ANKYLOGLOSSIA AND ITS IMPACT ON BREASTFEEDING: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202502151723
Francielle Nunes de Lira Cunha 1
Alzir Almeida de Moura Neto 2
Francisco das Chagas Santos Junior 3
Alessandra Rodrigues Araújo 4
Fábio Ruan Louzeiro Lima 5
Ewerton Daniel Rocha Rodrigues 6
Márcia Regina Soares Cruz 7
Resumo
Objetivo: Analisar as evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre anquiloglossia e seu impacto sobre o aleitamento materno. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com consulta nas bases de dados: PubMed e Scielo, utilizando os descritores em associação: “anquiloglossia”, e “aleitamento materno”, entre 2020 e 2025 em português, inglês e espanhol. Resultados: A revisão analisou 8 estudos sobre a relação entre anquiloglossia e aleitamento materno, com amostras médias de 274 mãe-bebê e publicações entre 2021 e 2025. Os resultados foram divergentes, refletindo a complexidade da interação, com alguns estudos apontando dificuldades iniciais de sucção e outros sem impacto no aleitamento exclusivo. Os estudos da revisão, em sua maioria, não identificaram impacto significativo no aleitamento materno exclusivo, sugerindo que fatores maternos, ambientais e adaptativos do próprio bebê também influenciam esse processo. Conclusão: Os estudos indicam que a anquiloglossia pode afetar a amamentação, mas não deve ser considerada um impedimento absoluto, pois nem todos os casos resultam em complicações ou impactos ao aleitamento materno. Dessa forma a decisão por intervenções, como a frenectomia, deve ser cuidadosamente avaliada.
Palavras-Chave: ANQUILOGLOSSIA; ALEITAMENTO MATERNO; FREIO LINGUAL.
Abstract
Objective: To analyze the available evidence in the literature on the relationship between ankyloglossia and its impact on breastfeeding. Method: This is an integrative literature review, with searches conducted in the PubMed and Scielo databases, using the combined descriptors: “ankyloglossia” and “breastfeeding,” between 2020 and 2025, in Portuguese, English, and Spanish. Results: The review analyzed 8 studies on the relationship between ankyloglossia and breastfeeding, with average samples of 274 mother-infant pairs and publications between 2021 and 2025. The results were divergent, reflecting the complexity of the interaction, with some studies pointing to initial sucking difficulties and others showing no impact on exclusive breastfeeding. Most of the studies in the review did not identify a significant impact on exclusive breastfeeding, suggesting that maternal, environmental, and the baby’s adaptive factors also influence this process. Conclusion: The studies indicate that ankyloglossia may affect breastfeeding, but it should not be considered an absolute impediment, as not all cases result in complications or impacts on breastfeeding. Therefore, the decision to intervene, such as with frenotomy, should be carefully evaluated.
Keywords: ANKYLOGLOSSIA; BREASTFEEDING; LINGUAL FRENUM.
1 INTRODUÇÃO
A amamentação contribui para o fortalecimento do laço emocional entre a mãe e o bebê, promovendo saúde e bem-estar. Protege a criança contra doenças como otite, infecções respiratórias, síndrome da morte súbita, diarreia, diabetes, asma, leucemia e obesidade, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo. Para as mães, reduz o risco de diabetes tipo 2, osteoporose, câncer de mama e ovário, e ajuda na perda de peso pós-parto e na prevenção da depressão pós-parto (McGuinness et al., 2025). A Organização Mundial da Saúde (OMS) traz a recomendação de que a amamentação seja iniciada na primeira hora após o nascimento, mantendo-se exclusiva até os seis meses de idade. Após esse período, sugere a introdução de alimentos complementares, continuando a amamentação até pelo menos dois anos ou mais (OMS, 2023).
Diversos fatores podem dificultar que as mães alcancem essas recomendações, entre eles estão a inconveniência ou fadiga relacionadas à amamentação, preocupações com a produção insuficiente de leite, decisões pessoais, retorno ao trabalho ou à escola em ambientes com políticas pouco favoráveis à amamentação, além de condições médicas que possam afetar tanto o bebê quanto a mãe (Cordray et al., 2023).
A anquiloglossia, popularmente conhecida como língua presa, é uma condição congênita que é caracterizada por um frênulo lingual encurtado ou mais espessado, o que restringe a mobilidade da língua podendo comprometer funções essenciais como a sucção. A relação entre a anquiloglossia e a amamentação tem despertado cada vez mais atenção no meio científico, dada sua natureza complexa e os possíveis efeitos no desenvolvimento e bem-estar dos bebês (Rossato et al., 2025).
A interrupção precoce do aleitamento materno pode estar relacionada, em alguns casos, à anquiloglossia, uma vez que essa condição pode causar dor durante a amamentação, lesões nos mamilos e problemas na pega ou sucção do bebê. (Fraga et al., 2020; Cordray et al., 2022). No entanto, estudos recentes destacam que nem todos os casos de anquiloglossia resultam em complicações significativas para a amamentação (Kummer, 2023; Tomara et al., 2023). Além disso, estudos têm relatado complicações graves associadas à cirurgia para correção da anquiloglossia, bem como erros de diagnóstico, aspectos que precisam ser cuidadosamente considerados e não devem ser subestimados (O’Connor et al., 2022; Kotarska et al., 2024).
A relação entre anquiloglossia e amamentação é um tema que gera debates e questionamentos, com estudos apresentando resultados divergentes e informações ainda inconclusivas. Portanto, o objetivo desse estudo é analisar as evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre anquiloglossia e seu impacto sobre o aleitamento materno.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A anquiloglossia, acontece quando parte do tecido da região sublingual que deveria ter sofrido apoptose durante a formação embrionária permanece, resultando dessa forma na restrição da movimentação da língua (Cunha et al., 2023). A prevalência varia entre 0,1% e 12%, porém as estatísticas definitivas sobre incidência e prevalência ainda são imprecisas devido à falta de critérios diagnósticos padronizados que possam ser aplicados na prática clínica (Tomara et al., 2023; Kotarska et al., 2024). Ocorre com maior frequência em indivíduos do sexo masculino do que no feminino, apresentando uma proporção aproximada de dois homens para cada mulher afetada (Fioravanti et al., 2021).
Devido ao movimento restrito da língua, a anquiloglossia está frequentemente associada a impactos negativos para bebês na amamentação, mobilidade reduzida da língua, dificuldades de fala, má oclusão e recessão gengival. Além disso, a restrição dos movimentos da língua pode interferir no processo de deglutição, gerando complicações adicionais. Esses fatores podem prejudicar a nutrição adequada do bebê e contribuir para o desmame precoce. Já que durante a amamentação, um frênulo curto pode comprometer a pega eficaz do bebê, causando sucção ineficiente do leite e dor constante no mamilo materno (Frezza et al., 2023).
O reconhecimento precoce desses sinais clínicos e das possíveis dificuldades de alimentação pode agilizar o processo de diagnóstico, permitindo a formulação de um plano de tratamento capaz de proporcionar melhorias no quadro clínico dos pacientes (Palomares et al., 2023). Para o tratamento da anquiloglossia, é frequentemente realizada uma cirurgia chamada frenectomia, que envolve a incisão e remoção do frênulo lingual. Esse procedimento visa liberar a mobilidade da língua e, dessa forma, remover os sintomas associados à anquiloglossia (Hatami et al., 2022).
No entanto, apesar da grande importância do diagnóstico antecipado e das opções terapêuticas disponíveis, o aumento expressivo nas intervenções cirúrgicas para anquiloglossia tem levantado discussões relevantes. Uma pesquisa recente destacou um crescimento significativo de 866% no número de frenotomias realizadas em crianças. Esse aumento substancial nos diagnósticos e procedimentos, especialmente em recém-nascidos, tem gerado debates na comunidade científica e entre profissionais de saúde sobre a real necessidade dessas intervenções (Ellehauge et al., 2020).
Além disso, há questionamentos quanto à indicação cirúrgica em todos os casos de anquiloglossia, uma vez que nem todos os bebês diagnosticados com essa condição necessitam de frenotomia para estabelecer uma amamentação eficaz. Ademais, dificuldades no aleitamento materno podem ser atribuídas a uma série de outros fatores mais prevalentes. Dessa forma, a realização indiscriminada de procedimentos cirúrgicos sem uma avaliação criteriosa pode levar a intervenções desnecessárias, expondo o bebê a riscos desproporcionais (Messner et al., 2020).
Existem diversos sistemas de diagnóstico empregados para a avaliação da anquiloglossia, considerando diferentes critérios e enfoques como o local de inserção na língua, o comprimento do frênulo ou a capacidade de protrusão da língua. Os sistemas de Coryllos e Kotlow, por exemplo, baseiam-se na distância entre a ponta da língua e o ponto de fixação do frênulo. Já ferramentas como o Bristol Tongue Assessment Tool, o Hazelbaker Assessment Tool for Lingual Frenulum Function e o Neonatal Tongue Screening Test “teste da linguinha” avaliam uma combinação de fatores, incluindo o formato da ponta da língua, a posição de inserção do frênulo em relação à língua e ao assoalho bucal, além da capacidade de elevação e protrusão da língua (Biervliet et al., 2020).
No entanto, a falta de padronização entre esses métodos pode gerar incertezas na prática clínica, dificultando a definição de quando a frenotomia é realmente necessária. Pois, o diagnóstico da anquiloglossia varia significativamente em função do instrumento de avaliação usado para o diagnóstico (Fraga et al., 2021). Além disso, atualmente, não existe um consenso unânime na literatura sobre a classificação da anquiloglossia, o que contribui para a variabilidade nos diagnósticos e na indicação de intervenções (Kotlow et al., 2023).
Essas incertezas geram uma preocupação em torno dos possíveis impactos no aleitamento materno. A amamentação é um dos principais assuntos discutidos na atualidade devido a sua importância substancial, reconhecida como a prática mais benéfica para a saúde, o desenvolvimento e a nutrição infantil. Oferece ao recém-nascido um início de vida ideal, promovendo crescimento adequado, fortalecendo o vínculo afetivo entre mãe e bebê e contribui para o bem-estar geral. O colostro, produzido logo após o parto, é rico em nutrientes e leucócitos, essenciais para fortalecer a imunidade do recém-nascido. Além disso, o leite materno contém uma combinação de nutrientes necessários, células imunológicas, células-tronco, ácidos graxos ômega-3 e ácido alfa-linolênico, componentes que não estão presentes em fórmulas infantis ou leites artificiais (Kehinde et al., 2023).
Diante dos inúmeros benefícios do aleitamento materno, a identificação precoce da anquiloglossia e seu tratamento adequado têm ganhado cada vez mais atenção. No Brasil, a Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014, estabeleceu a obrigatoriedade da aplicação de um protocolo de avaliação do frênulo lingual em recém-nascidos em hospitais e maternidades. Essa legislação reforça a importância da triagem neonatal com protocolos bem definidos, destacando o impacto positivo do diagnóstico precoce para a saúde e o desenvolvimento dos bebês (BRASIL, 2014). Para regulamentar sua implementação, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 52/2023, com o objetivo de orientar os profissionais e estabelecimentos de saúde sobre a identificação precoce da anquiloglossia em recém-nascidos (BRASIL, 2023).
3 METODOLOGIA
Este estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, na qual a seleção de artigos foi realizada a partir de buscas nas bases de dados MEDLINE (via PubMed) e Scielo. Essa abordagem permitiu uma investigação ampla e criteriosa da literatura existente, assegurando a seleção de estudos significativos e de qualidade para a análise do tema.
Para a realização da busca dos artigos, foram definidos e aplicados os descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH): “Anquiloglossia” (Ankyloglossia) e “Aleitamento Materno” (Breastfeeding), os quais foram combinados entre si utilizando o operador booleano “AND” para refinar os resultados. O processo de busca e seleção dos artigos foi sintetizado em um fluxograma, apresentado na Figura 1. O qual ocorreu em duas etapas: (1) triagem inicial por meio da leitura dos títulos e resumos, e (2) avaliação qualitativa com a leitura na íntegra dos artigos originais.
Os artigos selecionados para esta revisão foram publicados nos últimos 5 anos, garantindo dessa forma a inclusão de pesquisas mais recentes e alinhadas com o avanço do conhecimento sobre a relação entre a anquiloglossia e os impactos no aleitamento materno. Além disso, foram considerados estudos disponíveis nos idiomas português, inglês e espanhol, a fim de abranger uma diversidade de publicações e proporcionar uma análise mais ampla e representativa da literatura científica atual.
Foram excluídos artigos que não se enquadravam nos critérios de seleção estabelecidos, estudos que abordam exclusivamente a descrição das técnicas para o seu tratamento, assim como aqueles que não tratavam diretamente do tema principal desta pesquisa. Teses, dissertações, livros e demais revisões de literatura também foram descartados no processo de seleção. Os artigos que apareceram em ambos os bancos de dados foram considerados apenas uma vez.
As informações coletadas foram sistematizadas em tabelas, nas quais foram registrados o(s) autor(es), ano de publicação, título do estudo, tipo de pesquisa, amostra, instrumento para diagnóstico de anquiloglossia e resultados. Posteriormente, foi realizada uma análise crítica dos estudos selecionados para avaliar as evidências sobre a influência da anquiloglossia em bebês no aleitamento materno, identificando quais pesquisas corroboravam ou contestavam os impactos dessa condição na amamentação.
Figura 1. Processo de identificação, seleção e inclusão dos artigos nas bases de dados consultadas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para esta revisão foi realizada uma sistematização dos resultados, dos quais os artigos selecionados foram contabilizados na Figura 2, nas quais foram registrados o(s) autor(es), ano de publicação, título do estudo, tipo de pesquisa, amostra, instrumento para diagnóstico de anquiloglossia e resultados.
Um total de 8 estudos preencheram os critérios de inclusão, dos quais 5 foram estudo de coorte, 2 foram estudos transversais e 1 foi estudo observacional longitudinal. As datas de publicação variaram de 2021 a 2025. O número médio de amostra foi de 274 participantes, sendo a dupla de mãe e bebê.
Figura 2: Artigos selecionados para estudo (N = 8)
Fonte: Autores, 2025.
Os estudos incluídos nesta revisão integrativa, que investigaram a relação entre anquiloglossia e aleitamento materno, revelaram resultados divergentes, refletindo a complexidade dessa interação. As divergências observadas entre os estudos refletem a ausência de um consenso na literatura sobre a real influência da anquiloglossia na amamentação.
A variabilidade dos resultados pode ser atribuída às diferenças nos critérios de diagnóstico da anquiloglossia, à gravidade da condição, às técnicas de amamentação adotadas e ao suporte oferecido às mães. Além disso, segundo Ellehauge em 2020, o aumento expressivo no número de diagnósticos e procedimentos de frenectomia tem gerado questionamentos sobre a necessidade dessas intervenções, especialmente em casos em que a anquiloglossia não resulta em dificuldades significativas de amamentação.
Enquanto em alguns estudos foi identificado associação entre a anquiloglossia e dificuldades na amamentação, como dor materna durante a sucção e desmame precoce, outros não encontraram impacto significativo na duração do aleitamento materno exclusivo ou na autoeficácia da amamentação. Também foi observado que, em muitos casos, os recém-nascidos diagnosticados com anquiloglossia conseguiram superar as dificuldades iniciais, mantendo padrões normais de crescimento e continuidade na amamentação sem haver diferença da amamentação em bebês não diagnosticados com anquiloglossia. Isso sugere que a presença da anquiloglossia, isoladamente, pode não ser um fator determinante para o sucesso ou fracasso do aleitamento, sendo necessário considerar outros aspectos, como o suporte materno e técnicas de amamentação.
Houve uma variedade de instrumentos para o diagnóstico da anquiloglossia nos estudos analisados, refletindo a ausência de um protocolo padronizado. O sistema de diagnóstico mais utilizado foi o Bristol Tongue Assessment Tool, presente em 5 estudos (Feldens et al., 2025; Batista et al., 2024; Feldens et al., 2024; Batista et al., 2023; Fraga et al., 2021). O protocolo de Martinelli foi uma ferramenta utilizada em 3 dos estudos (Cunha et al., 2023; Vilarinho et al., 2022; Rech et al., 2021). Além disso, 2 estudos utilizaram complementarmente o sistema Hazelbaker Assessment Tool for Lingual Frenulum Function (Batista et al., 2023; Fraga et al., 2021).
Feldens e colaboradores em 2025 realizaram estudo de coorte de nascimento envolvendo mães e recém-nascidos imediatamente após o parto em um hospital público na cidade de Canoas, sul do Brasil. Para cada recém-nascido com diagnóstico ou suspeita de anquiloglossia, dois recém-nascidos sem a condição foram incluídos no estudo. Aos 14 dias de vida, as mães foram entrevistadas em domicílio para coletar informações sobre a autoeficácia na amamentação, utilizando a Escala de Autoeficácia na Amamentação. A amostra final constituiu 31 crianças com anquiloglossia (grupo exposto) e 57 sem a condição (grupo não exposto). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. O estudo demonstrou que a anquiloglossia ao nascer não exerceu impacto clinicamente relevante na autoeficácia da amamentação em crianças aos 14 dias de vida. Esse resultado sugere que, em alguns casos, a anquiloglossia pode não interferir significativamente no início do aleitamento, especialmente quando há suporte adequado às mães e bebês.
No entanto, em 2024, Batista e colaboradores apresentaram uma perspectiva diferente, associando a anquiloglossia ao desmame antes do sexto mês de vida e a um menor tempo de aleitamento materno exclusivo. Essa divergência pode estar relacionada à gravidade da condição ou à presença de outros fatores, como a técnica de amamentação e o manejo clínico. O estudo de coorte prospectivo foi realizado na Unidade Materno-Infantil do HUUFMA, em São Luís, Brasil, onde 225 pares mãe-bebê foram acompanhadas para investigar o impacto da anquiloglossia neonatal no aleitamento materno exclusivo. Os achados revelaram que, embora 27% da amostra geral tenha apresentado desmame precoce, essa proporção aumentou para 51,9% entre os lactentes com anquiloglossia (p < 0,001). A análise de Kaplan-Meier demonstrou que o tempo médio de aleitamento materno exclusivo foi de 4,5 meses para o grupo com anquiloglossia, em contraste com 5,4 meses para o grupo controle.
Em um estudo de coorte prospectivo multicêntrico, pares mãe-bebê foram entrevistadas logo após o parto, aos 6 e 12 meses para coletar dados sociodemográficos e informações sobre a duração do aleitamento materno exclusivo e total. Aos 12 meses, os recém-nascidos foram avaliados utilizando o Bristol Tongue Assessment Tool para classificar o frênulo lingual. Com uma amostra final de 293 crianças, a prevalência combinada de anquiloglossia definida e suspeita foi de 5,8% (IC95%: 3,1–8,5%). A análise estatística, por meio de regressão de Poisson com variância robusta, revelou que não houve diferenças significativas na prevalência de aleitamento materno entre os grupos com e sem anquiloglossia, sendo que a probabilidade de manutenção do aleitamento exclusivo por 6 meses não diferiu significativamente (RR = 0,98; IC95%: 0,79–1,23; p = 0,907). O estudo não encontrou associação entre anquiloglossia definida ou suspeita e a duração do aleitamento materno exclusivo ou total, reforçando a ideia de que a condição, por si só, nem sempre é determinante para o sucesso da amamentação (Feldens et al., 2024).
Entretanto, Cunha e colaboradores, em 2023, sugeriram que a condição pode afetar o padrão de sucção dos lactentes. Ao analisar 55 bebês de 0 a 2 meses, os autores identificaram que aqueles com anquiloglossia apresentaram períodos mais longos de sucção e maior frequência de mamadas prolongadas e dolorosas relatadas pelas mães, indicando um padrão alimentar potencialmente menos eficiente. Apesar disso, a taxa de complementação com fórmula foi menor no grupo com anquiloglossia, sugerindo que, mesmo com dificuldades, muitas mães persistiram na amamentação. Esses achados ressaltam a necessidade de estudos adicionais para esclarecer as implicações funcionais da anquiloglossia na eficiência da alimentação e avaliar a real necessidade de intervenções cirúrgicas, contribuindo para um entendimento mais abrangente da condição e seu impacto no aleitamento materno.
Diante desses desafios iniciais, um quinto estudo trouxe uma perspectiva otimista ao observar que recém-nascidos diagnosticados com anquiloglossia no período pós-parto conseguiram superar as dificuldades iniciais na amamentação e mantiveram um crescimento normal nos primeiros seis meses de vida. Isso sugere que, com intervenções adequadas e suporte profissional, os desafios relacionados à anquiloglossia podem ser superados (Batista et al., 2022).
Vilarinho et al. (2022) complementam a visão anterior ao corroboram esses achados ao não identificarem associação significativa entre anquiloglossia e dificuldades na amamentação. Em um estudo observacional longitudinal realizado com 411 pares mãe-bebê, os autores avaliaram o frênulo lingual dos neonatos e acompanharam a história clínica relatada pelas mães até os seis meses de idade. A prevalência de anquiloglossia foi de 4,3%, e a condição não se mostrou um fator determinante para o sucesso do aleitamento materno. Os principais obstáculos ao AME identificados foram o uso de mamadeira no primeiro mês de vida e dificuldades maternas na amamentação, como a presença de mamilos não protrusos. Esses resultados reforçam a complexidade do aleitamento, indicando que a anquiloglossia, isoladamente, pode não ser o principal fator que compromete a amamentação, destacando a importância de uma abordagem multifatorial na avaliação e no manejo da condição.
Assim como os dois estudos anteriores Rech et al. (2021) confirmou essa perspectiva, apontando que a maioria das mães cujos bebês apresentaram anquiloglossia não enfrentou dificuldades ou interferências durante a amamentação. O estudo de coorte foi realizado no Instituto Materno Perinatal em Lima, Peru, também indicou uma baixa prevalência de anquiloglossia e ausência de impacto significativo na amamentação. Entre os 304 recém-nascidos avaliados, apenas 4,9% foram diagnosticados com frênulo lingual alterado, e a grande maioria apresentou escores elevados na Escala de Avaliação Clínica da Eficácia da Amamentação (ACEA), sugerindo boa funcionalidade na sucção. Além disso, apenas dois lactentes persistiram com dificuldades na amamentação ao longo do acompanhamento, necessitando de frenotomia.
Fraga et al. (2020) reforçam essa perspectiva ao identificarem que a prevalência de anquiloglossia variou de acordo com o método diagnóstico utilizado, o que pode influenciar a interpretação de sua real interferência na amamentação. Embora o estudo tenha encontrado associação entre a anquiloglossia e dificuldades na amamentação, não houve relação com a prática de aleitamento materno exclusivo, sugerindo que outros fatores também desempenham um papel fundamental na dinâmica da sucção. A diferença significativa entre os instrumentos de avaliação utilizados ressalta a necessidade de critérios diagnósticos padronizados para evitar superestimação ou subestimação da condição e sua real implicação na amamentação.
Diante dos achados nos estudos analisados, fica evidente que a relação entre anquiloglossia e dificuldades na amamentação ainda carece de consenso. Enquanto alguns estudos apontam associação entre frênulo lingual alterado e dificuldades iniciais na sucção, nessa revisão a maioria dos estudos não identificaram impacto significativo no aleitamento materno exclusivo, sugerindo que fatores maternos, ambientais e adaptativos do próprio bebê também influenciam esse processo.
Dessa forma, ressalta-se a importância de estudos clínicos adicionais que adotem protocolos padronizados para o diagnóstico da anquiloglossia, a fim de esclarecer sua associação com dificuldades iniciais na amamentação. Além disso, investigações longitudinais são necessárias para compreender a duração do aleitamento materno e os fatores que podem levar ao desmame precoce em recém-nascidos com alterações no frênulo lingual.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos estudos revisados demonstra que a relação entre anquiloglossia e aleitamento materno é complexa e multifatorial. Embora alguns trabalhos indiquem que a anquiloglossia não exerce impacto clinicamente relevante na autoeficácia da amamentação nos primeiros dias de vida ou no crescimento normal dos recém-nascidos, outros associam a condição a dificuldades específicas, como dor materna durante a amamentação e redução no tempo de aleitamento exclusivo.
Essas divergências sugerem que a anquiloglossia pode afetar a amamentação de maneiras variadas, dependendo de fatores como a gravidade da condição, a técnica de amamentação e o apoio oferecido às mães ou mesmo em alguns outros casos não ter nenhum impacto negativo na amamentação. Além disso, a maioria dos estudos reforça que a amamentação é influenciada por múltiplos elementos, e a anquiloglossia, por si só, nem sempre é determinante para o sucesso ou fracasso dessa prática. Dessa forma a decisão por intervenções, como a frenectomia, deve ser cuidadosamente avaliada, levando em conta a individualidade de cada caso e a presença de sinais clínicos claros de impacto na amamentação.
Diante desses achados, é possível concluir que a anquiloglossia pode representar um desafio para o aleitamento materno em alguns casos, mas não deve ser vista como um impedimento absoluto. A identificação precoce e o manejo adequado da condição, aliados ao suporte multiprofissional às mães, são essenciais para superar as dificuldades iniciais e garantir os benefícios do leite materno. No entanto, a falta de consenso entre os estudos revisados reforça a necessidade de mais pesquisas com metodologias padronizadas para esclarecer o real impacto da anquiloglossia na amamentação. Assim, profissionais de saúde devem adotar uma abordagem multidisciplinar e individualizada, garantindo que decisões clínicas sejam baseadas também no contexto específico de cada binômio mãe-bebê.
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1 Discente de Mestrado da Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail: franciellendl@gmail.com
2 Discente do Curso de Especialização em Endodontia do Instituto Focus Grupo Educacional Campus Horto. E-mail: alzirodonto@gmail.com
3 Mestre em Clínica Odontológica (PPGO-UFPI). E-mail: franciscojr007@outlook.com
4 Mestra em Saúde da Família (Fiocruz/UFPI), Especialista em Odontopediatria (ABCD-PI), Doutoranda em Sáude da Família (Fiocruz/UFPI). E-mail: alessandra.araujo86@hotmail.com
5 Discente de Doutorado da Universidade Federal do Piauí Campus Teresina. E-mail: ruanlouzeirolima@gmail.com
6 Docente do Curso Superior de Odontologia do Centro Universitário Santo Agostinho (UniFSA). Especialista, Mestre e Doutor em Odontologia com Área de Concentração em Cirurgia Bucomaxilofacial (FOP/UPE) E-mail: ewertondaniel27@hotmail.com
7 Docente do Curso Superior de Odontologia do Centro Universitário UNINOVAFAPI. Doutora em Ciências Odontológicas (Faculdade São Leopoldo Mandic). E-mail: marcia.cruz@uninovafapi.edu.br