REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202512210948
Fernanda Pimenta Moura1
Beatriz Bezerra da Silva2
Alexandra Isabel De Amorim Lino3
RESUMO
O choque constitui uma condição clínica grave que pode manifestar-se em diferentes fases do cuidado cirúrgico, representando elevado risco à vida do paciente. Objetivo: identificar e sintetizar os principais sinais e sintomas de choque no contexto do centro cirúrgico Método: trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Foram analisados sete estudos, incluindo relatos de caso, estudo transversal, ensaio clínico e revisão, que abordaram distintas etiologias do choque hemorrágico, tais como lesões iatrogênicas, complicações pós-operatórias e traumas complexos. Resultados: evidenciam que sinais como hipotensão, taquicardia, queda abrupta da hemoglobina, palidez e sudorese fria devem ser prontamente reconhecidos, especialmente pela equipe de enfermagem, cuja atuação é fundamental para a segurança do paciente e a efetividade das intervenções. Conclusão: a identificação precoce e o manejo adequado do choque no ambiente cirúrgico são estratégias essenciais para a redução da morbimortalidade e a otimização dos cuidados pré-operatórios.
Palavras-chave: Choque Hemorrágico; Centro Cirúrgico; Enfermagem; Sinais e sintomas; Diagnóstico Precoce.
ABSTRACT
Shock is a serious clinical condition that can manifest at different stages of surgical care, representing a high risk to the patient’s life. Objective: to identify and synthesize the main signs and symptoms of shock in the context of the surgical center. Method: this is an integrative literature review. Seven studies were analyzed, including case reports, a cross-sectional study, a clinical trial, and a review, which addressed different etiologies of hemorrhagic shock, such as iatrogenic injuries, postoperative complications, and complex traumas. Results: show that signs such as hypotension, tachycardia, abrupt drop in hemoglobin, pallor, and cold sweats should be promptly recognized, especially by the nursing team, whose role is fundamental to patient safety and the effectiveness of interventions. Conclusion: early identification and appropriate management of shock in the surgical environment are essential strategies for reducing morbidity and mortality and optimizing perioperative care.
Keywords: Hemorrhagic Shock; Surgical Center; Nursing; Signs and Symptoms; Early Diagnosis.
INTRODUÇÃO
O choque é uma condição clínica grave e multifatorial que representa uma das principais causas de morbimortalidade em ambientes hospitalares, especialmente no contexto cirúrgico. Caracteriza-se por uma falência circulatória aguda, na qual o sistema cardiovascular é incapaz de manter a perfusão adequada dos tecidos, resultando em hipóxia celular, disfunção orgânica e, se não tratado precocemente, morte do paciente (BLUMLEIN, 2022).
No centro cirúrgico, o choque pode se manifestar em diferentes fases do cuidado, pré, trans e pós-operatória e sua identificação precoce é essencial para a implementação de intervenções eficazes que possam reverter o quadro clínico e evitar complicações graves (MEDEIROS et al., 2018).
A literatura classifica o choque em quatro tipos principais: hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo e distributivo. Cada um desses tipos possui etiologias distintas, mas podem coexistir ou se sobrepor em situações clínicas complexas, exigindo do profissional de saúde uma avaliação criteriosa para determinar o mecanismo predominante e orientar o tratamento adequado (FERRAZ, 2024).
No ambiente cirúrgico, o choque hipovolêmico é o mais prevalente, frequentemente associado a hemorragias agudas, traumas, grandes intervenções cirúrgicas, queimaduras extensas e complicações obstétricas (ROHR; NICODEM; CASTRO, 2018).
As afecções cirúrgicas que mais frequentemente levam ao choque são: traumas em geral; hemorragias agudas; infecções; desidratação, queimaduras extensas; grandes intervenções cirúrgicas; hemorragias maternas; embolia pulmonar; tamponamento cardíaco; entre outras. (MEDEIROS, et al, 2018).
Embora mais comumente se pense no cenário de trauma, existem numerosas causas de choque hemorrágico (hipovolêmico), sendo o mais comum dos choques, no ambiente cirúrgico, mais frequente na cirurgia cardiovascular, cuidados intensivos, cardiologia, obstetrícia e cirurgia geral, com trauma que utiliza mais de 75% dos produtos sanguíneos. (MEDEIROS, et al, 2018).
O choque continua sendo um dos quadros clínicos mais complexos entre as emergências médicas, resultando em índices altos de letalidade, e isso se deve à combinação entre terapêutica inadequada, conhecimento insuficiente, e principalmente o diagnóstico tardio. Por se manifestar com sinais e sintomas inespecíficos, é necessária uma cuidadosa avaliação com o objetivo de uma identificação precoce a fim de corrigir as disfunções, já que quanto mais precoce o tratamento, melhor o prognóstico para o paciente. (Rohr, Nicodem, Castro, 2018).
É importante destacar que as complicações cirúrgicas são fatores potencialmente controláveis, que contribuem para os altos custos da assistência, bem como para a morbidade e a mortalidade dos pacientes. Contudo, a temática se faz necessária no ambiente cirúrgico, propiciando a identificação dos sinais e sintomas precocemente para uma intervenção rápida e eficaz. (MARQUES et al, 2023).
A complexidade do diagnóstico do choque reside na inespecificidade de seus sinais e sintomas iniciais, como hipotensão, taquicardia, palidez, sudorese fria, confusão mental e oligúria. Esses sinais podem ser facilmente atribuídos a outras condições clínicas, o que contribui para o atraso na identificação e no início do tratamento (MARQUES et al., 2023).
A literatura aponta que o tempo de resposta é um fator crítico para o prognóstico do paciente, sendo que intervenções precoces estão diretamente relacionadas à redução da mortalidade e à melhora dos desfechos clínicos (CURRY; BROHI, 2020).
Além disso, as complicações cirúrgicas decorrentes do choque não apenas comprometem a recuperação do paciente, mas também impactam significativamente os custos hospitalares e a eficiência dos serviços de saúde. Por esse motivo, torna-se imprescindível que os profissionais de enfermagem estejam capacitados para reconhecer os sinais precoces de choque, compreender sua fisiopatologia e atuar de forma rápida e assertiva no manejo clínico (RODRIGUEZ et al., 2022).
Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura para identificar e sintetizar os principais sinais e sintomas de choque no centro cirúrgico, destacando a importância do reconhecimento precoce por parte da equipe de enfermagem como estratégia para otimização do cuidado intra e pós-operatório, prevenção de complicações e promoção da segurança do paciente.
OBJETIVO
Identificar e sintetizar os principais sinais e sintomas de choque no centro cirúrgico.
MATERIAIS E MÉTODO
Revisão integrativa da literatura, conforme metodologia proposta por Souza, Silva e Carvalho (2010), que permite a síntese de estudos teóricos e empíricos. Foram utilizadas as bases de dados BVS, PUBMED e Goolge acadêmico, com os descritores “perioperative”, “shock” e “surgery”. A seleção seguiu os critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, com apresentação dos resultados conforme o modelo PRISMA.
O percurso metodológico seguirá as seguintes etapas:
1. Identificação do tema: A importância da identificação de sinais e sintomas de choque no centro cirúrgico uma revisão integrativa na literatura.
2. Formulação de uma questão norteadora: Como identificar precocemente os sinais e sintomas de choque no centro cirúrgico pode influenciar na redução da mortalidade e complicações intra e pós-operatórias?
P- Pacientes submetidos a procedimento cirúrgico I – apresentaram choque C – identificação de sinais e sintomas de choque O- tipos de choque
3. Busca das evidências científicas:
a) Critérios de Inclusão: artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais de enfermagem, nos idiomas português, espanhol e inglês, publicados no período de ….., que abordem ….
b) Critérios de exclusão: foram excluídas teses, dissertações e artigos não encontrados em versão completam e aqueles que se encontravam repetidos nas bases de dados.
c) Bases de Dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PUBMED E google escolar, utilizando os descritores: perioperative AND shock AND surgery
4. Avaliação das evidências científicas: A seleção dos estudos seguiu as recomendações do PRISMA 2020. A busca foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico, utilizando os descritores perioperative AND shock AND surgery, resultando em 105 registros. Após a triagem por meio da leitura dos títulos, 77 estudos foram excluídos. Os 28 registros restantes tiveram seus resumos avaliados para elegibilidade, sendo excluídos 21 artigos por não responderem à pergunta norteadora. Ao final, 7 estudos foram incluídos na revisão.
5. Avaliação da aplicabilidade clínica das evidências: as evidências relacionadas serão apresentadas nos resultados e discussão da temática.

RESULTADOS
A análise dos sete estudos selecionados permitiu identificar abordagens clínicas diversas e aspectos críticos relacionados ao manejo do choque hemorrágico em contextos cirúrgicos e traumáticos. A seguir, apresenta-se a síntese dos artigos incluídos na revisão:
Tabela 1: Síntese dos artigos incluídos na revisão


Fonte: Autoria própria.
A análise dos sete estudos selecionados permitiu a identificação de abordagens clínicas diversas e aspectos críticos relacionados ao manejo do choque hemorrágico em contextos variados, desde complicações pós-operatórias até eventos traumáticos agudos.
A maioria dos estudos apresenta delineamento de relato de caso, evidenciando a raridade e complexidade das situações descritas, o que reforça a importância do reconhecimento precoce e da tomada de decisões clínicas assertivas diante de quadros hemorrágicos atípicos.
O primeiro estudo foi de Chen et al. (2023) – E1 descreve um caso de hemorragia intraoperatória associada à sepse enterogênica emergente durante hepatectomia, enfatizando a necessidade de se considerar a sepse como fator complicador relevante diante de instabilidade hemodinâmica. O conhecimento prévio sobre os mecanismos fisiopatológicos da sepse enterogênica, assim como os fatores de risco implicados, é apresentado como elemento fundamental para decisões anestésicas seguras em ambientes cirúrgicos complexos.
De forma semelhante, Hua et al. (2024), segundo estudo analisado – E2, relataram um caso de choque hemorrágico decorrente de lesão diafragmática iatrogênica após nefrolitotomia percutânea, destacando a importância de suspeita clínica em situações de derrame pleural sem causa evidente. A condução terapêutica incluiu procedimentos como toracocentese diagnóstica e exploração torácica, ilustrando condutas resolutivas diante de complicações potencialmente fatais, ainda que pouco frequentes.
O relato de Cuadrado et al. (2024), E3, reforça a necessidade de vigilância em casos pós-operatórios de anastomose colorretal, nos quais a ruptura de pseudoaneurisma da artéria hipogástrica se mostrou causa rara de choque hipovolêmico. O estudo sustenta que, diante de sangramento retal maciço e histórico de vazamento anastomótico, o pseudoaneurisma deve ser considerado diagnóstico diferencial relevante, sendo a embolização endovascular o tratamento de escolha, conforme evidenciado na literatura especializada (Teixeira et al., 2020).
Em contexto neurológico, Kang et al. (2023), E4 relatam uma complicação grave de constipação crônica em paciente com síndrome da cauda equina (CES), resultando em úlcera estercoral perfurada com hematoma epidural e choque hemorrágico. O estudo discute fatores de risco como idade avançada, cirurgias extensas da coluna, tempo operatório prolongado e uso de narcóticos no perioperatório, todos potencialmente implicados na gênese da úlcera. Reforça-se, portanto, a importância do rastreio precoce dessas complicações em pacientes com disfunção autonômica intestinal.
O estudo de Rodriguez et al. (2022), E5, investigou preditores de mortalidade precoce em pacientes com trauma hemorrágico complexo, identificando a associação significativa entre óbito precoce e variáveis como hipotermia, acidose metabólica, coagulopatia e trauma penetrante. Esses achados estão em consonância com a tríade letal do trauma (Balogh et al., 2019), reiterando a urgência de medidas sistematizadas de ressuscitação hemostática.
No estudo experimental conduzido por Zhaojin et al. (2022), sexto estudo analisado E6, observou-se o efeito protetor da dexmedetomidina sobre a função renal em modelo de choque hemorrágico. A substância demonstrou capacidade de reduzir a liberação de radicais livres na fase aguda e na recuperação, sugerindo benefícios adjuvantes ao manejo hemodinâmico tradicional. A proposta reforça a necessidade de investigação contínua de estratégias farmacológicas para mitigação de lesões orgânicas secundárias ao choque.
Por fim, a revisão de Curry e Brohi (2020), sétimo e último estudo analisado E7, traz uma análise histórica e contemporânea sobre o manejo perioperatório do trauma hemorrágico. O estudo sublinha os avanços das últimas décadas no conceito de controle de danos, permitindo que pacientes anteriormente suscetíveis a óbito ainda no local do trauma hoje sobrevivam até a UTI em melhores condições fisiológicas, graças a intervenções precoces, uso racional de hemoderivados e correção da coagulopatia.
Os estudos reforçam que, embora o choque hemorrágico seja frequentemente associado a trauma, ele pode emergir de causas insidiosas no perioperatório, como demonstrado nas lesões diafragmáticas (Hua et al., 2024) e nas úlceras estercorais (Kang et al., 2023). A vigilância constante de sinais como hipotensão refratária, taquicardia persistente e queda abrupta da hemoglobina, ainda que inespecíficos, pode evitar a progressão para estados de hipoperfusão crítica e falência orgânica.
DISCUSSÃO
A análise dos sete estudos incluídos nesta revisão integrativa evidencia a complexidade do choque hemorrágico no contexto cirúrgico e traumático, bem como a importância do reconhecimento precoce dos sinais e sintomas para a tomada de decisões clínicas eficazes. Embora o choque seja frequentemente associado a traumas agudos, os relatos analisados demonstram que ele também pode emergir de causas insidiosas e complicações pós-operatórias, exigindo vigilância constante da equipe de enfermagem.
O estudo de CHEN et al. (2023) destaca a associação entre choque hemorrágico e sepse enterogênica emergente durante hepatectomia, ressaltando que alterações hemodinâmicas persistentes, como hiperlactatemia e oligúria, podem sinalizar disfunções sistêmicas além da perda sanguínea. A familiaridade com os mecanismos fisiopatológicos da sepse é essencial para decisões anestésicas seguras em ambientes cirúrgicos complexos.
HUA et al. (2024) relatam um caso raro de lesão diafragmática iatrogênica após nefrolitotomia percutânea, que resultou em hemotórax e choque hemorrágico. A presença de efusão pleural e queda abrupta da hemoglobina, sem causa evidente, foi determinante para o diagnóstico. Este estudo reforça a importância da suspeita clínica diante de sinais inespecíficos e da realização de exames complementares como toracocentese e exploração torácica.
O relato de CUADRADO et al. (2024) evidencia a ruptura de pseudoaneurisma da artéria hipogástrica como complicação tardia de anastomose colorretal. A manifestação clínica de rectorragia maciça, hipotensão e taquicardia exige diagnóstico diferencial preciso e intervenção endovascular imediata. A embolização com cianoacrilato mostrou-se eficaz, corroborando a literatura especializada sobre o manejo de hemorragias arteriais (TEIXEIRA et al., 2020).
Em contexto neurológico, KANG et al. (2023) descrevem um caso de úlcera estercoral perfurada em paciente com síndrome da cauda equina, resultando em choque hemorrágico. Fatores como constipação crônica, uso de narcóticos e tempo operatório prolongado foram implicados na gênese da lesão. O estudo reforça a necessidade de rastreio precoce de complicações gastrointestinais em pacientes com disfunção autonômica.
O estudo transversal de RODRIGUEZ et al. (2022) identificou quatro preditores de mortalidade precoce em trauma hemorrágico complexo: hipotermia, acidose metabólica, coagulopatia aguda e trauma penetrante. Esses achados estão alinhados com a tríade letal do trauma (BALOGH et al., 2019), evidenciando a importância da abordagem sistematizada e da ressuscitação hemostática precoce.
ZHAOJIN et al. (2022) investigaram o efeito da dexmedetomidina na função renal em pacientes com choque hemorrágico, observando redução de marcadores inflamatórios e estresse oxidativo. Embora o artigo tenha sido posteriormente retratado, os achados iniciais sugerem potencial terapêutico da substância como adjuvante no manejo hemodinâmico e na prevenção de lesão renal aguda.
Por fim, a revisão de CURRY e BROHI (2020) apresenta avanços significativos no manejo perioperatório do trauma hemorrágico, destacando o conceito de ressuscitação de controle de danos. A aplicação de protocolos baseados em evidências, uso racional de hemoderivados e correção precoce da coagulopatia têm permitido que pacientes em estado crítico cheguem à UTI em melhores condições fisiológicas.
Os estudos analisados reforçam que o choque hemorrágico, embora frequentemente associado a trauma, pode surgir de causas diversas e insidiosas no perioperatório. A identificação precoce de sinais como hipotensão refratária, taquicardia persistente, queda abrupta da hemoglobina, palidez, sudorese fria e confusão mental é fundamental para evitar a progressão para estados de hipoperfusão crítica e falência orgânica.
O papel da enfermagem é decisivo nesse processo, sendo essencial a capacitação contínua para o reconhecimento clínico e a atuação rápida diante de situações emergenciais.
A literatura científica evidencia que a vigilância contínua de sinais clínicos no período perioperatório é uma estratégia fundamental para a identificação precoce de instabilidade hemodinâmica e prevenção de complicações graves. Estudos apontam que alterações como hipotensão refratária, taquicardia persistente e queda abrupta dos níveis de hemoglobina, embora apresentem caráter inespecífico quando avaliadas isoladamente, adquirem relevância clínica quando interpretadas de forma integrada e contextualizada. (SINGER,2016)
A análise conjunta desses parâmetros permite reconhecer precocemente quadros de choque em desenvolvimento, favorecendo intervenções oportunas e redução da morbimortalidade. (SINGER,2016)
Os estudos analisados nesta revisão integrativa indicam que a persistência de hipotensão e taquicardia no pós-operatório está associada a estados de hipoperfusão tecidual e aumento do risco de disfunção orgânica. Os sinais refletem mecanismos compensatórios frente à redução do volume circulante efetivo ou à vasodilatação sistêmica, sendo considerados marcadores precoces de choque. ( CECIL; GOLDMAN; SCHAFER, 2020)
A vigilância sistemática desses parâmetros, associada à monitorização laboratorial, é apontada como uma medida essencial para interromper a progressão da cascata fisiopatológica que culmina em falência orgânica múltipla. ( CECIL; GOLDMAN; SCHAFER, 2020)
No que se refere às alterações laboratoriais, a queda abrupta da hemoglobina no período perioperatório pode indicar sangramento oculto ou perda sanguínea significativa, mesmo na ausência de manifestações clínicas evidentes. Os estudos incluídos reforçam que a identificação precoce desse achado possibilita a adoção de intervenções terapêuticas imediatas, como reposição volêmica, transfusão sanguínea e investigação da fonte do sangramento. (MILLER, 2020)
Dessa forma, a vigilância clínica associada à avaliação laboratorial contínua configura-se como um componente essencial na prevenção da hipoperfusão crítica e na redução da incidência de falência orgânica em pacientes cirúrgicos. (MILLER, 2020)
CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa evidenciou que o choque hemorrágico no ambiente cirúrgico é uma condição clínica de alta complexidade, cuja identificação precoce é determinante para a redução da morbimortalidade e para a otimização dos cuidados intra e pós-operatórios. Os estudos analisados demonstram que, embora o choque seja frequentemente associado a traumas agudos, ele também pode surgir de causas insidiosas, como complicações pós-cirúrgicas, lesões iatrogênicas e alterações fisiopatológicas secundárias.
A diversidade dos casos clínicos apresentados reforça a importância da capacitação contínua da equipe de enfermagem, especialmente no centro cirúrgico, para o reconhecimento de sinais e sintomas como hipotensão refratária, taquicardia persistente, queda abrupta da hemoglobina, palidez, sudorese fria e alterações neurológicas. Esses sinais, ainda que inespecíficos, devem ser interpretados com atenção e rapidez, pois representam os primeiros indícios de hipoperfusão tecidual e risco iminente de falência orgânica.
Além disso, os avanços nas estratégias terapêuticas, como a ressuscitação de controle de danos e o uso racional de hemoderivados, têm contribuído significativamente para a melhoria dos desfechos clínicos em pacientes com choque hemorrágico. A atuação proativa e baseada em evidências da equipe de enfermagem é essencial para garantir a segurança do paciente e a eficácia das intervenções.
Portanto, este estudo reafirma que o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de choque no centro cirúrgico é uma prática fundamental e estratégica, que deve ser incorporada à rotina assistencial como medida preventiva e resolutiva frente às complicações graves que podem comprometer a vida do paciente.
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1Enfermeira, Residente de Enfermagem em Centro Cirúrgico, Escola Superior de Ciências da Saúde – ESCS, Brasília-DF, Brasil. (https://orcid.org/0000-0002-1311-4176)
2Enfermeira, Residente de Enfermagem em Centro Cirúrgico, Escola Superior de Ciências da Saúde – ESCS, Brasília-DF, Brasil.(https://orcid.org/0009-0003-8062-4269)
3Enfermeira, Mestre em enfermagem. Tutora do Programa de Residência Uniprofissional de Enfermagem em Centro Cirúrgico da Escola Superior de Ciências da Saúde da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde/SES. Brasília, Distrito Federal, Brasil.(https://orcid.org/0000-0003-0988-2284); alexandra.lino2@gmail.com;
