ANALYSIS OF PRODUCT ENGINEERING AND NORMATIVE COMPLIANCE IN BARE COPPER ELECTRICAL CABLES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511300236
Aléssio de Lucas Dantas Arêa Leão Carvalho Oliveira1; Kaio Torres Alves2; Kleber lima Cézar3; Antônio Bruno de Vasconcelos Leitão4; Francisco de Tarso Ribeiro Caselli5; Odilon Dantas Aguiar6; Thiago Assunção de Moraes7; David Willames do Rego Coimbra8; Luno Gomes de Oliveira9; Francisco Rafael Campos de Macedo10
Resumo
O crescimento populacional e o consequente aumento no consumo energético elevaram significativamente a demanda por cabos elétricos de cobre, especialmente em instalações residenciais, comerciais e industriais. O cobre, historicamente essencial à evolução tecnológica, apresenta propriedades de alta condutividade e resistência à corrosão, justificando seu uso predominante no setor elétrico. Este artigo tem como objetivo analisar a engenharia de produto e a conformidade normativa dos cabos de cobre nu, conforme as normas ABNT NBR NM 280, NBR 7288, NBR 7287, NBR 7286, NBR 13248 e correlatas. O estudo buscou compreender como cabos de mesma bitola podem apresentar formações distintas entre marcas e identificar possíveis não conformidades associadas à falsificação e à redução de cobre na fabricação. Por meio da análise comparativa de normas técnicas e dados de ensaio, observou-se que 71% das empresas brasileiras do setor produzem cabos fora dos padrões estabelecidos, evidenciando a fragilidade do sistema de certificação. Os resultados destacam a importância da padronização e de uma engenharia de produto adequada para garantir segurança elétrica e eficiência produtiva.
Palavras-chave: Cobre. Engenharia do Produto. Cabos Elétricos. Normas Técnicas. Processo de Fabricação.
Abstract
Abstract The population growth and the consequent increase in energy consumption have significantly raised the demand for copper electrical cables, especially in residential, commercial, and industrial installations. Copper, historically essential to technological evolution, presents properties of high conductivity and corrosion resistance, justifying its predominant use in the electrical sector. This article aims to analyze the product engineering and normative compliance of bare copper cables, according to ABNT NBR NM 280, NBR 7288, NBR 7287, NBR 7286, NBR 13248, and related standards. The study sought to understand how cables of the same gauge can present distinct formations across brands and to identify possible non-conformities associated with counterfeiting and the reduction of copper in manufacturing. Through the comparative analysis of technical standards and test data, it was observed that 71% of Brazilian companies in the sector produce cables outside the established standards, highlighting the fragility of the certification system. The results emphasize the importance of standardization and adequate product engineering to ensure electrical safety and productive efficiency.
Keywords: Copper: Product Engineering. Electrical Cables. Technical Standards. Manufacturing Process.
1 INTRODUÇÃO
O cobre é um dos metais mais antigos e importantes para a civilização moderna. Sua utilização remonta a tempos pré-históricos, e hoje ele é amplamente valorizado por sua excelente condutividade elétrica, ductilidade e maleabilidade (ABCobre, 2024). Essas propriedades fazem do cobre um material-chave para a fabricação de fios e cabos elétricos, bem como para a produção de ligas metálicas como o latão e o bronze (ABCobre, 2024).
Sua condutividade elétrica superior, só superada pela prata, e sua elevada condutividade térmica permitem que condutores de menor bitola transportem a mesma corrente, resultando em economia de espaço e materiais (ABCobre, 2024; ABCobre, 2021). Além disso, o cobre é altamente resistente à corrosão e possui durabilidade significativa, o que o torna adequado para uso em ambientes agressivos (ABCobre, 2021).
Outra característica notável do cobre é sua reciclabilidade. O metal pode ser reciclado repetidamente sem perda de suas propriedades originais, o que contribui para a sustentabilidade dos sistemas que o utilizam (ABCobre, 2024). Além disso, suas ligas oferecem uma vasta gama de combinações de propriedades: existem mais de 400 ligas de cobre, cada uma adaptada a necessidades técnicas específicas, como maior resistência mecânica, condutividade, ou resistência à corrosão (ABCobre, 2024).
No contexto da indústria elétrica, o cobre se destaca não apenas por suas propriedades físicas, mas também por seu desempenho em condições práticas de uso. Segundo especialistas, o cobre supera o alumínio em condutividade (~ 40 % a mais), além de oferecer maior maleabilidade e durabilidade, resultando em instalações mais seguras e confiáveis (Moreno, citado em Mundo Elétrico, 2020). A pureza do cobre é outro fator crítico: recomenda-se cobre com pureza de 99,99 % para evitar aumento de resistividade, elevação de temperatura operacional e riscos como curto-circuito ou falhas (Moreno, citado em Mundo Elétrico, 2020).
Historicamente, a importância do cobre também está sustentada pela sua produção e uso global. A maior parte do cobre extraído ainda provém de mineração, mas uma parcela significativa vem da reciclagem, o que reforça seu caráter estratégico e sustentável (ABCobre, 2024). Sua presença se estende a setores como energia, telecomunicações, construção e transportes, evidenciando sua versatilidade e relevância para a sociedade contemporânea (ABCobre, 2021).
Este artigo tem como objetivo apresentar e analisar configurações otimizadas de engenharia de produto para cabos de cobre nu, com bitolas de 1,5 mm², 2,5 mm², 4,0 mm² e 6,0 mm². A proposta é manter os requisitos normativos e utilizar cobre eletrolítico de alta pureza, evitando práticas comuns de redução de custo, como o uso de materiais não conformes ou bimetálicos, que podem comprometer a condutividade, a segurança elétrica e a durabilidade dos condutores.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Definições básicas e terminologia técnica
Para compreender o processo de fabricação e padronização dos condutores elétricos, é fundamental retomar algumas definições estabelecidas pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A NBR 5471:1986 define os principais conceitos empregados no setor elétrico, essenciais para o entendimento da engenharia de produto dos cabos de cobre.
Tabela 1: Definições Normativas

Fonte: Elaborada pelos próprios autores, ABNT NBR 5471:86.
Segundo a ABNT (1986), “na tecnologia elétrica, os fios são geralmente utilizados como condutores elétricos, por si mesmos ou como componentes de cabos; podem ser também utilizados com função mecânica ou eletromecânica”. Ainda conforme a norma, os condutores de alumínio são amplamente usados devido à sua alta resistência mecânica, mas são formados por fios mais rígidos e de bitolas maiores quando comparados aos de cobre.
Entretanto, a aplicação do alumínio é restrita em determinadas condições. A NBR 5410:2005 estabelece que os condutores de alumínio só podem ser utilizados em seções transversais iguais ou superiores a 16 mm² em instalações industriais e a 50 mm² em instalações comerciais, desde que cumpridos requisitos específicos de segurança.
Essas restrições refletem o estágio atual das técnicas de conexão no Brasil. Somente soluções que atendam às normas ABNT NBR 9313, NBR 9326 e NBR 9513 podem alterar essas limitações, o que demonstra a predominância do cobre como material de referência em condutores de baixa e média tensão (ABNT, 2005).
Além disso, a norma indica que o uso do alumínio em ambientes industriais é admitido apenas quando a instalação for alimentada diretamente por transformador próprio ou subestação de alta tensão e a manutenção for executada por técnicos qualificados. Para estabelecimentos comerciais e edificações de baixa altura, o cobre continua sendo o material preferencial, devido à sua condutividade superior e menor resistência elétrica (ABNT, 2005; 1996).
2.2 Características do cobre e requisitos normativos
A NBR 14733:2001 especifica os requisitos mínimos para o vergalhão de cobre utilizado em condutores elétricos. De acordo com essa norma, o cobre deve apresentar pureza mínima de 99,90%, seja ele refinado a fogo, eletrolítico ou isento de oxigênio.
Tabela 2: Vergalhões para uso de fabricação de cabos e fios elétricos.

Fonte: Elaborada pelos próprios autores, ABNT NBR 14733:2001.
A composição química padronizada tem como objetivo garantir baixa resistividade elétrica e alta durabilidade mecânica. Assim, condutores fabricados com cobre bimetálico ou ligas de cobre-alumínio são considerados não conformes, por apresentarem condutividade reduzida e maior aquecimento durante o uso.
A partir de dezembro de 2014, os fabricantes de fios e cabos elétricos passaram a ser obrigados a adequar seus produtos à Portaria INMETRO nº 640/2012, que aprovou os Requisitos de Avaliação da Conformidade para Fios, Cabos e Cordões Flexíveis Elétricos. Contudo, ainda há fragilidade na fiscalização, o que permite a inserção de produtos falsificados ou irregulares no mercado (INMETRO, 2012).
2.3 A norma ABNT NBR NM 280 e suas correlações
A ABNT NBR NM 280:2011 é a principal referência técnica para a fabricação de condutores de cabos isolados. Ela define as exigências mínimas para a produção de cabos de cobre nu e serve como base para outras normas complementares, que tratam de produtos específicos conforme o tipo de isolação e tensão de operação, tais como:
- NBR NM 247-3:2002 – Condutores isolados com policloreto de vinila (PVC) para tensões nominais até 450 V/750 V;
- NBR 7288:1994 – Cabos de potência com isolação sólida extrudada de PVC ou PE para tensão de 1 kV a 6 kV;
- NBR 7287:2009 – Cabos de potência com isolação de polietileno reticulado (XLPE) para tensões de 1 kV a 35 kV;
- NBR 7286:2001 – Cabos de potência com isolação de borracha etileno-propileno (EPR) para tensões de 1 kV a 35 kV;
- NBR 13248:2000 – Cabos de potência e controle com baixa emissão de fumaça e livres de halogênio para até 1 kV.
Todas essas normas são de produtos com características diferentes, porém tem uma mesma base o condutor de cobre nu, a diferenciação do produto ocorre no processo de extrusão onde é definido as classes de tenção pelo isolante que cada material recebe. No processo de trefilação, processo inicial, dependendo da engenheira adotada pode ser usado um único tipo de fio compatível, como está disposto na tabela 5.
A NBR NM 280 também define as classes de encordoamento, que determinam o grau de flexibilidade do condutor (ABNT, 2011):
- Classe 1 – Condutor sólido: formado por um único fio, destinado a instalações fixas, podendo ser de cobre ou alumínio.
- Classe 2 – Condutor encordoado rígido: composto por fios encordoados, também destinado a instalações fixas, podendo ser de cobre ou alumínio.
- Classe 4 – Condutor encordoado flexível intermediário: destinado às mesmas aplicações das classes 5 e 6, porém com menor flexibilidade; exclusivo para cobre.
- Classe 5 – Condutor encordoado flexível: utilizado em cabos e cordões flexíveis, exclusivamente de cobre.
- Classe 6 – Condutor encordoado extra-flexível: aplicado em cabos e cordões flexíveis, também exclusivo para cobre, oferecendo flexibilidade superior à Classe 5.
À medida que a classe do condutor aumenta, os diâmetros máximos permitidos tendem a diminuir, mantendo-se, entretanto, a mesma resistência elétrica estabelecida normativamente para todas as classes. Como consequência, o cabo torna-se mais flexível, conforme especificado na NBR NM 280 (ABNT, 2011).
Tabela 3: Condutores flexíveis classe 4 de cobre para cabos de um condutor e multipolar.

Fonte: Elaborada pelos próprios autores, ABNT NBR NM 280:2011.
Tabela 4: Condutores flexíveis classe 5 de cobre para cabos de um condutor e multipolar.

Fonte: Elaborada pelos próprios autores, ABNT NBR NM 280:2011.
Cada classe apresenta valores específicos de resistência elétrica máxima, que garantem a condutividade adequada e limitam o aquecimento durante o uso.
De acordo com os dados da Tabela 3 e Tabela 4, observa-se que o aumento do número de fios encordoados reduz o diâmetro individual dos condutores, proporcionando maior flexibilidade sem comprometer a condutividade elétrica.
2.4 Panorama da conformidade no setor de cabos elétricos
Segundo a Qualifio (2015), em uma pesquisa feita no mercado brasileiro, cerca de 110 empresas produtoras de cabos e fios elétricos ativas foram analisadas. Destas, 32 empresas apresentam produtos certificados e estão em conformidade, 26 estão em total desconformidade, e 47% possuem certificação, mas seus produtos estão não conformes. Isso resulta em 71% de produtos que expõem os clientes a riscos potenciais contra 29% dentro dos padrões normativos do setor.
Tabela 5: Pesquisa pela Qualifio, Conformidade dos produtos

Fonte: Elaborada pelos próprios autores, Revista O Setor Elétrico, ano 9, ed 108, 2015.
A falta de conformidade técnica pode resultar em falhas elétricas graves, aumento de perdas energéticas, superaquecimento de cabos e riscos de incêndio, comprometendo não apenas o desempenho do sistema elétrico, mas também a segurança dos usuários.
Para compreender melhor as possibilidades de construção dos cabos, é necessário analisar as classes de encordoamento, que determinam quantos fios individuais compõem o cabo e qual o diâmetro de cada fio. Essas informações são essenciais para garantir que o produto atenda às normas técnicas e mantenha a resistência elétrica adequada.
Tabela 6: Tabela de classes de encordoamento do 1,5mm² – 2,5mm² – 4,0mm² e 6,0 mm² com seus possíveis diâmetros (Ø).


Fonte: Elaborada pelos próprios autores, ABNT NBR NM 280:2011.
Observa-se que nem sempre é possível atender a todas as formações previstas:
- Para cabos de 1,5 mm², 2,5 mm² e 4,0 mm² da classe seis, os fios individuais alcançam até 0,16 mm de diâmetro; para cabos de 6,0 mm², o diâmetro chega a 0,21 mm.
- Para a classe cinco, os cabos de 1,5 mm² e 2,5 mm² podem chegar a 0,26 mm, e os de 4,0 mm² e 6,0 mm² até 0,31 mm.
- A classe quatro segue a mesma lógica da classe cinco, mas em alguns casos certos cabos dessa classe “inexistem”, ou seja, não atingem as características técnicas exigidas pela norma.
Quando os fios ultrapassam os limites máximos de cada classe, eles podem invadir classes inferiores de encordoamento e precisam ser reclassificados.
Essas limitações abrem espaço para ajustes na engenharia do produto, permitindo que as empresas modifiquem configurações em busca de redução do uso de cobre, o que representa mais de 60% do cabo, enquanto os 40% restantes correspondem à isolação e às coberturas.
2.5 Processo produtivo do condutor
Todo condutor de cabo isolado destinado a instalações elétricas internas, como em calhas e eletrodutos, possui requisitos técnicos a serem atendidos. No entanto, as normas aplicáveis não especificam detalhadamente como cada condutor deve ser fabricado. Por isso, é necessário desenvolver condutores com base nos requisitos normativos, elaborando uma engenharia de produto para cada componente a ser confeccionado. Todavia, esses parâmetros muitas vezes são interpretados de forma diversa por empresas fabricantes, seja pela ausência de certificações mais rigorosas ou pela busca de redução de custos, como a diminuição da quantidade de cobre no produto.
O consumidor, em sua maioria leigo, frequentemente não compreende por que a marca A apresenta configurações diferentes de número de fios e diâmetro em comparação com as marcas B e C. Essas diferenças são, inclusive, utilizadas entre concorrentes como indicativo de qualidade e credibilidade das marcas no mercado.
Após a definição da bitola e da classe de encordoamento, o próximo passo na elaboração da engenharia de produto é compreender os processos pelos quais passam os cabos de cobre nu, sendo o primeiro deles o processo de trefilação (Figura 4), conforme descrito por Pastro (2004).
O princípio da Trefilação é o mesmo que o estiramento na bancada, mas como se tratam de grandes comprimentos, foi preciso construir máquinas especiais nas quais o arame é puxado Através da fieira por rolos motrizes. Para fios de cobre, onde A seção é bastante diminuída, passa-se em maior número de fieiras. Estas em metal duro ou diamante, são posicionadas em série. O fio passa de uma para a outra em ziguezague, conduzido por cilindros de inversão que asseguram ao mesmo tempo a tração. Pastro, (2004).
Este processo confere forma aos fios que comporão os cabos, denominados fios elementares, utilizando como matéria-prima o vergalhão de cobre, conforme apresentado na Tabela 2. As fieiras, mostradas na Figura 5, constituem as ferramentas pelas quais ocorre o estiramento do fio.
Figura 4: processo de trefilação.

Fonte: Pastro, (2004).
A função da fieira consiste na redução do diâmetro do fio: na zona 1 ocorre a entrada do material, na zona 2 realiza-se o trabalho de redução, nas zonas 3 ocorre a calibração, e na zona 4 ocorre a saída do material já com o novo diâmetro (Figura 5).
Figura 5: Fieira, corte transversal e suas zonas.

Fonte: Leitão; silva, (2014).
O diâmetro final do fio destinado à fabricação do cabo é determinado com base na massa total dos filamentos agregados ao cabo, considerando-se a quantidade de fios e respeitando-se a resistência elétrica exigida para o produto.
3. METODOLOGIA
O presente estudo adota uma abordagem técnico-normativa e comparativa, com o objetivo de verificar a conformidade entre o processo produtivo de cabos elétricos de cobre nu e as exigências normativas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), bem como identificar oportunidades de otimização técnica e econômica. A metodologia foi estruturada para garantir a replicabilidade dos procedimentos de cálculo e a rastreabilidade dos dados utilizados.
3.1 Tipo de pesquisa e abordagem
Quanto à natureza, a pesquisa classifica-se como aplicada, pois visa gerar conhecimentos para aplicação prática na otimização de processos de engenharia de produto.
Em relação aos procedimentos técnicos, trata-se de uma pesquisa documental e bibliográfica, complementada por uma análise de engenharia. A pesquisa documental concentrou-se na análise de documentos oficiais (normas técnicas da ABNT), enquanto a bibliográfica fundamentou o referencial teórico sobre a fabricação e as propriedades elétricas dos condutores. A análise de engenharia consistiu na aplicação de modelos matemáticos para a verificação de parâmetros físicos e elétricos.
A abordagem do problema é predominantemente quantitativa, baseada em cálculos e comparações de dados numéricos (resistência elétrica, massa, diâmetro) para determinar a conformidade e a eficiência construtiva dos condutores.
3.2 Universo e amostragem
O universo da pesquisa compreende o conjunto de todas as normas técnicas brasileiras aplicáveis à fabricação de condutores elétricos de cobre nu e todos os dados de engenharia de produto relativos a esse processo.
A amostragem do estudo foi intencional e concentrou-se nos seguintes elementos:
- Normas técnicas: as normas selecionadas (Tabela 8) constituíram a base documental do estudo, sendo detalhadas no Referencial Teórico (Seção 2.3). Elas definem os requisitos gerais, as classes de condutores e as especificações de isolamento que serviram como instrumentos de coleta de dados e parâmetros de verificação para os cálculos de engenharia.
- Condutores analisados: o estudo focou nas classes 4 e 5 de condutores flexíveis (conforme ABNT NBR NM 280:2011), que representam a maior parte das aplicações em instalações elétricas residenciais e comerciais.
- Bitolas (Seções Nominais): foram selecionadas as bitolas de maior uso no mercado: 1,5 mm², 2,5 mm², 4,0 mm² e 6,0 mm².
Essas classes e bitolas foram escolhidas por representarem um subconjunto significativo e de alta demanda do universo de produtos, permitindo uma análise focada e de alto impacto prático.
Tabela 8: Normas técnicas utilizadas como referência

Fonte: Elaborada pelos próprios autores.
3.3 Instrumentos de coleta e análise de dados
Os instrumentos de coleta de dados foram as próprias normas técnicas (dados normativos) e os manuais de engenharia de produto (dados de engenharia).
O instrumento de análise e tabulação de dados foi uma planilha eletrônica (Microsoft Excel), utilizada para sistematizar os dados, realizar os cálculos de verificação e permitir a comparação entre diferentes formações de cabos.
3.4 Procedimentos metodológicos
A metodologia envolveu três etapas principais: levantamento normativo, definição da amostra e cálculo e comparação de parâmetros técnicos.
3.4.1 Levantamento normativo e definição da amostra
Esta etapa consistiu no levantamento e sistematização das normas técnicas aplicáveis e na definição das classes de condutores (Classes 4 e 5) e seções nominais (1,5 mm² a 6,0 mm²) que constituíram a amostra do estudo.
3.4.2 Cálculo e verificação de parâmetros técnicos
O procedimento central da pesquisa consistiu no cálculo e na comparação de parâmetros físicos e elétricos, com base na Segunda Lei de Ohm, que relaciona a resistência elétrica (R), a resistividade do material (ρ), o comprimento do condutor (L) e a área da seção transversal (A):

3.4.3 Cálculos dos procedimentos detalhados


Tabela 8: Exemplos para regra do arredondamento

Fonte: Elaborada pelos próprios autores, ABNT NBR NM 5891: 2014.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A partir dos procedimentos realizados, foram gerados gráficos para facilitar a análise dos cabos. No Gráfico 3, observam-se as possíveis formações para os cabos de bitola 1,5 mm².
Gráfico 3: Formações Possíveis Para O Cabos 1,5 mm²

Fonte: Elaborado pelos próprios autores.
No Gráfico 3, as barras representam o número de fios, arredondados, referenciados pelo eixo das ordenadas à esquerda. Os pontos em vermelho indicam a massa teórica total do cabo, referenciada pelo eixo das ordenadas à direita. Ao longo do eixo das abscissas, apresenta-se a variação de diâmetro respeitando as classes de encordoamento, representadas pelas cores: tom mais claro indica a classe 5 e tom mais escuro, a classe 4.
Com base nesses dados, observa-se que, para o cabo de cobre nu de 1,5 mm², a formação ideal que garante o desempenho elétrico exigido pela norma e menor massa ocorre da seguinte forma: na classe 5, o cabo deve ser formado por 24 fios elementares com diâmetro de 0,26 mm, totalizando uma massa de 11,5675 kg/km; na classe 4, a formação requer 11 fios de 0,38 mm, com massa de 11,3250 kg/km. Essas configurações representam a formação ideal para cabos de cobre nu de 1,5 mm².
Seguindo a mesma lógica, para o cabo de 2,5 mm² (Gráfico 4), a formação de encordoamento ideal na classe 5 é composta por 62 fios de 0,21 mm, resultando em massa de 19,4944 kg/km, enquanto na classe 4, o cabo deve apresentar 16 fios de 0,41 mm, com massa de 19,1764 kg/km. Essas configurações atendem aos requisitos normativos e otimizam o uso do cobre.
Gráfico 4: Formações Possíveis Para O Cabos 2,5 mm²

Fonte: Elaborado pelos próprios autores.
No caso do cabo de 4,0 mm² (Gráfico 5), a formação ideal na classe 5 apresenta 49 fios elementares de 0,30 mm, com massa total de 31,4426 kg/km; na classe 4, são necessários 18 fios de 0,49 mm para atingir a formação adequada.
Gráfico 5: Formações Possíveis Para Cabos 4,0 mm²

Fonte: Elaborado pelos próprios autores.
Para o cabo de 6,0 mm² (Gráfico 6), a classe 5 exige 115 fios elementares de 0,24 mm, totalizando 47,2281 kg/km, enquanto na classe 4, a formação ideal é composta por 34 fios de 0,44 mm, com massa de 46,9615 kg/km.
Gráfico 6: Formações Possíveis Para Cabos 6,0 mm²

Fonte: Elaborado pelos próprios autores.
Tabela 9: Formação de cabos ideias

Fonte: Elaborada pelos próprios autores.
A Tabela 9 apresenta, de forma resumida, as configurações ideais para cabos de cobre nu com bitolas de 1,5 mm² a 6,0 mm², servindo como referência para as normas NBR NM 2473:2002, NBR 7288:1994, NBR 7287:2009, NBR 7286:2001 e NBR 13248:2000 (ABNT, 2000, 2001, 2002, 2009, 1994). O objetivo é orientar a produção de cabos dentro dos padrões normativos, minimizando o uso de matéria-prima e garantindo segurança e desempenho elétrico máximo, conforme demonstrado na tabela.
5. CONCLUSÃO
A análise detalhada da ABNT NBR NM 280 possibilitou o levantamento de dados essenciais para a construção de planilhas de engenharia de produto, permitindo a avaliação da produção de cabos e fios elétricos de cobre sob a perspectiva de redução de custos. Esse estudo evidencia como identificar perdas evitáveis por meio de uma engenharia de produto bem definida, sem comprometer a qualidade exigida pelos órgãos de acreditação e pelo INMETRO.
No contexto da engenharia de produto, a revisão dos processos de fabricação contribui para otimizar o desempenho dos cabos e garantir a qualidade exigida pelos clientes. A apresentação de configurações ideais de cabos de cobre nu com seções transversais de 1,5 mm², 2,5 mm², 4,0 mm² e 6,0 mm² demonstra que é possível alinhar eficiência econômica à conformidade normativa. Este estudo fornece subsídios para produtores, destacando que 71% dos fabricantes não conformes podem alcançar produção de qualidade e econômica, evitando riscos ao consumidor decorrentes do uso de materiais inadequados ou bimetálicos, que apresentam condutividade reduzida e alta resistência elétrica, problemas frequentes no setor.
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CABOS ELÉTRICOS. Fios e cabos em xeque. Revista O Setor Elétrico, Santa Cecília, SP, ano 9, ed. 108, p. 80-94, jan. 2015.
1Discente do Curso Superior de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Piauí Campus Teresina email: alessiodelucas31@hotmail.com
2Discente do Curso Superior de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Piauí Campus Teresina email: kaiotorres@live.com
3Discente do Curso Superior de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Piauí. Campus Petrônio Portela. e-mail: ruangabrielf.rg@gmail.com
