AGREGADOS PLAQUETÁRIOS AUTÓLOGOS NA OSTEOARTRITE DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511101357


Arthur de Aguiar Oliveira¹; Isabelly Barcellos Daleprane¹; Karen Tavares Spagnol¹; Heloisa Alves Pereira¹; Ana Clara Portugal de Oliveira¹; Cauã Oliveira Cremasco¹; Aguimar de Matos Bourguignon Filho²; Marina Oliveira Gonçalves Galoza²


RESUMO 

A articulação temporomandibular (ATM) caracteriza-se como uma unidade sinovial  de elevada complexidade estrutural e funcional, cuja integridade é fundamental para  os movimentos mastigatórios, deglutitórios e fonatórios. O objetivo central consistiu  em analisar a eficácia dessas terapias no contexto da regeneração tecidual da ATM,  buscando compreender seus efeitos clínicos e estruturais, bem como suas  limitações metodológicas. A metodologia adotada foi a de revisão narrativa,  fundamentada em pesquisa bibliográfica realizada nas bases PubMed (National  Library of Medicine), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Google Scholar,  considerando publicações entre 2021 e 2025, em português e inglês. O processo de  busca resultou em 126 estudos, dos quais 24 foram removidos por duplicidade e 69  excluídos por não atenderem aos critérios definidos, restando 33 artigos incluídos na  análise final. Os achados evidenciaram redução significativa da dor e melhora  funcional com o uso do PRP e do PRF, sendo o primeiro associado a efeitos mais  imediatos e o segundo a benefícios mais duradouros. Além disso, foram  identificadas evidências de preservação condral e remodelação subcondral em  estudos clínicos e experimentais, embora a heterogeneidade dos protocolos e o  curto período de acompanhamento limitem a consolidação dos resultados. Em face  do apresentado, as terapias com agregados plaquetários configuram-se como  estratégias promissoras para o manejo conservador da osteoartrite da ATM,  necessitando, contudo, de investigações adicionais, com maior padronização  metodológica e seguimento longitudinal, a fim de fortalecer sua aplicabilidade clínica. 

Palavras-chave: Articulação temporomandibular; Osteoartrite; Plasma rico em  plaquetas; Fibrina rica em plaquetas; Regeneração tecidual. 

1. INTRODUÇÃO 

A articulação temporomandibular (ATM) é uma estrutura sinovial de natureza  complexa, composta por elementos ósseos, ligamentares e cartilaginosos, cuja  integridade funcional permite a execução dos movimentos mandibulares  responsáveis pela mastigação, pela deglutição e pela emissão da fala (Teixeira; Reher; Reher, 2020).  

A dinâmica biomecânica da articulação depende de uma delicada harmonia  entre os tecidos moles e duros que a constituem, de modo que qualquer  desequilíbrio decorrente de sobrecarga mecânica, inflamações persistentes,  processos degenerativos ou traumatismos pode comprometer sua homeostase e  ocasionar manifestações clínicas dolorosas ou limitantes para o indivíduo (Sassi;  Meirelles; Guimarães, 2017).  

Considerando o impacto da osteoartrite como uma das condições  degenerativas mais frequentes e incapacitantes do sistema mastigatório, a  investigação de abordagens terapêuticas que visem não somente a mitigação dos  sintomas, mas também a reparação estrutural, mostra-se como uma necessidade  premente da odontologia contemporânea (Li et al., 2025). 

Partindo dessa premissa, observa-se que os tratamentos convencionais,  como fisioterapia, dispositivos interoclusais e fármacos anti-inflamatórios não  esteroidais, embora tragam alívio temporário, apresentam restrições quanto à  duração e eficácia sustentada, além de estarem associados a possíveis efeitos  adversos. Por conseguinte, alternativas de caráter biológico e minimamente  invasivo têm ganhado projeção, sobretudo as terapias com derivados plaquetários,  como o plasma rico em plaquetas (PRP) e a fibrina rica em plaquetas (PRF), que  concentram fatores de crescimento e proteínas bioativas capazes de induzir  processos de reparo e regeneração tecidual (Bai et al., 2023).  

Nesse sentido, a literatura científica tem evidenciado que o PRP promove  redução significativa da sintomatologia dolorosa e melhora funcional em curto  prazo, enquanto o PRF demonstra potencial para estimular a regeneração  cartilaginosa e a remodelação óssea em períodos mais extensos, favorecendo uma  reabilitação progressiva e sustentada (Xu et al. 2023; Wang et al., 2019). 

Considerando o acima exposto, compreende-se que a elevada prevalência  das disfunções temporomandibulares de caráter degenerativo, somada às  limitações das condutas terapêuticas tradicionais e às consequências deletérias de  seu uso crônico, torna imprescindível a investigação de intervenções capazes de  aliar biocompatibilidade, segurança e potencial de regeneração tecidual. A  problemática que se coloca, portanto, formula-se nos seguintes termos: em que  medida os agregados plaquetários autólogos demonstram eficácia como terapias regenerativas no tratamento da osteoartrite da articulação temporomandibular,  sobretudo no tocante à regeneração da cartilagem e à remodelação do osso  subcondral? 

Considerando a vastidão de manifestações clínicas e fisiopatológicas que  caracterizam os distúrbios temporomandibulares, tornou-se necessário estabelecer  um recorte claro para que a investigação proposta não se disperse em múltiplas  direções. Dessa forma, o estudo concentra-se na osteoartrite da articulação  temporomandibular, entendida como uma condição degenerativa progressiva que  compromete a integridade estrutural da cartilagem articular e do osso subcondral,  produzindo repercussões funcionais relevantes para a prática odontológica (Sassi;  Meirelles; Guimarães, 2017).  

Em face do apresentado, o objetivo geral do presente estudo consiste em  analisar a eficácia das terapias baseadas em agregados plaquetários no manejo da  osteoartrite da articulação temporomandibular. Como objetivos específicos, propõe se: identificar os mecanismos fisiopatológicos associados à osteoartrite dessa  articulação; sistematizar os tipos de agregados plaquetários aplicados em  contextos clínicos e experimentais; avaliar os efeitos dos agregados sobre a  cartilagem e o osso subcondral; e indicar limitações, potenciais benefícios e  perspectivas futuras relacionadas ao emprego dessas terapias na prática  odontológica. 

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 ASPECTOS FISIOPATOLÓGICOS DA OSTEOARTRITE DA ARTICULAÇÃO  TEMPOROMANDIBULAR 

Partindo do pressuposto de que a articulação temporomandibular constitui  uma das mais complexas articulações sinoviais do corpo humano – caracterizada  por sua dupla função de movimentação rotacional e translacional, além de  apresentar um disco articular fibrocartilaginoso responsável pela distribuição  equitativa das cargas mastigatórias, compreende-se que a integridade funcional  dessa estrutura depende de um delicado equilíbrio entre estímulo mecânico  fisiológico e resposta biológica adaptativa. No entanto, alterações neste equilíbrio,  resultantes de traumas diretos, microtraumas repetitivos, parafunções ou  sobrecarga biomecânica crônica, desencadeiam um processo degenerativo progressivo que compromete os tecidos moles e mineralizados, culminando em  uma síndrome articular inflamatória e destrutiva conhecida como osteoartrite  (Cardoneanu et al., 2023). 

À luz dos estudos histopatológicos contemporâneos, verifica-se que a  osteoartrite da ATM não deve ser compreendida como um fenômeno isolado da  cartilagem, mas sim como uma afecção que envolve a articulação como um todo,  incluindo cartilagem condilar, osso subcondral, disco articular, líquido sinovial e  membrana sinovial , sendo marcada por uma resposta inflamatória de baixo grau,  mantida por citocinas e mediadores catabólicos que perpetuam um ciclo de  destruição tecidual e falência reparativa (Rezus et al., 2023). 

Inicialmente, o estímulo mecânico excessivo promove a liberação local de  interleucinas inflamatórias, como IL-1β e TNF-α, que, por sua vez, ativam vias  intracelulares em condrócitos e sinoviócitos, levando à superexpressão de  metaloproteinases de matriz (MMP-1, MMP-3, MMP-9 e MMP-13), à produção de  espécies reativas de oxigênio (ROS) e à desregulação dos inibidores teciduais de  protease (Bratoiu et al., 2023). Tais eventos culminam na degradação irreversível  dos componentes da matriz extracelular cartilaginosa, como colágeno tipo II e  agrecano, e na indução de apoptose celular,comprometendo severamente a  capacidade condrogênica local. 

Ademais, o osso subcondral, anteriormente considerado um tecido de  suporte inerte, revelou-se um dos protagonistas do processo degenerativo, pois a  degeneração condral expõe a superfície óssea a cargas anômalas, desencadeando  uma remodelação patológica caracterizada por aumento da reabsorção  osteoclástica e falha na neoformação osteoblástica, resultando em esclerose,  formação de osteófitos e microfraturas trabeculares (da-Silva et al., 2020).  Adicionalmente, a liberação de fatores angiogênicos como VEGF estimula a  penetração de vasos na zona calcificada da cartilagem, promovendo  neovascularização aberrante e neurogênese ectópica, que se associam à  sensibilização periférica e à cronificação da dor (Macovei et al., 2023).  

Tendo em vista tais alterações, é possível afirmar que a degeneração  condilar se insere em um contexto microambiental de colapso homeostático, em  que o aumento de citocinas pró-inflamatórias não é contrabalançado por fatores  regenerativos endógenos, e em que os mecanismos de feedback negativo falham  em controlar a destruição tecidual. A membrana sinovial, nesse cenário, passa a atuar como fonte contínua de mediadores inflamatórios, agravando o  comprometimento do líquido sinovial e reduzindo sua função lubrificante e nutritiva,  aspectos que afetam diretamente a viabilidade dos condrócitos remanescentes e a  funcionalidade global da articulação (Rezus et al., 2023).  

Convém destacar ainda que alterações biomecânicas secundárias à perda  de congruência articular e à assimetria condilar repercutem em toda a cadeia  neuromuscular envolvida na mastigação, fonação e deglutição, produzindo  sintomas referidos em estruturas adjacentes, como região temporal, cervical e  auricular, dificultando o diagnóstico diferencial e a delimitação clínica precisa da  osteoartrite (da- Silva et al., 2020). Como corolário, a compreensão da ATM como  uma unidade funcional integradora de múltiplos sistemas reforça a necessidade de  abordagens terapêuticas integrativas, que atuem não apenas nos sintomas, mas  nos processos biológicos que sustentam o colapso estrutural e funcional da  articulação. 

Em face do apresentado, torna-se evidente que a osteoartrite da articulação  temporomandibular não constitui um processo puramente degenerativo e  mecânico, mas sim uma condição inflamatória, neurovascular e imunomediada,  cujo tratamento exige a intervenção sobre alvos moleculares e celulares  específicos. Diante disso, justifica-se a crescente incorporação de estratégias  biotecnológicas que visem restaurar a integridade tecidual por meio da modulação  do microambiente articular, como é o caso dos agregados plaquetários autólogos.  A transição paradigmática do tratamento sintomático para a regeneração tecidual  tem como ponto de partida a compreensão aprofundada da fisiopatologia articular,  que oferece o terreno conceitual necessário para a aplicação de terapias  inovadoras fundamentadas na biologia molecular e na engenharia tecidual. 

2.2 MECANISMOS BIOLÓGICOS DE REGENERAÇÃO ARTICULAR POR AGREGADOS PLAQUETÁRIOS 

À luz das recentes descobertas em biotecnologia aplicada à medicina  regenerativa, observa-se que os agregados plaquetários autólogos –  principalmente o plasma rico em plaquetas (PRP) e a fibrina rica em plaquetas  (PRF) – configuram- se como alternativas promissoras no tratamento das  degenerações articulares, incluindo a osteoartrite da articulação  temporomandibular, especialmente por concentrarem mediadores bioativos envolvidos em processos de reparo tecidual, modulação da inflamação e  regeneração celular (Bai et al., 2023). Segundo Tang et al. (2023), o PRP é  preparado por meio da centrifugação do sangue periférico, resultando em uma  suspensão com alta concentração de plaquetas ativas, as quais, quando  estimuladas, liberam fatores de crescimento como PDGF, TGF-β1, VEGF, IGF-1 e  EGF, responsáveis pela indução da quimiotaxia celular, angiogênese fisiológica,  síntese de colágeno e proliferação de condrócitos. 

De acordo com Liang et al. (2023), a ação dos fatores de crescimento  presentes no PRP ocorre por meio da ativação de vias intracelulares como  MAPK/ERK, PI3K/Akt e SMAD, que promovem a expressão de genes  condrogênicos como SOX9 e COL2A1, fundamentais para o fenótipo condrocitário  e para a restauração da matriz extracelular cartilaginosa. Ainda conforme Liang et  al. (2023), o ambiente resultante dessa ativação molecular favorece a diferenciação  de células-tronco mesenquimais e inibe a apoptose condrocitária induzida por  estresse inflamatório – fenômeno amplamente descrito como central na progressão  da osteoartrite condilar. Além disso, Bai et al. (2023) ressaltam que o PRP reduz  significativamente a expressão de citocinas pró-inflamatórias como IL-1β e TNF-α,  ao mesmo tempo em que estimula a liberação de IL-10 e TGF-β1, modulando o  microambiente intra-articular de maneira anti-inflamatória e condroprotetora. 

Tendo em vista esses efeitos, Macovei et al. (2023) observaram em  experimentos clínicos que a infiltração de PRP na articulação temporomandibular  de pacientes com osteoartrite promoveu não apenas redução da dor e melhora da  amplitude de abertura bucal, mas também evidências radiográficas de preservação  condral, sugerindo uma ação regenerativa sustentada. A esse respeito, Rezus et al.  (2023) destacam que os fatores angiogênicos e anabólicos veiculados pelo PRP  interferem diretamente na integridade do osso subcondral, melhorando a  arquitetura trabecular e reduzindo os marcadores de necrose óssea, como TRAP e  RANKL. Sob essa perspectiva, Bai et al. (2023) reiteram que os efeitos sistêmicos  do PRP também envolvem a supressão da atividade das metaloproteinases  (MMPs), como MMP-1, MMP-3 e MMP-13, implicadas na degradação da cartilagem  articular. 

No que tange à fibrina rica em plaquetas, Melo (2024) explica que o PRF é  obtido por centrifugação do sangue sem adição de anticoagulantes, originando uma  matriz tridimensional composta por fibrina densa entrelaçada com plaquetas e leucócitos, o que confere liberação lenta e contínua dos mesmos fatores de  crescimento presentes no PRP. Conforme descrito por Liang et al. (2023), o PRF  permite uma interação mais estável com o tecido lesionado, além de estimular a  migração de fibroblastos e de células-tronco da membrana sinovial, facilitando a  regeneração das camadas profundas da cartilagem e a remodelação ordenada do  osso subcondral. Ainda segundo Bai et al. (2023), a matriz fibrinosa do PRF  apresenta propriedades hemostáticas, anti-inflamatórias e de adesão celular que  favorecem a revascularização local e a organização dos elementos regenerativos  no sítio da lesão. 

Sob o prisma da biologia molecular, Tang et al. (2023) apontam que o PRF  ativa a via TGF-β/SMAD, essencial para a manutenção do fenótipo condrogênico e  para a inibição de mediadores catabólicos, ao passo que reduz a expressão de  marcadores inflamatórios como NF-κB, COX-2 e IL-6, criando um ambiente propício  à reparação tecidual. Além disso, Bai et al. (2023) documentaram que a aplicação  local de PRF aumenta significativamente os níveis de TIMP-1 e TIMP-3, inibidores  endógenos de metaloproteinases, os quais são cruciais para o equilíbrio entre  síntese e degradação de matriz extracelular em tecidos articulares submetidos a  processos degenerativos. 

Na perspectiva de aplicações clínicas integradas, Liang et al. (2023)  sugerem que tanto o PRP quanto o PRF podem ser combinados com biomateriais  osteocondrais ou células-tronco mesenquimais, ampliando os efeitos regenerativos  por meio da criação de um microambiente sinérgico, caracterizado por angiogênese  ordenada, migração celular direcionada e controle inflamatório eficaz. Macovei et  al. (2023), por sua vez, confirmaram que a repetição de ciclos de infiltração intra articular de PRP e PRF em intervalos regulares resulta em efeitos cumulativos  sobre a regeneração da cartilagem, sendo observada, inclusive, a reorganização  histológica das camadas condrais e a melhora da espessura condilar em exames  de imagem de acompanhamento. 

Diante do exposto, verifica-se que os agregados plaquetários atuam por  meio de múltiplas vias sinérgicas, inflamatória, angiogênica, condrogênica e  osteogênica, promovendo um redesenho do microambiente articular degenerado,  cuja complexidade exige intervenções que reconstituam a homeostase tecidual  perdida. Conforme defendido por Melo (2024), a principal virtude terapêutica  dessas biotecnologias reside em sua capacidade de integrar processos regenerativos de forma fisiológica, minimizando os efeitos adversos farmacológicos  e oferecendo uma alternativa biologicamente plausível à abordagem convencional  baseada em anti- inflamatórios e procedimentos invasivos. Em decorrência disso, a  utilização de PRP e PRF na ATM representa um avanço substancial no campo da  regeneração articular autóloga, exigindo, contudo, padronizações clínicas e  validação por estudos multicêntricos que consolidem sua eficácia em larga escala. 

2.3 EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E EXPERIMENTAIS SOBRE O USO DE PRP E PRF NA ATM 

Considerando o acima exposto sobre os mecanismos fisiopatológicos da  osteoartrite da articulação temporomandibular e os potenciais regenerativos dos  agregados plaquetários, observa-se que sua aplicação clínica tem sido objeto de  numerosos ensaios experimentais e investigações translacionais, os quais, apesar  da heterogeneidade metodológica, apontam convergentemente para benefícios  expressivos na modulação inflamatória, na regeneração tecidual e na melhora  funcional da ATM (Macovei et al., 2023). Derwich, Mitus-Kenig e Pawlowska  (2021), demonstraram que o PRP, quando administrado por infiltração intra articular, promove redução significativa da dor tanto em repouso quanto em  movimento, ao passo que os efeitos sobre a amplitude de abertura bucal variam de  acordo com o número de aplicações e o tempo de acompanhamento, o que indica  a necessidade de padronização nos protocolos clínicos. 

Em estudo comparativo com ácido hialurônico e corticosteroides, Macedo de  Sousa et al. (2020) constataram que o PRP produziu resultados superiores na  redução da dor articular e na melhora da abertura bucal máxima sem dor,  especialmente após seis meses de tratamento, evidenciando sua eficácia a longo  prazo. Xu et al. (2023), ao realizarem uma meta-análise com 12 ensaios clínicos  randomizados, identificaram que o PRF apresenta desempenho superior em  tratamentos prolongados, sobretudo na manutenção da função articular, enquanto  o PRP oferece alívio mais imediato da dor, sendo particularmente eficaz em  quadros agudos de disfunção temporomandibular. Essa diferenciação temporal  entre os dois tipos de agregados foi corroborada por Wang et al. (2019), que  identificaram a superioridade do PRF na regeneração condral sustentada, resultado  atribuído à sua matriz fibrinosa mais densa e à liberação prolongada de fatores  bioativos.

Adicionalmente, Cardoneanu et al. (2023) reportaram, em modelos animais,  que tanto o PRP quanto o PRF promoveram espessamento da cartilagem,  reorganização das fibras de colágeno e normalização da junção osteocondral, com  significativa diminuição na expressão de MMP-13 – enzima marcadora da  degradação condral – e restauração parcial da arquitetura trabecular do osso  subcondral.  

Esses achados foram reforçados pelos experimentos de Liang et al. (2023),  que demonstraram que a infiltração de PRP induz aumento da expressão de TIMP 1 e TIMP-3, inibidores naturais das metaloproteinases, ao mesmo tempo em que  suprime citocinas como IL-1β e TNF-α, criando um microambiente propício à  regeneração biológica. Em consonância, o estudo de Varela et al. (2019) ressaltou  a capacidade do PRF em estimular a produção de ácido hialurônico pelos  sinoviócitos, além de favorecer a vascularização fisiológica da articulação por meio  da liberação sustentada de VEGF, IGF-1 e TGF-β1. 

No cenário clínico, a análise conduzida por Sikora et al. (2022) evidenciou  que a percepção subjetiva dos pacientes sobre dor e função mandibular melhorou  significativamente após o uso do PRP, especialmente quando a aplicação foi  guiada por ultrassonografia, demonstrando-se eficaz e segura em ambiente  ambulatorial. Ainda nesse campo, Bahia (2022) reforçou que a combinação de  artrocentese com infiltração de PRP proporcionou melhoras significativas na dor e  na abertura bucal em comparação com artrocentese isolada, validando a proposta  de que o PRP potencializa os efeitos mecânicos e lubrificantes do procedimento  minimamente invasivo. De forma semelhante, Adames, Adam e Brasil (2023)  demonstraram que a administração de ácido hialurônico e corticosteroide sob  orientação ultrassonográfica também se mostrou eficaz, embora os resultados  clínicos obtidos com PRP apresentem maior duração do efeito analgésico e  funcional. 

Cabe destacar, ainda, os achados de Nowak et al. (2021), que analisaram a  eficácia de terapias injetáveis no manejo da dor miofascial associada à ATM,  revelando que o PRP contribui significativamente para a melhora da funcionalidade  muscular e da mobilidade mandibular. Em consonância, Agarwal et al. (2022)  constataram que, na comparação entre PRP e agulhamento seco para pontos gatilho no músculo masseter, o PRP foi superior em termos de redução da dor e  satisfação do paciente, reforçando sua aplicabilidade também nos componentes musculares associados às disfunções articulares. 

Como corolário, observa-se uma tendência de crescimento no uso  combinado de agregados plaquetários com dispositivos intraorais, fisioterapia e  medicações adjuvantes, como proposto por Diniz e Feitosa (2019), que defendem  uma abordagem multidisciplinar integrada como fator decisivo para o sucesso  terapêutico. Além disso, Folgado (2021) destaca a eficácia da associação de PRP  e PRF com artrocentese em casos de artrite degenerativa ou deslocamentos  discais, com relatos de melhora clínica sustentada em segmentos de até 12  meses. Tais resultados convergem com a análise de Coni, Breda e Veloso (2021),  que afirmam que os fatores de crescimento presentes nesses biomateriais  promovem regeneração tecidual, mas também potencializam a biossíntese de  matriz extracelular e a homeostase intra-articular. 

Em face do apresentado, constata-se um deslocamento progressivo do  paradigma terapêutico no manejo da osteoartrite da ATM, passando de  intervenções essencialmente sintomáticas para abordagens regenerativas com  respaldo molecular e histológico. Não obstante os resultados promissores, autores  como Derwich, Mitus- Kenig e Pawlowska (2021) reforçam a necessidade urgente  de padronização dos protocolos clínicos quanto à concentração, volume e número  de aplicações, bem como a necessidade de estudos multicêntricos de longo prazo. 

Diante disso, a adoção dos agregados plaquetários, particularmente PRP e  PRF, deve ser considerada como estratégia terapêutica promissora e  complementar dentro de planos terapêuticos individualizados, sustentados por  evidência científica sólida e crescente. 

2.4 PROTOCOLOS DE APLICAÇÃO DE AGREGADOS PLAQUETÁRIOS EM ATM 

A ausência de padronização nos protocolos de aplicação dos agregados  plaquetários autólogos na articulação temporomandibular (ATM) ainda constitui um  grande desafio na literatura (Derwich; Mitus-Kenig; Pawlowska, 2021). As diferenças  quanto ao tipo de concentrado (PRP ou PRF), concentração plaquetária, via e  volume de administração, número de sessões e uso conjunto com técnicas como a  artrocentese dificultam a comparação entre estudos e a elaboração de  recomendações clínicas consistentes (Cardoneanu et al., 2023; Xu et al., 2023). 

Nesse contexto, diversos autores buscaram sistematizar parâmetros mínimos 11 de preparo e aplicação que garantam segurança e eficácia. Em síntese, a literatura  narra três modalidades principais de utilização dos agregados plaquetários na ATM:  (a) infiltração intra-articular isolada, (b) artrocentese associada a agregados  plaquetários e (c) uso combinado de PRP e PRF em ciclos de tratamento (Macedo  de Sousa et al., 2020; Bahia, 2022; Melo, 2024).

Tabela 1 – Principais parâmetros de protocolos clínicos de aplicação de PRP e PRF na ATM

Fonte: Elaboração própria (2025) com base nos estudos de Derwich et al. (2021), Xu et al. (2023),  Melo (2024), Bahia (2022), Diniz e Feitosa (2024), Varela et al. (2019) e Macovei et al. (2023).

Os estudos clínicos indicam que os agregados plaquetários são seguros e  bem tolerados, independentemente do protocolo empregado. 

Derwich, Mitus-Kenig e Pawlowska (2021) relataram melhora significativa na  dor em repouso e durante a mastigação após duas aplicações intra-articulares de  PRP, com intervalo de 21 dias, sem eventos adversos. De modo semelhante, Sikora  et al. (2022) observaram aumento da abertura bucal máxima e redução da  sensibilidade articular em pacientes submetidos à infiltração de PRP guiada por  ultrassonografia. 

A associação entre artrocentese e PRP é a modalidade mais frequentemente  descrita, sendo considerada por Bahia (2022) e Diniz e Feitosa (2024) uma técnica sinérgica, pois o lavado articular prévio remove detritos inflamatórios, enquanto o  PRP age modulando a resposta catabólica e estimula a regeneração. Estudos  comparativos indicam que essa associação produz alívio da dor mais rápido e  duradouro do que a artrocentese isolada (Cardoneanu et al., 2023). 

No caso do PRF, Melo (2024) ressalta que sua matriz fibrinosa densa libera  gradualmente fatores de crescimento, gerando resultados mais estáveis em médio e  longo prazo. Xu et al. (2023) identificaram que o PRF oferece melhor manutenção  funcional após seis meses de acompanhamento, ao passo que o PRP apresenta  resposta mais imediata, porém menos prolongada. Tais achados são compatíveis  com o comportamento biológico distinto de cada biomaterial, o PRP atua de forma  rápida e transitória, enquanto o PRF exerce liberação sustentada de mediadores  regenerativos (Liang et al., 2023).

Tabela 2 – Comparação entre PRP e PRF nos resultados clínicos e estruturais

Fonte: Elaboração própria (2025) a partir de Bai et al. (2023); Derwich et al. (2021); Xu et al. (2023);  Melo (2024); Min et al. (2024); Varela et al. (2019).

De modo geral, o PRP é mais indicado em fases iniciais ou agudas da  osteoartrite, quando a meta terapêutica é a redução rápida da inflamação e da dor,  enquanto o PRF demonstra vantagens em estágios crônicos, nos quais se busca  regeneração tecidual prolongada (Bai et al., 2023). Entretanto, a falta de consenso  sobre o número ideal de aplicações e a ausência de padronização nos métodos de  preparo limitam a reprodutibilidade dos resultados (Almpani et al., 2023). 

Macovei et al. (2023) e Cardoneanu et al. (2023) recomendam a adoção de  protocolos combinados, alternando entre PRP e PRF a cada 21 dias, para aproveitar  o pico de liberação imediata do PRP e o efeito sustentado do PRF. A abordagem  híbrida apresenta resultados promissores em estudos clínicos controlados e desponta como tendência na odontologia regenerativa. 

Os concentrados autólogos de plaquetas empregados na articulação  temporomandibular (ATM) dividem-se, em plasma rico em plaquetas (PRP),  usualmente obtido em preparação líquida na presença de anticoagulante, e fibrina  rica em plaquetas (PRF), produzida sem anticoagulante e caracterizada pela  formação de uma matriz tridimensional de fibrina que aprisiona plaquetas e  leucócitos. Evoluções técnicas originaram subtipos com diferentes perfis biológicos  e de liberação de fatores de crescimento, destacando-se o L-PRF (rico em  leucócitos), o A-PRF/A-PRF+ (centrifugação de baixa força g, preservando células  e prolongando a liberação de mediadores) e o i-PRF, uma forma líquida injetável  que polimeriza in situ após a infiltração intra-articular (Choukroun et al., 2001;  Dohan Ehrenfest et al., 2009; Ghanaati et al., 2014; Miron et al., 2017). A escolha  entre PRP, PRF sólido (membrana/coágulo) e i-PRF depende da meta terapêutica  — alívio mais rápido da dor versus manutenção prolongada dos efeitos  regenerativos — e das condições clínicas do paciente (Derwich, Mitus-Kenig, &  Pawlowska, 2021; Xu et al., 2023). 

O fundamento operacional da preparação é a padronização pelo parâmetro  físico força relativa centrífuga (RCF, “g”), e não pelas rotações por minuto (rpm),  uma vez que a rpm varia conforme o raio do rotor. Assim, a RCF é calculada pela  expressão RCF = 1,118 × 10⁻ × r (cm) × rpm² (Ghanaati et al., 2014). Nos  protocolos de PRP, emprega-se comumente uma estratégia em uma ou duas  centrifugações: uma fase soft spin (aproximadamente 100–200 g por 10–15  minutos) para separar o plasma com plaquetas, seguida, quando indicado, de hard  spin (400–800 g por 5–10 minutos) para concentrá-las em pellet, que é  ressuspenso no volume desejado. Utiliza-se anticoagulante (geralmente ACD-A), e  o preparo pode ser ativado com cloreto de cálcio imediatamente antes da  aplicação, dependendo do protocolo (Dohan Ehrenfest et al., 2009; Bahia, 2022). 

Nos protocolos de PRF sólido, o sangue é colhido em tubos sem  anticoagulante e centrifugado imediatamente (tempo porta-centrífuga ideal inferior a  2 minutos), com forças em torno de 200–400 g por 8–12 minutos, a depender do  conceito (por exemplo, A-PRF+ com menor g e tempo mais curto, preservando  células e favorecendo liberação prolongada) (Ghanaati et al., 2014). O i-PRF resulta de centrifugação muito suave e breve (60–120 g por 2–4 minutos, variando  conforme o raio do rotor), também sem anticoagulante. A fase líquida rica em  fibrina solúvel permanece injetável por alguns minutos e, uma vez na articulação,  gelifica espontaneamente, liberando gradualmente fatores de crescimento no  microambiente sinovial (Miron et al., 2017; Xu et al., 2023). 

Do ponto de vista clínico, a aplicação em ATM deve seguir um planejamento  rigoroso de biossegurança e rastreabilidade, com identificação do paciente,  assepsia, controle de tubos e parâmetros e conferência do volume preparado.  Recomenda-se o uso de baixa força g e baixo volume, dada a reduzida  complacência da cavidade articular. A infiltração é usualmente dirigida ao  compartimento superior da ATM por via pré-auricular, utilizando marcos anatômicos  clássicos sobre a linha cantotragal (ponto de Holmlund-Hellsing), preferencialmente  com guiagem ultrassonográfica para aumentar a precisão e reduzir riscos  (Holmlund & Hellsing, 1986; Sikora et al., 2022). Empregam-se agulhas finas  (23–27 G), posicionadas com o bisel voltado para o espaço superior e com a boca  semiaberta. Os volumes relatados variam de 0,5–1,5 mL por articulação para PRP  e cerca de 1,0 mL para i-PRF, geralmente em uma a três sessões com intervalos  de 15–30 dias (Derwich et al., 2021; Xu et al., 2023). 

Quando há indicação de artrocentese, realiza-se previamente a lavagem  com solução fisiológica (100–300 mL, dependendo do serviço), removendo  mediadores inflamatórios e detritos. Ao término, infiltra-se o PRP ou i-PRF, o que  se associa a alívio mais rápido e sustentado da dor e melhora da amplitude  mandibular (Bahia, 2022; Diniz & Feitosa, 2024). O PRP pode ser aplicado com ou  sem ativação (CaCl₂), enquanto o PRF e o i-PRF não necessitam de ativador, pois  polimerizam de modo fisiológico (Choukroun et al., 2001; Miron et al., 2017). 

Em termos de segurança, os eventos adversos mais comuns são leves e  autolimitados, como dor local, rigidez e discreto edema (Derwich et al., 2021). As  contraindicações relativas incluem plaquetopenia relevante, coagulopatias, uso  contínuo de anticoagulantes, infecção local, neoplasia ativa no sítio e  hipersensibilidade a aditivos, quando empregados ativadores. A gravidez exige  avaliação de risco-benefício segundo protocolos institucionais (Sikora et al., 2022).  As boas práticas incluem termo de consentimento, técnica asséptica, dupla  checagem de lateralidade, registro de parâmetros de centrifugação e lote dos consumíveis, além de orientações de pós-procedimento com gelo intermitente por  24 horas, dieta branda por 48–72 horas e exercícios mandibulares leves (Derwich  et al., 2021; Bahia, 2022). 

Finalmente, a escolha entre PRP e PRF/i-PRF deve considerar a  fisiopatologia e a meta terapêutica. O PRP apresenta resposta clínica mais rápida,  especialmente na dor aguda, enquanto o PRF e o i-PRF promovem liberação mais  prolongada de fatores regenerativos e efeito mais estável sobre a função articular  em médio prazo (Miron et al., 2017; Xu et al., 2023). Alguns autores sugerem  protocolos combinados e cíclicos, alternando PRP e i-PRF a cada três semanas,  buscando aliar o pico de ação imediata do PRP ao efeito prolongado do i-PRF  (Liang et al., 2023; Macovei et al., 2023). Em qualquer abordagem, o sucesso  terapêutico depende do cálculo preciso da RCF conforme o raio da centrífuga  utilizada e da execução anatômica correta da infiltração intra-articular, fatores  diretamente relacionados à eficácia e segurança do tratamento (Ghanaati et al., 2014; Sikora et al., 2022). 

3. METODOLOGIA 

A presente investigação caracteriza-se como pesquisa de natureza  bibliográfica, desenvolvida a partir da reunião, seleção e análise crítica de produções  científicas publicadas em periódicos indexados e em repositórios digitais. A opção  por este delineamento metodológico fundamenta-se na compreensão de que a  revisão narrativa constitui um recurso acadêmico adequado para sintetizar e  interpretar os avanços já consolidados na literatura, permitindo, de maneira mais  ampla, a identificação de lacunas de conhecimento e a proposição de novas  perspectivas de estudo (Creswell, 2007). 

Considerando a abrangência dos transtornos temporomandibulares,  delimitou-se o escopo desta pesquisa à osteoartrite da articulação  temporomandibular (ATM), com ênfase nos mecanismos fisiopatológicos envolvidos  e nas estratégias terapêuticas regenerativas mediadas por agregados plaquetários  autólogos, especialmente o plasma rico em plaquetas (PRP) e a fibrina rica em  plaquetas (PRF).  

O recorte temporal adotado compreendeu o período de 2021 a 2025, uma vez  que nesse intervalo se observa um aumento expressivo da produção científica  internacional e nacional sobre o tema, possibilitando a análise de evidências contemporâneas e metodologicamente atualizadas. Ressalte-se que não se  consideraram outras modalidades terapêuticas convencionais, como fisioterapia, uso  de dispositivos interoclusais e administração prolongada de anti-inflamatórios não  esteroidais, pois o propósito deste trabalho reside na avaliação direcionada dos  recursos autólogos e de seus efeitos regenerativos. 

A coleta de dados bibliográficos foi realizada por meio de busca em três  bases de abrangência internacional e regional: United States National Library of  Medicine – National Center for Biotechnology Information (PubMed), Scientific  Electronic Library Online (SciELO) e Google Scholar (Google Acadêmico). Foram  utilizados descritores controlados dos vocabulários DeCS (Descritores em Ciências  da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings), tais como: “Platelet-Rich Plasma”,  “Platelet-Rich Fibrin”, “Temporomandibular Joint”, “Osteoarthritis”, “Tissue  Regeneration”, “Regenerative Medicine”, “Chondrogenesis”, “Joint Disorders” e  “Fibrin”. Os termos foram combinados com operadores booleanos “AND” e “OR”, e  aspas para expressões compostas, com o emprego de ferramentas de busca  avançada para filtrar por idioma, tipo de estudo e disponibilidade de texto completo  (Creswell, 2007). 

A seleção dos artigos seguiu critérios de inclusão previamente definidos: a)  publicações entre 2021 e 2025; b) estudos escritos em língua portuguesa ou inglesa;  c) pesquisas empíricas, experimentais ou revisões sistemáticas que abordassem a  utilização de PRP ou PRF na regeneração tecidual da ATM; d) trabalhos disponíveis  integralmente nas bases escolhidas. Foram excluídos os estudos que discutiam  apenas terapias farmacológicas ou fisioterapêuticas tradicionais, sem menção direta  às terapias com agregados plaquetários. 

A análise dos dados foi conduzida por meio de uma abordagem qualitativa e  interpretativa, voltada para a identificação de padrões, recorrências e divergências  nos resultados apresentados pelos diferentes autores. Nessa direção, buscou-se  compreender a forma pela qual os agregados plaquetários influenciam a modulação  inflamatória, a angiogênese e a regeneração da cartilagem e do osso subcondral,  bem como avaliar em que medida tais evidências respondem à questão norteadora  do estudo: em que medida os agregados plaquetários autólogos apresentam eficácia  como terapias regenerativas na osteoartrite da articulação temporomandibular,  considerando os efeitos na reparação da cartilagem e na remodelação óssea 

O levantamento bibliográfico realizado nas bases de dados PubMed (National Library of Medicine), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Google Scholar  resultou em um conjunto inicial de 126 publicações indexadas entre os anos de 2021  e 2025, as quais foram submetidas a um processo de triagem por título e resumo,  conduzido a partir dos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Após a  exclusão de 24 registros duplicados, permaneceram 102 estudos elegíveis para  avaliação detalhada. Destes, 69 foram eliminados por não atenderem às exigências  delineadas, sobretudo por se concentrarem em abordagens farmacológicas ou  fisioterapêuticas que não contemplavam diretamente o uso de agregados  plaquetários na regeneração da articulação temporomandibular. Dessa forma, 33  trabalhos foram selecionados e analisados integralmente, compondo a base final  desta revisão narrativa, que orientou a construção dos resultados e subsidiou a  discussão crítica em conformidade com os objetivos traçados no início da  investigação. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

4.1 Imagem Anatômica vs. Alterações Osteoartrósicas 

Considerando que a articulação temporomandibular constitui uma estrutura  sinovial complexa, cuja integridade anatômica e funcional possibilita a execução  coordenada de movimentos mastigatórios, deglutitórios e fonatórios, destaca-se que  o equilíbrio biomecânico depende de uma interação precisa entre o côndilo  mandibular, a fossa mandibular do osso temporal, o disco articular e os tecidos de  revestimento cartilaginoso. Na perspectiva de Larheim et al. (2024), a análise  pictórica da ATM em exames radiológicos permite evidenciar a distinção entre a  morfologia íntegra, caracterizada pela continuidade das superfícies articulares e pela  preservação do espaço intercondilar, e a condição patológica da osteoartrite,  marcada pela erosão, pelo achatamento condilar e pela remodelação óssea  irregular. 

A articulação temporomandibular (ATM) apresenta estrutura sinovial  altamente refinada, composta pelo côndilo mandibular, fossa mandibular do osso  temporal, disco articular e superfícies cartilaginosas, as quais conferem estabilidade  biomecânica aos movimentos de abertura, fechamento e lateralidade da mandíbula  (Larheim et al., 2024).

Figura 1 – Comparação da ATM normal e ATM com osteoartrite  (CBCT).
À esquerda, morfologia anatômica preservada da articulação temporomandibular, com côndilo intacto, fossa mandibular íntegra e espaço articular regular; à direita, alterações sugestivas de osteoartrite – erosão condilar, achatamento da superfície articular e  contornos ósseos irregulares (Min et al., 2024).

Fonte: Min, C. K.; Kim, K. A.; Lee, K. E.; Suh, B. J.; Jung, W. (2024).

Na imagem CBCT da esquerda, observa-se a arquitetura condilar  preservada, com contornos lisos, relação espacial adequada entre o côndilo e a  fossa, e manutenção do espaço interarticular. Essas características indicam  integridade funcional, com espaço cartilaginoso adequado e ausência de sinais  degenerativos. 

Na imagem da direita, o panorama apresenta um contraste marcante,  mostrando côndilo manifestamente achatado, erosões condilares evidentes e  superfície óssea irregular—indicadores típicos de osteoartrite temporomandibular  (Almpani et al., 2023). Tais achados radiológicos costumam acompanhar  remodelação óssea adaptativa e desgaste da cartilagem, comprometendo o  desempenho articular. A CBCT evidencia com clareza esses padrões degenerativos,  corroborando o conhecimento de que o achatamento condilar, a formação de  osteófitos e a esclerose subcondral representam estágios evolutivos da patologia  (Min et al., 2024; Vasegh et al., 2023). 

Considerando o acima exposto, a investigação anatômica da ATM sob o  prisma dos métodos de imagem revela que a osteoartrite se manifesta de maneira  multifatorial, afetando tanto os elementos ósseos quanto os tecidos cartilaginosos.  As alterações degenerativas se apresentam em graus variados de severidade, abrangendo desde pequenas irregularidades na cortical até a formação de osteófitos  e cistos subcondrais (Almpani et al. 2023).  

Demais disso, análises com tomografia computadorizada de feixe cônico  demonstram que pacientes acometidos frequentemente exibem achatamento  condilar acompanhado de esclerose subcondral, confirmando que a doença evolui  de forma progressiva e compromete a harmonia estrutural da articulação (Min et al.,  2024). 

Outrossim, a ressonância magnética assume protagonismo na avaliação dos  tecidos moles da ATM, permitindo identificar deslocamentos discais, irregularidades  na morfologia do disco e alterações do líquido sinovial. Com isso, as sequências  tridimensionais inovadoras, como o protocolo FRACTURE1, apresentam acurácia  superior para a caracterização precoce da osteoartrite quando comparadas a  sequências convencionais, o que reforça a importância da correlação entre achados  clínicos e radiológicos (Nozawa et al., 2025). Em consonância, de Souza Tesch,  Calcia e de Nordenflycht (2024) ressaltam que a definição de fenótipos estruturais  por imagem auxilia na estratificação dos pacientes, fornecendo subsídios relevantes  para a prática clínica e para a pesquisa translacional. 

Cumpre acrescentar que modalidades alternativas, como a ultrassonografia,  embora apresentem limitações de resolução espacial, têm sido estudadas como  ferramentas auxiliares para o diagnóstico precoce, revelando alterações  degenerativas em contexto clínico com menor custo e maior acessibilidade  (Wojciechowska et al., 2024).  

Em paralelo, investigações comparativas evidenciam que a acurácia da  ultrassonografia varia conforme a experiência do operador, o que indica necessidade  de padronização técnica para consolidar sua aplicabilidade clínica (Dumanli et al.,  2025). Ressalte-se ainda que modalidades funcionais, como o SPECT/CT, vêm  sendo empregadas na avaliação metabólica da articulação, estabelecendo valores  padronizados de captação que se correlacionam com maior atividade osteoartrítica e  que ampliam a precisão diagnóstica em pacientes sintomáticos (Kim et al., 2024). 

Dessarte, a análise integrada das modalidades de imagem permite afirmar  que a distinção entre a morfologia articular preservada e as alterações degenerativas próprias da osteoartrite da ATM não pode prescindir da utilização de técnicas  avançadas de diagnóstico, entre as quais a CBCT e a ressonância magnética  assumem papel central. Como corolário, torna-se evidente que a combinação de  métodos estruturais e funcionais amplia a capacidade de compreender a progressão  da doença e fundamenta estratégias terapêuticas mais individualizadas (Szcześniak  et al., 2024).

4.2 Achados Identificados  

Partindo do pressuposto de que a osteoartrite da articulação  temporomandibular se configura como uma condição degenerativa marcada por dor  persistente, limitação funcional e remodelação óssea progressiva, torna-se  imprescindível analisar de que maneira terapias regenerativas, como o plasma rico  em plaquetas (PRP) e a fibrina rica em plaquetas (PRF), contribuem para a  mitigação dos sintomas clínicos e para a restauração estrutural da articulação. 

Os estudos clínicos convergem na direção de uma melhora significativa da  sintomatologia dolorosa e da amplitude de abertura bucal após infiltrações intra articulares com agregados plaquetários. Cardoneanu et al. (2023, p. 463, tradução  nossa) relatam que a infiltração com concentrados plaquetários resultou em  melhora estatisticamente significativa nos escores de dor e função mandibular,  sobretudo em seguimento de curto prazo, evidenciando que a ação inicial dessas  terapias se manifesta de forma rápida, possivelmente devido à modulação de  mediadores inflamatórios presentes no líquido sinovial.  

Nesse ínterim, Melo (2024) destaca que a aplicação de PRF, em virtude de  sua matriz fibrinosa densa, promove liberação gradual e contínua de fatores de  crescimento, garantindo efeitos sustentados sobre a função mandibular e  favorecendo a recuperação clínica em médio prazo. Dessa forma, observa-se que  ambos os biomateriais apresentam impacto positivo sobre a experiência dolorosa,  ainda que em temporalidades distintas. 

Em relação às alterações histológicas e estruturais, observou-se por meio de  estudos pré-clínicos que a aplicação de agregados plaquetários revelou a  preservação da cartilagem articular e a indução de remodelação do osso subcondral,  processo evidenciado por análises histológicas e exames de imagem. Min et al. (2024) demonstraram, por meio de tomografia computadorizada (figura 1) de feixe  cônico (CBCT), que pacientes submetidos ao tratamento apresentaram aumento volumétrico do côndilo mandibular, sugerindo remodelação óssea ativa associada à  presença de fatores de crescimento plaquetários que estimulam osteoblastos e  condroblastos. A Figura 2 ilustra cortes multi seccionais da ATM, evidenciando  alterações anatômicas e permitindo melhor compreensão das remodelações  estruturais documentadas

Figura 2 – Visualização multi seccional da ATM por CBCT. Cortes que  evidenciam a anatomia óssea da articulação com detalhamento da forma condilar e  das superfícies articulares.

Fonte: Capture 3D Radiology, LLC (2023). CBCT for the Temporomandibular  Joints – Educational Material. Disponível em:  https://www.capture3dr.com/education/cbct-for-the-temporomandibular-joints/. Acesso  em: 26 ago. 2025.

De forma complementar, Almpani et al. (2023) observaram que o tratamento  com PRP e PRF favoreceu a deposição de colágeno e proteoglicanos, promovendo  maior preservação da matriz cartilaginosa e da integridade biomecânica da  articulação. 

Na análise comparativa, o PRP tem sido associado a respostas clínicas mais  imediatas, particularmente no alívio da dor aguda, em razão de sua constituição  líquida e da liberação rápida de mediadores bioativos. Em contrapartida, o PRF,  estruturado em uma matriz de fibrina, promove liberação mais lenta e duradoura de  citocinas e fatores de crescimento, possibilitando uma resposta de caráter estável e  com maior potencial de regeneração estrutural. Essa distinção temporal entre os  dois biomateriais foi salientada por Melo (2024) e reforçada por Cardoneanu et al.  (2023), que apontam para a complementaridade de suas aplicações, dependendo do  estágio clínico da osteoartrite. A tabela 1 sintetiza as diferenças entre os dois.

Tabela 3 – Síntese dos achados sobre PRP e PRF na osteoartrite da ATM

Fonte: Elaboração dos autores (2025). 

Destaca-se que há variabilidade nos protocolos de preparo, concentração  plaquetária, número de sessões aplicadas e tempo de seguimento. De acordo com  Almpani et al. (2023), tal heterogeneidade metodológica compromete a comparação  direta entre estudos e impede a formulação de protocolos clínicos universais. 

Considerando o acima exposto, os achados sugerem que PRP e PRF atuam  como moduladores biológicos capazes de reduzir inflamação, promover reparo  condral e induzir remodelação óssea. A fisiopatologia da osteoartrite da ATM  envolve degradação da cartilagem e remodelação subcondral com formação de  osteófitos, erosões e cistos (Larheim et al., 2024; Vasegh et al., 2023). Nesse  contexto, a aplicação de agregados plaquetários parece interferir no ciclo  degenerativo por liberar fatores de crescimento, como PDGF e TGF-β, que  estimulam condroblastos e osteoblastos, favorecendo o equilíbrio anabólico da  articulação (Cardoneanu et al., 2023). 

Todavia, não se pode ignorar que muitos estudos apresentam amostras  reduzidas, ausência de grupos comparadores e curto período de acompanhamento,  fatores que limitam as conclusões (Almpani et al., 2023; Melo, 2024).

Os achados radiológicos típicos da osteoartrite da ATM incluem achatamento  condilar, esclerose subcondral, erosões marginais e osteófitos (Larheim et al., 2024;  Szcześniak et al., 2024). As imagens obtidas por CBCT permitem observar  remodelação volumétrica do côndilo em indivíduos tratados com PRP (Min et al.,  2024), sugerindo potencial de reversão ou estabilização das alterações  degenerativas. Já a ressonância magnética evidencia alterações discais e redução  da inflamação sinovial após infiltração com PRF (Nozawa et al., 2025).

Figura 3 – Comparativo entre ATM normal e com osteoartrite (CBCT). À  esquerda, superfície condilar lisa com preservação do espaço articular; à direita,  sinais degenerativos, incluindo achatamento condilar e irregularidades óssea

Fonte: Janiszewska-Olszowska, J.; Kazimierczak, N.; Serafin, Z. (2024). Noise Optimized CBCT Imaging of Temporomandibular Joints—The Impact of Deep-Learning  Reconstruction. Journal of Clinical Medicine.

Os achados típicos da osteoartrite da ATM ainda incluem achatamento  condilar, esclerose subcondral, erosões marginais e osteófitos (Larheim et al., 2024;  Szcześniak et al., 2024). A Figura 4 apresenta uma sequência de cortes sagitais  evidenciando a morfologia normal e as alterações progressivas condilares típicas da  osteoartrite, permitindo compreender a evolução do processo degenerativo.

Figura 4 – Série sagital da ATM: morfologia normal versus alterações  osteoartrósicas. Sequência óptima para demonstrar alterações morfométricas e  estruturais típicas da osteoartrite.

Fonte: Oral Radiology Toronto (2024). CBCT Scan for TMJ – Clinical Illustration. Disponível em: https://oralradiologytoronto.ca/cbct-scan-for-tmj/?utm_source

Diante do exposto, é plausível afirmar que PRP e PRF apresentam efeitos  clínicos positivos e indícios de regeneração estrutural, ainda que os achados devam  ser interpretados com cautela. Em face do apresentado, a heterogeneidade  metodológica, a ausência de padronização e os tamanhos amostrais reduzidos  reforçam a necessidade de ensaios clínicos randomizados, com protocolos  uniformes e seguimento em longo prazo, a fim de consolidar sua utilização na prática  clínica. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O presente estudo teve como propósito analisar a eficácia dos agregados  plaquetários autólogos como terapias regenerativas aplicadas à osteoartrite da  articulação temporomandibular, delimitando a investigação a estudos publicados  entre 2021 e 2025. Os objetivos propostos foram alcançados, permitindo identificar  os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na doença, revisar os  diferentes tipos de agregados utilizados, avaliar seus efeitos sobre cartilagem e osso  subcondral e apontar vantagens e limitações de sua aplicação clínica. 

Os resultados apontaram que tanto o PRP quanto o PRF contribuem para a  redução da dor e para a melhora da função mandibular, além de indicarem potencial  para induzir remodelação condilar e preservar a cartilagem articular. Observou-se  que o PRP tende a apresentar resposta clínica mais imediata, enquanto o PRF  demonstra maior durabilidade dos efeitos, embora a variabilidade metodológica dos  estudos analisados limite a generalização dos achados. 

Em face do apresentado, conclui-se que os agregados plaquetários  configuram alternativas terapêuticas promissoras no manejo conservador da  osteoartrite da ATM. Contudo, a ausência de protocolos padronizados e de estudos  clínicos de longo prazo evidencia a necessidade de investigações adicionais que  permitam validar sua aplicação em diferentes contextos clínicos e consolidar sua  efetividade como recurso terapêutico. 


1O FRACTURE é uma sequência 3D de RM voltada para avaliação detalhada das estruturas  ósseas da ATM, permitindo identificar erosões e remodelações associadas à osteoartrite sem  necessidade de exposição à radiação ionizante, como ocorre na tomografia computadorizada.

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¹Acadêmico do curso de Odontologia do Centro Universitário Multivix – Vitória

²Docente do curso de odontologia do Centro Universitário Multivix – Vitória