REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510121053
Fábio da Silva Cazula1
RESUMO
Este artigo tem como objetivo analisar diferentes pontos de vista de autores, a partir de uma revisão bibliográfica, uma conversa textual apontando a importância da atividade física no contexto da atuação policial militar. A pesquisa foi realizada em bases científicas disponíveis como: SciELO, Google Scholar, PubMed e LILACS, priorizando publicações entre os anos de 2013 e 2025 de forma a tornar uma análise mais fidedigna. Os resultados apontam que a prática regular de atividades físicas contribui significativamente para a saúde física e mental dos policiais, além de melhorar o desempenho nas funções operacionais, como acompanhamento tático, confrontos físicos e patrulhamentos, também melhorando a qualidade de vida. A revisão destaca a necessidade de programas de treinamento físico contínuos e específicos para a profissão a busca do desempenho operacional e aspectos multidimensionais, o estudo sugere inclusão de multiplicadores capacitados dentro da própria instituição militar, visando à eficiência operacional e à preservação da saúde dos profissionais de segurança pública pertencentes a Polícia Militar (ANDRADE; SILVA, 2018; OLIVEIRA, 2020).
Palavras-chave: Atividade Física; Polícia Militar; Segurança Pública; Saúde Mental; Desempenho Operacional.
ABSTRACT
This article aims to analyze different perspectives from different authors, based on a literature review and a textual discussion highlighting the importance of physical activity in the context of military police work. The research was conducted using available scientific databases such as SciELO, Google Scholar, PubMed, and LILACS, prioritizing publications between 2013 and 2025 to ensure a more reliable analysis. The results indicate that regular physical activity significantly contributes to the physical and mental health of police officers, in addition to improving performance in operational functions such as tactical monitoring, physical confrontations, and patrols, also improving quality of life. The review highlights the need for continuous, profession-specific physical training programs to improve operational performance and multidimensional aspects. The study suggests the inclusion of trained multipliers within the military institution itself, aiming at operational efficiency and the preservation of the health of public safety professionals within the Military Police (ANDRADE; SILVA, 2018; OLIVEIRA, 2020).
Keywords: Physical Activity; Military Police; Public Safety; Mental Health; Operational Performance.
1. INTRODUÇÃO
A atividade policial militar exige preparo físico constante devido às demandas de risco, esforço e situações de alta intensidade, vivenciadas nas diversas situações. Nesse contexto, a Educação Física constitui uma ferramenta fundamental não apenas para a formação, mas também para a manutenção da saúde e da capacidade operacional dos policiais (SILVA, 2022). Este artigo tem como objetivo revisar a literatura científica sobre a influência da atividade física na atuação policial militar, destacando a importância do trabalho físico e sugerindo ideias para a implantação de programas de saúde envolvendo multiplicadores capacitados da própria instituição, a fim de implantação de treinamento especializado, monitorado com metodologia de progressão em atividades aeróbicas e anaeróbicas, considerando também a diversidade de grupos especiais e respeitando a individualidade biológica de cada um, desempenho operacional e aspectos multidimensionais são resultados esperados como consequência do treinamento planejado. Demonstrando em uma conversa entre autores a importância da conscientização de que os militares devem ser praticantes, tanto para bem estar cotidiano e também longevidade, como melhora de saúde e desempenho nas funções que exercem.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfica baseada em artigos científicos publicados entre 2013 e 2025, consultados em bases como SciELO, Google Scholar, PubMed e LILACS. Foram incluídos estudos relacionados à atividade física, treinamento policial, saúde e segurança pública, e excluídos aqueles sem pertinência direta com a temática, a fim de garantir resultado mais preciso quanto às análises bibliográficas. Foram priorizados artigos que analisaram efeitos do treinamento físico na saúde mental e no desempenho operacional de policiais (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020), bem como análises dentro do contexto quanto aos resultados do treinamento físico e exames clínicos de saúde, visando o Teste de Aptidão Física (TAF), aplicado aos policiais militares, que é critério fundamental para que o policial estadual possa avançar na carreira e ser promovido, a análise conta com percepção quanto a reprovação em teste de aptidão física por falta de planejamento, podendo ou não estar relacionados a falta de disposição física ou até públicos especiais, como hipertensos, diabéticos ou gestantes.
3. REVISÃO DA LITERATURA
3.1 PREPARAÇÃO FÍSICA COMO REQUISITO PROFISSIONAL
Estudos apontam que a organização física influencia diretamente na capacidade de resposta rápida, resistência e sobrevivência em situações críticas de confronto policial (OLIVEIRA, 2020). Conforme destacado na Diretriz, PMPR, N.º 004/2015-PM/3 Considera-se o trinômio da decisão: habilidade, oportunidade e risco, também conhecido como triângulo do tiro ou da força letal, que fornece ao policial um referencial tático claro acerca do emprego da força letal (POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ, pág.18, 2015). É imperioso destacar que diversas são as capacidades físicas inerentes ao ser humano como: flexibilidade, resistência e força, sendo a principal capacidade física a força; contudo quando em situação que envolve confronto armado, quanto mais ágil e sincronizada a ação de reação melhor as chances de sobrevivência, assim todas as capacidades devem ser trabalhadas com direcionamento, metodologia de treinamento e disciplina, visando aprimorar o desempenho individual, respeitando a individualidade biológica de cada um, considerando a importância do treinamento físico juntamente com ensinamentos específicos policial. O uso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) apresentados na Diretriz nº 008/2015–PM/, pag 3
A utilização de instrumentos não letais ou de menor potencial ofensivo no âmbito da PMPR fica condicionada ao atendimento dos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação, conveniência, à adequada e prévia habilitação do operador, e ainda, à demanda operacional da Unidade Policial Militar;
A diretriz expõe as opções que o policial militar possui como a própria defesa pessoal, bastão policial, os espargidores munidos de agente químicos como spray de pimenta ou gás lacrimogêneo, e que todos os equipamentos exigem condicionamento físico adequado. No caso de grupos especiais, como diabéticos, hipertensos, gestantes e indivíduos com sistema imunológico comprometido, é necessária a prescrição adequada de exercícios físicos, considerando fatores individuais de saúde, intensidade, duração e frequência, garantindo segurança e eficácia na melhora da capacidade funcional e na prevenção de complicações (GUEDES; GUEDES, 2005; DUARTE, 2007; SBD, 2019; OPAS, 2010; FEITOSA, 2021), assim o presente estudo traz a sugestão de implantar na instituição policial militar programas de treinamento físico especializado a fim de beneficiar os integrantes policiais militares em um todo, tais programas sugeridos deverão ser executados pelos próprios integrantes da corporação PMPR, sendo profissionais formados e com conhecimento da área de treinamento (bacharelado) que garante um trabalho seguro.
3.2 TREINAMENTO FÍSICO E SAÚDE MENTAL DO POLICIAL
A prática regular de exercícios físicos demonstra reduzir significativamente estresse, ansiedade e burnout em profissionais da segurança pública (ANDRADE; SILVA, 2018). A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos de 18 a 64 anos:
– Atividade física moderada: 150–300 minutos/semana
– Atividade física intensa: 75–150 minutos/semana
– Combinação de moderada e intensa para atingir os valores equivalentes
Tabela 1 – Recomendações da OMS para atividade física semanal.
| Tipo de Atividade | Minutos por semana (OMS) |
| Moderada | 150–300 |
| Intensa | 75–150 |
| Combinada | Equivalente (moderada + intensa) |
A atividade física também contribui para a redução dos sintomas de depressão e ansiedade (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2025). A Diretriz PMPR 006/2021-PM3 institui o setor PM Vítima no Centro de Inteligência da PMPR, incluindo PM Vítima e PM Vítima Indireta. Essas são situações que podem ocorrer com qualquer militar estadual ou seus familiares e isso acaba impactando o emocional e a saúde mental do militar e embora exista o projeto Prumos o qual disponibiliza profissionais da saúde mental, psicólogos, para atendimento a saúde do militar e seus familiares, a preparação física pode contribuir de forma indireta, integrando exercícios aeróbicos, anaeróbicos e treino de fortalecimento muscular, pelo menos duas vezes por semana, assim também podendo promover uma condição física e mental favorável viabilizando qualidade de vida e melhor desempenho no trabalho e na vida particular.
3.3 EDUCAÇÃO FÍSICA COMO FERRAMENTA DE FORMAÇÃO POLICIAL
A Educação Física é parte integrante dos cursos de formação, sendo fundamental para desenvolver resistência, força, disciplina e trabalho em equipe (SILVA, 2022). A Polícia Militar do Paraná realiza três TAF (testes de aptidão física) anuais voltados para as promoções que ocorrem respectivamente em datas de 21 de abril, 10 de agosto e 19 de dezembro e por ser parte das promoções a preparação física influencia diretamente na performance dos policiais. Além disso, durante o curso de formação e no final do curso precisa estar apto no, TAF (teste de aptidão física) pois é cobrado boas condições físicas para poder exercer a profissão policial pós formação, salientando a prática regular de atividade física melhora o perfil lipídico, reduzindo LDL (lipoproteína de baixa densidade) e triglicerídeos (lipídio) e aumentando HDL (lipoproteina de alta densidade), (LABORATÓRIO VITÓRIA, 2025). Parâmetros essenciais para as questões de saúde, pois é notório que a saúde encontrando-se em boas condições o rendimento do profissional tende a apresentar resultados promissores, isso é um aspecto consolidado na literatura científica, porém a existência de programas internos de treinamento físico trazem essa garantia para o militar estadual.
Evidencia-se que as pesquisas no google por exemplo trazem que a média de vida do policial militar tem tempo estimado de 66,3 anos, sendo apresentado média de 61,9 anos para praças, o que é preocupante, analisando que a “poupança” de saúde começa na juventude estando atrelado a atividade física.
3.4 IMPACTOS NA SEGURANÇA PÚBLICA
Policiais bem preparados fisicamente tendem a agir de forma mais segura e eficiente, contribuindo para a preservação da vida e redução do uso excessivo da força (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020). O preparo físico transmite confiança, credibilidade e respeito, melhorando o desempenho em situações complexas (NINGELISKI, 2024). O policial militar deve ser praticante regular de atividades físicas. Por exemplo, em situações de reação com uso de arma de fogo, o policial precisa de reflexos sincronizados, força, firmeza para empunhar corretamente a arma, equilíbrio e resistência, elementos desenvolvidos por meio de treinamento físico específico juntamente com treinamento militar apropriado e para proteger e cuidar melhor da população à destreza e força física são indispensáveis, até mesmo se precisar correr sem preparo aeróbico, ou entrar em luta corporal dificulta a situação, até superar um obstáculo em qualquer situação que seja pertinente, pular muro por exemplo ou cerca, preparo físico exige dedicação vontade e persistência. Destaca-se a presença policial nas comunidades próximas as pessoas, polícia comunitária tema bem abrangido inclusive nos cursos de formação policial militar, policiais para atuar na comunidade tem que estar em boa forma física. Diretriz Nacional de Polícia Comunitária BRASIL (2019, p. 14) afirma:
“Entende-se como prioritária a atuação preventiva da polícia como atenuante de seu emprego repressivo, fortalecendo a ideia de que a polícia não precise ser acionada pelo rádio, mas que se antecipe à ocorrência.”
Exatamente um ponto chave para o debate, a equipe policial de atuação preventiva deve estar muito bem preparada fisicamente, além de estar pronta para qualquer situação sem medir esforços, também contribui para sensação de segurança na comunidade em que atua.
4. DISCUSSÃO
A literatura demonstra convergência ao destacar que o preparo físico é essencial na atividade policial. Entretanto, existem lacunas na manutenção da aptidão física ao longo da carreira, evidenciando a necessidade de políticas institucionais (OLIVEIRA, 2020; SILVA, 2022). Multiplicadores ou seja profissionais capacitados em treinamento físico e que sejam policiais militares da instituição podem contribuir para que os policiais sejam preparados tanto para o, TAF, (teste de aptidão física) quanto para o serviço operacional, desde que o treinamento não interfira na escala ordinária e nem no desempenho das funções. A prática regular de exercícios físicos melhora o perfil lipídico, aumenta a sensibilidade à insulina, reduz a pressão arterial e contribui para a saúde cardiovascular (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2021). O bom desempenho das funções exercidas pelos policiais militares torna-se consequência de um trabalho físico consistente, e cuidar da saúde é essencial para uma melhor qualidade de vida e longevidade.
5. CONCLUSÃO
Conclui-se que a atividade física exerce papel fundamental na eficiência operacional e na saúde dos policiais militares. A Educação Física deve ser valorizada como política de segurança pública, integrando programas de treinamento físico permanentes ao longo da carreira (ANDRADE; SILVA, 2018; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020). É imperioso destacar que a atividade física promove saúde e bem-estar, contribuindo para a prevenção de doenças cardiovasculares e metabólicas, melhorando a função cognitiva e a saúde mental, além de favorecer a integração social e a qualidade de vida em todas as faixas etárias, trazendo condicionamento físico e desempenho operacional bem como aspectos multidimensionais favoráveis.
REFERÊNCIAS
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GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. R. P. Atividades físicas para grupos especiais. São Paulo: Phorte, 2005.
LABORATÓRIO VITÓRIA. Como a prática de atividade física regula o perfil lipídico. Disponível em: <https://laboratoriovitoria.com.br/glossario/pratica-atividade-física-regula-perfil-lipidico/>. Acesso em: 2 out. 2025.
NINGELISKI, J. J. A importância da tecnologia no treinamento e na capacitação policial. Revista Contemporânea, 2024. Disponível em: <https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/download/6353/4571>. Acesso em: 2 out. 2025.
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POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ. Diretriz PMPR 004/2015-PM3: Uso Diferenciado Seletivo da Força. Curitiba: Polícia Militar do Paraná, 2015. Disponível em: <https://www.pmpr.pr.gov.br/arquivos/File/diretrizes/PMPR_004-2015.pdf>.
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SBD – SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019‑2020. São Paulo: SBD, 2019.
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1Especialista em Segurança Pública, Direito Militar e Educação Especial, Bacharel e Licenciado em Educação Física
Instituição: Polícia Militar do Paraná
E-mail: fabiocazula@pm.pr.gov.br
