alta mortalidade. No presente caso, o paciente apresentou disfagia progressiva e perda ponderal, manifestações clínicas típicas da doença, que refletem o comprometimento luminal e o impacto nutricional do tumor.
Um aspecto relevante deste relato é a presença de lesões tumorais em múltiplos segmentos do esôfago (proximal, médio e distal), achado incomum para o adenocarcinoma, que classicamente se localiza no terço distal e na junção esofagogástrica, frequentemente associado ao esôfago de Barrett. A distribuição extensa sugere comportamento biológico mais agressivo e possível disseminação superficial da doença.
O estadiamento inicial por tomografia e PET-CT evidenciou linfonodomegalias mediastinais metabolicamente ativas, caracterizando doença localmente avançada e justificando a indicação de tratamento multimodal. As diretrizes atuais recomendam quimioterapia ou quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de ressecção cirúrgica para tumores localmente avançados, com o objetivo de reduzir o volume tumoral, aumentar a taxa de ressecção R0 e melhorar a sobrevida global.
O esquema FLOX foi utilizado como tratamento neoadjuvante, resultando em resposta radiológica e endoscópica significativa, com regressão do espessamento parietal e das linfonodomegalias. Apesar da toxicidade apresentada (mucosite), que impediu a conclusão completa do segundo ciclo, o paciente apresentou resposta clínica satisfatória, demonstrando a efetividade do tratamento sistêmico.
A esofagectomia com anastomose cervical permitiu a ressecção completa da doença, com margens livres e adequada linfadenectomia (26 linfonodos avaliados). O exame anatomopatológico revelou tumor residual de pequeno volume (1,1 cm), invasão até a submucosa (ypT1b) e comprometimento linfonodal único (ypN1), além de invasão angiolinfática, fator reconhecidamente associado a maior risco de recorrência.
Apesar do downstaging tumoral após a quimioterapia neoadjuvante, a persistência de doença linfonodal justificou a indicação de quimioterapia adjuvante, visando reduzir o risco de recidiva sistêmica. A estratégia de completar seis meses de tratamento sistêmico está alinhada às práticas adotadas em centros oncológicos para pacientes com resposta parcial e fatores histopatológicos de alto risco.
A evolução clínica favorável, sem evidência de doença ativa no seguimento, reforça a importância da abordagem multimodal no adenocarcinoma de esôfago, mesmo em apresentações extensas e biologicamente agressivas. O caso ilustra ainda a relevância do acompanhamento multidisciplinar, envolvendo oncologia clínica, cirurgia, gastroenterologia, radiologia e patologia.
Conclusão
O presente relato de caso descreve um paciente com adenocarcinoma de esôfago extenso, acometendo os três segmentos do órgão, diagnosticado em estágio localmente avançado. A abordagem terapêutica multimodal, com quimioterapia neoadjuvante seguida de esofagectomia e quimioterapia adjuvante, permitiu controle adequado da doença, com ressecção completa, resposta patológica favorável e ausência de evidência de recidiva no seguimento inicial.
Este caso destaca a importância do estadiamento adequado, da indicação correta do tratamento neoadjuvante e da avaliação histopatológica criteriosa para definição da estratégia adjuvante. Além disso, reforça o papel fundamental do manejo multidisciplinar no tratamento do câncer de esôfago, especialmente em apresentações atípicas e de maior complexidade.
Relatos como este contribuem para a compreensão da variabilidade clínica da doença e para o aprimoramento das decisões terapêuticas em cenários reais da prática oncológica, especialmente em serviços públicos de saúde.
Referências bibliográficas:
1 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer; 2022. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2023-incidencia-de-cancer-no-brasil
2 Revista Brasileira de Cancerologia. Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, 2023-2025. Revista Brasileira de Cancerologia; 2022. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/3700rbc.inca.gov.br
3 Fundação do Câncer. Câncer de esôfago. Fundação do Câncer; 2022. Disponível em: https://www.cancer.org.br/nossa-atuacao/informacao-e-prevencao/cancer.org.br
4 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Câncer de esôfago: versão para profissionais de saúde. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos/esofago
5 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Câncer de esôfago: versão para profissionais de saúde. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos/esofago
6 National Comprehensive Cancer Network (NCCN). NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Esophageal and Esophagogastric Junction Cancers. Versão 4.2024. Disponível em: https://www.nccn.org/professionals/physician_gls/pdf/esophageal.pdf
7 DeVita, V. T., Hellman, S., & Rosenberg, S. A. (2023). Cancer: Principles & Practice of Oncology (12ª ed.). Wolters Kluwer.
1Médico residente de Oncologia. Residência médica (R3)
2Médica supervisora do programa de residência em oncologia clínica
Hospital Universitário Antônio Pedro – Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ
