ANÁLISE DOS FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À CANDIDÍASE BUCAL E  ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS UTILIZADAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510130926


Ahmad Atoui1
Hadi Mohamad Nasser1
 Alexandre Kraemer2


RESUMO 

Este estudo teve como objetivo investigar os principais fatores de risco associados  ao desenvolvimento da candidíase bucal em populações vulneráveis, bem como  analisar as abordagens terapêuticas utilizadas para seu controle e prevenção. Deste  modo, foi realizada uma revisão integrativa de literatura, contemplando artigos  publicados entre os anos de 2015 a 2025, que abordam sobre os fatores  associados, a prevalência, resistência antifúngica e estratégias terapêuticas. Os  achados da pesquisa apontam que fatores locais como o uso inadequado de  próteses bucais, o acúmulo de biofilme e hipossalivação estão intimamente ligados à  colonização por cândida spp. Entre os fatores sistêmicos, destacam-se  imunossupressão decorrente de tratamentos antineoplásicos, infecção pelo HIV e  alterações metabólicas, que aumentam a susceptibilidade à infecção. Ademais,  evidencia-se que a resistência antifúngica, tanto intrínseca quanto adquirida,  constitui um desafio terapêutico significativo, pois é potencializada pela formação de  biofilmes e pelo uso prolongado ou inadequado de medicamentos. Em vista disso,  conclui-se que o controle da candidíase bucal requer uma abordagem integrada,  onde não somente considera os fatores associados a ela, como também torna-se  fundamental adotar estratégias mais eficazes para prevenção e controle, como o uso  racional de antifúngicos, cuidados com a higiene bucal, manutenção adequada das  próteses e acompanhamento clínico regular, visando prevenir recorrências e  melhorar a qualidade de vida das populações afetadas. 

Palavras-chave:Candidíase Bucal. Candida Albicans. Fatores de Risco. Prótese  Dentária. 

ABSTRACT 

This study aimed to investigate the main risk factors associated with the development  of oral candidiasis in vulnerable populations, as well as analyze the therapeutic  approaches used for its control and prevention. Therefore, an integrative literature  review was conducted, including articles published between 2015 and 2025,  addressing associated factors, prevalence, antifungal resistance, and therapeutic  strategies. The research findings indicate that local factors such as the inappropriate  use of oral dentures, biofilm accumulation, and hyposalivation are closely linked to Candida spp. colonization. Systemic factors include immunosuppression resulting  from antineoplastic treatments, HIV infection, and metabolic alterations, which  increase susceptibility to infection. Furthermore, it is evident that antifungal  resistance, both intrinsic and acquired, poses a significant therapeutic challenge, as it  is potentiated by biofilm formation and prolonged or inappropriate medication use.  Therefore, it is concluded that controlling oral candidiasis requires an integrated  approach, which not only considers its associated factors but also requires adopting  more effective prevention and control strategies, such as the rational use of  antifungals, oral hygiene, proper denture maintenance, and regular clinical follow-up,  aiming to prevent recurrences and improve the quality of life of affected populations. 

Keywords: Oral Candidiasis. Candida albicans. Risk Factors. Dentures. 

1. INTRODUÇÃO 

A candidíase bucal é uma condição infecciosa que acomete a mucosa oral,  sendo causada predominantemente por fungos do gênero Candida, especialmente  Candida Albicans. Embora possa manifestar-se em indivíduos saudáveis, Queiróz e  Guedes (2023) e Dominguez Filho et al. (2020)afirmam que sua ocorrência é mais  frequente e severa em populações consideradas vulneráveis, como pacientes  imunossuprimidos (HIV/AIDS), indivíduos com diabetes mellitus, usuários de  próteses dentárias, pacientes submetidos a terapias oncológicas e recém-nascidos  prematuros.  

Diante desse entendimento, compreende-se que além da situação de  vulnerabilidade que esses grupos populacionais enfrentam, há impactos funcionais e  estéticos na cavidade oral, que a infecção por candidíase apresenta, tornando-se de  grande relevância clínica pelo risco de evolução para formas invasivas, que  comprometem de maneira mais ampla a saúde geral do paciente. No Brasil, esse  quadro ganha contornos mais expressivos devido às desigualdades no acesso à  saúde bucal (Rodrigues; Nissola; Santos, 2023). 

Aliado a isso, a desigualdade associada a fatores como o uso prolongado e  muitas vezes inadequado de próteses dentárias sem acompanhamento profissional  e à prática recorrente da automedicação contribui para a perpetuação da condição  clínica, uma vez que o diagnóstico tardio aumenta a probabilidade de resistência  antifúngica (Santos et al., 2023). Nesse cenário, a candidíase bucal transcende a  esfera local da cavidade oral e reflete questões sistêmicas, sociais e de saúde  pública.

Em vista disso, a escolha em discorrer sobre essa temática justifica-se pela  necessidade de compreender os múltiplos fatores que contribuem para o  aparecimento e agravamento da candidíase bucal, bem como de avaliar as  alternativas terapêuticas disponíveis, em contextos em que há a resistência  antifúngica. Apesar dos estudos sobre saúde bucal terem avançado, a literatura  ainda revela lacunas quanto à sistematização dos fatores de risco específicos em  diferentes grupos vulneráveis e há poucos estudos que sintetizam de forma comparativa a eficácia de terapias convencionais e alternativas, como antifúngicos e  terapia fotodinâmica. 

Dessa forma, torna-se essencial reunir e analisar criticamente as evidências  disponíveis, a fim de subsidiar a prática clínica baseada em evidências. Assim como  é fundamental compreender a importância do cirurgião-dentista no processo de  prevenção, diagnóstico precoce e manejo clínico da candidíase bucal. Diante disso, o presente estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: Quais são os  principais fatores de risco associados à candidíase bucal em populações vulneráveis  e quais abordagens terapêuticas demonstram maior eficácia no controle da infecção  por Candida Albicans? 

Com o intuito de responder à essa questão, elencou-se como objetivo geral investigar os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento da  candidíase bucal em populações vulneráveis, bem como analisar as abordagens  terapêuticas utilizadas para seu controle e prevenção. Para tal, estabeleceram-se os  seguintes objetivos específicos: identificar os fatores associados à candidíase bucal  em diferentes grupos de risco; analisar sua prevalência, resistência antifúngica e  estratégias terapêuticas; discutir o papel do cirurgião-dentista na prevenção e  manejo clínico dessa condição. 

2. CANDIDÍASE BUCAL: FATORES DETERMINANTES, PREVALÊNCIA E  RESISTÊNCIA ANTIFÚNGICA 

2.1 FATORES SISTÊMICOS E LOCAIS ASSOCIADOS À OCORRÊNCIA DA  CANDIDÍASE BUCAL 

A candidíase oral é causada principalmente pela Candida Albicans e sua manifestação depende tanto de fatores sistêmicos quanto de fatores locais. Essas condições comprometem a imunidade e entre os principais fatores estão os  tratamentos quimioterápicos e radioterápicos que estão diretamente relacionadas à  maior suscetibilidade à infecção, por produzir efeitos adversos locais e sistêmicos  que que reduzem as defesas do hospedeiro e modificam a microbiota oral(Costa et  al., 2019; Rocha et al., 2017). 

De acordo com Lacerda, Pereira e Pereira (2019), usuários de próteses  removíveis tendem a apresentar maiores contagens de unidades formadoras de  colônia (UFC) de Candida na saliva, em comparação com não usuários, e que a  hipossalivação associada à idade aumenta substancialmente esse risco. Esse fator  torna-se ainda mais prejudicial, quando o uso contínuo e, muitas vezes, inadequado  desses dispositivos provoca um microambiente favorável ao acúmulo de biofilme e  causa também a diminuição da oxigenação tecidual, favorecendo o aumento da  colonização. 

Corroborando com esse entendimento, Queiróz e Guedes (2023) evidenciam  que a higiene inadequada das próteses dentárias e da mucosa, associada ao trauma  mecânico, constitui um dos principais fatores para o surgimento da candidíase, cujo  desenvolvimento depende diretamente do estado imunológico do hospedeiro.  Quando ocorre um desequilíbrio entre as espécies de fungos naturalmente  presentes na cavidade oral, esse ambiente se torna propício à proliferação da  Cândida. Assim, apesar de ser multifatorial, ela também está fortemente relacionada  a problemas sistêmicos do paciente, como insuficiências nutricionais, diabetes, xerostomia e imunossupressão. 

2.2 PREVALÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE CANDIDA SPP. EM GRUPOS DE RISCO 

A candida spp. atinge diversos grupos populacionais que estão em situação  de risco e vulnerabilidade, como idosos que fazem uso prolongado de próteses  dentárias totais ou removíveis, pessoas imunossuprimidas, devido ao sistema  imunológico enfraquecido por doenças crônicas ou síndrome da imunodeficiência  adquirida (Queiróz; Guedes, 2023).Acerca disso, Dominguez Filho et al.(2021) e  Rebellato Et al. (2015) complementam que, indivíduos que vivem com o vírus HIV  apresentam um maior índice de lesões orais associadas à Candida spp., já que a  imunossupressão também favorece a proliferação fúngica e o estabelecimento de  infecções persistentes.

Além disso, Silva et al. (2018) e Lacerda, Pereira e Pereira (2019)ressaltam que, dentre os pacientes que fazem uso da prótese dentária, as pessoas idosas são  as mais afetadas, por apresentar um fluxo salivar diminuído decorrente de  alterações sistêmicas ou de utilizarem medicamentos que culminam nessa  alteração. Esse público também tem prevalência elevada de Candida spp. na saliva  associada a fatores como xerostomia, higiene oral insuficiente e tempo de uso dos  dispositivos. 

Ademais, evidencia-se os pacientes submetidos a tratamento antineoplásico, especialmente aqueles com câncer de cabeça e pescoço, segundo Rocha et al.  (2017) também apresentam uma elevada ocorrência de candidíase em função da  imunossupressão induzida pela terapia e das alterações na mucosa oral. Logo, é  necessário compreender que os grupos de risco tendem a apresentar uma maior  necessidade de acompanhamento odontológico, pois a sua condição de saúde  tende a aumentar a incidência da infecção (Rodrigues; Nissola; Santos, 2023). 

2.3 RESISTÊNCIA ANTIFÚNGICA 

O tratamento da candidíase oral tornou-se um dos principais desafios da área  de odontologia em função da resistência antifúngica que pode ser clínica ou  microbiológica. A resistência clínica ocorre quando o antifúngico não age  efetivamente no paciente, devido a fatores como imunossupressão, tecidos pouco  vascularizados ou biofilme em próteses. Enquanto a resistência microbiológica  envolve mecanismos moleculares e pode ser intrínseca, presente naturalmente em  certas espécies, ou adquirida, desenvolvida após exposição ao fármaco. Espécies  como Candida Albicans possuem capacidade de formar biofilmes, contribuindo para a  persistência da infecção (Vieira; Santos, 2017). 

Com base nisso, o estudo realizado por Santos et al. (2023) colabora com o  entendimento de que o uso prolongado ou inadequado de antifúngicos, aliado às  condições predisponentes, pode levar à seleção de cepas resistentes e recidivas  frequentes. Em vista disso, Dantas, Campos e Martins (2018), é fundamental adotar  protocolos de prevenção e do uso racional de antifúngicos, de modo a evitar que a  candida spp. comprometa a saúde bucal, uma vez que altera a microbiota oral. 

3. METODOLOGIA

Este estudo foi fundamentado nos princípios da pesquisa qualitativa, que  busca compreender as complexidades das relações entre fatores sistêmicos, locais  e clínicos associados à candidíase bucal. Segundo Araújo, Oliveira e Rossato (2018,  p. 3), “a pesquisa qualitativa se caracteriza pela busca, como princípio do  conhecimento, de uma compreensão das complexas relações constituintes da  realidade social”. Dessa forma, a abordagem foi utilizada pois possibilita a análise  crítica das informações e a construção de novas interpretações sobre os fatores de  risco, prevalência, resistência antifúngica e estratégias terapêuticas dessa condição. 

Além disso, este estudo foi realizado por meio de uma revisão integrativa da  literatura, com o intuito de reunir, sistematizar e analisar artigos científicos  publicados sobre candidíase bucal em populações vulneráveis. Para isso, foi feita  uma busca ampla nas bases de dados SciELO (Scientific Electronic Library Online),  MEDLINE (PubMed), LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências  da Saúde) e no Google Acadêmico. 

Com o intuito de ampliar a abrangência da pesquisa, foram utilizados os  Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Candidíase Bucal, Candida AlbicansFatores de Risco, Prótese Dentária. Os descritores foram combinados pelo operador  booleano “AND”, garantindo a inclusão de estudos que abordem múltiplas  perspectivas sobre o problema. 

Deste modo, estabeleceu-se como critérios de inclusão: artigos em português,  publicados entre 2015 e 2025, que tratem de candidíase bucal em populações  vulneráveis, abordando fatores de risco, prevalência, resistência antifúngica ou  estratégias terapêuticas. Como critérios de exclusão compreenderam estudos que  não possuíam relação direta com a temática, estivessem em língua estrangeira ou  fora do recorte temporal estipulado. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Inicialmente foi feita uma busca avançada nas bases de dados, visando  detalhar o número de artigos publicados ao longo do recorte temporal definido. Ao  total foram encontrados 237 artigos, os quais passaram por uma triagem criteriosa  baseada na leitura dos títulos e resumos. Após essa etapa, verificou-se que apenas  seis (6) estudos atendiam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos e, portanto, foram selecionados para compor esta revisão. A seleção e os critérios  utilizados estão representados de forma esquemática na Figura 1.

Figura 1. Fluxograma de seleção dos estudos com base nos critérios de inclusão e exclusão.

Fonte: elaborado pelos autores, 2025.

Deste modo, após a seleção dos artigos, foi construída uma tabela  sintetizando as informações encontradas nos periódicos, onde constam informações como: título, autor/ano, objetivo e método, podendo ser observado abaixo no Quadro 1. Posteriormente, esses achados acerca da nutrição no tratamento e prevenção do câncer de mama são discutidos e apresentados.

Quadro 1 – Caracterização dos estudos.

TÍTULO DO ARTIGOAUTOR(ES) /ANOOBJETIVO METODOLOGIA
Avaliação in vitro do  potencial erosivo e  cariogênico de  antifúngicos tópicosDantas, Campos e  Martins (2018)Avaliar as propriedades físico químicas de diferentes marcas  de nistatina disponíveis no  mercado, incluindo o pH, a  acidez total titulável (ATT) e a  determinação de sólidos  solúveis totais (SST).Estudo  experimental
Ocorrência de  candidíase oral em  pacientes portadores  de câncer de cabeça  e pescoço  submetidos aos  tratamentos  antineoplásicosRocha et al. (2017) Avaliar a frequência de  candidíase oral em pacientes  portadores de câncer de  cabeça e pescoço submetidos  à radio e (ou) quimioterapia  em um serviço de referência  vinculado ao Sistema Único de  Saúde do município de  Salvador (BA).Estudo seccional
Mecanismos de  resistência da  candida albicansCosta e Santiago  (2016)Discutir alguns aspectos sobre  o mecanismo de resistência da C.albicans sobre os  antifúngicos mais utilizados no  tratamento da candidíaseRevisão bibliográfica
Orientações  
odontológicas aos  pacientes  submetidos à  quimioterapia  antineoplásica
Costa et al. (2019) Orientar o cirurgião-dentista e  propor condutas bucais aos  pacientes com indicação  quimioterápica.Revisão de literatura
Manifestações orais em pacientes imunodeprimidos pelo Vírus da
Imunodeficiência Humana (HIV): revisão da literatura
Dominguez Filho et  al. (2021)Descrever as manifestações  orais em pacientes  imunodeprimidos portadores  do HIV.Revisão de literatura
Presença de  Candida Spp na saliva  de pacientes  usuários de prótese  total e próteses  parciais removíveis  atendidos em uma  Faculdade de  Odontologia de  GoiásLacerda, Pereira e  Pereira (2019)Avaliar a quantificação de  Candida na saliva pacientes  usuários de prótese parcial e  total removíveis,  correlacionando com idade  avançada e o fluxo salivar e  fatores que possam agir  influenciando sua  quantificaçãoPesquisa bibliográfica e  análise microbiológica
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.

4.1 ABORDAGENS TERAPÊUTICAS E PERSPECTIVAS CLÍNICAS NO CONTROLE  DA CANDIDÍASE BUCAL

O manejo da candidíase bucal envolve inúmeras estratégias terapêuticas que  estão focadas principalmente no controle da infecção e da prevenção de recidivas.  Dantas, Campos e Martins (2018) evidenciam que o uso indiscriminado de  antifúngicos tópicos pode gerar efeitos adversos além do esperado, pois alguns  desses medicamentos apresentam potencial erosivo e cariogênico, que comprometem a estrutura dentária e a microbiota oral. Além disso, as autoras  salientam sobre a importância de adotar uma estratégia terapêutica que seja  conduzida de forma criteriosa, visando não somente o combate ao fungo, mas  também a preservação da saúde bucal como um todo. 

Costa e Santiago (2016) abordam os mecanismos de resistência de  Candida Albicans frente a diferentes classes de antifúngicos, como a anfotericina B,  fluconazol e voriconazol. A resistência representa um desafio crescente, uma vez  que reduz a eficácia dos tratamentos convencionais e limita as opções terapêuticas.  Nesse contexto, torna-se urgente a busca por novas estratégias clínicas e terapias  alternativas capazes de contornar essa limitação. 

Nesse mesmo sentido, Rocha et al. (2017), em seu estudo ressalta a  importância do cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar para realizar o  diagnóstico precoce e a intervenção adequada com o intuito de minimizar riscos e  complicações. Além disso, as autoras observaram que de 36 pacientes com câncer  de cabeça e pescoço submetidos a tratamentos antineoplásicos, 16 apresentaram  maior incidência de candidíase oral. Por isso, evidenciam a necessidade de atenção  odontológica especializada para esse grupo, já que a manifestação fúngica pode  agravar o quadro de candidíase e de outras condições clínicas que comprometem a  qualidade de vida.  

4.2 ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NA PREVENÇÃO E MANEJO CLÍNICO  EM PACIENTES DE RISCO 

O estudo de Costa et al. (2019) recomenda que o cirurgião-dentista oriente  medidas preventivas e monitore alterações bucais, contribuindo diretamente para a  qualidade de vida desses pacientes. Essas orientações tornam-se fundamentais  para o cuidado com a saúde bucal de pacientes inseridos em grupos de riscos,  como aqueles em tratamento de câncer. Os autores salientam que pacientes  submetidos à quimioterapia antineoplásica necessitam de acompanhamento odontológico contínuo, visto que o tratamento compromete o sistema imunológico e  aumenta a vulnerabilidade a infecções oportunistas, como a candidíase.  Além disso, Costa et al. (2019) evidenciam que a candidíase é uma das  infecções oportunistas mais recorrentes em pacientes submetidos à quimioterapia e  pode provocar outras condições como a disgeusia, anorexia, disfagia e contribuir  para o surgimento de quadros de desnutrição. Em vista disso, torna-se necessário  que o profissional que acompanhe o paciente utilize determinados antifúngicos  locais, como a nistatina e miconazol, ou sistêmicos, como cetoconazol e fluconazol,  sendo que este último é frequentemente utilizado em protocolos preventivos para  indivíduos com mielossupressão.  

Corroborando com esse entendimento, Costa e Santiago (2016) complementam que em casos de maior resistência, é indicado o anfotericina B.  Contudo, salientam que a escolha do tratamento deve considerar a gravidade da  infecção e o estado geral do paciente. Somado a isso, Costa et al. (2019) relatam  que em situações de infecção aguda ou dentes com prognóstico duvidoso, a  extração dentária prévia ao início da quimioterapia. 

Nesse mesmo sentido, Dominguez Filho et al. (2021) evidenciam que  indivíduos imunodeprimidos pelo vírus HIV frequentemente apresentam  manifestações orais, incluindo a candidíase. Nesses casos, a atuação do cirurgião dentista é fundamental tanto na identificação precoce das lesões quanto na  implementação de medidas de controle que auxiliem a reduzir complicações. O  acompanhamento odontológico nesse contexto se configura como parte essencial  do cuidado integral em saúde e este deve ser definido de acordo com o tipo clínico,  a extensão e a gravidade da infecção. 

Dominguez Filho et al. (2021) demonstram em seu estudo que para lesões  localizadas e de menor intensidade, a terapia tópica mostra-se eficaz, especialmente  com o uso de trociscos de clotrimazol, pastilhas e suspensão oral de nistatina.  Contudo, mesmo com os resultados positivos em quadros eritematosos e  pseudomembranosos leves a moderados, o uso prolongado desses fármacos pode  aumentar o risco de cárie, devido à presença de carboidratos fermentáveis em suas  formulações. 

No entanto, esse risco pode ser reduzido com a utilização de suspensão oral  de nistatina na forma de bochecho e expectoração, além do uso de enxaguatórios à  base de clorexidina 0,12%, que não apresentam potencial cariogênico e oferecem eficácia semelhante (Dominguez Filho et al., 2021). Além disso, em consonância  com esse entendimento, Lacerda, Pereira e Pereira (2019) revelam que a presença  de Candida é também muito comum na saliva de pacientes usuários de prótese total  e parcial removível. Por isso, o cirurgião-dentista exerce papel crucial na orientação  e monitoramento desses pacientes. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Ao longo da revisão de literatura, pode-se inicialmente identificar os fatores  sistêmicos e locais associados à candidíase bucal; analisar sua prevalência em  diferentes grupos de riscos, e entender como ocorre a resistência antifúngica e seus  tipos. 

No que se refere aos fatores sistêmicos, evidenciou-se que as populações  vulneráveis, como pacientes submetidos a quimioterapia, radioterapia ou pessoas  que convivem com o vírus HIV, apresentam maior predisposição à candidíase  devido à imunossupressão, ao comprometimento da integridade da mucosa e as  alterações no equilíbrio da microbiota oral. Além disso, observou-se que a  prevalência de candidíase bucal é elevada em idosos usuários de próteses totais ou  removíveis devido as mudanças na salivação. 

Ao longo das leituras e análises realizadas, percebeu-se que o uso  prolongado ou inadequado de antifúngicos, bem como a presença de biofilmes,  contribui para o surgimento de resistência antifúngica, que pode ser intrínseca ou  adquirida, dificultando o controle da infecção. Essa resistência, por sua vez,  representa um desafio significativo para os cirurgiões-dentistas, uma vez que requer  uma escolha criteriosa de fármacos, a identificação precisa da espécie envolvida e a  adoção de medidas preventivas. 

Com base nesse entendimento, evidenciou-se que as abordagens  terapêuticas mais eficazes incluem o uso racional de antifúngicos tópicos e  sistêmicos, aliado a medidas de higiene bucal, cuidados com próteses e  acompanhamento clínico regular. Logo, conclui-se que esse profissional  desempenha papel fundamental na prevenção, no diagnóstico precoce e no manejo  clínico da candidíase. Ademais, salienta-se que conhecer os fatores de risco  associados à candidíase bucal e estratégias terapêuticas adequadas permite não apenas reduzir a prevalência e a recorrência da infecção, como também melhora a  qualidade de vida da população afetada. 

REFERÊNCIAS 

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1Graduandos do Curso de Odontologia do Centro Universitário União Dinâmica das Cataratas. E-mail: ahmadatoui03@gmail.com; hadimnasser02@gmail.com.

2Professor Dr. Orientador Mestre do Curso de Odontologia do Centro Universitário União Dinâmica  das Cataratas. E-mail: alexandrekraemer@udc.edu.br