A RELAÇÃO ENTRE DOENÇA PERIODONTAL E A DOENÇA DE ALZHEIMER:  UMA REVISÃO DE LITERATURA 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511181315


Paloma Aparecida Castoldi1
Ana Carla Ferreira Ramos2
Orientador: Luiz Gustavo Minosso Ferreira3


Resumo: Dentre as principais doenças que afetam a população idosa, tem-se a  doença de Alzheimer (DA). Trata-se de uma doença neurodegenerativa que atinge as  células nervosas cerebrais, levando a um declínio da capacidade, perda gradativa de  memória e, em muitos casos, a óbito. Nos dias atuais, muitos estudos vêm sugerindo  que, além de processos inflamatórios locais, os processos inflamatórios sistêmicos  também podem influenciar na progressão da DA. Nesse contexto, a doença  periodontal (DP) vem sendo estudada como uma das patologias de interesse para a  correlação com a DA. O presente trabalho teve o objetivo de realizar uma revisão  bibliográfica a fim de avaliar a literatura dos últimos dez anos a respeito da associação  entre a DA e a DP no meio científico. Foi realizada uma busca nas bases de dados  Pubmed, Google Acadêmico e Scielo, a fim de identificar artigos científicos que  abordassem o tema proposto nos últimos dez anos. Foram selecionados 28 trabalhos  de interesse aos pesquisadores. Os achados literários apontaram que a DP,  principalmente em estágios de desenvolvimento avançado, pode ser um dos fatores  de risco para a progressão do Alzheimer. Não há uma certeza sobre o real mecanismo  de correlação entre as duas doenças, mas as hipóteses mais sustentadas pela  literatura envolvem a inflamação sistêmica pelos microorganismos  periodontopatogênicos ou pelo transporte dessas bactérias através da circulação  sanguínea até o sistema nervoso central. Enfatiza-se ser importante que haja a  integração entre os profissionais da odontologia e da medicina para mais avanços nos  estudos e no tratamento desses pacientes. 

Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Doenças Periodontais; Periodonto; Gengiva. 

Abstract: Among the main pathologies affecting the elderly population is Alzheimer’s  disease (AD). It’s a neurodegenerative disease that affects brain nerve cells, leading  to a decline in capacity, gradual memory loss and in many cases, to death. Currently,  many studies suggest that in addition to local inflammatory processes, systemic  inflammatory processes can also influence the progression of AD. In this context,  periodontal disease (PD) has been studied as one of the pathologies of interest for  correlation with the AD. This study aimed to conduct a literature review to evaluate the  data in the last ten years regarding the association between both pathologies in  scientific community. A search was made in the PubMed, Google Scholar and SciELO  databases to identify scientific studies addressing the proposed topic. Twenty-eight  studies of interest to the researchers were selected. The literature findings indicated  that PD, especially in advanced stages of development, may be one of the risk factors  for the progression of AD. There is no certainty about the actual mechanism of correlation between both diseases, but the hypotheses most supported by the literature  involve systemic inflammation caused by periodontopathogenic microorganisms or the  transport of these microorganisms through the bloodstream to the central nervous  system. It is emphasized that integration between dental and medical professionals is  important for further advances in the study and treatment of these patients. 

Keywords: Alzheimer disease; Periodontal diseases; Periodontium; Gingiva. 

Resumen: Entre las principales enfermedades que afectan a la población anciana se  encuentra la enfermedad de Alzheimer (EA). Esta enfermedad neurodegenerativa  afecta a las células nerviosas del cerebro, provocando un deterioro cognitivo, pérdida  gradual de la memoria y, en muchos casos, la muerte. Actualmente, numerosos  estudios sugieren que, además de los procesos inflamatorios locales, los procesos  inflamatorios sistémicos también pueden influir en la progresión de la EA. En este  contexto, la enfermedad periodontal (EP) se ha estudiado como una de las patologías  de interés por su correlación con la EA. Este estudio tuvo como objetivo realizar una  revisión bibliográfica para evaluar la literatura de los últimos diez años sobre la  asociación entre la EA y la EP en la comunidad científica. Se realizó una búsqueda en  las bases de datos PubMed, Google Scholar y SciELO para identificar artículos  científicos que abordaran el tema propuesto en los últimos diez años. Se  seleccionaron veintiocho estudios de interés para los investigadores. Los hallazgos  bibliográficos indicaron que la EP, especialmente en etapas avanzadas, puede ser un  factor de riesgo para la progresión de la enfermedad de Alzheimer. No se conoce con  certeza el mecanismo exacto de correlación entre ambas enfermedades, pero las  hipótesis más respaldadas por la literatura científica implican una inflamación  sistémica causada por microorganismos periodontopatógenos o el transporte de estas  bacterias a través del torrente sanguíneo hasta el sistema nervioso central. Se destaca  la importancia de la integración entre profesionales de la odontología y la medicina  para seguir avanzando en el estudio y el tratamiento de estos pacientes. 

Palabras clave: Enfermedad de Alzheimer; Enfermadades periodontales;  Periodoncio; Encía. 

1 Introdução 

Com o consequente avanço da tecnologia, da medicina, dos acessos em  serviços de saúde e da expectativa de vida, é cada vez mais comum o aumento na  população idosa, tanto no Brasil quanto no mundo. Juntamente a esse  envelhecimento populacional, também há um consequente aumento de doenças  comuns da terceira idade, tornando-se assim uma preocupação em saúde pública e  saúde do idoso (Telles; Silva; Vidal, 2020). 

Dentre as principais doenças que afetam a população idosa, um dos grupos  mais frequentes são as chamadas “demências”. As demências consistem em um  grupo de patologias complexas caracterizadas pela parte parcial ou completa das capacidades intelectuais dos idosos (Fontes et al., 2024). 

A Doença de Alzheimer (DA) é o tipo de demência mais comum entre os idosos.  Trata-se de uma doença neurodegenerativa que atinge as células nervosas cerebrais,  levando a um declínio da capacidade cognitiva dos idosos, perda gradativa de  memória e, em muitos casos, à óbito (Aragón et al., 2018). 

A DA representa mais da metade dos diagnósticos de demência em idosos  (cerca de 60%), sendo mais frequente no gênero feminino e em pessoas acima dos  65 anos de idade. Não apresenta etiologia claramente definida, podendo estar  relacionada a uma série de fatores genéticos, hereditários e ambientais (Conceição et  al., 2023; Fontes et al., 2024). 

Nos dias atuais, muitos estudos vêm sugerindo que, além de processos  inflamatórios locais, os processos inflamatórios sistêmicos também podem influenciar  na progressão da DA por meio da produção de mediadores químicos inflamatórios  que atingem e afetam os tecidos cerebrais (Sansores-España et al., 2021). 

Nesse contexto, a DP (acrônimo de Doença Periodontal) vem sendo estudada  como uma das patologias de interesse para a correlação com a DA. A DP é uma  doença infecto-inflamatória responsável por grande parte da perda dentária na  população (Conceição et al., 2023).  

Acredita-se que, devido ao seu grande potencial inflamatório e microbiano,  essa doença bucal pode contribuir para a neurodegeneração em pacientes com DA,  o que torna importante o estudo e análise dessas possíveis correlações (Fontes et al., 2024; Rosa; Junior, 2024). 

Assim, mediante ao pressuposto abordado, o presente trabalho tem o objetivo  de realizar uma revisão bibliográfica a fim de avaliar a literatura dos últimos dez anos  a respeito da relação entre a DA e a DP no meio científico. 

2 Metodologia 

Trata-se de uma revisão descritiva e qualitativa de literatura. O intuito foi buscar  por estudos científicos que abordassem a correlação entre a DP e a DA. Para tal,  foram utilizados os seguintes bancos de dados: PubliMed, Scielo, Google Acadêmico. 

A busca pelos artigos se deu através das seguintes palavras chaves como  descritores: “doença periodontal” OR “periodontal disease” + “doença de Alzheimer”  OR “Alzheimer’s disease”. Foram inclusos trabalhos em português, inglês ou espanhol, publicados nos últimos dez anos (de 2015 a 2025) e disponíveis de forma  integral para acesso. Foram excluídos trabalhos que fossem contrários a esses  critérios (artigos em outras línguas, fora do recorte temporal pré-estabelecido ou sem  disponibilidade integral de acesso). 

Por meio desses critérios, foram selecionados 32 trabalhos científicos. Após a  leitura dos artigos de forma integral, 4 trabalhos foram excluídos por duplicidade.  Assim, a amostra final foi composta por 28 publicações científicas. O trabalho foi  dividido em quatro etapas de abordagem: doença periodontal e suas características;  aspectos gerais da doença de Alzheimer; a relação entre a doença periodontal e a  doença de Alzheimer; a atuação e o papel do cirurgião-dentista nestes casos. 

3 Revisão de Literatura 

3.1 Doença Periodontal e suas características 

O periodonto é uma das estruturas de maior importância na cavidade oral.  Trata-se de uma estrutura constituída por gengiva (periodonto de proteção), osso  alveolar, ligamento periodontal e cemento (periodonto de sustentação). A função do  periodonto é fornecer suporte aos elementos dentários no tecido ósseo e manter a  integridade da mucosa mastigatória da cavidade bucal (Costa et al., 2020). 

A DP (ou doença periodontal) é uma patologia inflamatória que ocorre no periodonto, no qual o principal fator etiológico é a ação do biofilme bacteriano. O  acúmulo do biofilme bacteriano e sua mineralização, sem intervenção terapêutica,  leva ao desenvolvimento da DP, que possui como consequência a inflamação  gengival com progressiva destruição do cemento e estruturas do suporte, podendo  levar à perda dentária (Rocha et al., 2019). 

A Associação Americana de Periodontia classifica a DP de acordo com o seu  grau de acometimento. A classificação se inicia em saúde gengival, podendo progredir  para gengivite, periodontite leve, periodontite moderada e periodontite severa,  conforme pode ser observado no Quadro 01, adaptado de Steffens e Marcantonio  (2018).

Quadro 01 – Classificação das doenças periodontais. 

Classificação Características
Saúde gengival Periodonto íntegro, ausência de sangramento e sem perda de  inserção óssea.
Gengivite Presença de inflamação na margem gengival com tom  avermelhado associado a sangramento, inflamação e  aumento de volume.
Periodontite leve Envolvimento dos tecidos ósseos de suporte com até 2mm de  perda.
Periodontite moderada Envolvimento dos tecidos ósseos de suporte com até 4mm de  perda.
Periodontite severa Envolvimento dos tecidos ósseos de suporte acima de 5mm.

Fonte: Steffens e Marcantonio (2018) 

Na DP, bactérias como Porphyromonas gingivalis, Aggregatibacter  actinomycetemcomitans, Treponema denticola, Actinomyces spp e Streptococcus  sanguinis são responsáveis pelo desenvolvimento do processo inflamatório que provoca um aumento no suco gengival, formando bolsas periodontais que levam ao  descolamento da gengiva e, consequentemente, a perda do suporte ligamentar,  resultando em subsequente perda óssea e recessão gengival (Neves et al., 2019). 

Os fatores de risco para o desenvolvimento da DP podem ser modificáveis ou  não modificáveis. Alguns fatores modificáveis incluem a obesidade, tabagismo,  alcoolismo, diabetes mellitus, stress e osteoporose, enquanto que alguns não  modificáveis incluem etnia, gênero, fatores genéticos e idade. Além desses, a  literatura aborda também a correlação da doença de Alzheimer com a DP (Silva et al., 2020; Fontes et al., 2024). 

3.2 Aspectos gerais da Doença de Alzheimer 

A DA (Doença de Alzheimer) ou Mal de Alzheimer, é uma doença do tipo  neurodegenerativa, caracterizando-se pela desordem degeneração irreversível do  sistema nervoso central (SNC) do ser humano, levando a destruição progressiva dos  neurônios e ocasionando prejuízos cognitivos-comportamentais aos seus portadores  (Caetano; Silva; Silveira, 2017). 

Segundo Ganesh et al. (2017) a DA é uma patologia que progride de forma  lentamente. De maneira geral, os autores citam que o comprometimento progressivo  causado pela doença é desenvolvido ao longo do tempo, muitas vezes levando  décadas. Porém, em algumas categorias, a taxa de progressão da doença pode ser  mais rápida do que o habitual.

De acordo com Pazos et al. (2016) os sintomas iniciais da DA incluem os  seguintes sinais: comprometimento da memória, confusão, deterioração cognitiva,  incapacidade de concentração, desorientação espacial, declínio nas habilidades  verbais e depressão. 

O desenvolvimento desses sintomas leva a mudanças na personalidade do  idoso. A medida que a doença progride no organismo, as funções cognitivas do idoso  vão sendo cada vez mais prejudicadas, até que a incontinência e a rigidez dos  membros vão fazendo parte do declínio, conforme citam Sensever et al. (2018). 

Não há um fator principal desencadeador da DA, sendo uma doença  desenvolvida a partir de diversos fatores de risco. Os mais comumente conhecidos  são o histórico familiar, fatores genéticos, inatividade intelectual, baixa estimulação  cognitiva, doenças sistêmicas, depressão, nutrição e traumatismo craniano (Weber et  al., 2019). 

No ponto de vista anatomopatológico, observa-se que, extracelularmente, há a  deposição de placas relacionadas a clivagem de peptídeo beta-amilóide (Aβ),  enquanto intracelularmente observa-se agregados de poteína TAU, as quais são  conhecidas por gerar os chamados emaranhados neurofibrilares (Jaques et al., 2023).  

O diagnóstico da DA deve ser realizado de forma precoce. As ferramentas de  diagnóstico incluem o exame clínico médico pelos critérios da National Institute of  Neurological and Communicative Disorders and Strokes (NINCDS) e da Alzheimer’s  Disease and Related Disorders Association (ADRDA) associado a exames  complementares como hemograma completo, dosagens de enzimas hepáticas (TGO  e TGP), ureia, creatinina, tiroxina (T4), hormônio tireo-estiulante (TSH), albumina,  dosagem de cálcio e vitamina B12, sorologia para sífilis e HIV, e exame Liquor LCR.  Exames de imagem como ressonância magnética do crânio e tomografia  computadorizada também podem servir de auxílio (Von Borstel et al., 2021). 

As alterações físicas, fisiológicas e psíquicas derivadas do desenvolvimento do  Alzheimer influem diretamente nos relacionamentos interpessoais e na qualidade de  vida dos idosos. A sobrecarga dos cuidados, o afastamento dos familiares e a redução  na qualidade diária de vida preponderam negativamente a essas pessoas (Rodrigues et al., 2020). 

3.3 Relação entre Doença Periodontal e Doença de Alzheimer

Algumas evidências vêm sugerindo que o desenvolvimento e a progressão da  DA pode ser influenciada por alguns processos inflamatórios sistêmicos através da  produção de mediadores químicos inflamatórios que afetam o cérebro. Dessa forma,  a DP vêm ganhando um destaque nessa associação, devido ao fato dessa doença  bucal possuir um potencial neurodegenerativo através de seus mecanismos  microbianos e inflamatórios (Monteiro et al., 2025). 

Segundo Telles, Silva e Vidal (2020) a presença de citocinas inflamatórias tanto  na DP quanto na DP pode sugerir uma interligação entre as doenças. Para esses  pesquisadores, a periodontite pode se correlacionar com o desenvolvimento do mal  de Alzheimer através de dois mecanismos: a periodontite precedendo uma inflamação  sistêmica ou por meio da influência bacteriana e viral circulatória. 

De acordo com Facchini e Bona (2024) o primeiro mecanismo pelo qual a DP  pode influenciar na progressão da DA está no fato de que, os patógenos da DP, em  conjunto com a resposta inflamatório do indivíduo, aumentam os níveis de citocinas  pró-inflamatórias, que levam a um estado inflamatório periférico e/ou sistêmico.  

Essas citocinas, de acordo com os mesmos autores supracitados,  comprometeriam a integridade da barreira hematoencefálica do hospedeiro, o que  permite o acesso dessas células a regiões cerebrais, levando a uma ativação das  células microgliais e, consequentemente, desenvolvendo danos neuronais, como a  DA (Facchini; Bona, 2024). 

Outra hipótese de correlação entre as duas doenças é a da possibilidade de  invasão do cérebro por meio de bactérias presentes no biofilme dental. Essa invasão  pode ocorrer tanto por meio do transporte sanguíneo direto como pelos nervos  periféricos (Aguiar, 2022). 

As interações mediadas através das citocinas geradas pela DP para com os  neurônios e as células gliais são fundamentais para a progressão da DA. Tanto a DP  quanto a DA apresentam características cônicas semelhantes, no qual a inflamação  emerge como um dos fatores centrais da patogênese de ambas as doenças (Aguiar,  2022; Facchini; Bona, 2024). 

Segundo Conceição et al. (2023) a proteína plasmática PCR é regulada por  citocinas como a TNF-α, IL-1 e IL-6, também conhecidos como marcadores sensíveis  da inflamação sistêmica. Na fase aguda da DP, pode haver um aumento de  marcadores como TNF-α em pacientes com DA. Esse aumento pode estar  relacionado com a presença de bactérias responsáveis pela DP, como Porphyromonas gingivalis e Aggregotibacter actinomycetemcomitans. A presença de microorganismos como P. gingivalis. A.  actinomycetemcomitans, T. denticola e T. forsythia na microbiota oral de pacientes  com DA, principalmente no fluído gengival, pode sugerir uma conexão entre as duas  doenças. Há evidências de um aumento nos níveis de anticorpos contra esses  microorganismos em indivíduos que são diagnosticados com ambas as doenças.  Logo, a identificação de anticorpos específicos contra essas bactérias pode ajudar no  diagnóstico do mal de Alzheimer (Arruda et al., 2024; Monteiro et al., 2024). Mesmo com as possíveis associações entre as duas doenças, é válido salientar  que, a DP é considerada um dos fatores ambientais modificáveis para a progressão  da DA, e não um fator preponderante (Gao et al., 2020). 

3.4 O papel e atuação do Cirurgião-Dentista 

De acordo com Gao et al. (2020) a prevenção e o tratamento da DP são  estratégias de cunho fundamental e de elevada importância para que se retarde o  desenvolvimento do mal de Alzheimer, bem como também é importante para  neutralizar ou reduzir a sua progressão. 

Segundo Telles, Silva e Vidal (2020) toda a parte de prevenção em saúde bucal  nos pacientes com DA deve ser realizada na fase inicial da doença, pois é o período  onde os pacientes ainda colaboram. É importante, nessa etapa, o controle do biofilme,  orientação em higiene bucal, tratamento periodontal, tratamento endodôntico,  tratamento restaurador e protético. Também é nessa etapa onde se devem orientar  os familiares ou cuidadores a respeito da colaboração na higienização em saúde bucal  do paciente com DA. 

Na fase intermediária do mal de Alzheimer, de acordo com os mesmos autores  supracitados, é difícil a colaboração do paciente. Nessa etapa, os procedimentos  possivelmente necessitarão serem realizados com sedação com benzodiazepínicos  ou óxido nitroso, com a autorização médica. É uma fase importante para remoção de  focos de infecção da DP com raspagens sub e supragengivais (Telles; Silva; Vidal,  2020). 

Já na fase avançada da doença, devem ser mantidas as mínimas condições  em saúde bucal, devendo o cirurgião-dentista atuar principalmente na remoção de  focos e infecciosos ou que estejam relacionados à sintomatologia, os quais podem afetar o estado de saúde geral do paciente, principalmente em casos de periodontite  (Conceição et al., 2023). 

Assim, o papel do cirurgião-dentista é de crucial importância para o manejo e  prevenção da DP em pacientes com DA, principalmente em pacientes com idade  avançada, sendo este um grupo mais suscetível para as duas doenças. O controle do  processo inflamatório periodontal e a promoção em saúde bucal podem ser uma  estratégia preventiva na redução dos riscos de progressão do mal de Alzheimer  (Monteiro et al., 2025). 

4 Discussão 

Analisando os dados literários revisados, os autores definiram a DP como uma  patologia inflamatória do periodonto que tem como etiologia o biofilme bacteriano sem  intervenção terapêutica. A literatura também classificou a DP de acordo com seu  estágio de evolução, podendo ser gengivite, periodontite leve, moderada ou severa.  Ainda, nota-se também que a DP é um dos principais causadores da perda dentária,  juntamente a doença cárie (Steffens; Marcantonio, 2018; Neves et al., 2019; Rocha et  al., 2019; Costa et al., 2020; Silva et al., 2020; Fontes et al., 2024). 

Quanto a DA, os autores revisados apontaram que se trata de uma doença  neurodegenerativa que afeta o SNC, com destruição progressiva dos neurônios, onde  os principais sintomas se caracterizam pela perda cognitiva, perda da memória,  desorientação, depressão e incapacidade de concentração. Os autores também  apontaram que o Alzheimer é uma doença de cunho multifatorial, ou seja, vários  fatores podem estar envolvidos no seu desenvolvimento e em sua progressão (Pazos et al., 2016; Caetano; Silva; Silveira, 2017; Ganesh et al., 2017; Sensever et al., 2018;  Weber et al., 2019; Rodrigues et al., 2020; Von Borstel et al., 2021; Jaques et al.,  2023). 

A DP não é um fator etiológico direto para a DA. Entretanto, é um fator que  pode estar associado a sua progressão, isto é, pacientes com DP sem tratamento  podem apresentar maiores chances de progressão e agravamento do mal de  Alzheimer em relação a pacientes que não possuem DP (Telles; Silva; Vidal, 2020;  Aguiar, 2022; Conceição et al., 2023; Facchini; Bona, 2024; Monteiro et al., 2025). 

Autores como Facchini e Borba (2024) acreditam que a DP em sua fase  inflamatória possui a capacidade de aumentar as citocinas pró-inflamatórias levando a um estado inflamatório sistêmico ou periférico que, por sua vez, influenciam na  desintegração da barreira hematoencefálica fazendo com que as bactérias  periodontopatogênicas cheguem à região cerebral e causem danos neuronais. 

Por outro lado, autores como Aguiar (2022) citaram que as bactérias  periodontopatogênicas, principalmente do tipo Porphyromonas gingivalis Aggregotibacter actinomycetemcomitans, podem invadir a região cerebral através do  sistema circulatório. Assim, em pacientes com DP ativa e sem intervenção terapêutica,  esses microorganismos podem ser transportados à região do SNC através da corrente  sanguínea ou dos nervos periféricos.  

Alguns estudos na literatura já buscaram analisar a correlação entre a DP e a  DA. Chen, Wu e Chang (2017) realizaram um estudo retrospectivo com 9.291  pacientes acima dos 50 anos diagnosticados com DP e 18.672 pacientes sem DP,  sendo pareados de acordo com idade, gênero e anos-índice. Os autores identificaram  que, a exposição de DP ao longo de 10 anos associou-se a um aumento em 1.7x  maior de chance de desenvolvimento do mal de Alzheimer. 

Malone et al. (2022) realizaram um estudo retrospectivo com 439.760 pacientes  de um sistema de saúde para avaliar a taxa de incidência de DP em pacientes com  DA. Os achados mostraram que, a taxa de incidência de DA nos pacientes  diagnosticados com DP foi 10,84% maior do que nos pacientes sem DP. Ainda, os  pacientes com DP tiveram um diagnóstico precoce da DA de forma mais precoce do  que aqueles sem DP e com o mesmo diagnóstico de Alzheimer. 

Beydoun et al. (2020), por meio de um estudo retrospectivo com 33.199  pacientes, analisaram a relação entre a presença de patógenos periodontais e o  desenvolvimento de DA. Os resultados mostraram que o IgG do patógeno  Porphyromonas gingivalis foi realizado a um aumento no risco de morbimortalidade  para DA em pacientes acima dos 65 anos de idade. Os autores elencaram algumas  hipóteses para a relação entre as doenças, como o transporte bacteriano via corrente  sanguínea, estresse oxidativo cerebral por meio das toxinas geradas pelos patógenos  periodontais e produção de citocinas e outros mediadores inflamatórios que  atravessem a barreira hematoencefálica e geram inflamação cerebral. 

Em contrapartida, autores como Sun et al. (2020) não acharam evidências que  possam apoiar a teoria de que a periodontite é um dos fatores causais de  desenvolvimento para a DA, muito embora os autores acreditem que há evidências  limitadas que sugiram que o fator genética para a DA está associado a um maior risco de DP. 

Apesar dessas evidências, o real impacto da DP sobre a função cognitiva  gerada pela DA ainda é limitada. Sugere-se, assim, a realização de estudos com  amostras mais robustas, de forma multicêntrica e com acompanhamento a longo  prazo, para que a investigação sobre a correlação das doenças seja mais  aprofundada. 

5 Conclusão 

Mediante aos dados obtidos pela literatura revisada e pela discussão de suas  respectivas informações, conclui-se que a doença periodontal, principalmente em  estágios de desenvolvimento avançado, pode ser um dos fatores de risco para a  progressão da doença de Alzheimer, especialmente em pacientes mais idosos. 

Não há uma afirmação direta sobre o real mecanismo de correlação entre as  duas doenças, mas algumas das hipóteses mais sustentadas pela literatura envolvem  a inflamação sistêmica pelos microorganismos periodontopatogênicos ou pelo  transporte dessas bactérias através da circulação sanguínea até o sistema nervoso  central. 

Dessa forma, é importante que haja a integração entre os profissionais da  odontologia e da medicina para que hajam avanços no real entendimento entre essas  duas doenças, a fim de que sejam desenvolvidas intervenções de cunho  interdisciplinar e que sejam de caráter eficaz, para que os indivíduos portadores de  DA tenham maior qualidade de vida. 

Referências 

AGUIAR A. V. F. P. Avaliação da doença periodontal como fator de risco para a  demência do tipo doença de Alzheimer: uma revisão de literatura. 2022. 35f. Monografia (Graduação em Odontologia) – Universidade Federal do Ceará,  Fortaleza, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/69405. Acesso  em: 09 nov. 2025. 

ARAGÓN F., ZEA-SEVILLA M. A., MONTERO J., SANCHO P., CORRAL R.,  TEJEDOR C. et al. Oral health in Alzheimers disease: a multicenter case-control  study. Clin Oral Investig 22(9): 3061-3070, 2018. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29476334/. Acesso em: 01 nov. 2025. 

ARRUDA C. I. F., AGUIAR J. K. C., PONTES D. P., FERNANDES J. D. L., SANTOS  M. L. L. et al. Interrelação entre periodontite e doença de Alzheimer: uma revisão integrativa. JNT – Facit Business and Technology Journal 1(57): 20-33, 2024.  Disponível em: https://revistas.faculdadefacit.edu.br/index.php/JNT/article/view/3202.  Acesso em: 07 nov. 2025. 

BEYDOUN M. A., BEYDOUN H. A., HOSSAIN S., EL-HAJJ Z. W., WEISS J. et al.  Clinical and Bacterial Markers of Periodontitis and their association with incident all cause and Alzheimer’s disease dementia in a large national survey. J Alzheimers  Dis 75(1): 157-172, 2020. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32280099/. Acesso em: 08 nov. 2025. 

CAETANO L. A. P., SILVA F. S., SILVEIRA C. A. B. Alzheimer, sintomas e grupos:  uma revisão integrativa. Vínculo 14(2): 84-93, 2017. Disponível em:  https://pepsic.bvsalud.org/pdf/vinculo/v14n2/v14n2a10.pdf. Acesso em: 01 nov.  2025. 

CHEN C. K., WU Y. T., CHANG Y. C. Association between chronic periodontitis and  the risk of Alzheimer’s disease: a retrospective, population-based, matched-cohort  study. Alzheimers Res Ther 9(1): 56-63, 2017. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28784164/ Acesso em: 09 nov. 2025. 

CONCEIÇÃO C. J. S., HARTUWIG C. G., FAUCONNET C. V., CALENZANI A. L. Z.  A relação entre a doença periodontal e os portadores de Alzheimer. Natureza  Online 21(1): 8-14, 2023. Disponível em:  https://www.naturezaonline.com.br/revista/article/view/481. Acesso em: 02 nov.  2025. 

COSTA L. L., SILVA G. G., ARAÚJO P. H., LIMA J. G. C., FRANÇA G. M.,  PINHEIRO J. C. O papel do sistema imunológico na patogênese da doença  periodontal. Revista Pub Saúde 3(38):1-6, 2020. Disponível em:  https://pubsaude.com.br/wp-content/uploads/2020/06/038-O-papel-do-sistema imunol%C3%B3gico-na-patog%C3%AAnese-da-doen%C3%A7a-periodontal.pdf Acesso em: 03 nov. 2025. 

FACCHINI G. L., BONA V. S. Relação entre doença Periodontal e Alzheimer – uma  revisão de literatura. Research, Society and Development 13(6): 1-13, 2024.  Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/46109. Acesso em: 06  nov. 2025. 

FONTES E. M. G., FILHO J. A. M., CARDOSO M. S. O., TRAVASSOS R. M. C.  Explorando a conexão entre a Doença de Alzheimer e a Doença Periodontal: uma  revisão integrativa. Revista Saúde.Com 20(3): 3439-3447, 2024. Disponível em:  https://periodicos2.uesb.br/rsc/article/view/16816. Acesso em: 02 nov. 2025. 

GANESH P., KARTHIKEYAN R., MUTHUKUMARASWAMY A., ANAND J. Possível  papel da inflamação periodontal na doença de Alzheimer: uma revisão. Saúde Bucal  Prev Dent 15(1): 7-12. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28232969/.  Acesso em: 03 nov. 2025. 

GAO Z., FENG Y., MA C., MA K., CAI Q. Disrupted time-dependent and functional  connectivity brain netwrok in Alzheimer’s disease: a resting-state fMRI study based on visibility graph. Curr Alzheimer Res 17(1): 69-79, 2020. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32053076/. Acesso em: 08 nov. 2025. 

JAQUES U., TOLEDO L. F., MEDEIROS D. E. M., OLIVEIRA M. F., BARRETO L. B.  Possíveis mecanismos fisiopatológicos da doença de Alzheimer: revisão de  literatura. Brazilian Journal of Health Review 6(2): 6672-6689, 2023. Disponível  em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/58592/42636.  Acesso em: 02 nov. 2025. 

MALONE J., JUNG J., TRAN L., ZHAO C. Periodontal disease and risk of dementia  in medicare patients with Hepatitis C virus. J Alzheimers Dis 85(3): 1301-1308,  2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34924375/. Acesso em: 07  nov. 2025. 

MONTEIRO A. J. D., SILVA H. A. M., MATEUS N. A. S., RODRIGUES M. R. Inter relação entre doença periodontal e doença de Alzheimer: uma revisão de literatura. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro 7(1): 1-11, 2025. Disponível em:  https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/3773. Acesso em: 08 nov.  2025. 

NEVES M. C., NEVES J. S., GOUVEIA M., ESTEVINHO F., SUBTIL P., LEITE MOREIRA J. Diabetes mellitus e Doença periodontal. Revista Portuguesa de  Diabetes 14(2):63-70, 2019. Disponível em: http://www.revportdiabetes.com/wp content/uploads/2019/07/RPD-Junho-2019-Artigo-de-Revis%C3%A3o-p%C3%A1gs 63-70.pdf. Acesso em: 01 nov. 2025. 

PAZOS P., LEIRA E., DOMÍNGUEZ C., PÍAS-PELETEIRO J. M., BLANCO J.,  ALDREY J. M. Associação entre doença periodontal e demência: uma revisão de  literatura. Neurologia 33(9): 602-613. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27780615/. Acesso em: 03 nov. 2025. 

ROCHA E. F., SEIBEL A. B., NOGUEIRA A. N., ROCHA V. C. F. Envelhecimento  humano e desenvolvimento da doença periodontal. REAS/EJCH 26(775):1-6, 2019.  Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/775/549.  Acesso em: 02 nov. 2025. 

RODRIGUES T. Q., CASTRO A. S., CONCEIÇÃO T. F., LEITE J. G. A. M.,  FERREIRA V. H. S., FAUSTINO A. M. Impacto da Doença de Alzheimer na  qualidade de vida de pessoas idosas: revisão de literatura. REAS/EJCH 12(4): 1-8,  2020. Disponível em:  https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/2833/1568. Acesso em: 02  nov. 2025. 

ROSA G. B., JUNIOR G. F. S. Associação entre a doença periodontal e doença de  Alzheimer: revisão de literatura. Cadernos de Odontologia do Unifeso 6(1): 1-9,  2024. Disponível em:  https://revista.unifeso.edu.br/index.php/cadernosodontologiaunifeso/article/view/437.  Acesso em: 03 nov. 2025. 

SANSORES-ESPAÑA D., CARRILO-AVILA A., MELGAR-RODRIGUEZ S., DÍAZ-ZUÑIGA J., MARTÍNEZ-AGUILAR V. Periodontitis and Alzheimer’s disease. Med  Oral Patol Oral Cir Bucal 26(1): 43-48, 2021. Disponível em:  https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7806353/. Acesso em: 03 nov. 2025. 

SENSEVER F., VITALIS G. S., DIESEL P. G., DOS SANTOS B. Z., DOTTO P. P.  Associação da doença Periodontal e doença de Alzheimer. Disciplinarum Scientia  19(1): 113-124, 2018. Disponível em:  https://periodicos.ufn.edu.br/index.php/disciplinarumS/article/view/2433. Acesso em:  02 nov. 2025. 

SILVA G. C. B., NETO O. M. M., NASCIMENTO A. M. V., SANTOS C. A. O.,  NÓBREGA W. F. S., SOUZA S. L. X. História natural da Doença Periodontal: uma  revisão sistematizada. Research, Society and Development 9(7):1-15, 2020.  Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/4562/3995. Acesso em: 01 nov.  2025. 

STEFFENS J. P., MARCANTONIO R. A. C. Classificação das Doenças e Condições  Periodontais e Peri-implantares 2018: guia Prático e Pontos-Chave. Rev Odontol  UNESP 47(4):189-197, 2018. Disponível em:  https://www.scielo.br/j/rounesp/a/F9F6gnVnNm6hFt6MBrJ6dHC/?format=pdf&lang=p t. Acesso em: 02 nov. 2025. 

SUN Y. Q., RICHMOND R. C., CHEN Y., MAI X. M. Mixed evidence for the  relationship between periodontitis and Alzheimer’s disease: a bidirectional Mendelian  randomization study. PLoS One 15(1): 1-9, 2020. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31978120/. Acesso em: 09 nov. 2025. 

TELLES I. P., SILVA M. S., VIDAL P. P. Associação entre a Doença Periodontal e a  Doença de Alzheimer e a importância da atuação do cirurgião-dentista no paciente  portador dessas condições. Ciência Atual 15(1): 36-47, 2020. Disponível em:  https://revista.saojose.br/index.php/cafsj/article/view/397. Acesso em: 01 nov. 2025. 

VON BORSTEL G. C. C., YOSHIMURA F. K., ZAURA C., MARCELINO V. M. R.,  GARCIA I. C. M., NUNES P. L. P. et al. Doença de Alzheimer: revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review 4(3): 14211-14222, 2021. Disponível em:  https://www.academia.edu/download/109023370/pdf.pdf. Acesso em: 03 nov. 2025. 

WEBER I. T. S., CONTE F. A., BUSNELLO M. B., FRANZ L. B. B. Nutrição e doença  de Alzheimer no idoso: uma revisão. Estud. Multidiscipl. Envelhec. 24(3): 45-61,  2019. Disponível em:  https://seer.ufrgs.br/index.php/RevEnvelhecer/article/view/85168/57061. Acesso em:  03 nov. 2025.


1Faculdade Uninassau, Brasil, E-mail: palomacastoldi97@gmail.com;
2Faculdade Uninassau, Brasil, E-mail: anacarla2013ramos@gmail.com;
3Faculdade Uninassau, Brasil, E-mail: gustavo.minosso@gmail.com