ANÁLISE DA RELEVÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO URBANA NO MUNICÍPIO DE NOVA XAVANTINA-MT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202512301759


Raine Stefani Rupolo Rosalem
Orientadora: Prof.ª Dra. Mariney de Menezes


RESUMO 

Uma das formas de diminuir os impactos do desenvolvimento humano nas cidades é a implantação de árvores, atualmente existem leis que asseguram a implantação, proteção e manejo destas. O estudo tem como objetivo principal, investigar os aspectos da arborização urbana em Nova Xavantina, buscando estabelecer correlações e oferecer subsídios para o desenvolvimento de estratégias que promovam um ambiente urbano mais equilibrado e sustentável, bem como o bem-estar da população. As áreas a serem estudadas estão localizadas no interior da extensão urbana de Nova Xavantina-MT; para fazer as análises de temperatura e umidade nas diferentes estações do ano (estiagem e chuvarada) utilizou-se o aparelho da Kestrel e para sugerir as espécies arbóreas que podem vir a serem utilizadas na cidade foi utilizado o livro de Harri Lorenzi ‘’ Árvores Brasileiras ‘’. Os resultados indicaram variações significativas entre os tratamentos, sendo que as temperaturas mais elevadas foram registradas sob o sol durante o período seco, enquanto as mais baixas ocorreram sob a sombra na estação chuvosa. No entanto, em algumas comparações específicas, a diferença não foi estatisticamente significativa, sugerindo que, em certos contextos, o sombreamento pode perder parte de sua eficácia na redução da temperatura. A umidade relativa também apresentou variações relevantes. Além disso, pesquisas realizadas em diferentes locais reforçam que tanto a arborização quanto os materiais de construção impactam o microclima urbano. Na literatura podemos encontrar diversas espécies nativas brasileiras que podem ser implantadas na cidade, as quais se adaptam, trarão beleza e frutos além de não causarem danos aos seres que irão interagir com elas. 

Palavras-chave:  Cidades sustentáveis. Cerrado. Árvores frutíferas. 

ABSTRACT 

One of the ways to mitigate the impacts of human development in cities is the implementation of trees. Currently, there are laws that ensure their establishment, protection, and management. The main objective of this study is to investigate urban afforestation aspects in Nova Xavantina, aiming to establish correlations and provide support for the development of strategies that promote a more balanced and sustainable urban environment, as well as the well-being of the population. The areas to be studied are located within the urban extension of Nova Xavantina-MT. To analyze temperature and humidity across different seasons (dry and rainy), a Kestrel device was used. Additionally, to suggest tree species that could be utilized in the city, the book Brazilian Trees by Harri Lorenzi was consulted. The results indicated significant variations between treatments, with the highest temperatures recorded under direct sunlight during the dry season, while the lowest occurred under shade during the rainy season. However, in some specific comparisons, the difference was not statistically significant, suggesting that in certain contexts, shading may lose part of its effectiveness in reducing temperature. Relative humidity also showed relevant variations. Furthermore, research conducted in different locations reinforces that both urban vegetation and construction materials impact the urban microclimate. Literature provides various native Brazilian species that can be implemented in cities, which they are well adapted, will bring beauty and edible fruits, and besides to not pose harm to the living beings interacting with them. 

Keywords: Sustainable cities. Cerrado. Fruit trees 

1 INTRODUÇÃO  

Segundo a ONU, 2022 a estimativa até o ano de 2050 é de que 68% da população mundial habitará áreas urbanas, ou seja, serão aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas a mais vivendo nos grandes centros. Com isso é necessário buscar alternativas para que os impactos ambientais, na saúde e na qualidade de vida da população sejam minimizados (PINHEIRO et al., 2022). O crescimento populacional nas áreas urbanas provoca diversos impactos que transformam a vida nas cidades, tanto de forma positiva, como água tratada, energia elétrica, saúde, entre outros, como também de forma negativa, sendo estes falta de serviços, surgimento de habitações precárias. Além disso, o aumento da população agrava a poluição e a degradação ambiental, ao mesmo tempo em que evidencia as desigualdades sociais (Jatobá, 2011). 

Uma das formas de reduzir os impactos ecológicos e sociais do crescimento urbano é promover a implementação adequada da arborização urbana (ANDRADE et al., 2021). Está previsto na Constituição do Estado de Mato Grosso, promulgada pela Lei nº 11.376, artigo 42 “Fica instituído o Programa Raízes de Mato Grosso que visa a preservação de todas as áreas arborizadas públicas, com o objetivo de implantar e preservar a arborização, visando assegurar condições ambientais e paisagísticas”. Cada município poderá formular e implementar o seu Plano Diretor de Arborização Urbana (MATO GROSSO, 2021). 

Sob a Lei N. 1.677, foi criado em Nova Xavantina o Código Municipal de meio Ambiente, o qual estabelece padrões, ações, proteção e controle para manter a qualidade ambiental do município (NOVA XAVANTINA – MT, 2012); porém ainda não dispõe de um Plano Municipal de Arborização Urbana. 

 E através desta prática obter vários benefícios, como por exemplo, a redução do calor, da poluição sonora e atmosférica, embelezamento dos centros urbanos e além disso, fornecer abrigo e alimento para animais. No entanto, a falta de planejamento também pode trazer diversos problemas, principalmente com a introdução de árvores inadequadas à cidade que podem causar danos na infraestrutura, como rede elétrica, tubulações e outros (BACELAR et al., 2020). 

Com base no artigo de Teixeira e Martins, publicado no ano de 2020, o qual foi realizado estudos da arborização na cidade de Lavras, Minas Gerais; temos as seguintes hipóteses: a vegetação interfere diretamente no microclima, podendo diminuir a radiação solar direta, com isso amenizando a temperatura do ar, promovendo também o aumento da umidade do ar. Espera-se que as árvores frutíferas possam ser implantadas, sem que causem quaisquer formas de danos à população ou aos seus bens materiais; as quais possuem potencial de amenizar a fome e fornecer um melhor rendimento nutricional, e até mesmo a população pode gerar algum lucro através de sua produção (RODRIGUES; AOKI, 2022). 

Considerando os benefícios da arborização urbana os objetivos do presente trabalho foram: analisar o efeito da temperatura e umidade relativa em locais com presença e ausência de espécies arbóreas, identificar as espécies das coletas e pesquisar possíveis árvores frutíferas com potencial paisagístico, com isso buscando estabelecer correlações e oferecer subsídios para o desenvolvimento de estratégias que promovam um ambiente urbano mais equilibrado e sustentável, bem como o bem-estar da população. 

Diante do cenário apresentado, é notória a necessidade de compreender como a arborização urbana impacta a qualidade de vida dos moradores de Nova Xavantina. Ao coletar dados sobre a temperatura e umidade do local, será possível avaliar o papel desempenhado pelas árvores na melhoria das condições ambientais e no bem-estar da população. Além disso, o estudo busca promover o aperfeiçoamento paisagístico da área urbana, contribuindo para um ambiente mais equilibrado e esteticamente agradável. 

2 REFERENCIAL TEÓRICO         

2.1 Arborização Urbana: Beleza, Sustentabilidade e Impactos Econômicos nas Cidades 

As árvores possuíam diferentes objetivos nas sociedades antigas, para alguns elas eram de extrema importância para sua sobrevivência, já para outros era meramente estético. Atualmente elas possuem diversos propósitos, dentre eles quebrar a artificialidade do meio, melhorar o microclima e diminuir a poluição é um importante desempenho estético (Bonametti, 2020). 

Os benefícios estéticos referem-se a diferentes aspectos, integrando a paisagem urbana, a cor das flores, folhas e seus troncos, conferindo assim à área arborizada uma imagem única através de suas diversas espécies. Elas trazem leveza à paisagem, ressaltando também o aumento do valor dos imóveis localizados perto de áreas verdes, o que impacta positivamente no valor econômico. A presença de árvores favorece a diminuição do uso de energia elétrica nas residências equilibrando as temperaturas dos ambientes internos e externos, o que evita a necessidade de investir em aquecedores e ar-condicionado (Paiva, 2021). Além dos benefícios visuais e econômicos, é enfatizada a proteção dos recursos naturais, como solo, água e biodiversidade (Roldão et al., 2015). 

Além dos benefícios econômicos e ambientais, uma boa arborização nos traz proveitos sociais; segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, 2016) sugere que espécies frutíferas em ambientes urbanos podem ajudar a alcançar a meta de “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição da crescente população urbana global” e “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. O cultivo de espécies alimentares em áreas públicas pode até constituir oportunidades econômicas, valiosas para a cidade e os seus residentes. Além disso, é uma nova estratégia para promover um desenvolvimento urbano sustentável eficaz (Rodrigues; Aoki, 2022). 

2.1.2 Efeitos da Arborização na Qualidade do Ar 

Em Genebra no ano de 2022, a OMS divulgou um relatório com base em dados enviados de 117 países, o qual conclui-se que 99% da população respira ar poluído, com valores de materiais particulados superiores aos permitidos pela OMS; os quais podem causar impactos cardiovasculares, doenças vasculares intracranianas e respiratórias. Materiais particulados aumentam os riscos de câncer em diferentes regiões do corpo, com isso podendo deixar sequelas pelo resto da vida dos indivíduos, ou em até casos severos levando a óbito (Dapper et al., 2016). 

A poluição do ar é uma mistura de gases, partículas sólidas ou líquidos emitidos através de atividades naturais ou antrópicas, sendo sua formação e concentração dependentes das fontes de poluição e das condições meteorológicas, sendo capazes de afetar a saúde, segurança e bem-estar dos seres vivos (Coutinho, 2022). Além disso, gases como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), em grandes quantidades são tão prejudiciais que podem afetar o clima do planeta como um todo (Collado,2023).  A vegetação auxilia no sequestro de dióxido de carbono, assim diminuindo a concentração de gases do efeito estufa (Martelli; Delbim, 2022), mas como isso é possível? 

As plantas são seres autótrofos, ou seja, produzem o seu próprio alimento, a partir de minerais e fontes abióticas. Possuem a capacidade de capturar a luz solar, graças aos cloroplastos, os quais possuem em seu interior os tilacóides, os mesmos possuem pigmentos capazes de fazer a fotossíntese, chamados de clorofila. A fotossíntese é dividida em duas fases: a fotoquímica, conhecida popularmente como fase clara, onde ocorre a absorção de luz pela clorofila, onde essa luminosidade quebrará a molécula de água, para que elétrons sejam repostos para que assim as proteínas contidas na membrana dos tilacóides funcionem; ao fim das reações serão formados o NADPH e adenosina trifosfato (ATP), o oxigênio (sobra da reação) será liberado para a atmosfera. Na fase de fixação do carbono ou ciclo de Calvin, conhecida também como fase escura (não é necessário a presença de luz), nesta fase serão utilizados os ATPs o NADPH e o gás carbônico   para que seja formada a molécula de glicose (De Souza et al., 2019; Pikart, 2018). 

Além da fotossíntese, os vegetais geram outro processo de extrema importância para a vida terrestre, a transpiração; atividade na qual somente 5% da água absorvida pelo vegetal é de fato utilizada em suas estruturas, e em torno de 90-95% é retornada para a atmosfera. Este processo de perda de água na forma de vapor que ocorre principalmente nas folhas, graças a pressão exercida nos espaços internos e o ar externo (Vieira et al.,2010).  

2.1.3 Impactos da Arborização na Temperatura Urbana e Conforto Térmico  

 Diferentes microclimas urbanos são influenciados pela localização geográfica, topografia, vegetação e cobertura do solo, radiação solar, temperatura, umidade e precipitação (Ferreira,2014). O conforto térmico nas cidades pode ser ameaçado pelas alterações climáticas causadas pela construção de edifícios e pavimentos, resultando em efeitos diretos principalmente da radiação solar, menor quantidade de vegetação, aumento da temperatura e redução da umidade do ar (U.R.). Dessa forma criam-se as chamadas ilhas de calor e aos poucos as cidades estão se transformando em verdadeiras estufas (Da Cunha et al., 2019).  

Em contrapartida, a arborização urbana promove benefícios ecológicos, expressos em melhorias climáticas. As folhas absorvem a radiação solar, reduzem a temperatura e fornecem sombra (Amato et al., 2016), além da melhora na sensação térmica, desacelera a degradação dos materiais utilizados na construção civil, reduzem a velocidade do vento e aumentam a umidade relativa do ar (Paiva, 2021). Para Frota e Barros, 2016 a Umidade relativa (U.R.)  é definida como “a relação da umidade absoluta com a capacidade máxima do ar de reter vapor d’água, àquela temperatura’’. 

Nas regiões de clima quente não é muito interessante que haja a diminuição dos ventos, pois a falta de brisa pode causar desconforto. A vegetação funciona como um obstáculo para o fluxo de ar, quando a corrente de ar é leve ela se ‘’ quebra ‘’ nas copas, porém quando é mais rápida ela circunda as copas. Em 2006, Nery et al, fizeram um estudo na cidade de Salvador e concluíram que a alta densidade populacional de árvores modificam a circulação dos ventos e reduzem a circulação de ar (Silva; Gonzalez; Filho, 2011). 

Esta interação entre a vegetação e a circulação do ar tem um impacto direto na sensação de conforto térmico experimentada pelo ser humano, sendo que o corpo humano possui temperaturas de 36,1-37,2 ºC, este calor é produzido através de reações químicas, a temperatura do corpo deve ser dissipada para que o organismo se mantenha em equilíbrio. O organismo humano experimenta sensação de conforto térmico quando perde calor para o ambiente, sem recorrer a nenhum mecanismo de termorregulação (vasodilatação e transpiração). O conforto térmico dependerá das atividades que estão sendo exercidas no momento, das vestimentas, biotipos, hábitos alimentares, além de fatores ambientais (temperatura, umidade e vento) (Frota; Barros, 2016). 

2.2 Caracterização das Arbóreas do Cerrado 

O bioma Cerrado é o segundo maior do Brasil, além de ser o segundo maior bioma da América do sul com 203.4 milhões de hectares, ocupando 24% do território nacional (Vilela et al.,2022) sendo um conjunto de ecossistemas do Centro-Oeste brasileiro, constituído por savanas, matas e campos. Segundo Köppen, o Cerrado possui dois tipos de clima predominantes: Aw (clima tropical, verão chuvoso e inverno seco com temperaturas médias superiores acima de 18 ºC) e Cwa (clima subtropical, com verão chuvoso e quente, sendo o mês mais frio com temperatura média entre -3°C e 18ºC e o mês mais quente com temperatura média maior do que 22°C) (Nascimento et al., 2020). A figura 1 representa os biomas brasileiros, sendo o Cerrado com uma coloração mais próxima do amarelo, ao centro do país.  

Algumas espécies do bioma Cerrado possuem adaptações e evoluções anatômicas de tecidos epidérmicos e vasculares, alterações as quais permitem que o fluxo de carbono na planta ocorra mesmo em condições ambientais desfavoráveis a fotossíntese (Furquim et al., 2018). 

Outra significativa característica das arbóreas do Cerrado são suas frutas e frutos, essas espécies frutíferas apresentam atributos peculiares, como aromas, sabores e cores, e alto teor de compostos fenólicos (flavonoides e taninos). O aroma característico das frutas é determinado pelo tipo de substâncias que produzem (Nascimento et al.,2018). 

As plantas nativas são frequentemente adaptáveis às restrições do solo e umidade, como   em   toda   savana, a   vegetação   é exposta a altas irradiâncias (1.500 a 2.500 μmol.m-2.s-1), altas temperaturas (25-40 °C ao meio-dia) e, na estação seca, baixa umidade relativa do ar (10-20%) (Palhares et al., 2010), baixos níveis de nutrientes e altos níveis de alumínio, algumas espécies são tolerantes e acumulam alumínio nos tecidos foliares e radiculares (Alves, 2016).  

Figura 1. Biomas brasileiros

Fonte: Rosalem, 2024

2.3 Manutenção de Árvores em Área Urbana 

O êxito da arborização demanda uma estratégia minuciosa, iniciada pela colaboração de todos os envolvidos na definição clara dos objetivos do empreendimento. As pessoas adquiriam árvores por diversos motivos, como a recuperação de ecossistemas, captura de carbono, obtenção de lucros através da extração de madeira ou aprimoramento da pureza das fontes hídricas. Um único projeto de plantio de árvores pode alcançar múltiplas metas (Holl; Brancalion, 2020).  

Para que a arborização urbana proporcione os serviços necessários, a esquematização do plantio é indispensável. Tudo deve ser feito seguindo os atributos das espécies arbóreas, as quais se misturam com os espaços físicos disponíveis para elas. Muitas vezes esses espaços são ameaçados pelo desrespeito dos cidadãos e dos poderes públicos, como por exemplo através de instalações, por exemplo: redes de eletricidade, água e esgotos. A prefeitura precisa acompanhar diretrizes incluídas no planejamento da silvicultura, desde a seleção das espécies arbóreas até o plantio e manutenção de árvores para que os serviços à população não sejam comprometidos a fim de que as árvores não precisem ser sacrificadas (Bacelar et al.,2020). 

Segundo o Art. 42, Lei nº 826/2021 da Constituição Estadual o Plano de Arborização deve-se levar em consideração as características das cidades; respeitar o planejamento viário; elaborar estratégias de plantio de árvores em conjunto com os planos de implementação de infraestrutura urbana; projetos de rede elétrica devem compatibilizar-se com a vegetação arbórea; o planejamento, a introdução e o manejo da arborização das áreas privadas devem atender às diretrizes da legislação (MATO GROSSO, 2021). 

Para que as árvores não venham prejudicar os espaços, é necessário monitorá-las desde o plantio; as mudas devem ser isentas de pragas e doenças, ser de boa procedência, devem possuir um tutor (haste); deve-se observar restrições espaciais e do solo (sempre deve ser preparado para receber o futuro indivíduo vegetal). Em volta da árvore plantada é importante deixar uma área permeável, seja na forma de piso drenante, canteiro, etc; com o passar dos anos será necessária a poda e cuidados com a nutrição vegetal (UNESP, 2017). 

2.4 Planejamento Urbano Sustentável 

As cidades são habitats de seres humanos, onde tem se tornado epicentro das práticas culturais e econômicas, bem administradas, essas povoações representam pilares essenciais para o progresso econômico e social, tornando-se, assim, impulsionadores fundamentais do crescimento econômico, da inovação e do emprego. As metrópoles são igualmente os epicentros da sociedade contemporânea, os moradores frequentemente desfrutam de maior disponibilidade de recursos em relação aos habitantes das regiões rurais, tais como educação, cuidados médicos e serviços fundamentais de infraestrutura como eletricidade, água e saneamento, porém estas áreas enfrentam diversos desafios, como as altas taxas de pobreza, falta de planejamento urbano, tendo como consequência um desenvolvimento não sustentável (Felipe et al., 2020). 

O desenvolvimento sustentável se caracteriza, segundo a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) , satisfazendo as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades (Felipe et al., 2020).  

O Plano Diretor refere-se ao planejamento e desenvolvimento sustentável das cidades, segundo o Artigo 182, da Constituição Federal: 

“A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.  O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana’’.  (BRASIL, 1988). 

Segundo a Constituição Federal, o Plano de Arborização Urbana é um instrumento complementar ao Plano Diretor do Município. O Plano Estadual de Arborização Urbana, sob a Lei nº 826/2021, dispõe de diretrizes para implantação, preservação e manutenção de espaços verdes nos municípios. 

Conforme a NBR 9050/04 (Norma Brasileira de Calçadas), a calçada constitui uma parte da via geralmente separada e em um nível distinto, não destinada ao tráfego de veículos, reservada exclusivamente para a circulação de pedestres e, quando viável, para a instalação de elementos como mobiliários, sinais de trânsito, vegetação e outros intentos (ABNT,2004).  

3 MATERIAIS E MÉTODOS 

3.1 Área de Estudo 

As áreas a serem estudadas estão localizadas no interior da extensão urbana de Nova Xavantina-MT, (Figura 2) localizada na região leste de Mato Grosso, nas coordenadas aproximadas de 14º41’09” e 52º20’09”. A cidade tem uma área de 5.491,972km², com a população estimada em 24. 345 habitantes (IBGE,2022). Faz limites com Água Boa, Nova Nazaré, Cocalinho, Araguaiana, Barra do Garças, Novo São Joaquim e Campinápolis (IBGE, 2013). Segundo a classificação de Köppen, Nova Xavantina possui o clima Aw, com temperaturas médias de 25,2 graus (Köppen Brasil, 2025). 

Figura 2. Localização de Nova Xavantina

Fonte: Rosalem, 2024

3.2 Coleta de Dados em Campo 

Com o Google Earth Pro, localizou-se os locais que possuíam três árvores ou mais, uma próxima a outra, preferencialmente que fossem da mesma espécie, pois ao criar subpopulações mais uniformes, as variações são menores em comparação a populações de indivíduos com características morfológicas diferentes, o que resulta em uma maior precisão nas estimativas (Coutinho; Lima, 1997).  

Os dados foram coletados em 2024, nos dias 31 de agosto (época mais quente e seca do ano) e 28 de outubro (época chuvosa e mais fresca) de 2024 e em quatro locais distintos, em cada ponto foi delimitada uma área de três metros para obter os dados, separando um lado para calçadas arborizadas e o outro para calçadas em pleno sol, nos horários mais quentes (início às 10:30 e término às 12:00 horas). Os locais escolhidos foram às ruas: Jaciara, João Pessoa, Antônio Aires da Silva e Avenida Getúlio Vargas. Coletou-se dados de temperatura e umidade com o aparelho da marca Kestrel, o qual é um medidor de condições ambientais, Portátil THAL-300 (Figura 3), entre um dado e outro foi aguardado cerca de um minuto para a próxima anotação. 

Figura 3.  THAL-300

Fonte: Rosalem, 2024

Sendo, dez amostras em cada local, cinco na estiagem e cinco na chuvarada. Os dados foram coletados na seguinte sequência: rua Jaciara, três exemplares de Terminalia mantaly H. Pierrer (Sete-copas-africana), na rua João Pessoa com nove exemplares de Handroanthus albus (Ipê amarelo), rua Antônio Aires da Silva com seis exemplares de Moquilea tomentosa (Oiti), Av. Getúlio Vargas, na quadra do Santuário Nossa Senhora das Graças, nove exemplares de Azadirachta indica A. Juss. (Neem). As ruas foram selecionadas aleatoriamente, sem qualquer interferência externa ou viés na escolha. 

3.3 Processamento dos Dados 

As análises foram feitas no mês de março do ano de 2025. Foi utilizado a análise ANOVA de duas vias (ou ANOVA bifatorial) é uma técnica estatística usada para analisar o efeito de dois fatores independentes, sobre uma variável dependente contínua. As análises foram feitas no programa R (R Core Team, 2025), adotando 5% no nível de significância. 

3.4 Espécies Arbóreas Recomendadas para Nova Xavantina com Base na Literatura 

Com o intuito de diversificar e ampliar a arborização da cidade, foram selecionadas como sugestão algumas espécies frutíferas e com potencial paisagístico através dos livros ‘’ Árvores Brasileiras ‘’ e o “Guia de calçamento para o Município de Nova Xavantina’’ (documento feito pela empresa junior- EDIFICAR- para a prefeitura de Nova Xavantina; disponível no Anexo I), sendo este utilizado como parâmetro para o plantio e dimensionamento do conjunto (árvore calçada). 

 Foram definidos alguns critérios para seleção das árvores com, por exemplo adaptação ou origem do bioma Cerrado, ter mais que três metros de altura, para que não haja interferência quando os pedestres estejam utilizando as calçadas, não ser caducifólia durante todo o período de estiagem e, suas partes não devem ser tóxicas para seres humanos nem para outros animais, não devem conter espinhos, devem produzir frutas, sendo as quais não podendo causar danos materiais ou riscos para os seres que passarem sobre o local.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

4.1 Análise de Dados 

A análise da temperatura evidenciou variações significativas entre os tratamentos (Sol e Sombra) e entre as estações do ano (Chuva e Seca). Como demonstrado na Figura 4 e Tabela 1, os valores mais elevados de temperatura ocorreram sob condição de sol durante o período seco, enquanto os menores valores foram observados sob sombra durante a estação chuvosa. O p-valor baixo (menor que 0,05) indica que existe uma diferença estatisticamente significativa entre as condições comparadas e (p-valor > 0.05) não há diferença significativa. 

Tabela 1. Resultado da análise das temperaturas

Fonte: Rosalem, 2025 
Legenda: p-valor <0.05 se diferenciaram estatisticamente, p-valor >0.05 não se diferenciaram estatisticamente.

Figura 4. Diferenças das Temperaturas

Fonte: Rosalem, 2025
Legenda: O eixo vertical representa a temperatura em graus Celsius, enquanto o eixo horizontal indica os tratamentos. As letras acima dos boxplots indicam grupos estatisticamente diferentes. As linhas centrais são as medianas

Durante o período seco, a diferença de temperatura respectivamente entre ‘’Seca SolSeca Sombra’’ e ‘’Chuva Sol-Seca Sombra” não foram estatisticamente significativa (p = 0.1482) e (p = 0.0675), sugerindo que a radiação direta durante a seca pode elevar a temperatura ambiental a níveis em que o sombreamento perde parte de sua eficácia.  

Em Natal, Carvalho (2001) concluiu que o parque das Dunas é capaz de reduzir a temperatura do ar no em um raio de 3,51 km do seu entorno, sendo assim é possível concluir que quanto maior for a incidência de árvores mais baixa será a temperatura 

A umidade relativa do ar também apresentou variações significativas entre os tratamentos e estações (Figura 5 e Tabela 2). Durante a estação chuvosa, a condição de sombra registrou os maiores níveis de umidade, enquanto o menor valor foi observado no sol durante o período seco, na avaliação ‘’Seca Sol-Seca Sombra’’ o valor de p foi 0.4029. 

Tabela 2. Resultados da análise das umidades 

Fonte: Rosalem, 2025 
Legenda: p-valor <0.05 se diferenciaram estatisticamente, p-valor >0.05 não se diferenciaram estatisticamente.

Figura 5. Diferenças das Umidades 

Fonte: Rosalem, 2025 
Legenda: O eixo vertical representa a umidade relativa do ar, enquanto o eixo horizontal indica os tratamentos. As letras acima dos boxplots indicam grupos estatisticamente diferentes. As linhas centrais são as medianas 

Com isso podemos confirmar o que Paiva relatou em 2021, as árvores possuem a capacidade de diminuir a temperatura e aumentar a umidade.  

Esses dados indicam que o sombreamento é eficaz na redução da temperatura, especialmente durante a estação chuvosa. Isso pode ser explicado pela interceptação da radiação solar direta e pela maior evapotranspiração promovida pela cobertura vegetal, como apontado por Abreu 2008, assim transmitindo uma sensação térmica mais agradável.  

Mendonça 2021, avaliou temperatura, irradiação e umidade em quatro locais diferentes da cidade de Nova Xavantina-Mato Grosso, seu intuito foi avaliar as respectivas variáveis em ambiente natural e preservado (Parque do Bacaba) e ambientes construídos (praças), ela concluiu que não são apenas as árvores que interferem no microclima, mas também os materiais utilizados nas edificações e vias; além de seu estudo no ano de 2018 houve um estudo feito por Ribeiro et al., na cidade de Cuiabá, capital do Mato Grosso, onde avaliou diferentes temperaturas e armazenamento de energia em materiais (concreto e asfalto) e solo, com isso foi concluído que as menores temperaturas foram registradas em locais arborizados, na época chuvosa e no material solo.  

Dessa forma é importante citar a presença das espécies encontradas na presente pesquisa e as características mais relevantes de cada uma delas tais como a Terminalia mantaly H. Pierrer (Sete-copas-africana) a qual pode chegar a 20 metros de altura, suas folhas são pequenas, verdes, inteiras, simples, glabras e coriáceas. Suas inflorescências são espigas formadas por pequenas flores brancas a esverdeadas (Correa, 2022). O Handroanthus albus (Ipê amarelo), segundo o Instituto Brasileiro de Florestas ele pode alcançar 30 metros de altura, com fuste curto chegando a 40-60 cm de diâmetro, suas folhas são compostas, seus folíolos são decíduos, pilosos de cor verde claro a verde escuro. Suas inflorescências são de coloração amarela, possuindo entre 17 e 33 cm de comprimento (Carvalho et al.,2003). A Moquilea tomentosa (Oiti) é uma espécie nativa da Mata Atlântica, varia de 8 a 15 metros de altura, com 30 a 50 cm de diâmetro, possui folhas simples com tricomas em ambas as faces, de 7 a 14 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura. Quando são feitas podas, apresenta copa frondosa que proporciona sombra, característica bastante atrativa que justifica seu uso em larga escala na arborização urbana por quase todo o Brasil (Deecken, 2021; Zamproni et al.,2016).  A Azadirachta indica A. Juss. (Neem), pode crescer até aproximadamente 20 m de altura, desenvolve uma raiz pivotante, os galhos da árvore se espalham amplamente e formam uma coroa oval, as folhas são pinadas e verdes. Ela apresenta flores brancas, pequenas e perfumadas e seus frutos são pequenos e amarelos, com uma semente marrom no meio. A planta pode ser tóxica ou benéfica para seres humanos, isso dependendo dos componentes químicos utilizados em processos (Patel et al., 2016). 

A tabela abaixo representa as temperaturas médias e umidades encontradas nos diferentes pontos de coletas de dados abaixo dos indivíduos arbóreos, tanto no inverno quanto no verão. 

Tabela 3. Médias das temperaturas e umidades abaixo dos indivíduos vegetais 

Fonte: Rosalem, 2025

A avaliação das condições microclimáticas sob diferentes espécies arbóreas demonstrou variações relevantes em termos de temperatura e umidade entre as espécies. A sete-copas-africana se destacou por proporcionar maior conforto térmico durante o verão, mantendo o ambiente mais fresco e úmido em comparação com as demais espécies. Em contrapartida, o oiti apresentou os resultados menos favoráveis, com temperaturas mais elevadas e menores níveis de umidade. O ipê-amarelo e o neem situaram-se em uma posição intermediária, contribuindo de forma moderada para a regulação do microclima. Esses resultados reforçam a importância da escolha criteriosa das espécies na arborização urbana, especialmente quando se busca mitigar os efeitos do calor e promover maior bem-estar nas cidades. 

4.2 Possíveis Espécies para serem Utilizadas 

Está previsto na Constituição do Estado de Mato Grosso, promulgada pela Lei nº 11.376, artigo 42 “Fica instituído o Programa Raízes de Mato Grosso que visa a preservação de todas as áreas arborizadas públicas, com o objetivo de implantar e preservar a arborização, visando assegurar condições ambientais e paisagísticas”. Cada município poderá formular e implementar o seu Plano Diretor de Arborização Urbana (MATO GROSSO, 2021). Sendo assim é necessário conhecer a biologia das espécies vegetais que serão cultivadas; proteger e implantar árvores que condizem com o ambiente urbano desejado. 

A análise das espécies propostas revela um foco na adequação ao ambiente urbano, considerando largura das calçadas, presença de fiação elétrica, sombreamento e produção de frutos. Através da literatura conseguimos fazer um levantamento com sugestões de possíveis arbóreas que poderão ser implantadas na cidade de Nova Xavantina: 

Spondias dulcis L. (Cajazeiro): sua altura alcança até 25 metros, seu tronco é bem ramificado; suas folhas são compostas, com 5-9 pares de folíolos. Sua floração ocorre em agosto e a maturação dos frutos vai de outubro-janeiro, seus frutos são drupa (Lorenzi, 2002). Pode vir a ser utilizada em calçadas com largura superior a cinco metros onde não há fiação. 

Hancornia speciosa Gomes (Mangaba): pode chegar até sete metros de altura, seu tronco é bastante ramificado, suas folhas são simples, glabras, possuindo 7-10 cm de comprimento e 3-4 cm de largura; sua inflorescência é branca e perfumada, seu fruto é tipo baga(Lorenzi, 2002). Pode ser utilizada para arborização em calçadas com a largura acima de três metros, onde não há redes de energia. 

Swartzia langsdorffii Raddi (Pacová de macaco): cresce de 8-14 metros, possui de 7 a 8 folíolos glabros por folha, 8-12 cm de comprimento por 6-7 cm de largura; sua floração ocorre de setembro a janeiro, seus frutos amadurecem até o mês de abril, são do tipo baga (Lorenzi, 2002). Pode ser plantado em calçadas acima de três metros de largura, onde não ocorre a passagem de fios. 

Myrciaria cauliflora (Mart.) O. Berg (Jabuticaba): sua altura varia de 10 a 15 metros, suas folhas são simples, de 6-7 cm de comprimento, por 2-3 cm de largura. As flores e frutos são afixados no caule; sua floração ocorre duas vezes ao ano nos meses de julho-agosto e novembro-dezembro, seus frutos amadurecem em agosto-setembro e janeiro, os mesmos são do tipo drupa (Lorenzi, 2002). Deve ser plantada em vias com a largura acima de três metros, locais onde não há fiação. 

Zizyphus joazeiro Mart. (Juazeiro): é uma árvore resistente a estiagem, suas raízes são profundas; pode alcançar de 5-10 metros de altura, suas folhas variam de 5-10 cm de comprimento por 3-6 cm de largura. Seus frutos são ricos em vitamina C, são do tipo drupa, a maturação dos mesmos ocorre nos meses de junho a julho (Lorenzi, 2002). Pode vir a ser utilizada em calçadas com largura acima de três metros e onde não há interferência de fiação. 

Talisia esculenta (A.St.-Hil.) Radk (Pitomba):  varia de 6-12 metros de altura. Suas folhas são compostas, com 2-4 pares de foliolos, de 7-13 cm de comprimento por 3-6 cm de largura. Fruto tipo drupa com casca amarela com polpa carnosa (Lorenzi, 2002). Podendo ser utilizada em calçadas com largura acima de três metros onde não há o intermédio de fios condutores. 

Salacia elliptica (Mart.ex Roem. & Schult.) G. Don (Saputá): sua copa é densa alcançando 4-8 metros, seu tronco é curto. Suas folhas são coriáceas e glabras em ambas as faces. Seu fruto é do tipo drupa, com cor adocicada de cor amarela, contendo entre 3-6 sementes. Floresce nos meses de julho a setembro, os frutos amadurecem nos meses de novembro a janeiro (Lorenzi, 2002). Podendo ser implantada em calçadas acima de um metro a três metros não contendo cabos elétricos e em calçadas de três a cinco metros contendo fiação. 

Inga spp. (Ingá):  a altura varia de acordo com a espécie do gênero, podendo ser de 520 metros de altura. Todas as espécies possuem folhas compostas com tamanhos variados, e assim como a altura o tamanho dos frutos(legumes) e a sua maturação variam de acordo com a espécie. As flores são todas brancas (Lorenzi, 2002). Estes indivíduos podem ser instalados em calçadas acima de um metro até calçadas além de cinco metros, variando da espécie utilizada.  

Sendo assim, a presença de árvores frutíferas pode fortalecer a conexão da população com a natureza, além de potencializar a diversidade de fauna ao atrair polinizadores e dispersores de sementes. 

Outro aspecto relevante é a adaptação ao clima regional. O Juazeiro, por exemplo, é reconhecido por sua resistência à estiagem, característica essencial para áreas que enfrentam períodos secos prolongados, como no Cerrado; algumas espécies podem se adaptar a diferentes climas como a Jabuticaba, e outras além disso contém flores perfumadas, como as plantas do gênero Inga e a Mangaba. 

No entanto, um desafio que pode surgir é a necessidade de manutenção adequada. A poda, controle de pragas e manejo de raízes devem ser planejados para garantir a longevidade das árvores e evitar impactos negativos na infraestrutura urbana

5 CONCLUSÃO 

A implementação de árvores nativas e adaptadas ao clima de Nova Xavantina representa um avanço significativo na sustentabilidade urbana, promovendo benefícios ecológicos, climáticos e sociais. Além de sua capacidade de reduzir temperaturas e aumentar a umidade, as espécies selecionadas contribuem para embelezamento da cidade, oferta de alimentos, aromas agradáveis ao meio e o fortalecimento da biodiversidade local. 

A execução desse projeto demanda planejamento estratégico e suporte institucional, sendo essencial a adoção de um Plano Diretor Municipal de Arborização conforme previsto na Constituição do Estado de Mato Grosso. Com um planejamento adequado, a cidade pode garantir longevidade das espécies, manutenção eficiente e interação harmônica com o espaço urbano. 

A arborização planejada não é apenas uma medida estética, mas um investimento na saúde ambiental e no bem-estar coletivo, refletindo a importância da integração entre urbanismo e ecologia para um futuro mais sustentável. 

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