SURGICAL APPROACHES FOR THE TREATMENT OF UROLITHIASIS IN DOGS AND CATS WITH EMPHASIS ON PERCUTANEOUS CYSTOLITHOTOMY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512101345
Tales Dias do Prado1; Júlia Marcela Vasconcelos de Moraes Vilela2; Ana Luiza Paula Borges3; Lucas Augusto Chaves Borges4; Eloisa Schroeder Medina5; Geovana Soares de Castro6; Diego Silva Lima7; Nadielli Pereira Bonifácio8; Mariana Paz Rodrigues Dias9; Marco Augusto Machado Silva10
Resumo
A urolitíase é uma afecção de alta relevância na medicina veterinária de pequenos animais e resulta da interação de fatores metabólicos, infecciosos, anatômicos e ambientais que culminam na supersaturação urinária e formação de cristais. As técnicas de remoção de urólitos evoluíram significativamente nas últimas décadas. A cistotomia aberta, embora eficaz, está associada a maior trauma tecidual, tempo de recuperação prolongado e risco aumentado de complicações pós-operatórias. O desenvolvimento de técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia, cistoscopia, litotripsia e, mais recentemente, a cistolitotomia percutânea, proporcionou alternativas mais seguras e menos traumáticas para o tratamento cirúrgico da urolitíase. Estudos clínicos demonstram que a cistolitotomia percutânea permite remoção eficiente de cálculos vesicais e uretrais com menor manipulação tecidual, menor dor pós-operatória e menores índices de complicações quando comparada à cistotomia tradicional. Este trabalho apresenta uma revisão comparativa das principais técnicas cirúrgicas empregadas no manejo da urolitíase em cães e gatos, com ênfase na aplicabilidade, benefícios e limitações da cistolitotomia percutânea, destacando seu papel crescente como método preferencial em casos selecionados.
Palavras-chave: cistoscopia, cirurgia minimamente invasiva, litotripsia, uretra, urólitos
Abstract
Urolithiasis is a highly relevant condition in small animal veterinary practice and results from metabolic, infectious, anatomical, and environmental factors that promote urinary supersaturation and crystal formation. Surgical techniques for urolith removal have evolved substantially in recent decades. Open cystotomy, although effective, is associated with greater tissue trauma, longer recovery time, and higher rates of postoperative complications. Minimally invasive alternatives such as laparoscopy, cystoscopy, lithotripsy, and, more recently, percutaneous cystolithotomy have provided safer and less traumatic options for the surgical management of urolithiasis. Clinical studies demonstrate that percutaneous cystolithotomy allows efficient removal of bladder and urethral stones with reduced tissue manipulation, decreased postoperative pain, and lower complication rates when compared with traditional open cystotomy. This review presents a comparative analysis of the main surgical techniques used to manage urolithiasis in dogs and cats, with emphasis on the applicability, advantages, and limitations of percutaneous cystolithotomy, highlighting its growing role as a preferred method in selected clinical scenarios.
Keywords: cystoscopy, lithotripsy, minimally invasive surgery, urethra, uroliths
INTRODUÇÃO
A urolitíase é uma enfermidade de elevada relevância clínica na rotina da medicina veterinária de pequenos animais, sendo caracterizada pela formação de cristais e cálculos ao longo do trato urinário, decorrentes de desequilíbrios metabólicos, infecciosos ou estruturais. Segundo Skeldon e Ristić (2016), a formação de urólitos decorre da supersaturação urinária e da consequente agregação cristalina, que pode evoluir para estruturas mineralizadas capazes de causar obstrução parcial ou completa do fluxo urinário.
A presença de urólitos pode ocasionar desconforto, inflamação local e, em casos severos, risco de comprometimento renal ou ruptura vesical. Estudos epidemiológicos indicam que cálculos vesicais constituem parcela expressiva dos atendimentos relacionados a distúrbios urinários em cães e gatos, especialmente em animais de meia-idade a idosos (Rick et al., 2017; Remichi et al., 2020).
Tradicionalmente, o manejo cirúrgico desses cálculos envolvia a cistotomia aberta, técnica amplamente difundida por sua previsibilidade, mas associada a maior trauma tecidual, dor pós-operatória e recuperação prolongada (Milovancev & Townsend, 2015). Complicações como extravasamento urinário e inflamação acentuada da parede vesical também foram descritas em protocolos convencionais de cistotomia (Bartges, Callens & Lane, 2016).
Com os avanços recentes da cirurgia minimamente invasiva, abordagens menos agressivas vêm ganhando destaque, uma vez que oferecem alternativas mais seguras e eficientes à cirurgia aberta. Cléroux (2018) ressalta que técnicas endoscópicas e percutâneas têm possibilitado remoção de cálculos com menor manipulação tecidual e melhor visualização das estruturas do trato urinário inferior.
Entre essas técnicas, a cistolitotomia percutânea se destaca como procedimento emergente, inicialmente descrito na medicina humana e posteriormente adaptado para a medicina veterinária (Castillo et al., 2019; Runge et al., 2011). A técnica permite remoção direta dos cálculos por via suprapúbica, minimizando o trauma vesical e proporcionando ampla visualização intraluminal, aspectos que contribuem para maior precisão durante o procedimento.
Estudos recentes demonstram que a cistolitotomia percutânea apresenta resultados clínicos favoráveis, com alta taxa de remoção completa de cálculos e baixos índices de complicações, tornando-se uma opção promissora em casos de obstrução uretral, cálculos volumosos ou presença de comorbidades que contraindiquem abordagens mais invasivas (Cruciani, Vachon & Dunn, 2020; Job et al., 2022). Segundo Adair, Lux e Sun (2023), a técnica modificada tem apresentado desempenho superior à cistotomia tradicional no que se refere ao tempo cirúrgico, dor pós-operatória e satisfação dos tutores.
Diante do crescente interesse pela cistolitotomia percutânea e da necessidade de consolidar sua aplicabilidade clínica, torna-se fundamental revisar criticamente a literatura científica disponível, não apenas sobre essa técnica, mas também sobre os métodos tradicionais e minimamente invasivos empregados na remoção de cálculos do trato urinário inferior. Assim, esta revisão propõe estabelecer uma análise paralela entre as diferentes abordagens cirúrgicas já consolidadas e a cistolitotomia percutânea. Ao integrar evidências recentes, o trabalho busca esclarecer o posicionamento atual da cistolitotomia percutânea dentro do arsenal terapêutico disponível, assim como oferece subsídios para a tomada de decisão na prática veterinária.
REVISÃO DA LITERATURA
Fisiopatologia da urolitíase em pequenos animais
Segundo Skeldon e Ristić (2016), o sistema urinário de cães e gatos exerce funções essenciais de filtração de metabólitos, concentração urinária e manutenção da homeostase, e alterações nesses mecanismos podem predispor à formação de cristais ao modificar o microambiente urinário. Skeldon e Ristić (2016) relatam que a formação de urólitos ocorre quando há supersaturação de solutos na urina, condição que favorece a precipitação e agregação de cristais, os quais, na ausência de eliminação eficiente, evoluem para estruturas mineralizadas clinicamente relevantes.
Rick et al. (2017) complementam que esse processo de cristalização é fortemente influenciado por características bioquímicas da urina, incluindo pH, concentração de sais e taxa de formação de cristais, que determinam a estabilidade ou instabilidade dos solutos no meio urinário. Destacam ainda que a presença ou deficiência de inibidores naturais de cristalização, como certos componentes orgânicos, exerce papel crucial na prevenção da nucleação e crescimento dos cristais.
A urolitíase pode acometer tanto o trato urinário superior quanto o inferior e apresenta etiologia multifatorial, conforme descrito por Cléroux (2018), que ressalta que fatores como raça, idade, sexo, dieta, condições metabólicas sistêmicas e infecções urinárias predisponentes estão diretamente associados ao risco de formação de cálculos, influenciando tanto o tipo quanto a localização dos urólitos.
Remichi et al. (2020) descrevem que alterações anatômicas, especialmente em cães machos com uretra longa e estreita, aumentam a probabilidade de obstrução urinária, agravando o quadro clínico e frequentemente demandando intervenção emergencial. Eles salientam que essas particularidades anatômicas do trato urinário inferior desempenham papel relevante na manifestação clínica da urolitíase e na escolha do método terapêutico.
Em cães machos, as infecções urinárias desempenham papel expressivo na gênese de determinados tipos de urólitos. Okafor et al. (2014) observaram que infecções por bactérias produtoras de urease, como Staphylococcus pseudintermedius, estão frequentemente associadas à formação de cálculos de estruvita, uma vez que a ação enzimática promove alcalinização da urina e favorece a precipitação de fosfato de magnésio e amônio. Okafor et al. (2014) relatam que, na presença de infecção urinária persistente, esses cálculos podem se desenvolver rapidamente, o que exige diagnóstico e intervenção precoces para evitar obstruções graves.
Kopecny et al. (2021) identificaram uma tendência crescente na prevalência de cálculos de oxalato de cálcio em cães, sugerindo possível influência de mudanças nos hábitos alimentares e fatores genéticos na composição dos urólitos. Segundo eles, essas alterações no perfil epidemiológico da urolitíase ressaltam a importância de avaliação clínica e laboratorial detalhada, bem como de estratégias terapêuticas e preventivas individualizadas para cada paciente.
Métodos tradicionais de remoção de cálculos vesicais
Os métodos tradicionais de remoção de cálculos vesicais em pequenos animais basearam-se historicamente na cistotomia aberta, técnica considerada padrão por oferecer acesso amplo à bexiga e permitir a retirada manual dos urólitos. Segundo Milovancev e Townsend (2015), embora eficaz, essa abordagem envolve manipulação tecidual extensa, o que aumenta a probabilidade de sangramento, infecções de ferida e recuperação pós-operatória mais lenta. Além disso, Bartges, Callens e Lane (2016) ressaltam que a manipulação intensa da parede vesical pode levar ao extravasamento urinário e à formação de aderências, especialmente em casos com inflamação pré-existente ou necessidade de dissecção mais ampla, o que compromete a integridade vesical e favorece complicações subsequentes.
Em análises comparativas, Adair, Lux e Sun (2023) demonstraram que a cistotomia aberta apresenta maior incidência de dor pós-operatória, tempo cirúrgico mais prolongado e taxas superiores de complicações quando comparada a técnicas minimamente invasivas. Esses achados evidenciam a necessidade de abordagens alternativas que reduzam o trauma cirúrgico e proporcionem recuperação mais rápida, motivando o desenvolvimento de técnicas menos invasivas para o manejo da urolitíase.
Nesse contexto, avanços significativos nas últimas décadas impulsionaram o uso da cirurgia minimamente invasiva no tratamento de cálculos vesicais. De acordo com Pal et al. (2025), tecnologias como cistoscopia, laparoscopia, litotripsia e acessos guiados percutâneos apresentam redução expressiva do trauma tecidual, menor tempo de hospitalização e recuperação pós-operatória mais breve, quando comparadas às intervenções tradicionais. Binder et al. (2018) reforçam que a laparoscopia, ao oferecer campo visual ampliado e incisões menores, proporciona menor morbidade cirúrgica, como observado em procedimentos de ovariectomia laparoscópica.
Linhares et al. (2019) também demonstraram benefícios significativos ao utilizarem técnicas híbridas NOTES, que combinaram acesso natural com mínima incisão abdominal, resultando em menor dor pós-operatória e melhor recuperação clínica. A versatilidade da laparoscopia é apoiada por Percival et al. (2020), que relataram sucesso no uso da abordagem laparoscópica para o tratamento de síndromes complexas, como a do remanescente ovariano, evidenciando sua aplicabilidade em cenários cirúrgicos mais desafiadores.
Paralelamente, técnicas transuretrais compõem outra alternativa para a remoção de cálculos em pequenos animais. Cléroux (2018) observa que a cistolitotripsia transuretral pode ser eficaz em fêmeas ou em casos que envolvem cálculos de pequeno diâmetro, devido ao acesso facilitado pela anatomia uretral. Entretanto, a aplicação dessa abordagem em cães machos é limitada pelo calibre estreito e pela tortuosidade uretral, dificultando o avanço de instrumentos endoscópicos.
Andrews et al. (2024) reforçam essa limitação ao demonstrarem que, apesar da detectabilidade radiográfica de cálculos de cistina e urato, sua remoção transuretral nem sempre é viável. Além disso, Upchurch et al. (2020) enfatizam que o êxito de procedimentos endoscópicos depende diretamente da habilidade do cirurgião e de sua familiaridade com as técnicas, representando um obstáculo em instituições com menor acesso a treinamento especializado.
Outro recurso disponível é a litotripsia extracorpórea por ondas de choque (ESWL). Torres et al. (2019) destacam que essa modalidade permite fragmentação de cálculos sem necessidade de incisão cirúrgica, configurando-se como alternativa vantajosa para determinados pacientes. No entanto, sua eficácia depende fortemente do tamanho e da composição mineral dos urólitos, sendo limitada em cálculos grandes ou altamente mineralizados. Os autores também salientam que o custo elevado dos equipamentos e sua disponibilidade restrita em hospitais veterinários reduzem a aplicabilidade dessa técnica na rotina clínica.
Cistolitotomia percutânea
A cistolitotomia percutânea foi inicialmente desenvolvida na urologia humana e aplicada com sucesso em pacientes com obesidade mórbida e cálculos volumosos, conforme relatado por Castillo et al. (2019). Esse desempenho favorável motivou sua adaptação para a medicina veterinária, descrita por Runge et al. (2011) em 27 casos de cães e gatos. Posteriormente, Berent (2015; 2016) e Runge & Scharf (2022) refinaram o procedimento, padronizando o acesso suprapúbico, a dilatação controlada do trajeto e a remoção assistida por endoscopia, tornando-o progressivamente mais seguro e reprodutível.
Cruciani, Vachon e Dunn (2020) analisaram 68 casos clínicos e relataram altas taxas de remoção completa dos cálculos, baixa incidência de complicações e recuperação acelerada. Resultados semelhantes foram demonstrados por Job et al. (2022), que compararam diretamente a cistolitotomia percutânea à cistotomia aberta e concluíram que a abordagem minimamente invasiva reduz dor, sangramento e a necessidade de cuidados intensivos no pós-operatório. Esses achados foram reforçados por Adair, Lux e Sun (2023), que observaram melhor desempenho da técnica modificada (PCCLM) quanto ao tempo cirúrgico, taxas de complicações e satisfação dos tutores.
Segundo Toniazzo et al. (2024), cálculos menores que 6 mm podem ser eliminados espontaneamente, enquanto aqueles maiores, múltiplos ou uretralmente impactados exigem intervenção cirúrgica. Nesses cenários, a cistolitotomia percutânea mostra-se especialmente vantajosa, sobretudo em cães machos, cuja anatomia uretral dificulta abordagens transuretrais. Entretanto, como ressaltam Kim et al. (2011) e Buote et al. (2022), o domínio das técnicas minimamente invasivas depende de treinamento adequado e infraestrutura apropriada, o que ainda representa obstáculo para algumas instituições.
De acordo com Defarges, Dunn e Berent (2013), os fundamentos da cistolitotomia percutânea estão ancorados na redução da manipulação vesical e na ampliação da visualização intraluminal. Esses autores enfatizam que a inspeção direta contínua da bexiga constitui vantagem decisiva para minimizar a ocorrência de cálculos residuais, complicação relativamente comum em cistotomias abertas. Em consonância com esses princípios, o consenso da ACVIM (Lulich et al., 2016) já reconhece a cistolitotomia percutânea como uma das principais alternativas minimamente invasivas para remoção de urólitos vesicais, desde que haja disponibilidade de equipamentos e capacitação profissional.
Berent e Adams (2015) detalham a execução da técnica, descrevendo a punção suprapúbica guiada, a dilatação progressiva do trajeto e o uso de cistoscópio para remoção dos urólitos com baskets ou sucção. Esses autores também destacam que a padronização dos passos cirúrgicos reduz significativamente riscos como extravasamento urinário e sangramento vesical. A literatura mais recente acrescenta nuances importantes: Knight e Owen (2025), ao avaliarem diferentes posicionamentos do paciente durante o procedimento, concluíram que a posição do animal não altera de maneira significativa o tempo cirúrgico ou a eficiência da remoção dos cálculos, indicando boa flexibilidade técnica.
As evidências clínicas também vêm se expandindo para felinos. Boone et al. (2025) compararam a PCCLm com a cistotomia aberta em gatos e verificaram taxas equivalentes de sucesso cirúrgico, porém com vantagens claras para a abordagem percutânea, como incisões menores, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Esses dados ampliam a aplicabilidade da técnica para além dos cães machos, reforçando seu papel como alternativa viável em pacientes sensíveis ao estresse ou com múltiplos urólitos.
Por fim, revisões recentes, como a de Shigemoto et al. (2025), consolidam a cistolitotomia percutânea como uma das opções mais eficientes para o manejo da urolitíase em pequenos animais. Esses autores destacam que a técnica combina altas taxas de remoção completa, baixo risco de complicações, tempo cirúrgico semelhante ao das abordagens tradicionais e menor agressão tecidual, resultando em recuperação mais confortável para o paciente. Assim, o conjunto crescente de evidências posiciona a cistolitotomia percutânea como uma das principais inovações no tratamento cirúrgico da urolitíase e uma alternativa promissora à cistotomia aberta, especialmente à medida que o acesso à tecnologia e ao treinamento especializado se torna mais difundido.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Historicamente, a cistotomia aberta representou o método cirúrgico mais empregado para remoção de cálculos vesicais, embora associada a maior trauma tecidual e risco de complicações pós-operatórias. Os avanços nas técnicas endoscópicas e minimamente invasivas, evidenciados ao longo das últimas décadas, ampliaram o arsenal terapêutico disponível, oferecendo alternativas com menor morbidade e recuperação mais rápida. A literatura demonstra que procedimentos laparoscópicos, NOTES, abordagens transuretrais e litotripsia extracorpórea apresentam benefícios importantes, ainda que suas indicações dependam de fatores anatômicos, disponibilidade de equipamentos e capacitação profissional.
Dentro desse contexto, a cistolitotomia percutânea surge como técnica promissora e, progressivamente, consolidada. Estudos nacionais e internacionais demonstram elevada taxa de remoção completa dos cálculos, baixa incidência de complicações e redução significativa do trauma cirúrgico quando comparada à cistotomia tradicional. A técnica destaca-se especialmente em cães machos, nos quais limitações anatômicas podem inviabilizar a remoção transuretral de cálculos. Além disso, a possibilidade de ampla visualização intraluminal e a redução da manipulação da parede vesical contribuem para menor risco de cálculos residuais, complicação descrita com relativa frequência em procedimentos abertos.
As evidências acumuladas; provenientes de estudos clínicos, comparativos e revisões recentes; posicionam a cistolitotomia percutânea como alternativa eficaz, segura e alinhada às tendências contemporâneas da cirurgia minimamente invasiva. Embora a técnica ainda dependa de infraestrutura específica e treinamento direcionado, seu crescimento na medicina veterinária indica potencial para se tornar, em muitos cenários, método de eleição para o manejo de cálculos vesicais e uretrais. Assim, a cistolitotomia percutânea representa um avanço significativo no tratamento da urolitíase em pequenos animais e deve ser considerada sempre que as condições clínicas, anatômicas e estruturais permitirem sua realização.
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1Professor Dr.Titular da Faculdade de Medicina Veterinária da UniRV – autor principal
2Acadêmica da Faculdade de Medicina Veterinária da UNIRV;
3Acadêmica da Faculdade de Medicina Veterinária da UNIRV ;
4Acadêmico da Faculdade de Medicina Veterinária da UNIRV;
5Acadêmica de medicina veterinária UniRV;
6Acadêmica da Faculdade de Medicina Veterinária da UNIRV;
7Médico Veterinário;
8Profa. Ma. da Faculdade de Medicina Veterinária da UniRV;
9Profa Dr. da Faculdade de Medicina Veterinária da UniRV;
10Prof Dr. da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Goiás
