ANEMIA HEMOLÍTICA IMUNOMEDIADA EM CÃO: RELATO DE CASO

AUTOIMMUNE HEMOLYTIC ANEMIA IN DOGS: A CASE REPORT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511161204


Clara Maria da Silva1; Eliane Gonçalves Andrade1; Júlia Rodrigues Castro1; Juliene Stephany Custódio Jacó1; Vitor Figueredo de Araujo1; Lorraine Stuart Torquette2; Camila Amaral Costa3; Letícia Almeida Lopes4; Tatiana Geraissate Gorenstein5; Natália de Castro Alves6


Resumo

A Anemia Hemolítica Imunomediada (AHIM) é uma enfermidade imunomediada caracterizada pela destruição precoce dos eritrócitos, podendo ser classificada como primária (idiopática) ou secundária a infecções, neoplasias ou uso de medicamentos. Este trabalho teve como objetivo relatar um caso de AHIM idiopática em um cão da raça Shih-Tzu, macho, castrado, 5 anos de idade, pesando aproximadamente 3,6 kg, atendido em abril de 2025 com quadro clínico de hemoglobinúria, hiporexia, prostração e mucosas hipocoradas. Os exames laboratoriais indicaram anemia regenerativa, leucocitose, hiperbilirrubinemia e evidências de hemólise. Testes moleculares (PCR) para hemoparasitoses foram negativos, permitindo a exclusão de causas infecciosas e o estabelecimento do diagnóstico de AHIM idiopática. O tratamento instituído incluiu transfusões sanguíneas, terapia imunossupressora com prednisolona, micofenolato de mofetila e leflunomida, administração de imunoglobulina intravenosa, anticoagulação profilática e suporte sintomático. O paciente permaneceu internado por aproximadamente dez dias, sob monitoramento intensivo, e apresentou progressiva melhora clínica, com estabilização dos  parâmetros  hematológicos.  Após  a  alta,  seguiu  em  tratamento  domiciliar  com acompanhamento clínico e laboratorial contínuo. A abordagem terapêutica combinada mostrou-se eficaz na contenção do processo hemolítico, sendo fundamental a instituição precoce da imunossupressão e da terapia de suporte. Este caso reforça a importância da suspeita clínica diante de sinais compatíveis com anemia hemolítica, bem como da exclusão sistemática de causas secundárias. Conclui-se que a conduta agressiva e individualizada, baseada na associação de múltiplas estratégias terapêuticas, foi determinante para o desfecho positivo, contribuindo para o prognóstico favorável do paciente e servindo de referência para a condução de casos semelhantes na prática médica veterinária.

Palavras-chave: Anemia hemolítica autoimune. Imunossupressores. Hemólise

1 INTRODUÇÃO

A anemia hemolítica imunomediada (AHIM) é uma enfermidade hematológica de natureza complexa e potencialmente fatal, caracterizada pela destruição precoce dos eritrócitos em decorrência de uma resposta imunológica anômala (SOUZA, 2021). Essa condição pode se manifestar de forma primária, sem causa identificável, ou secundária, associada a fatores como neoplasias, infecções e uso de medicamentos (MILLE et al., 2004).

A importância clínica da AHIM decorre de sua natureza potencialmente fatal e de sua apresentação clínica variável, que pode dificultar o diagnóstico precoce. Os cães acometidos por AHIM geralmente apresentam anemia regenerativa, acompanhada de sinais clínicos variados, que vão desde apatia e letargia até quadros mais graves, como icterícia, hematúria e risco de tromboembolismo (BERENTSEN, 2019). A intensidade da hemólise influencia diretamente na manifestação clínica, podendo incluir fraqueza, taquipneia, icterícia e hemoglobinúria (MEDEIROS et al., 2020).

A presença de anemia regenerativa associada a esferócitos, autoaglutinação e teste de Coombs positivo são achados laboratoriais relevantes para o diagnóstico, mas o desafio está em excluir outras causas de anemia e interpretar corretamente os dados clínico-laboratoriais (SOUZA, 2021). O manejo terapêutico da AHIM requer uma abordagem agressiva e multidisciplinar. O tratamento geralmente envolve o uso de imunossupressores, como corticosteroides e, em casos refratários, associações com outros agentes como azatioprina ou ciclosporina, além de cuidados de suporte, transfusões e monitoramento intensivo (MEDEIROS et al., 2020). A resposta terapêutica varia conforme a gravidade do quadro, a presença de comorbidades e a precocidade do diagnóstico.

Dada a gravidade e complexidade da AHIM, é fundamental que médicos-veterinários estejam preparados para reconhecer os sinais clínicos precoces, realizar uma investigação diagnóstica completa e instituir tratamento adequado o quanto antes. Nesse contexto, o estudo de casos clínicos se mostra extremamente valioso como ferramenta de ensino e atualização, proporcionando ao clínico uma visão prática da doença em diferentes apresentações.

Diante da relevância clínica da AHIM, este trabalho tem como objetivo aprofundar o entendimento sobre a doença por meio de uma análise teórica fundamentada e da apresentação de um caso clínico de um cão da raça Shih-Tzu acometido pela enfermidade.

2 RELATO DE CASO

Este estudo constitui-se em um relato de caso clínico realizado em 5 abril de 2025, no qual foi atendido, em clínica médica de pequenos animais, um cão macho, castrado, da raça ShihTzu, com aproximadamente cinco anos de idade e 3,6 kg de peso corporal. O atendimento baseou- se na anamnese detalhada fornecida pela tutora, exame físico e realização de exames laboratoriais e de imagem.

Durante a anamnese, a tutora relatou que o animal apresentava apetite seletivo, com alimentação baseada principalmente em ração seca. Os protocolos profiláticos estavam desatualizados, incluindo vacinação, vermifugação e controle de ectoparasitas, sem atualização há mais de um ano. O paciente residia em ambiente domiciliar com outros dois cães, com os quais compartilhava o tapete higiênico, e realizava passeios regulares em vias públicas, além de frequentar pet shops, aspectos que elevam o risco de exposição a agentes infecciosos. O primeiro sinal clínico observado foi hematúria, percebida no dia 5 de abril de 2025. Ainda no mesmo dia, a tutora notou hiporexia e ausência de ingestão alimentar no período noturno, indicando possível comprometimento sistêmico.

No exame físico, o animal apresentava mucosas levemente hipocoradas, hidratação reduzida, temperatura retal de 38,9 °C, frequência cardíaca de 104 bpm e frequência respiratória de 28 mpm. Os demais parâmetros clínicos estavam dentro da normalidade.

Frente ao quadro clínico, levantou-se inicialmente a hipótese de cistite ou urolitíase. Foram solicitados exames laboratoriais (hemograma completo e urinálise) e exames de imagem para investigação complementar. A conduta terapêutica inicial incluiu administração de dipirona (25 mg/kg, TID) e prednisolona (0,5 mg/kg, SID), com retorno agendado para reavaliação após obtenção dos resultados dos exames.

O exame de urina revelou hemoglobinúria, cristais de urato amorfo, presença de proteínas, bilirrubina, sangue oculto e bactérias (figura 1)

Figura 1: Exame de urina do paciente realizado em 06/04/2025

No hemograma, observou-se anemia regenerativa leve com eritrócitos, hemoglobina e hematócrito abaixo dos valores de referência, presença de anisocitose moderada e policromasia discreta. Verificou-se também presença de leucocitose leve com aumento dos neutrófilos segmentados e monocitose leve. Já a contagem e morfologia plaquetária estavam dentro dos parâmetros de referência.

Figura 2 – Hemograma do paciente realizado em 05/04/2025

Nos dias subsequentes (6 e 7 de abril), observou-se uma acentuada piora do estado geral do paciente. O animal passou a apresentar recusa alimentar completa, prostração intensa, mucosas extremamente hipocoradas e hematúria persistente (Figura 3). Diante do agravamento do quadro clínico, optou-se pela internação imediata para monitoramento intensivo e suporte terapêutico. Paralelamente, foi solicitado exame de ultrassonografia abdominal com o objetivo de avaliar o trato urinário e investigar possíveis causas estruturais associadas à  hemoglobinúria.

Figura 3 – Urina escurecida em tom avermelhado do paciente no momento da internação na clínica em 07/04/2025

O exame ultrassonográfico abdominal evidenciou as seguintes alterações: presença de material em suspensão na bexiga, sugestivo de processo inflamatório; redução da definição corticomedular renal, sinal medular e pontos hiperecogênicos nos rins, compatíveis com nefropatia; leve redução difusa da ecogenicidade hepática, indicativa de alteração funcional; esplenomegalia discreta; e espessamento das paredes do intestino delgado (figuras 4).

Figura 4 – Imagens do exame de ultrassonografia do paciente realizado em 07/04/2025

No dia 7 de abril, foi realizado um novo hemograma, que revelou hematócrito de 10% (figura 5), confirmando a piora da anemia. Diante desse achado, indicou-se transfusão sanguínea com concentrado de hemácias. A transfusão foi realizada no mesmo dia, e, nas horas seguintes, observou-se melhora significativa no estado geral do paciente, incluindo recuperação parcial da coloração das mucosas. Um hemograma subsequente evidenciou resposta regenerativa medular moderada, indicando recuperação progressiva da eritropoese (figura 6 e gráfico 1). 

Figura 5 – Hemograma do paciente realizado em 07/04/2025

Figura 6 – Hemograma do paciente realizado em 08/04/2025

Gráfico 1  – Gráfico comparativo com evolução do paciente com a transfusão sanguínea. 

Considerando o quadro clínico e os resultados laboratoriais, foi realizada uma consulta especializada com uma médica veterinária hematologista para aprofundamento diagnóstico e definição de conduta terapêutica.

A médica veterinária hematologista confirmou a suspeita clínica de Anemia Hemolítica Imunomediada Primária (AHIM) com base na anamnese detalhada, evolução clínica, achados laboratoriais e exclusão de hemoparasitoses, por meio de PCR negativo para Ehrlichia spp., Babesia spp. e Anaplasma spp.; bem como nos critérios diagnósticos: anemia associada a presença de esferocitose, aglutinação em salina positivo e bilirrubinúria e hemoglobinúria (GARDEN et al., 2019). Diante da ausência de agentes infecciosos, neoplasias ou exposição a toxinas, a AHIM foi diagnosticada de forma presuntiva como idiopática, ou seja, sem causa secundária identificável. Essa abordagem diagnóstica é compatível com a literatura, que ressalta a importância da exclusão de causas secundárias para o correto manejo da doença. O protocolo terapêutico instituído foi abrangente e conduzido sob regime de internação com monitoramento intensivo. O tratamento incluiu a administração de agentes imunossupressores, como prednisolona (2 mg/kg, BID),iniciado no dia 08 de abril, micofenolato de mofetila (10 mg/kg, BID), iniciado no dia 09 de abril, e leflunomida (10 mg/kg, SID), iniciado no dia 14 de abril, com o objetivo de controlar a resposta imune exacerbada. Transfusões sanguíneas foram realizadas nos momentos em que o hematócrito atingiu níveis críticos, além da administração de imunoglobulina intravenosa em duas ocasiões distintas, como estratégia adjuvante para modulação imunológica.

Como parte do suporte terapêutico, foi prescrita temporariamente enrofloxacina (1 mg/kg, SID), além de ondansetrona (1 mg/kg, BID) para o controle de náuseas e cobavital (2 mg/animal, SID) como estimulante do apetite. A profilaxia de eventos tromboembólicos foi realizada com heparina (100 UI/kg, BID). Para manejo da dor, foram utilizados metadona (0,3 mg/kg, BID) e dipirona durante os primeiros dias de tratamento.

A duração total do tratamento ultrapassou três semanas, com cerca de dez dias de hospitalização contínua. Após a alta hospitalar, a terapia imunossupressora foi mantida em domicílio e o paciente foi submetido a monitoramento ambulatorial por meio de exames hematológicos e bioquímicos seriados, visando avaliar a resposta ao tratamento e permitir ajustes individualizados do protocolo terapêutico. O acompanhamento foi conduzido pelo médico veterinário clínico, em conjunto com a médica veterinária hematologista, assegurando a continuidade do tratamento, a avaliação imunológica e o controle do quadro hematológico. Em 29 de abril de 20025, o paciente apresentava bom estado geral, apesar da perda de peso. O hematócrito estabilizou-se, e o protocolo foi ajustado para redução gradual de corticoides, com manutenção dos imunossupressores. A evolução clínica foi positiva, e o animal demonstrava comportamento semelhante ao pré-doença.

Todos os procedimentos foram realizados de acordo com as boas práticas clínicas e as recomendações técnicas vigentes para o manejo da AHIM em cães, respeitando o bem-estar animal e adotando condutas terapêuticas baseadas em evidências clínicas e laboratoriais.

3 DISCUSSÃO

A anemia hemolítica imunomediada (AHIM) é uma enfermidade imunológica grave caracterizada pela destruição precoce dos eritrócitos, resultando em diminuição do volume globular. A hemólise pode ocorrer de forma intravascular ou extravascular, sendo mediada por anticorpos que reconhecem as hemácias como antígenos (MILLER et al.,2000). A AHIM pode ser classificada em primária (idiopática), quando não se identifica uma causa subjacente, ou secundária, quando está associada a fatores como neoplasias, infecções, fármacos ou outras doenças imunomediadas MACKIN, 2000; MCCULLOUGH, 2003; HONECKMAN et al., 1996).

No caso clínico relatado, após investigação clínica e laboratorial criteriosa, foi descartada a presença de hemoparasitoses (PCR negativo para Ehrlichia spp., Babesia spp. e Anaplasma spp.), doenças infecciosas e outras causas secundárias, sendo a AHIM classificada como idiopática.

De acordo com Santos (2023), a anemia hemolítica imunomediadas é frequente em cães, sendo considerada uma doença hemolítica importante e não sendo comum em gatos. Sua apresentação mais frequente é em cadelas de meia-idade e da raça Cocker spaniel americana (BALCH, MACKIN, 2007). No entanto, a condição também pode acometer machos de outras raças, como observado no paciente deste relato, um cão da raça Shih-Tzu, com cinco anos de idade.

Os sinais clínicos observados na AHIM variam conforme a gravidade e a velocidade da hemólise, sendo comuns: mucosas hipocoradas, letargia, taquicardia, taquipneia, icterícia, além de hematúria e bilirrubinúria, como constatado neste caso. Também são descritas complicações como hepatosplenomegalia, sopros cardíacos sistólicos (em casos graves de anemia) e linfadenomegalia (ANDRADE et al., 2010; PLUMB, 2002; STOKOL et al., 2000; STONE, 2008).  Embora  o  paciente  não  tenha  apresentado  tromboembolismo  ou  coagulação intravascular disseminada, medidas preventivas foram adotadas, como o uso de heparina (100 UI/kg, BID), conforme indicado por Carr et al. (2002).

Outras complicações que podem aparecer em pacientes com AHIM são a coagulação disseminada e o tromboembolismo, consequentemente, a hipoxia tecidual (CARR et al., 2002). No cão do relato de caso, não houve essas complicações, ele foi medicado com heparina (100UI/kg BID) para prevenção de eventos tromboembólicos.

O diagnóstico da AHIM baseia-se na exclusão de outras causas de anemia, além da presença de sinais clínicos e laboratoriais sugestivos. Achados como esferócitos ou autoaglutinação podem ser altamente susgestivo (COUTO, 2000). No presente caso, o diagnóstico foi estabelecido de forma presuntiva, integrando histórico, sinais clínicos, exclusão de causas secundárias e resposta ao tratamento imunossupressor.

Nos exames laboratoriais, são comuns anemia regenerativa moderada a intensa, leucocitose com neutrofilia, linfopenia e, por vezes, trombocitopenia (MILLER et al., 2000; STOKOL et al., 2000). O paciente apresentou anemia regenerativa leve e leucocitose com neutrofilia, condizente com os achados descritos na literatura.

O tratamento da anemia hemolítica imunomediada em cães envolve abordagem múltipla, como a terapia com imunossupressores, suporte hemodinâmico, controle e ajuste de acordo com as complicações do paciente. Entretanto, em casos de AHIM secundária é necessário eliminar a causa primaria, pois o animal pode não responder ao tratamento com imunossupressores (BURGESS, 2000). O tratamento com imunossupressores é indicado para diminuir a destruição dos eritrócitos, sendo realizado principalmente com glicocorticóides. Os principais são a predinisona (2 a 4 mg/kg/BID) e dexametasona, está por sua vez é indicada para animais que não podem receber medicação oral. Porém, devido a dexametasona ser de sete a oito vezes mais potente que a prednisona, este medicamento deve ser administrado em doses equipotentes (PLUMB, 2002).

Em situações no qual esses medicamentos não fornecerem um bom resultado na remissão da doença ou causar efeitos colaterais inaceitáveis, pode ser utilizado outros imunossupressores, como a azatioprina na dose 2 mg/Kg, por via oral a cada 24 horas. Entretanto, essa droga possui o efeito lento, por isso deve ser associada com outro imunossupressor e deve ser cauteloso, devido ao uso prolongado, pois existem relatos de aplasia de série eritróide induzidas por este fármaco (MASON et al., 2003). Outro fármaco imunossupressor é a leflunomida (4 mg/SID) que pode ser administrada isolada ou associada com a ciclosporina (10 mg/kg/SID) (MONCRIEFF et al., 2001).

Além desses medicamentos terapêuticos, outra forma de terapia suporte, com intuito de evitar complicações para o animal, é o uso de heparina na dose de 100 a 200 U/kg/8h/SC ou, com aspirina, na dose de 0,5 a 1,0 mg/kg/SID para evitar a formação de tromboembolismo (CARR et al., 2002).

No presente relato, a associação de prednisolona, micofenolato de mofetila e leflunomida demonstrou boa resposta clínica. O uso de ondansetrona, cobavital e analgésicos complementou o suporte sintomático, promovendo maior conforto e adesão alimentar.

Com base da literatura do autor Burgess (2000), cerca de 70% a 90% dos pacientes acometidos com AIHM precisam de transfusão sanguínea para auxílio no volume globular, evitando a hipoxia tecidual. Nesse caso, a transfusão com concentrado de hemácias foi decisiva para a recuperação clínica inicial do animal.

O prognóstico para AHIM idiopática é reservado, com taxas de mortalidade que variam entre 26% e 70% (KLAG et al., 1993). A evolução clínica depende da resposta ao tratamento e da adesão do tutor ao manejo prolongado, que pode durar semanas a meses. No caso descrito, o comprometimento e acompanhamento constante da tutora, aliado ao suporte especializado da médica veterinária hematologista, foram fundamentais para o sucesso terapêutico.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A anemia hemolítica imunomediada é uma condição de elevada gravidade que demanda atenção veterinária imediata e manejo terapêutico cuidadoso.

O estudo de caso analisado reforça a importância da abordagem multidisciplinar no tratamento da AHIM, incluindo o uso de imunossupressores, suporte terapêutico e monitoramento contínuo do paciente

A literatura destaca a necessidade de acompanhamento veterinário prolongado e ajustes terapêuticos conforme a evolução do quadro clínico. Além disso, a alta taxa de mortalidade evidenciada em pesquisas ressalta a importância do reconhecimento precoce dos sintomas e da implementação de estratégias adequadas para maximizar a sobrevida dos pacientes acometidos. O caso do cão Shih-Tzu demonstrou a importância da abordagem diagnóstica abrangente, considerando tanto os exames laboratoriais quanto a exclusão criteriosa de causas secundárias. A instituição precoce de terapia imunossupressora combinada, associada a medidas de suporte como transfusões sanguíneas e prevenção de eventos trombóticos, foi determinante para o prognóstico favorável do paciente.

O comprometimento e o acompanhamento contínuo por parte da equipe veterinária, aliados ao envolvimento e à adesão da tutora ao tratamento, foram fatores fundamentais para a recuperação clínica observada.

Em suma, o presente trabalho reforça a relevância da atualização constante dos profissionais de saúde animal quanto ao manejo da AHIM, além de evidenciar a importância da atuação integrada entre clínico geral, especialista e tutor no enfrentamento dessa enfermidade complexa.

5 REFERÊNCIAS

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1Discentes de graduação do curso Medicina Veterinária do Centro Universitário Newton Paiva;

2Médicas veterinárias formadas pela UNIBH;

3Médica veterinária formada pela UFMG;

4Médica veterinária formada pela Newton Paiva

5Médica veterinária formada pela UNESP

6Orientadora: Profa. Dra. Natália de Castro Alves do Curso de Medicina Veterinária, Centro Universitário Newton Paiva.