A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO PRECOCE NO PROGNÓSTICO DA DOENÇA CELÍACA EM PACIENTES ADULTOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

THE IMPORTANCE OF EARLY DIAGNOSIS AND TREATMENT IN THE PROGNOSIS OF CELIAC DISEASE IN ADULT PATIENTS: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202509280835


Fabrícia Martins Coutinho1
Marianna Carvalho Gomes2
Pollyanna Álvaro Ferreira Spósito3


RESUMO

Introdução: A doença celíaca é uma patologia genética autoimune caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, causando atrofia total ou subtotal da mucosa do intestino delgado proximal, a qual ocorre em virtude da ingestão de glúten, que ativa o sistema imune e gera uma reação inflamatória, propiciando o prognóstico ruim dessa patologia. Assim, é  relevante que seja diagnosticada corretamente, para que as suas drásticas consequências à saúde sejam minimizadas. Objetivo e justificativa: O presente artigo objetiva, por meio de uma revisão integrativa, abordar a importância de se realizar um diagnóstico precoce da doença celíaca, bem como enfatizar os benefícios de tal identificação na qualidade de vida dos pacientes celíacos. Metodologia: Realizado através de uma revisão bibliográfica, com finalidade básica, explicativa e abordagem qualitativa, de modo a identificar produções científicas já existentes a respeito da doença celíaca. Foram selecionados artigos para a síntese utilizando as bases de dados LILACS e PubMed. Resultados e discussão: A análise dos 13 estudos evidenciou que a doença celíaca apresenta um amplo espectro de manifestações clínicas, sobretudo em adultos, o que frequentemente retarda o diagnóstico. Os exames sorológicos, associados à biópsia intestinal, mantêm-se como ferramentas diagnósticas fundamentais. Verificou-se que a identificação precoce da enfermidade está associada a melhor adesão à dieta isenta de glúten, à prevenção de complicações clínicas e à significativa melhora na qualidade de vida dos pacientes. Além disso, destaca-se a redução dos custos com saúde, reforçando a importância de estratégias efetivas de rastreamento e abordagem interdisciplinar. Conclusão: Evidenciou que o diagnóstico da doença celíaca em adultos ainda representa um desafio, principalmente devido à diversidade de sintomas. No entanto, os métodos diagnósticos atuais, quando aplicados precocemente, favorecem intervenções eficazes. A detecção precoce não apenas otimiza a resposta ao tratamento dietético como também contribui para a prevenção de agravos e racionalização dos recursos em saúde, o que é bastante positivo e ressalta a importância de discutir sobre a relevância dessa prevenção. 

Palavras-Chave: Doença Celíaca AND Adulto; Diagnóstico Precoce AND Doença Autoimune. 

Palavras-Chave em inglês: Celiac Disease AND Adult; Early Diagnosis AND Autoimmune Disease. 

INTRODUÇÃO 

A doença celíaca (DC) é uma doença autoimune caracterizada pela intolerância à ingestão do glúten em indivíduos com predisposição genética (BRASIL, 2025). Nessa condição, a exposição ao glúten, principalmente através da alimentação, pela ingestão de cereais como trigo, cevada e centeio, estimula uma resposta imunológica não fisiológica que compromete a integridade da mucosa intestinal (AL-ABACHI, 2022). Esse processo inflamatório envolve a ativação de linfócitos T e a produção de autoanticorpos contra a transglutaminase tecidual, resultando em alterações estruturais no intestino delgado, como atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e infiltrado inflamatório intraepitelial (ELWENSPOEK et al., 2022).  

Nesse contexto, é relevante mencionar que estudos apontam que pessoas com determinadas condições clínicas apresentam risco significativamente aumentado para o desenvolvimento da doença celíaca – indivíduos com dermatite herpetiforme, histórico familiar de doença celíaca, enxaqueca, anemia ferropriva, diabetes mellitus tipo 1, osteoporose ou doença hepática crônica têm, em média, de 1,5 a 2 vezes mais probabilidade de desenvolver a enfermidade em comparação com a população geral (RODRIGO, 2006). Essas associações refletem não apenas uma predisposição genética, como também a interrelação imunológica entre a DC e outras condições autoimunes ou de má absorção (AL-ABACHI, 2022; RODRIGO, 2006). 

Estima-se que a prevalência global da DC seja de aproximadamente 1%, com variações entre regiões, com maior predominância entre mulheres e crianças (CRUCINSKY; DAMIÃO; CASTRO, 2021). No entanto, quando se incluem indivíduos com apresentações não convencionais especialmente assintomáticos ou com manifestações extraintestinais, a prevalência estimada da doença celíaca pode se aproximar de 3% em algumas populações. Em adultos, a apresentação da doença frequentemente foge do padrão clássico, manifestando-se principalmente por sintomas como anemia, fadiga, osteopenia, infertilidade e alterações neurológicas leves (LEBWOHL; SANDERS; GREEN, 2018). 

 Atualmente, a DC tem se mostrado uma condição de espectro amplo, com apresentações variadas, para além das gastrointestinais, manifestando com sintomas clássicos, como diarreia crônica, distensão abdominal e desconforto digestivo, mas também com manifestações atípicas ou assintomáticas (BRASIL, 2025). Nas formas atípicas da doença celíaca, as manifestações podem envolver sistemas hematológico, neurológico, dermatológico, psiquiátrico, reumatológico, endócrino, principalmente em mulheres celíacas, muitas vezes sem sintomas gastrointestinais evidentes (L-ABACHI, 2022; BRASIL, 2025).  Esse quadro é caracterizado pela presença de lesão mucosal significativa no intestino delgado, incluindo atrofia vilositária e infiltração linfocitária e geralmente sorologia positiva para anticorpos específicos, mesmo na ausência de queixas digestivas (CELILOĞLU et al; 2011). 

Entre os adultos, a inespecificidade dos sintomas e a ampla variabilidade clínica contribuem para atrasos no diagnóstico da doença (OLANO et al., 2020).  Essa condição, quando não reconhecida precocemente, pode resultar em complicações clínicas significativas, como osteopenia, infertilidade, doenças autoimunes associadas e maior risco de neoplasias intestinais, e até mesmo, aumentar ocasionar uma menarca tradia e aumentar o risco de abortos em mulheres celíacas.  (KOTZE et al., 2020). Além disso, mesmo seguindo rigorosamente a dieta isenta de glúten, pacientes celíacos podem continuar apresentando sinais de progressão da doença, o que evidencia a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar específico (DOTSENKO et al., 2021). Outro aspecto relevante é a semelhança entre os sintomas da DC e os da síndrome do intestino irritável (SII), um distúrbio gastrointestinal funcional comum, o que pode dificultar o diagnóstico diferencial. Muitos pacientes com SII apresentam sorologia positiva e achados histológicos sugestivos de DC, tornando justificável a triagem para a doença nesses indivíduos (AL-ABACHI, 2022). 

Nesse sentido, considerando o aumento da incidência da DC, suas múltiplas formas de apresentação e as complicações associadas ao diagnóstico tardio, torna-se essencial um diagnóstico precoce para a prevenção de complicações a longo prazo, sendo imprescindível a solicitação de exames em indivíduos com maior risco. Assim, discutir sobre os métodos diagnósticos, como a realização de testes sorológicos e endoscópicos, especialmente, em adultos, torna-se fundamental (SHEPPARD et al., 2022). Outrossim, outra medida que merece ser discutida é a adoção de uma dieta rigorosa sem glúten (GFD), a qual é, atualmente, o único tratamento eficaz para a DC (SHEPPARD et al., 2022). Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo apresentar uma revisão da literatura sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoce no prognóstico da DC em pacientes adultos, ressaltando os benefícios dessa abordagem na qualidade de vida dos pacientes. 

METODOLOGIA 

Realizou -se uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados: National Library of Medicine (PubMed) e Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências Sociais e da Saúde (LILACS), a partir da seleção de dados por uso dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e estratégias de busca com o operador booleano: “Doença Celíaca AND Adulto”, “Diagnóstico Precoce AND Doença Autoimune”, “Celiac Disease AND Adult”, “Early Diagnosis AND Autoimmune Disease”. 

Os critérios de inclusão foram estudos publicados nos últimos 5 anos (2019-2024), de acesso gratuito e textos disponíveis em forma completa, indexados no idioma português, inglês e espanhol, além de abordagens terapêuticas e diagnósticas em pacientes adultos. Diante dos artigos encontrados foram adotados como critério de exclusão: publicações que não se enquadraram nos critérios de inclusão; estudos duplicados comparando-se os autores, o título, o ano e o jornal de publicação; artigos que divergiam da temática proposta após leitura dos títulos e resumos. A busca foi realizada no mês de janeiro de 2025. Após a triagem inicial, os estudos potencialmente relevantes foram arquivados em texto completo, para subsequente extração dos dados e elaboração da discussão. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Foram encontrados 260 artigos nos bancos de dados utilizados, sendo que destes, 16 foram excluídos por duplicidade, 195 após leitura dos títulos, 19 por não atender os objetivos do estudo, 17 após a leitura do texto completo, restando 13 publicações que atendiam aos critérios de inclusão citados anteriormente. Os artigos incluídos foram avaliados na íntegra. A Figura 1 ilustra o processo de triagem dos artigos com base na declaração do PRISMA. 

Figura 1: Fluxograma com o processo de triagem dos artigos com base na declaração do PRISMA

Fonte: Autores, 2025. 

O quadro 1 apresenta os 13 artigos selecionados para a construção da revisão, com respectivo título, país, ano e autores; objetivos; natureza do estudo e principais resultados. Os artigos foram organizados em ordem crescente do ano de publicação. Acerca da natureza dos estudos, três foram do tipo observacional, três de meta análise, dois com metodologia prospectivo randomizado, dois do tipo transversal, um relato de caso, um delineamento retrospectivo e um estudo de coorte e caso-controle.

Quadro 1. Síntese dos artigos selecionados e principais resultados 

A doença celíaca (DC) é uma doença autoimune crônica desencadeada pela exposição ao glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. Trata-se de uma condição que afeta principalmente o intestino delgado, provocando uma resposta inflamatória mediada por linfócitos T, que leva à destruição da mucosa intestinal e à má absorção de nutrientes (ALABACHI, 2022). Embora tradicionalmente associada a manifestações gastrointestinais típicas, como diarreia crônica, distensão abdominal, flatulência, dor abdominal recorrente e perda ponderal, a apresentação clínica em adultos frequentemente foge desse padrão clássico. Isso dificulta o reconhecimento precoce da doença nessa faixa etária (AL-ABACHI, 2022). Nessa população, são comuns manifestações extraintestinais como anemia ferropriva de difícil correção, osteopenia ou osteoporose, infertilidade, abortos recorrentes, alterações neurológicas, distúrbios psiquiátricos (ansiedade, depressão), fadiga crônica e até alterações hepáticas leves (BINICIER; TOSUN, 2020). Além disso, esses pacientes podem permanecer assintomáticos por longos períodos, o que favorece diagnósticos incorretos, especialmente relacionados a outras doenças autoimunes, como a síndrome do intestino irritável (SII) e intolerâncias alimentares. Tal contexto reforça a necessidade de uma investigação mais sistemática e direcionada à população adulta, que representa a maior parcela de casos subdiagnosticados (SHIHA et al., 2024). 

O diagnóstico da DC exige uma abordagem integrada que combine dados clínicos, exames laboratoriais específicos e confirmação histológica. Os testes sorológicos continuam sendo a principal porta de entrada no processo diagnóstico. Os anticorpos anti-transglutaminase tecidual (tTG-IgA) e anti-endomísio (EMA) são considerados os mais sensíveis e específicos, sendo utilizados amplamente como triagem (SHEPPARD et al., 2022). A dosagem de IgA total deve ser feita simultaneamente, visto que a deficiência seletiva de IgA pode gerar resultados falsamente negativos, especialmente em adultos. Dessa forma, pacientes com sorologia positiva devem ser submetidos à biópsia de intestino delgado, cuja análise histológica, segundo a classificação de Marsh, permite avaliar desde alterações leves da mucosa (como aumento de linfócitos intraepiteliais) até atrofia vilositária total (BESSA et al., 2020). Esses achados são fundamentais para confirmar a presença da doença. Em casos com sorologia negativa, mas com forte suspeita clínica (por exemplo, pacientes com sintomas sugestivos e histórico familiar), a biópsia ainda pode ser indicada. Contudo, estratégias de rastreamento em grupos de risco, como familiares de primeiro grau, pacientes com diabetes tipo 1 e tireoidite de Hashimoto, têm se mostrado eficazes para identificar casos assintomáticos ou oligossintomáticos (ELWENSPOEK et al., 2022). 

Além disso, exames laboratoriais complementares, como a dosagem de ferro, ferritina, vitamina B12, ácido fólico, cálcio e marcadores inflamatórios, auxiliam na identificação de alterações nutricionais e metabólicas secundárias à má absorção intestinal (GORNATTI; AGUIRRE, 2020). Esses achados reforçam a necessidade de investigação da DC mesmo diante de sintomas inespecíficos. Outro ponto de destaque é o uso de ferramentas clínicas que favoreçam a triagem precoce, como protocolos baseados em escores clínicos e fluxogramas diagnósticos. Isso reduz o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico definitivo, especialmente em adultos que frequentemente convivem com manifestações não específicas durante anos. 

A realização do diagnóstico precoce da doença celíaca tem impacto direto sobre a saúde do paciente e sobre o sistema de saúde como um todo. Estudos demonstram que o não tratamento da DC está associado a uma série de complicações clínicas, que incluem osteoporose, fraturas espontâneas, infertilidade, abortos de repetição principalmente em mulheres celíacas com menarca tardia, anemia crônica, desnutrição, linfoma de intestino delgado e o surgimento de outras doenças autoimunes (BINICIER; TOSUN, 2020), as quais geram prejuízos as atividades diárias e laborais desses pacientes, gerando uma maior procura ao sistema de saúde. Além disso, o atraso no diagnóstico aumenta o risco de internações recorrentes, exames desnecessários e uso de medicamentos para sintomas que não melhoram enquanto o glúten permanece na dieta. 

Do ponto de vista psicossocial, os prejuízos são igualmente importantes. Pacientes com diagnóstico tardio apresentam mais frequentemente transtornos de humor, como depressão, baixa autoestima, irritabilidade e isolamento social (SHIHA et al., 2024). A qualidade de vida desses indivíduos é significativamente prejudicada. A introdução precoce da dieta isenta de glúten promove não apenas a remissão dos sintomas clínicos, mas também a recuperação da mucosa intestinal e a normalização dos marcadores inflamatórios e de estresse oxidativo (EBIK et al., 2024). Isso reforça a importância de estratégias diagnósticas eficientes e da ampliação da suspeição clínica. 

O tratamento da doença celíaca consiste, até o momento, na exclusão total do glúten da alimentação por toda a vida. A adesão à dieta sem glúten, embora desafiadora, é mais bem sucedida quando o diagnóstico é realizado precocemente, antes do agravamento dos sintomas e da instalação de danos irreversíveis à mucosa intestinal (ELWENSPOEK et al., 2022). Iniciar a dieta logo após a confirmação do diagnóstico favorece a adaptação alimentar, evita a consolidação de hábitos prejudiciais e promove o engajamento do paciente no autocuidado. A melhora clínica é ampla, envolvendo tanto os sintomas físicos quanto os aspectos emocionais, com evidência de melhora significativa em níveis de ansiedade, depressão e autoestima (SHIHA et al., 2024). 

A abordagem terapêutica ideal deve ser multiprofissional, incluindo o acompanhamento regular com nutricionista especializado, médico gastroenterologista e suporte psicológico. Essa estrutura contribui para garantir que o paciente compreenda as implicações do tratamento, identifique alimentos com glúten escondido e mantenha a adesão mesmo diante das dificuldades sociais e econômicas (KING et al., 2020). Além disso, em alguns casos, é necessário realizar suplementação de micronutrientes, como ferro, cálcio, vitamina D e vitaminas do complexo B, até que os níveis sejam restabelecidos. 

Do ponto de vista estrutural, políticas públicas são fundamentais para ampliar o acesso a alimentos seguros, rotulagem clara, exames diagnósticos e acompanhamento nutricional gratuito. Em países em desenvolvimento, onde o acesso aos recursos é limitado, essas ações podem transformar significativamente o prognóstico de milhares de pessoas celíacas (DOTSENKO et al., 2021). O tratamento da DC, portanto, vai além da simples exclusão de um componente alimentar: trata-se de uma reestruturação de vida que exige suporte contínuo, compreensão social e acompanhamento técnico. A presente revisão reforça que o diagnóstico precoce aliado a um tratamento adequado tem potencial para interromper a progressão da doença, prevenir suas complicações e garantir autonomia e qualidade de vida aos pacientes adultos. 

Por fim, é importante ressaltar que o diagnóstico precoce é mais do que uma ferramenta clínica, trata-se de uma estratégia fundamental para garantir o bem-estar e a autonomia de pacientes adultos celíacos. A implementação de políticas públicas de apoio ao diagnóstico, incluindo acesso facilitado a exames sorológicos e acompanhamento nutricional, pode transformar o panorama atual da doença celíaca, especialmente nos países em desenvolvimento (DOTSENKO et al., 2021; AL-ABACHI, 2022). Dessa forma, a presente revisão integrativa demonstra que o diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico da doença celíaca, sendo capaz de interromper a progressão da doença, prevenir complicações, melhorar a qualidade de vida e reduzir o ônus para os sistemas de saúde.  Portanto, a adoção de medidas educativas e estruturais que favoreçam esse diagnóstico deve ser prioridade nas agendas clínicas de saúde pública. 

CONCLUSÃO 

A compreensão abrangente sobre a doença celíaca, incluindo seus variados sinais clínicos, manifestações atípicas e os exames indicados para sua detecção, é essencial para garantir um diagnóstico preciso e em tempo oportuno. Dada a natureza silenciosa ou inespecífica com que a enfermidade pode se apresentar em muitos adultos, é imprescindível que profissionais da saúde estejam atentos às múltiplas formas de expressão da patologia. A identificação precoce da doença permite a implementação imediata de uma conduta terapêutica eficaz, centrada principalmente na exclusão do glúten da dieta, o que contribui de maneira decisiva para a reversão dos danos intestinais, a prevenção de complicações sistêmicas e a melhoria da qualidade de vida. 

Ademais, o avanço contínuo das técnicas diagnósticas, aliado ao desenvolvimento de novas estratégias de rastreamento, amplia as possibilidades de detecção em fases ainda assintomáticas. Nesse cenário, o papel do médico vai além do reconhecimento dos sintomas clássicos, exigindo atualização constante e sensibilidade clínica para suspeitar da doença mesmo nos casos menos evidentes. Fortalecer a vigilância em grupos de risco, investir em educação em saúde e promover o acesso a exames laboratoriais e histológicos de qualidade são medidas que devem integrar a rotina assistencial. 

Portanto, o diagnóstico precoce da doença celíaca não é apenas uma ferramenta de intervenção clínica, mas uma estratégia crucial de promoção de saúde, capaz de proporcionar bem-estar, longevidade e autonomia ao paciente, além de reduzir os impactos socioeconômicos decorrentes do não tratamento adequado da enfermidade. 

REFERÊNCIAS  

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BESSA, C. C. et al. Health control for celiac patients: an analysis according to the Pender health promotion model. Texto & Contexto Enfermagem, v. 29, e20180420, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/fTbW7Z9rdBtM65SWH5DrbRN/?lang=en&format=pdf. Acesso em: 22 jan. 2025. 

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1Estudante da Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga
2Estudante da Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga
3Docente da Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga