A INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO FUNCIONAL NA PREVENÇÃO E REABILITAÇÃO DE PACIENTES COM LOMBALGIA

THE INFLUENCE OF FUNCTIONAL TRAINING ON THE PREVENTION AND REHABILITATION OF PATIENTS WITH LBP

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510311157


Walisson Fernandes dos Reis
Thalisson de Brito Batista
Carlos Henrique da Costa Ferreira
Thales Bruno Oliveira dos Santos
Rodrigo Benevides Ceriani
Esequiel Costa dos Santos Guedes
Wellington Cavalcanti de Araújo
Jeane Odete Freire dos Santos Cavalcanti
Karelline Izaltemberg Vasconcelos Rosenstock
Luciano de Oliveira


RESUMO

A dor lombar é um problema significativo de saúde pública global, afetando milhões de pessoas, especialmente no Brasil, onde a prevalência é alta, com até 84% dos adultos e idosos sendo impactados em algum momento da vida. A lombalgia mecânica é a mais comum, causada por sobrecarga, problemas posturais e condições como obesidade e estresse, afetando a qualidade de vida e a capacidade funcional dos indivíduos.

Este estudo teve como objetivo analisar a influência do treinamento funcional na prevenção e reabilitação de pacientes com lombalgia, focando na redução da dor, melhoria da estabilidade e aumento da qualidade de vida. Buscou-se também avaliar os efeitos específicos dessa metodologia sobre a postura e biomecânica da coluna vertebral.

Foi conduzida uma pesquisa qualitativa, descritiva, com dois casos clínicos de mulheres com lombalgia crônica. As participantes foram submetidas a um programa de treinamento funcional de 12 meses, com avaliações periódicas de dor (Escala Visual Analógica – EVA), incapacidade (Índice de Incapacidade de Oswestry – ODI), Teste de resistência isométrica em prancha ventral e ressonância magnética para avaliar alterações estruturais. O programa incluiu exercícios específicos de fortalecimento, alongamento e estabilização.

As participantes demonstraram melhorias significativas. A pontuação na EVA reduziu de 9 cm para 3 cm (E.M.C.) e de 10 cm para 4 cm (I.G.S.), indicando alívio substancial da dor. No ODI, a classificação de “incapacidade severa” passou para “incapacidade moderada”, no teste de resistência isométrica obtiveram uma evolução de 28 segundos para 1 minuto e 30 segundos, a segunda participante de 15 segundos para 50 segundos ambas sem dor, Além disso, as ressonâncias magnéticas mostraram melhora na estabilidade da coluna, com redução do abaulamento discal e diminuição da inflamação.

O estudo confirmou a eficácia do treinamento funcional na reabilitação da lombalgia, com resultados positivos tanto no alívio da dor quanto na melhoria da funcionalidade. A metodologia proporcionou benefícios estruturais à coluna vertebral e melhorou a qualidade de vida das participantes. Recomenda-se a continuidade da pesquisa para explorar mais potenciais dessa abordagem terapêutica.

Palavras-chaves: Tratamento Alternativo. Lombalgia. Profissional de Educação Física.

ABSTRACT

Low back pain is a significant public health problem worldwide, affecting millions of people, especially in Brazil, where its prevalence is high, with up to 84% of adults and elderly individuals being impacted at some point in their lives. Mechanical low back pain is the most common, caused by overload, postural issues, and conditions such as obesity and stress, affecting quality of life and functional capacity.

The aim of this study was to analyze the influence of functional training in the prevention and rehabilitation of patients with low back pain, focusing on pain reduction, stability improvement, and enhancement of quality of life. It also sought to evaluate the specific effects of this methodology on posture and spinal biomechanics.

This was a qualitative, descriptive research study, with two clinical cases of women with chronic low back pain. The participants underwent a 12-month functional training program, with periodic assessments of pain (Visual Analog Scale – EVA), disability (Oswestry Disability Index – ODI), Isometric resistance test on ventral plank and magnetic resonance imaging to evaluate structural changes. The program included specific exercises for strengthening, stretching, and stabilization.

The participants showed significant improvements. The EVA score decreased from 9 cm to 3 cm (E.M.C.) and from 10 cm to 4 cm (I.G.S.), indicating substantial pain relief. In the ODI, the “severe disability” classification improved to “moderate disability.” in the isometric resistance test they obtained an evolution from 28 seconds to 1 minute and 30 seconds, the second participant from 15 seconds to 50 seconds both without pain, Additionally, magnetic resonance imaging showed improvements in spinal stability, with reduced disc bulging and decreased inflammation.

The study confirmed the effectiveness of functional training in the rehabilitation of low back pain, with positive results both in pain relief and functional improvement. The methodology provided structural benefits to the spine and improved the participants’ quality of life. Ongoing research is recommended to further explore the potential of this therapeutic approach

Keywords: Alternative Treatment. Low back pain. Physical Education Professional.

1. INTRODUÇÃO

A dor lombar tem se tornado um problema significativo de saúde pública mundial, com cerca de 27 milhões de pessoas no Brasil apresentando doenças da coluna vertebral. A prevalência das lombalgias na população geral varia de 50% a 80%, e pode atingir até 65% dos adultos e idosos anualmente. Estima-se que, em algum momento da vida, até 84% dessas faixas etárias tenham experimentado lombalgia. A lombalgia mecânica comum, ou inespecífica, é caracterizada por dor intensa ou moderada na região localizada entre as últimas costelas e as nádegas. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores laborais, obesidade, síndromes depressivas, e hábitos posturais, entre outros (Sakamoto et al., 2020).

Essas condições podem alterar a estabilidade anatomofuncional da coluna vertebral, impactando significativamente a qualidade de vida e afetando as capacidades físico- funcionais e sociais dos indivíduos.

A sobrecarga mecânica na região lombar ocorre devido ao suporte do peso corporal recair predominantemente sobre as vértebras lombares. Este arcabouço anatômico está adaptado para suportar uma maior massa corpórea, mas atividades constantes dos músculos dorsais e abdominais são necessárias para manter o tronco ereto. Na postura sentada, essa carga é redistribuída para os membros inferiores por meio das tuberosidades isquiáticas, tornando essa posição associada a um maior índice de dor (Sakamoto et al., 2020).

Dessa forma é relevante um estudo que aborde a influência do treinamento funcional na prevenção e reabilitação de pacientes com lombalgia, visto que o encurtamento de músculos como os isquiotibiais e o iliopsoas é considerado um fator desencadeante da sintomatologia dolorosa, podendo acentuar a lordose lombar e aumentar a carga sobre a coluna e os discos intervertebrais. Nos últimos anos, o treinamento funcional tem ganhado destaque como uma abordagem eficaz tanto na prevenção quanto na reabilitação de pacientes com lombalgia. O treinamento funcional é uma metodologia que visa a melhoria da funcionalidade do corpo humano por meio de exercícios que reproduzem movimentos naturais” (Oliveira, 2016, p. 45). como agachar, puxar, empurrar e levantar, visa melhorar a funcionalidade do indivíduo em atividades cotidianas. Além disso, o fortalecimento muscular global e a melhora da mobilidade articular proporcionados por essa metodologia têm demonstrado benefícios significativos na redução da dor lombar e na prevenção de novos episódios de lesão (McGill, 2016).

O objetivo geral desta pesquisa é analisar a influência do treinamento funcional na prevenção e reabilitação de pacientes com lombalgia, avaliando suas contribuições para a redução da dor, melhora da estabilidade e qualidade de vida desses indivíduos. Como objetivos específicos, elencou-se: Avaliar os efeitos do treinamento funcional na redução da intensidade da dor lombar em pacientes com lombalgia; Analisar as mudanças na qualidade de vida e nas capacidades físico-funcionais de pacientes com lombalgia após a implementação de um programa de treinamento funcional; e Discutir o impacto do Treinamento Funcional na Postura e Biomecânica da Coluna Vertebral.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, descritiva a partir de estudos de caso. O método qualitativo é o que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam (Minayo, 2014).

O estudo foi conduzido com duas mulheres com diagnóstico clínico de lombalgia crônica, com idade entre 47 a 56 anos, que aceitaram de livre e espontânea vontade participar do estudo. Os procedimentos de avaliação empregados com as participantes do estudo foram:

  • Instrumentos de avaliação: Escala Visual Analógica (EVA) para avaliação da dor lombar, Índice de Incapacidade de Oswestry para avaliar o impacto funcional, Teste de resistência isométrica da prancha ventral com o objetivo de avaliar a resistência da musculatura estabilizadora do tronco, especialmente o core, considerada fundamental no controle da dor lombar crônica e Imagens por ressonância magnética para avaliar tecidos moles, como discos intervertebrais e nervos.
  • Procedimentos: análise individual de cada participante, histórico médico, avaliação inicial da dor e incapacidade, realização de exercícios terapêuticos específicos para a lombalgia, acompanhamento regular e reavaliação ao final do período de intervenção.

A pesquisa foi desenvolvida levando em consideração os princípios éticos em pesquisa envolvendo seres humanos, observando o que preconiza a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), assim como a Resolução nº 510 de 2016. Ambos estabelecem qual a conduta do pesquisador no processo de investigação científica quando envolve seres humanos, resguardando os princípios bioéticos fundamentais: autonomia, justiça, beneficência e não-maleficência. Assim, antes do início da coleta de dados o projeto foi encaminhado para apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UNIESP 87005425.0.0000.5184

3. RESULTADO E DISCUSSÃO

A seleção das participantes foi realizada por amostragem intencional, dado o interesse em compreender o fenômeno estudado. Sendo assim, a seguir apresentam-se as características de cada caso.

3.1 Descrição dos casos

Caso 1 – E.M.C., Idade 47 anos, gênero feminino. Histórico Médico: A paciente apresenta quadro de fortes dores lombares que impactam severamente em sua qualidade de vida e sua capacidade de realizar atividades diárias. O tratamento atual inclui o uso de alguns medicamentos, como:

  • Miosan: Utilizado como relaxante muscular para aliviar a tensão na musculatura lombar.
  • Citobê: Um analgésico administrado a cada 12 horas para o controle da dor.
  • Dexa-Citoneurim: Um corticosteroide administrado por aplicação intramuscular, visando reduzir a inflamação e a dor.

Devido à intensidade da dor, a paciente se afastou de suas atividades por um período de 4 dias.

  • Procedimentos de Avaliação: Avaliação da Intensidade da Dor com a Escala Visual Analógica (EVA). A participante E.M.C. foi apresentada a EVA (Figura 1), que consiste em uma linha horizontal de 10 cm. As extremidades estão marcadas, com a esquerda (0 cm) indicando “Sem dor” e a direita (10 cm) indicando “Dor insuportável”.

Figura 1 – Escala Visual Analógica (EVA).

E.M.C. analisa a escala e reflete sobre a dor que tem sentido. Ela marca a escala em 9 cm, indicando um nível intenso de dor, o que sugere que a dor lombar está afetando significativamente seu bem-estar.

  • Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI): E.M.C. preencheu um questionário que avalia o impacto funcional da dor lombar em suas atividades diárias durante as últimas duas semanas. Resultado: Pontuação ODI: 27/50. Interpretação: Com uma pontuação de 27 pontos, E.M.C. está classificada na faixa de “incapacidade severa”. Isso indica que a dor lombar impacta significativamente suas atividades diárias, limitando substancialmente sua capacidade de realizar tarefas cotidianas e afetando negativamente sua qualidade de vida.
  • Teste de resistência isométrica da prancha ventral: conforme protocolo descrito por McGill et al. (1999), com o objetivo de avaliar a resistência da musculatura estabilizadora do tronco, especialmente o core, considerada fundamental no controle da dor lombar
  • crônica. Resultados: No início do estudo, durante o teste de resistência isométrica da prancha ventral, conseguiu manter a posição por 28 segundos, apresentando dor irradiada na parte final da execução.
  • Ressonância Magnética (RM): os exames de ressonância magnética revelaram as seguintes condições clínicas, observadas na Figura 2:
    • Megapófise em L5: O aumento anormal da apófise espinhal da vértebra L5 pode estar contribuindo para a compressão neural e dor.
    • Discopatia degenerativa em L5 e S1: A degeneração dos discos intervertebrais nessas áreas é uma causa comum de dor lombar e pode levar a complicações como hérnias discais.
    • Osteófitos marginais incipientes: O desenvolvimento de esporões ósseos pode resultar em dor e limitação de movimento.
    • Abaulamento discal difuso em L3-L4, L4-L5 e L5-S1: O abaulamento dos discos intervertebrais indica um estágio inicial de degeneração, que pode estar pressionando nervos e causando dor.
  • Hiperlordose lombar: Esta condição, que implica uma curvatura acentuada da coluna lombar, pode aumentar a pressão sobre a coluna e contribuir para a dor crítica.

Figura 2 – Ressonância Magnética do Caso 1

  • Caso 2 – I.G.S., Idade 56 anos, gênero feminino. Histórico Médico: A paciente apresenta um quadro de lombalgia forte, que a levou a buscar tratamento e a se afastar de suas atividades cotidianas por tempo indeterminado. Após avaliação médica, foi indicada a realização de cirurgia. O tratamento prescrito inclui:
  • Bexai: Anti-inflamatório não esteroidal, indicado para controle da dor.
  • Dolamin Flex: Medicamento para dor e inflamação.
  • Permese: Aplicação intramuscular em dose única, possivelmente um relaxante muscular ou analgésico.
  • Avaliação da Intensidade da Dor: Foi utilizada a Escala Visual Analógica (EVA) para avaliar a intensidade da dor. I.G.S. avaliou sua dor lombar e marcou 10 cm na EVA, indicando uma dor intensa.
  • Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI): I.G.S. completou um questionário para avaliar o impacto funcional da lombalgia em sua vida. A pontuação obtida foi de 27/50. Pontuação ODI: 27 pontos. Categoria de Incapacidade: Incapacidade Severa. I.G.S. enfrenta limitações significativas em suas atividades diárias, necessitando de ajuda em várias tarefas e enfrentando uma qualidade de vida reduzida devido à dor.
  • Teste de resistência isométrica da prancha ventral: A paciente conseguiu inicialmente sustentar a posição por apenas 15 segundos, com início de dor lombar nos momentos finais do teste.
    • Resultados da Ressonância Magnética (RM): A ressonância magnética revelou várias condições clínicas, observadas na Figura 3:
    • Megapófise em L5: Aumento da estrutura óssea da vértebra, que pode estar associada à dor.
    • Discopatia degenerativa em L5 e S1: Degeneração dos discos intervertebrais, levando a dor e possível compressão nervosa.
    • Osteófitos marginais incipientes: Formação de esporões ósseos, que podem contribuir para a dor e rigidez.
    • Abaulamento discal difuso em L3-L4, L4-L5 e L5-S1: Alterações nos discos que podem levar a dor e comprometimento da função.
  • Hiperlordose lombar: Curvatura excessiva da coluna lombar, que pode agravar a dor.

Figura 3 – Ressonância Magnética do Caso 2

3.2 Procedimentos do estudo

Os participantes foram submetidos a um programa de treinamento funcional por um período de 12 meses. Este programa foi projetado com foco em movimentos naturais do corpo humano, como agachar, levantar, puxar e empurrar, promovendo um fortalecimento global, a melhora da mobilidade articular e a restauração da funcionalidade. O programa também incluiu exercícios específicos para a lombalgia, como alongamento dos isquiotibiais e iliopsoas, fortalecimento do core, e exercícios de estabilização da coluna vertebral.

Essas intervenções visam não apenas reduzir a dor lombar, mas também promover uma abordagem holística para a reabilitação, permitindo que os participantes retomem suas atividades diárias com maior conforto e independência.

  • Redução da Intensidade da Dor (EVA):
  • E.M.C.: A pontuação na escala EVA reduziu de 9 cm para 3 cm, indicando uma diminuição significativa na intensidade da dor.
  • I.G.S.: A pontuação na EVA diminuiu de 10 cm para 4 cm, também refletindo uma redução notável da dor.
  • Melhora na Incapacidade Funcional (ODI):
  • E.M.C. Sua pontuação passou de 27/50 para 10/50, movendo-se de “incapacidade severa” para “incapacidade moderada”.
  • I.G.S. A pontuação de Inês caiu de 27/50 para 12/50, igualmente mudando de “incapacidade severa” para “incapacidade moderada”.
  • Teste de resistência isométrica da prancha ventral
  • E.M.C. No início do estudo, durante o teste de resistência isométrica da prancha ventral, conseguiu manter a posição por 28 segundos, apresentando dor irradiada na parte final da execução. Após o protocolo de exercícios terapêuticos funcionais e acompanhamento contínuo, obteve um resultado de 1 minuto e 30 segundos, sem qualquer relato de dor, demonstrando importante ganho na resistência muscular do tronco e alívio da sintomatologia lombar.
  • I.G.S. A paciente conseguiu inicialmente sustentar a posição por apenas 15 segundos, com início de dor lombar nos momentos finais do teste. Ao final da intervenção, apresentou melhora expressiva, sustentando a posição por 50 segundos sem qualquer queixa de dor, evidenciando evolução funcional e maior estabilidade da musculatura do core
  • Avaliação por Ressonância Magnética (RM): Ambos os pacientes apresentaram melhorias na estabilidade da coluna vertebral, com uma redução do abaulamento discal e menor evidência de inflamação nas áreas afetadas.

3.3 Discussão dos Resultados

Os resultados deste estudo indicam que o programa de treinamento funcional teve um impacto positivo significativo na redução da dor lombar e na melhoria da funcionalidade física dos pacientes. A diminuição nas pontuações da EVA e do ODI sugere que o treinamento funcional é uma abordagem eficaz para o tratamento da lombalgia crônica. Estudos como os de Hayden et al. (2005) reforçam a importância de intervenções físicas na gestão da dor lombar.

Além disso, as melhorias observadas no teste de prancha ventral e ressonâncias magnéticas corroboram a eficácia do treinamento funcional, indicando benefícios estruturais significativos na coluna vertebral. A restauração da força muscular, mobilidade articular e estabilidade da coluna foi evidente, proporcionando a E.M.C. e I.G.S. uma melhor qualidade de vida e maior independência em suas atividades diárias. A inclusão de exercícios específicos, como alongamento dos isquiotibiais e iliopsoas, fortalecimento do core e estabilização da coluna, pode ter sido crucial para esses resultados. O foco em movimentos naturais do corpo humano, bem como o fortalecimento muscular global, permitiu que as pacientes não apenas aliviassem a dor, mas também melhorassem sua capacidade funcional.

Esse conceito é apoiado por Gatchel e Turk (2008), que discutem a eficácia de programas de exercícios estruturados no manejo clínico da dor crônica. Em suma, este estudo reforça a importância de programas de exercício físico estruturado e específico no manejo clínico da lombalgia, destacando o papel fundamental do fortalecimento muscular e da mobilidade articular na manutenção da saúde da coluna vertebral e na promoção de uma vida ativa e saudável, conforme enfatizado por Boden et al. (2009).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo demonstrou que um programa de treinamento funcional, implementado ao longo de 12 meses, pode ter um impacto significativo na reabilitação de pacientes com lombalgia. Os resultados obtidos, incluindo a redução da intensidade da dor e a melhora na capacidade funcional, ressaltam a eficácia das intervenções propostas. E.M.C. e I.G.S. apresentaram melhorias notáveis, evidenciadas pelas diminuições nas pontuações da Escala Visual de Avaliação (EVA) e no Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI).

As avaliações por ressonância magnética e teste de prancha ventral também corroboraram as melhorias, mostrando não apenas alívio dos sintomas, mas também benefícios estruturais na coluna vertebral. A redução do abaulamento discal e a diminuição da inflamação nas áreas afetadas indicam que o programa de exercícios não apenas atua no alívio da dor, mas também promove a saúde a longo prazo da coluna.

A abordagem holística do programa, que incluiu alongamentos específicos, fortalecimento do core e exercícios de estabilização, foi fundamental para proporcionar um tratamento eficaz. Além disso, o foco em movimentos naturais do corpo humano garantiu que as pacientes desenvolvessem força e mobilidade essenciais para suas atividades diárias.

Em suma, este estudo reforça a relevância de programas de exercício físico estruturados e específicos no manejo da lombalgia, sublinhando a importância do fortalecimento muscular e da mobilidade articular. A integração dessas práticas não só ajuda a aliviar os sintomas, mas também contribui para a promoção de uma vida ativa e saudável. A continuidade da pesquisa nessa área é recomendada para explorar ainda mais as potencialidades do treinamento funcional no tratamento de condições relacionadas à dor lombar, visando beneficiar um maior número de pacientes.

REFERÊNCIAS

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GATCHEL, R. J.; TURK, D. C. Psychosocial factors in pain: critical perspectives. In: GATCHEL, R. J.; TURK, D. C. (Eds.). The Oxford Handbook of Pain Management. Oxford: Oxford University Press, 2008.

McGill SM, Childs A, Liebenson C. Endurance times for low back stabilization exercises: clinical targets for testing and training from a normal database. Arch Phys Med Rehabil. 1999 Aug;80(8):941-4. doi: 10.1016/s0003-9993(99)90087-4. PMID: 10453772.

BODEN, S. D. et al. The value of spinal imaging in patients with low back pain. The Journal of Bone and Joint Surgery, v. 91, n. 10, p. 2423-2431, 2009.


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