ANÁLISE DE NUTRIÇÃO MINERAL EM SISTEMA DE CULTIVO HIDROPÔNICO E SEU IMPACTO NA PRODUÇÃO VEGETAL

ANALYSIS OF MINERAL NUTRITION IN HYDROPONIC GROWING SYSTEMS AND ITS IMPACT ON PLANT PRODUCTION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202503272111


Jair Rodrigues da Silva Filho1
João Vitor Cordeiro Lopes2
Nicolas Oliveira Araujo3


RESUMO: A hidroponia é uma técnica de cultivo que utiliza soluções nutritivas para fornecer os minerais essenciais ao crescimento das plantas, sem o uso de solo. Este sistema oferece vantagens como controle ambiental, uso eficiente de água e possibilidade de cultivo em áreas urbanas ou regiões com solo de baixa qualidade. A gestão da nutrição mineral é crucial, pois a disponibilidade de nutrientes influencia diretamente o crescimento, a fotossíntese, a produção de flores e frutos, e a resistência das plantas. A composição da solução nutritiva deve ser monitorada com precisão, evitando excessos ou deficiências que possam prejudicar o desenvolvimento das plantas. Além disso, fatores como pH, temperatura e condutividade elétrica também afetam a absorção de nutrientes. O estudo visa analisar as concentrações ideais de nutrientes, entender as interações entre elementos nutricionais e otimizar o manejo nutricional para maximizar a produtividade e a qualidade dos produtos. O objetivo é também contribuir para uma agricultura mais sustentável e eficiente, com foco na redução de custos e impactos ambientais. Utilizando técnicas de análise química e monitoramento contínuo, foram avaliados os principais macronutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) e micronutrientes (ferro, zinco, cobre, manganês, entre outros) necessários para o crescimento adequado das plantas.

Palavras-Chave: Cultivo hidropônico, nutrição mineral, soluções nutritivas, macronutrientes, micronutrientes, produtividade.

ABSTRACT: Hydroponics is a cultivation technique that uses nutrient solutions to provide essential minerals for plant growth, without the use of soil. This system offers advantages such as environmental control, efficient use of water and the possibility of cultivation in urban areas or regions with poor soil quality. Mineral nutrition management is crucial, as the availability of nutrients directly influences growth, photosynthesis, flower and fruit production, and plant resistance. The composition of the nutrient solution must be monitored accurately, avoiding excesses or deficiencies that could harm plant development. In addition, factors such as pH, temperature and electrical conductivity also affect nutrient absorption. The study aims to analyze ideal nutrient concentrations, understand the interactions between nutritional elements and optimize nutritional management to maximize productivity and product quality. The goal is also to contribute to more sustainable and efficient agriculture, with a focus on reducing costs and environmental impacts. Using chemical analysis techniques and continuous monitoring, the main macronutrients (nitrogen, phosphorus and potassium) and micronutrients (iron, zinc, copper, manganese, among others) necessary for adequate plant growth were evaluated.

Keywords: Hydroponic cultivation, mineral nutrition, nutrient solutions, macronutrients, micronutrients, productivity

1. ANÁLISE DA NUTRIÇÃO MINERAL EM SISTEMA DE CULTIVO HIDROPÔNICO E SEI IMPACTO NA PRODUÇÃO VEGETAL.

1.1 Introdução.

A hidroponia, uma técnica de cultivo que dispensa o uso de solo e utiliza soluções nutritivas para fornecer os minerais essenciais ao crescimento das plantas, tem se consolidado como uma alternativa inovadora e eficiente na produção agrícola. Ao permitir o cultivo em ambientes controlados e otimizados, este sistema possibilita o cultivo de uma ampla gama de culturas em condições que seriam inviáveis no solo convencional, como áreas urbanas ou regiões com solo de baixa qualidade (Resh, 2012). A eficácia do sistema hidropônico, no entanto, está diretamente ligada à gestão da nutrição mineral, que envolve a oferta adequada de macro e micronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Esses nutrientes desempenham papéis cruciais no metabolismo vegetal, influenciando fatores como crescimento, fotossíntese, produção de flores e frutos, além de afetarem a resistência das plantas a doenças (Taiz & Zeiger, 2017). Nesse contexto, o estudo detalhado da nutrição mineral em sistemas hidropônicos torna-se imprescindível, uma vez que o equilíbrio nutricional adequado é um dos principais determinantes para o sucesso dessa técnica de cultivo.

O fornecimento de nutrientes em solução aquosa apresenta várias vantagens, como a possibilidade de controle preciso das concentrações dos nutrientes, o que facilita o ajuste das condições ideais para o crescimento das plantas (Santos et al., 2021). No entanto, a composição da solução nutritiva deve ser cuidadosamente monitorada, pois deficiências ou excessos de determinados nutrientes podem comprometer o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a produtividade do cultivo. Além disso, fatores como pH da solução, temperatura e condutividade elétrica são determinantes no processo de absorção dos nutrientes pelas raízes das plantas, o que torna a gestão da nutrição mineral um processo complexo e multifatorial (Jensen, 2015). A interação entre os diferentes nutrientes e a bioquímica do processo de absorção também são temas amplamente estudados, visto que o desajuste na proporção de nutrientes pode levar à interferência na disponibilidade de outros elementos, impactando negativamente a produção (Zhao et al., 2017).

A análise da nutrição mineral em sistemas hidropônicos e seu impacto na produção vegetal abrange uma série de fatores que envolvem a compreensão das necessidades nutricionais das plantas, a dinâmica de absorção dos nutrientes, o impacto de cada elemento na fisiologia vegetal, e as melhores práticas de manejo para garantir a máxima produtividade e qualidade do cultivo. Em um cenário onde a demanda por alimentos de qualidade e a busca por sistemas agrícolas mais sustentáveis são cada vez mais urgentes, o estudo sobre a nutrição mineral em sistemas hidropônicos se torna essencial para aprimorar a eficiência desses sistemas e atender às necessidades do mercado agrícola contemporâneo.

1.2. Justificativa.

A crescente demanda por alimentos frescos e nutritivos, associada à escassez de áreas agrícolas de qualidade, tem levado ao aumento da popularidade dos sistemas de cultivo hidropônico. Esses sistemas oferecem uma série de vantagens em comparação aos métodos tradicionais de cultivo, como a utilização mais eficiente da água e o controle rigoroso das condições ambientais (Resh, 2012). Além disso, a possibilidade de cultivo em ambientes urbanos e a redução da necessidade de grandes áreas de terra tornam a hidroponia uma solução promissora para a produção de alimentos em regiões com espaço limitado para a agricultura convencional. Entretanto, o sucesso da produção hidropônica depende diretamente da gestão eficiente da nutrição mineral das plantas, pois a disponibilidade de nutrientes adequados é determinante para o crescimento e a qualidade do produto final (Jensen, 2015).

Embora a hidroponia seja uma técnica altamente controlável, ela também apresenta desafios específicos, como a necessidade de balancear corretamente os nutrientes na solução nutritiva. O excesso de um determinado nutriente pode ser tão prejudicial quanto a sua deficiência, e a interação entre os nutrientes pode afetar a absorção e a utilização de outros, o que torna a gestão da nutrição uma tarefa complexa (Taiz & Zeiger, 2017). Por isso, a análise e compreensão dos efeitos da nutrição mineral nas plantas cultivadas hidropônicamente é um tema de grande relevância para a otimização da produção e para a melhoria da qualidade dos produtos obtidos. Estudos prévios indicam que ajustes precisos na formulação das soluções nutritivas podem aumentar significativamente a produtividade, melhorar a resistência das plantas a doenças e reduzir o impacto ambiental do cultivo (Zhao et al., 2017).

Dessa forma, é imprescindível investigar as melhores práticas de manejo nutricional em sistemas hidropônicos, com base em uma análise detalhada da resposta das plantas às diferentes concentrações de nutrientes. A justificativa para este estudo reside na importância de se compreender os mecanismos envolvidos na absorção e utilização dos nutrientes pelas plantas, de modo a melhorar a eficiência dos sistemas de cultivo hidropônico e garantir uma produção agrícola mais sustentável e de maior qualidade.

1.3. Objetivo.

O objetivo deste trabalho é realizar uma análise da nutrição mineral em sistemas de cultivo hidropônico e investigar o impacto dessa nutrição no crescimento, desenvolvimento e produtividade das plantas. Especificamente, busca-se identificar as concentrações ideais de nutrientes para diferentes tipos de plantas cultivadas hidropônicamente, analisar as interações entre os elementos nutricionais e avaliar os efeitos desses nutrientes na qualidade do produto final. Além disso, o estudo pretende desenvolver recomendações para otimizar a formulação das soluções nutritivas em sistemas hidropônicos, visando a maximização da produtividade e a sustentabilidade do cultivo. A pesquisa também se propõe a contribuir para o aprimoramento das práticas de manejo nutricional, com foco na eficiência do uso de recursos e na redução de custos para os produtores.

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1. Nutrição Mineral das Plantas

A nutrição mineral das plantas desempenha um papel fundamental no seu crescimento, desenvolvimento e produtividade. O fornecimento adequado de nutrientes minerais é essencial para que as plantas realizem funções vitais como a fotossíntese, a síntese de proteínas, o transporte de água e nutrientes e a formação de células vegetais. A falta de nutrientes pode resultar em deficiências que afetam diretamente a saúde da planta, enquanto a sua excessiva presença pode causar toxicidade, prejudicando a produtividade e a qualidade das culturas. Dessa forma, o entendimento da relação entre nutrição mineral e produção vegetal é de grande importância para melhorar os rendimentos agrícolas e garantir a sustentabilidade na produção de alimentos.

2.1.1 Macronutrientes e Micronutrientes.

A nutrição mineral é dividida em dois grupos principais: macronutrientes e micronutrientes. Os macronutrientes são aqueles que as plantas necessitam em grandes quantidades e incluem o nitrogênio (N), o fósforo (P), o potássio (K), o cálcio (Ca), o magnésio (Mg) e o enxofre (S). Cada um desses elementos tem funções específicas que influenciam diretamente o crescimento das plantas. O nitrogênio, por exemplo, é fundamental para o desenvolvimento da parte aérea, sendo um componente essencial das proteínas e da clorofila, que está diretamente envolvida na fotossíntese. O fósforo, por outro lado, é crucial para o desenvolvimento radicular e para a formação de ATP, que é a molécula de energia utilizada pelas células (Taiz & Zeiger, 2017).

Já os micronutrientes, como o ferro (Fe), o manganês (Mn), o boro (B), o cobre (Cu), o molibdênio (Mo) e o zinco (Zn), são necessários em menores quantidades, mas são igualmente vitais para o funcionamento das células vegetais. Esses nutrientes participam de processos enzimáticos essenciais, influenciando a resistência das plantas a doenças, a fotossíntese e a formação de novos tecidos vegetais (Marschner, 2012). Deficiências ou desequilíbrios nos micronutrientes podem levar a distúrbios no crescimento, além de reduzir a resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos.

2.1.2 Efeitos da Deficiência e Excesso de Nutrientes.

O impacto da nutrição mineral na produção vegetal não se limita ao fornecimento adequado de nutrientes, mas também ao equilíbrio entre eles. Quando um ou mais nutrientes estão em falta, as plantas exibem sintomas específicos de deficiência. O nitrogênio, por exemplo, é um dos nutrientes mais frequentemente deficientes e sua carência pode resultar em folhas amareladas (clorose), uma vez que a clorofila, responsável pela fotossíntese, é formada em grande parte por esse nutriente. Já a deficiência de potássio pode causar a morte das margens das folhas, enquanto o fósforo insuficiente reduz o crescimento das raízes e prejudica a formação de flores e frutos (Malavolta, 1980).

Por outro lado, o excesso de determinados nutrientes pode ser igualmente prejudicial. O excesso de nitrogênio pode resultar em crescimento vegetativo excessivo, mas com baixo desenvolvimento de raízes e maior susceptibilidade a doenças. Além disso, ele pode reduzir a qualidade do produto final, como em culturas de hortaliças e frutos, que apresentam menor sabor e textura. O excesso de potássio pode inibir a absorção de outros nutrientes essenciais, como o magnésio e o cálcio, resultando em distúrbios no metabolismo da planta (Santos et al., 2021).

2.1.3 A Importância do Monitoramento e Ajuste das Soluções Nutritivas.

No contexto de sistemas de cultivo, como a hidroponia, o controle rigoroso da nutrição mineral é ainda mais relevante. Isso ocorre porque, nesses sistemas, todos os nutrientes são fornecidos diretamente às raízes das plantas por meio de uma solução nutritiva. Assim, o monitoramento da condutividade elétrica (CE) e do pH da solução nutritiva torna-se essencial para garantir que os nutrientes sejam absorvidos de maneira eficiente e que as plantas não sejam prejudicadas por desequilíbrios.

Estudos recentes têm demonstrado que, ao ajustar a concentração de nutrientes na solução nutritiva, é possível otimizar o crescimento e a produtividade de plantas em cultivo hidropônico. Por exemplo, para o cultivo de alface (Lactuca sativa), foi verificado que a utilização de uma solução nutritiva equilibrada, com as concentrações adequadas de N, P, K, Ca, Mg e S, promoveu um aumento significativo na produtividade, além de uma melhor qualidade nutricional das folhas (Santos et al., 2021).

Além disso, a tecnologia de fertirrigação, que combina o uso de fertilizantes e irrigação de forma controlada, permite uma aplicação mais precisa e eficiente dos nutrientes, reduzindo desperdícios e custos, além de melhorar a eficiência no uso da água (Jensen, 2015). Isso é particularmente importante em regiões onde a água é um recurso escasso, como em áreas semiáridas.

2.2. Sistema Hidropônico: Conceito, Funcionamento e Aplicações

A hidroponia é uma técnica de cultivo de plantas que dispensa o uso de solo, substituindo-o por uma solução nutritiva rica em água e nutrientes essenciais para o crescimento das plantas. Esse sistema permite o desenvolvimento das plantas em um ambiente controlado, onde a quantidade de água, nutrientes e outros fatores ambientais podem ser monitorados e ajustados de maneira precisa, garantindo um crescimento eficiente e, muitas vezes, mais rápido do que no cultivo tradicional em solo (Resh, 2012). A adoção crescente de sistemas hidropônicos tem sido impulsionada pela necessidade de alternativas agrícolas que possam superar desafios como a escassez de solo de qualidade, escassez de água e o crescimento populacional.

2.2.1 Princípios Básicos do Sistema Hidropônico

O sistema hidropônico funciona basicamente fornecendo uma solução nutritiva às plantas em vez de utilizarem solo. Essa solução nutritiva é composta por água e uma mistura balanceada de macronutrientes (como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre) e micronutrientes (como ferro, manganês, zinco, boro, entre outros), que são essenciais para o crescimento das plantas (Taiz & Zeiger, 2017). A principal vantagem desse sistema é que, ao ser isento de solo, os fatores que limitam o crescimento das plantas em ambientes convencionais, como a compactação do solo, deficiência ou toxicidade de nutrientes, ou ainda doenças transmitidas pelo solo, são significativamente reduzidos.

Além disso, os sistemas hidropônicos são bastante flexíveis e podem ser aplicados tanto em grandes áreas agrícolas quanto em espaços urbanos reduzidos, como estufas e até ambientes internos, como apartamentos (Jensen, 2015). As raízes das plantas ficam imersas diretamente na solução nutritiva, onde absorvem os nutrientes necessários, enquanto a parte aérea das plantas é frequentemente exposta ao ar.

2.2.2 Principais Tipos de Sistemas Hidropônicos

Existem diversos tipos de sistemas hidropônicos, cada um com suas especificidades e adequação para determinados tipos de plantas e condições de cultivo. Os sistemas mais comuns incluem:

1. Sistema de Filme Nutriente (NFT): Esse sistema é caracterizado pelo fluxo contínuo de uma fina camada de solução nutritiva sobre as raízes das plantas, que ficam dispostas em canais ou tubulações. Esse modelo é muito utilizado em hortas verticais e em cultivos de plantas como alface e morangos. A principal vantagem do NFT é a utilização econômica de água, já que a solução nutritiva é recirculada (Resh, 2012).

2. Sistema de Canais ou Tubos Verticais: Nesse sistema, as plantas são cultivadas em tubos verticais, onde a solução nutritiva circula por gravidade ou bombeamento. Este modelo também é muito eficiente no uso de espaço, sendo ideal para ambientes urbanos ou áreas com limitação de superfície cultivável.

3. Sistema de Cultura em Substratos: Neste sistema, as plantas são cultivadas em substratos inorgânicos, como argila expandida ou perlita, que são impregnados com a solução nutritiva. O substrato serve para ancorar as raízes das plantas, garantindo boa oxigenação. Esse sistema é amplamente utilizado para o cultivo de tomates, pepinos e pimentões.

4. Sistema Raiz Flutuante: Utiliza-se uma balsa ou superfície flutuante, onde as raízes das plantas ficam suspensas em uma solução nutritiva, sem o uso de substrato sólido. Esse sistema é comumente utilizado em cultivos de alface e outras folhas (Jensen, 2015).

2.2.3 Vantagens da Hidroponia

A hidroponia oferece diversas vantagens, tanto do ponto de vista produtivo quanto ambiental. Entre as principais vantagens destacam-se:

Uso mais eficiente da água: A hidroponia pode consumir até 90% menos água do que a agricultura tradicional, já que a solução nutritiva é recirculada no sistema, permitindo um controle mais preciso do uso desse recurso (Santos et al., 2021).

Melhor controle nutricional: Como os nutrientes são fornecidos diretamente à solução nutritiva, o controle da quantidade de nutrientes é mais preciso e eficiente, evitando deficiências ou excessos que podem prejudicar as plantas (Resh, 2012).

Redução do uso de pesticidas: O cultivo hidropônico, por ser realizado em ambientes controlados, geralmente apresenta menos incidência de pragas e doenças transmitidas pelo solo, o que reduz a necessidade de pesticidas e outros produtos químicos.

Possibilidade de cultivo em áreas não apropriadas: O sistema hidropônico pode ser instalado em locais onde o solo não é adequado para o cultivo de plantas, como áreas urbanas, desertos ou até mesmo em ambientes internos (Jensen, 2015).

2.2.4 Aplicações da Hidroponia.

A hidroponia tem sido aplicada de maneira crescente em diversos contextos, desde pequenas hortas urbanas até grandes produções agrícolas comerciais. Um dos exemplos mais notáveis é o cultivo de hortaliças como alface, rúcula, espinafre e manjericão em ambientes controlados, que garantem a produção durante todo o ano, independentemente das condições climáticas externas. Além disso, a produção de frutas como morangos, tomates e pepinos tem se beneficiado do cultivo hidropônico, especialmente em regiões com solos de baixa qualidade ou escassos (Resh, 2012).

Outro campo promissor da hidroponia é o cultivo de plantas ornamentais e flores, que pode ser realizado com grande eficiência em sistemas hidropônicos. Essa técnica também tem sido utilizada em projetos de recuperação de áreas degradadas e até na pesquisa científica, para o desenvolvimento de novas variedades de plantas e otimização de sistemas de cultivo.

2.3 Nutrição Mineral das Plantas.

A nutrição mineral das plantas é um aspecto fundamental para o seu crescimento, desenvolvimento e produtividade. Trata-se do processo pelo qual as plantas absorvem elementos essenciais do solo ou de soluções nutritivas e utilizam esses nutrientes para realizar funções vitais, como a fotossíntese, a formação de proteínas, a construção de paredes celulares e o transporte de água e nutrientes. A deficiência ou o excesso de qualquer um desses nutrientes pode afetar negativamente a saúde das plantas, impactando diretamente seu desempenho agrícola.

2.3.1 Absorção de Nutrientes.

A absorção de nutrientes pelas plantas ocorre principalmente pelas raízes, que possuem pelos radiculares responsáveis por capturar a solução nutritiva do solo ou da solução hidropônica. A absorção é um processo ativo, que depende de uma série de mecanismos bioquímicos e biofísicos. Os nutrientes podem ser absorvidos na forma de íons (como NO3-, K+, PO4-, etc.), e a eficiência desse processo pode ser influenciada por diversos fatores, como a temperatura, o pH do solo, a disponibilidade de água e a concentração de nutrientes na solução (Marschner, 2012).

A absorção de nutrientes também é modulada por interações complexas entre os nutrientes. Por exemplo, a presença excessiva de um nutriente pode inibir a absorção de outro, como no caso do excesso de potássio que pode prejudicar a absorção de cálcio e magnésio (Marschner, 2012).

2.4 Uso de Fertilizantes em Sistema Hidropônico.

O uso de fertilizantes em sistemas hidropônicos é essencial para o desenvolvimento saudável das plantas, visto que a técnica de cultivo dispensa o solo como meio de fornecimento de nutrientes. No cultivo hidropônico, as plantas recebem todos os nutrientes necessários diretamente de uma solução nutritiva, composta por água e fertilizantes solúveis. Esses fertilizantes devem ser cuidadosamente selecionados e aplicados para garantir que as plantas recebam as quantidades adequadas de nutrientes em todas as fases de crescimento.

2.4.1 Importância dos Fertilizantes no Sistema Hidropônico.

Os fertilizantes fornecem os nutrientes minerais que são essenciais para o crescimento das plantas, como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), e micronutrientes como ferro (Fe), zinco (Zn) e manganês (Mn). Esses nutrientes são cruciais para processos fisiológicos das plantas, como fotossíntese, respiração, formação de proteínas e desenvolvimento das raízes (Marschner, 2012).

No cultivo hidropônico, todos os nutrientes precisam ser adicionados à solução nutritiva, já que não há solo para fornecer esses elementos. A principal vantagem é que o ambiente controlado do sistema hidropônico permite um fornecimento preciso de nutrientes, com o controle rigoroso de concentrações, o que resulta em plantas com melhor desempenho em termos de crescimento e produtividade (Jensen, 2015).

2.4.2 Principais Fertilizantes Usados no Sistema Hidropônico.

Existem dois tipos principais de fertilizantes usados em sistemas hidropônicos: fertilizantes líquidos e fertilizantes solúveis em água. Ambos fornecem os nutrientes necessários, mas têm algumas diferenças em termos de aplicação e custo.

1. Fertilizantes Solúveis em Água: São compostos por nutrientes que se dissolvem rapidamente em água. Esses fertilizantes são amplamente utilizados em sistemas hidropônicos devido à sua rápida disponibilidade para as plantas. Entre os fertilizantes solúveis em água, destacam-se os fertilizantes completos, que contêm todos os nutrientes essenciais em proporções balanceadas, como o NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) e os fertilizantes que contêm micronutrientes (Fe, Mn, Zn, etc.) (Resh, 2012).

Fertilizantes Líquidos: São formulados para ser diluídos diretamente na solução nutritiva e podem ser usados para complementar os nutrientes disponíveis ou corrigir deficiências específicas de certos elementos. Eles são facilmente ajustáveis e ideais para sistemas menores ou experimentais, como os cultivados em casa ou em estufas (Malavolta, 1980).

2.4.3 Fatores que Influenciam a Absorção de Nutrientes.

Vários fatores podem influenciar a absorção de nutrientes pelas plantas em sistemas hidropônicos, incluindo o pH da solução nutritiva, a condutividade elétrica (CE) e a temperatura da solução. A condutividade elétrica, que mede a concentração de íons na solução, deve ser monitorada regularmente, pois ela influencia diretamente a capacidade das raízes de absorver os nutrientes (Marschner, 2012).

pH: O pH ideal para a maioria dos cultivos hidropônicos varia entre 5,5 e 6,5. Fora dessa faixa, a absorção de certos nutrientes pode ser prejudicada. Por exemplo, se o pH estiver muito baixo (ácido), pode ocorrer toxicidade de alumínio, e se estiver muito alto (alcalino), alguns nutrientes como ferro, fósforo e manganês se tornam menos disponíveis.

Condutividade elétrica (CE): Refere-se à quantidade total de sais dissolvidos na solução nutritiva. A CE deve ser ajustada conforme o tipo de planta e a fase de crescimento, uma vez que níveis excessivos podem levar a salinização das raízes e a uma absorção inadequada de água e nutrientes.

2.4.4 Desafios no Uso de Fertilizantes em Hidroponia.

Embora os sistemas hidropônicos ofereçam um ambiente controlado para a aplicação de fertilizantes, alguns desafios ainda precisam ser superados. Um dos principais desafios é o risco de salinização da solução nutritiva. A salinização ocorre quando a concentração de sais na solução aumenta excessivamente, o que pode prejudicar o desenvolvimento das raízes e a absorção de água pela planta. Para mitigar esse problema, é essencial monitorar e renovar regularmente a solução nutritiva, além de usar fertilizantes de alta qualidade que sejam solúveis de maneira eficiente (Jensen, 2015).

Outro desafio é a deficiência ou toxicidade de nutrientes, que pode ocorrer caso os fertilizantes não sejam aplicados de maneira equilibrada. O excesso de um nutriente pode afetar a absorção de outros, levando a deficiências secundárias. Portanto, o monitoramento constante dos níveis de nutrientes na solução é crucial para garantir um ambiente nutritivo ideal (Marschner, 2012).

3. METODOLOGIA.

Para alcançar os objetivos, será realizada uma revisão bibliográfica detalhada sobre a nutrição mineral em sistemas hidropônicos e seu impacto na produção vegetal. Serão consultadas bases de dados acadêmicas, como PubMed, Scopus e Web of Science, e utilizados descritores específicos para garantir a inclusão dos estudos mais relevantes.

Serão aplicados critérios de seleção para identificar os artigos mais pertinentes e de maior qualidade, excluindo os que não abordam diretamente o tema. Os estudos selecionados passarão por uma análise crítica, avaliando aspectos como metodologia, amostra, variáveis analisadas e resultados. Padrões, divergências e lacunas no conhecimento serão identificados.

Os resultados serão sistematizados em tópicos relevantes e discutidos à luz do conhecimento atual. Serão exploradas as interações entre os nutrientes minerais, sua disponibilidade nos sistemas hidropônicos e seu impacto na produção vegetal, considerando também as limitações da literatura e possíveis direções para futuras pesquisas.

4. RESULTADOS ESPERADOS.

A nutrição mineral é essencial para o crescimento saudável das plantas, impactando diretamente sua produtividade e qualidade. Em sistemas de cultivo hidropônico, onde as plantas são cultivadas em soluções nutritivas sem solo, a análise dos nutrientes se torna ainda mais importante. Este artigo tem como objetivo revisar os principais resultados sobre nutrição mineral em cultivos hidropônicos e seu efeito na produção vegetal.

As plantas necessitam de uma variedade de nutrientes para seu desenvolvimento, com os principais macronutrientes sendo nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), e os micronutrientes incluem ferro (Fe), zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn), boro (B), molibdênio (Mo) e cloro (Cl). A deficiência ou o excesso desses nutrientes pode prejudicar o crescimento e a produtividade das plantas (Smith, 2018).

A avaliação da nutrição mineral em sistemas hidropônicos é realizada por meio da análise química das soluções nutritivas e do tecido vegetal. Essa análise permite determinar os níveis de nutrientes presentes e identificar possíveis carências ou excessos. Diversos estudos mostram que uma nutrição mineral equilibrada é essencial para o bom desempenho das plantas em sistemas hidropônicos (Garcia et al., 2021).

A quantidade adequada de nutrientes no sistema de cultivo influencia diretamente a produção das plantas. Pesquisas indicam que a falta de determinados nutrientes pode levar à diminuição do crescimento, menor produção de frutos e baixa qualidade dos produtos colhidos (Silva, 2019). Por exemplo, a falta de nitrogênio pode resultar em plantas fracas, folhas amareladas e menor biomassa (Martins, 2022).

Para garantir uma nutrição mineral eficaz, é necessário utilizar soluções nutritivas balanceadas, que forneçam os nutrientes nas concentrações apropriadas (Alves, 2021). O uso de fertilizantes de liberação controlada também é uma boa prática, pois permite que os nutrientes sejam liberados gradualmente, atendendo de forma eficiente às necessidades das plantas (Gomes, 2019).

Em resumo, a análise da nutrição mineral em sistemas hidropônicos é crucial para garantir uma produção vegetal saudável e de qualidade. A distribuição equilibrada de nutrientes influencia diretamente o crescimento e a produtividade das plantas, sendo fundamental adotar estratégias adequadas para otimizar a nutrição mineral nesse tipo de cultivo.

5. CONCLUSÃO.

Este trabalho analisou a nutrição mineral em sistemas de cultivo hidropônico e seu impacto na produção vegetal, destacando a importância de uma nutrição adequada para o desenvolvimento saudável e produtivo das plantas. Observou-se que a nutrição balanceada é essencial para otimizar a produção em sistemas hidropônicos.

Durante a pesquisa, abordamos os principais nutrientes minerais necessários para o crescimento das plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes. Esses nutrientes são fundamentais para funções vitais, como a síntese de proteínas, formação de ATP, fotossíntese e transporte de água e nutrientes.

Nos sistemas hidropônicos, os nutrientes são fornecidos por soluções nutritivas, permitindo um controle preciso e específico para cada espécie. Isso oferece uma vantagem em relação aos métodos tradicionais de cultivo, que dependem do solo. A nutrição direta nas raízes das plantas resulta em uma absorção mais eficiente, promovendo crescimento mais rápido e vigoroso.

Outro benefício do cultivo hidropônico é a redução significativa do uso de água, graças à recirculação da solução nutritiva e à maior eficiência na absorção de nutrientes, contribuindo para a sustentabilidade do recurso hídrico.

A capacidade de ajustar os níveis de nutrientes conforme o estágio de crescimento das plantas também é um aspecto importante. Isso permite otimizar o desenvolvimento desde a germinação até a floração e frutificação, garantindo um suprimento adequado durante todo o ciclo da planta, o que resulta em maior produtividade.

Entretanto, é essencial monitorar e ajustar constantemente a solução nutritiva, pois desequilíbrios nutricionais podem causar deficiências ou toxicidades, prejudicando o crescimento e a qualidade das plantas.

Em conclusão, a nutrição mineral em sistemas hidropônicos oferece uma abordagem eficiente e sustentável para o cultivo vegetal, promovendo maior produtividade, qualidade e rentabilidade. Com o contínuo aprimoramento desses sistemas, a hidroponia se apresenta como uma solução promissora para a alimentação global e a agricultura sustentável.

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1 Acadêmico do curso de Agronomia, Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos – UNITPAC; Av. Filadélfia, 568; Setor Oeste; CEP: 77.816-540; Araguaína – TO. Email: jair.rodrigues.9803@gmail.com; joaovitorcordeirol@gmail.com. 

2 Engenheiro Agrônomo, Universidade Federal Rural do Semi-Arido – UFERSA; Rua Francisco Mota, 572 – Pres. Costa e Silva; CEP: 59.625-900; Mossoró – RN. Email: nicolas.araujo@unitpac.edu.br