REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511161033
Andreia Aparecida Silva Conde Simoes¹; Ellen Cristina Barbosa Lino da Silva¹; Isabella da Silva Lima¹; Rafaella Lettiere Canton Oliveira¹; Thayna Querino de Jesus Campos¹; Orientador: Silvana Flora de Melo²; Coorientador: Ana Paula de Carvalho³; Cordenadora: Jamila Fabiana Costa
1. INTRODUÇÃO
Os cuidados paliativos especializados consistem em uma prática assistencial voltada não apenas ao tratamento clínico, mas também ao suporte psicossocial, espiritual e integral. Essa modalidade de atenção é realizada por uma equipe interdisciplinar, devidamente capacitada, cujo propósito é garantir maior qualidade de vida, aliviar o sofrimento, orientar nas tomadas de decisão, coordenar o processo de cuidado, apoiar na fase final da vida e oferecer acolhimento durante o luto (Kaye et al., 2020).
Dentro dessa abordagem, a participação da família assume papel central, visto que ela influencia diretamente no desenvolvimento humano e no processo de recuperação da saúde. Em situações em que o paciente recebe um diagnóstico de doença sem possibilidade de cura, os familiares também sofrem intensamente, vivenciando experiências dolorosas. Cada núcleo familiar, entretanto, reage de forma distinta, sendo fundamental reconhecer essas diferenças e os efeitos que podem surgir nesse contexto (Cavalcante et al., 2018).
É necessário compreender que a vivência dos cuidados paliativos não é apenas desafiadora para o paciente, mas também para os familiares que o acompanham. A descoberta de uma doença em estágio terminal desperta um conjunto de emoções intensas, como medo, angústia, tristeza, ansiedade e até raiva. Esse contexto costuma colocar a família em um processo emocional instável, marcado por altos e baixos, enquanto precisa lidar com a incerteza do prognóstico, a tomada de decisões difíceis e a consciência da proximidade da perda (Cobo et al., 2019).
O envolvimento no cuidado, embora essencial, frequentemente acarreta sobrecarga. As demandas constantes restringem a rotina, geram preocupações, provocam sentimento de insegurança e favorecem o isolamento social, o que pode colocar o cuidador em um cenário de exaustão progressiva. Além disso, os aspectos físicos da assistência, como a necessidade de apoio contínuo ao paciente, tornam-se desgastantes, exigindo dedicação intensa. Esse esforço, quando prolongado, pode comprometer a saúde do cuidador, refletindo em esgotamento físico, fragilidade emocional e altos níveis de estresse (Ribeiro, 2019).
O atendimento direcionado a pessoas em cuidados paliativos é essencial para indivíduos que enfrentam doenças graves, progressivas e que comprometem tanto a expectativa quanto a qualidade de vida. A proposta desse tipo de assistência é oferecer uma visão ampla do cuidado, priorizando o controle dos sintomas, o conforto físico e a preservação do bem-estar emocional e psicológico. Contudo, não se deve restringir a atenção apenas ao paciente: é necessário compreender também o forte impacto que a terminalidade gera sobre familiares e pessoas próximas (Silva et al., 2022).
Diante desse cenário, surge a questão: de que maneira a metáfora da borboleta com suas fases de transformação (lagarta, crisálida e borboleta) pode contribuir para compreender a trajetória emocional, física e espiritual dos familiares durante o processo de cuidados paliativos? Parte-se da hipótese de que a metáfora da borboleta possibilita uma leitura mais sensível e humanizada da jornada dos familiares, permitindo associar os momentos de dor, transformação e renovação a um ciclo simbólico que favorece a ressignificação da experiência do luto e da finitude.
O processo de adoecimento e terminalidade não afeta apenas o paciente, mas também os familiares, que enfrentam sentimentos de medo, sobrecarga e fragilidade emocional. A escolha da borboleta como símbolo interpretativo justifica-se por seu forte valor cultural e espiritual, representando transformação, morte e renascimento. Assim, analisar os cuidados paliativos sob esse prisma amplia a compreensão sobre a vivência da família, oferece subsídios para práticas mais empáticas e contribui para a produção científica no campo da saúde e das humanidades.
A conexão entre o ser humano e os símbolos tem sido objeto de investigação em diferentes campos do saber, como a filosofia, a antropologia e a psicologia. Refletir e dialogar sobre símbolos também faz parte do ato de cuidar e de construir conhecimento no âmbito da Saúde, considerando a ampla variedade de imagens presentes no cotidiano, desde o nascimento até o término da vida (Vandenberghe, 2018).
Antigamente, símbolos como a morte eram amplamente reconhecidos e representados por figuras como caveiras, ceifeiros, esqueletos, ampulhetas e túmulos. Contudo, essas imagens, embora universais, acabam reforçando aspectos dolorosos da perda, além de retirar a identidade daqueles que enfrentam o processo de morrer ou do luto. Por esse motivo, tais representações não se mostram adequadas quando se trata de criar logotipos para serviços de cuidados paliativos ou hospices (Jung, 2016).
O logotipo, nesse contexto, deve ser compreendido como um elemento comunicativo, destinado a expressar a natureza do serviço e a sua finalidade. Considerando que falar sobre a morte já é, por si só, um desafio cultural e emocional, os serviços de cuidados paliativos e hospices enfrentam a missão ainda mais delicada de traduzir simbolicamente o cuidado diante da finitude da vida (Vandenberghe, 2018).
O simbolismo da borboleta está intimamente ligado ao processo de suas transformações. A passagem da lagarta à crisálida e, posteriormente, ao surgimento da borboleta, traduz-se como um ciclo de vida, morte e renascimento. A crisálida pode ser compreendida como o espaço que guarda a potencialidade de um novo ser, e a borboleta que dela emerge representa a renovação da existência, um sinal de ressurreição ou mesmo de libertação, como se fosse a saída de um túmulo. Dessa forma, esse percurso de metamorfoses é interpretado como uma metáfora cristã, onde cada estágio simboliza a superação de fases até atingir um estado de plenitude espiritual (Vandenberghe, 2018).
Assim, no imaginário simbólico, a borboleta expressa não apenas o processo natural de transformação, mas também a conquista da maturidade ideal após um caminho repleto de desafios. No contexto funerário, ela assume a imagem daquele que alcança um destino elevado, sendo associada à renovação constante da vida e à certeza de um renascer após a morte (Jung, 2016).
Esse simbolismo também aparece em tradições míticas, como no mito de Psique, frequentemente representada com asas de borboleta, ou nas representações artísticas de Pompeia, em que figura como uma criança alada semelhante a esse inseto. A relação entre Psique e borboleta não é casual: a palavra remete ao grego psyche, que significa “sopro vital” ou “alma”. A partir desse radical, consolidaram-se termos como Psicologia, entendida desde o século XIX como o estudo da mente, da alma e de seus fenômenos (Chevalier, 2015).
2. OBJETIVO
Compreender a jornada dos familiares no processo de cuidados paliativos por meio da metáfora das fases da borboleta, evidenciando as dimensões emocionais, físicas e simbólicas dessa experiência.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
A presente pesquisa foi realizada através de levantamento bibliográfico. A pesquisa bibliográfica consiste na coleta, seleção e análise de produções científicas que sustentam a fundamentação teórica de um estudo, exigindo dedicação e análise crítica por parte do pesquisador. Seu principal objetivo é reunir textos previamente publicados que possam subsidiar o desenvolvimento da investigação. De acordo com Gil (2019, p. 44), trata-se de um tipo de investigação fundamentada em fontes já existentes, como livros, artigos acadêmicos, teses e dissertações.
O estudo foi desenvolvido no ano de 2025 e compreende um recorte temporal dos últimos 10 anos. A definição desse intervalo justifica-se pela necessidade de abarcar publicações recentes que reflitam as transformações nas práticas de cuidados paliativos, nas políticas públicas de saúde e nas abordagens simbólicas utilizadas para interpretar a experiência familiar diante da terminalidade. As fontes de informação foram buscadas em bases de dados científicas amplamente reconhecidas, tais como SciELO, LILACS, PubMed, CAPES Periódicos e Google Acadêmico.
Para a pesquisa, utilizaram-se como descritores controlados e não controlados, em português e inglês, os seguintes termos: “cuidados paliativos”, “família e terminalidade”, “processo de luto”, “símbolos e saúde”, “metamorfose da borboleta” e “Psique”, combinados entre si por meio do operador booleano AND. A seleção do material seguiu critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos: foram incluídos artigos, livros, dissertações e teses publicados no período delimitado, que apresentassem relação direta com a temática da jornada familiar em cuidados paliativos e com o simbolismo da borboleta; foram excluídos os textos duplicados, materiais que não possuíam acesso integral, publicações opinativas sem respaldo científico e estudos cujo foco estivesse restrito ao paciente, sem considerar a vivência da família.
Por se tratar de uma pesquisa de abordagem qualitativa, os dados coletados foram examinados de forma crítica e interpretativa, buscando compreender como os autores discutem a jornada dos familiares no contexto dos cuidados paliativos e como o simbolismo da borboleta pode ser relacionado a esse processo. Foram analisados artigos, livros e trabalhos acadêmicos que abordam tanto a dimensão prática e emocional dos cuidados paliativos quanto a aplicação de símbolos e metáforas no campo da saúde e das humanidades.
Para a análise, foi empregada a técnica de Análise de Conteúdo, que, segundo Bardin (2016), permite realizar uma interpretação qualitativa por meio de uma descrição sistemática, objetiva e aprofundada do material.
Este estudo foi conduzido em conformidade com as diretrizes do Conselho Nacional de Saúde, conforme a Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016, que regulamenta as normas para pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Por se tratar de uma revisão bibliográfica, não houve contato direto com seres humanos, e os dados foram obtidos exclusivamente a partir de materiais científicos disponíveis publicamente. Dessa forma, entende-se que a pesquisa apresenta risco mínimo, não havendo necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa.
4. RESULTADOS
No presente estudo foram identificados 336 artigos nas bases de dados consultadas. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos, esse número reduziu-se para 93 publicações. Após a leitura, análise e interpretação dos estudos, 12 artigos compuseram a amostra final, sendo 2 da base LILACS (16,6%), 3 da base BDENF/BVS (25,0%), 5 da base SCIELO (41,6%) e 2 da base MEDLINE (16,6%).
O Quadro 1 foi construído para apresentar a composição final dos artigos selecionados nas bases de dados.

Quadro 1 – Bases de dados e quantidade de artigos selecionados. São Paulo – SP, Brasil, 2025.
Quadro 2 – Caracterização dos estudos analisados na revisão. São Paulo – SP, Brasil, 2025
| Nome do artigo | Autores/Ano | Objetivo | Resultados Significativos |
| Intervenções implementadas no apoio à família no processo de luto em cuidados paliativos | Simão et al., 2025 | Mapear a evidência disponível sobre as intervenções implementadas no apoio à família/cuidadores no processo de luto em cuida dos paliativos. | Tornou-se evidente de que é necessária maior investigação sobre a eficácia dos vários tipos de intervenções existentes, nomeadamente, musicoterapia, terapia artística, escrita, intervenções educativas, psicossociais, grupos de apoio, cartões de aniversário de luto e terapia comportamental existencial. |
| Cartas terapêuticas: intervenção de enfermagem com famílias de pacientes em cuidados paliativos | Fernandes et al., 2025 | Analisar a intervenção de enfermagem pro posta a partir do relato do cuidador familiar com tristeza crônica que vivencia o luto antecipatório de paciente em cuidados paliativos, à luz da Teoria de tristeza crônica. | Foi possível identificar quatro categorias temáticas ‘Valorização do cuidador familiar’, ‘Proporcionar o vínculo afetivo da família’, ‘Fortalecendo a relação terapêutica’ e ‘Estratégias eficazes de enfrentamento. |
| Rede de cuidado formal e informal do familiar que cuida do paciente em cuidados paliativos oncológicos no domicílio. | Moraes et al., 2025 | Conhecer as redes de cuidado em torno do cuidador principal no contexto dos cuidados paliativos domiciliares e descrever as implicações da disponibilidade dessas redes na atenção à saúde desse cuidador. | A abordagem qualitativa foi fundamental para a compreensão de que o familiar apresenta suas próprias demandas frente ao processo de cuidado. |
| Cuidados no final de vida e luto: estudo com familiares de vítimas da COVID-19. | Lucena et al., 2024 | Investigar implicações do luto em familiares de vítimas da COVID-19; verificar a prevalência de sintomas de luto prolongado; identificar expectativas dos familiares acerca do cuidado em fim de vida de seus entes acometidos por COVID-19. | Os resultados foram apresentados de forma descritiva e com auxílio de tabelas. Amostra de 142 familiares, maioria do sexo feminino, que apresentaram implicações emocionais, físicas, sociais e financeiras em decorrência do luto. Houve prevalência de sintomas de luto prolongado em 11,4% dos enlutados com mais de seis meses e 29.6% dos que tinham menos de seis meses. Foram identificadas três categorias temáticas: transparência na comunicação da situação de saúde, acesso a momentos de despedida e promoção de conforto nas ações de cuidado. |
| Importância de uma equipa de suporte comunitária em cuidados paliativos: a perspectiva da família | Santos et al., 2023 | Conhecer as vantagens da integração de uma equipa comunitária | Foram identificadas vantagens ao nível da existência de uma Equipa Comunitária de Suporte em CP, nomeadamente para o desenvolvimento de habilidades nos familiares, assegurando a continuidade de cuidados no domicílio, bem como a promoção de uma maior confiança entre quem cuida e é cuidado. |
| O luto antecipatório e as estratégias de enfrentamento de familiares nos cuidados paliativos | Reis et al., 2023 | Caracterizar as estratégias de enfrentamento d e familiares no contexto dos Cuidados Paliativos e do luto antecipatório. | Observaram-se estratégias destinadas à resolução de problemas para contornar as emoções, com base nas relações interpessoais e na religiosidade/espiritualidade. |
| Dificuldade de comunicar a morte do paciente aos familiares | Ferreira et al., 2022 | Identificar na literatura recomendações para reduzir os malefícios dessa situação. | Os resultados, obtidos em 18 artigos selecionados, foram divididos em três categorias formação profissional, preparo familiar e prática profissional. Quanto à formação profissional, indicou-se, sobretudo, treinamento por role playing precedido de fundamentação teórica; para o preparo dos familiares, recomendou-se promover diálogo enquanto o paciente vive; em relação à prática profissional, aconselhou-se compartilhar informações entre colegas e adotar medidas para controle emocional. |
| Necessidades da família do paciente crítico em terminalidade de vida: revisão integrativa | Souza et al., 2021 | Identificar na literatura científica as principais necessidades da família do paciente crítico terminal. | Percebe-se a importância da integração da equipe de saúde no contexto de terminalidade para auxiliar a família nesse momento delicado, corroborando para uma resposta adequada de um plano terapêutico. |
| Morte e luto em cuidados paliativos: vivência de profissionais de saúde | Franco et al., 2020 | Analisar o discurso de profissionais da Saúde sobre o cuidar de pacientes em cuidados paliativos, no momento da morte e luto da família. | A análise dos depoimentos mostra a compreensão dos profissionais sobre a morte, revela os sentimentos e a assistência paliativa deles no momento da morte, além de identificar a assistência à família e as dificuldades enfrentadas no momento do luto. |
| Comunicação em cuidados paliativos: equipe, paciente e família | Campos et al., 2019 | Avaliar a comunicação na assistência paliativa e sua influência na relação entre equipe, paciente e família. | Dados foram coletados em entrevistas semiestruturadas e avaliados com a técnica de análise de conteúdo |
| Relações familiares no contexto dos cuidados paliativos | Espíndola et al., 2018 | Explorar possíveis implicações às relações familiares no fim da vida por meio de uma revisão narrativa de literatura. | Entende-se que as mudanças e perdas no processo de adoecimento acometem o doente e também seus familiares, o que justifica a necessidade de assistência que oferte cuidados a esses indivíduos e dê suporte aos sofrimentos físico, psicossocial e espiritual a que estão sujeitos. |
| Livre como uma borboleta: simbologia e cuidado paliativo | Costa et al., 2015 | Investigar a relação entre as borboletas e os cuidados paliativos. | A presença constante e intrigante de borboletas nas paredes e vidraças dos hospitais estudados tem um significado nos cuidados paliativos, pois a metamorfose das borboletas é simbolicamente associada às transformações radicais que os seres humanos passam em suas vidas, sendo a morte percebida como uma possibilidade de renovação. |
5. DISCUSSÃO
De acordo com Moraes (2025, p. 10), receber o diagnóstico de uma enfermidade grave, como o câncer, representa um momento de profunda ruptura na vida do indivíduo e de sua família. Esse tipo de condição provoca sofrimento em múltiplas dimensões física, emocional e social e exige uma atenção que ultrapassa o tratamento curativo. Nessa perspectiva, os Cuidados Paliativos surgem como um conjunto de práticas voltadas para o alívio do sofrimento e para a promoção da dignidade durante o processo de adoecimento, abrangendo tanto o paciente quanto aqueles que o acompanham. Tais cuidados podem iniciar-se de forma simples, com intervenções básicas conduzidas por profissionais da atenção primária, e evoluir para abordagens mais complexas, que requerem a atuação integrada de uma equipe multiprofissional qualificada.
A Resolução nº 41, de 31 de outubro de 2018, do Ministério da Saúde, orienta que os Cuidados Paliativos sejam incorporados a todos os níveis da Rede de Atenção à Saúde (RAS), de modo a garantir sua oferta contínua dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa normativa reforça a importância da assistência também no ambiente domiciliar, reconhecendo o lar como um espaço legítimo e potencialmente terapêutico para o cuidado no fim da vida, sempre que essa for uma escolha consciente do paciente e de sua família. O atendimento em casa permite que as práticas de saúde se aproximem da realidade cotidiana dos envolvidos, fortalecendo vínculos afetivos e criando um ambiente mais humano e acolhedor (Moraes, 2025).
Os Cuidados Paliativos configuram-se como uma prática assistencial ativa e abrangente, voltada à melhoria da qualidade de vida de indivíduos acometidos por doenças graves e de seus familiares. Essa modalidade de cuidado busca oferecer suporte a pessoas de todas as idades que enfrentam sofrimento físico, emocional, social ou espiritual decorrente de condições que ameaçam a continuidade da vida. A proposta central é proporcionar conforto e dignidade, especialmente nos estágios avançados da enfermidade, por meio de uma abordagem que integra diferentes saberes e especialidades da equipe de saúde (Fernandes, 2025).
De acordo com Fernandes (2025), a assistência paliativa é desenvolvida por uma equipe multiprofissional que adota uma visão integral do ser humano, reconhecendo que o adoecimento repercute em diversas dimensões da existência.
Nesse sentido, o cuidado vai além do controle de sintomas físicos, englobando também o suporte psicológico, social e espiritual, tanto ao paciente quanto aos familiares e cuidadores. O acompanhamento contínuo inclui ações de escuta, acolhimento e orientação durante todo o processo de doença, podendo abranger também o preparo emocional para o enfrentamento do luto e suas manifestações antecipadas.
Nos Cuidados Paliativos, o modo como se estabelece a comunicação entre os profissionais, os pacientes e seus familiares é determinante para a qualidade da assistência oferecida. A interação humana, quando pautada na empatia e na escuta ativa, torna-se uma ferramenta de suporte que ultrapassa o tratamento clínico e os recursos tecnológicos. Segundo Campos (2019), comunicar-se de maneira sensível é reconhecer o sofrimento do outro e possibilitar que ele expresse seus medos, dúvidas e emoções em um ambiente de acolhimento e respeito. Esse processo contribui para reduzir o impacto psicológico causado pela doença, amenizar sentimentos de angústia e estimular a autonomia do paciente, mesmo em situações marcadas por perdas e limitações.
A comunicação no campo da saúde não se limita às palavras. Para Campos (2019), ela se manifesta também por meio de sinais não verbais — gestos, olhares, postura corporal e até o silêncio — que carregam significados capazes de transmitir conforto e empatia. Quando integrada ao diálogo verbal, essa linguagem silenciosa permite ao profissional compreender nuances do comportamento e das emoções do paciente, captando o que muitas vezes não é dito diretamente. Dessa forma, a comunicação torna-se um elo terapêutico que favorece vínculos de confiança e amplia o entendimento sobre as reais necessidades humanas diante do processo de adoecimento e finitude.
A escuta atenta, o contato visual e a postura acolhedora configuram-se, portanto, como práticas fundamentais para que o cuidado seja verdadeiramente humanizado. Por meio delas, os profissionais de saúde conseguem não apenas transmitir informações, mas também oferecer presença e amparo emocional. A comunicação empática, conforme destaca Campos (2019), transforma o ambiente de cuidado em um espaço de partilha e compreensão mútua, permitindo que o paciente se sinta valorizado e respeitado como sujeito de sua própria história, mesmo diante da inevitabilidade da morte.
Em geral, o papel de cuidador é assumido por membros da própria família, movidos por vínculos de amor, solidariedade e responsabilidade. Contudo, diante de uma doença oncológica em estágio avançado, esses familiares enfrentam transformações profundas em suas rotinas e papéis sociais, sendo obrigados a desenvolver novas habilidades para atender às demandas do cuidado contínuo. Esse processo, embora repleto de empatia e dedicação, costuma gerar exaustão física e desgaste emocional, refletindo diretamente na saúde e no bem-estar do cuidador. Assim, dentro da filosofia dos Cuidados Paliativos, reconhece-se que o suporte não deve ser destinado apenas ao paciente, mas também àqueles que compartilham de sua trajetória, de modo que a equipe de saúde ofereça atenção e amparo integral aos familiares diante das exigências dessa experiência (Moraes, 2025).
De acordo com Espíndola (2018), situações de crise, como o surgimento de doenças graves ou a aproximação da morte de um ente querido, provocam transformações profundas na dinâmica e nos papéis desempenhados pelos membros da família. Nesse contexto, é indispensável que as equipes de Cuidados Paliativos reconheçam o impacto dessas mudanças e incluam os familiares como parte integrante do processo assistencial. O objetivo é oferecer suporte emocional, físico e espiritual tanto ao paciente quanto aos seus entes próximos, favorecendo a aceitação da finitude e reduzindo o sofrimento diante da impossibilidade de cura.
O envolvimento da família nos Cuidados Paliativos, segundo Espíndola (2018), é uma estratégia essencial para promover adaptação às novas condições impostas pelo adoecimento e pela terminalidade. Ao receber acompanhamento profissional adequado, os familiares desenvolvem maior capacidade para lidar com as crises que emergem nesse período, enfrentando com mais equilíbrio as fases de perda, despedida e luto. O trabalho das equipes de saúde deve, portanto, ir além do tratamento clínico, estabelecendo vínculos de confiança por meio de uma comunicação clara, sensível e afetiva, que acolha tanto o paciente quanto aqueles que o cercam.
A morte não representa a única forma de perda vivenciada durante o processo de finitude. Espíndola (2018) destaca que mudanças significativas na vida — como separações, casamentos, alterações financeiras ou mesmo o nascimento de um novo membro na família — também podem gerar rupturas emocionais e sentimento de luto. No caso de doenças crônicas, as perdas são múltiplas e progressivas: o paciente e seus familiares enfrentam limitações físicas, transformações sociais e reestruturações econômicas que exigem constante adaptação e elaboração emocional.
Com frequência, a responsabilidade pelos cuidados recai sobre um membro específico da família, normalmente determinado por laços afetivos ou por expectativas culturais. Essa atribuição, conforme observa Espíndola (2018), nem sempre é resultado de uma escolha consciente e, em algumas situações, o ato de cuidar é percebido mais como dever moral do que como manifestação de afeto. Esse tipo de relação pode gerar conflitos internos e desgaste emocional, exigindo que os vínculos familiares sejam ressignificados para que o cuidado ocorra de maneira mais humana e saudável.
A experiência de acompanhar a morte de um ente querido pode despertar sentimentos ambíguos. Muitos cuidadores vivenciam uma sensação de perda dupla: a do familiar e a do próprio papel que desempenharam durante o adoecimento. Essa mudança de identidade pode causar vazio e desorientação emocional. No entanto, Espíndola (2018) observa que, em alguns casos, o falecimento também é percebido como um alívio, uma vez que o sofrimento do paciente chega ao fim, trazendo paz e serenidade àqueles que acompanharam o processo.
Outro aspecto relevante discutido por Espíndola (2018) refere-se à predominância feminina no papel de cuidadora. Na maioria das famílias, esposas, mães, filhas e noras assumem essa função, o que reflete uma herança cultural que associa o ato de cuidar à identidade feminina. Tal concepção reforça a ideia de que o cuidado é uma obrigação natural das mulheres, perpetuando desigualdades de gênero e sobrecarregando-as emocional e fisicamente. Reconhecer essa realidade é essencial para que as políticas de Cuidados Paliativos valorizem a corresponsabilidade entre os membros familiares e promovam o cuidado de forma mais equitativa e consciente.
O chamado luto antecipatório refere-se à vivência emocional experimentada por familiares e cuidadores diante da iminência da morte de um ente querido com doença terminal. Trata-se de um processo de sofrimento que se manifesta antes da perda efetiva, em resposta às transformações graduais no estado de saúde e nas capacidades da pessoa adoecida (Fernandes, 2025). Ao testemunhar o declínio físico, cognitivo e social do familiar, o cuidador vivencia sentimentos intensos de dor, impotência e exaustão emocional. Por isso, é essencial que a equipe de Cuidados Paliativos atue de forma empática e preventiva, oferecendo apoio integral para minimizar os impactos emocionais e reduzir o risco de evolução para um luto complicado após a morte do paciente.
O luto antecipatório pode ser compreendido como um período de elaboração emocional que antecede a morte e possibilita a resolução de conflitos, a expressão de sentimentos reprimidos e o fechamento de ciclos inacabados. De acordo com Fonseca (2004) e Franco (2014), esse momento permite que familiares e pacientes lidem com pendências afetivas e existenciais, preparando-se de maneira mais saudável para a despedida. Nesse processo, a comunicação exerce papel fundamental, pois é por meio dela que se tornam possíveis as trocas sinceras, o esclarecimento de dúvidas e a construção de um diálogo transparente sobre o adoecimento e a finitude.
A interação entre o paciente e seus familiares pode se manifestar de diversas formas, variando entre o silêncio protetor, a negação compartilhada ou a abertura para conversas mais diretas e honestas sobre a realidade vivida (Fonseca, 2004). Muitas vezes, conforme apontam Coelho et al. (2019), a dificuldade de comunicação está associada ao desejo de poupar o outro do sofrimento, especialmente quando o cuidador tenta proteger o paciente de informações dolorosas. Essa postura, ainda que bem-intencionada, pode impedir a expressão de emoções autênticas e dificultar o enfrentamento conjunto do processo de morrer.
Para Reis (2023), a comunicação empática e franca representa um instrumento terapêutico essencial durante o luto antecipatório, pois favorece o fortalecimento dos vínculos e a reconstrução do sentido da vida diante da perda iminente. Quando a família e o paciente conseguem conversar abertamente sobre o que está por vir, criase um espaço de escuta e compreensão que suaviza o impacto emocional da morte. Moon (2016) complementa essa visão ao considerar o luto antecipatório um processo ativo e dinâmico, que permite à pessoa reorganizar suas emoções e preparar-se internamente para a transição. Ainda segundo Bastos (2019), vivenciar o luto antecipatório contribui para a aceitação gradual da finitude e reduz a intensidade do sofrimento após o falecimento. Essa vivência não elimina a dor da perda, mas possibilita que ela seja sentida de forma menos traumática, transformando a experiência do morrer em um momento de reconciliação, aprendizado e amor. Fonseca (2004) ressalta que o principal propósito desse processo é preparar emocionalmente o indivíduo para o luto posterior, sem, contudo, anular as reações inevitáveis diante da morte. Assim, o luto antecipatório, quando acompanhado de comunicação aberta e suporte profissional, representa uma etapa essencial dos Cuidados Paliativos, pois auxilia na adaptação emocional e espiritual de todos os envolvidos no ciclo final da vida (Reis, 2023).
O fim da vida em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ainda é frequentemente percebido como um momento de dor, tensão e sofrimento intenso para pacientes e familiares. Souza (2021) destaca que esse cenário é amplificado pela natureza técnica e impessoal desse ambiente, onde o uso constante de aparelhos e procedimentos invasivos pode tornar a experiência mais angustiante. A complexidade das intervenções médicas, somada à ausência de uma comunicação clara e acolhedora entre equipe, paciente e família, reforça a imagem da UTI como um espaço frio e distante da dimensão humana do cuidado.
Muitos familiares, conforme observa Souza (2021), têm dificuldade em compreender o quadro clínico e o real prognóstico de seus entes queridos internados. Essa falta de entendimento gera expectativas irreais em relação à recuperação, prolongando o sofrimento emocional e a sensação de impotência. Ainda que existam protocolos que orientem o suporte às famílias de pacientes críticos, grande parte delas não recebe acompanhamento psicológico ou informações adequadas. Essa falha assistencial costuma estar associada à deficiência no diálogo entre profissionais e familiares, à falta de preparo emocional da equipe e à escassez de recursos voltados para o acolhimento durante o processo de terminalidade.
De acordo com Souza (2021), muitos profissionais da UTI vivenciam a morte como sinônimo de fracasso, o que os impede de encarar a finitude como parte natural da existência humana. Esse sentimento de insucesso tende a dificultar a prestação de um cuidado mais humanizado, já que o medo de abordar o tema da morte gera distanciamento e silenciamento entre os envolvidos. No entanto, humanizar o atendimento significa reconhecer o valor da escuta sensível, do acolhimento e da empatia — atitudes que aproximam o profissional da dor do outro e tornam o ambiente de alta complexidade menos hostil e mais digno.
A compreensão do processo de morrer dentro da UTI requer uma visão ampliada sobre as relações humanas que se formam nesse espaço. Souza (2021) ressalta que a humanização está diretamente ligada à qualidade das interações entre profissionais, pacientes e familiares. O cuidado integral, nesse contexto, depende da capacidade de reconhecer o sofrimento emocional de todos os envolvidos e oferecer suporte contínuo e individualizado. Quando a equipe de saúde se dispõe a ouvir e acolher as angústias da família, o momento da despedida se torna menos traumático e mais significativo.
Conhecer as dificuldades enfrentadas pelos familiares de pacientes terminais é fundamental para aprimorar as práticas de cuidado. Tais dificuldades envolvem fatores emocionais, espirituais, sociais e econômicos, mas também refletem o medo e a insegurança diante do desconhecido. Souza (2021) enfatiza que identificar essas necessidades permite não apenas esclarecer o prognóstico, mas também proporcionar um espaço de diálogo onde os familiares possam expressar sentimentos e buscar conforto. Assim, o cuidado humanizado na UTI não se limita à dimensão técnica, mas se estende ao acolhimento integral, promovendo dignidade, respeito e serenidade durante o processo de morrer.
A simbologia da borboleta tem origem em suas transformações naturais, que expressam de forma metafórica o ciclo da vida humana. Segundo Costa (2015), cada etapa de sua metamorfose — da lagarta à crisálida e, por fim, à borboleta — representa fases distintas da existência: o nascimento, a morte e o renascimento. Esse processo é visto como uma alegoria do desenvolvimento espiritual, em que a alma, após enfrentar períodos de escuridão e recolhimento, emerge renovada e pronta para uma nova forma de existência. Assim, a borboleta simboliza a libertação do espírito e a continuidade da vida além da matéria, sendo uma das mais antigas expressões do conceito de imortalidade.
A analogia entre o ciclo da borboleta e a trajetória humana pode ser observada em diferentes culturas e tradições religiosas. Para Costa (2015), esse simbolismo está associado ao movimento constante de renovação da alma, que abandona uma condição terrena e limitada para alcançar a plenitude. No mito grego de Psique, por exemplo, a alma é representada com asas de borboleta, simbolizando o processo de purificação através da dor e do aprendizado. O termo grego psyche, que significa simultaneamente “alma” e “borboleta”, reforça essa ligação entre a dimensão espiritual e o ato de transformação. Na visão simbólica, quando o corpo deixa de existir, o espírito liberta-se como uma borboleta que abandona o casulo, revelando a beleza da eternidade após o sofrimento terreno.
A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, citada por Costa (2015), também utiliza a metáfora da borboleta para explicar o processo da morte. A autora compara o corpo humano a um casulo temporário que abriga a essência do ser. Quando esse invólucro deixa de funcionar, a alma se desprende, iniciando sua jornada de libertação. KüblerRoss descreve três fases desse processo: na primeira, o ser ainda mantém consciência e comunicação; na segunda, a ligação entre corpo e espírito é rompida; e na terceira, ocorre uma revisão simbólica da própria existência, em que o indivíduo contempla sua trajetória de vida. Para a autora, a morte não é o fim, mas a transição para uma nova forma de consciência, assim como a borboleta que deixa o casulo e alça voo em liberdade.
De acordo com Costa (2015), essa metáfora é amplamente utilizada nos Cuidados Paliativos como uma forma de expressar a continuidade da vida e o valor da experiência humana mesmo diante da finitude. A borboleta, por viver pouco e deixar beleza por onde passa, representa a intensidade e o propósito de cada momento vivido. Assim como ela, o paciente em fase terminal ensina sobre a importância de viver plenamente, não pela duração do tempo, mas pela profundidade das experiências. A Fundação do Câncer adotou esse símbolo para os Cuidados Paliativos, destacando que a vida deve ser celebrada em sua essência, mesmo quando o fim se aproxima.
As transições que marcam o ciclo vital, comparáveis à metamorfose da borboleta, estão associadas a um conjunto de emoções que envolvem medo, tristeza, esperança e desejo. Para Costa (2015), cada fase da existência humana exige um reajuste emocional, psicológico e espiritual. Nos Cuidados Paliativos, essa compreensão se torna fundamental, pois tanto pacientes quanto familiares enfrentam a inevitabilidade da morte e a necessidade de dar novo significado à vida. Assim como a borboleta, que passa por etapas de transformação até alcançar sua forma mais plena, o ser humano, ao aceitar sua finitude, também encontra um sentido renovado em sua própria jornada.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÃO
Deixar as considerações finais para os últimos parágrafos da discussão. Apresentar as conclusões do trabalho de forma clara e objetiva, deve responder às questões da pesquisa, correspondentes aos objetivos e hipóteses, deve ser breve podendo apresentar recomendações e sugestões para trabalhos futuros.
7. REFERÊNCIAS
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CAVALCANTE, et al. Percepção dos cuidadores familiares sobre cuidados paliativos. Fortaleza, vol. 25, n. 1, p. 24-28, janeiro, 2018.
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¹ Discentes da universidade Anhembi Morumbi;
² Docente da universidade Anhembi Morumbi;
³ Docente da universidade Anhembi Morumbi
