REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510280950
Amanda Barbosa Daniel
Bianca Nunes Silva
Orientadora: Karina D’Elia Albuquerque
RESUMO
O objetivo do presente estudo foi avaliar o conhecimento e conscientização de moradores da região de Guarulhos (SP) sobre a importância da vacinação no combate à cinomose canina. Participaram da pesquisa 142 pessoas, sendo entre elas principalmente tutores de cães (104 pessoas), e o restante incluía estudantes de medicina veterinária, quem trabalha com animais, e nenhum acima. Para levantamento desses dados realizamos um formulário na plataforma online do Google Formulário de setembro a outubro de 2025. O objetivo foi focado em perguntas como a idade dos cães, conhecimento sobre a cinomose canina e a sua fatalidade, importância das campanhas informativas, cães com vacinação em dia, frequência de aplicação e a importância da mesma. Apesar do alto percentual de tutores de cães (88%), somente 69,7% afirmam ter conhecimento sobre a cinomose e apenas 47,9% consideram a cinomose uma doença grave e frequentemente fatal. Notou-se que apenas 57% mantêm as doses da vacina em dia, mas 93,7% entendem que a vacinação é indispensável para a saúde dos animais. Além disso, quase todos os participantes (99,3%) destacou a importância de campanhas de conscientização para influenciar a vacinação. Conforme o levantamento de dados, observa-se que grande parte dos tutores compreende a importância da vacinação, porém, a pesquisa indica que a grande maioria não segue o protocolo vacinal corretamente. Portanto, a implementação de campanhas, ações socioeducativas, ampliação do acesso à imunização são medidas de extrema importância para controle da cinomose, promovendo a saúde coletiva, pública e bem-estar animal.
Palavras-chave: cinomose canina, imunização, vacinação, conscientização, protocolo vacinal.
ABSTRACT
The objective of the present study was to evaluate the knowledge and awareness of residents of the Guarulhos region (SP) about the importance of vaccination in the fight against canine distemper. 142 people participated in the research, among them mainly dog owners (104 people), and the rest included veterinary medicine students, those who work with animals, and none above. To collect this data, we carried out a form on the Google online platform Form, from September to October 2025. The objective was focused on questions such as the age of the dogs, knowledge about canine distemper and its fatality, importance of information campaigns, dogs with vaccination up to date, frequency of application and the importance of it. Even though the highest percentage of people have dogs (88%), only 69.7% say they have heard about distemper and only 47.9% consider it a serious and often fatal disease. It was noted that only 57% keep the vaccine doses up to date, but 93.7% understand that vaccination is essential for the health of the animals. In addition, almost all participants (99.3%) highlighted the importance of awareness campaigns to influence vaccination. According to the data collection, it is observed that most tutors understand the importance of vaccination, however, the survey indicates that the vast majority do not follow the vaccination protocol correctly. Therefore, the implementation of campaigns, socio-educational actions, expansion of access to immunization are extremely important measures to control distemper, promoting collective and public health and animal welfare.
Keywords: canine distemper, immunization, vaccination, awareness, vaccination protocol.
1. OBJETIVOS
Como objetivo geral, priorizamos avaliar o nível de conhecimento de tutores de cães, estudantes de veterinária e profissionais que trabalham na área sobre a vacinação contra a cinomose na cidade de Guarulhos (SP), a fim de identificar as principais barreiras e influências para a imunização e percepção dos tutores sobre a importância das campanhas de conscientização. Como objetivos específicos iremos avaliar o grau de conhecimento dos tutores sobre a cinomose (sua gravidade, contato com a doença), vacinação (importância, frequência de reforço das doses, motivações e barreiras que interferem na aplicação à vacinação) e verificar a percepção sobre a relevância das campanhas informativas e do acompanhamento veterinário.
2. METODOLOGIA
Este trabalho foi conduzido por meio de uma pesquisa de campo, tendo como objetivo levantar dados sobre o nível de conhecimento dos tutores de cães a respeito da cinomose e da importância da vacinação como forma de prevenção. Junto foi realizado a pesquisa sobre a vacina e a doença, com abordagem quantitativa e descritiva onde pesquisamos em livros, dissertações e artigos científicos selecionados através de busca nas bases de dados: Google Scholar, Scientific Electronic Library Online – SciElo.
A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um questionário online, elaborado no Google Forms, divulgado preferencialmente para tutores de cães residentes da cidade de Guarulhos (SP). O questionário conta com perguntas objetivas e de múltipla escolha, abordando temas como: conhecimento sobre a cinomose, vacinação dos animais, frequência da imunização, acesso a serviços veterinários e percepção sobre os riscos da doença.
Os dados obtidos foram analisados de forma quantitativa, permitindo a elaboração de gráficos e tabelas que ajudaram a compreender o grau de conscientização da população local sobre a prevenção da cinomose por meio da vacinação. O levantamento tem como finalidade fornecer subsídios para campanhas de conscientização e reforçar a importância da imunização dos animais, contribuindo para a saúde animal e para a saúde pública.
O período dos artigos pesquisados foram os trabalhos publicados nos últimos 10 anos, utilizando os critérios de inclusão: publicados em português, inglês e espanhol e que retratem o tema abordado neste trabalho, para isso na busca serão utilizadas as seguintes palavras-chave: “Vacinação e vermifugação de cães e gatos”, “importância da vacinação na atualidade” e “doenças causas pela falta de vacinação”.
3. INTRODUÇÃO
É crescente a proximidade humana com animais de estimação, no Brasil estima-se que há entre 150 e 160 milhões de animais de estimação, sendo que aproximadamente 60 milhões são cães (Luiza Melo, Agência SENADO, 2024). A convivência com cães mostrou-se muito benéfica tanto para a saúde física quanto para a saúde mental do ser humano, percebe-se que essa aproximação impacta direta e indiretamente a rotina do tutor e do cão e isso exige constante atenção e cuidados. (Santos, R. P., Silva, A. N. da, & Pinto, E. V. 2024).
Manter as vacinas dos cães em dia é um ato que faz toda a diferença para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos animais, assim como daqueles que convivem com eles, o principal objetivo da vacinação é proteger o indivíduo contra determinadas infecções, interromper a transmissão ou prevenir os sinais clínicos e sintomas de uma doença (AMARO et al., 2016).
Apesar da importância de manter as vacinações dos cães atualizadas, ainda é alto o número de tutores que, pelos mais diversos motivos, não seguem à risca os protocolos de vacinação de seus animais de estimação, abrindo de maneira significativa os riscos para doenças infecciosas, como a cinomose. (Dacio e Souza, 2023).
A cinomose canina é uma doença infecciosa de importância significativa na clínica médica veterinária, provocada por um vírus da família Paramyxoviridae, o Canine morbillivirus. Trata-se de um agente viral com ampla gama de hospedeiros, capaz de causar imunossupressão severa, além de provocar distúrbios neurológicos graves devido à desmielinização progressiva. (ANDERSON et al., 2012; LIU et al., 2016).
Segundo Crivellentin & Borin-Crivellentin (2015), os sinais clínicos da cinomose são inespecíficos e podem apresentar-se de forma aguda ou subaguda, acometendo os sistemas gastrointestinal, respiratório e neurológico. O tratamento é restrito ao controle sintomático e deve ser ajustado conforme a progressão da doença. Brito et al. (2016) destacam que a maior incidência ocorre em filhotes entre 60 e 90 dias de idade, período no qual a queda da imunidade passiva materna favorece a instalação da infecção.
As infecções por Morbillivirus podem comprometer o sistema nervoso central, afetando tanto a substância branca quanto a cinzenta, resultando em sinais clínicos como convulsões, mioclonia, paresias, paralisias, alterações de comportamento e déficits proprioceptivos, podendo evoluir para óbito ou sequelas neurológicas permanentes (VON RÜDEN et al., 2021).
A profilaxia da cinomose baseia-se na utilização de vacinas atenuadas e polivalentes, que também conferem proteção contra outras enfermidades, como leptospirose, parvovirose e hepatite infecciosa canina (Gutiérrez et al., 2015). A presença de anticorpos maternos ou protocolos inadequados podem comprometer a eficácia vacinal. A imunidade passiva adquirida pelo colostro dura de uma a quatro semanas, devendo-se iniciar o protocolo vacinal após esse período, geralmente entre 6 e 16 semanas (Greene & Vandevelde, 2015). Angélico & Pereira (2012) recomendam a aplicação inicial na oitava semana, com reforços subsequentes em intervalos de 3 a 4 semanas.
Estudos recentes têm explorado diferentes estratégias terapêuticas para a cinomose em cães, entre as quais se destacam o emprego de nanopartículas de prata (GASTELUM-LEYVA et al., 2022), imunoterapia com diversos agentes (LIU et al., 2016; SARCHAHI; MOHEBALIAN; ARBABI, 2022), e antivirais como a ribavirina (MANGIA et al., 2014). Apesar dessas iniciativas, ainda não se dispõe de um tratamento específico padronizado para a doença, e a conduta clínica permanece baseada no suporte sintomático e intensivo. Nesse contexto, a vacinação se apresenta como a principal ferramenta de prevenção, sendo capaz de reduzir significativamente a morbidade e mortalidade associadas à infecção. No entanto, sua eficácia pode ser influenciada por diversos fatores, como a adequação do protocolo de vacinação, a estabilidade do imunobiológico, a resposta imunológica individual e a compatibilidade antigênica entre as cepas vacinais e as cepas selvagens em circulação (SQUIRES et al., 2024). No território brasileiro, predominam as variantes do vírus da cinomose pertencentes às linhagens Europa/América do Sul-1 e Rockborn-like (FREITAS et al., 2019), enquanto as vacinas utilizadas são derivadas, majoritariamente, das linhagens America-1 e Rockborn-like (KARKI; RAJAK; SINGH, 2022; FREITAS et al., 2019). Embora as vacinas sejam geralmente eficazes, falhas imunológicas podem ocorrer, especialmente quando os protocolos de imunização são inadequados ou inconsistentes.
Segundo Greene & Vandevelde (2015), as vacinas inativadas apresentam baixa eficácia imunológica, enquanto a vacina de vírus vivo modificado pode resultar em falso-positivos nos exames sorológicos até quatro semanas após a aplicação. Embora seja preconizado o uso trienal da vacina viva, a imunização anual é frequentemente adotada devido à dificuldade em avaliar a titulação de anticorpos. Destaca-se a importância de considerar condições como imunossupressão, que podem reduzir a resposta vacinal e, em alguns casos, predispor ao aparecimento da doença.
A conscientização é a chave para fortalecer a imunização. O papel dos médicos veterinários na saúde preventiva é estar atualizado sobre as diretrizes vacinais e capacitados para orientar, tirar dúvidas e esclarecer sobre a importância da vacinação dando ênfase aos perigos da não imunização. A disponibilização de promoção de vacinas com preços reduzidos principalmente em áreas de maior incidência da cinomose, aumentando a área de cobertura vacinal, pode diminuir consideravelmente a propagação da doença.
Considerando esses dados, esse trabalho tem como objetivo realizar um levantamento de dados e conscientização de tutores com alguns moradores de Guarulhos onde não há campanha de vacinação. Dando ênfase na vacinação como prevenção e controle da enfermidade, buscando evidenciar a relevância de políticas públicas eficazes na área da saúde animal e ações educativas, orientando os tutores sobre benefícios e responsabilidade para proteger seu cão, visando ampliar o entendimento sobre a imunização responsável.
4. RESULTADOS
Foram obtidos 142 resposta, entre homens e mulheres de forma anônima, sendo 104 tutores de cães (73.2%), 12 estudantes de veterinária (8.5%), 9 profissionais que trabalham com animais (6.3%) e 17 nenhuma das opções acima (12%) Constata-se que a maior porcentagem de respostas foi de tutores, que representa o público-alvo desejado nesse estudo. Tal predominância evidencia a importância desse levantamento para conscientização a fim de aumentar a taxa de vacinação conforme o gráfico 1. A pergunta 2 foi irrelevante para o resultado, já que a pergunta 3 nos levou ao total de animais. O total de cães está descrito no gráfico 2, colocamos de múltipla escolha pois alguns tutores têm mais de um, totalizando 162 cães no total.
Gráfico 1: Perfil dos participantes do estudo.

Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Gráfico 2: Faixa etária dos cães.

Fonte: Dados de pesquisa (2025)
4.1 Conhecimento sobre a cinomose
De acordo com os dados no gráfico 3, 69,7% dos entrevistados afirmam ter ouvido falar sobre a cinomose canina, enquanto 30,3% afirmaram não ter conhecimento sobre a doença. Diante deste resultado, embora a maioria possua um certo grau de familiaridade com a doença, ainda há uma parcela significativa da população que carece de informações sobre essa enfermidade viral, conhecida por alta taxa de letalidade entre cães. Mesmo 99 pessoas (69,7 %) já ter conhecimento prévio sobre a cinomose, apenas 68 (47,9%) a classificaram como uma doença grave e frequentemente fatal, e, 28,9% definem como grave, mas com possibilidade de tratamento. Além disso, 20,4% afirmaram não saber avaliar a gravidade da doença, e uma minoria a considera pouco grave, indicando que a maior parte compreende a seriedade da enfermidade, ainda existe falta de conhecimento preciso sobre seu potencial letal e riscos associados, como mostra o gráfico 4.
Gráfico 3: Consciência dos entrevistados sobre a cinomose.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
Gráfico 4: Conhecimento sobre a gravidade da cinomose.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
4.2 Experiência e vacinação
Sobre o conhecimento a respeito de cães que já contraíram cinomose, 44,4% dos participantes declaram já ter conhecido um cão que contraiu a cinomose, enquanto que 55,6% nunca teve contato com casos da doença. Tal evidência sugere que, apesar de ser reconhecidamente grave, ainda não é amplamente percebida por parte da população, conforme gráfico 5.
Gráfico 5: Conhecimento sobre cão acometido pela cinomose.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
No gráfico 6, 57% mantêm o protocolo vacinal completo, 16,2% estão com as vacinas atrasadas, 17,6% nunca vacinaram seus cães e apenas 4,2% estão com o protocolo vacinal de filhote. Mesmo a maioria cumprindo corretamente o calendário de imunização, uma fração considerável apresenta falha na imunização colocando em risco a saúde animal e a saúde pública.
Gráfico 6: Vacinação em dia.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
4.3 Motivações e barreiras para a vacinação
Segundo os dados do gráfico 7, de múltipla escolha, a prevenção de doenças é o motivo principal para manter a vacinação em dia sendo selecionada por (90,1%) dos participantes, seguida pela recomendação do médico veterinário (16,2%) e em menor proporção a exigência de serviços como hotéis, creches e banho e tosa. Apenas uma pequena porcentagem (2,8%) não atribuem importância à vacinação. Esses dados indicam que a prevenção à saúde animal permanece como principal motivador da vacinação.
Gráfico 7: Principais motivos de vacinar.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
Em seguida, conforme o gráfico 8 também de múltipla escolha, 59,2% dos tutores afirmam manter a vacinação em dia. Os obstáculos mais comuns encontrados incluem esquecimento (14,8%), falta de informação (14,1%), alto custo (12,7%) e dificuldade de acesso a serviços veterinários (10,6%). Embora apenas 1,4% relatem receio de efeitos adversos, isso evidencia que as barreiras à vacinação estão mais relacionadas a fatores logísticos e limitações de informações, e não de desconfiança.
Gráfico 8: Barreiras da vacinação

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
4.4 Frequência e importância da vacinação
Os resultados do gráfico 9 evidenciam a necessidade da importância de ações educativas sobre os protocolos vacinais, voltada ao esclarecimento da necessidade do reforço anual. 61,3% dos tutores acreditam que a vacina contra cinomose deve ser aplicada uma vez por ano, ao passo que 28,9% desconhecem a frequência ideal, 4,9% a cada três anos e 4,9% acreditam que a vacinação deve ocorrer apenas na fase de filhote. O gráfico 10 observa-se que 93,7% classificou a vacinação como extremamente importante, atribuindo nota máxima (5), demonstrando alto grau de conscientização dos tutores no seu papel da manutenção da saúde animal em relação à vacinação.
Gráfico 9: Frequência de vacinação.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
Gráfico 10: Importância da vacinação na saúde dos cães.

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
Por fim, 99,3% dos entrevistados acreditam que campanhas informativas sobre doenças como a cinomose contribuem para o aumento da vacinação, reforçando a importância de ações socioeducativas, engajamento dos profissionais veterinários e estratégias de campanhas preventivas para disseminação de informações para a saúde preventiva, de acordo com o gráfico 11.
Gráfico 11: Importância das campanhas de conscientização

Fonte: Dados de pesquisa (2025).
5. DISCUSSÃO
Os resultados obtidos deste estudo apresentam que, embora a maioria dos tutores compreendem a importância da vacinação, ainda persistem lacunas significativas quanto ao cumprimento adequado dos protocolos vacinais recomendados. Observou-se 69,7% dos entrevistados já ouviram falar sobre a cinomose, porém, apenas 47,9% a consideram como uma doença grave e potencialmente fatal. Esses dados evidenciam que a simples familiaridade com o tema não garante uma prática vacinal eficiente, reforçando as observações de Dacio e Souza (2023), que ressaltam a necessidade de programas voltados à conscientização sobre a gravidade da doença e a importância da vacinação em dia.
Com as informações de que 57% dos tutores mantém a vacinação em dia de seus animais, enquanto 17,6% nunca vacinou seus cães, revela uma adesão parcial dos protocolos recomendados para a imunização. Achados esses semelhantes ao relatado por Amaro et al. (2016) e Santos, Silva e Pinto (2024), que detectaram baixos índices de cobertura vacinal em locais diversos do país. Entre os possíveis fatores apontados nesse trabalho que explicam essa deficiência estão a desinformação, conscientização, desinteresse, limitações econômicas e de acesso, também apontadas por Dacio e Souza (2023).
Cipriano et al. (2025) e Freire e Moraes (2019), destacam que a baixa taxa de vacinação não está associada a dúvidas quanto a eficácia das vacinas, mas os fatores socioeconômicos e aspectos práticos, como vemos no gráfico 7, em que o motivo mais votado para vacinação dos cães está na prevenção de doenças (90,1%) sendo uma posição positiva em relevância a imunização. Por outro lado, os fatores de barreiras da vacinação (gráfico 8), o esquecimento (14,8%), a desinformação (14,1%) e o custo elevado (12,7%) são os principais motivos para a não imunização.
Em concordância com Angélico e Pereira (2012) e Greene & Vandevelde (2015), que enfatizam a necessidade do reforço anual para a eficácia da resposta imunológica, os dados indicam que 61,3% dos tutores concordam que a vacina deve ser aplicada uma vez ao ano, enquanto 28,9% desconhecem a frequência correta do reforço, esse nível de desconhecimento compromete a proteção imunológica dos cães, representando risco e enfatizando a importância do reforço anual. Vale ressaltar que a decisão e a frequência da vacinação pode variar de acordo com o tipo de vacina, o risco de exposição do animal e a recomendação do médico veterinário, o que torna essencial a consulta regular com esse profissional para assegurar a proteção adequada.
A quase unanimidade da vacinação ser de extrema importância na manutenção de saúde dos cães (93,7%) e 99,3% reconhecerem que campanhas de conscientização são eficazes para a adesão da imunização, evidencia uma predisposição positiva dos tutores ao aumento das práticas preventivas. Este cenário reforça o papel do médico veterinário como figura essencial na educação da população e promoção da saúde pública e orientação à população, conforme destaca Santos, Silva e Pinto (2024). Como apontam Brito et al. (2016) e Freitas et al. (2019), desta forma a ampliação das campanhas de vacinação e serviço veterinário acessível, especialmente em áreas de menor poder aquisitivo, pode contribuir positivamente para o aumento da cobertura vacinal e redução significativa em casos de cinomose.
Após essa análise, concluímos que embora uma taxa alta de tutores reconheça que a vacinação é importante, a pesquisa evidência uma divergência na execução do protocolo vacinal, sendo assim reforça a necessidade de campanhas educativas mensais para evitar o esquecimento e a desinformação, além de políticas públicas voltadas ao incentivo da imunização com programas de baixo custo ampliando o acesso às vacinas, contribuindo para o controle da cinomose canina, além de outras doenças com o fortalecimento da comunicação entre tutores e médicos veterinários, para orientações adequadas sobre protocolo vacinal e reforço, promovendo a saúde animal e pública.
REFERÊNCIAS
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Acesso em: 10 jun. 2025.
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DO GOOGLE FORMS
Importância da vacinação contra cinomose em cães; formulário sobre vacinação para levantamento de dados.
- Você é:
( ) Tutor de cães
( ) Estudante de veterinária
( ) Trabalha com animais
( ) Nenhum acima
- Quantos cães você possui atualmente?
( ) Nenhum
( ) 1
( ) 2 a 3
( ) Mais de 3
- Qual a idade do(s) seu(s) cão(ães)? (Múltipla escolha)
( ) Filhote (até 1 ano)
( ) Adulto (1 a 7 anos)
( ) Idoso (acima de 7 anos)
- Você já ouviu falar sobre a cinomose canina?
( ) Sim
( ) Não
- Na sua opinião, a cinomose é:
( ) Uma doença pouco grave
( ) Uma doença grave, mas tratável
( ) Uma doença grave e frequentemente fatal
( ) Não sei
- Você conhece algum cão que já teve cinomose?
( ) Sim, todas as doses
( ) Não, está atrasada
( ) Nunca vacinei contra cinomose
( ) Não sei informar
( ) Está no protocolo vacinal de filhote
- Seu(s) cão(ães) está(ão) com a vacinação contra a cinomose em dia (V6, V8, V10)?
( ) Sim, todas as doses
( ) Não, está atrasada
( ) Nunca vacinei contra cinomose
( ) Não sei informar
( ) Está no protocolo vacinal de filhote
- Qual o principal motivo de manter a vacinação do seu cão em dia? (Múltipla escolha)
( ) Prevenção de doenças
( ) Indicação do médico veterinário
( ) Exigência de hotéis/creches para cães
( ) Exigência do banho e tosa
( ) Não acho importante vacinar
- Caso não vacine, qual o principal motivo? (Múltipla escolha)
( ) Falta de informação
( ) Custo elevado
( ) Dificuldade de acesso à clínica/vacina
( ) Medo de efeitos adversos
( ) Esquecimento
( ) Eu vacino
- Com que frequência você acredita que a vacina contra cinomose deve ser aplicada (V6, V8, V10)?
( ) Uma vez por ano
( ) A cada três anos
( ) Somente na fase de filhote
( ) Não sei
- Em uma escala de 1 a 5, em sua opinião qual a importância da vacinação para a saúde dos cães?
( ) 1 nada importante
( ) 2
( ) 3
( ) 4
( ) 5 extremamente importante
- Você acredita que campanhas de conscientização sobre doenças como a cinomose ajudariam a aumentar a vacinação?
( ) Sim
( ) Não
