ANSIEDADE EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS: FATORES ASSOCIADOS, PREVALÊNCIA E IMPACTOS NA VIDA ACADÊMICA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511282002


Eloisa Dala Costa
Sabrina Fernanda Renostro
Orientador: Leonardo Bruning


Resumo  

O presente trabalho aborda a prevalência dos transtornos de ansiedade entre universitários ao longo da graduação, destacando os fatores que contribuem para o aumento desses quadros e suas implicações na vida acadêmica e pessoal dos estudantes. A ansiedade, considerada um dos transtornos mentais mais frequentes da atualidade, manifesta-se por sintomas físicos e psicológicos que prejudicam o desempenho acadêmico, as relações sociais e a qualidade de vida. A revisão bibliográfica demonstra que a entrada na universidade representa um período de grandes mudanças, como adaptação a novas rotinas, aumento das responsabilidades, expectativa profissional e, em muitos casos, afastamento da família, fatores que agravam a vulnerabilidade emocional. Estudos analisados evidenciam índices elevados de ansiedade entre estudantes de diferentes cursos, indicando que o problema não se restringe a áreas específicas, mas está associado ao contexto acadêmico como um todo. Pesquisas realizadas após a pandemia da COVID-19 reforçam o impacto significativo do isolamento social e das mudanças abruptas no ensino, que intensificaram sintomas já existentes. Os resultados apontam que a sobrecarga de tarefas, a conciliação entre trabalho e estudo, dificuldades financeiras e a falta de tempo para descanso e lazer são elementos que favorecem o desenvolvimento desses transtornos. Conclui-se que a prevalência da ansiedade entre universitários é alta e persistente, exigindo que as instituições de ensino superior implementem estratégias de apoio psicológico, prevenção e promoção da saúde mental para minimizar seus efeitos e favorecer a formação integral dos estudantes.

Palavras-chaves: Ansiedade; Universitários; Prevalência.

1.INTRODUÇÃO

A ansiedade é atualmente um dos transtornos mentais mais comuns, marcada por sentimentos constantes de medo, apreensão e tensão, que acabam interferindo de forma significativa na rotina e na qualidade de vida das pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de indivíduos em todo o mundo convivem com algum tipo de transtorno de ansiedade, o que faz dessa condição uma das principais causas de isolamento social, a transição abrupta para o ensino remoto e as incertezas quanto ao futuro profissional foram fatores que intensificaram os sintomas ansiosos nessa população. O Relatório do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis também evidencia o crescimento dessas demandas emocionais no ambiente universitário.

A vida acadêmica exige do estudante uma grande capacidade de adaptação. A mudança do ensino médio para o ensino superior representa uma quebra importante na rotina: novos métodos de ensino, maior carga de estudos, avaliações mais complexas e, muitas vezes, a necessidade de morar longe da família. Esse processo pode vir acompanhado de sentimentos de solidão e insegurança. De acordo com Cavestro (2004), o universitário, ao ingressar no ensino superior, depara-se com um novo mundo repleto de desafios, e nem sempre encontra suporte emocional para lidar com essas transformações.

Além das exigências do ambiente acadêmico, fatores externos também contribuem para o aumento da ansiedade. Muitos estudantes precisam trabalhar para custear seus estudos, enfrentam dificuldades financeiras e lidam com sobrecarga de responsabilidades. Conforme Carvalho et al. (2023), a rotina intensa e a falta de tempo para lazer, descanso e autocuidado estão entre os principais fatores que favorecem o surgimento da ansiedade. A sobreposição de papéis — estudante, trabalhador e, em alguns casos, responsável por questões familiares — impacta diretamente a saúde mental.

Em diversos casos, os sintomas de ansiedade surgem ainda antes do ingresso na universidade. A pressão por um bom desempenho no vestibular, as expectativas familiares e o medo de fracassar profissionalmente fazem com que muitos jovens iniciem a graduação já emocionalmente fragilizados. Uma vez inseridos no ambiente acadêmico, a ausência de suporte institucional e psicológico tende a agravar o quadro. Pesquisas como a de Silveira et al. (2011) demonstram que a falta de acompanhamento adequado contribui para o aumento de casos e para o agravamento dos sintomas.

Os impactos da ansiedade vão muito além do aspecto individual. No campo educacional, o desempenho acadêmico é prejudicado pela dificuldade de concentração, pela procrastinação e pela desmotivação, fatores que podem levar à evasão ou ao atraso na conclusão do curso. Para as Instituições de Ensino Superior, esse cenário representa um desafio na formação de profissionais preparados e emocionalmente equilibrados. Políticas de apoio psicológico e programas de prevenção tornam-se essenciais nesse contexto.

Compreender a prevalência e os fatores associados aos transtornos de ansiedade entre universitários é fundamental para que se desenvolvam estratégias eficazes de prevenção e intervenção. A universidade, como espaço de formação integral, deve reconhecer que a saúde mental é parte essencial do processo de aprendizado. Estudos recentes, como os de Trigueiro et al. (2020), Louzada e Pacheco (2022) e Carvalho et al. (2023), reforçam a importância de olhar para esse tema de forma abrangente e contínua.

A ansiedade não compromete apenas o desempenho acadêmico, mas também interfere nas relações sociais e pessoais dos estudantes. Muitos acabam se isolando, apresentando retraimento e perda de interesse por atividades prazerosas. A insegurança e o medo constante de fracassar alimentam sentimentos de baixa autoestima e inadequação, que, sem tratamento, podem evoluir para quadros mais graves.

Os efeitos da ansiedade também se refletem na saúde física. Pesquisas indicam que a ansiedade crônica está associada a distúrbios do sono, dores musculares, problemas gastrointestinais, fadiga e queda na imunidade. Somados à sobrecarga mental, esses fatores resultam em menor produtividade e maior absenteísmo. Muitos universitários acabam recorrendo ao consumo excessivo de cafeína ou outras substâncias estimulantes para manter o ritmo de estudos, o que torna mais grave o quadro.

Em uma perspectiva mais ampla, o aumento dos casos de ansiedade entre universitários reflete um problema social crescente, em que o sucesso é frequentemente medido pela competitividade e pelo desempenho. Essa lógica acaba naturalizando estados de exaustão emocional e reduzindo a importância do cuidado com a saúde mental. A falta de programas institucionais de prevenção e apoio psicológico reforça esse cenário e dificulta o enfrentamento adequado do problema.

2.DESENVOLVIMENTO

A chegada da pandemia da COVID-19 trouxe mudanças bruscas na vida de todos, com a preocupação com a exposição ao vírus e nos cuidados mais acentuados, em situações simples do cotidiano como uma simples ida ao supermercado e a universidade, medidas de isolamento necessárias para a contenção do vírus. Toda esta situação, resultou em danos à saúde mental, em especial na vida dos universitários, devido ao isolamento social que para esta faixa etária foi mais complexa, pois estar presente em sala de aula com o apoio constante do professor para a compreensão dos conteúdos é diferente de se tornar, de forma repentina, um estudante autodidata. Sendo assim, a COVID-19 teve implicações significativas no aumento da prevalência de ansiedade entre os universitários, intensificando sintomas já existentes e gerando novas manifestações às mudanças repentinas na rotina acadêmica e de vida social destes estudantes (MAIA & DIAS, 2020).

A prevalência de ansiedade entre estudantes universitários aumentou significativamente após a pandemia da COVID-19. A ansiedade é definida na Classificação Internacional de Doenças da OMS (CID-11) como sendo um sentimento de preocupação, desconforto, ou sintomas somáticos de tensão. A mudança para a educação superior é um processo que envolve muitas transformações, como, em determinados casos, a mudança de cidade, o primeiro desprendimento dos pais, as mudanças sociais, as novas despesas financeiras, além das condições institucionais, sociais, culturais, individuais e acadêmicos (FAGUNDES et al., 2014; FRAGELLI; FRAGELLI, 2021; SANTOS et al., 2021, apud LOUZADA; PACHECO, 2022). 

Muitos dos estudantes ao adentrarem na universidade já trazem consigo altos índices de ansiedade, pois enfrentaram a pressão dos estudos para passar no vestibular e as expectativas que se somam dentro de si em relação à futura profissão escolhida. Quando enfim adentram a universidade muitos são os fatores que contribuem para o aumento dessa ansiedade, como a adaptação, às exigências cada vez mais crescentes ao longo do curso, as dificuldades de deslocamento e financeiras, a incerteza do futuro acadêmico e profissional causam ainda mais apreensão. E, toda essa expectativa criada pelo estudante começa a se desvelar.

De acordo com Cavestro (2004), o estudante universitário, com todo seu ímpeto juvenil, suas fantasias onipotentes, sua inexperiência, sua expectativa diante do mundo adulto que começa a se descortinar, está longe da estabilidade emocional que a vida, o conhecimento e o passar dos anos pode oferecer à maioria das pessoas (CAVESTRO, 2004, apud GUIMARÃES, D. F.; RODRIGUES, M. C. C., 2019, p. 02).

Inúmeras pesquisas realizadas e publicadas têm demonstrado dados preocupantes em relação à saúde mental dos acadêmicos de diferentes cursos de graduação. A ansiedade no meio acadêmico que teve seu pico na pandemia da COVID-19, continua presente em nossas universidades. 

De acordo com os dados do 5º Relatório do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários Estudantis (2018), foi realizada uma amostra com 424.128 universitários, distribuídos em 65 Instituições de Ensino Superior, que apresentaram um percentual de 83,5% dos acadêmicos disseram ter passado por uma dificuldade emocional nos últimos 12 meses, demonstrando sentimentos de ansiedade em 63,6 % e desânimo para desenvolver suas atividades em 45,6% dos entrevistados (RODRIGUES, D. S.; CRUZ, D. M. C.; NASCIMENTO, J. S.; BARBOSA, M.F., 2022). 

GRÁFICO 1 – Percentual de universitários com dificuldades emocionais, ansiedade e desânimo.

Fonte: RODRIGUES, D. S.; CRUZ, D. M. C.; NASCIMENTO, J. S.; BARBOSA, M. F. Relatório do FONAPRACE. 2022. 

A saúde metal dos universitários é uma questão que tem chamado a atenção de estudiosos e profissionais da saúde devido ao aumento da prevalência e da gravidade das perturbações psiquiátricas nesta população (SILVEIRA, et.al., 2011). As pesquisas têm demonstrado altas taxas de ansiedade entre universitários, tornando-se um problema significativo e que merece a devida atenção. Além da sobrecarga de trabalhos, leitura e estudos, tem os fatores externos como o trabalho, afazeres do cotidiano, os hábitos saudáveis de vida, que incluem o sono, alimentação, atividade física, a falta de tempo livre de qualidade e o lazer. Hábitos estes que impactam negativamente a vida dos universitários e tiveram seu ápice na pandemia e estão se estendendo até os dias de hoje. “O prejuízo na qualidade de vida e na saúde mental dos estudantes que exercem atividade profissional está relacionada ao fato da rotina sobrecarregada, que acarreta prejuízo nas atividades de descanso e lazer (SILVA, SILVA, CHAGAS, TORTOLA, CALDEIRA, 2019 apud CARVALHO e outros, 2023, p. 63)”. 

A associação de novas rotinas, aquelas já existentes pode ser um dos fatores que levam os universitários a apresentarem transtornos de ansiedade Silveira (2011), conforme a pesquisa realizada por Silveira (2011), com intuito de descrever e caracterizar as consultas de psiquiatria dos universitários do Serviço de Psiquiatria do Hospital São João, num total foram 166 estudantes, a maioria do sexo feminino, com idades de mínimo de 18 e máximo de 50 anos, dos quais 32 não foram a consulta. “Na amostra estudada, 51% dos estudantes não tinham antecedentes de patologia psiquiátrica”.

A saúde mental é um tema de grande relevância quando nos referimos a estudos e formação acadêmica, pois influencia diretamente na aprendizagem, na formação do profissional e na permanência e conclusão da graduação. Grande parte dos estudos brasileiros realizados objetivam a verificação da ansiedade em acadêmicos do curso de medicina (KUREBAYASHI LFS, PRADO J.M., 2012 apud CARVALHO, 2015), porém o que se observa é que esta, se estende para os demais cursos. Independe do curso escolhido, uma pesquisa realizada por Trigueiro, et. al., (2020) participaram 545 estudantes, sendo 180 do curso de Direito, 176 de Psicologia, 68 de Serviço Social, 59 de Enfermagem, 49 de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e 13 de Administração, destes alunos, 388 (71,2%) eram iniciantes e 157 (28,8%) estavam no final da graduação. A pesquisa realizou o levantamento de dados através do Inventário de Ansiedade de Beck e mostrou que, um total de 30,2% dos estudantes apresentou sintomas mínimos, 24,7% sintomas leves, 19,2% sintomas moderados e 25,6% sintomas graves de ansiedade (TRIGUEIRO, et. al., 2020, p. 873). 

GRÁFICO 2 – Níveis de ansiedade identificados pelo Inventário de Ansiedade de Beck

Fonte: TRIGUEIRO, et al. Sintomas de ansiedade em estudantes universitários. 2020. 

GRÁFICO 3 – Comparativo da Prevalência de Ansiedade Pré e Pós Pandemia

Fonte: TRIGUEIRO, et al. Sintomas de ansiedade em estudantes universitários. 2020. 

As Instituições de Ensino Superior cumprem um papel fundamental na sociedade. Sua principal função é a formação de indivíduos qualificados para o mercado de trabalho, e não somente isso, as universidades devem, além de formar um profissional, desenvolver competências pessoais que garantam sua participação efetiva na sociedade e ser um cidadão atuante em sua comunidade. Desta forma esse indivíduo contribuirá para com o desenvolvimento social de sua comunidade e o desenvolvimento econômico de seu país. Tendo em vista esta importante missão, faz-se necessário refletir sobre a ansiedade e suas consequências para com a formação social e profissional dos indivíduos. 

3.RESULTADOS E DISCUSSÕES

Um comparativo de estudos realizados por meio de revisão bibliográfica demonstra essa realidade que perpetua até os dias de hoje. De acordo com pesquisas realizadas na literatura, comprova-se que há a prevalência dos transtornos de ansiedade em acadêmicos de graduação, em índices elevados, no decorrer da pandemia e perpetuando até a atualidade. Os autores estudados descrevem em suas pesquisas os fatores que levam os transtornos de ansiedade e, concordam entre si quanto aos fatores que levam os estudantes a desenvolverem sintomas de ansiedade. Fatores estes relacionados em sua maioria as grandes mudanças que a vida acadêmica traz consigo, mudanças de local, de rotina, de responsabilidades, entre outras, que somados aos fatores de expectativa de vida e de formação. A conciliação da vida profissional e da acadêmica sobrecarregam estes estudantes levando-os a terem prejuízos no tempo para o descanso e o lazer, tão essenciais quanto o trabalho e o estudo, geram nos acadêmicos os transtornos de ansiedade. Comprovando que a entrada na universidade é um fator que leva estes indivíduos a desencadearem transtornos de ansiedade Silveira, et. al. (2011) seu estudo traz um dado demonstrando que a maioria, mais da metade dos estudantes não tinham antecedentes de patologia psiquiátrica antes da entrada na graduação. 

Observou-se que os autores que pesquisam o assunto concordam com as causas que levam os alunos aos transtornos de ansiedade, como pressão acadêmica, adaptação e distanciamento familiar, trabalho e entre outros demonstrados abaixo pela alta taxa de prevalência destes transtornos. Transtornos estes que em mais da metade dos casos iniciam no adentrar e decorrer da vida acadêmica. A concordância é um fator primordial para que partindo desta realidade demonstrada possa haver estratégias para amenizar e/ou solucionar o problema apresentado. 

Os índices levantados por pesquisas relacionadas ao tema demonstram a prevalência dos transtornos de ansiedade entre universitários. Iniciamos com o 5º Relatório do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários Estudantis (2018). Este relatório traz dados que envolvem várias instituições de ensino superior e acadêmicos de diferentes cursos de graduação, que comprovam que há a prevalência dos transtornos de ansiedade entre os acadêmicos. Um número que chama a atenção por seu percentual elevado que necessita ser estudado, pois é prejudicial para o desempenho dos acadêmicos. 

Em concordância com o relatório, os estudos de Trigueiro, et. al. (2020) também realizaram uma pesquisa onde foram levantados dados de diferentes cursos. Este estudo demonstrou que independentemente do curso de graduação escolhido, os índices de transtorno de ansiedade não sofrem grandes alterações, demonstrando que os fatores que levam os universitários a sofrerem de problemas psiquiátricos, não estão somente relacionados a um curso em específico ou uma área, como nos estudos que mais se realizam no Brasil relacionados a acadêmicos da área da saúde. 

Constata-se pelos números das pesquisas apresentadas que os índices de transtornos de ansiedade são elevados entre os acadêmicos e que os diferentes autores pesquisados demonstram esses índices, em pesquisas realizadas em diferentes cursos de graduação. Estas discussões e resultados apresentados são essenciais para além de contribuir com a discussão do tema, chamar a atenção das lideranças acadêmicas para uma realidade presente no cotidiano universitário e na busca de soluções para o controle da ansiedade nas Instituições de Ensino Superior. Silveira, et. al. (2011) ressalta que a saúde metal dos universitários é uma questão que tem chamado a atenção de estudiosos e profissionais da saúde devido ao aumento da prevalência e da gravidade das perturbações psiquiátricas nesta população. 

A pandemia trouxe mudanças significativas na saúde mental da população acadêmica e este cenário prevalece nas instituições, necessitando de medidas para sua solução. Diante dos dados da pesquisa de revisão bibliográfica, constata-se que a ansiedade está presente no universo acadêmico, gerando consequências que necessitam de intervenções urgentes, pois é de dentro das universidades que são formados os profissionais que irão atuar em nossa sociedade. Profissionais estes que precisam estar capacitados profissionalmente e terem saúde mental para adentrar no mercado de trabalho e poder desempenhar o seu papel de forma eficiente.

4.CONCLUSÃO

Os resultados analisados evidenciam que a ansiedade não se restringe a cursos específicos, sendo um desafio transversal à vida universitária. Os sintomas manifestam-se de forma física e psicológica, prejudicando a concentração, o rendimento acadêmico, as relações interpessoais e a qualidade de vida dos estudantes. Nesse contexto, o reconhecimento da saúde mental como elemento central da formação universitária revela-se essencial, pois interfere diretamente na permanência, no desempenho e no desenvolvimento integral do indivíduo.

Portanto, compreender a ansiedade de forma ampla, considerando suas múltiplas dimensões e o contexto sociocultural que permeia a vida universitária, é fundamental para a construção de políticas institucionais efetivas e para o desenvolvimento de uma educação superior que valorize tanto o conhecimento técnico quanto o bem-estar emocional dos estudantes, assegurando a formação de indivíduos preparados para enfrentar os desafios.

Diante desse cenário, torna-se imprescindível que as Instituições de Ensino Superior adotem estratégias eficazes de acolhimento emocional, promoção da saúde mental e prevenção de transtornos ansiosos. A implementação de programas de suporte psicológico, ações de integração social, acompanhamento acadêmico e incentivo a hábitos de vida saudáveis constitui medida fundamental para reduzir os impactos da ansiedade, garantindo um ambiente educativo que favoreça o aprendizado, o crescimento pessoal e a formação de profissionais equilibrados e socialmente responsáveis.

REFERÊNCIAS

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