THE IMPORTANCE OF ORAL HYGIENE IN THE HOSPITAL SETTING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512131245
Débora Nogueira; Rafaela Diniz Correia; Bruna Assumpção de Sousa; Daniel Ricardo Dias; Edlaine Rodrigues da Silva; Guilherme Cividanis Alves; Izabela da Cunha Costa; Juliana Klen; Maria Fernanda Ferreira dos Santos; Michele Caroline de Araújo Silva; Raiane Aparecida Silva; Orientadora: Luciana A. P. Santos.
Resumo
A higiene oral no ambiente hospitalar é um componente essencial do cuidado integral à saúde e assume papel fundamental na prevenção de complicações respiratórias e infecciosas em pacientes críticos. Este estudo foi realizado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) de um grande hospital da região metropolitana de Belo Horizonte, com o objetivo de analisar a importância da saúde oral em pacientes internados e sua relação com o surgimento de complicações, como a pneumonia aspirativa. Diante disso, a pesquisa baseou-se em revisão bibliográfica de 15 artigos publicados entre 2010 e 2025, além de coleta de dados realizada com pacientes internados no CTI, durante o período de 22/10 a 04/11/2025.
Os resultados mostraram que aproximadamente 45% das avaliações sobre os cuidados de higiene oral foram classificadas como “regulares”, enquanto 25% apresentaram desempenho “satisfatório” e 30% foram consideradas “insatisfatórias”. Esses números evidenciam que, embora as práticas estejam parcialmente adequadas, ainda há necessidade de melhorias técnicas, capacitação contínua e padronização dos protocolos assistenciais. A análise também reforçou a importância da atuação da equipe de enfermagem na execução e supervisão da higiene oral, uma vez que a ausência desse cuidado adequado pode favorecer a colonização bacteriana e aumentar o risco de infecções respiratórias graves em pacientes sob ventilação mecânica ou com baixa imunidade.
Portanto, conclui-se que a higiene oral deve ser incorporada como uma rotina sistematizada e prioritária no plano de cuidados de enfermagem, sendo uma medida de prevenção eficaz, segura e de baixo custo. A educação permanente dos profissionais, aliada à integração multiprofissional e à oferta adequada de recursos, é essencial para garantir a qualidade da assistência e reduzir complicações associadas à má higiene oral. Dessa forma, investir em protocolos bem estruturados, treinamentos práticos e políticas institucionais de apoio fortalece a humanização do cuidado e contribui para a recuperação e segurança dos pacientes em terapia intensiva.
Palavras-chave: Higiene Bucal; Índice de Higiene Oral; Educação em Enfermagem; Assistência de Enfermagem; Cuidados da Enfermagem
Abstract
Hospital oral hygiene is an essential component of comprehensive health care and plays a fundamental role in preventing respiratory and infectious complications in critically ill patients. This study was conducted in the Intensive Care Unit (ICU) of a large hospital in the metropolitan region of Belo Horizonte, with the aim of analyzing the importance of oral health in hospitalized patients and its relationship with the emergence of complications, such as aspiration pneumonia. Therefore, the research was based on a literature review of 15 articles published between 2010 and 2025, in addition to data collection carried out with patients hospitalized in the ICU, during the period from 10/22 to 11/04/2025.
The results showed that approximately 45% of the evaluations of oral hygiene care were classified as “fair,” while 25% showed “satisfactory” performance and 30% were considered “unsatisfactory.” These numbers show that, although practices are partially adequate, there is still a need for technical improvements, continuous training, and standardization of care protocols. The analysis also reinforced the importance of the nursing team’s role in performing and supervising oral hygiene, since the absence of this adequate care can favor bacterial colonization and increase the risk of severe respiratory infections in patients on mechanical ventilation or with low immunity.
Therefore, it is concluded that oral hygiene should be incorporated as a systematized and priority routine in the nursing care plan, being an effective, safe, and low-cost preventive measure. The continuing education of professionals, combined with multiprofessional integration and the adequate provision of resources, is essential to ensure the quality of care and reduce complications associated with poor oral hygiene. Thus, investing in well-structured protocols, practical training, and institutional support policies strengthens the humanization of care and contributes to the recovery and safety of patients in intensive care.
Keywords: Oral Hygiene; Oral Hygiene Index; Nursing Education; Nursing Care; Nursing Care
1 INTRODUÇÃO
A higiene oral é um componente essencial do cuidado integral à saúde e assume papel de destaque no contexto hospitalar, visto que os pacientes se encontram frequentemente em condições clínicas de vulnerabilidade e a má higienização pode desencadear efeitos adversos graves. Nesse sentido, a promoção da saúde oral torna-se uma estratégia fundamental para a prevenção de complicações, contribuindo para a recuperação do paciente e a redução de infecções hospitalares. Sendo assim, esse trabalho tem como objetivo abordar a importância da saúde oral em pacientes internados no Centro de Terapia Intensiva (C.T.I.) e a partir dos resultados obtidos, analisar a relação entre a higiene oral e possíveis complicações respiratórias, como a pneumonia aspirativa, frequentemente associada à má higiene oral em pacientes críticos. (BATISTA, 2022)
2 METODOLOGIA
Os artigos selecionados para este trabalho foram analisados na base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde, na base de dados MEDLINE e na Biblioteca Virtual SciELO. De 86 artigos encontrados, foram analisados 15 artigos no intervalo entre 2010 a 2025, utilizando os seguintes descritores: Higiene Bucal; Índice de Higiene Oral; Educação em Enfermagem; Assistência de Enfermagem; Cuidados da Enfermagem. Um dos critérios de inclusão foi a presença de artigos publicados com idioma em Português e Inglês, não sendo incluídos artigos espanhol. Além disso, foi realizada uma coleta de dados obtidos a partir da avaliação das condições de saúde oral dos pacientes internados no C.T.I. de um grande hospital da região metropolitana de Belo Horizonte, durante um período de duas semanas (22/10/2025 à 04/11/2025) .
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A higiene oral é definida como o conjunto de práticas voltadas para a limpeza e manutenção da saúde da cavidade oral, incluindo dentes, gengivas, língua e mucosas, sendo que, em pacientes hospitalizados, essa prática é muito importante, pois a redução da autonomia, o uso de medicamentos e as condições clínicas podem comprometer a capacidade de autocuidado. Diante disso, a ausência de higiene oral adequada em pacientes hospitalizados pode levar à proliferação de microrganismos patogênicos, resultando em infecções como pneumonia associada à ventilação mecânica, endocardite bacteriana e sepse, sendo que a boca pode se tornar um reservatório de bactérias que, em pacientes imunocomprometidos, atingem outros sistemas do corpo, agravando o quadro clínico. Além disso, a presença de saburra, halitose, mucosite e dor oral prejudica o conforto e a nutrição do paciente, interferindo diretamente em sua recuperação. (BATISTA, 2022)
Sob essa perspectiva, a equipe de enfermagem possui papel central na promoção da higiene oral no ambiente hospitalar, visto que está em contato direto e contínuo com os pacientes.
Sendo assim, cabe ao enfermeiro e aos técnicos de enfermagem avaliar as condições da cavidade oral, identificar sinais de infecção, planejar intervenções e realizar os cuidados necessários baseado nas estratégias e protocolos de cuidado oral hospitalar (destacam-se a escovação supervisionada, o uso de antissépticos orais, a hidratação das mucosas e a substituição regular de materiais de higiene). Além disso, é responsabilidade da equipe orientar pacientes e familiares sobre a importância da manutenção da higiene bucal, mesmo durante o período de internação. Diante disso, protocolos de enfermagem bem estruturados, aliados à educação permanente dos profissionais, são determinantes para a eficácia das ações de promoção da saúde oral hospitalar. (Ministério da Saúde, 2018)
Dessa forma, os resultados observados indicam que a implementação de protocolos sistematizados de higiene oral reduz significativamente a incidência de infecções respiratórias e complicações relacionadas à permanência hospitalar. Sendo que, estudos apontam que pacientes submetidos a cuidados orais regulares apresentam menor tempo de internação e menor necessidade de antibioticoterapia, o que contribui não apenas para a melhora clínica, mas também para a redução dos custos hospitalares. Sendo assim, a higiene oral deve ser compreendida como uma medida preventiva essencial, integrada ao plano de cuidados de enfermagem, e não apenas como uma prática de conforto ou estética. (ANVISA, 2017)
Além dos benefícios clínicos, a promoção da higiene oral no ambiente hospitalar está diretamente relacionada à humanização do cuidado e a atenção à saúde oral demonstra preocupação com o bem-estar integral do paciente, valorizando aspectos físicos, emocionais e sociais do processo de recuperação. Por outro lado, a negligência desse cuidado pode gerar desconforto, baixa autoestima e até resistência à alimentação, impactando negativamente a reabilitação. Portanto, a atuação consciente e comprometida da equipe de enfermagem é fundamental para garantir que a assistência prestada seja holística e centrada nas reais necessidades do paciente. (PASCOALOTTI, 2019)
Por fim, é importante destacar que a efetividade das práticas de higiene oral hospitalar depende da capacitação contínua dos profissionais e da disponibilidade de recursos adequados, pois a escassez de materiais, a falta de treinamento e a sobrecarga de trabalho são fatores que podem comprometer a execução correta desses cuidados. Assim, a instituição deve investir em políticas educativas, fornecimento de insumos e fiscalização dos protocolos, assegurando que a higiene oral seja uma rotina padronizada e de qualidade. A integração entre equipe multiprofissional, gestores e educadores em saúde é, portanto, imprescindível para consolidar uma cultura de cuidado que reconheça a saúde oral como parte essencial da recuperação hospitalar. (SANTANA, 2025; SILVA JUNIOR 2020)
4 ANÁLISE DOS DADOS
A análise de dados foi solicitada pela preceptora de estágio (Luciana Santos), com o intuito de desenvolver uma ação educativa voltada à promoção da saúde bucal dos pacientes internados no C.T.I. Essa iniciativa foi realizada em parceria com o setor de Odontologia de um grande hospital da região metropolitana de Belo Horizonte e tem como objetivo principal conscientizar a equipe multiprofissional e reforçar a importância da manutenção da higiene oral adequada. Tal medida é essencial, uma vez que as condições precárias de higiene bucal estão entre os fatores para o desenvolvimento de complicações hemodinâmicas em pacientes, comprometendo a evolução clínica e o prognóstico hospitalar.
Diante disso, a análise geral dos dados coletados no C.T.I. do 4º andar do hospital demonstra que a maioria das avaliações concentrou-se na categoria “Regular”, representando aproximadamente 45% do total de registros. Esse resultado evidencia que, embora os procedimentos estejam sendo executados dentro de parâmetros aceitáveis, ainda há espaço significativo para aprimoramento técnico e padronização das práticas. Já as avaliações “Satisfatórias” corresponderam a cerca de 25%, sinalizando que uma parte considerável das intervenções é realizada com qualidade adequada, mas sem alcançar ainda um nível de excelência.
Por outro lado, as classificações “Insatisfatórias” representaram aproximadamente 30% dos resultados, o que indica a necessidade de ações corretivas mais consistentes. Entre os procedimentos avaliados, a intubação orotraqueal (IOT) e em ar ambiente (AA) concentraram os maiores percentuais de desempenho regular e insatisfatório, sugerindo a importância de reforçar o treinamento prático e a supervisão direta nessas técnicas. Esse cenário aponta para possíveis variações de desempenho entre profissionais e momentos de execução, reforçando a relevância da educação continuada e da padronização de protocolos.
De forma geral, os indicadores revelam um nível intermediário de desempenho, com predominância de resultados regulares e uma distribuição equilibrada entre avaliações satisfatórias e insatisfatórias. Sendo assim, esses dados são fundamentais para direcionar estratégias de melhoria no CTI, com foco na segurança do paciente e na eficiência dos cuidados prestados. Diante disso, investimentos em capacitação técnica, auditorias internas e revisões de rotina podem contribuir significativamente para reduzir os índices de insatisfação e elevar o percentual de resultados satisfatórios nas próximas avaliações.
Sendo assim, a partir dos resultados obtidos, foi possível analisar a relação entre a higiene oral e possíveis complicações respiratórias, como a pneumonia aspirativa, frequentemente associada à má higiene oral em pacientes críticos. Além do relatório escrito, foi elaborado um slide de apoio para a apresentação dos resultados e das principais conclusões à equipe multiprofissional, promovendo a conscientização sobre a relevância da manutenção da saúde bucal como parte essencial do cuidado integral ao paciente em terapia intensiva.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A higiene oral no ambiente hospitalar representa uma prática indispensável à segurança e à qualidade do cuidado. Sua implementação sistemática, conduzida por uma equipe de enfermagem capacitada e comprometida, contribui para a prevenção de infecções e para o bem-estar geral dos pacientes. O fortalecimento das políticas institucionais e dos protocolos assistenciais é fundamental para que essa prática seja reconhecida como parte integrante do cuidado de enfermagem, promovendo saúde e humanização no contexto hospitalar.
6 REFERÊNCIAS
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