A INSERÇÃO DA TROMPA NO FORRÓ: POSSIBILIDADES TÉCNICO INTERPRETATIVAS

THE INCLUSION OF THE HORN IN FORRÓ: TECHNICAL INTERPRETATIVE POSSIBILITIES

REGISTRO DOI:  10.69849/revistaft/ch10202601271606


Eliaquim Farias de Souza Silva1


Resumo:

A trompa, instrumento da família dos metais com longa trajetória histórica desde os chifres primitivos até a consolidação do sistema de válvulas no século XIX, ocupa lugar de destaque na música de concerto e em formações sinfônicas. No Brasil, sua inserção foi marcada pela presença em bandas e orquestras, embora o ensino especializado ainda careça de consolidação no Nordeste. Estudos como os de Feitosa (2013) e Miranda (2022) apontam avanços no ensino e na literatura da trompa, mas evidenciam lacunas quanto à sua aplicação em gêneros populares, como o forró. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa é investigar as possibilidades técnico-interpretativas da trompa no universo do forró, gênero culturalmente representativo do Nordeste brasileiro. A fundamentação teórica articula autores da área da performance (Borém; Oliveira), da pedagogia da trompa (Farkas; Tuckwell; Agrell) e da música popular brasileira (Wisnik; Alfonsi; Azevedo), considerando aspectos técnicos, estilísticos e socioculturais. Metodologicamente, a pesquisa tem caráter qualitativo, combinando revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas com músicos e professores, além da observação de grupos de forró em Natal/RN. Os resultados parciais apontam a ausência de registros consistentes da trompa nesse gênero, reforçando a originalidade e relevância da proposta. Identificou-se a necessidade de criação de repertório adaptado, exploração de arranjos criativos e desenvolvimento de abordagens pedagógicas que contemplem práticas híbridas. Considera-se que a inserção da trompa no forró pode ampliar as possibilidades expressivas do gênero e contribuir para a formação de trompistas, fortalecendo o diálogo entre música erudita e popular.

Palavras-chave: Trompa; Forró; Performance.

Abstract: 

The horn, a brass instrument with a long historical trajectory from primitive animal horns to the 19th-century valve system, has achieved a prominent role in concert music and symphonic ensembles. In Brazil, its presence is marked in bands and orchestras, although specialized training remains limited in the Northeast. While studies such as Feitosa (2013) and Miranda (2022) highlight advances in horn pedagogy and literature, they also reveal gaps concerning its use in popular genres such as forró. This research aims to investigate the technical and interpretative possibilities of the horn within forró, a genre culturally representative of Northeastern Brazil.

The theoretical framework draws on performance studies (Borém; Oliveira), horn pedagogy (Farkas; Tuckwell; Agrell), and Brazilian popular music scholarship (Wisnik; Alfonsi; Azevedo), addressing technical, stylistic, and sociocultural aspects. Methodologically, the study adopts a qualitative approach, combining bibliographic review, documental analysis, interviews with musicians and teachers, and observation of forró groups in Natal/RN.

Preliminary results indicate the absence of consistent records of the horn in this genre, underscoring the originality and relevance of the proposal. The study highlights the need for adapted repertoire, creative arrangements, and pedagogical approaches that embrace hybrid practices. It concludes that the incorporation of the horn into forró can broaden the genre’s expressive possibilities and contribute to horn pedagogy, fostering dialogue between classical and popular music.

Keywords: Horn; Forró; Performance.

1. Introdução

A trompa é um instrumento de sopro que faz parte da família dos metais, consistindo em um tubo metálico com 3,7 metros de comprimento, com um bocal em uma das suas extremidades e uma campana na outra. O instrumento remonta aos períodos pré-históricos, nos quais se utilizava chifres de animais para produção de sons como forma de comunicação. Na Idade Média, a trompa se destacou com a criação da trompa de caça. No período barroco, surgiu a trompa natural, e no período clássico, houve a utilização da mão direita na campana, fechandoa parcialmente ou totalmente, o que possibilitou tocar todas as notas de um determinado tom. Por fim, no século XIX, surgiu o sistema completo de mecânica com pistos e válvulas, o que possibilitou que o instrumento atingisse sua plenitude musical tocando todas as notas. Com a colonização do Brasil por Portugal, o instrumento eventualmente veio para o país, e, ao longo dos séculos, se estabeleceu como parte da cultura de orquestras e bandas de música do país. O ensino da trompa no Brasil tem se desenvolvido consideravelmente nos últimos anos. Analisando a citação de Feitosa a seguir, podemos dizer que o cenário tem mudado.

Ainda relativamente pouco estabelecido na região Nordeste, o ensino de Trompa nesse contexto vem sendo realizado em algumas poucas universidades e escolas de música especializadas da Região. A partir desse diagnostico, fica evidente que a institucionalização do ensino de trompa ainda carece de expansão e consolidação no Nordeste e, por tal razão, optei em analisar a atual realidade do ensino de instrumento, abordando de forma mais direta os materiais didáticos utilizados e as perspectiva de ensino do instrumento nesse universo (FEITOSA, 2013, p.10)

Ao observarmos o trabalho de Miranda (2022) e as citações apresentadas ao longo da pesquisa, fica evidente que temos uma literatura mais ampla hoje, cerca de 10 anos depois do trabalho publicado por Feitosa (2013). Todavia, assim como apresentado por Miranda em relação ao frevo, o forró, outro gênero muito presente na cultura nordestina, ainda foi muito pouco explorado em relação às possibilidades de inserção da trompa nesse universo. 

Há muito a crescer em termos de formação de trompistas no Nordeste. Chegando ao cerne do que esse projeto quer trazer, é importante ressaltar que há muito a ser fomentado e enriquecido no ensino propriamente dito. Imagine trazer esse riquíssimo instrumento para um cenário cultural típico do Nordeste, o Forró? Esse é o ideal desta proposta: estudar as formas e nuances da trompa e possibilidades para inseri-la nesse estilo. 

Um desafio nesse cenário é a pouca inserção da trompa no universo da pós-graduação. A falta de sistematização da área de performance no passado também influenciou a realidade desse instrumento. Conforme observado em Oliveira sobre os primeiros trabalhos na área de performance no Brasil:

No Brasil, a inclusão da música na pós-graduação stricto sensu começou na UFRJ em 1980 (Volpe, 2010, p.16), mas sua consolidação enfrentou problemas quando das primeiras avaliações pela CAPES. Além das questões de endógena, frequentes na maioria dos processos de implantação de programas de ensino pioneiros em todo o mundo, nos quais os professores são qualificados na própria instituição, pode-se observar o despreparo da área de performance na elaboração dos primeiros trabalhos de pós-graduação stricto sensu no Brasil. Há exemplos de instituições, no início da pós-graduação em música no Brasil, em que esses trabalhos chegaram a significar 80% de todas as defesas de mestrado (Borém, 2001), caracterizando mais relatos de experiência de professores no seu instrumento musical ou suas experiências didáticas, do que resultados de pesquisas estruturadas formalmente (com revisão de literatura, metodologia e procedimentos adequados ou claros). (Oliveira, 2002, p. 11).

Estudar performance e observar diversos cenários musicais, incluindo a trompa, é de grande importância, mesmo que ainda haja uma lacuna nos estudos e dados. Essa realidade é claramente observada ao analisarmos os grupos de forró, nos quais não é comum a utilização da trompa nesse cenário musical. Seria esse instrumento adequado para o que se deseja transmitir aos ouvintes? Nesse contexto, podemos destacar os seguintes pontos: 

A trompa não é um instrumento tradicional do forró, mas sua inclusão em algumas interpretações modernas pode trazer características interessantes a esse gênero. Aqui estão algumas características que podem favorecer a inserção da trompa no contexto do forró: 

1. Timbre diverso: A trompa pode oferecer um timbre encorpado e suave, que pode adicionar uma nova textura às melodias do forró, contrastando com a sanfona e os instrumentos de percussão. 

2. Harmonias: A trompa pode ser usada para criar harmonias, complementando as linhas melódicas da sanfona. Isso pode enriquecer os arranjos e dar uma nova dimensão às músicas. 

3. Sustentação Melódica: A trompa pode assumir partes melódicas, oferecendo uma interpretação diferente das melodias tradicionais do forró, trazendo um som mais orquestral. 

4. Improvisação: Em performances mais modernas de forró, a trompa pode ser usada para improvisação, contribuindo para momentos expressivos e dinâmicos nas apresentações. 

5. Arranjos Sinfônicos: Em algumas versões orquestrais ou sinfônicas de forró, a trompa pode ser parte de um conjunto maior, trazendo novas sonoridades ao gênero e alcançando novos públicos.

2. Revisão bibliográfica

Na fundamentação teórica acerca da trompa em diferentes estilos musicais, com ênfase no forró, torna-se indispensável considerar a trajetória histórica e o desenvolvimento do instrumento, bem como suas especificidades técnicas e expressivas que permitem sua adaptação a distintas práticas musicais. Além disso, é relevante examinar a inserção da trompa em gêneros consolidados, como a música de concerto, o jazz e o frevo, destacando repertórios, estratégias interpretativas e técnicas características de cada contexto estilístico, com atenção direcionada às possibilidades interpretativas no universo do forró. Outro aspecto importante é a contribuição da inserção da trompa no forró nas práticas de aprendizado do instrumento. Sendo esse gênero parte do universo da música brasileira popular, poderão ser vários os benefícios para trompistas que busquem desenvolver a performance desse tipo de repertório.

A experiência profissional do músico popular se constitui no processo de aprendizagem continuada e que as habilidades adquiridas se baseiam, na prática, em contextos diversificados, que incluem desde espaços não escolares à formação acadêmica tradicional. (RECÔVA, 2006, p. 9).

Do ponto de vista técnico, destaca-se a exigência no controle da embocadura, na precisão da afinação e na emissão das notas agudas. Tuckwell (1983) observa que “tocar trompa é um exercício constante de precisão, pois pequenos desvios de embocadura ou pressão podem comprometer completamente a produção da nota desejada”. Soma-se a isso a necessidade de domínio da técnica da mão na campana, utilizada para ajustar o timbre e a afinação, o que aumenta ainda mais a complexidade do instrumento. 

Agrell (2008) chama atenção para a rigidez do ensino tradicional da trompa, centrado quase exclusivamente no repertório erudito. Essa abordagem limita a exploração de linguagens alternativas e impede, muitas vezes, o diálogo com gêneros populares, como o forró — lacuna que este trabalho busca problematizar. 

A integração de instrumentos tradicionalmente associados à música de concerto em contextos populares tem se intensificado nas últimas décadas, favorecendo práticas híbridas e inovadoras. Esse fenômeno tem desafiado as fronteiras entre o erudito e o popular, promovendo diálogos que enriquecem o repertório técnico e expressivo dos músicos (WISNIK, 1989; LIMA, 2007). 

Casos como o do fagotista Alexandre Silvério, que adaptou o instrumento para gêneros como o samba e o choro, e do violoncelista Jaques Morelenbaum, atuando na bossa nova e na música popular contemporânea, demonstram como tais instrumentos podem encontrar novas funções e sonoridades fora do repertório tradicional. Destaca-se também o trabalho de Hermeto Pascoal e Itiberê Zwarg, que incorporam instrumentos eruditos em formações populares com liberdade criativa e espírito experimental. 

Essas experiências revelam que, mais do que a adequação técnica ao gênero, o êxito dessas inserções depende de arranjos criativos e da disposição para explorar linguagens alternativas. No caso da trompa, essas referências oferecem caminhos viáveis para sua atuação em contextos como o forró.

2.1. Revisão de literatura

A literatura sobre o forró evidencia sua relevância cultural, histórica e social no Brasil. Alfonsi (2008) analisa os circuitos de produção, bailes e classificações desse gênero, enquanto Azevedo (2013) destaca as inter-relações entre música, dança e identidade cultural no Nordeste. Cardoso et al. (2016) reforçam esse caráter espontâneo e coletivo, apontando o forró pé-deserra como manifestação artística que se estende “das origens ao movimento da vida”. Tais abordagens permitem compreender o forró não apenas como estilo musical, mas como um campo simbólico de identidade e pertencimento. 

No âmbito da trompa, a bibliografia nacional e internacional oferece subsídios relevantes. Oliveira (2002) apresenta uma visão panorâmica da história do instrumento e sua presença no Brasil, enquanto Feitosa (2013) discute o ensino da trompa e os materiais pedagógicos utilizados na formação de trompistas. Miranda (2022), por sua vez, evidencia as potencialidades formativas da trompa no contexto do frevo, propondo caminhos para ampliar sua participação nesse gênero. Cunha (2018) investiga a trompa e a música popular brasileira na Escola de Música da UFRN, destacando experiências de integração do instrumento em práticas não tradicionais. Esses estudos demonstram que há esforços recentes voltados à inserção da trompa em contextos diversos, mas ainda não especificamente no forró. 

Do ponto de vista técnico e interpretativo, Farkas (1956) e Tuckwell (1983) são referências fundamentais sobre fundamentos da execução da trompa, tratando de aspectos como embocadura, sonoridade, flexibilidade e musicalidade. Agrell (2008) amplia essa perspectiva ao propor jogos de improvisação para instrumentistas clássicos, o que dialoga com a necessidade de adaptação do trompista a linguagens populares. Esses aportes são essenciais para pensar as possibilidades técnico-interpretativas da trompa no forró. 

No campo da pesquisa em performance, Borém e Ray (2012) discutem evidências, problemas e alternativas da prática performática no Brasil, enquanto Lima (2007) analisa a performance como discurso e invenção, reforçando seu caráter de construção criativa e não apenas reprodutiva. Recôva et al. (2006) abordam a aprendizagem do músico popular como processo sensorial, enfatizando a escuta e a percepção como ferramentas pedagógicas. Essa abordagem dialoga com a prática do forró, em que a transmissão oral e a vivência coletiva são centrais. 

Autores como Sandroni (2001), Vianna (1988) e Wisnik (1989) ampliam a compreensão da música popular brasileira ao explorar processos de transformação, identidade cultural e sentidos musicais que perpassam diferentes gêneros. Embora não tratem diretamente da trompa, suas análises fornecem um pano de fundo importante para situar a inserção do instrumento em novas práticas.

2.2. Fundamentação teórica

Ao abordarmos a fundamentação teórica para o estudo da trompa em vários estilos musicais, em especial no forró, é importante explorarmos a história e a evolução do instrumento, bem como as características técnicas e expressivas que a tornam adequada para diferentes estilos de música. Além disso, é relevante examinarmos como a trompa é utilizada em gêneros musicais específicos, como na música de concerto, jazz, frevo, entre outros. Isso pode incluir análises de repertório, abordagens interpretativas e técnicas específicas associadas a cada gênero/estilo, em especial no forró.

Nesse sentido, o forró é interessante, pois permite discutir a distinção social como um modelo cultural que perpassa práticas, discursos e ajuda a organizar os fluxos e trocas de ideias, bens e símbolos entre os agentes envolvidos (ALFONSI, 2008, p. 28).

A interseção entre a técnica instrumental, a interpretação musical e as demandas estilísticas de cada gênero também pode ser um foco importante da fundamentação teórica. Por fim, é essencial contextualizar o papel da trompa na diversidade musical e sua contribuição para a expressão artística em diferentes contextos culturais e históricos, como abordaremos no estilo forró.

A cultura Popular possui várias tendências. Neste trabalho o foco é o forró pé-de-serra, que vem sendo esquecido pouco a pouco, daí a necessidade de criar novas formas de apresentação, como o Sr. Rinaldo, o dono da Sala de Reboco desenvolve em seu estabelecimento, acreditando na sua própria vivência, como filho de sertanejos. (Lucena Filho, 1998, p. 92 apud Cardoso, 2016, p. 86).

Outro aspecto importante é a contribuição da inserção da trompa no forró nas práticas de aprendizado do instrumento. Sendo esse gênero parte do universo da música brasileira popular, poderão ser vários os benefícios para trompistas que busquem desenvolver a performance desse tipo de repertório.

A experiência profissional do músico popular se constitui no processo de aprendizagem continuada e que as habilidades adquiridas se baseiam, na prática, em contextos diversificados, que incluem desde espaços não escolares à formação acadêmica tradicional. (RECÔVA, 2006, p. 9).

A inserção da trompa na música popular brasileira é um tema interessante e que tem recebido atenção de vários autores e pesquisadores. Aqui estão alguns nomes e obras que abordam essa temática. Feitosa (2013) argumenta que a adição de repertórios populares brasileiros ao ensino da trompa não se opõe ao uso do repertório tradicional europeu. Atualmente, o ensino de trompa no Brasil está passando por um processo de adaptação, com uma ênfase predominante nos repertórios dos períodos Barroco, Clássico e Romântico. Nesse contexto, Feitosa sugere uma redefinição das diretrizes e conteúdos para incorporar a música brasileira popular no currículo de ensino da trompa. A pesquisa utiliza uma metodologia que combina revisão bibliográfica, análise documental, aplicação de questionários e entrevistas com alunos e professores de trompa, além de experiências práticas. 

Cunha (2018) explica que nos últimos anos os estudos sobre a prática e o ensino instrumental têm sido amplamente debatidos. Nesse contexto, novas abordagens de ensino têm se inserido cada vez mais no ambiente acadêmico. A música popular, em sua amplitude, desempenha um papel significativo nesse processo, como evidenciado na prática e no ensino da trompa. Essa dissertação se propõe a problematizar a música brasileira popular como uma ferramenta na formação dos estudantes do curso de Bacharelado em trompa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Dentro desse contexto, foi possível constatar que a música popular brasileira é abordada de forma efetiva no curso, com os aspectos técnico-interpretativos desse repertório sendo trabalhados por meio de materiais adaptados de outros instrumentos. Essa abordagem conta ainda com a experiência do professor entrevistado na interpretação da música brasileira popular. 

A partir do cenário apresentado e dos estudos encontrados, foi elaborada a seguinte questão de pesquisa: quais a possibilidades de inserção da trompa no forró a partir das características técnico-interpretativos do instrumento e aspectos estilísticos gerais presentes no gênero?

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa possui um caráter qualitativo, com o objetivo de proporcionar uma maior familiaridade com o problema em questão, tornando-o mais explícito e compreensível. O universo da pesquisa será analisado na região Nordeste do Brasil, com foco especial na cidade de Natal/RN. Os instrumentos de coleta de dados incluirão pesquisa em bibliografias diversas, observação, entrevistas, análise de grupos e documentos. 

Pesquisa Bibliográfica: Será realizada uma análise detalhada das publicações, artigos, livros e bibliografias relacionadas a estudos de educação musical e performance, não se restringindo apenas ao instrumento trompa. O objetivo é entender a possibilidade de usar a trompa em diversos cenários musicais, especialmente no forró. 

Pesquisa Documental: Será realizada uma pesquisa completa para identificar exercícios e materiais com planos de estudo diversos, com foco naqueles amplamente utilizados para a prática da trompa. Essa pesquisa irá orientar o estudo e o conhecimento desses materiais ministrados, além de um aprofundamento sobre o ensino. 

Entrevistas: As entrevistas serão essenciais para entender aspectos estilísticos da performance no gênero forró. 

Os métodos de sistematização e verificação dos elementos empregados na pesquisa foram delineados com base nas particularidades de cada instrumento utilizado. Elaboração do referencial teórico; Avaliação dos documentos; Classificação das entrevistas; Transcrição das entrevistas; Análise das declarações orais. 

Constituição do referencial teórico: Com base no examinado nas bibliografias, serão determinadas as referências que irão embasar o estudo, sendo, no entanto, delimitado em pesquisas nas áreas da educação e performance pertinentes ao uso da trompa no estilo musical forró. 

Avaliação dos documentos: Em relação aos documentos encontrados, serão realizadas algumas listagens com o intuito de alcançar a compreensão do objetivo. Em destaque a minha análise pessoal em circunstância aplicada ao forró e uso da trompa. 

Classificação dos documentos: Com a exploração dos documentos que serão avaliados e estudados em suas variedades, será realizada sua compreensão abrangente dos objetivos, além das atividades e conteúdos relacionados com o que é requerido e desejado pelos materiais. 

Transcrições das entrevistas: Simultaneamente aos relatos que forem selecionados, serão feitas correlações com os pontos enfatizados pelos entrevistados, levando em consideração o conhecimento prático e também de cunho emocional do que o entrevistado discursa sem trazer divergências. 

Análise dos testemunhos orais: Sendo contextualizado o que os entrevistados dizem, com suas expectativas e perspectivas em relação aos seus conhecimentos sobre o assunto.

4. Resultados parciais 

A análise da literatura disponível evidenciou que, embora a trompa seja amplamente estudada e utilizada em contextos como a música de concerto, não há registros consistentes acerca de sua inserção no forró. Essa constatação demonstra uma lacuna significativa na pesquisa musicológica e na prática interpretativa, uma vez que o forró, como gênero de forte representatividade cultural no Brasil, ainda não contempla de forma sistematizada a presença da trompa em seus arranjos e formações instrumentais. 

Esse resultado parcial reforça a originalidade da investigação, na medida em que o estudo se propõe a explorar possibilidades técnico-interpretativas para o instrumento nesse contexto. Além disso, a ausência de referências diretas sobre a temática aponta para a necessidade de construção de um repertório próprio, bem como de adaptações técnicas que viabilizem a efetiva participação da trompa no universo sonoro do forró.

5. Considerações sobre o estado atual da pesquisa e próximos passos em direção à conclusão. 

O presente estudo encontra-se em estágio de consolidação do referencial teórico e de levantamento bibliográfico, permitindo identificar avanços e lacunas na literatura existente sobre a trompa em contextos diversos, em especial no ensino e na performance. Foi constatado que, embora existam pesquisas relevantes que discutem a inserção do instrumento em gêneros como o frevo e a música popular brasileira em sentido amplo, não há registros sistematizados sobre sua presença no forró. Esse quadro evidencia a originalidade da proposta e a relevância de sua contribuição para a área da performance musical. 

No momento atual, já é possível afirmar que a inserção da trompa no forró não se limita à questão técnica, mas envolve também aspectos estilísticos, culturais e pedagógicos. O timbre característico do instrumento, aliado às possibilidades de improvisação, sustentação melódica e construção de harmonias, apresenta-se como potencial enriquecedor para o gênero. Entretanto, torna-se necessário aprofundar a investigação na prática experimental, por meio de entrevistas com músicos atuantes no forró e experimentações práticas com arranjos que contemplem a trompa em formações típicas do estilo. 

Os próximos passos incluem a análise detalhada das entrevistas e a sistematização das experiências práticas realizadas, de modo a propor estratégias técnico-interpretativas viáveis e aplicáveis em contextos reais de performance. Espera-se, assim, contribuir para a construção de um repertório próprio que favoreça a presença da trompa no forró, ampliando sua representatividade tanto no campo artístico quanto no educacional.

Referências 

AGRELL, Jeffrey. Improvisation Games for Classical Musicians. Chicago: GIA Publications, 2008. 

ALFONSI, Daniela do Amaral. Para todos os gostos: um estudo sobre classificações, bailes e circuitos de produção do forró. 2008. 

AZEVEDO, Cláudia. Forró: música, dança e identidade cultural no Nordeste do Brasil. Fortaleza: UFC, 2013. 

BORÉM, Fausto; RAY, Sonia. Pesquisa em performance no Brasil século XXI: problemas, evidências e alternativas. Simpom, n. 2, p. 124-126, Rio de Janeiro: UNIRIO, 2012. 

CARDOSO, Kauan Waltrick et al. Dança Brasileira Forró Pé-de-Serra – Arte espontânea da nossa cultura: das origens ao movimento da vida. 2016. 

CUNHA, André Rodrigues de Lima da. A trompa e a música brasileira popular na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2018. 

ENTREVISTAS e DISCOGRAFIAS: Hermeto Pascoal, Itiberê Zwarg, Alexandre Silvério, Jaques Morelenbaum. 

FARKAS, Philip. The Art of French Horn Playing. Evanston: Summy-Birchard, 1956. 

FEITOSA, Radegundis Aranha Tavares. O ensino da trompa: um estudo sobre os materiais didáticos utilizados no processo de formação do trompista. 2013. 115 f. Dissertação (Mestrado em Música) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2013. 

LIMA, Paulo Costa. O Campo da Performance: discurso e invenção na música brasileira. Salvador: EDUFBA, 2007. 

MIRANDA, Osiel Lôbo de. A história do ensino da trompa em Recife e Olinda: possibilidades formativas para promover a inserção da trompa no frevo. 2022. 

OLIVEIRA, Carlos Gomes de. História da trompa e a trompa no Brasil. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2002. p. 11-15. 

RECÔVA, Simone Lacorte et al. Aprendizagem do músico popular: um processo de percepção através dos sentidos. 2006. 

SANDRONI, Carlos. Feitiço decente: transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro: Zahar, 2001. 

TUCKWELL, Barry. Playing the Horn. Oxford: Oxford University Press, 1983. 

VIANNA, Hermano. O mundo funk carioca. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. 

WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: uma outra história das músicas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.


1E-mail: eliaquimfarias@hotmail.com

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