ANÁLISE DA CORRELAÇÃO ENTRE O PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E CONDUTAS TERAPÊUTICAS NO MANEJO DA BRONQUIOLITE NA POPULAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO-BA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510281830


Vinicius José Grangeiro Sampaio1; Carlos Alberto Araújo Ferreira1; João Celio Coelho Ferreira dos Santos1; Kamilly Costa Cunha1; Luan de Melo Rocha1; Maria Clara de Sá Carvalho1; Maria Clara Rocha de Sousa1; Millena Diniz Souza de Oliveira1; Pedro Victor Coimbra de Menezes Carvalho1; Jorge Messias Leal do Nascimento2,1


RESUMO

A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é uma síndrome das vias aéreas inferiores com uma alta  frequência em crianças menores de 2 anos, principalmente abaixo dos 6 meses. Sendo o  principal agente etiológico o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A prevalência da doença varia  de acordo com fatores geográficos, socioeconômicos e ambientais. Este estudo analisou a  ocorrência de bronquiolite no município de Juazeiro (BA) e associação entre dados  epidemiológicos e condutas terapêuticas. Foram analisados todos os casos de bronquiolite  registrados no município de Juazeiro (Bahia) entre os anos de 2020 e 2025; por meio de  informações registradas no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Entre  2020 e 2025, foram registradas 382 internações por bronquiolite viral aguda (BVA), com  predomínio em lactentes, especialmente neonatos. Observou-se aumento expressivo a partir de  2023 (131 casos), mantendo-se elevados em 2024 (121) e 2025, sendo maio o mês de maior incidência. O sexo masculino foi mais afetado a partir de 2021 e a raça/cor parda representou  cerca de 92% dos casos. Destaca-se maior tempo médio de internação em crianças de 5 a 9 anos  e maior mortalidade em neonatos (86%). O padrão local acompanha a tendência estadual, com  exceção da queda nas internações em 1 a 4 anos. O presente estudo tem como objetivo investigar  o manejo da bronquiolite, analisando a correlação entre o perfil epidemiológico da doença e as estratégias terapêuticas adotadas, visando o fortalecimento de políticas públicas voltadas à  prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado da bronquiolite viral aguda.

Palavras-chaves: Bronquiolite viral aguda, epidemiologia, prevenção, tratamento

ABSTRACT 

Acute Viral Bronchiolitis (AVB) is a lower airway syndrome with a high frequency in children  under 2 years of age, especially under 6 months. The main etiological agent is Respiratory  Syncytial Virus (RSV). The prevalence of the disease varies according to geographic,  socioeconomic, and environmental factors. This study analyzed the occurrence of bronchiolitis  in the city of Juazeiro, Bahia, and the association between epidemiological data and therapeutic  approaches. All cases of bronchiolitis registered in the city of Juazeiro, Bahia, between 2020  and 2025 were analyzed using information recorded in the SUS Hospital Information System  (SIH/SUS). Between 2020 and 2025, 382 hospitalizations for acute viral bronchiolitis (AVB)  were recorded, with a predominance in infants, especially neonates. A significant increase was  observed starting in 2023 (131 cases), remaining high in 2024 (121) and 2025, with May being the month with the highest incidence. Males were more affected starting in 2021, and mixed  race/skin color accounted for approximately 92% of cases. Noteworthy is the longer average  hospitalization length for children aged 5 to 9 years and higher mortality among newborns  (86%). The local pattern follows the statewide trend, with the exception of a decrease in  hospitalizations in children aged 1 to 4 years. This study aims to investigate the management  of bronchiolitis, analyzing the correlation between the epidemiological profile of the disease  and the therapeutic strategies adopted, aiming to strengthen public policies aimed at prevention,  early diagnosis, and appropriate management of acute viral bronchiolitis. 

Keywords: Acute viral bronchiolitis, epidemiology, prevention, treatment.

1. INTRODUÇÃO 

A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é uma síndrome das vias aéreas inferiores com uma  alta frequência em crianças menores de 2 anos (lactentes), especialmente em menores de 6  meses (Almeida et al., 2024). O principal agente etiológico é o Vírus Sincicial Respiratório  (VSR) sendo o tipo A mais frequente que o tipo B, e pode levar a um quadro que ameaça a vida  do lactente, principalmente na presença de fatores de riscos associados, tais quais  prematuridade, idade jovem e comorbidades (Ciapponi et al., 2024). 

A prevalência da doença varia de acordo com fatores geográficos, socioeconômicos e  ambientais. Em países em desenvolvimento, a incidência é geralmente maior devido às  condições de moradia, acesso a serviços de saúde e saneamento. Ademais, a bronquiolite tem  um padrão de sazonalidade com maior ocorrência entre março e julho (OMS, 2022). 

No Brasil, a incidência estimada de bronquiolite é de 103 por 10000 nascidos vivos no  período de 2000 a 2019. Sendo a incidência no Nordeste no mesmo período de 62 por 10000  nascidos vivos. Já na Bahia, a exponencialidade de notificações a coloca na liderança de estados  da Região Nordeste com menor registro de hospitalização pela doença. Em 2022, o estado  baiano registrou 4869 casos, enquanto 2023 apresentou uma alta de 6771 internações (Pereira et al., 2023). 

O processo fisiopatológico envolve necrose do epitélio respiratório, acúmulo de muco,  edema e broncoconstrição, levando à obstrução brônquica. Isso resulta em hiperinsuflação  pulmonar, atelectasias e prejuízo da troca gasosa. Essas alterações culminam em sintomas como  sibilância, taquipneia e esforço respiratório aumentado (García Cervantes; Tirado Mendoza;  Ambrosio, 2018). 

Apesar do quadro clínico, a bronquiolite viral aguda (BVA) tende a ser uma doença  autolimitada, levando em consideração a piora dos sintomas nos primeiros 5 dias do quadro da  doença infecciosa e após esse estágio, ocorre uma melhora gradual (Andrade et al., 2024).  Contudo, seu período de incubação varia de 2 a 8 dias e a sua transmissibilidade tem início 48h  antes da abertura dos sintomas, postergando-se até a melhora clínica (Meissner, 2016).

Embora classicamente descrita como uma doença pulmonar, a infecção pelo vírus  sincicial respiratório (VSR) também pode comprometer outros órgãos, afetando, em ordem de  frequência, os sistemas cardiovascular, neurológico, endócrino e hepático (Gkentzi, Dmitriou,  Karatza, 2018). 

O diagnóstico da bronquiolite é clínico, dispensando a necessidade de exames  complementares na maioria dos casos. A anamnese é composta de informações acerca da  alimentação, ingestão de líquidos, histórico de apneia, letargia ou algum tipo de desconforto  respiratório, como, batimento de asa de nariz, taquipneia e retrações; além disso, o exame físico  deve conter a ausculta respiratória e aferição da saturação arterial de oxigênio (SaO2) para  avaliação inicial (Brandão et al., 2017). 

Em algumas situações, pode-se solicitar exames como radiografia de tórax, hemograma,  oximetria de pulso e gasometria podem ser úteis em casos graves. Com uma maior especificidade, a imunofluorescência indireta (IFI) pode ser realizada nas primeiras 72 horas  para identificação viral (Sociedade Argentina de Pediatria, 2021).  

O tratamento para bronquiolite em crianças é predominantemente de suporte, em que se  prioriza aliviar os sintomas e monitorar a evolução do quadro clínico, sendo a reavaliação  clínica um dos componentes mais importantes na detecção da deterioração respiratória  (Caballero et al., 2017).  

A oxigenoterapia pode ser instituída se saturação de O2 < 92% persistentemente, por  meio de dispositivos como cânula nasal convencional, máscaras, tenda ou cânula nasal de alto  fluxo, a depender da necessidade e gravidade do quadro, de modo que se assegure níveis  adequados de oxigenação (Herter, 2023). 

Ademais, é identificada a importância da oferta hídrica, priorizando a via oral, que deve  ser realizada para evitar desidratação, devendo-se haver a monitorização rigorosa para que se  evite sobrecarga com congestão pulmonar subsequente. O suporte nutricional, principalmente  em lactentes com dificuldade respiratória, é outra medida prioritária no manejo da bronquiolite  (Asseri, 2025). 

Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo investigar o manejo da bronquiolite,  analisando a correlação entre o perfil epidemiológico da doença e as estratégias terapêuticas  adotadas, a fim de identificar padrões e propor melhorias no tratamento e prevenção da  bronquiolite no município de Juazeiro-BA.

2. MATERIAL E MÉTODOS 

O presente trabalho caracteriza-se como um estudo epidemiológico observacional tendo  em vista que o pesquisador não interfere nas variáveis analisadas; por utilizar dados referentes  a internações já ocorridas é caracterizado como um estudo retrospectivo (Medronho et al.,  2025).  

Trata-se também de um estudo descritivo, cujo objetivo é identificar e caracterizar a  distribuição dos agravos segundo tempo, lugar e pessoa, sem estabelecer relações causais, além  disso, por agregar informações por variáveis populacionais, enquadra-se como um estudo  ecológico (Rouquayrol; Silva, 2018). 

A pesquisa em questão consiste em investigar internações por bronquite e bronquiolite  aguda em crianças de até 9 anos no município de Juazeiro-BA, sendo feita uma comparação  com os dados do estado da Bahia, abrangendo o período de janeiro de 2020 a julho de 2025.  

A coleta de dados foi realizada em setembro de 2025, utilizando o Sistema de  Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) por meio da plataforma do Departamento de  Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), sendo selecionado os dados por local de  residência. 

Para elaboração do perfil epidemiológico, os dados foram restringidos ao município de  Juazeiro, ao capítulo do CID-10 “X. Doenças do aparelho respiratório” e à lista de morbidade  “bronquite aguda e bronquiolite aguda”. As variáveis selecionadas foram ano de atendimento,  faixa etária, sexo, cor/raça, média de permanência e óbitos. 

Os dados coletados foram analisados e tabulados no software Excel 2024 sendo os  resultados apresentados em tabelas e gráficos gerados no Word 2024. Além disso, esses  resultados foram comparados com as literaturas relevantes para discussão 

Por tratar-se de um banco de dados de domínio público, este estudo não necessitou de  submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme as diretrizes estabelecidas pela Resolução  nº 510/2016.

3. RESULTADOS 

No ano de 2020, o município de Juazeiro-BA registrou um total de sete internações  hospitalares em crianças diagnosticadas com bronquiolite viral aguda (BVA), evidenciando a  relevância clínica da doença mesmo em um período marcado por menor circulação de infecções  respiratórias devido ao contexto da pandemia de COVID-19.  

A análise do perfil etário demonstrou que todos os casos ocorreram em lactentes com  idade inferior a 1 ano. No ano seguinte, 2021, foi tido um total de 26 casos, com pico no mês  de agosto (7 casos). 2022 manteve um quadro semelhante, com 28 casos e pico em março,  porém em 2023 foi observado um aumento relevante para 131 internações, havendo recorde no  mês de maio com 42 casos.  

Em 2024 manteve números semelhantes, 121 ao ano, com maior número novamente  em maio (29). No corrente ano de 2025, maio se mostra mais uma vez como período de maior  relevância, registrando 32 casos. Em todo o período observado, os neonatos foram a faixa etária  mais afetada, e não houve registro de casos entre a faixa etária de 1 a 4 anos.

Figura 1 – Gráfico de internações baseado em idade

Na figura 1, é possível observar um gráfico que analisa todas as 382 internações por  BVA em Juazeiro, segundo o DATASUS, separando por meses ao longo do período analisado  (2020 a 2025).

Quadro 1 – Quadro de internações baseado em idade

O quadro 1 permite uma análise baseada no quantitativo anual de cada faixa etária,  utilizando assim dados numéricos brutos e simplificados. 

No que tange ao perfil demográfico relacionado ao sexo, baseando-se nas evidências da  figura 2 e do quadro 2, verificou-se um predomínio do sexo masculino a partir de 2021, havendo  poucos momentos em que o sexo feminino se sobrepôs, como em maio de 2023, no qual foram  23 casos femininos, contra 19 masculinos. O padrão demonstrado nos últimos 2 anos, torna  evidente que as crianças masculinas têm sido o maior alvo da patologia, tornando assim  relevante observar mais para entender o motivo e planejar uma política preventiva.

Figura 2 – Gráfico de internações baseado em sexo

Quadro 2 – Quadro de internações baseado em sexo

Em relação à variável raça/cor, foi evidenciada a clara maior incidência patológica em  pardos, os quais representam cerca de 91,8% (aproximadamente 92%) dos que sofrem  internações. Em seguida, estão aqueles que por algum motivo não foram informados no tocante  a esse critério. Outro fato relevante é a ausência de casos em crianças amarelas e indígenas, o  qual deve ser estudado para entender quais fatores levam a isso.

Figura 3 – Gráfico de internações baseado em raça/cor

Figura 4 – Gráfico pizza de internações baseado em raça/cor

Quanto ao tempo de permanência, é possível observar que pacientes entre 5 e 9 anos  demonstraram os maiores valores de média, como notado em julho de 2023 e abril de 2024,  esse último marcando 17 dias no total. Além disso, no tocante à média total, o maior valor foi  percebido em outubro de 2022, além disso, é perceptível que, após uma baixa temporária, os valores voltaram a subir no ano de 2025, o que pode significar um fator preocupante e que  merece atenção. O quadro 3 demonstra os dados brutos acerca do ponto quando analisado  anualmente.

Figura 5 – Gráfico de permanência em internações

Quadro 3 – Quadro acerca do tempo de permanência em internações

No tocante aos óbitos no período, o quadro 4 demonstra os números obtidos nesse  quesito e categoriza os dados segundo a faixa etária, o que demonstra uma mortalidade maior  nos neonatos, os quais equivalem a cerca de 86% no total colhido no período.

Quadro 4 – Quadro sobre óbitos por BVA por faixa etária

Por fim, ao analisar o paradigma da cidade de Juazeiro e comparar ao cenário estadual,  é notório que o município de Juazeiro acompanha a tendência do estado da Bahia, havendo  apenas a ressalva de houve uma queda relevante no número de internações em crianças de 1 a  4 anos, diferente do estado, o qual manteve números semelhantes ao ano anterior, conforme o  comparativo entre as figuras 6 e 7.

Figura 6 – Gráfico de internações anuais por idade no estado da Bahia

Figura 7 – Gráfico de internações anuais por idade na cidade de Juazeiro-BA

4. DISCUSSÃO 

A bronquiolite viral aguda (BVA) configura-se como uma das principais causas de  internação em lactentes no mundo, sendo considerada um problema de saúde pública pela sua  alta morbidade, risco de complicações respiratórias graves e custos hospitalares associados  (Prado e Novais, 2025).  

De acordo com dados disponíveis no SINAN/DATASUS, em Juazeiro-BA, entre 2020  e 2025, observou-se um total de 382 internações por bronquiolite, o que demonstra a relevância  da doença no município. Esse achado está em consonância com estudos nacionais que apontam  o VSR como o principal responsável por internações em menores de 2 anos, principalmente em  lactentes abaixo de 6 meses (Santos et al., 2025). 

No que se refere à distribuição temporal dos casos, os dados de Juazeiro mostram um  crescimento expressivo de internações entre 2020 e 2023, com um salto de 7 casos em 2020  para 131 em 2023. Esse padrão acompanha a tendência observada em diversas regiões do Brasil  e do mundo durante e após a pandemia de COVID-19. Estudos apontam que, em 2020 e 2021,  houve uma queda acentuada nos registros de bronquiolite devido às medidas de distanciamento social, uso de máscaras e fechamento de creches e escolas, o que reduziu a circulação do VSR  e outros vírus respiratórios (Correia et al., 2024). 

A série temporal de casos de bronquiolite entre 2020 e 2025 aponta para um padrão  sazonal bem marcado, onde os casos tendem a emergir a partir de março-abril, atingindo picos  nos meses de maio e junho, com possível extensão para julho ou agosto, e declínio nos meses  seguintes. Esse padrão observacional está em consonância com evidências no Brasil e no  Hemisfério Sul, segundo as quais a bronquiolite predomina entre abril e setembro, com pico  nos meses frios (junho – julho) (Paiva et al., 2021). 

Um estudo nacional de hospitalizações por bronquiolite demonstrou que, durante o  período pré-COVID, ocorria sazonalidade bem definida, a qual foi interrompida entre 2020 e  2021 pelas medidas de controle da COVID-19, mas que retornou em 2022 com pico em maio,  inclusive superior ao pico pré-pandemia (Friedrich et al., 2025). Isso sugere que o padrão  sazonal de bronquiolite está fortemente vinculado à circulação do vírus sincicial respiratório,  cujas infecções aumentam nos meses frios e de transição climática. Sendo que, em regiões  tropicais, surtos fora da estação não são incomuns, especialmente após períodos de baixa  exposição imunológica acumulada (Freitas e Donalisio, 2016).  

Em Juazeiro, o número baixo de casos de internação em 2020 (n=7) e 2021 (n=26)  confirma esse impacto. Entretanto, a retomada das atividades presenciais a partir de 2022  coincide com o aumento das notificações, culminando em um pico em 2023. O fenômeno de  “rebote epidemiológico” também foi descrito em diferentes países após o relaxamento das  medidas de controle da COVID-19, sendo interpretado como resultado de uma população  infantil mais suscetível, já que muitos lactentes não tiveram contato prévio com o VSR nos dois  primeiros anos de vida, favorecendo surtos mais intensos e até com maior gravidade clínica  (Boccard et al., 2024). 

A análise por faixa etária reforça o perfil epidemiológico clássico da bronquiolite. Em  Juazeiro, crianças menores de 1 ano concentraram 341 das 382 internações (89,2%), enquanto  o grupo de 1 a 4 anos somam 54 internações (14,1%) e o de 4 a 9 anos apenas 7 (1,8%). Esses  resultados estão de acordo com a literatura, que identifica os lactentes, especialmente entre 2 e  6 meses de idade, como os mais vulneráveis devido à imaturidade imunológica e ao calibre  reduzido das vias aéreas (Wollmeister et al., 2017). Em comparação, um estudo nacional que  analisou hospitalizações no Brasil entre 2000 e 2019 também encontrou maior concentração de  casos em menores de 1 ano, confirmando que a idade é o principal fator de risco para evolução  grave e necessidade de suporte hospitalar (Pereira et al., 2022).

Em relação ao gênero mais acometido pela doença, verificou-se que o sexo masculino  apresentou maior predominância no município, correspondendo a 62% dos documentados. Esse  padrão também é descrito na literatura, embora os fatores associados a essa característica ainda  não estejam esclarecidos (Souza et al., 2016). Além da maior taxa de internação, observa-se  que os pacientes do sexo masculino representam igualmente a maioria dos casos que necessitam  de intervenções mais invasivas, como o uso de ventilação mecânica (Ferlini et al., 2016). 

Os dados referentes ao município de Juazeiro, Bahia, evidenciam uma predominância  expressiva de casos de bronquiolite viral aguda (BVA) em pacientes autodeclarados pardos,  que corresponderam a 91,8% dos registros no período de 2020 a 2025. Esse percentual mostra-se superior à proporção populacional observada no Censo de 2022 do IBGE, segundo o qual a  população do interior da Bahia era composta por 61,3% de indivíduos pardos. 

Entre 2020 e 2025, a média de permanência hospitalar por bronquiolite viral aguda  apresentou variações anuais, partindo de 2,5 dias em 2020, alcançando 5,1 dias em 2023,  atingindo o pico de 12 dias em 2024 e reduzindo para 4,7 dias em 2025. Apesar dessas  oscilações, a maior parte do período analisado manteve valores superiores a três dias, resultado  compatível com o estudo de Prado e Novais (2025), que identificou média de 3,1 dias de  internação por BVA na região Nordeste, considerada a maior do país. 

Um aspecto relevante identificado na presente coleta de dados é que as crianças entre 4 e 9 anos apresentaram tempo médio de internação superior ao das crianças mais novas. Esse  resultado, entretanto, contrasta com a tendência descrita na literatura, segundo a qual a  gravidade clínica e o tempo de internação costumam ser inversamente proporcionais à idade  (Alvarez et al., 2013). 

Considerando os dados apresentados, a conclusão de perfis epidemiológicos analisados  dos anos de 2020 até 2025, demonstrou uma prevalência nas internações por bronquiolite aguda  para crianças menores que 1 ano de idade do sexo masculino. Houve correlação com a literatura,  onde os casos de bronquiolite aguda em lactentes foram causados pelo vírus da família  Paramyxoviridae, incluindo o vírus sincicial respiratório humano (VSR) (Souza et al., 2016).  

Dentre as limitações apresentadas no estudo, inclui-se a obtenção de dados através de  informações secundárias pelo SIH/SUS, considerando que os resultados das internações são  também apenas de casos realizados pelo SUS, dificultando a cobertura de informações de toda  a população brasileira, além de se tratar de um sistema de informação público existe a limitação  de ausência de possibilidade de determinar relações de causalidade. 

Em suma, considerando as implicações presentes, recomenda-se um registro de dados  mais amplo, para que possa haver informações abrangentes da população brasileira. Torna-se  necessário também, a realização de políticas públicas voltadas aos fatores prevalentes da  pesquisa, visando a redução dos números das internações dessas crianças. 

5. CONCLUSÃO 

Conclui-se, portanto, que a bronquiolite viral aguda (BVA) representa um importante  problema de saúde pública em Juazeiro-BA, com maior incidência em lactentes do sexo  masculino e da cor parda, especialmente em menores de 1 ano.  

Foi observado um aumento expressivo das internações a partir de 2023, fortalecendo  um padrão sazonal entre os meses de março e julho. O tempo de internação foi mais elevado  nas crianças de 5 a 9 anos, enquanto a mortalidade foi predominante em neonatos.  

A distribuição epidemiológica local mostrou-se semelhante ao padrão estadual,  reforçando a necessidade de medidas preventivas e políticas públicas voltadas à vigilância,  diagnóstico precoce e manejo adequado da doença.  

Dessa forma, a compreensão desses fatores é essencial para o aprimoramento das  estratégias terapêuticas voltadas ao perfil epidemiológico mais vulnerável, evidenciando a  necessidade de intervenções direcionadas a esses grupos e de medidas que reduzam a  morbimortalidade infantil por bronquiolite.

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1Discentes do curso de medicina da Faculdade Estácio IDOMED Juazeiro-BA. E-mail:  viniciusamp29@gmail.com

2Docente do curso de medicina da Faculdade Estácio IDOMED Juazeiro-BA. E-mail: nascimento.jorge@estacio.br