ACTION OF NUTRACEUTICALS IN DERMATITIS: A SYSTEMATIC REVIEW ON EFFICACY AND THERAPEUTIC PERSPECTIVES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510111109
Chayane Limberger1
Giulia Galani Martha2
Aline Nunes3
Susane Lopes4
Resumo
A dermatite é uma condição que gera impactos significativos na saúde física e psicológica dos indivíduos afetados ao longo do tempo. Caracteriza-se, em geral, pela inflamação crônica da pele, resultando em sintomas como vermelhidão, coceira intensa e lesões cutâneas, comprometendo seriamente a qualidade de vida dos pacientes. Embora as causas e tratamentos tenham sido amplamente estudados, persistem lacunas quanto à eficácia de abordagens específicas, especialmente aquelas que envolvem compostos nutracêuticos. Nesse sentido, uma revisão sistemática da literatura foi realizada, seguindo os critérios PRISMA, para sintetizar as evidências disponíveis e fornecer um embasamento científico sólido. A busca foi realizada no Portal de Periódicos da CAPES, utilizando os descritores “dermatitis” AND “nutraceutical” em artigos revisados por pares. Dos 103 manuscritos identificados inicialmente, 17 foram incluídos na análise, com a maioria (82%) centrada em modelos pré-clínicos de dermatite atópica. Os resultados indicam que os nutracêuticos apresentam um potencial terapêutico promissor, atuando por meio de uma ação dual que modula vias inflamatórias cruciais, como MAPK e NF-κB, além de fortalecer a barreira cutânea. No entanto, a eficácia é predominantemente sustentada por evidências pré-clínicas, e a escassez de ensaios clínicos randomizados em humanos limita sua aplicabilidade clínica imediata. Assim, há uma urgente necessidade de mais estudos clínicos, acompanhados por avanços biotecnológicos, para validar a segurança e a dosagem ideal desses compostos como estratégias adjuvantes eficazes no manejo das dermatites.
Palavras-chave: Compostos naturais. Inflamação da pele. Alergia.
1 INTRODUÇÃO
O termo “dermatite” geralmente descreve um grupo de condições comuns caracterizadas por inflamação pruriginosa da pele. Essa condição se manifesta de diferentes formas, cada uma com suas características e gatilhos distintos. Alguns tipos comuns de dermatite incluem: dermatite atópica (DA), dermatite de contato (DC), classificada em dois subtipos, dermatite de contato irritante (DCI) e dermatite de contato alérgica (DCA), e dermatite seborreica (DS) (ALI et al., 2024).
A causa da dermatite pode variar conforme o tipo específico. Embora a inflamação da pele seja uma característica comum a todas as formas de dermatite, os gatilhos e os mecanismos envolvidos são distintos para cada tipo. Na DA, os mecanismos são imunomediados, e o entendimento de suas causas tem avançado em relação à predisposição genética, alterações na barreira da pele, respostas imunes, colonização por microrganismos (bactérias e fungos), reatividade a ácaros e outros fatores que exacerbam a doença (CRIADO et al., 2024; LUQUETTI et al., 2024). Em relação às DC, a DCI resulta do contato com substâncias irritantes, enquanto a DCA é causada pela exposição repetida da pele a alérgenos de contato (PRADO et al., 2023). A DS, por sua vez, está intimamente relacionada ao excesso de sebo, à proliferação excessiva de Malassezia furfur e Staphylococcus epidermidis, e à destruição da função de barreira da pele (GU & WANG, 2020).
Entre as dermatites, a DA é a principal causa da carga global de doenças de pele, com estudos indicando que ela tem o maior impacto, seguida pela DS e pela DC (XUE et al., 2022). No entanto, a compreensão completa da epidemiologia da DA ainda enfrenta desafios significativos, como a falta de dados globais e específicos por país, além de variações substanciais na sua distribuição por idade, sexo e região geográfica (TIAN et al., 2024). No Brasil, a prevalência da DA varia conforme a idade e a região, com maior incidência nas regiões Norte e Nordeste (RIOS et al., 2021).
Os tratamentos para dermatite variam de acordo com o tipo e a gravidade da condição. Em geral, as opções mais comuns incluem o uso de hidratantes, emolientes, fototerapia, anti- histamínicos, imunossupressores e corticosteroides (CASAGRANDI & BRANDÃO, 2020; GUILLEN et al., 2021). No entanto, esses tratamentos podem apenas aliviar os sintomas e/ou resultar em efeitos adversos na pele, como telangiectasia, além de efeitos colaterais sistêmicos, como hipertensão, supressão adrenal e resistência à insulina (RIOS et al., 2021).
Assim, o uso de nutracêuticos para o alívio e tratamento de algumas doenças e distúrbios cutâneos associados a infecções, como nas dermatites, representa uma alternativa promissora (WOLDEMESKEL, 2019). Nutracêuticos são substâncias nutritivas com propriedades farmacológicas que integram nutrição e medicamentos. Eles desempenham um papel importante na promoção da saúde, prevenção de doenças e longevidade, sendo valorizados por seus benefícios terapêuticos e segurança (PURI et al., 2022). Os compostos bioativos presentes nos nutracêuticos oferecem diversas ações benéficas para o corpo, como propriedades antioxidantes, antimicrobianas e antitumorais. Eles podem ser usados como complemento no tratamento de doenças crônicas como diabetes, problemas cardiovasculares e colesterol alto, contribuindo para a saúde geral por meio da ingestão diária (ALVES et al. 2025).
Dessa forma, considerando os benefícios do uso de nutracêuticos e a necessidade de alternativas menos invasivas e mais naturais para o tratamento e/ou manejo da dermatite, este trabalho tem como objetivo sintetizar informações dispersas na literatura, oferecendo embasamento científico sobre o potencial dos nutracêuticos no manejo dessa condição inflamatória da pele. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática da literatura, o que permitiu a síntese e o detalhamento das evidências publicadas sobre as estratégias terapêuticas dos nutracêuticos nos diferentes tipos de dermatite.
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Desenho do estudo
Para a realização da revisão sistemática, foram seguidos os critérios PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses – http://www.prisma- statement.org/PRISMAStatement/Checklist) e utilizado o Portal de Periódicos da CAPES, estabelecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação do Brasil (Portal CAPES). Este portal foi selecionado devido ao vasto número de bases de dados (n = 390) que integram mais de 39.000 periódicos científicos (NUNES et al., 2025).
A busca foi realizada a partir dos descritores “dermatitis” AND “nutraceutical”, com foco exclusivo em artigos científicos revisados por pares e publicados em inglês entre janeiro de 2003 e fevereiro de 2024.
A partir das coleções disponíveis na plataforma da CAPES, os resultados foram provenientes das seguintes bases de dados: Science Citation Index Expanded (Web of Science, n = 74), PubMed (n = 72), Directory of Open Access Journals (DOAJ, n = 63), PubMed Central (PMC, n = 62), Journals@Ovid Full Text (n = 19), Wiley Online Library (n = 16), SpringerNature Journals (n = 14), Wiley-Blackwell Full Collection 2013 (n = 13), Wiley Online Library All Journals (n = 13), ScienceDirect (n = 11), Wiley Open Access (n = 7), Wiley- Blackwell Full Collection 2009 (n = 7), Taylor & Francis Journals Complete (n = 3), Bentham Direct (n = 2), Taylor & Francis Open Access (n = 2), ACS Journals American Chemical Society Legacy Archives (n = 2), Begell House Journals (n = 1), BMJ Open Access Journals (n = 1) e BMJ Journals Online Archive (n = 1).
2.2 Avaliação de qualidade
Para a realização da revisão sistemática, dois revisores (C.L. e G.G.) conduziram a análise de forma independente no Portal de Periódicos da CAPES, minimizando o potencial de viés na seleção dos artigos. Em seguida, uma investigação complementar foi realizada por duas outras pessoas (A.N. e S.L.). O mapeamento dos artigos ocorreu entre os dias 18 e 25 de março de 2024.
2.3 Extração de dados
Os dados foram extraídos integralmente do Portal de Periódicos da CAPES para análise posterior, abrangendo todos os artigos recuperados (n = 103). Essas informações foram organizadas em uma planilha de dados do Microsoft Excel® (.xlsx), na qual cada entrada incluía o título do artigo, ano de publicação, área de estudo e objetivo da pesquisa.
2.4 Critérios de inclusão/exclusão
Na plataforma, foi utilizado o filtro para incluir apenas artigos científicos revisados por pares, resultando em um total de 103 manuscritos. No entanto, verificou-se que um desses manuscritos não se tratava de um artigo científico (n = 1). Dos 102 artigos restantes, 85 foram excluídos com base em critérios predefinidos. Esses critérios incluíram a exclusão de artigos categorizados como revisões de literatura (n = 34) e/ou que não abordavam o tema em questão, ou que apenas mencionavam os descritores (“dermatitis” AND “nutraceutical”) ao longo do texto (n = 51). Assim, um total de 17 artigos foi selecionado para compor o manuscrito. Os critérios de inclusão focaram em artigos que avaliavam a eficácia de nutracêuticos no tratamento da dermatite. Os artigos selecionados foram categorizados em duas categorias: dermatite atópica (n = 14) e outros tipos de dermatite (n = 3). Para fins de classificação, os artigos que utilizam o termo ‘eczema’ de forma genérica, mas que abordam explicitamente a fisiopatologia da dermatite atópica em seus contextos clínicos ou mecanismos de ação, foram incluídos na categoria de DA (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma baseado no modelo PRISMA com os resultados da busca realizada na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES (2003-2024) utilizando os descritores “dermatitis” AND “nutraceutical”.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos 17 artigos selecionados com base nos critérios de inclusão, o maior número de publicações foi observado nos anos de 2018 e 2021, com três publicações cada. Em seguida, os anos de 2015, 2020 e 2023 apresentaram duas publicações cada. Além disso, houve uma publicação para cada um dos anos de 2007, 2009, 2012, 2019 e 2024. Não foram encontradas publicações que atendessem aos critérios de inclusão nos anos de 2003, 2004, 2005, 2006, 2008, 2010, 2011, 2013, 2014, 2017 e 2022 (Figura 2).

Figura 2. Número de publicações por ano (2003-2024) utilizando os descritores “dermatitis” AND “nutraceutical”.
Com relação aos periódicos em que as publicações foram encontradas, o periódico “Molecules” apresentou o maior número de publicações (n = 3), seguido por “Nutrients, International Immunopharmacology”, “International Journal of Molecular Sciences e Journal of Food Biochemistry”, com duas publicações cada. Além disso, os periódicos “Allergy”, “Evidence-based Complementary and Alternative Medicine”, “Food Science and Biotechnology”, “Journal of Physiological Anthropology”, “Molecular Immunology” e “Plos One” apresentaram um artigo cada.
Com relação aos resultados obtidos (n = 17), os estudos foram categorizados em dois grupos: artigos que avaliaram a ação de nutracêutico em dermatite atópica (n = 14) e em outros tipos de dermatite (n = 3).
3.1 Dermatite atópica
Na categoria de dermatite atópica (n = 14), foram identificados artigos publicados nos seguintes anos: 2007 (n = 1), 2009 (n = 1), 2012 (n = 1), 2015 (n = 1), 2018 (n = 3), 2019 (n = , 2020 (n = 2), 2021 (n = 3) e 2023 (n = 1). Os manuscritos foram organizados em duas subcategorias: pesquisas voltadas para estudos in vitro (n = 7), ex vivo (n = 1), in vivo (n = 10) e in silico (n = 1). O número total de artigos é superior ao número de pesquisas, pois quatro artigos foram desenvolvidos tanto in vivo quanto in vitro (KIM et al., 2019; CHE et al., 2020; YANG et al., 2021; DONG et al., 2023), e um artigo foi realizado em ambas as abordagens in vitro e ex vivo (SHIM et al., 2007). Esses artigos, portanto, serão apresentados uma única vez.
Assim, nas pesquisas que consideraram os testes in vitro, o estudo de Jeong, Kim e Kim (2018) investigou os efeitos anti-inflamatórios do AST2017-01, uma formulação composta pela planta Rumex crispus e pelo cogumelo Cordyceps militaris, além de seu principal componente ativo, o crisofanol. Os testes foram realizados em linhagens celulares de mastócitos humanos (HMC-1), estimulados por forbol 12-miristato 13-acetato e ionóforo de Cálcio A23187 (PMACI, do inglês, phorbol 12-myristate 13-acetate and calcium ionophore A23187) e queratinócitos humanos (HaCaT) estimulados por poli-inosínico-poli-citidílico (poly(I:C), do inglês, polyinosinic-polycytidylic acid). O composto AST2017-01 foi testado em diferentes concentrações (0,5 a 50 µg/mL), em conjunto com o crisofanol (0,06 µg/mL) e o controle positivo dexametasona (100 nM). Os resultados demonstraram que ambos os tratamentos reduziram significativamente os níveis de cálcio intracelular, a liberação de histamina e a ativação das vias de proteínas quinases ativadas por mitógenos (MAPK, do inglês, mitogen- activated protein kinase). Especificamente, foram observadas reduções na proteína quinase ativada por junção N-terminal (p-JNK, do inglês, phosphorylated c-jun n-terminal kinase), na proteína quinase extracelular regulada por sinal (p-ERK, do inglês, extracellular-signal- regulated kinase), na proteína quinase ativada por mitógeno p38 fosforilada (p-p38, do inglês, phosphorylated p38) e no fator nuclear kappa beta (NF-κB, do inglês, nuclear factor kappa- light-chain-enhancer of activated B cells). Além disso, houve diminuições na atividade da caspase-1 e na produção de citocinas pró-inflamatórias, como as interleucinas IL-1β, IL-6 e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α, do inglês, tumor necrosis factor-alpha), bem como na linfopoietina estromal tímica (TSLP, do inglês, thymic stromal lymphopoietin), um fator proliferativo para mastócitos. Essas evidências sugerem que tanto o AST2017-01 quanto o crisofanol têm potencial para modular respostas inflamatórias relacionadas à DA, sem comprometer a viabilidade celular, sendo considerados candidatos promissores para abordagens terapêuticas futuras.
Utilizando a metodologia in vitro, Min et al. (2021) avaliaram os efeitos da saponarina, um flavonoide encontrado no broto de cevada verde, em linhagens murinas de macrófagos (RAW 264.7), leucemia basófila (RBL-2H3) e HaCaT. Em células RAW 264.7 induzidas por lipopolissacarídeos (LPS), a saponarina (80 μM) inibiu significativamente a expressão de citocinas, como TNF-α e IL-1β, além de reduzir a atividade do óxido nítrico sintase induzível (iNOS, do inglês, inducible nitric oxide synthase) e da ciclooxigenase-2 (COX-2). Nesta mesma concentração, a saponarina também inibiu a fosforilação da cinase ERK e da p38. Nos ensaios com células RBL-2H3 estimuladas por Imunoglobulina E (IgE) específica para dinitrofenol (DNF) e albumina de soro bovino conjugada com dinitrofenol (DNF-ASB), a saponarina (40 µM) inibiu significativamente a degranulação da β-hexosaminidase. O composto bloqueou a fosforilação de efetores de sinalização, como a tirosina-quinase do baço (Syk, do inglês, Spleen Tyrosine Kinase), a fosfolipase C gama 1 (Cγ1), ERK, JNK e p38, além de reduzir a expressão de mediadores inflamatórios, como TNF-α, IL-4, IL-5, IL-6, IL-13, COX-2 e o receptor de alta afinidade para IgE (FcεRIα/γ, do inglês, high-affinity IgE receptor). Em células HaCaT estimuladas por TNF-α e interferon (IFN)-γ, a saponarina (100 μM) inibiu a expressão de quimiocinas, como a quimiocina derivada de macrófagos (MDC, do inglês, macrophage- derived chemokine) e a quimiocina regulada por ativação e timo (TARC, do inglês, thymus and activation-regulated chemokine), além das citocinas IL-33 e TSLP. Também foi observada a inibição da fosforilação de moléculas de sinalização, como ERK, p38 e o transdutor de sinal e ativador de transcrição 1 (STAT1, do inglês, signal transducer and activator of transcription 1). Adicionalmente, a saponarina induziu significativamente a expressão de hialuronano sintase-3, aquaporina 3 e do peptídeo antimicrobiano catelicidina (LL-37) nessas células. Esses resultados indicam que a saponarina pode ser uma alternativa promissora para prevenir e aliviar os sintomas da DA e outras condições inflamatórias da pele, interferindo em mecanismos celulares que atuam em propriedades anti-inflamatórias, antialérgicas e protetoras da pele.
Shim et al. (2007) investigaram o potencial terapêutico de um extrato fermentado derivado de várias plantas no tratamento da DA juvenil utilizando metodologias in vitro e ex vivo. O estudo envolveu a extração e fermentação de 14 espécies diferentes de plantas, incluindo Houttuynia cordata, Angelica gigas, Artemisia princeps var. orientalis, Cnidium officinale, Angelica utilis, Sophora japonica, Mentha arvensis, Prunus armeniaca, Lonicera japonica, Zingiber officinale, Scrophularia buergeriana, Camellia sinensis, Artemisia princeps, Calendula officinalis e Platycodon grandiflorum. Para avaliar os efeitos do extrato vegetal fermentado, foram determinados os níveis de produção de óxido nítrico (ON) utilizando linhagens celulares de RAW 264.7 estimuladas por LPS (2,5 mg/ml), além de ensaios de viabilidade e proliferação celular por meio do ensaio de brometo de 3-[4,5-dimetil-2-tiazolil]- 2,5-difenil-tetrazólio (MTT), em diferentes diluições (20–1280 vezes). As descobertas revelaram que o extrato vegetal fermentado bloqueia efetivamente a produção de ON de maneira dose-dependente, alcançando inibição máxima em diluições de até 80 vezes. Notavelmente, o extrato não induziu efeitos citotóxicos, mesmo nesse nível de diluição. Adicionalmente, ele inibiu a proliferação de células T (obtidas do baço de camundongos BALB/c machos) de maneira dose-dependente. Esses resultados indicam que o extrato pode desempenhar um papel crítico na modulação de processos patológicos associados à DA.
Em relação às metodologias in vivo, Van Hoffen et al. (2009) partiram da crescente prevalência de doenças alérgicas e da hipótese de que os oligossacarídeos do leite materno podem modular o sistema imunológico, prevenindo, assim, alergias. A pesquisa avaliou o efeito de uma mistura específica de prebióticos, composta por galacto-oligossacarídeos de cadeia curta (GOS) e fruto-oligossacarídeos de cadeia longa (FOS) na proporção de 9:1, em bebês com alto risco de alergia. Em um ensaio duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, os bebês receberam uma fórmula hipoalergênica suplementada com 8 g/L de GOS/FOS ou com maltodextrina (placebo) durante seis meses. Como esperado para um prebiótico, a mistura GOS/FOS estimulou o desenvolvimento de uma microflora intestinal benéfica, dominada por bifidobactérias e lactobacilos. Este estudo analisou os mecanismos imunológicos por trás da redução da DA e os resultados mostraram que, aos seis meses de idade, o grupo tratado com GOS/FOS apresentou um perfil de anticorpos séricos benéfico, com redução significativa nos níveis de IgE total e das subclasses de IgG (IgG1, IgG2 e IgG3). Essa diminuição de anticorpos, especialmente da IgE, sugere que a suplementação é capaz de modular a resposta alérgica. O estudo também demonstrou que essa modulação é específica: houve uma redução significativa de IgG1 contra as proteínas do leite de vaca, indicando uma menor resposta alérgica a esse antígeno alimentar. Ademais, essa modulação direcionada não afetou a capacidade de defesa do organismo, já que a resposta imunológica à vacinação contra difteria, tétano e pólio permaneceu intacta. Em conclusão, os resultados indicam que a suplementação com GOS/FOS é um método seguro para regular os mecanismos imunológicos em bebês. Ao modular a resposta imunológica e reduzir a incidência de DA, essa abordagem atua diretamente no início da marcha atópica, contendo a progressão para outras doenças alérgicas.
O estudo realizado por Chung et al. (2012) avaliou a administração oral de extrato de noz-moscada (EN) em um modelo de camundongo NC/Nga com DA induzida por extrato do ácaro da poeira doméstica americano (DFE, do inglês, Dermatophagoides farinae extract). Vinte camundongos foram divididos em quatro grupos e tratados por gavagem oral durante duas semanas com EN (nas doses de 50 e 150 mg/kg/dia) ou com os respectivos controles. Os resultados indicaram que o EN reduziu significativamente a perda de água transepidérmica (TEWL, do inglês, trans epidermal water loss), o eritema, a infiltração de células inflamatórias, o espessamento epidérmico e os níveis séricos de imunoglobulina E (IgE), IL-4 e interferon gama (IFN-γ). Além disso, houve redução na expressão de citocinas pró-inflamatórias, como IL-13 e TNF-α, nas lesões dos camundongos. No baço, observou-se um aumento do fator de transcrição T-box e uma redução do GATA-3, um importante regulador do desenvolvimento e da função de diversos tipos celulares, especialmente linfócitos T e células epiteliais. Os resultados sugerem que a administração oral de EN atenua os processos inflamatórios nas lesões de pele de camundongos NC/Nga tratados com DFE, indicando que o EN é um candidato promissor no manejo e na prevenção da DA.
No estudo de Kang et al. (2015), foi avaliada a suplementação oral da microalga Chlorella vulgaris em um modelo murino de DA induzida por DFE. Neste estudo in vivo, quarenta animais foram divididos em seis grupos e receberam tratamentos com 3% e 5% de C. vulgaris ao longo de seis semanas em suas dietas. Os tratamentos reduziram significativamente os escores de dermatite, o espessamento epidérmico, a perda de água transepidérmica (TEWL) e a infiltração de mastócitos e eosinófilos nas lesões cutâneas, além de aumentar a hidratação da pele. Também foi observada uma diminuição nos níveis séricos da quimiocina regulada por ativação e timo (TARC, do inglês, thymus and activation-regulated chemokine) e da quimiocina derivada de mastócitos (MCD, do inglês, macrophage-derived chemokines). Nos cortes de tecidos, observou-se uma redução na expressão de RNA mensageiro (mRNA) da citocina inflamatória IL-4, relacionada às células Th2, que agravam reações alérgicas, e na expressão de mRNA de IFN-γ, derivada de células Th1, que induzem apoptose em queratinócitos, levando ao desenvolvimento de lesões cutâneas na DA. Esses dados indicam uma modulação das respostas imunológicas de dois tipos de linfócitos T auxiliares, Th2 e Th1, pela suplementação oral de C. vulgaris. Assim, sugere-se que C. vulgaris melhora lesões cutâneas semelhantes à DA modulando as respostas imunes locais e sistêmicas, apresentando potencial como ingrediente nutracêutico para seu manejo e prevenção.
Os autores Aslam et al. (2018) demonstraram que a timoquinona (TQ), um componente ativo da planta Nigella sativa, possui efeitos imunomodulatórios significativos em um modelo murino de DA induzida por 2,4-dinitroclorobenzeno (DNCB). No estudo in vivo, sessenta animais foram divididos em seis grupos. Os tratamentos com TQ foram realizados via oral (10 mg por kg de peso corporal) ou topicamente (5 μmol em 0,2 mL de acetona) nos dias 14 e 29 após a indução da DA. Os resultados demonstraram que a TQ, administrada tanto por via oral quanto tópica, reduziu a espessura e o peso das orelhas, os níveis séricos de IgE, a contagem de leucócitos e os escores clínicos de dermatite. Além disso, observou-se uma diminuição na expressão de mRNA de citocinas, como as interleucinas IL-4, IL-5 e IFN-γ, modulando o equilíbrio entre as respostas das células T auxiliares Th1 e Th2. Esses resultados sugerem que a TQ possui potencial como um nutracêutico para o manejo da DA. Entretanto, apesar dos resultados promissores, o estudo não conseguiu indicar se a TQ é mais eficaz para o tratamento da DA do que o Tacrolimus (controle positivo), um imunossupressor recomendado para pacientes que não respondem aos tratamentos com esteroides.
O estudo de Han et al. (2018) investigou os efeitos do AST2017-01, composto por Rumex crispus e Cordyceps militaris, e de seu principal bioativo, o crisofanol, em um modelo murino de DA induzida por 2,4-dinitrofluorobenzeno (DNFB). Quinze animais foram divididos em grupos de tratamento (n = 5/grupo) e receberam administração oral por meio de uma sonda, três vezes por semana, durante três semanas. Os tratamentos consistiram em: AST2017-01 nas doses de 0,5, 5 e 50 mg/kg; crisofanol a 0,06 mg/kg; e dexametasona a 39 µg/kg. Ambos os compostos reduziram sintomas intensos, como eritema, hemorragia e erosão, além de diminuir significativamente a duração do comportamento de coçar. O tratamento resultou em redução da espessura da epiderme e diminuição das infiltrações de eosinófilos e mastócitos nas lesões cutâneas. A nível molecular, tanto o AST2017-01 quanto o crisofanol reduziram significativamente os níveis séricos de histamina e IgE, que estavam aumentados pela exposição ao alérgeno DNFB. A intervenção também diminuiu os níveis séricos de diversas citocinas pró-inflamatórias, como a TSLP, IL-4, IL-6, IL-13 e TNF-α. Além disso, os compostos inibiram a expressão de TSLP, da molécula de adesão intercelular 1 (ICAM-1, do inglês, intercellular adhesion molecule 1) e da proteína inflamatória de macrófagos-2 (MIP-2, do inglês, macrophage inflammatory protein-2) nas lesões da pele. Também houve uma redução significativa nos níveis de mRNA de TSLP, TARC e receptor de quimiocinas 3 (CCR3, do inglês, chemokine receptor 3), que são importantes mediadores da inflamação. Os resultados sugerem que o AST2017-01 tem efeitos benéficos na DA e pode ser utilizado como um alimento funcional para a saúde no tratamento da doença.
No modelo de camundongos NC/Nga, avaliado por Han et al. (2020), o extrato etanólico da macroalga Sargassum horneri (EES) apresentou efeitos significativos na atenuação dos sintomas de DA em camundongos estimulados com ácaros da poeira doméstica (HDM, do inglês, house dust mite) e 2,4-dinitroclorobenzeno (DNCB). Neste estudo in vivo, 40 camundongos fêmeas foram divididos em seis grupos (n = 8/grupo) e, após a indução de DA com HDM/DNCB, receberam os tratamentos via oral utilizando uma agulha oral-zonada conectada a uma seringa de 1 mL com EES (10–100 mg/kg), além do controle positivo (CP) Lactobacillus plantarum (CJLP 133), por 21 dias. Os resultados mostraram que o EES reduziu significativamente as lesões cutâneas semelhantes à DA, de forma comparável ao CP. O nível de perda de água transepidérmica (TWEL) foi inibido, especialmente na dose de 100 mg/kg. Além disso, observou-se uma diminuição da espessura da orelha e da pele dorsal, bem como do número total de mastócitos e eosinófilos, de maneira dose-dependente, semelhante ao CP.
A nível sérico, houve redução nos níveis de IgG1 e IgG2a, além de citocinas como IL-4, IL-5, IL-13, eotaxina e regulada pela ativação, expressa e secretada por células T normais (RANTES, do inglês, regulated upon activation, normal T-cell expressed and secreted). Na pele dorsal, a expressão de mRNA de citocinas relacionadas à DA (IL-25 e IL-33), citocinas mediadoras de alergia (IL-6, IL-10 e IFN-γ) e quimiocinas (RANTES e TARC) foi suprimida. Também foi observada uma diminuição no tamanho do baço, com reduções nas citocinas esplênicas (IL-4, IL-5, IL-10, IL-13 e IFN-γ) e na quimiocina TARC. Assim, sugere-se a eficácia da administração oral de EES no alívio dos níveis de expressão de várias citocinas e quimiocinas relacionadas à DA.
Nos estudos que abordaram a eficácia de tratamentos em modelos in vitro e in vivo, Kim et al. (2019) investigaram os polissacarídeos remanescentes nos subprodutos da produção de ginseng vermelho (RGBP, do inglês, red ginseng by-product polysaccharides), que geralmente são descartados, mas têm potencial para se tornar ingredientes de alto valor agregado, com benefícios para a saúde, incluindo o gerenciamento da DA. Os pesquisadores utilizaram um processo enzimático e de alta pressão (ELHPP, do inglês, enzyme-linked high-pressure process) para otimizar a extração, descobrindo que esse método não apenas aumentou o rendimento dos polissacarídeos e a proporção de polissacarídeos ácidos, mas também conferiu ao extrato propriedades antioxidantes e segurança para uso. Nos ensaios relativos aos sintomas da DA, foram realizados testes in vitro com a linhagem de queratinócitos HaCat (5–20 μg/mL) induzida por TNF-α/IFN-γ, e em modelos in vivo com camundongos NC/Nga induzidos por DFE (50– 800 μg/mL). Os resultados sugerem que os ELHPP-RGBPs reduziram a indução de MDC/CCL22 e TARC/CCL17 nas células de queratinócitos. Além disso, os ELHPP-RGBPs diminuíram os escores de dermatite e a espessura da orelha em camundongos. Os resultados demonstram que os ELHPP-RGBPs são eficazes na redução dos sintomas de DA, sugerindo que esse composto pode ser um potencial tratamento para a doença.
Che et al. (2020) avaliaram os efeitos do extrato de aipo (Apium graveolens L.) hidrolisado com ácido (HCE, do inglês, acid hydrolyzed celery extract) e do extrato de aipo (CE, do inglês, celery extract) no tratamento da DA a partir de metodologias in vitro e in vivo. Nos testes in vitro, os extratos de HCE e CE (200 µg/mL), juntamente com compostos bioativos isolados (apigenina, apigetrina e luteolina), foram analisados em células RAW 264.7 por 24 horas. Os resultados demonstraram que ambos os extratos foram eficazes em inibir a produção de ON induzida por LPS, com o HCE mostrando um efeito superior ao CE. Os compostos isolados também se mostraram eficazes, validando sua atividade. Em seguida, a pesquisa avançou para testes in vivo, utilizando um modelo de camundongos machos com DA induzida por DNFB e antígeno de HDM. Após 16 dias de tratamento com HCE e CE (200 mg/kg), os extratos mostraram-se eficazes na redução de múltiplos sintomas e marcadores da doença, com resultados equivalentes ou superiores aos do grupo controle positivo tratado com prednisolona (PDS, 10 mg/kg). Os extratos reduziram significativamente os escores SCORAD (usados para avaliar a gravidade da DA) e a espessura da pele dorsal, que estavam elevados no modelo de DA. O HCE apresentou resultados superiores ao CE e à PDS. Além disso, os extratos diminuíram os níveis séricos de citocinas inflamatórias (IL-4, TNF-α e IL-6) e IgE, enquanto a PDS não teve efeito sobre o IgE. O HCE, em particular, destacou-se por ser o único a reduzir significativamente os níveis de IFN-γ, TSLP e IL-31. Ambos os extratos também reduziram a hiperplasia epidérmica e a infiltração e desgranulação de mastócitos nas lesões da pele. Em conclusão, o HCE mostrou-se mais eficaz que o CE, sugerindo que o extrato hidrolisado é uma terapia promissora para o tratamento da DA.
O estudo de Yang et al. (2021) avaliou a eficácia anti-inflamatória do extrato etanólico da planta Artemisia anomala (EAA) em modelos de DA, tanto in vitro quanto in vivo. Nos testes in vitro, o EAA foi aplicado em células HaCaT estimuladas por TNF-α e IFN-γ. O extrato (1 a 50 µg/mL, com 1 hora de pré-tratamento) reduziu a produção de citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias, como IL-6, IL-8, TARC e RANTES, de maneira dependente da concentração. O EAA também demonstrou inibir a degradação da proteína IκB-α e a fosforilação de transdutores de sinal e ativadores de transcrição (STAT-1, do inglês, signal transducers and activators of transcrip), processos cruciais na ativação de vias inflamatórias. Além disso, ele diminuiu a fosforilação de ERK, uma das proteínas da via MAPK, sem afetar as vias p38 e JNK. Em um modelo murino (BALB/c machos) com lesões cutâneas induzidas por DNCB, o tratamento oral com EAA (50 e 100 mg/kg) melhorou a condição da pele e reduziu a espessura epidérmica, a infiltração de células inflamatórias e a produção de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α e IFN-γ. O extrato também aliviou a esplenomegalia (aumento do baço) associada à inflamação. A análise química do EAA revelou a presença de compostos como quercetina, apigenina e tricína, que são os prováveis responsáveis pelos efeitos observados. Esses resultados destacam o potencial do EAA como um candidato promissor para o tratamento da DA, tanto como agente funcional quanto terapêutico.
O estudo de Dong et al. (2023) investigou os efeitos de diferentes proporções de extratos da planta Glycyrrhiza uralensis (GU) e gelatina de couro de burro (GCB) em um modelo de DA. A pesquisa foi realizada com 60 camundongos NC/Nga machos com DA induzida por DNCB, divididos em dez grupos, além de testes em células HaCaT e RAW 264.7. A combinação GU:GCB na proporção de 4:1, administrada em 200 mg/kg/dia por três semanas, demonstrou os melhores resultados in vivo. O tratamento reduziu significativamente a gravidade dos sintomas clínicos, conforme avaliado pelo escore de lesões na pele. Além disso, houve diminuição na frequência de células imunes ativadas no sangue e nos gânglios linfáticos, bem como na infiltração de células T e neutrófilos na pele. Os extratos também reduziram os níveis séricos de IgE e de citocinas inflamatórias (IL-4, IL-5, IL-13 e IFN-γ). A análise do tecido da pele confirmou que o tratamento reduziu a hiperplasia epidérmica e melhorou a função de barreira da pele, aumentando a expressão das proteínas Claudin 1 e tipo 2 de regulador de informação silenciosa (Sirt 1, do inglês, silent information regulator 2 type). Nos testes in vitro, as amostras foram pré-tratadas por três horas com 100 µg/mL antes da indução por LPS e TNF- α/IFN-γ em células RAW 264.7 e HaCaT. Nas células RAW 264.7, as combinações de extratos reduziram a secreção de mediadores inflamatórios, como nitrito, PGE2, TNF-α e IL-6. As proporções com maior quantidade de GCB foram as mais eficazes, e essa ação foi atribuída à inibição das enzimas iNOS e COX-2, além da supressão da atividade do fator NF-κB. De forma semelhante, em células HaCaT, as combinações reduziram a produção de citocinas e quimiocinas (IL-6, IL-8, RANTES e MDC), além da expressão da molécula de adesão ICAM- 1 e da enzima COX-2, sugerindo um efeito direto na inflamação da pele. A análise química identificou compostos-chave nos extratos que podem ser responsáveis por seus efeitos terapêuticos. O GU continha ácido hidroxiferúlico, isoliquiritigenina, liquiritina, ononina e enoxolona, enquanto o GCB apresentava estaquidrina, neokestose, além de sacarose em ambos. Os resultados destacam o potencial terapêutico dos extratos de GU e GCB para o manejo da DA, abrindo caminho para o desenvolvimento de novas formulações funcionais.
O único estudo in silico, conduzido por Wang et al. (2021), utilizou farmacologia de sistemas e análise de docking molecular (uma abordagem computacional) para investigar os mecanismos terapêuticos do chá Shi Zhen (SZT), um derivado da medicina tradicional chinesa, no tratamento do eczema atópico (DA). O estudo identificou 51 compostos ativos provenientes de quatro ervas medicinais (Atractylodis macrocephalae rhizoma, Schizonepetae herba, Sophorae flavescentis radix e Arctii fructus), com base em suas propriedades farmacocinéticas e farmacológicas. Esses compostos foram associados a 81 alvos moleculares potenciais. Dentre esses alvos, os autores focaram nos mais promissores, denominados “alvos centrais”, que incluíram a anidrase carbônica II (CA2) e o fator de crescimento endotelial vascular A (VEGFA), os quais foram alvos de 17 e 12 compostos, respectivamente. A análise de vias biológicas revelou que o SZT atua regulando múltiplas vias imunológicas e inflamatórias, como a via de diferenciação de células Th17 e a via de sinalização fosfatidilinositol 3-quinase/proteína quinase B (PI3K-Akt, do inglês, phosphatidylinositol 3- kinase/protein kinase B). A análise de docking molecular validou as interações entre os compostos e os alvos, confirmando que compostos como a cinarina e o β-sitosterol apresentam fortes afinidades de ligação com os principais alvos (CA2, PPARG, RXRA e VDR), com energias de ligação de até -10,6 kcal/mol. Os resultados sugerem que o SZT atua de forma sistêmica, regulando múltiplas vias biológicas e fornecendo uma base científica para sua eficácia no tratamento do eczema atópico.
Apesar das diferentes fontes de nutracêuticos, os estudos analisados convergem em mecanismos moleculares semelhantes. Por exemplo, a saponarina (MIN et al., 2021), o crisofanol (JEONG, KIM & KIM, 2018) e o extrato etanólico da Artemisia anomala (EAA, YANG et al., 2021) atuam na inibição de vias inflamatórias cruciais, como a MAPK (com a inibição de ERK observada nos três) e o NF-κB (alvejado pelo crisofanol e pelo EAA) (KIM et al., 2025).
Além das vias de sinalização, os estudos demonstram um padrão consistente na forma como os nutracêuticos combatem a DA. Eles parecem modular uma rede de respostas inflamatórias e alérgicas que se repetem em diversos estudos. Os resultados mostram uma inibição frequente de citocinas pró-inflamatórias centrais na DA, como TNF-α e IL-6, e mediadores da resposta alérgica tipo Th2, como IL-4 e IL-13. A supressão da TSLP, uma citocina que desencadeia a resposta alérgica inicial e é altamente expressa na epiderme de pacientes com DA, também foi um achado recorrente (KIM, KIM & LEUNG, 2019; ZEZE et al., 2022; MASKEY et al., 2024; KIM et al., 2025). Além disso, a redução de quimiocinas como TARC e RANTES aponta para a capacidade dos nutracêuticos de diminuir o recrutamento de células inflamatórias para o local da lesão na pele com DA. Essas quimiocinas são vitais, pois orquestram o influxo de células Th2 e eosinófilos, responsáveis por sustentar o ciclo inflamatório da doença, sendo TARC um biomarcador chave da sua gravidade (JIN et al., 2024; KATAOKA, 2025).
Vários estudos confirmam que a ação dos nutracêuticos vai além do controle da inflamação, atuando diretamente na resposta alérgica. Os resultados mostraram uma redução consistente nos níveis séricos de IgE e histamina, que são marcadores-chave da hipersensibilidade na DA (WILLIAMSON, MERRITT & BENEDETTO, 2020; BHARTI & MISHRA, 2024). Essa evidência, especialmente relacionada à IgE, é particularmente forte em estudos com misturas de prébióticos (GOS/FOS), noz-moscada, timoquinona, compostos de Rumex crispus e Cordyceps militaris, extrato de aipo, extrato de Glycyrrhiza uralensis e gelatina de couro de burro, indicando que esses compostos podem modular a causa fundamental da reação alérgica, e não apenas seus sintomas.
Adicionalmente, verificou-se que os nutracêuticos não apenas modulam a resposta imune, mas também fortalecem a barreira cutânea, cujo dano é um aspecto fundamental da DA (KIM, KIM & LEUNG, 2019). Essa ação dual foi demonstrada em estudos com o extrato de noz-moscada (CHUNG et al., 2012), a microalga Chlorella vulgaris (KANG et al., 2015) e o extrato etanólico da macroalga (HAN et al., 2020), que reduziram a perda de água transepidérmica (TEWL), e na combinação de extratos de plantas (DONG et al., 2023), que melhorou a expressão da proteína Claudin 1, essencial para a barreira da pele (WILLIAMSON, MERRITT & BENEDETTO, 2020).
A pesquisa sobre nutracêuticos para DA também se destaca por sua abordagem multimetodológica, que vai do nível computacional à validação em organismos vivos. A pesquisa de Wang et al. (2021) é um exemplo de como a abordagem in silico pode ser a base para identificar alvos moleculares antes dos testes laboratoriais. Estudos in vitro, como os de Jeong, Kim e Kim (2018), Min et al. (2021) e Yang et al. (2021), permitiram validar os mecanismos de ação em nível molecular. A abordagem ex vivo (SHIM et al., 2007) forneceu uma ponte entre os testes em células isoladas e os modelos de organismos inteiros, investigando a resposta em células primárias de camundongos. Finalmente, a eficácia terapêutica foi demonstrada por estudos in vivo, que atestaram a melhora clínica em modelos animais, com a redução de escores de dermatite, espessamento da pele e infiltração de células inflamatórias. As diferentes abordagens criam uma cadeia de evidências que fortalece as possibilidades metodológicas para a investigação de ativos.
O artigo de Van Hoffen et al. (2009) é o único estudo em humanos na categoria de DA. Ele demonstrou que nutracêuticos podem prevenir a dermatite em bebês, reforçando a validade clínica dos achados pré-clínicos. No entanto, essa escassez de dados clínicos sublinha a urgência de mais pesquisas em humanos para confirmar a eficácia, segurança e dosagem ideais desses compostos para a prática terapêutica.
Uma característica importante que confere maior robustez à pesquisa em DA é a crescente tendência de identificar e testar compostos bioativos isolados. Em vez de avaliar apenas extratos brutos, vários estudos buscaram entender quais substâncias são responsáveis pelos efeitos observados. Por exemplo, a pesquisa atribuiu a eficácia da Nigella sativa à timoquinona (ASLAM et al., 2018). Outros trabalhos isolaram substâncias como apigenina, apigetrina e luteolina (CHE et al., 2020), além de quercetina, apigenina e tricína (YANG et al.,
2021). Essa abordagem se estende até a pesquisa in silico de Wang et al. (2021), que também identificou compostos como a cinarina e o β-sitosterol como prováveis agentes terapêuticos.
Tabela 1. Artigos publicados na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES (2003-2024) utilizando os descritores “dermatites” AND “nutraceuticals” na categoria dermatite atópica (DA) (n = 14).



* RAW 264.7 – linhagem celular de macrófagos de camundongo; LPS – lipopolissacarídeo; DFE – do inglês, dermatophagoides farinae extract; DNCB – 2,4- dinitroclorobenzeno; DNFB – 2,4-dinitrofluorobenzeno; HMC-1 – linhagem celular de mastócito humano; PMACI – do inglês, phorbol 12-myristate 13-acetate and calcium ionophore A23187; HaCat – linhagem celular de queratinócitos humanos; poly(I:C) – do inglês, polyinosinic-polycytidylic acid; TNF-α/IFN-γ – do inglês, tumor necrosis factor alpha/interferon gamma; HDM/DNCB – do inglês, house dust mite/2,4-dinitroclorobenzeno; RBL-2H3 – linhagem celular de leucemia basófila de camundongo; IgE-DNF e – Imunoglobulina E específica para dinitrofenol; DNF-ASB – albumina de soro bovino conjugada com dinitrofenol;.
3.2 Outras dermatites
Na categoria “outras dermatites”, foram incluídos três artigos, publicados entre 2015, 2023 e 2024. Esses manuscritos foram analisados e organizados de acordo com os modelos de estudo empregados: dois estudos in vitro, um ex vivo e dois in vivo. O número total de modelos de pesquisa é superior ao número de artigos, pois um deles (JUNG et al., 2015) utilizou simultaneamente os três modelos de estudo (in vitro, ex vivo e in vivo). Dentro desta categoria, foram encontrados estudos sobre diferentes tipos de dermatites, como dermatite seborreica (DS), dermatite psoriasiforme (DP) e dermatite de contato alérgica (DCA).
Em relação às metodologias in vitro, o estudo de Zhang et al. (2023) avaliou o potencial do extrato residual de Cordyceps militaris sobre as leveduras Malassezia comensais, que podem causar caspa e DS, além de investigar suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. As análises iniciais indicaram que o extrato continha 5,8% de açúcar total e 0,8% de cordicepina. As evidências in vitro destacam sua potente atividade antioxidante, capaz de neutralizar radicais livres, como 2,2-difenil-1-picril-hidrazila (DPPH) e peróxido de hidrogênio (H₂O₂), com valores de IC50 variando de 0,04 a 3,85 mg/mL. O extrato também demonstrou eficácia na proteção de células HaCaT contra danos oxidativos. Além disso, o extrato exibiu notável ação anti-inflamatória em macrófagos RAW 264.7, inibindo a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) em até 85,6% com uma concentração de 40%. Suas propriedades incluem uma capacidade antimicrobiana específica contra Malassezia, com concentração inibitória mínima de 6,25 mg/mL e concentração bactericida mínima de 12,5 mg/mL. A cordicepina foi identificada como o principal composto responsável por esses efeitos. Esses resultados demonstram que o extrato pode ser uma fonte segura e eficaz para aplicações farmacêuticas ou cosméticas, apresentando atividades inibidoras de Malassezia, causadora de doenças cutâneas, como caspa e DS, além de propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Dos estudos que utilizaram metodologias in vivo, Ganea et al. (2024) avaliaram a eficácia terapêutica do extrato de salsa (Petroselinum crispum) em DP. Entre 937 participantes, 32 apresentavam problemas dermatológicos, como dermatite, e foram tratados com um produto bioadesivo contendo extrato de salsa e ureia (PBU, do inglês, bioadhesive product with urea) ou com uma base de pomada sem substância ativa (grupo controle), por 7 dias. O grupo tratado com PBU demonstrou reduções significativas em parâmetros dermatológicos, como vermelhidão, espessura e descamação da pele, enquanto o grupo controle não apresentou alterações significativas. A análise estatística confirmou a eficácia do PBU, com reduções mais pronunciadas na descamação da pele. Além disso, o extrato de salsa mostrou alta tolerabilidade imunológica, com 96,26% dos participantes não apresentando reações adversas, destacando seu potencial como uma alternativa terapêutica segura e eficaz para o manejo da DP.
O estudo de Jung et al. (2015) utilizou uma abordagem multimodal, empregando modelos in vitro, ex vivo e in vivo para investigar os efeitos preventivos e o mecanismo de ação do extrato de Achyranthis radix (AcRE) na DCA. O modelo in vivo consistiu em camundongos fêmeas BALB/c, nos quais a DCA foi induzida por anidrido trimelítico (ATM). A administração oral de AcRE na concentração de 200 mg/kg por dia reduziu significativamente o espessamento da orelha. Adicionalmente, os modelos celulares incluíram células do linfonodo de drenagem (LND) de camundongos com DCA, esplenócitos dos mesmos camundongos e queratinócitos humanos HaCaT, nos quais a resposta inflamatória foi induzida com ovoalbumina (OVA) e interleucina 4 (IL-4). O extrato suprimiu os níveis séricos de IgE e a produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-1β e TNF-α) nas orelhas dos camundongos, além de atenuar a infiltração de células CCR3+. Nos modelos ex vivo e in vitro, o extrato de AcRE foi testado nas concentrações de 100 e 200 µg/mL. Os resultados mostraram que o extrato inibiu a fosforilação da proteína STAT6 e a expressão do mRNA de GATA-3 em células de esplenócitos e queratinócitos HaCaT, além de reduzir a expressão do mRNA de GATA-3 em linfonodos de drenagem. O AcRE também suprimiu a produção de citocinas Th2 (IL-4 e IL- 13) em esplenócitos de camundongos e a produção de IL-4 e IL-5 em linfonodos de drenagem. Além disso, o extrato atenuou o aumento das quimiocinas (CCL11 e CCL26) em células HaCaT. Os autores identificaram e quantificaram os principais compostos fenólicos do extrato, como os ácidos gentísico, protocatecuico, 4-hidroxibenzóico, cafeico e ferúlico, relacionando- os às suas propriedades imunomoduladoras. Em conclusão, os resultados sugerem que o AcRE é um candidato promissor para o desenvolvimento de agentes preventivos contra a DCA.
Nesta categoria, foi identificado o potencial de nutracêuticos em outras condições de dermatite. Por serem estudos em áreas menos pesquisadas, eles representam uma “prova de conceito” importante.
O estudo sobre DS ilustra como a pesquisa de compostos bioativos vai além do combate à inflamação (ZHANG et al., 2023). Enquanto a DA compartilha mecanismos inflamatórios comuns a outras doenças alérgicas, a DS possui um gatilho etiológico principal bem definido: o fungo Malassezia. Na pesquisa, verificou-se que, além de seus efeitos antioxidantes e anti- inflamatórios, o nutracêutico estudado demonstrou uma ação antimicrobiana direta contra essa levedura. Essa ação é crucial, pois a principal teoria etiológica da DS postula que a proliferação de Malassezia é o fator que causa ou agrava a condição. Além disso, estudos recentes destacam a disbiose cutânea em pacientes com DS, com aumento da abundância de M. restricta e Staphylococcus spp. Essa disbiose contribui para a doença ao romper a barreira cutânea e exacerbar a inflamação, reforçando a importância de ativos com alvo etiológico específico (PIACENTINI et al., 2025).
A busca por identificar compostos específicos também se repete na categoria de “outras dermatites”. O trabalho de Zhang et al. (2023) identificou a cordicepina como o principal composto responsável pelas ações antioxidantes e antimicrobianas do extrato de C. militaris. Já Jung et al. (2015) identificaram e quantificaram ácidos fenólicos (como o ácido cafeico e ferúlico) como os principais agentes do extrato de A. radix. A complexidade e a variabilidade inerentes aos extratos de plantas medicinais desafiam a pesquisa, mas a compreensão das interações entre seus múltiplos compostos é crucial. Esse conhecimento representa um avanço no entendimento molecular da ação dos nutracêuticos (VAOU et al., 2022).
Além disso, a formulação do produto, e não apenas o composto ativo, pode ser uma peça-chave. O estudo de Ganea et al. (2024) utilizou um produto bioadesivo com ureia. A presença da ureia é relevante, pois é um agente hidratante e queratolítico conhecido em dermatologia, o que pode ter potencializado a eficácia do extrato de salsa no tratamento da descamação e espessura da pele (BERARDESCA & CAMELI, 2020). Isso adiciona uma camada de complexidade e sofisticação à sua análise, mostrando que a pesquisa de nutracêuticos está evoluindo para abordagens mais refinadas e clinicamente relevantes.
Ganea et al. (2024), que utilizou extrato de salsa, é um ponto focal nesta categoria. Ele é um dos únicos estudos clínicos em humanos na revisão e o único a avaliar a eficácia no tratamento de uma dermatite ativa (no caso, a psoriasiforme) em adultos. Esse achado é de extrema importância e destaca a alta tolerabilidade e os resultados positivos na redução de sintomas, como descamação e espessura da pele, em um contexto clínico.
Tabela 2. Artigos publicados na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES (2003-2024) utilizando os descritores “dermatites” AND “nutraceuticals” na categoria outras dermatites (n = 3)

* ATM – anidrido trimelítico; LND – células do linfono de drenagem; OVA – ovoalbumina; IL-4 – interleucina 4; HaCat – Linhagem celular de queratinócitos humanos; RAW 264.7 – linhagem celular de macrófagos de camundongo.
4 LACUNAS E PERSPECTIVAS
O conjunto das evidências analisadas reforça o papel promissor dos nutracêuticos no manejo da DA e de outras condições inflamatórias da pele. As pesquisas demonstraram que diferentes matrizes biológicas – incluindo extratos de plantas, cogumelos, micro e macroalgas – são capazes de modular a resposta imune. Contudo, uma análise detalhada revela lacunas significativas que devem guiar futuras investigações.
Apesar do robusto acervo de dados pré-clínicos, a principal limitação da literatura reside na escassez de dados em humanos. A eficácia dos nutracêuticos é sustentada, em grande parte, por evidências in vitro e em modelos animais. A evidência clínica é esparsa, resumindo-se a apenas dois trabalhos: um focado na prevenção da DA em lactentes por meio da modulação intestinal (VAN HOFFEN et al., 2009) e outro que avalia a eficácia tópica no tratamento da DP em adultos (GANEA et al., 2024). Para que os resultados promissores se traduzam em prática clínica, é urgente priorizar a validação translacional por meio de ensaios clínicos randomizados (ECR) de longo prazo. É crucial confirmar a eficácia e segurança dos compostos com mecanismos já validados, como o crisofanol e a timoquinona, em populações adultas. Além disso, é necessário determinar se os nutracêuticos atuam como agentes adjuvantes ou se podem substituir terapias convencionais. Por exemplo, o achado de que a timoquinona não superou a eficácia do Tacrolimus (ASLAM et al., 2018) ressalta a importância de posicionar esses compostos de maneira realista nos protocolos de tratamento, exigindo comparações diretas para consolidar sua relevância clínica.
A abordagem multimetodológica empregada na pesquisa pré-clínica é crucial, pois estabelece uma ponte de evidências, ligando a ação molecular (in vitro e in silico) ao efeito biológico em um organismo (in vivo). A utilização de diferentes modelos não apenas melhora a previsão de eficácia e segurança, mas também otimiza a avaliação de risco. Nesse contexto, é importante ressaltar que testes in vitro são essenciais como pilotos para a filtragem de amostras com potencial. Por exemplo, a inclusão de ensaios com células de queratinócitos (linhagem HaCaT) é de grande valor, já que a disfunção dessas células causada por alterações na barreira cutânea, deficiência de proteínas essenciais e desequilíbrio de lipídios é um aspecto fundamental da patogênese da DA (RAMOS et al., 2025).
Olhando para o futuro, embora os testes em animais tenham sido tradicionalmente importantes, um crescente movimento ético e científico impulsiona a adoção de abordagens alternativas. A visão é que métodos in vitro e in silico, superadas as barreiras regulatórias, formarão a base de estratégias de toxicologia mais robustas e confiáveis, reduzindo a dependência dos testes em animais (BURDEN et al., 2021).
Em relação à via de administração, a utilização de nutracêuticos por via oral, embora amplamente difundida e conveniente, pode enfrentar desafios de biodisponibilidade semelhantes aos dos fármacos. O conhecimento sobre a absorção de medicamentos (ALQAHTANI et al., 2021) é fundamental para levantar a hipótese de que as barreiras físico- químicas e biológicas do trato gastrointestinal também afetam os nutracêuticos, comprometendo a concentração dos ativos no tecido-alvo. Essa baixa biodisponibilidade foi observada por Kador (2017) em doenças oculares, onde nutracêuticos orais se mostraram ineficazes para atingir o cristalino em níveis suficientes para combater o estresse oxidativo. Essa limitação serve como base para a busca de abordagens alternativas de administração.
Diante das barreiras da via oral, a administração tópica surge como uma alternativa promissora, como apresentado nos trabalhos de Aslam et al. (2018), Kim et al. (2019) e Ganea et al. (2024). Essa abordagem permite que os nutracêuticos atuem diretamente no local de aplicação, eliminando a necessidade de passar pelo sistema digestivo. Estudos, como o de Nwanodi (2018), demonstram a eficácia de nutracêuticos tópicos na redução do fotodano induzido por radiação ultravioleta, onde compostos como o resveratrol e a silimarina apresentam ação anti-inflamatória e antioxidante. Embora as formulações tópicas enfrentem seus próprios desafios de penetração através da barreira da pele, avanços na nanotecnologia, como o uso de adesivos de hidrogel, nanoemulsões e lipossomas (NWANODI, 2018; PURI et al., 2022), têm sido desenvolvidos para otimizar a biodisponibilidade e garantir que os ativos atinjam suas camadas-alvo. Assim, diversas abordagens inovadoras de nanoformulação tendem a superar os desafios envolvidos no desenvolvimento de formulações de nutracêuticos (PURI et al., 2022). Portanto, a aplicação tópica oferece uma via direta e eficiente para o uso de nutracêuticos, abrindo novas possibilidades terapêuticas e superando as limitações da via oral em diversas aplicações.
Outro ponto a ser destacado é que, embora diferentes organismos tenham sido utilizados para a extração, a interação entre os nutrientes e os possíveis efeitos sinérgicos ou antagônicos merecem atenção e podem ser uma excelente proposta para novos estudos. Os mecanismos moleculares específicos pelos quais esses compostos atenuam os sintomas da dermatite ainda não estão completamente estabelecidos, dada a complexidade do sistema imunológico, necessitando de maiores evidências.
É fundamental que novas tecnologias avançadas, como a nanotecnologia, sejam utilizadas para aumentar a biodisponibilidade e melhorar a entrega dos nutracêuticos (PURI etal., 2022). Outra direção promissora é a prospecção e inclusão de novos nutracêuticos, além do aprofundamento na investigação dos mecanismos moleculares específicos, incluindo estudos que explorem interações entre diferentes compostos bioativos. Avaliações de segurança a longo prazo, custo-efetividade e comparações diretas com terapias convencionais são passos necessários para consolidar a relevância clínica desses compostos. Nesse sentido, colaborações multicêntricas e abordagens translacionais que integrem biologia molecular, farmacologia nutricional e pesquisa clínica têm potencial para acelerar a compreensão e aplicação dos nutracêuticos como estratégias complementares.
Diante dessas observações, futuras pesquisas sobre nutracêuticos no manejo da dermatite devem priorizar a padronização metodológica, contemplando desde a escolha dos modelos experimentais até a definição de marcadores inflamatórios a serem avaliados. Ensaios clínicos bem desenhados, com amostras representativas e estratificadas por idade, sexo e perfil genético, são fundamentais para traduzir as evidências pré-clínicas em recomendações aplicáveis à prática clínica. Além disso, a adoção de protocolos experimentais comparáveis entre diferentes grupos de pesquisa pode favorecer a reprodutibilidade dos resultados e permitir metanálises mais consistentes.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta revisão sistemática confirma o potencial terapêutico promissor de matrizes diversas ricas em compostos biológicos com ação nutracêutica no manejo das dermatites, especialmente na dermatite atópica. A maioria dos estudos analisados demonstrou que os compostos e extratos atuam por meio de uma ação dual estratégica contra a patogênese da doença: imunomodulação e fortalecimento da barreira cutânea. Em nível molecular, a eficácia foi consistentemente estabelecida pela inibição de vias inflamatórias cruciais, como a MAPK e o NF-κB, além da modulação de mediadores alérgicos, como IgE e TSLP. Adicionalmente, o sucesso observado em modelos da categoria “outras dermatites” – como a ação antimicrobiana específica contra o fungo Malassezia na dermatite seborreica (DS) – valida a aplicabilidade desses compostos em etiologias específicas.
Apesar do robusto acervo de evidências pré-clínicas, a principal limitação identificada é a crítica escassez de dados translacionais e clínicos em humanos. A predominância de estudos in vitro e em modelos animais, embora cruciais para testes de screening, limita a determinação da dose ideal, a avaliação da segurança a longo prazo e a comparação direta de custo-eficácia com terapias farmacológicas convencionais.
Portanto, para que o potencial laboratorial se converta em intervenções clínicas concretas, é imperativa a priorização de ensaios clínicos randomizados de longo prazo e com alto rigor metodológico. O futuro da pesquisa reside na combinação desses testes em humanos com o desenvolvimento de sistemas de entrega otimizados, como a nanotecnologia, visando superar os desafios de biodisponibilidade e consolidar a segurança e eficácia dos nutracêuticos como estratégias adjuvantes valiosas no tratamento das dermatites.
AGRADECIMENTOS
Ao apoio da bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – 2023/03886-1) à A.N.
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1 Discente do Curso Superior de Biomedicina pela Universidade do Vale do Itajaí, Campus Itajaí (UNIVALI). E- mail: chayanelimberger@gmail.com.
2 Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biociência da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGBTC/UFSC). E-mail: giugalani98@gmail.com;
3 Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus Botucatu (UNESP). Doutora em Biotecnologia e Biociências (UFSC). E-mail: alinenunes_bio@hotmail.com;
4 Discente do Curso Superior de Biomedicina pela Universidade do Vale do Itajaí, Campus Itajaí (UNIVALI). Doutora em Biologia Celular e do Desenvolvimento (UFSC). E-mail: susane.lopes@ufsc.br.
