ANÁLISE DA AÇÃO DO TRIKAFTA NAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA FIBROSE CÍSTICA E SEUS EFEITOS ADVERSOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

ANALYSIS OF THE ACTION OF TRIKAFTA ON THE CLINICAL MANIFESTATIONS OF CYSTIC FIBROSIS AND ITS ADVERSE EFFECTS: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511302113


Catherine Freitas Vidal1; Elisama de Oliveira Silva2; Ester Hadassa Araújo dos Santos3; Gaby Botelho Campos Silva4; Fábio Coutinho Andrade5; Kleber Alves Gomes6


Resumo

Objetivo: O estudo tem como objetivo analisar a eficácia clínica e a segurança do uso do Trikafta (elexacaftor/tezacaftor/ivacaftor) no tratamento da fibrose cística, destacando seu impacto clínico e efeitos adversos. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Utilizaram-se os descritores “fibrose cística”, “Trikafta”, “moduladores de CFTR”, “elexacaftor”, “tezacaftor” e “ivacaftor”, combinados pelos operadores booleanos “AND” e “OR”. Foram incluídos artigos publicados entre 2018 e 2025, em português, inglês e espanhol, com texto completo disponível e revisão por pares. A amostra final foi composta por vinte artigos selecionados após leitura integral e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Resultados e Discussões: Os estudos analisados evidenciam que o uso do Trikafta promove melhora significativa da função pulmonar, aumento do volume expiratório forçado (VEF₁) e redução do cloreto no suor, refletindo em menor número de exacerbações e internações. Observou-se também melhora do estado nutricional e da composição corporal, além de impacto positivo sobre a microbiota intestinal e parâmetros metabólicos. Quanto à segurança, os efeitos adversos relatados foram majoritariamente leves e autolimitados, envolvendo alterações hepáticas e cutâneas. Apesar dos benefícios clínicos expressivos, os autores destacam a necessidade de estudos longitudinais que avaliem efeitos metabólicos e hepáticos em longo prazo. Considerações Finais: Conclui-se que o Trikafta representa um avanço substancial no tratamento da fibrose cística, redefinindo o paradigma terapêutico da doença. A terapia demonstra benefícios multidimensionais e duradouros, contribuindo para maior sobrevida, melhor qualidade de vida e ampliação das perspectivas clínicas dos pacientes, embora ainda exija monitoramento contínuo e investigações futuras sobre segurança e custo-efetividade.

Palavras-chave: Fibrose cística; Trikafta; Moduladores de CFTR; Elexacaftor; Tezacaftor; Ivacaftor.

Abstract

Objective: The study aims to analyze the clinical efficacy and safety of Trikafta (elexacaftor/tezacaftor/ivacaftor) in the treatment of cystic fibrosis, highlighting its impact on pulmonary function, nutritional status, and patients’ quality of life, as well as discussing its extrapulmonary effects and potential therapeutic limitations.Methods: This is an integrative literature review conducted between September 2024 and February 2025 in the PubMed, SciELO, and Virtual Health Library (BVS) databases. The descriptors “cystic fibrosis,” “Trikafta,” “CFTR modulators,” “elexacaftor,” “tezacaftor,” and “ivacaftor” were used, combined with the Boolean operators “AND” and “OR.” Articles published between 2018 and 2025, in Portuguese, English, and Spanish, with full- text availability and peer review, were included. The final sample consisted of nine articles selected after a full-text reading and application of inclusion and exclusion criteria. Results and Discussion: The analyzed studies show that Trikafta use promotes significant improvement in pulmonary function, increases in forced expiratory volume (FEV₁), and reduction in sweat chloride levels, resulting in fewer exacerbations and hospitalizations. Improvements in nutritional status and body composition were also observed, along with positive effects on gut microbiota and metabolic parameters. Regarding safety, most reported adverse events were mild and self-limiting, involving hepatic and cutaneous changes. Despite these notable clinical benefits, the authors emphasize the need for longitudinal studies assessing long-term metabolic and hepatic effects. Final Considerations: It is concluded that Trikafta represents a substantial breakthrough in cystic fibrosis treatment, redefining the therapeutic paradigm of thedisease. The therapy demonstrates multidimensional and lasting benefits, contributing to increased survival, improved quality of life, and expanded clinical perspectives for patients, while still requiring continuous monitoring and further research on safety and cost-effectiveness.

Keywords: Cystic fibrosis; Trikafta; CFTR modulators; Elexacaftor; Tezacaftor; Ivacaftor.

1 INTRODUÇÃO

A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente os sistemas respiratório e gastrointestinal, caracterizando-se pela produção de secreções espessas e viscosas devido à disfunção das glândulas exócrinas (De Boeck & Amaral, 2020). Resulta de mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), localizado no cromossomo 7, responsável pela codificação de uma proteína que regula o transporte de íons cloreto e bicarbonato através das membranas epiteliais. A deficiência dessa proteína compromete a hidratação do muco, levando à obstrução de dutos e inflamação crônica (Mall, Mayer-Hamblett & Rowe, 2021). Estima-se que mais de 100 mil pessoas no mundo convivam com a fibrose cística, sendo a doença mais prevalente entre caucasianos da América do Norte e da Europa (Bell et al., 2020). No Brasil, o Registro Brasileiro de Fibrose Cística (REBRAFC) contabiliza cerca de 4 mil pacientes, com a mutação F508del presente em mais de 40% dos casos (REBRAFC, 2023). A sobrevida média nacional, entre 22 e 24 anos, permanece inferior à observada em países desenvolvidos, refletindo desigualdades no acesso a diagnóstico precoce e tratamento especializado (Silva et al., 2024).

Os avanços da biologia molecular possibilitaram o desenvolvimento de moduladores da proteína CFTR, capazes de corrigir parcialmente o defeito funcional da proteína mutante. Entre eles, destaca-se o Trikafta®, combinação tripla de elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, considerada um marco terapêutico por atuar diretamente sobre a disfunção da CFTR (Heijerman et al., 2019). Aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 2019, pela European Medicines Agency (EMA) em 2020 e incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024 (Ministério da Saúde, 2024), o medicamento representa importante avanço no manejo da doença. O elexacaftor e o tezacaftor funcionam como corretores da CFTR, promovendo seu adequado enovelamento e transporte até a membrana celular, enquanto o ivacaftor atua como potenciador, aumentando a abertura do canal iônico e o fluxo de cloreto (Keating et al., 2018). Essa combinação promove melhora significativa da função pulmonar, ganho nutricional e redução das exacerbações respiratórias (Middleton et al., 2019).

Apesar dos benefícios clínicos expressivos, estudos relatam efeitos adversos, como elevação das enzimas hepáticas, cefaleia, náuseas, erupções cutâneas e fadiga, além de incertezas quanto à segurança do uso prolongado, resposta terapêutica em mutações raras e relação custo-efetividade em países de média renda (Daines et al., 2023; Griese et al., 2021). Essas lacunas evidenciam a necessidade de análises mais aprofundadas sobre a eficácia e segurança do Trikafta®, de modo a embasar decisões clínicas e políticas de saúde. Assim, o problema que orienta este estudo é: quais são os principais efeitos clínicos, benefícios e eventos adversos associados ao uso do Trikafta® em pacientes com fibrose cística, segundo as evidências científicas atuais? A resposta a essa questão é essencial para compreender o impacto real da terapia tripla sobre a evolução clínica da doença, fornecendo subsídios que favoreçam o uso racional e seguro do medicamento (Ratjen et al., 2022).

A fibrose cística é uma doença crônica e multissistêmica, marcada por alta morbimortalidade e relevante impacto funcional sobre os sistemas respiratório e digestivo. Embora os avanços terapêuticos tenham melhorado o prognóstico, a doença ainda representa importante desafio clínico e social, sobretudo em países com recursos limitados (Heijerman et al., 2019). O advento do Trikafta® revolucionou o tratamento ao atuar sobre a causa genética da doença, mas permanecem lacunas significativas acerca da segurança e dos efeitos adversos de seu uso prolongado, o que justifica a necessidade de estudos integrativos que sistematizem as evidências científicas (Keating et al., 2018).

Justifica-se, portanto, o desenvolvimento deste estudo pela necessidade de reunir e avaliar de forma abrangente as evidências atuais sobre a eficácia e segurança do Trikafta® em pacientes com fibrose cística, visando subsidiar decisões clínicas e terapêuticas baseadas em evidências. Além da relevância científica, o tema possui impacto social e econômico expressivo, pois a otimização do manejo clínico pode melhorar a sobrevida, reduzir hospitalizações e minimizar custos associados às complicações da doença (Griese et al., 2021). Assim, o presente trabalho busca contribuir para o fortalecimento da prática médica baseada em evidências, ampliando o entendimento acerca do perfil de benefício e risco da terapia tripla e orientando futuras pesquisas sobre sua aplicação em diferentes populações (Ratjen et al., 2022).

Dessa forma, o objetivo deste estudo é avaliar a eficácia, segurança e efeitos adversos do Trikafta® no tratamento de pacientes com fibrose cística. Especificamente, pretende-se analisar a ação do medicamento e seus protocolos de prescrição em diferentes contextos clínicos, considerando variações em posologia e regimes terapêuticos; identificar os efeitos adversos com base em evidências clínicas e farmacológicas, analisando a possível relação dose–resposta; e avaliar o impacto do tratamento na qualidade de vida dos pacientes com base em parâmetros clínicos e funcionais.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Modulação da proteína CFTR pela terapia Trikafta em pacientes com fibrose cística: análise da farmacodinâmica, posologia e protocolos clínicos

A fibrose cística é uma enfermidade genética autossômica recessiva decorrente de mutações no gene CFTR, cuja proteína regula o transporte de íons, especialmente cloreto, sendo essencial à homeostase das secreções epiteliais. A mutação F508del, predominante na população, compromete o enovelamento e o tráfego da CFTR, ocasionando secreções espessas, inflamação crônica e disfunção multissistêmica. A compreensão dessa fisiopatologia permitiu o desenvolvimento de terapias moduladoras que restauram parcialmente a função do canal de cloro, representando uma mudança paradigmática no manejo da doença (Keating et al., 2018; Veit et al., 2020).

A combinação elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor (ETI), comercialmente TRIKAFTA® ou KAFTRIO®, constitui o regime modulador mais eficaz disponível, atuando de forma sinérgica sobre diferentes defeitos da CFTR. O elexacaftor e tezacaftor funcionam como corretores de segunda geração, estabilizando a conformação proteica e favorecendo sua maturação até a membrana, enquanto ivacaftor potencializa a abertura do canal, promovendo o transporte iônico efetivo. Essa abordagem restaura até 60% da atividade do canal CFTR F508del, superando os resultados das terapias anteriores baseadas em monoterapia ou duplas de moduladores (Middleton et al., 2019; Fajac & De Boeck, 2017).

A aprovação regulatória do Trikafta® ocorreu progressivamente: a Food and Drug Administration (FDA) autorizou o uso em 2019 para pacientes a partir de 12 anos com pelo menos uma mutação F508del, seguida pela European Medicines Agency (EMA) em 2020 e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 2022. As expansões posteriores de faixa etária incluíram pacientes pediátricos, mediante comprovação de segurança e eficácia. Além das autorizações de uso, foram estabelecidos protocolos clínicos oficiais, que definem critérios de elegibilidade genética, esquemas posológicos por faixa etária e peso, e diretrizes de monitoramento laboratorial — especialmente da função hepática — conforme recomendações do FDA e da EMA. Esses protocolos orientam a prática clínica e garantem a segurança do tratamento, refletindo o reconhecimento internacional da eficácia e da segurança do Trikafta® em diferentes contextos regulatórios (European Medicines Agency, 2020).

Desde sua introdução, o TRIKAFTA® foi incorporado às recomendações de conduta terapêutica de instituições como a Cystic Fibrosis Foundation e o Institute for Clinical and Economic Review (ICER) que o posicionam como terapia de primeira linha para pacientes com mutações responsivas. Os relatórios técnicos e análises econômicas apontam relação custo-benefício favorável em comparação às terapias anteriores, embora sua implementação dependa de políticas de reembolso e disponibilidade regional. A adoção em larga escala reflete sua efetividade e impacto clínico global (Cystic Fibrosis Foundation, 2021).

O esquema posológico do Trikafta® varia conforme a idade e o peso do paciente, sendo administrado duas vezes ao dia, sempre com alimentos gordurosos para otimizar a absorção. Em indivíduos com 12 anos ou mais e peso igual ou superior a 30 kg, recomendam-se dois comprimidos matinais de Elexacaftor 100 mg, Tezacaftor 50 mg e Ivacaftor 75 mg, e um comprimido noturno de Ivacaftor 150 mg. Em crianças de 6 a 11 anos, aquelas com peso ≥30 kg seguem o mesmo regime, enquanto as com <30 kg utilizam dois comprimidos matinais de Elexacaftor 50 mg, Tezacaftor 25 mg e Ivacaftor 37,5 mg, além de um comprimido noturno de Ivacaftor 75 mg. Já em crianças de 2 a 5 anos, o medicamento é administrado em forma de granulado: as com peso <14 kg recebem pela manhã Elexacaftor 80 mg, Tezacaftor 40 mg e Ivacaftor 60 mg, e à noite Ivacaftor 59,5 mg; enquanto as ≥14 kg recebem Elexacaftor 100 mg, Tezacaftor 50 mg e Ivacaftor 75 mg pela manhã e Ivacaftor 75 mg à noite (EMA, 2020).

Na prática clínica, o ETI é associado a terapias de suporte, incluindo antibióticos para infecções pulmonares, mucolíticos, fisioterapia respiratória e enzimas pancreáticas. Essa integração terapêutica visa o controle global da doença e a manutenção da função pulmonar, reforçando que o TRIKAFTA® atua sobre a causa molecular da fibrose cística, enquanto as demais abordagens continuam essenciais para o manejo sintomático e a prevenção de complicações (Middleton et al., 2019; PMC, 2021).

A introdução dos moduladores CFTR redefine o paradigma terapêutico da fibrose cística, oferecendo ganhos expressivos em sobrevida, função pulmonar e qualidade de vida. A restauração parcial da função canalicular reflete não apenas correção molecular, mas melhora clínica tangível. A tendência futura inclui ampliar o acesso global e desenvolver moduladores de nova geração capazes de atender pacientes com mutações raras ainda não responsivas (Veit et al., 2020; Heijerman et al., 2019).

2.2 Efeitos adversos frequentes e graves do Trikafta: evidências clínicas e farmacológicas

Apesar de sua elevada eficácia clínica, o Trikafta está associado a efeitos adversos que demandam monitoramento rigoroso. Os eventos mais frequentemente relatados incluem cefaleia, náuseas, diarreia, erupções cutâneas, fadiga e elevação transitória das enzimas hepáticas. A hepatotoxicidade, geralmente leve a moderada, é um achado recorrente e justifica exames laboratoriais regulares, sobretudo em pacientes com histórico de disfunção hepática. Os ensaios clínicos de fase III indicaram que tais eventos ocorrem em até 10–15% dos pacientes, mas raramente levam à interrupção definitiva da terapia, reforçando a importância da vigilância clínica contínua (Barry et al., 2021).

O metabolismo dos três componentes do Trikafta elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor ocorre predominantemente no fígado por meio do sistema enzimático do citocromo P450, especialmente CYP3A4 e CYP3A5. Tal característica confere susceptibilidade elevada a interações medicamentosas com antifúngicos azólicos, anticonvulsivantes e imunossupressores, exigindo ajuste de dose ou contraindicação em insuficiência hepática moderada a grave. Essa dinâmica farmacocinética fundamenta a necessidade de abordagem multidisciplinar e acompanhamento individualizado para garantir segurança terapêutica (Durmowicz et al., 2022).

Os efeitos adversos mais graves, embora raros, incluem reações de hipersensibilidade, pancreatite aguda e elevações significativas de transaminases. Os casos isolados de lesão hepática grave reforçam a necessidade de monitorização laboratorial e avaliação clínica periódica. A maioria dos pacientes apresenta estabilização dos efeitos adversos após as primeiras semanas de uso, com manutenção do benefício terapêutico a longo prazo. A análise integrada de dados clínicos e farmacovigilância indica perfil de segurança favorável, inclusive em populações pediátricas e adultos com comorbidades (Ramsey et al., 2023).

A relação dose–resposta para eventos adversos ainda é pouco caracterizada, pois os estudos pivotais utilizaram esquemas fixos de dose. Entretanto, há plausibilidade farmacológica para associação entre maior exposição plasmática e risco de toxicidade, especialmente em presença de inibidores do CYP3A. Por isso, recomenda-se ajuste ou suspensão temporária em casos de elevação acentuada de ALT, AST ou bilirrubina. A padronização de protocolos de monitorização, incluindo avaliação basal e periódica de função hepática, contribui para comparabilidade entre serviços e redução de eventos adversos graves (FDA, 2019; PMC, 2021).

2.3 Impacto do Trikafta na qualidade de vida dos pacientes com fibrose cística: considerações clínicas

O regime combinado de elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor (ETI) promove melhorias expressivas em parâmetros clínicos fundamentais, como o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF₁), a concentração de cloreto no suor e os escores de qualidade de vida. Além disso, houve redução significativa das exacerbações respiratórias e melhora da função pulmonar global. Esses resultados foram consistentes em pacientes portadores de pelo menos uma cópia da mutação F508del, incluindo heterozigotos com mutações mínimas, grupo anteriormente sem opções terapêuticas específicas. Tais achados consolidaram o ETI como uma terapia modificadora da doença, capaz de alterar o curso natural da fibrose cística (Keating et al., 2018).

A qualidade de vida representa um indicador multidimensional que engloba o bem-estar físico, psicológico e social. No contexto da fibrose cística condição crônica e progressiva que afeta predominantemente o sistema respiratório esse aspecto assume relevância central, pois influencia diretamente a adesão ao tratamento, o manejo dos sintomas e a capacidade de enfrentamento dos desafios diários impostos pela doença (Duarte et al., 2022).

Os estudos clínicos mais recentes reforçam o impacto positivo do Trikafta sobre a função pulmonar, demonstrando um aumento médio de 15% no VEF₁ previsto, correspondendo a cerca de 500 mL adicionais de volume expiratório. Essa melhora reflete maior eficiência na troca gasosa, redução da inflamação crônica e menor frequência de exacerbações pulmonares. Como consequência, há melhora funcional duradoura, menor necessidade de hospitalizações e maior estabilidade clínica, resultando em prognóstico mais favorável a longo prazo (Lopes et al., 2023; Silva et al., 2024).

O benefício clínico do Trikafta estende-se também à dimensão funcional e social do paciente. A melhora do estado geral de saúde e da capacidade respiratória traduz-se em maior autonomia e desempenho nas atividades diárias, reduzindo o impacto físico e emocional da doença (Buniotto et al., 2025). Assim, o ETI representa um marco terapêutico não apenas por seus efeitos fisiológicos, mas também por promover ganhos concretos na qualidade de vida de pessoas com fibrose cística (Fajac et al., 2023).

3 METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica desenvolvida por meio de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem exploratória, tendo como tema central “A ação do Trikafta no tratamento da fibrose cística”. Para sua execução, foi seguido um protocolo estruturado, compreendendo as etapas de definição da questão de pesquisa, busca e seleção dos estudos, extração e análise dos dados. A pergunta norteadora foi elaborada com base na estratégia PICO, resultando na seguinte questão central: “Qual a eficácia e os impactos do uso de Trikafta no tratamento da fibrose cística?”. Assim, os componentes da estratégia foram definidos como: P (Pacientes) indivíduos com fibrose cística; I (Intervenção) uso do Trikafta; C (Comparação) pacientes sem uso do Trikafta; e O (Resultado) melhora da função pulmonar, qualidade de vida, parâmetros nutricionais e redução de exacerbações.

A coleta das evidências científicas foi conduzida por meio de uma busca sistematizada em bases de dados especializadas na área da saúde, incluindo PubMed (U.S. National Library of Medicine), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Os termos de busca foram elaborados a partir dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH), utilizando-se operadores booleanos (AND, OR) para otimizar a combinação entre os conceitos. Entre os descritores empregados estão: “fibrose cística”, “Trikafta”, “moduladores de CFTR”, “elexacaftor”, “tezacaftor”, “ivacaftor”, “efeitos adversos” e “qualidade de vida”. As combinações de busca incluirão expressões como “Trikafta AND fibrose cística”, “CFTR modulators AND adverse effects” e “Elexacaftor OR tezacaftor OR ivacaftor AND cystic fibrosis”, entre outras variações relevantes ao escopo da pesquisa.

Os critérios de inclusão contemplaram artigos científicos publicados entre 2018 e 2025, que abordaram a eficácia clínica, segurança, mecanismos de ação e implicações terapêuticas do uso do Trikafta e de seus componentes no tratamento da fibrose cística. Foram considerados estudos com dados sobre desfechos clínicos relevantes, como função pulmonar, sintomas sistêmicos, qualidade de vida, efeitos adversos e resposta terapêutica em pacientes portadores da mutação F508del no gene CFTR.

Foram incluídos ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões narrativas, revisões sistemáticas, metanálises, estudos de coorte, prospectivos e retrospectivos, redigidos em português, inglês ou espanhol, disponíveis em texto completo e publicados em periódicos revisados por pares. Já os critérios de exclusão incluíram publicações sobre moduladores de CFTR distintos do Trikafta, bem como estudos que não envolveram pacientes com diagnóstico confirmado de fibrose cística. Foram também desconsiderados relatos de caso, cartas ao editor, editoriais, resumos sem texto completo e publicações inacessíveis na íntegra.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a a busca nas diferentes bases de dados, foram identificados 600 registros inicialmente. Após a remoção de duplicatas, permaneceram 310 estudos para triagem por título e resumo. Desses, 230 artigos foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade previamente definidos. Foram então selecionados 80 artigos para leitura na íntegra, dos quais 60 foram excluídos após avaliação detalhada por não apresentarem dados compatíveis com os objetivos da revisão. Assim, a amostra final foi composta por 20 estudos que atenderam integralmente aos critérios de inclusão e que foram analisados qualitativamente, conforme apresentado no fluxograma PRISMA (Figura 1).

Figura 1 – Fluxograma da seleção dos artigos científicos incluídos no estudo.

Fonte: Autores (2025)

Após a identificação inicial dos artigos, foram analisados títulos e resumos conforme os critérios de inclusão, sendo os selecionados submetidos à leitura completa e à avaliação metodológica pela ferramenta Mixed Methods Appraisal Tool (MMAT), reconhecida por sua aplicabilidade em revisões integrativas com diferentes delineamentos. A análise dos dados foi conduzida de forma a identificar padrões, evidências clínicas e tendências terapêuticas sobre o uso do Trikafta em pacientes com fibrose cística, considerando eficácia, efeitos adversos, função pulmonar e qualidade de vida. A tabela 1 apresenta de forma sucinta os artigos incluídos na amostra final, sumarizando informações sobre o autor, ano, tipo de pesquisa e principais resultados.

Tabela 1 – Artigos selecionados para análise.

A análise integrada dos estudos selecionados evidencia de maneira sólida que o regime triplo elexacaftor/tezacaftor/ivacaftor (Trikafta) constitui um marco terapêutico decisivo no manejo da fibrose cística (FC), produzindo efeitos amplos e sustentados sobre a fisiopatologia da doença. Ensaios clínicos controlados, estudos observacionais de mundo real, revisões sistemáticas e metanálises convergem para demonstrar que a intervenção atua de forma abrangente, promovendo melhora respiratória, otimização do estado nutricional e repercussões metabólicas e sistêmicas relevantes. A consistência metodológica entre diferentes delineamentos reforça a robustez das evidências, ao mesmo tempo em que destaca a aplicabilidade do tratamento em diversos perfis clínicos e faixas etárias.

No campo da eficácia pulmonar, Perrotta et al. (2025) demonstram que o uso da terapia tripla promove ganhos precoces e sustentados da função pulmonar em populações pediátricas, inclusive em crianças de tenra idade. A redução significativa de patógenos respiratórios e a melhora clínica observada logo nas primeiras semanas sugerem que a modulação da CFTR não apenas reverte processos disfuncionais estabelecidos, mas também previne a progressão de danos estruturais. Esses achados reforçam a importância de iniciar a terapia o mais cedo possível, permitindo que o tratamento interfira positivamente na trajetória natural da doença.

Complementarmente, Marsh et al. (2024) demonstraram que o uso prolongado do Trikafta promove alterações benéficas na microbiota intestinal, aumentando a diversidade microbiana e aproximando o perfil dos pacientes de um padrão menos disbiótico. Embora a microbiota de indivíduos com FC permaneça diferente da de controles saudáveis, o tratamento favorece um reequilíbrio microbiano que pode repercutir sobre processos inflamatórios sistêmicos e metabolismo energético. Assim, os achados ampliam a compreensão dos benefícios terapêuticos, sugerindo que o ETI modula eixos fisiológicos integrados entre intestino, pulmão e sistema imunológico.

Em adultos, Lopes et al. (2023) observaram incremento expressivo do VEF₁, acompanhado de redução das concentrações de cloreto no suor e aumento significativo do IMC, indicando melhora simultânea da função CFTR, do estado nutricional e da inflamação crônica. Esses resultados demonstram que o regime triplo atua de forma sinérgica, melhorando tanto a troca gasosa quanto o balanço metabólico dos pacientes. A convergência desses desfechos reforça que o tratamento modifica a história natural da FC, reduzindo exacerbações, hospitalizações e comprometimento funcional progressivo.

No que se refere à segurança, Turner et al. (2024) identificaram, a partir de bancos de dados de farmacovigilância internacionais, que os principais eventos adversos associados ao uso do ETI são leves, predominantemente relacionados a alterações hepáticas e cutâneas. A reprodutibilidade desses achados em distintos contextos geográficos reforça a previsibilidade do perfil de segurança do medicamento. Entretanto, os autores ressaltam a necessidade de monitoramento laboratorial regular, especialmente durante os primeiros meses de tratamento, assegurando intervenção precoce em casos de alterações enzimáticas.

De modo semelhante, Marson et al. (2023) conduziram um acompanhamento longitudinal de cinco anos e corroboraram a boa tolerabilidade do tratamento no longo prazo. Os efeitos adversos mais frequentemente observados incluíram erupções cutâneas, sintomas gastrointestinais e alterações hepáticas leves, geralmente autolimitados e raramente resultando em interrupção permanente da terapia.

A extensão temporal desse estudo confere maior robustez às conclusões, demonstrando que o uso continuado do Trikafta mantém um perfil de segurança estável ao longo do tempo.

A população pediátrica também apresenta excelente tolerabilidade ao tratamento, conforme demonstrado por Terlizzi et al. (2024), que observaram que crianças e adolescentes experienciam eventos adversos semelhantes aos de adultos, com predominância de manifestações leves, especialmente cutâneas e hepáticas. Geralmente, o manejo inclui ajuste temporário de dose, o que reforça que o ETI pode ser introduzido precocemente com segurança. Considerando a natureza progressiva da FC, a possibilidade de intervenção precoce é particularmente relevante, uma vez que reduz o acúmulo de danos irreversíveis ao longo do crescimento.

Os benefícios extrapulmonares do regime triplo também foram amplamente destacados na literatura. Gur et al. (2022) reportaram que o tratamento influencia positivamente a densidade óssea, a composição corporal e a capacidade ao exercício, expandindo a compreensão de que a CFTR funcional exerce papel central em múltiplos tecidos. Embora se trate de um estudo piloto, os achados sugerem que a correção molecular da proteína CFTR reverbera em processos metabólicos e hormonais, abrindo novas perspectivas para o manejo multidimensional da doença.

Corroborando esses resultados, Westhölter et al. (2024) identificaram mudanças marcantes na distribuição de gordura corporal e em parâmetros musculares entre adultos em uso do ETI, sinalizando efeitos metabólicos consistentes. Considerando que a composição corporal inadequada historicamente representa marcador prognóstico negativo na FC, tais achados reforçam que o tratamento contribui para a reestruturação fisiológica global dos pacientes. Esses efeitos podem influenciar diretamente a capacidade funcional, a longevidade e o risco de complicações crônicas.

Por outro lado, Lonabaugh et al. (2023) observaram aumento dos níveis de colesterol após o início da terapia, ressaltando a necessidade de vigilância cardiometabólica no seguimento clínico. Embora o aumento lipídico não represente, por si só, contraindicação ao uso do ETI, esses dados apontam para a importância de abordagem individualizada, especialmente em pacientes adultos com fatores de risco cardiovascular. Assim, o tratamento exige um seguimento integrado, envolvendo pneumologistas, nutricionistas e clínicos gerais.

Os ensaios clínicos randomizados conduzidos por Mall et al. (2022) e Middleton et al. (2019) reforçam a eficácia e segurança do regime triplo em diferentes genótipos e faixas etárias. Ambos os estudos evidenciaram melhora substancial da função pulmonar, da função do CFTR e dos desfechos de qualidade de vida em pacientes com mutação F508del, incluindo aqueles com uma mutação de função mínima — grupo historicamente com resposta limitada a moduladores anteriores. Esses resultados consolidam o ETI como padrão terapêutico internacional, redefinindo o prognóstico da doença.

Segundo, Kos et al. (2022) o Trikafta mantém sua eficácia mesmo em pacientes com doença pulmonar avançada, reduzindo exacerbações, internações e melhorando composição corporal. Esses achados ampliam significativamente o espectro de aplicabilidade do tratamento, demonstrando que ele não se limita a casos leves ou moderados. Assim, o conjunto das evidências reafirma que o ETI representa uma intervenção transformadora, com impacto clínico profundo e sustentado, beneficiando desde crianças pequenas até adultos com doença avançada.

Por fim, a análise integrativa dos estudos sugere que o Trikafta é uma terapia transformadora, com benefícios multidimensionais e duradouros. Entretanto, os autores alertam para a necessidade de monitoramento contínuo dos efeitos hepáticos e metabólicos, bem como de estudos de longo prazo que avaliem o impacto da terapia em diferentes contextos populacionais. Em síntese, as evidências apontam que o uso do Trikafta redefine o paradigma terapêutico da fibrose cística, representando um avanço substancial tanto na sobrevida quanto na qualidade de vida dos pacientes, além de abrir caminhos para futuras investigações sobre segurança, custo-efetividade e resposta individual ao tratamento.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos neste estudo permitem concluir que os objetivos propostos foram alcançados, confirmando que o uso do Trikafta representa um avanço significativo no tratamento da fibrose cística, pois sua ação molecular e farmacológica baseia-se na combinação de três moduladores da CFTR: elexacaftor e tezacaftor, que atuam como corretores promovendo o dobramento adequado e o aumento do tráfego da proteína CFTR para a membrana celular, e ivacaftor, um potenciador que aumenta o tempo de abertura do canal CFTR, otimizando o fluxo de íons cloreto. Essa ação integrada restaura, de forma mais eficaz, a função da proteína defeituosa presente em pacientes com mutações como F508del.

A análise das evidências demonstra que a terapia tripla promove melhora expressiva da função pulmonar, otimização do estado nutricional e elevação da qualidade de vida dos pacientes, consolidando-se como uma estratégia terapêutica de primeira linha. Observa-se também que os efeitos adversos relatados são, em sua maioria, leves e controláveis, o que reforça o perfil de segurança do medicamento.

Além dos benefícios respiratórios, verifica-se impacto positivo em aspectos extrapulmonares, como composição corporal, metabolismo e equilíbrio sistêmico, ampliando as perspectivas de bem-estar e longevidade da população acometida. As descobertas reforçam a eficácia clínica do Trikafta em diferentes faixas etárias e genótipos, destacando sua aplicabilidade em casos de maior gravidade da doença.

Contudo, identificam-se lacunas na literatura referentes ao monitoramento a longo prazo e aos possíveis efeitos metabólicos e hepáticos, o que aponta para a necessidade de novas investigações com amostras ampliadas e seguimento prolongado. As evidências reunidas contribuem para o fortalecimento da prática clínica baseada em evidências, auxiliando na tomada de decisões terapêuticas, no delineamento de políticas públicas e na ampliação do acesso a terapias inovadoras para pessoas com fibrose cística.

REFERÊNCIAS

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1 Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Faculdades Vitória da Conquista- Bahia e-mail: catherinefvidal@gmail.com
2 Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Faculdades Vitória da Conquista- Bahia e-mail: eli.elis2022@outlook.com
3 Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Faculdades Vitória da Conquista- Bahia e-mail: esterhadassaarujo@hotmail.com
4 Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Faculdades Vitória da Conquista- Bahia e-mail: botelhogaby@hotmail.com
5 Docente do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais – Campus Janaúba; Mestre em Saúde Sociedade e Ambiente (PPGSASA-UFVJM); Doutorando em Reabilitação e Desempenho Funcional (PPGREAB-UFVJM). e- mail: fabio.andrade@ifnmg.com.br
6 Docente do Curso Superior de Medicina da Afya Faculdades Vitória da Conquista- Bahia. Doutor em Biotecnologia (Instituto de Ciências Biomédicas/ USP-São Paulo) e-mail: kleber.alves@afya.com.br