EARLY GLYCEMIC CHANGES AND THEIR INFLUENCE ON OVULATION IN WOMEN WITH POLYCYSTIC OVARY SYNDROME
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202509191039
Isadora Pedroche da Rocha1
Natanny Busk Jacinto
Mariana de Freitas Gouveia Morais
Renam Arthur de Sousa2
Resumo
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) constitui a endocrinopatia mais frequente em mulheres em idade reprodutiva, caracterizando-se por irregularidade menstrual, anovulação crônica e manifestações metabólicas que comprometem a fertilidade. As alterações glicêmicas precoces e a resistência insulínica são descritas como fatores determinantes para a intensificação do hiperandrogenismo e para a deterioração da função ovariana. O objetivo deste estudo consistiu em analisar, por meio de revisão de literatura narrativa, a influência das alterações glicêmicas precoces e da resistência insulínica na ovulação de mulheres com SOP, relacionando os mecanismos endócrino-metabólicos ao comprometimento reprodutivo. A metodologia baseou-se em busca bibliográfica realizada entre janeiro e setembro de 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Scopus. Foram selecionados artigos publicados entre 2020 e 2025, em português e inglês, que abordassem alterações glicêmicas, resistência insulínica, ovulação e infertilidade em mulheres com SOP. Os resultados demonstraram que a resistência insulínica potencializa a produção de androgênios pelas células da teca, compromete a maturação folicular e reduz a qualidade dos oócitos. Evidenciou-se ainda que alterações glicêmicas precoces, mesmo sem diagnóstico de diabetes, estão associadas à irregularidade menstrual, anovulação recorrente e menor taxa de sucesso em reprodução assistida. Estratégias de controle metabólico, como dietas de baixo índice glicêmico, prática de atividade física e terapias farmacológicas, mostraram benefícios na restauração da ovulação e na melhora dos desfechos reprodutivos. Conclui-se que o monitoramento precoce da glicemia e da resistência insulínica é essencial para o manejo clínico da SOP e para a preservação da fertilidade feminina.
Palavras-chave: Síndrome dos Ovários Policísticos. Resistência à Insulina. Hiperglicemia. Ovulação. Infertilidade.
1 INTRODUÇÃO
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais prevalentes em mulheres em idade fértil, caracterizando-se por alterações hormonais, metabólicas e reprodutivas que afetam de forma significativa a saúde feminina. Além da heterogeneidade clínica, que inclui manifestações como irregularidade menstrual, hiperandrogenismo e presença de ovários policísticos em exames de imagem, a condição representa um desafio diagnóstico e terapêutico em virtude de sua complexidade fisiopatológica (Cavalcante et al., 2021).
Os mecanismos envolvidos na SOP ultrapassam a esfera ginecológica, pois englobam desequilíbrios no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, predisposição genética e alterações metabólicas. Entre estas últimas, a resistência insulínica assume papel central, mesmo em mulheres sem obesidade, favorecendo o surgimento de complicações associadas como intolerância à glicose e diabetes mellitus tipo 2. Essas alterações repercutem de forma direta na fertilidade, reforçando a importância da síndrome como condição clínica de impacto global na saúde da mulher (Medeiros et al., 2023; Santos et al., 2024).
A resistência insulínica e a hiperinsulinemia compensatória estão intimamente ligadas ao aumento da produção ovariana de androgênios, interferindo na maturação folicular e reduzindo a frequência de ovulação. Além disso, há diminuição da síntese hepática da globulina ligadora de hormônios sexuais, resultando em maior concentração de testosterona livre na circulação, o que intensifica o desequilíbrio endócrino-metabólico característico da síndrome (Pani et al., 2020).
Esse cenário revela que mesmo alterações glicêmicas precoces podem comprometer a regularidade menstrual e a qualidade folicular, contribuindo para ciclos anovulatórios e dificuldade de concepção. Assim, compreender a influência da glicemia no funcionamento ovariano é essencial para ampliar o entendimento da SOP como uma condição que une disfunções reprodutivas e metabólicas em uma mesma base fisiopatológica (Cavalcante et al., 2021).
Nessa perspectiva, a literatura tem enfatizado o papel da alimentação no manejo da síndrome, sobretudo no que se refere ao índice glicêmico e à carga glicêmica da dieta. Dietas compostas por alimentos de alto índice glicêmico agravam a resistência insulínica, enquanto estratégias alimentares que priorizam carboidratos complexos e de baixo índice glicêmico promovem melhora nos parâmetros metabólicos e reprodutivos, fortalecendo a abordagem nutricional como parte fundamental do tratamento (Manta et al., 2023).
A adoção de dietas de baixa carga glicêmica tem se mostrado eficaz em reduzir níveis de insulina e androgênios, favorecer ciclos menstruais mais regulares e aumentar a taxa de ovulação. Esse efeito reflete diretamente na fertilidade, além de reduzir a progressão das complicações metabólicas, tornando-se um recurso clínico de grande relevância no acompanhamento das mulheres com SOP (Hoover et al., 2021).
Outro aspecto relevante diz respeito à qualidade oocitária e à resposta aos tratamentos de reprodução assistida, que também sofrem influência do controle glicêmico. A persistência da hiperinsulinemia prejudica o desenvolvimento folicular adequado e reduz o potencial de concepção natural, além de limitar a eficácia de terapias de fertilidade. Dessa forma, a regulação dos níveis glicêmicos é apontada como componente essencial para preservar a saúde reprodutiva (Johnson et al., 2025).
A progressão clínica de mulheres com SOP, que frequentemente evoluem de estados de pré-diabetes para diabetes mellitus tipo 2, reforça a necessidade de intervenções precoces. Mudanças no estilo de vida e tratamento farmacológico direcionado podem atenuar as complicações metabólicas e proteger a função ovariana, sendo estratégias fundamentais para garantir melhores desfechos reprodutivos e metabólicos (Pani et al., 2020).
Nesse contexto, este estudo justifica-se pela relevância crescente da SOP como causa de infertilidade e pelas complicações metabólicas que comprometem a saúde global das pacientes. O problema investigado concentra-se em compreender como as alterações glicêmicas precoces e a resistência insulínica, mesmo em fases iniciais, interferem na ovulação, na qualidade dos folículos e na fertilidade de mulheres diagnosticadas com a síndrome (Medeiros et al., 2023).
Diante disso, o objetivo geral consiste em analisar, por meio de revisão de literatura, a influência das alterações glicêmicas precoces e da resistência insulínica na ovulação de mulheres com SOP. Os objetivos específicos são: descrever os mecanismos fisiopatológicos que relacionam a resistência insulínica e o metabolismo da glicose à disfunção ovariana; investigar evidências atuais sobre o impacto das alterações glicêmicas precoces na qualidade folicular e na regularidade da ovulação; e analisar a correlação entre disfunções endócrino-metabólicas e os desfechos reprodutivos, destacando as implicações clínicas para o manejo terapêutico.
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Aspectos fisiopatológicos da Síndrome dos Ovários Policísticos
A Síndrome dos Ovários Policísticos é um distúrbio endócrino-metabólico multifatorial que afeta mulheres em idade reprodutiva, sendo caracterizada por alterações hormonais, metabólicas e morfológicas. Sua fisiopatologia é complexa, envolvendo a interação entre predisposição genética, disfunções no eixo hipotálamo-hipófise-ovário e fatores ambientais, como estilo de vida e composição corporal. Esse conjunto de fatores gera manifestações clínicas heterogêneas, tornando a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos essencial para guiar intervenções eficazes (Alcântara et al., 2024).
Um dos pontos centrais da fisiopatologia da SOP é o desequilíbrio no eixo hipotálamohipófise-ovário. O aumento da secreção pulsátil do hormônio luteinizante (LH) em relação ao hormônio folículo-estimulante (FSH) resulta em uma resposta anômala das células da teca ovariana, que passam a produzir quantidades excessivas de androgênios. Esse quadro leva à falha no desenvolvimento folicular e à anovulação, comprometendo diretamente a função reprodutiva (Dong e Rees, 2023).
Além do hiperandrogenismo, a resistência insulínica desempenha papel crucial na progressão da SOP. Mesmo em mulheres sem obesidade, observa-se redução da sensibilidade periférica à insulina, com consequente hiperinsulinemia compensatória. Esse excesso de insulina age de forma sinérgica com o LH, estimulando ainda mais as células da teca a produzirem androgênios. O resultado é um ambiente ovariano desfavorável, que contribui para a irregularidade menstrual e a infertilidade (Zanuto et al., 2024).
A hiperinsulinemia também afeta o fígado, reduzindo a síntese da globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). Isso aumenta a fração livre de testosterona circulante, agravando o hiperandrogenismo sistêmico. Essa cascata fisiopatológica não apenas interfere na função ovariana, mas também está relacionada a manifestações clínicas como acne, hirsutismo e alopecia, que impactam a qualidade de vida das pacientes (Cavalcante et al., 2021).
Outro aspecto importante é a interação entre adiposidade e disfunções neuroendócrinas. O tecido adiposo, além de atuar como reservatório energético, é metabolicamente ativo, secretando adipocinas e citocinas inflamatórias. Na SOP, a presença de obesidade central intensifica a resistência insulínica e aumenta a inflamação crônica de baixo grau, o que exacerba tanto o desequilíbrio metabólico quanto a disfunção ovariana. Esse ciclo perpetua-se, tornando a condição mais difícil de controlar (Lonardo et al., 2024).
O excesso de androgênios circulantes também repercute no recrutamento folicular. Ao invés de promover o crescimento de um folículo dominante, o ambiente hiperandrogênico favorece a estagnação de múltiplos folículos em estágio inicial. Esse processo dá origem ao aspecto policístico observado em exames de imagem, que reflete a incapacidade de o ovário completar a maturação folicular e liberar o oócito, caracterizando a anovulação crônica (Alcântara et al., 2024).
No nível hipotalâmico, a SOP está associada à alteração na frequência de pulsos de gonadotrofinas. O aumento na frequência da liberação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) leva à predominância da secreção de LH sobre FSH. Essa desproporção prejudica o desenvolvimento folicular adequado e reforça a produção ovariana de androgênios. O ciclo hormonal resultante contribui para a manutenção do estado de anovulação (Dong e Rees, 2023).
A resistência insulínica observada na SOP não se limita ao metabolismo da glicose, mas envolve mecanismos moleculares complexos. Alterações na via de sinalização da insulina reduzem a capacidade de transporte de glicose para os tecidos periféricos, ao mesmo tempo em que preservam a via mitogênica responsável pela esteroidogênese ovariana. Isso explica por que a insulina, mesmo em níveis elevados, não normaliza a glicemia, mas intensifica a produção de androgênios (Zanuto et al., 2024).
Além da disfunção endócrina, a SOP também apresenta componentes inflamatórios relevantes. Citocinas como TNF-α e interleucinas pró-inflamatórias encontram-se aumentadas em pacientes com a síndrome, contribuindo para a resistência insulínica e para o estresse oxidativo. Esse processo inflamatório crônico, embora de baixo grau, amplia a complexidade da fisiopatologia e explica parte da heterogeneidade dos sintomas clínicos observados (Lonardo et al., 2024).
A compreensão integrada da fisiopatologia da SOP permite perceber que não há um único fator causal, mas sim uma rede de interações hormonais, metabólicas e inflamatórias. A associação entre hiperandrogenismo, resistência insulínica, inflamação e alterações no eixo hipotálamo-hipófise-ovário constitui a base da síndrome. Essa multiplicidade de mecanismos fisiopatológicos explica por que as manifestações clínicas variam tanto entre as pacientes, exigindo abordagens diagnósticas e terapêuticas individualizadas (Alcântara et al., 2024).
2.2 Resistência insulínica e metabolismo da glicose na Síndrome dos Ovários Policísticos
A resistência insulínica representa um dos principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na SOP, estando presente em mulheres com diferentes perfis corporais, incluindo aquelas com peso normal. Essa condição caracteriza-se pela redução da sensibilidade dos tecidos periféricos à ação da insulina, levando a um quadro de hiperinsulinemia compensatória. Esse desequilíbrio não apenas afeta o metabolismo glicêmico, mas também contribui para o agravamento do hiperandrogenismo e da disfunção ovariana (Ding et al., 2021).
A hiperinsulinemia crônica intensifica a produção de andrógenos pelas células da teca ovariana, processo que se associa diretamente ao desenvolvimento de ciclos anovulatórios. Esse efeito ocorre porque a insulina atua sinergicamente com o hormônio luteinizante, estimulando a esteroidogênese ovariana. Além disso, a hiperinsulinemia reduz a produção hepática da globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), aumentando as concentrações de testosterona livre e potencializando manifestações clínicas como acne, hirsutismo e irregularidade menstrual (Ezeh, Pisarska e Azziz, 2022).
O metabolismo da glicose em mulheres com SOP apresenta alterações distintas, caracterizadas por maior risco de desenvolver intolerância à glicose e diabetes mellitus tipo 2 em fases precoces da vida reprodutiva. Esse risco é potencializado por fatores adicionais como sedentarismo, obesidade visceral e dieta de alto índice glicêmico. A interação entre resistência insulínica e disfunções ovarianas reforça a necessidade de compreender a SOP não apenas como uma doença ginecológica, mas como uma condição endócrino-metabólica de caráter sistêmico (Vasconcelos et al., 2025).
A resistência insulínica está associada a diferentes estágios de alteração glicêmica, incluindo pré-diabetes e diabetes estabelecido. Essas alterações não se limitam ao metabolismo da glicose, pois também se correlacionam com elevação da pressão arterial e maior risco cardiovascular. Essa interconexão entre alterações metabólicas e disfunções sistêmicas explica a elevada incidência de comorbidades em mulheres com SOP (Sasaki et al., 2020).
Outro fator que amplia a complexidade da resistência insulínica na SOP é a relação entre inflamação crônica e estresse oxidativo. Níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias e marcadores de estresse oxidativo estão presentes em pacientes com a síndrome, comprometendo a ação da insulina e agravando o desequilíbrio metabólico. Essa condição inflamatória sistêmica de baixo grau contribui para a perpetuação da resistência insulínica e dificulta o manejo clínico dessas pacientes (Zhong et al., 2021).
O impacto das alterações glicêmicas na função ovariana é significativo, uma vez que a hiperglicemia precoce já se associa à piora da qualidade folicular e à redução da fertilidade. A relação entre disfunção metabólica e reprodutiva demonstra que mesmo pequenas alterações nos níveis de glicose podem afetar negativamente a maturação oocitária e a regularidade menstrual. Esse cenário reforça a importância do diagnóstico precoce das alterações glicêmicas em mulheres com SOP (Ezeh, Pisarska e Azziz, 2022).
A síndrome metabólica, frequentemente associada à SOP, potencializa os efeitos adversos da resistência insulínica. A presença de obesidade abdominal, dislipidemia e hipertensão compõe um quadro clínico que aumenta o risco cardiovascular e acelera a progressão para diabetes tipo 2. Esse contexto torna a SOP uma condição que transcende a esfera reprodutiva, integrando-se a um panorama mais amplo de disfunções metabólicas interligadas (Gama et al., 2024).
O tratamento da resistência insulínica em pacientes com SOP demanda estratégias que envolvem modificações no estilo de vida e, em alguns casos, o uso de terapias farmacológicas. A prática regular de atividade física e a adoção de dietas com baixo índice glicêmico são medidas que aumentam a sensibilidade à insulina e contribuem para restaurar a ovulação. Além disso, fármacos como a metformina apresentam eficácia na melhora da homeostase glicêmica e na redução do hiperandrogenismo (Vasconcelos et al., 2025).
A compreensão do metabolismo da glicose na SOP também abrange a relação entre adiposidade visceral e resistência insulínica. O tecido adiposo central secreta adipocinas que modulam processos inflamatórios e interferem na ação da insulina. Essa dinâmica fisiopatológica evidencia a importância de intervenções que reduzam o acúmulo de gordura abdominal, uma vez que esse fator está diretamente relacionado ao agravamento das manifestações clínicas e metabólicas da síndrome (Gama et al., 2024).
A resistência insulínica e as alterações no metabolismo da glicose constituem elementos centrais na fisiopatologia da SOP, estabelecendo uma ponte entre os distúrbios reprodutivos e metabólicos. O impacto dessas alterações vai além da infertilidade, pois envolve risco aumentado para doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e diabetes mellitus tipo 2. Assim, a investigação contínua e o manejo precoce da resistência insulínica são fundamentais para prevenir complicações e melhorar os desfechos clínicos em mulheres com SOP (Ding et al., 2021).
2.3 Alterações glicêmicas e impacto na função ovariana e fertilidade
As alterações glicêmicas presentes na Síndrome dos Ovários Policísticos têm repercussões diretas sobre a função ovariana, comprometendo processos essenciais à fertilidade. O desequilíbrio no metabolismo da glicose contribui para um ambiente endócrino desfavorável, marcado por hiperinsulinemia e disfunção hormonal, que prejudicam a maturação folicular e a liberação adequada dos oócitos. A infertilidade feminina, nesse contexto, não é apenas resultado do hiperandrogenismo, mas também da interação complexa entre metabolismo glicêmico e fisiologia reprodutiva (Júnior et al., 2025).
O impacto da resistência insulínica sobre a função ovariana vai além da produção excessiva de andrógenos. A insulina em excesso compromete a sinalização intracelular necessária para o desenvolvimento folicular saudável, promovendo alterações no microambiente ovariano. Isso resulta em folículos com desenvolvimento interrompido e em falhas recorrentes na ovulação, quadro que afeta significativamente as chances de concepção espontânea (Li et al., 2022).
O microambiente folicular é especialmente vulnerável às alterações metabólicas. Na SOP, observa-se desequilíbrio entre fatores de crescimento, hormônios e moléculas sinalizadoras que sustentam o desenvolvimento do oócito. A presença de níveis glicêmicos alterados intensifica esse distúrbio, reduzindo a competência oocitária e aumentando o risco de infertilidade. Dessa forma, a qualidade do oócito é comprometida antes mesmo da ovulação ocorrer (Dai et al., 2024).
Outro aspecto relevante é a associação entre o estado nutricional, os hábitos alimentares e a fertilidade em mulheres com SOP. Dietas ricas em carboidratos simples e com elevado índice glicêmico estão relacionadas à maior resistência insulínica, o que contribui para a irregularidade menstrual e anovulação. Em contrapartida, padrões alimentares de baixo índice glicêmico favorecem melhor regulação hormonal e aumentam a frequência de ciclos ovulatórios regulares, refletindo no potencial reprodutivo (Moraes et al., 2025).
O estresse oxidativo também exerce influência importante sobre a função ovariana em mulheres com SOP. Alterações no estado redox afetam a qualidade dos oócitos, promovendo disfunções na maturação nuclear e citoplasmática. Além disso, a produção exacerbada de espécies reativas de oxigênio prejudica a comunicação entre células da granulosa e o oócito, contribuindo para falhas na fecundação e maior risco de resultados reprodutivos adversos (Naigaonkar et al., 2021).
A infertilidade feminina associada à SOP não deve ser entendida como consequência exclusiva das alterações hormonais. Os distúrbios metabólicos desempenham papel decisivo, uma vez que a hiperinsulinemia e a hiperglicemia precoce afetam a viabilidade folicular e aumentam a incidência de ciclos anovulatórios. Essa interdependência entre metabolismo da glicose e função ovariana ressalta a necessidade de abordagens terapêuticas integradas, que contemplem tanto o controle glicêmico quanto a regulação hormonal (Collée et al., 2021).
A severidade da disfunção menstrual em mulheres com SOP apresenta correlação com o grau de resistência insulínica e disfunção glicêmica. Pacientes com maior comprometimento metabólico tendem a apresentar ciclos mais irregulares e taxas mais elevadas de infertilidade. Essa evidência confirma que o eixo glicemia-fertilidade atua como determinante clínico na evolução da síndrome, sendo essencial para a estratificação de risco reprodutivo (Li et al., 2022).
Além dos efeitos sobre a ovulação, as alterações glicêmicas também influenciam a resposta a tratamentos de reprodução assistida. Mulheres com SOP e distúrbios glicêmicos apresentam taxas mais baixas de fertilização e implantação, atribuídas ao comprometimento da qualidade dos oócitos e do endométrio. Assim, o controle metabólico adequado pode melhorar não apenas a concepção natural, mas também os resultados em técnicas de fertilização in vitro (Dai et al., 2024).
O conjunto dessas evidências demonstra que o metabolismo da glicose exerce impacto decisivo sobre a fertilidade em mulheres com SOP. Alterações precoces no perfil glicêmico, mesmo antes do estabelecimento de diabetes, comprometem a função ovariana e aumentam a probabilidade de infertilidade. Esse contexto justifica a necessidade de monitoramento contínuo da glicemia e da resistência insulínica em pacientes com a síndrome, como forma de prevenir falhas reprodutivas (Moraes et al., 2025).
A infertilidade feminina na SOP deve ser compreendida como consequência de uma rede de interações entre alterações glicêmicas, resistência insulínica, estresse oxidativo e desequilíbrios no microambiente folicular. Esse conjunto de fatores compromete a qualidade oocitária e a ovulação, resultando em desfechos reprodutivos desfavoráveis. A integração entre cuidados metabólicos e terapias de fertilidade é fundamental para ampliar as perspectivas reprodutivas dessas pacientes (Júnior et al., 2025).
3 METODOLOGIA
Esta revisão de literatura, de natureza narrativa, teve por objetivo sintetizar e discutir evidências sobre alterações glicêmicas precoces, resistência insulínica e seus efeitos na ovulação em mulheres com SOP. Definiu-se previamente a questão orientadora e estruturou-se o escopo para abarcar fisiopatologia, metabolismo da glicose e desfechos reprodutivos relacionados.
A busca bibliográfica foi conduzida entre janeiro e setembro de 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Scopus. Utilizaram-se descritores DeCS/MeSH combinados por operadores booleanos, incluindo: “polycystic ovary syndrome”, “insulin resistance”, “glycemic index”, “ovulation”, “oocyte quality”, “infertility”, “glucose metabolism” e equivalentes em português.
Aplicaram-se filtros para o período de 2020 a 2025, idiomas português e inglês, e acesso ao texto completo. Excluíram-se editoriais, cartas, resumos de congresso, estudos opinativos e trabalhos sem pertinência direta ao tema. Consideraram-se artigos originais, revisões e diretrizes que abordaram mecanismos, marcadores metabólicos e repercussões reprodutivas.
O processo de seleção ocorreu em duas etapas. Primeiramente, títulos e resumos foram triados de forma independente, com resolução de discordâncias por consenso. Em seguida, os textos completos elegíveis foram lidos integralmente, verificando aderência aos critérios e consistência metodológica mínima declarada pelos autores.
A extração dos dados foi realizada com planilha padronizada, contemplando: desenho do estudo, população, critérios diagnósticos, exposições metabólicas, desfechos reprodutivos e principais resultados. Registraram-se também limitações mencionadas pelos autores, lacunas temáticas e implicações clínicas relatadas.
A avaliação da qualidade metodológica seguiu abordagem compatível com revisão narrativa. Não se aplicaram checklists formais de risco de viés por desenho específico; entretanto, julgou-se a clareza dos objetivos, a descrição amostral, a mensuração das exposições glicêmicas e a adequação dos desfechos reprodutivos. Estudos com informações insuficientes foram mantidos apenas para contextualização.
Os achados foram organizados por eixos analíticos pré-definidos: fisiopatologia relacionada à resistência insulínica, metabolismo da glicose e indicadores de função ovariana. Procedeu-se à síntese qualitativa, destacando convergências, divergências e tendências consistentes, sempre vinculadas à pergunta da revisão.
Não houve envolvimento de seres humanos ou coleta de dados sensíveis, dispensando submissão a comitê de ética. Todas as referências utilizadas foram gerenciadas em planilha eletrônica, e duplicatas foram removidas antes da triagem. As decisões de inclusão permaneceram registradas para rastreabilidade.
Para reduzir vieses de seleção e publicação, incluiu-se literatura de diferentes desenhos e origens, priorizando atualidade, clareza conceitual e relevância para a relação entre alterações glicêmicas precoces e ovulação. A interpretação dos resultados considerou heterogeneidade clínica e metodológica entre estudos.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Alcântara et al. (2024) descreveram avanços na compreensão fisiopatológica da SOP, destacando a relação entre resistência insulínica, hiperandrogenismo e disfunção folicular. Os autores evidenciaram que alterações no metabolismo da glicose em fases iniciais estão associadas a desequilíbrios hormonais significativos, que comprometem a regularidade menstrual e a ovulação. O estudo também apontou que o diagnóstico precoce, aliado a estratégias terapêuticas voltadas ao controle metabólico, é essencial para reduzir o impacto da síndrome sobre a fertilidade feminina.
Cavalcante et al. (2021) enfatizaram os impactos clínicos da SOP na saúde da mulher, ressaltando que a infertilidade é consequência não apenas de fatores hormonais, mas também de alterações glicêmicas precoces. A análise sugeriu que a hiperglicemia inicial está diretamente relacionada à qualidade folicular e à competência oocitária, o que justifica a elevada prevalência de anovulação e irregularidade menstrual nessas pacientes. O estudo ainda reforçou a necessidade de intervenções integradas, incluindo mudanças nutricionais e acompanhamento metabólico contínuo.
Zanuto et al. (2024) abordaram as disfunções metabólicas associadas à SOP, descrevendo o papel da resistência insulínica como eixo central no desenvolvimento da síndrome. O trabalho evidenciou que a hiperinsulinemia amplifica a produção de androgênios e cria um ambiente ovariano desfavorável à maturação folicular. Além disso, destacou-se a relação entre alterações glicêmicas, dislipidemia e risco cardiovascular, fatores que, em conjunto, intensificam a vulnerabilidade reprodutiva das mulheres afetadas pela síndrome.
Lonardo et al. (2024) exploraram a relação entre o eixo hipotálamo-ovariano e a adiposidade em mulheres com SOP, destacando como a obesidade central agrava a resistência insulínica. O estudo mostrou que a secreção de adipocinas pró-inflamatórias interfere na ação da insulina e aumenta o estresse oxidativo, condições que comprometem o microambiente folicular. Esse desequilíbrio contribui para a redução da qualidade dos oócitos e para a irregularidade ovulatória, reforçando a ligação entre fatores metabólicos e infertilidade.
Dong e Rees (2023) discutiram a fisiopatologia da SOP com enfoque nas oportunidades terapêuticas, destacando que a resistência insulínica é um fator determinante para a persistência da anovulação. Os autores ressaltaram que a insulina, além de sua função metabólica, estimula a produção ovariana de androgênios, o que prejudica a dinâmica folicular. A análise indicou que terapias voltadas ao controle da glicemia e à sensibilidade insulínica podem melhorar não apenas os parâmetros metabólicos, mas também a função reprodutiva.
Vasconcelos et al. (2025) ampliaram a discussão ao relacionar a SOP à síndrome metabólica, apontando que o conjunto de alterações glicêmicas, resistência insulínica, obesidade abdominal e hipertensão intensifica os riscos reprodutivos. O estudo ressaltou que a infertilidade em mulheres com SOP não pode ser dissociada desse contexto sindêmico, uma vez que os componentes metabólicos afetam diretamente a regularidade menstrual e a viabilidade dos oócitos. Os autores defenderam a integração entre endocrinologia e ginecologia no manejo dessas pacientes.
Gama et al. (2024) reforçaram essa visão ao discutir a síndrome metabólica como um fator agravante da SOP. O trabalho demonstrou que alterações glicêmicas precoces, quando não controladas, aceleram a progressão para diabetes mellitus tipo 2 e reduzem significativamente a fertilidade. A análise destacou ainda o papel da dietoterapia de baixo índice glicêmico como ferramenta de prevenção e tratamento, evidenciando que intervenções nutricionais podem contribuir para restabelecer ciclos ovulatórios regulares.
Sasaki et al. (2020) investigaram a associação entre resistência insulínica, glicemia e hipertensão em populações com diferentes estágios de comprometimento glicêmico. Embora não tenham focado exclusivamente em mulheres com SOP, os resultados mostraram que a alteração precoce da homeostase glicêmica está relacionada a disfunções sistêmicas, incluindo risco cardiovascular. Essa evidência corrobora a ideia de que mulheres com SOP, já predispostas à resistência insulínica, apresentam vulnerabilidade adicional frente a complicações metabólicas que influenciam sua fertilidade.
Zhong et al. (2021) analisaram marcadores inflamatórios, estresse oxidativo e alterações metabólicas em pacientes com SOP, demonstrando que esses fatores ampliam a resistência insulínica e comprometem o metabolismo glicídico. Os autores destacaram que a inflamação crônica de baixo grau agrava a disfunção ovariana, reduzindo a qualidade folicular e a competência oocitária. Esses achados sugerem que a infertilidade na SOP decorre de um conjunto de mecanismos integrados, que incluem tanto alterações endócrinas quanto metabólicas.
Ding et al. (2021) reforçaram a centralidade da resistência insulínica e dos níveis elevados de androgênios como principais causas da SOP. O estudo demonstrou que a hiperinsulinemia exacerba o hiperandrogenismo e interfere na maturação folicular, resultando em ciclos anovulatórios. Os autores concluíram que a resistência insulínica não é apenas um fator associado, mas um dos determinantes fundamentais da infertilidade em mulheres com a síndrome, o que justifica a priorização de estratégias terapêuticas voltadas ao metabolismo glicêmico.
Ezeh, Pisarska e Azziz (2022) exploraram a associação entre disfunção menstrual, hiperinsulinemia e disfunções glicêmicas em mulheres com SOP. O estudo identificou que a gravidade da irregularidade menstrual correlaciona-se diretamente com o grau de resistência insulínica e com a presença de disfunções glicêmicas. Isso demonstra que a infertilidade não é apenas resultado da falha ovulatória, mas também da intensidade do comprometimento metabólico. Os autores defenderam o rastreamento precoce desses fatores como estratégia de prevenção.
Júnior et al. (2025) discutiram as principais causas de infertilidade feminina, incluindo a SOP, e descreveram opções terapêuticas. O trabalho destacou que alterações glicêmicas precoces reduzem a qualidade dos oócitos e comprometem a fecundação, sendo necessário adotar estratégias integradas de tratamento. O estudo enfatizou que, em mulheres com SOP, o controle da resistência insulínica é fundamental para ampliar as chances de sucesso tanto em concepção natural quanto em reprodução assistida.
Moraes et al. (2025) relacionaram o estado nutricional, o consumo alimentar e as repercussões da SOP na fertilidade. A pesquisa evidenciou que dietas ricas em carboidratos simples elevam a resistência insulínica e prejudicam a regularidade menstrual, enquanto padrões alimentares saudáveis, com baixo índice glicêmico, melhoram a função ovariana. Assim, os autores reforçaram a importância da intervenção nutricional precoce para atenuar os efeitos das alterações glicêmicas sobre a fertilidade.
Dai et al. (2024) investigaram o microambiente folicular em mulheres com SOP, apontando que alterações metabólicas e inflamatórias prejudicam a maturação oocitária e reduzem a competência reprodutiva. O estudo demonstrou que a resistência insulínica modifica a comunicação entre células da granulosa e o oócito, levando à diminuição da qualidade folicular. Essa condição impacta diretamente os resultados de fertilização e implantação, evidenciando a influência das alterações glicêmicas na infertilidade.
Li et al. (2022) demonstraram que a gravidade da irregularidade menstrual está relacionada ao grau de resistência insulínica em mulheres com SOP. O trabalho destacou que alterações glicêmicas precoces agravam a disfunção menstrual, reforçando a correlação entre metabolismo da glicose e função reprodutiva. Essa evidência sugere que a infertilidade nessas pacientes está intimamente ligada à intensidade do comprometimento glicêmico, tornando indispensável o rastreamento metabólico durante a investigação clínica.
Naigaonkar et al. (2021) abordaram o papel do estresse oxidativo na disfunção ovariana da SOP, relacionando o desequilíbrio redox ao comprometimento da qualidade folicular. Os autores relataram que a produção excessiva de espécies reativas de oxigênio, associada às alterações glicêmicas, interfere na maturação nuclear e citoplasmática dos oócitos, o que explica a elevada taxa de infertilidade nessas mulheres. O estudo destacou a relevância de estratégias antioxidantes associadas ao controle glicêmico.
Collée et al. (2021) apresentaram uma revisão sobre SOP e infertilidade, discutindo abordagens terapêuticas emergentes. O trabalho reforçou que o controle glicêmico é determinante para melhorar os desfechos reprodutivos e destacou o potencial das terapias combinadas que atuam tanto na sensibilidade insulínica quanto na regulação hormonal. Os autores ressaltaram que a integração entre manejo metabólico e reprodutivo é a estratégia mais promissora para restaurar a fertilidade em pacientes com SOP.
A análise comparativa dos estudos evidencia consenso sobre a centralidade da resistência insulínica como mecanismo determinante da disfunção ovariana na SOP. Enquanto Alcântara et al. (2024) destacaram os avanços diagnósticos e terapêuticos relacionados à hiperinsulinemia, Ding et al. (2021) reforçaram que essa condição não é apenas associada, mas constitutiva da síndrome. Dessa forma, observa-se convergência quanto à necessidade de priorizar intervenções metabólicas para restaurar a função reprodutiva.
Entretanto, há diferenças no grau de ênfase atribuído aos fatores secundários. Lonardo et al. (2024) ressaltaram o papel da adiposidade e das adipocinas pró-inflamatórias, enquanto Zhong et al. (2021) apontaram o estresse oxidativo como coadjuvante crítico na perpetuação da resistência insulínica. Esses achados sugerem que, embora a hiperinsulinemia seja central, ela é modulada por elementos inflamatórios e nutricionais que ampliam o risco de infertilidade.
Ao relacionar alterações glicêmicas precoces e irregularidade menstrual, Cavalcante et al. (2021) observaram associação direta entre hiperglicemia inicial e comprometimento folicular. De forma semelhante, Li et al. (2022) reforçaram que a severidade da disfunção menstrual cresce proporcionalmente ao grau de resistência insulínica. Essa convergência confirma que mesmo pequenas alterações glicêmicas já repercutem negativamente na fertilidade, exigindo vigilância clínica precoce.
Por outro lado, alguns trabalhos destacaram implicações sistêmicas mais amplas. Sasaki et al. (2020) evidenciaram que disfunções glicêmicas se associam à hipertensão e risco cardiovascular, extrapolando o campo reprodutivo. Esse achado foi retomado por Vasconcelos et al. (2025), que descreveram a SOP no contexto da síndrome metabólica, reforçando a ideia de que a infertilidade não pode ser dissociada de fatores cardiometabólicos.
A questão nutricional emergiu como eixo comum em diferentes análises. Moraes et al. (2025) e Gama et al. (2024) destacaram que dietas com alto índice glicêmico intensificam a resistência insulínica, enquanto intervenções dietéticas de baixo índice glicêmico melhoram parâmetros reprodutivos. Em consonância, Hoover et al. (2021, discutido na introdução) já havia sugerido esse efeito positivo, reforçando que o manejo nutricional deve ser considerado parte essencial das estratégias clínicas.
O microambiente folicular foi explorado de modo específico por Dai et al. (2024) e Naigaonkar et al. (2021), que demonstraram como o desequilíbrio metabólico e oxidativo compromete a qualidade oocitária. Em contraste, Alcântara et al. (2024) centraram a análise em aspectos hormonais, sem aprofundar a dinâmica celular intrafolicular. Essa diferença evidencia que os mecanismos são multifacetados e requerem integração entre perspectivas endócrinas, metabólicas e celulares.
Quanto à infertilidade, Júnior et al. (2025) enfatizaram opções terapêuticas, ressaltando que o controle glicêmico é fundamental para ampliar o sucesso em reprodução assistida. Collée et al. (2021) convergiram nesse ponto, defendendo terapias combinadas que atuem simultaneamente na sensibilidade insulínica e na regulação hormonal. Essa aproximação entre os autores demonstra que a fertilidade na SOP só pode ser restaurada com abordagens integradas.
Há também consenso sobre o papel da inflamação crônica. Zhong et al. (2021) relacionaram citocinas pró-inflamatórias à resistência insulínica, enquanto Lonardo et al. (2024) conectaram adiposidade central ao aumento desses marcadores. Esse paralelo reforça que a infertilidade na SOP não decorre apenas de desequilíbrios endócrinos, mas também de um estado inflamatório persistente que afeta o metabolismo glicêmico e a função ovariana.
No confronto entre evidências clínicas e experimentais, observa-se que Ezeh, Pisarska e Azziz (2022) confirmaram a correlação entre irregularidade menstrual e intensidade da disfunção glicêmica, fornecendo base populacional para a tese apresentada por Dai et al. (2024), que investigaram os mecanismos foliculares envolvidos. Juntos, esses estudos consolidam a visão de que as alterações glicêmicas atuam em diferentes níveis, do microambiente celular à manifestação clínica da infertilidade.
Por fim, destaca-se que embora todos os autores reconheçam a importância do controle glicêmico, a ênfase terapêutica varia. Enquanto Vasconcelos et al. (2025) e Gama et al. (2024) priorizaram medidas de estilo de vida, incluindo dietoterapia e exercício físico, Júnior et al. (2025) e Collée et al. (2021) apontaram para a associação dessas medidas com terapias farmacológicas e técnicas de reprodução assistida. Essa divergência sugere que a escolha do manejo deve ser individualizada, considerando tanto a gravidade metabólica quanto os objetivos reprodutivos da paciente.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise da literatura evidenciou que as alterações glicêmicas precoces e a resistência insulínica exercem influência decisiva sobre a função ovariana em mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos. Esses fatores interferem na maturação folicular, reduzem a qualidade dos oócitos e comprometem a regularidade menstrual, configurando-se como determinantes para a infertilidade.
Verificou-se que a infertilidade na SOP não é resultado apenas do hiperandrogenismo, mas de uma rede de interações entre disfunções metabólicas, inflamação crônica de baixo grau, estresse oxidativo e desequilíbrios hormonais. Esse conjunto de mecanismos reforça o caráter multifatorial da síndrome e amplia a necessidade de abordagens integradas.
A discussão mostrou que estratégias de controle glicêmico precoce, incluindo mudanças nutricionais, estímulo à atividade física e uso de terapias farmacológicas, contribuem para a restauração da ovulação e para a melhora dos resultados reprodutivos. Além disso, a associação entre medidas metabólicas e técnicas de reprodução assistida pode otimizar as chances de concepção em casos mais graves.
Compreender o impacto das alterações glicêmicas precoces na SOP é essencial para orientar o diagnóstico, o acompanhamento clínico e o planejamento terapêutico. Intervenções oportunas e personalizadas podem reduzir o risco de infertilidade e melhorar a saúde reprodutiva dessas pacientes, reforçando a importância do manejo integrado da síndrome.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Unicesumar Campus Maringá.
e-mail: isadora_pedroche@icloud.com; marifgmed@gmail.com; jacintonatanny@gmail.com.
2Docente do Curso Superior de Medicina do Instituto Unicesumar Campus Maringá.
e-mail: renam.sousa@docentes.unicesumar.edu.br
