A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS NO CRESCIMENTO DOS ÍNDICES DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO ENTRE JOVENS E ADULTOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181712


Cauê Marques Paim Suzart
Dilton Jacobina Mesquita Neto
Gabriel da Costa Nelli Reis
Jammille Barreto Andrade
Yasmim Victoria Araújo Mendes
Angelita Monique Silva Marques
Orientador: Carlos José Nunes Santana Brito


Resumo  

As redes sociais tornaram-se elementos centrais na vida contemporânea, impactando a comunicação, os relacionamentos e o bem-estar emocional dos usuários. Entretanto, o uso excessivo dessas plataformas está associado ao aumento dos índices de ansiedade e depressão, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Este estudo teve como objetivo analisar a influência do uso das redes sociais no crescimento dos níveis de ansiedade e depressão em jovens e adultos, por meio de uma revisão integrativa da literatura. A pesquisa foi conduzida de forma sistematizada, contemplando a definição da questão norteadora, critérios de inclusão e exclusão, seleção das bases de dados e síntese crítica dos resultados. As buscas foram realizadas nas bases BVS e PubMed, entre 2019 e 2025, utilizando descritores combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos disponíveis em texto completo, nos idiomas português, inglês e espanhol, resultando inicialmente em 8.140 registros, dos quais 12 atenderam plenamente aos critérios de elegibilidade e compuseram a amostra final. A análise integrativa evidenciou três eixos principais: tempo de exposição superior a três horas diárias, tipo de interação (ativa ou passiva) e consumo de conteúdos idealizados. Esses fatores mostraram-se associados a maior vulnerabilidade a sintomas ansiosos e depressivos, além de distúrbios do sono, solidão e insatisfação corporal. Conclui-se que o uso excessivo das redes sociais representa risco relevante à saúde mental, exigindo ações educativas e políticas públicas voltadas ao uso consciente dessas plataformas. 

Palavras-chave: Redes sociais. Ansiedade. Depressão. Saúde mental. Jovens. 

INTRODUÇÃO  

As redes sociais são plataformas digitais que possibilitam a interação entre pessoas e o compartilhamento de informações, ideias, fotos e vídeos em tempo real. Exemplos como Instagram, Facebook, TikTok, X (antigo Twitter) e LinkedIn evidenciam o quanto essas ferramentas assumiram papel central na comunicação contemporânea, influenciando diversos aspectos da vida social, profissional e emocional dos usuários (Recuero, 2014; Castells, 2013). 

Entretanto, pesquisas demonstram que o uso excessivo das redes sociais pode estar relacionado ao aumento dos níveis de ansiedade e depressão. Elementos como a comparação social, o cyberbullying, a busca por validação (curtidas e comentários) e o fenômeno Fear of Missing Out (FOMO) — medo de estar perdendo algo — têm sido apontados como fatores de risco para o bem-estar emocional dos indivíduos (Przybylski et al., 2013; Kross et al., 2013; Twenge, 2019). 

No contexto brasileiro, os impactos desse fenômeno tornam-se ainda mais preocupantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2017), o Brasil é o país com maior índice de pessoas ansiosas no mundo, representando 9,3% da população, além de apresentar uma prevalência de 5,8% de depressão. Pesquisas recentes reforçam essa realidade: estudo da CNN Brasil (2023) apontou que 36,9% dos brasileiros utilizam redes sociais por mais de três horas diárias, e destes, 43,5% apresentam diagnóstico de ansiedade. 

A literatura científica ainda destaca que adolescentes constituem um grupo de maior vulnerabilidade. Dados de Kucuk et al. (2025) mostram que jovens que passam mais de três horas conectados diariamente têm até o dobro de chances de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão em comparação aos que fazem uso moderado. Esse achado reforça a importância de compreender os efeitos dessas plataformas sobre diferentes faixas etárias. 

Justifica-se, portanto, a realização deste estudo pela necessidade de compreender o impacto do uso excessivo das redes sociais na saúde mental, especialmente no Brasil, onde os índices de ansiedade e depressão se mostram elevados. Ao mesmo tempo em que essas ferramentas oferecem benefícios comunicacionais, sua utilização descontrolada pode gerar efeitos nocivos que precisam ser debatidos e prevenidos. Diante desse cenário, o objetivo geral deste trabalho é analisar o impacto do uso das redes sociais no aumento dos níveis de ansiedade e depressão em jovens e adultos. 

MÉTODOS 

Tipo de Estudo  

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que possibilita a síntese de resultados de pesquisas com diferentes delineamentos metodológicos (quantitativos e qualitativos), proporcionando uma compreensão ampla e crítica sobre o tema (Souza, Da Silva e Carvalho,2010). Essa abordagem permite identificar convergências e divergências, apontar lacunas no conhecimento e sugerir perspectivas para futuras investigações. 

Critérios de Elegibilidade 

Foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão para a seleção dos estudos: 

Critérios de inclusão: artigos publicados entre 2019 e 2025, disponíveis em texto completo, em português, inglês ou espanhol, que abordassem a relação entre uso de redes sociais e saúde mental, especialmente no desenvolvimento ou agravamento de sintomas de ansiedade e depressão em jovens e adultos. 

Critérios de exclusão: estudos duplicados, trabalhos sem relação direta com a temática proposta e tipos de estudos como editoriais, cartas ao editor e resumos de eventos. 

Bases de Dados e Estratégia de Busca  

A busca foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Foram utilizados descritores controlados dos vocabulários DeCS e MeSH, além de palavras-chave relacionadas à temática, combinados por operadores booleanos (AND, OR) para garantir maior abrangência e precisão na identificação dos estudos. Os descritores empregados foram: 

“Redes Sociais” (Social Media), “Saúde Mental” (Mental Health), “Ansiedade” (Anxiety), “Depressão” (Depression), “Comportamento do Adolescente” (Adolescent Behavior), “Adulto Jovem” (Young Adult) e “Transtornos Mentais” (Mental Disorders). 

As combinações utilizadas incluíram expressões como (“Social Media” AND “Anxiety”), (“Social Media” AND “Depression”), (“Social Media” AND “Mental Health”), (“Social Media” AND “Adolescent Behavior”) e (“Social Media” AND “Young Adult” AND “Mental Disorders”). Essas estratégias de busca permitiram uma seleção ampla e direcionada dos estudos mais relevantes ao tema investigado, garantindo a consistência metodológica da revisão integrativa. 

Síntese e Análise dos Dado 

Os artigos selecionados foram submetidos a leitura crítica, considerando título, resumo e, posteriormente, o texto completo. Em seguida, realizou-se a extração das principais informações (ano, autores, objetivo, método e resultados), organizadas em tabelas para sistematização. A análise foi conduzida de forma comparativa e integrativa, buscando identificar os principais fatores associados ao uso das redes sociais e os impactos sobre a saúde mental. 

RESULTADOS 

A busca inicial realizada nas bases de dados BVS e PubMed resultou na identificação de 8.140 registros, sendo 157 provenientes da BVS e 7.983 da PubMed. Após a exclusão de registros duplicados e daqueles que não apresentavam disponibilidade do texto completo, 8.091 estudos foram eliminados, restando 49 artigos para a etapa de triagem. 

Na sequência, 16 registros foram excluídos por não se enquadrarem no recorte temporal estabelecido (2019–2025), permanecendo 33 artigos. A leitura dos títulos e resumos resultou na exclusão de 9 estudos que não apresentavam relação direta com a temática investigada. Posteriormente, realizou-se a leitura integral dos artigos, etapa em que foram identificados e removidos 12 estudos duplicados ou fora do escopo da pesquisa, totalizando 24 registros elegíveis. 

Por fim, 12 artigos atenderam integralmente aos critérios de inclusão previamente definidos e compuseram a amostra final desta revisão integrativa (Figura 01). 

Figura 1. Fluxograma de seleção do material do estudo.

Fonte: Autoria Própria (2025) 

Caracterização do Material do Estudo 

A caracterização das publicações incluiu a análise do título, periódico, autoria, data e abordagem dos artigos localizados nas bases de dados BVS e Pubmed, oferecendo uma visão abrangente dos estudos selecionados para este trabalho. No intervalo de tempo selecionado, as publicações de 2019 e 2025 foram predominantes (n=3). Os métodos prevalentes foram as Revisões Sistemáticas e os Ensaios Clínicos Randomizados, demonstrando a diversidade e a robustez das abordagens metodológicas empregadas (Quadro 01). 

Quadro 01. Caracterização do Material do Estudo.

Título do Artigo Periódicos Ano Método 
Desinformação sobre saúde mental nas redes sociais: revisão e direções futuras Frontiers in Psychology 2023 Estudo clínico 
Uso de mídias sociais, saúde mental e sono: uma revisão sistemática com meta-análises Sleep Health ou Journal of Affective Disorders 2024 Meta-análise 
Uso problemático de mídias sociais em adolescentes e jovens adultos: revisão sistemática e meta-análise Computers in Human Behavior 2022 Revisão sistemática e meta-análise 
Uso de mídias sociais e ansiedade em adultos emergentes Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking 2016 Estudo transversal 
Vício em mídias sociais em pacientes adultos jovens com transtornos de ansiedade e depressão Journal of Psychiatric Research 2022 Estudo de caso-controle 
Redes sociais e sintomas de depressão e ansiedade no início da adolescência Journal of Adolescence 2020 Estudo longitudinal 
Analisando a relação entre os níveis de dependência de mídias sociais dos adolescentes e as experiências de cyberbullying Ciência & Saúde Coletiva (Fiocruz) 2025 Estudo descritivo 
O impacto das mídias sociais na saúde mental de adolescentes e jovens adultos: uma revisão sistemática Revista de Saúde Pública (USP) 2023 Revisão sistemática de estudos transversais e longitudinais 
Explorando a relação entre o uso de mídias sociais e sintomas de depressão e ansiedade entre crianças e adolescentes: uma revisão narrativa sistemática Revista Brasileira de Psiquiatria (RBP) 2024 Revisão sistemática narrativa 
Uso de mídias sociais e saúde mental durante a pandemia de COVID-19 em jovens adultos: uma meta-análise de 14 estudos transversais Behavioral Sciences 2022 Meta-análise 
Uso de mídias sociais e depressão em adolescentes: uma revisão de escopo Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa (UnB) 2023 Revisão de escopo 
Uma revisão de escopo das mídias sociais em crianças, adolescentes e jovens adultos: resultados de pesquisas sobre depressão, ansiedade e outros desafios clínicos International Journal of Environmental Research and Public Health 2023 Revisão de escopo 
Revisão sistemática de estudos que medem o uso de mídias sociais e depressão, ansiedade e sofrimento psicológico em adolescentes: 20182020 International Journal of Environmental Research and Public Health 2023 Revisão sistemática 

Fonte: Autoria Própria (2025) 

Após a caracterização geral das publicações (Quadro 01), torna-se relevante aprofundar a análise dos artigos incluídos na revisão integrativa, destacando não apenas os objetivos e métodos empregados, mas também a forma como os estudos foram conduzidos. A Quadro 02 apresenta uma síntese detalhada dos artigos selecionados, evidenciando os delineamentos utilizados, o tipo de abordagem (quantitativa, qualitativa ou mista), as populações investigadas e os principais resultados alcançados. Essa sistematização permite compreender com maior clareza as estratégias adotadas pelos pesquisadores e suas contribuições para a discussão sobre o impacto do uso das redes sociais na saúde mental de jovens e adultos. 

Quadro 02. Caracterização detalhada dos estudos incluídos

Autor(es) / Ano Objetivo do Estudo Forma resumida de realização Principais Resultados 
Ahmed et al., 2024 Investigar a relação entre uso de redes sociais, saúde mental e sono Síntese de estudos prévios, com análise estatística integrada de dados quantitativos Uso excessivo associado à pior qualidade do sono e maior risco de sintomas ansiosos e depressivos 
Azad et al., 2022 Avaliar o impacto do uso das redes sociais em jovens adultos durante a pandemia de COVID-19 Reunião e comparação estatística de dados coletados em diferentes estudos populacionais Identificou agravamento do sofrimento psicológico e aumento de sintomas depressivos e ansiosos 
Booker et al., 2020 Analisar efeitos das redes sociais no início da adolescência Acompanhamento de adolescentes ao longo do tempo, observando mudanças de comportamento e sintomas Adolescência apontada como fase de maior vulnerabilidade à comparação social e sintomas depressivos 
Ferguson, 2023 Examinar o papel de padrões de vida irreais nas redes sociais Análise crítica de artigos científicos publicados sobre padrões idealizados e saúde mental Conteúdos idealizados reforçam sentimentos de inferioridade e intensificação de sintomas depressivos 
Kucuk et al., 2025 Explorar a associação entre tempo de uso das redes sociais e saúde mental em adolescentes Aplicação de questionários para avaliar tempo de uso e sintomas emocionais Jovens com >3h diárias têm até o dobro de chances de desenvolver ansiedade e depressão 
Karadere et al., 2022 Investigar efeitos de interações ativas em redes sociais Comparação entre grupos de jovens com padrões distintos de interação online Interações intensas em debates elevam níveis de ansiedade, sobretudo em contextos de polarização 
Vannier et al., 2016 Avaliar impactos de interações passivas em redes sociais Questionários aplicados a adultos jovens sobre uso passivo das redes Interações passivas aumentam sentimentos de solidão e desvalorização 
Starvaggi; Dierckman; LorenzoLuaces, 2024 Analisar desinformação sobre saúde mental nas redes sociais Observação de conteúdo e análise de impacto em indivíduos expostos Identificou disseminação de informações incorretas e riscos ao bem-estar psicológico 
Kim & Lee, 2023 Avaliar relação entre conteúdo idealizado e saúde mental de adolescentes Síntese descritiva e comparativa de estudos já publicados Exposição a conteúdos estéticos irreais associada a maior risco de sintomas depressivos 
Khan et al., 2023 Investigar impacto de padrões de beleza nas redes sociais Levantamento amplo de artigos científicos sem análise quantitativa dos dados Observou aumento de insatisfação corporal, frustração e sentimentos de inadequação 
Revisão Sistemática (autores diversos, 2023) Avaliar estudos que mensuram uso de redes sociais e sofrimento psicológico Avaliação comparativa de estudos publicados entre 2018–2020 Uso problemático associado a ansiedade, depressão e sofrimento psicológico em adolescentes 
Revisão de escopo (autores diversos, 2023) Mapear pesquisas sobre redes sociais e saúde mental de crianças, adolescentes e jovens adultos Levantamento abrangente sem análise estatística Forte relação entre uso excessivo das mídias sociais e maior vulnerabilidade a ansiedade e depressão 

Fonte: Autoria Própria (2025) 

DISCUSSÃO 

De maneira geral, os estudos revisados convergiram no sentido de que o uso prolongado das redes sociais esteve associado ao agravamento de sintomas psicológicos, incluindo sentimentos de inadequação, solidão, isolamento social e baixa autoestima. Diante desse cenário, o objetivo geral deste trabalho, que foi analisar o impacto do uso das redes sociais no aumento dos níveis de ansiedade e depressão em jovens e adultos, pôde ser alcançado, uma vez que os achados confirmaram de forma consistente essa relação. 

Ahmed et al. (2024) demonstraram que o uso excessivo de redes sociais está diretamente associado à redução da qualidade do sono, o que gera consequências indiretas sobre a saúde mental. A privação do descanso adequado, combinada à alta exposição às telas, contribui para o aumento da vulnerabilidade a quadros depressivos e ansiosos. Em consonância, Azad et al. (2022), ao realizarem uma meta-análise com jovens adultos durante a pandemia de COVID-19, identificaram que o uso problemático das redes sociais agravou os índices de sofrimento psicológico, com repercussões negativas sobre o bem-estar emocional. 

Ao propor essa análise, busca-se não apenas identificar a relação entre o uso das redes sociais e os índices de ansiedade e depressão, mas também discutir, à luz da literatura revisada, como fatores como tempo de exposição, tipo de interação e natureza do conteúdo consumido influenciam diretamente a saúde mental. A discussão dos achados permite compreender de forma crítica os impactos negativos dessas plataformas, evidenciando a vulnerabilidade dos jovens e a necessidade de estratégias de prevenção e educação digital. 

Os dados analisados reforçam a hipótese de que os jovens apresentam maior vulnerabilidade em relação aos adultos. Booker et al. (2020) destacam que a fase da adolescência, caracterizada por transformações físicas, cognitivas e emocionais, é especialmente crítica no que se refere aos efeitos das redes sociais, pois os indivíduos estão mais suscetíveis à influência externa e à comparação social. Esse fenômeno, segundo Ferguson (2023), é amplificado pelas publicações que expõem padrões de vida irreais, sustentados por construções idealizadas de felicidade, sucesso, beleza e riqueza. Tais representações, frequentemente consumidas de forma passiva, desencadeiam sentimentos de inferioridade e contribuem para a intensificação de sintomas depressivos. 

A categorização dos dados possibilitou identificar três eixos centrais de influência: tempo de exposição, tipo de interação e conteúdo consumido. O primeiro eixo, relacionado ao tempo de exposição, foi amplamente explorado em diferentes estudos (Ahmed et al., 2024; Azad et al., 2022; Kucuk et al., 2025). Os resultados apontam que períodos superiores a três horas diárias de uso configuram-se como fator de risco para o agravamento de quadros ansiosos e depressivos, além de estarem associados a distúrbios do sono, redução de atividades presenciais, sobrecarga cognitiva e menor engajamento em práticas de autocuidado. 

O segundo eixo refere-se ao tipo de interação estabelecida nas redes sociais. Vannier et al. (2016) destacam que interações passivas, como apenas visualizar publicações sem curtir, comentar ou compartilhar, tendem a aumentar sentimentos de solidão e desvalorização. No entanto, interações ativas nem sempre se mostram protetoras. Estudos de Karadere et al. (2022) indicam que a participação intensa em debates ou discussões online pode intensificar os níveis de ansiedade, sobretudo em contextos marcados por polarização, discurso de ódio ou necessidade constante de validação social. Essa busca incessante por reconhecimento e aprovação virtual acaba por se tornar emocionalmente desgastante, gerando um ciclo de reforço negativo. 

Por fim, o terceiro eixo refere-se ao conteúdo consumido. O acesso a publicações que reforçam padrões irreais e normativos de sucesso, felicidade e beleza foi apontado como um dos fatores mais críticos para a saúde mental. Starvaggi, Dierckman e Lorenzo-Luaces (2024) alertam que tais conteúdos têm potencial de disseminar desinformação sobre saúde mental, aumentando os riscos de adoecimento psicológico. Da mesma forma, Kim e Lee (2023) observaram que adolescentes expostos de forma contínua a esse tipo de material apresentam maior propensão a desenvolver sintomas depressivos. Khan et al. (2023) complementam ao afirmar que o consumo de conteúdo esteticamente idealizado e comparativo está diretamente associado à insatisfação corporal, frustração e sentimentos de inadequação. 

A análise crítica dos estudos selecionados evidencia que os efeitos do uso das redes sociais não se restringem apenas ao tempo de exposição, mas abrangem também a qualidade das interações e a natureza do conteúdo consumido. O uso intensivo e não crítico dessas plataformas mostrou-se um fator de risco significativo para o desenvolvimento ou agravamento de sintomas ansiosos e depressivos, sobretudo em jovens e adolescentes. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção e intervenção voltadas para a promoção de um uso mais consciente e equilibrado, seja por meio da educação digital, seja por ações em saúde pública que incentivem práticas de autocuidado, o fortalecimento de vínculos sociais presenciais e o pensamento crítico frente ao conteúdo consumido nas redes. 

Em síntese, os resultados desta revisão apontam que o uso intensivo das redes sociais, sobretudo quando ultrapassa três horas diárias, está consistentemente associado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão. Entre os principais fatores relacionados destacam-se a privação do sono, a comparação social e a influência de conteúdos idealizados que reforçam padrões irreais de sucesso, felicidade e beleza. Observou-se ainda que adolescentes e jovens adultos apresentam maior vulnerabilidade, reforçando a necessidade de intervenções voltadas a esse público específico. 

Apesar da relevância dos achados, este estudo apresenta algumas limitações. Por tratar- se de uma revisão integrativa, sua análise dependeu da qualidade metodológica e da heterogeneidade dos estudos incluídos, o que pode restringir a generalização dos resultados. Além disso, a ausência de pesquisas nacionais em número expressivo e a predominância de estudos internacionais limitam a compreensão do fenômeno no contexto brasileiro. Recomenda-se que futuras investigações utilizem metodologias primárias, com amostras diversificadas e representativas, a fim de aprofundar a compreensão da influência das redes sociais sobre a saúde mental. 

CONCLUSÃO  

O presente trabalho alcançou o objetivo proposto de analisar a influência das redes sociais no aumento dos índices de ansiedade e depressão em jovens e adultos, a partir de uma revisão integrativa da literatura. Os achados evidenciaram de forma consistente que o uso intensivo dessas plataformas, sobretudo quando associado a períodos superiores a três horas diárias, correlaciona-se ao agravamento de sintomas ansiosos e depressivos, além de repercutir negativamente em aspectos como qualidade do sono, autoestima e bem-estar psicossocial. 

Constatou-se, ainda, que a vulnerabilidade é mais acentuada entre adolescentes e jovens adultos, em virtude das especificidades do desenvolvimento emocional e cognitivo característicos dessa faixa etária, bem como da maior suscetibilidade à comparação social e ao consumo de conteúdos idealizados. Nesse sentido, fatores como tempo de exposição, natureza das interações estabelecidas e características do conteúdo consumido configuraram-se como eixos centrais para a compreensão dos impactos observados. 

Conclui-se, portanto, que embora as redes sociais desempenhem papel relevante na comunicação e no fortalecimento de vínculos, seu uso excessivo apresenta riscos significativos à saúde mental. A partir dessa constatação, torna-se imprescindível a implementação de estratégias de prevenção e intervenção, fundamentadas na educação digital crítica, no incentivo a práticas de autocuidado e em políticas públicas voltadas à promoção do bem-estar psicológico. Ressalta-se, ainda, a necessidade de estudos futuros que aprofundem a análise no contexto brasileiro, mediante metodologias primárias robustas e amostras representativas, de modo a oferecer subsídios mais consistentes para a construção de estratégias de enfrentamento. 

REFERÊNCIAS  

AHMED, et al. Uso de mídias sociais, saúde mental e sono: uma revisão sistemática com meta-análises. PubMed, 2024. 

AZAD, et al. Uso de mídias sociais e saúde mental durante a pandemia de COVID-19 em jovens adultos: uma meta-análise de 14 estudos transversais. PubMed, 2022. 

AZEM, L. et al. Social media use and depression in adolescents: a scoping review. Behavioral Sciences, v. 13, n. 6, p. 475, 2023. 

BOOKER, C. L. et al. Redes sociais e sintomas de depressão e ansiedade no início da adolescência. PubMed, 2020. 

FERGUSON, C. J. O impacto das mídias sociais na saúde mental de adolescentes e jovens adultos: uma revisão sistemática de estudos transversais e longitudinais. PubMed, 2023. 

HILTY, D. M. et al. A scoping review of social media in child, adolescents and young adults: research findings in depression, anxiety and other clinical challenges. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 20, n. 17, p. 6581, 2023. 

KARADERE, M. et al. Vício em mídias sociais em pacientes adultos jovens com transtornos de ansiedade e depressão. PubMed, 2022. 

KHAN, A. et al. Uso de mídias sociais e depressão em adolescentes: uma revisão de escopo. PubMed, 2023. 

KIM, J.; LEE, S. Uso de mídias sociais e saúde mental de adolescentes: revisão sistemática narrativa. PubMed, 2023. 

KUCUK, et al. Analisando a relação entre os níveis de dependência de mídias sociais dos adolescentes e as experiências de cyberbullying. BVS, 2025. 

SOUZA, Marcela Tavares de; SILVA, Michelly Dias da; CARVALHO, Rachel de. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo), v. 8, p. 102-106, 2010. 

STARVAGGI, F.; DIERCKMAN, B.; LORENZO-LUACES, L. Desinformação sobre saúde mental nas redes sociais: revisão e direções futuras. PubMed, 2024.

VANNIER, et al. Uso de mídias sociais e ansiedade em adultos emergentes. PubMed, 2016.