REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202507160903
Adriana Cantuária de Oliveira de Sena1
Jaqueline Carvalho de Santana2
Rilson da Silva de Souza3
RESUMO:
Este artigo trata da importância dos Movimentos Sociais na Educação Popular, destacando as contribuições das ações coletivas, que se fazem presente nesses movimentos, para a iniciativa de se pensar a educação com uma pedagogia emancipadora que forma sujeitos críticos e reflexivos do contexto no qual estão inseridos. O presente estudo ressalta a importância das reivindicações sociais para a construção da Educação Popular dando visibilidade para sujeitos negligenciados pelo sistema. Utilizamos em nossa pesquisa a pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. O texto está estruturado em três tópicos: Os movimentos sociais na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva através da educação; A educação popular: um breve contexto histórico; A influência dos movimentos sociais na educação popular. E, dessa forma, espera-se uma reflexão sobre a importância dos movimentos sociais, enquanto forma de resistência, em busca de avanços, não apenas na educação, mas em todas as esferas sociais.
Palavras-chaves: Educação Popular; Movimentos Sociais; Influência; Importância.
INTRODUÇÃO
No território brasileiro há uma grande diversidade sociocultural. Essa diversidade está refletida nos movimentos populares que lutam por direitos básicos que são negados, um deles é por uma educação digna e de qualidade. Pensar o povo brasileiro como único, e que podemos utilizar de “receitas” prontas em todo nosso território é uma visão muito equivocada. Pois onde haveria o respeito à diversidade cultural? Não só a cultural, mas a de gênero, de cor, religiosa, e tantas outras afirmativas presentes no nosso Brasil?
Essa busca por uma sociedade mais justa e inclusiva está intrinsecamente ligada com a trajetória dos Movimentos Sociais. Esses movimentos são de suma importância na construção da criticidade do sujeito, indiscutivelmente por meio da conscientização do direito a uma educação básica. São formados por grupos de pessoas alinhados com objetivos e interesses em comum. Eles estão presentes em todas as esferas sociais; suas lutas visam principalmente a reivindicação por direitos comuns, que lhes foram, e que ainda são negados, na busca da transformação social do lugar que estão inseridos.
Ou seja, são ações coletivas desenvolvidas em campos socioculturais nos quais os sujeitos coletivos interagem para criar espaços de solidariedade, praticar a cidadania no processo, vivenciar práticas educativas que proporcionem aprendizagens diversas, bem como, reivindicar direitos e buscar mudar a sociedade em que vivem.
Na esfera educacional, esses movimentos objetivam-se na mudança do sistema educacional, tais como o acesso à educação e a qualidade do ensino. Além disso, esses sujeitos lutam por políticas educacionais que tenham uma abordagem mais participativas, inclusivas e que contextualizada com a dinâmica social-cultural deles.
Conforme Gadotti, a Educação Popular tem-se constituído num paradigma educativo que tem base teórica, epistemológica, filosófica, ontológica, metodológica e práticas distintas e diversificadas daquela vivenciada na educação escolar e representa uma das maiores contribuições da América Latina ao pensamento pedagógico Universal.
Esse texto, de caráter bibliográfico, tem o intuito de trazer à tona questões dialógicas entre os movimentos sociais e a educação popular, suas implicações, e importância para a construção de uma pedagogia emancipatória dos povos silenciados. Ele está dividido em três seguimentos:
1) Os Movimentos Sociais na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva através da educação, onde abordamos um pouco da história dos Movimentos Sociais e suas contribuições para o ensino;
2) A Educação Popular: um breve contexto histórico, nesse seguimento, é dissertado acerca do contexto histórico da Educação Popular, e todo o movimento que ela envolve;
3) A influência dos Movimentos Sociais na Educação Popular, aqui tentamos dialogar acerca das influências dos Movimentos Sociais para a Educação, como se dá essa conversa entre movimento popular e o ensino que é proposto pelo sistema.
Pretendemos com esse texto propor uma análise do dialogismo entre movimentos sociais e sua importância para a Educação Popular na formação de uma pedagogia emancipadora na formação de sujeitos críticos-reflexivos. Buscando questões históricas e, algumas especificidades dos movimentos, para traçar uma rota que possibilite o melhor entendimento entre ambos.
OS MOVIMENTOS SOCIAIS NA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E INCLUSIVA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO
A história da formação da identidade brasileira é marcada por construções e desconstruções constantes de ideologias, em um fluxo contínuo de pensamentos que surgem à medida que o pensamento crítico dos sujeitos sociais evolui. Esses pensamentos, frequentemente moldados nos Movimentos Sociais na luta por igualdade e inclusão, desempenham um papel crucial na construção de revoluções para muitos povos invisibilizados.
Os Movimentos Sociais no Brasil, como os Movimentos pelos Direitos Civis, Movimentos Estudantis, Movimentos Indígenas, Movimentos Feministas, Movimento Sem Terra, Movimento Negro, entre outros, refletem a diversidade e pluralidade social existentes no território brasileiro. Esses grupos sociais, que são formados por pessoas com ideias e interesses em comum, lutam pela igualdade e a resistência à opressão do sistema neoliberal no qual a sociedade brasileira está inserida.
Gohn (2011) afirma que os Movimentos Sociais sempre estiveram e continuarão fazendo parte da história da nossa sociedade. A participação popular, na qual os Movimentos Sociais estão inseridos, formam espaços que geram e produzem conhecimentos socioculturais criativos e inovadores que precisam ser levados para todas as esferas da sociedade.
Embora haja a necessidade de “olhar para trás”, os movimentos sociais não são simples repetições do que já foi discutido ou conquistado. Essa renovação ocorre à medida que surgem novos desafios e necessidades na busca pela emancipação dessas massas populacionais. Há sempre algo novo a ser falado, há sempre um olhar que nasce em decorrência da diacronia dos movimentos histórico-sociais.
Ao longo da história os movimentos sociais no Brasil vêm lutando para conquistar direitos humanos, sociais, civis e políticos, serviços coletivos. Há lutas por questões de gênero, de etnias, em que se buscam reconhecimento e afirmação das identidades culturais, o respeito às diferenças e alteridade. (BATISTA, 2005)
A maneira como a sociedade se constrói ao longo das décadas é um reflexo direto das lutas sociais e dos diálogos sócio-históricos existentes entre o poder dominante e os povos silenciados. É um contínuo processo de ação e reação, na qual cada movimento social, na sua singularidade, luta para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Os Movimentos Sociais, com o objetivo de promover construções sociais e políticas, buscam essa reparação histórica para esses povos negligenciados durante a construção da sociedade brasileira. O objetivo comum que está presente em toda a dinâmica desses movimentos populacionais, é a criação de políticas públicas que olhem para os interesses do grupo e que garantam seus direitos como cidadãos.
É nesse cenário sócio-histórico que “os movimentos sociais se configuram como agentes impulsionadores de mudanças sociais e políticas no campo da reorganização hegemônica da sociedade civil” (JEZINE Et al, 2008, p 08). A participação ativa dessa massa popular marginalizada promove mudanças sociopolíticas e a busca da visibilidade proporcionando uma oportunidade para o diálogo, a compreensão e a mudança efetiva na sociedade.
No campo educacional os Movimentos Sociais trouxeram grandes contribuições ao levantar pautas voltadas para seus sujeitos. Ilustramos aqui três desses movimentos, O Movimento Negro (MN), que se dedica à promoção dos direitos e reconhecimento da população negra; o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), centrado na luta pela reforma agrária e justiça social no campo; e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que busca proporcionar oportunidades educacionais para aqueles historicamente excluídos do sistema educacional formal.
Gohn (2011) destaca que o MN, que são conhecidos também como Movimento Afrodescendente, tem feito progressos significativos em suas reivindicações, como é o caso do Brasil com a implementação de cotas universitárias e do Programa Universidade para Todos (Prouni), entre outros. Um aspecto que podemos destacar nesse progresso é o apoio do governo por meio de políticas públicas, embora os resultados sejam contraditórios. Por um lado, as demandas sociais são reconhecidas como direitos (mesmo que limitados), proporcionando oportunidades para a participação cidadã através de ações cidadãs. Por outro lado, existem desvantagens, principalmente a perda de autonomia dos movimentos e a criação de estruturas de controle social de cima para baixo nas políticas governamentais para os movimentos sociais.
No campo educacional, o MN vem caminhando de forma lenta, mas gradual. Essa realidade é vivenciada devido a esse diálogo de reparação histórica com a identidade do que é ser negro no Brasil. A principal forma que a educação pode ajudar é na “recuperação histórica da história do negro e dos seus heróis também é vista como uma maneira de se criar pontos de identificação para a criança negra, procedimento considerado essencial para o fortalecimento de sua identidade” (PINTO, 1993, p.30).
Esse fortalecimento identitário proposto pelo MN busca promover um reparo social ao valorizar a herança cultural dos afrodescendentes no ambiente escolar. Ao alinhar essas visões, histórico-culturais do afro-brasileiro, esse enfoque não apenas empodera os estudantes negros, mas também ilumina questões que potencializam suas identidades. É nesse dialogismo entre comunidade e escola que faz o aluno a instigar-se numa autoafirmação pessoal e, consequentemente, coletiva. Permitindo que os discentes se reconheçam como negros e, assim, desafiem o racismo estrutural imposto na sociedade.
Outros sujeitos invisibilizados pelo sistema, no que diz respeito à identidade sociocultural, são os povos das áreas rurais do Brasil. Um movimento pioneiro para esses povos foi o MST. Segundo Vanden (2012) o MTS surgiu em 1984, na parte Sul do Brasil, como resposta à pobreza rural e à falta de políticas agrárias em proporcionar acesso à terra. Esse movimento expandiu-se de forma significativa, inicialmente do Rio Grande do Sul e Paraná para estados como Pernambuco e Pará. Rapidamente tornou-se uma organização nacional, com forte estrutura de participação local, representada por reuniões estaduais e nacionais.
Não apenas a luta pelo direito à terra marcou a trajetória do MST, mas também a busca por uma educação que reconhecesse e valorizasse o contexto local, para que promovesse o pensamento crítico dos habitantes do campo, não apenas um ensino tecnicista. É nesse contexto que surge uma conquista significativa para os sujeitos do MST, a Educação do Campo. Caldart (2009, p.41) destaca que:
O vínculo de origem da Educação do campo é com os trabalhadores ‘pobres do campo’, trabalhadores sem-terra, sem trabalho, mas primeiro com aqueles já dispostos a reagir, a lutar, a se organizar contra ‘o estado da coisa’, para aos poucos buscar ampliar o olhar para o conjunto dos trabalhadores do campo.
O MST teve um papel crucial na concretização da Educação do Campo. Esse movimento representavam as vozes dos trabalhadores do campo, e na nossa contemporaneidade vão além, ao incluir as comunidades rurais, ribeirinhas, quilombolas, indígenas dentre muitos outros. Esses sujeitos necessitem de políticas públicas que valorizem a sua identidade cultural, para assim começarmos a pensar à construção de sujeitos críticos-reflexivos.
COSTA et al (2021) destaca que uma das conquistas mais significativas alcançadas pelas organizações de trabalhadores e trabalhadoras do campo, na luta por políticas públicas educacionais, foi a resolução CNE/CEB nº 1, de 3 de abril de 2002. A partir dessa resolução, foi possível estabelecer Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, resultado de reinvindicações e demandas desses movimentos sociais do campo.
Como observamos, o MST volta-se para o passado ao valorizar e lutar pelos direitos à terra, mas desempenha um papel crucial na construção do futuro das populações rurais. Isso se evidencia quando direcionamos nossa luta para além da garantia de terras, como é no caso da luta por diretrizes que nos ajudam a ter o direito à educação de qualidade.
Outra vertente dos Movimentos Sociais, no direito a uma educação justa e igualitária, é a conquista da EJA. A história da educação de Adultos nos remete a chegada dos povos colonizadores no continente americano, mais precisamente os jesuítas, que “Além de difundir o evangelho, tais educadores transmitiam normas de comportamento e ensinavam os ofícios necessários ao funcionamento da economia colonial, inicialmente aos indígenas e, posteriormente, aos escravos negros.” (HADDAD, Di PIERRO, 2000, 109).
Essa visão tecnicista para a educação dos adultos, fizeram com que ocorressem movimentos para a construção de políticas públicas que respeitasse o direito a uma educação de qualidade para os adultos, com conteúdo que respeitassem a historicidade desses adultos. A EJA foi impulsionada, principalmente, através do diálogo entre Movimentos Sociais e a Educação Popular. Os movimentos sociais, com práticas comunitárias, buscavam a emancipação dos seus sujeitos silenciados pelos órgãos públicos.
Haddad e Di Pierro (2000) nos mostram o grande retrocesso que a educação de adultos sofreu durante a ditadura militar. É nesse período que os movimentos de educação de base foram reprimidos pois contrariavam os interesses militares. A forma que a educação popular trabalhava o processo de emancipação, ao despertar a consciência crítica reflexiva dos seus sujeitos, despertava a também a consciência política da população.
Souza (2021) nos mostra que nos últimos doze anos, as políticas públicas vigentes no Brasil, ao falar da EJA, é marcada por avanços, estagnações e retrocessos à medida que o atual modelo econômico reforça as desigualdades sociais no Brasil. A identidade da EJA vem se reinventado, assim como os Movimentos Sociais.
Esses movimentos desempenharam um papel crucial na transformação da EJA, promovendo não apenas o acesso, mas também uma educação contextualizada e emancipadora para os adultos. Apesar dos desafios e retrocessos, a identidade da EJA está em constante reinvenção, juntamente com a atuação persistente dos Movimentos Sociais.
Essas três vertentes de atuação convergem na importância de uma contínua luta por uma educação justa e igualitária para todas as culturas, religiões e as faixas etárias. Cada uma abordando desafios específicos que contribuam para a construção de um panorama social menos desigual com a participação de todos. Uma outra resposta à opressão do sistema alcançada pelas lutas sociais foi o surgimento da Educação Popular, com o intuito de promover à educação para aqueles que não tinham acesso.
A EDUCAÇÃO POPULAR: UM BREVE CONTEXTO HISTÓRICO
A Educação Popular é entendida como a capacitação técnica e científica, mobilizada e organizada a partir das classes populares, trazendo a relação desses grupos com os educadores. É uma educação embasada na participação e adota uma forma de educar horizontal, dialógica, perpassando pelos saberes dos educandos. Esses saberes são utilizados no processo de ensino/aprendizagem com o objetivo de formação ética e transformação social.
Para isso, o educador popular deve adotar uma postura que não demonstre uma hierarquia do saber, mas que forneça condições para que os estudantes se sentirem privilegiados pelo trabalho da conscientização da sua realidade sociopolítica. A educação popular observa atentamente o povo em suas realidades culturais, território, condição econômica, de produção da vida e modo geral.
Na América Latina a Educação Popular surgiu a partir das lutas populares contra a opressão, as desigualdades e a exclusão social e educacional. Lutas essas, construídas em primeiro momento fora dos muros escolares como movimento de cultura popular e somente após algumas décadas que invadiu as escolas como práticas educativas através dos professores como forma de chamar atenção para o desenvolvimento de políticas públicas transformadoras e emancipadoras.
No Brasil, a partir do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) é que se notou a grande ascensão dos movimentos populares, resultando em inúmeras experiências educacionais. Esse governo foi caracterizado pelo populismo e promessas de um futuro mais próspero com o progresso do país que traria frutos para todos os cidadãos, tais como empregos, melhores salários, educação e saúde, o que representava a meta do desenvolvimento. Outro discurso marcante no governo de Kubitschek era pautado na liberdade e democracia liberal, que causava enorme euforia numa população que havia recentemente sofrido fortes restrições políticas. O clima de liberdade democrática favoreceu, então, a emergência de diversas organizações populares (Bezerra, 1984).
Contudo, a crise econômica que a política desenvolvimentista instaurou no país resultou em frequentes movimentos de reivindicações e manifestações das classes trabalhadoras, assim como das manifestações estudantis. Notou-se que tais ações adotadas pelo governo Kubitschek não eram tão promissoras como haviam passado para a população. A evolução dessa crise foi se fazendo notar e culminou no governo seguinte, o do Presidente João Goulart (1962-1964), após a renúncia de Jânio Quadros. Com a inflação em torno de 30%, no governo de Jânio Quadros, e de 80%, no governo de João Goulart, surgiu a movimentação política denominada de resistência, como explica Bezerra (1984):
Chamamos assim de resistência porque entendemos que essa reação tinha origem nos setores do capital nacional que tentavam resistir à consolidação da tomada dos lugares estratégicos do potencial econômico pelo capitalismo internacional, financeira e tecnologicamente mais poderoso. (Bezerra, 1984, p. 19).
Após essa frustração vivida pela sociedade brasileira, em 1963, notou-se a intencionalidade de inserir na política de resistência os grupos de trabalhadores rurais e urbanos e demais movimentos populares que se mostravam organizados para uma demonstração de pressão ao sistema governamental.
Para Fávero (1983), os anos entre 1960-1964 foram particularmente críticos e criativos. O movimento de cultura popular que se manifestou nesse período, trouxe outra manifestação de movimento de massas: a Educação Popular. Pretendia-se “transformar a cultura brasileira e, através dela, pela mão do povo, transformar a ordem das relações de poder e a própria vida do país” (Fávero, 1983, p. 9).
De acordo com Oliveira (2015, p.28)
A educação popular emerge, no final dos anos 50 e início dos anos 60, inserida num contexto histórico de contradições de classes e de resistências populares contra a opressão e a alienação de uma cultura dominante sobre a cultura popular, bem como por meio de lutas pela democratização do ensino público. (Oliveira, 2015, p.28)
Brandão (1984, p.34) analisa esse momento da Educação Popular da seguinte forma:
Oscilando entre a vocação populista e um compromisso de classe, a Educação Popular pretende significar não apenas uma forma avançada de educação do povo, mas um movimento pedagógico e, depois, um movimento popular que incorpora um movimento pedagógico. (Brandão, 1084, p.34)
É nesse período que se propaga o método de alfabetização de Paulo Freire, com uma metodologia moldada em círculos de cultura, onde o professor aparece como mediador de debates, os estudantes são os participantes do círculo e todos refletem sobre as verdades, realidades e intencionalidades sociais, como se explica:
Essa metodologia se aplica em círculos de cultura, nos quais o professor vem a ser um coordenador de debates, os alunos são participantes, e todos, juntos, colaboram para o descobrimento das verdades da sua realidade; refletem e atuam sobre estas: “[…] são escolas de socialização, de diálogo sobre um tema de interesse, de reflexão em comum, de liberdade de palavras dentro de um grupo com um objetivo comum, de compromisso com a realidade objetiva, de investigação, de criatividade e de liberdade” (Freire, 1979, p. 7).
Em 1963, Paulo Freire assumiu o Ministério da Educação junto a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) para discutir projetos de educação com técnicos desse órgão e com americanos da United States Agency for Internacional Development (USAID) (Gadotti, 1989). O trabalho de Paulo Freire teve grande repercussão devido suas práticas na cidade de Angicos, no estado brasileiro do Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores foram alfabetizados em 40h de participação nos círculos de cultura.
Foi no Congresso de Educação de Jovens e Adultos que a pedagogia freireana ganhou visibilidade, não só pela eficácia da metodologia, mas também pela criticidade dos estudantes nos relatos sobre a precariedade das escolas, inadequação dos materiais didáticos e qualificação dos professores.
Foi a partir desse congresso que se idealizou a implementação de um projeto de permanência para a Educação de Adultos e é criado o Plano Nacional de Educação de Adultos (PNAA). Com a intenção de propagar esse método em todo território nacional, o governo brasileiro convidou Freire a assumir a coordenação do Plano Nacional de Alfabetização em 1963. Esse projeto tinha como meta instituir vinte mil círculos de cultura com o objetivo de atender dois milhões de alfabetizandos, o qual sofreu um grande impacto com o Golpe Militar em 1964, quando os colaboradores intelectuais do projeto foram perseguidos, presos ou exilados, com o discurso de comunismo e subversividade, dentre eles Paulo Freire, que teve sua prisão efetivada em junho de 1964.
Um grande declínio foi o que se instaurou com a Ditadura Militar ao contexto da Educação Popular, despontando novas iniciativas apenas nos anos 80 com a visão de uma nova política no cenário brasileiro. Em 1967, como ações de controle político sobre a Educação Popular, o governo Getúlio Vargas cria o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) e a Cruzada ABC, centralizando a supervisão, orientação e produção de materiais didáticos. (DI PIERRO; JOIA; RIBEIRO, 2001)
Na década de 1980, o país entra num processo de redemocratização e o MOBRAL é extinto, criando-se no mesmo formato a Fundação EDUCAR que também foi extinto no início dos anos 90, ocorrendo a descentralização política da EJA. (HADDAD; DI PIERRO, 2000, p.121). Com a promulgação da Constituição de 1988, a União foi transferindo a responsabilidade da EJA para Estados e Municípios, promovendo assim iniciativas de cunho popular com a pulverização de programas para minimizar a problemática da EJA no Brasil. (HADDAD; DI PIERRO, 2000, p.121)
A partir desse contexto histórico, pode-se entender a Educação Popular como prática de ensino que se apropria das características do ambiente onde está sendo realizada. Esses lugares podem incluir espaços formais e não-formais de ensino, mas que usa suas particularidades como instrumento facilitador da aquisição de conhecimentos, seja na realidade ribeirinha, quilombola, indígena, carcerária, dos assentamentos e onde o papel educativo possa corroborar para o desenvolvimento educacional, social e político dos estudantes.
Nesses ambientes, a união do que é escolar e não-escolar, assim como os saberes da experiência e os saberes sistematizados já não compõem uma dicotomia, mas sua justaposição agrega no contexto da concretização do saber. Mas afinal, qual a influência dos Movimentos Sociais na Educação Popular?
A INFLUÊNCIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA EDUCAÇÃO POPULAR
As influências sofridas nos parâmetros educacionais a partir das transformações sociais, deixam lacunas e estas exigem um preenchimento com práticas inovadoras que venham dar suporte à nova realidade social construída nesse cenário de mudança e que estejam em consonância com os atuais objetivos sociais.
As iniciativas coletivas e organizações buscam promover mudanças significativas no sistema educacional. Esses movimentos podem se concentrar em diversas questões, como acesso à educação, qualidade de ensino, equidade, inclusão, diversidade cultural entre outros. Eles muitas vezes buscam influenciar políticas educacionais, defendendo abordagens mais participativa, inclusiva e sensíveis às necessidades das comunidades.
Paulo Freire foi um dos pensadores que deixou uma grande contribuição no cenário da educação tanto no Brasil como na América Latina, tais contribuições foram fundamentais no sentido de propor uma educação que não se limitasse somente ao contexto escolar, mas que dialogasse com as relações sociais, proporcionando uma educação libertadora e organizativa dos diferentes movimentos sociais. Com base nesse pressuposto, a educação libertadora tem entre seus princípios a dialogicidade, a problematização e a reflexão crítica.
A reflexão crítica ocorre quando formamos pessoas conscientes e socialmente responsáveis. Mas a educação popular transcende um conjunto de “normas” e “princípios”, na medida em que busca a práxis, a educação como prática de liberdade, instrumentalizando o aluno para o contexto em que vive (FREIRE, 1989).
A concepção libertadora de educação proposta por Freire evidencia o papel da educação na construção de um povo histórico, fundamenta-se numa teoria do conhecimento que parte da prática concreta na construção do saber e o educando como sujeito do conhecimento e compreende a alfabetização não apenas como um processo lógico, intelectual, também como um processo profundamente efetivo e social (GADOTTI, 1998, p.02)
Atualmente, é possível dizer que os reflexos desses movimentos ainda permanecem entre alguns educadores, porém enveredam-se a novas perspectivas no âmbito educacional frente aos movimentos sociais e suas diversidades culturais. Gohn nos mostra que:
A análise do novo cenário remete-nos ao tema da institucionalização das práticas e organizações populares, na própria sociedade civil ou por meio de políticas públicas, conferências nacionais copatrocinadas por órgãos públicos-estatais, ou estrutura organizativas criadas no próprio corpo estatal, a exemplo dos conselhos (2011, p.341)
A educação popular e os movimentos sociais estão em constante processo de significação e articulação, tendo em vista que todo movimento social, existe porque em sua formação existem diferentes tipos de conhecimentos que cerceiam princípios culturais, que sistematizam e justificam o movimento. Esse caráter educativo afeta a síntese educativa do movimento e possibilita uma perspectiva crítica da realidade em que os sujeitos estão envolvidos.
Os movimentos sociais desempenham um papel crucial na promoção da educação popular, uma abordagem educacional centrada na participação ativa e na conscientização das comunidades. Ao destacar questões relevantes e promover debates construtivos, os movimentos sociais podem fortalecer a consciência crítica e a capacidade de ação das pessoas, além de ampliar o acesso à educação e promover a inclusão social. Esses movimentos muitas vezes enfatizam a importância da educação como um instrumento de transformação social, incentivando a participação cidadã e a luta por direitos e justiça.
A decolonialidade da educação popular centra-se na eliminação das estruturas colonialistas no conhecimento e nas práticas educativas. Isto envolve o desafio das perspectivas dominantes que sustentam dinâmicas de poder desiguais e sistemas opressivos. Requer também questionar e desconstruir narrativas hegemônicas, valorizar e reconhecer o conhecimento local e indígena e promover uma educação que honre e celebre a diversidade cultural.
A partir desses pressupostos, compreendemos que os processos colonialistas ainda estão em curso, mas com o discurso adequado ao momento histórico, por esse motivo não conseguimos identificar com precisão, por isso é necessário que examinemos esses fenômenos sociais numa perspectiva além das aparências. Santos afirma quando diz:
As novas formas de colonialismo são mais insidiosas porque ocorrem no âmago das relações sociais dominadas pelas ideologias anti-racismo, dos direitos humanos universais, da igualdade de todos perante a Lei. O colonialismo insidioso é gasoso e evanescente, tão invasivo quanto evasivo em suma ardilosa. Mas nem por isso engana ou minora o sofrimento de quem é dele vítima na sua vida cotidiana. Floresce em apartheids sociais, não institucionais mesmo que sistemáticos. Ocorre nas ruas e nas casas, nas prisões e nas universidades, nos supermercados e nas esquadras de polícia. Disfarça-se facilmente de outras formas de dominação tais como diferenças de classes, sexo ou sexualidade (SANTOS, 2018)
No Brasil, os Movimentos Sociais influenciaram a implementação de políticas públicas mais abrangentes e defenderam os direitos das minorias e das comunidades sub representadas. Seu impacto tem sido fundamental na formação do cenário político e social no Brasil, levando a avanços significativos em áreas como direitos trabalhistas, saúde, educação e conservação ambiental.
Na arena política do Brasil, as vozes da educação popular são sustentadas pelos esforços persistentes de membros da comunidade, educadores e ativistas que defendem métodos de ensino participativos e emancipatórios. Estas vozes são ouvidas através de vários canais, como organizações não governamentais, movimentos sociais e iniciativas governamentais, que se esforçam por promover políticas de educação inclusiva que valorizem a diversidade cultural e incentivem uma abordagem crítica à aprendizagem.
Vozes essas capazes de gerar consciência crítica de ordem social no indivíduo, na perspectiva de romper o papel de vítima imposto pelo colonialismo e na luta contra qualquer tipo de opressão. Além disso, a educação popular sintetiza os mais diversos aspectos da formação cultural e contribui não só para a consciência coletiva dos indivíduos, mas também perpetua toda a bagagem histórica de um povo e de seus direitos, na verdade une debates entre diferentes culturas, classes populares e representantes das mais diversas sociedades cultural e socialmente diversas.
No século XX, Freire foi pioneiro no enaltecimento da cultura local, propondo um diálogo entre acadêmico e popular na construção do conhecimento. A valorização da vivência cotidiana dos diferenciados grupos populacionais na lida com as adversidades e a sua sabedoria para seguirem resistindo e existindo é um significativo diferencial na pedagogia freiriana. A leitura crítica coletiva do mundo revela o caráter político na sua concepção educacional. Nas suas andanças pelo país e fora dele, o pensador educador foi constituindo suas poéticas, coletando da vida a concepção na qual o ato educativo se faz na amorosidade, acolhendo para além do verbal outros sentidos e expressividade.
Ressaltando as conquistas significativas resultantes de movimentos sociais, voltados para políticas públicas onde houve reconhecimento as diversidades étnico-raciais e culturais, nos remetendo ao combate ao racismo e a discriminação social em especial ao movimento negro e indígena.
Diante disso, devemos enfatizar o protagonismo de movimentos como os sujeitos rurais, os mestres quilombolas e as lideranças indígenas que são responsáveis pela partilha de conhecimentos, experiências, tradições e tantos outros elementos religioso-culturais que transcendem as fronteiras nacionais e alcançam novos lugares através da Educação Popular, da Educação do Campo, da Educação Étnico-racial, da Educação Quilombola, da Educação Indígena dentre muitas outras epistemologias.
Busca evidenciar e afirmar a cidadania como direito de todas e todos. Apresenta-se como uma práxis política-pedagógica que dá voz pelo diálogo, como instrumento de libertação, de afirmação de culturas silenciadas e negadas, possibilita construção de saberes, de novos modos e metodologias no processo de construção de uma sociedade democrática, humana, ética e fraterna.
Ainda há muitos desafios a serem enfrentados, o leque de propostas e ações são muito amplos e envolvem não apenas lutas por transformações estruturais, mas se preocupam também com a exclusão, a negação e subalternação dos grupos e sujeitos “racializados” no caminho da desconstrução de matrizes coloniais que permeiam os diferentes contextos socioculturais.
Como os movimentos sociais e a educação popular estão no mesmo cenário em que se forma a consciência popular, esse tipo de educação não se limita às classes sociais excluídas de direitos, mas apenas tem caráter popular em seu processo de formação. Ela traz consigo o caráter de classe social constituída pela própria educação, pela transmissão de conhecimentos peculiares a cada cultura e a cada saber (a própria educação).
É preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história […] uma educação que liberte, que não adapte, domestique ou subjugue. (FREIRE 2006, p. 45)
A educação popular é em si advinda do povo, das comunidades populares, dos movimentos populares, das mais diversas manifestações culturais e sociais que imprimem uma identidade a um povo, em uma concepção totalmente diferente do que advém da construção da educação tradicional ou unicamente educação informal. Neste sentido, a reflexão dos seus indivíduos sobre a sociedade e sobre sua cultura leva-os a uma prática educativa oriunda das suas próprias relações sociais, ou seja, além de uma ação social, uma conduta ou movimento, ela proporciona além de tudo uma consciência social.
Arroyo (2002, p.2) destaca a educação popular como elemento de promoção humana e salienta os paradigmas educativos e pedagógicos devem ser radicais ao “colocar o ser humano como problema pedagógico”. Ele também evidencia que uma teoria pedagógica deve privilegiar o ser humano se constituindo como humano.
Assim, o fazer-se humano comporta múltiplos espaços e novas dimensões num aprendizado contínuo e coletivo, enquanto os movimentos sociais retratam espaços privilegiados de vivências para novas socializações e construções de seres que se constituem como sujeitos culturais, sociais, éticos, coletivos, espaciais, históricos, afetivos, políticos, cidadãos.
Ora, a necessidade do diálogo está presente na educação popular, através do conhecimento, das experiências únicas e subjetivas dos indivíduos. Esta característica está muito bem representada nos mais diferentes tipos de movimentos sociais pelo país e participam amplamente da formação ideológica dos movimentos, pois a característica, o modelo, a luta, as manifestações de conhecimento, a compreensão da realidade virá a partir das experiências culturais e sociais dos diferentes indivíduos que a compõe, considerando as estratégias de luta e de organização, as análises de conjuntura, que contribuem como elementos metodológicos para uma educação política, para a identidade social dos sujeitos e para a construção da cidadania.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisar os movimentos sociais em suas dimensões teóricas no que se refere à organização, composição, ideologia e compromisso social, verifica-se os processos de luta surgidos na sociedade capitalista e no campo de disputa por um projeto de sociedade. Compreender esses movimentos existentes é extremamente relevante para se identificar os campos teóricos e fundamentá-los.
A Educação Popular percorreu trilhas e caminhos tanto na historiografia brasileira como na América Latina direcionando conhecimentos e contribuições diversificados no âmbito das vivências cotidianas dos diferenciados grupos populacionais na lida com a adversidade a sua sabedoria para continuarem resistindo e existindo.
Muitos resultados obtidos pelos movimentos sociais foram frutos de suas lutas e experiências, expressas a partir de práticas educativas geradas nas experiências cotidianas a educação popular, traz os mais diferentes aspectos de formação culturais e contribui não só para a consciência coletiva dos indivíduos, como perpétua toda a bagagem histórica de um povo e dos seus direitos, e são de fato, o que une o debate entre a classe popular e as mais diferentes representações sociais que divergem culturalmente como socialmente.
Ressalta-se o aspecto educacional da participação nos movimentos sociais que oferece diversas experiências socioeducativas, que formam a dimensão pedagógica do movimento, que em seus rituais e procedimentos estabelece uma didática que integra uma pedagogia comunitária, originada do diálogo entre os participantes. As designações de nomes práticas de ensino, como a educação popular e a educação não formal, são expressões de práticas educativas utilizadas para falar das aprendizagens que a participação política nos movimentos propicia com suas diversas facetas: políticas, culturais, pessoais, simbólicas, emocionais que fornecem novas estruturas discursivas para o campo educacional.
A valorização da identidade cultural, é sobretudo a marca dos movimentos sociais populares na construção de uma ideologia comum, nutrida pelos diversos valores sociais e pelo esforço coletivo.
Percebe-se, mediante os fatores históricos de formação da sociedade brasileira pautada na exploração, a grande importância que foram os movimentos sociais populares na busca da conscientização para a mudança, em um quadro consolidado pelas massas detentoras do poder Mudança essa pautada principalmente na ideia de Paulo Freire da educação como forma em que “as massas populares cheguem a inserir-se criticamente na realidade” (FREIRE, 2018 p. 54).
Freire (1987) destaca que a educação Popular, em sua síntese de formação, tem uma pedagogia onde a interação dos indivíduos e a valorização de suas experiências são importantes para a construção do conhecimento. A interação educando /educador é muito forte, de modo que não existem níveis hierárquicos que definem quem aprende mais ou quem aprende menos, seguindo justamente a ideia de Freire de que “todos se libertem em comunhão”
Assim, busca evidenciar e afirmar a cidadania como direito de todas e todos. Apresenta-se como uma práxis política-pedagógica que dá voz pelo diálogo, como instrumento de libertação, de afirmação de culturas silenciadas e negadas, possibilita construção de saberes, de novos modos e metodologias no processo de construção de uma sociedade democrática, humana, ética e fraterna.
As lutas da educação popular em configuração com os movimentos populares é justamente nesses processos de lutas e de resistências sociais, porque a medida que se aprimora a necessidade de compreender o processo de exploração e dominação social, logo vem a consciência do papel social de cada indivíduo, e também a busca pela mudança, isso, feito de forma interativa, carregando os princípios da educação popular nos movimentos, fundamentando a autonomia emancipatória dos indivíduos, e permitindo e emancipação e a participação em uma sociedade brasileira, onde se configurava anteriormente, somente os anseios das classes dominantes.
Nesse sentido, é preciso fazer valer o respeito às diferenças e necessidades que são peculiares a cada grupo social, a exemplo dos que lutam por uma educação adequada para quem vive no campo e dos que buscam, através da concretização das políticas educacionais e do direito a escola de qualidade, a possibilidade de construção de uma sociedade mais justa, garantindo a seus cidadãos os direitos mais básicos e essenciais a uma vida com dignidade.
REFERÊNCIAS
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1 Licenciada em Educação Física pela Universidade Federal do Amazonas. Especialista em Educação Física Escolar pela Faculdade Evangélica do Meio Norte (FAEME). Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGED), pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Bolsista FAPEAM. ORCID: 0009-0003-1954-0541 E-mail: adriana.sena@seducam.pro.br E-mail: acdods.edc23@edu.br.
2 Licenciada em Pedagogia pela UNIASSELVI. Especialista em Gestão Pública pela CIESA. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGED), pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). E-mail: jaklinesantana@gmail.com.
3 Licenciado em Letras – Língua Portuguesa, pelo Centro de Estudos Superiores de Parintins – CESP/UEA. Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira – FACULDADE FUTURA. Mestrando do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGED-UEA), pela Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Bolsista CAPES. E-mail: rdsds.edc23@uea.edu.br.
