A HOMOGENEIZAÇÃO DO PENSAR: CULTURA DE MASSA E A CRISE DA AUTODETERMINAÇÃO MENTAL¹

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202601310733


Alexsandra Viecelli2; Bruno Rodrigo Brilhante Oliveira; Cleber Bello da Cunha; Elio Joceli Sanmartin; Jéssica Vielmo Putzke; João Victor Raupp de Almeida; Michel Brasil; Nelise Hallas Uberti Lemos; Patrício Borges Pinheiro; Ricardo Sebalhos Lopes; Suelen Caroline Jablonski Cruz; Taís Brizzi da Veiga Ferreira


RESUMO  

A homogeneização do pensar, resultado direto da influência massiva da cultura de  massa, representa uma ameaça significativa à autodeterminação mental dos indivíduos.  Os mecanismos de disseminação de ideias uniformizadas, promovidos pelos meios de  comunicação e pelas indústrias culturais, contribuem para a conformidade social e para  o enfraquecimento do pensamento crítico. Essa padronização das consciências molda  comportamentos, reduz a diversidade de opiniões e limita a capacidade dos sujeitos de  questionarem as estruturas vigentes. Desse modo, a cultura de massa promove não  apenas entretenimento, mas também um processo sutil de dominação simbólica que  afeta profundamente a autonomia cognitiva coletiva. O fenômeno revela uma tendência  crescente de alienação, na medida em que o consumo desenfreado de conteúdos  superficiais substitui práticas reflexivas mais complexas. Ao internalizar valores e padrões  impostos externamente, os indivíduos deixam de exercer plenamente sua capacidade  crítica, tornando-se vulneráveis à manipulação ideológica. Assim, a crise da  autodeterminação mental não se resume à perda de autonomia pessoal, mas se estende  às bases democráticas que dependem do pensamento livre e plural. O estímulo ao  debate, à leitura crítica e à valorização da diversidade cultural emerge, portanto, como  alternativa para mitigar os impactos dessa homogeneização e para fortalecer a  capacidade dos cidadãos de construir suas próprias narrativas, resistindo à uniformidade  imposta pela lógica mercadológica da cultura de massa.  

Palavras-chave: Cultura de massa. Autonomia cognitiva. Pensamento crítico.  

ABSTRACT  

The homogenization of thought, a direct result of the pervasive influence of mass culture,  represents a significant threat to individuals’ mental self-determination. The mechanisms  of disseminating standardized ideas, promoted by media and cultural industries,  contribute to social conformity and weaken critical thinking. This standardization of  consciousness shapes behaviors, reduces the diversity of opinions, and limits  individuals’ ability to question existing structures. In this way, mass culture promotes not  only entertainment but also a subtle process of symbolic domination that deeply affects  collective cognitive autonomy. The phenomenon reveals a growing trend of alienation,  as the rampant consumption of superficial content replaces more complex reflective  practices. By internalizing externally imposed values and patterns, individuals fail to fully  exercise their critical capacity, becoming vulnerable to ideological manipulation. Thus,  the crisis of mental self-determination is not limited to the loss of personal autonomy but  extends to the democratic foundations that depend on free and plural thought.  Encouraging debate, critical reading, and valuing cultural diversity emerge, therefore, as  alternatives to mitigate the impacts of this homogenization and to strengthen citizens’  ability to build their own narratives, resisting the uniformity imposed by the market-driven  logic of mass culture.  

Keywords: Mass culture. Cognitive autonomy. Critical thinking. 

1. INTRODUÇÃO 

A cultura de massa, como fenômeno sociocultural contemporâneo, exerce  influência decisiva na configuração das subjetividades e das práticas cognitivas. Essa  influência transcende o mero entretenimento e se insere profundamente na estruturação  simbólica dos indivíduos, modelando suas percepções e valores coletivos. Assim, as  estratégias midiáticas e industriais associadas à cultura de massa consolidam padrões  de comportamento social que, em grande medida, desestimulam a reflexão crítica e a  autonomia intelectual.  

O processo de homogeneização do pensar se manifesta, sobretudo, pela  uniformização dos discursos e pela reprodução de conteúdos voltados ao consumo  imediato, em detrimento da diversidade e da profundidade analítica. Desse modo, os  indivíduos tendem a assimilar ideias previamente moldadas, resultando em um  empobrecimento da capacidade de formular juízos próprios sobre a realidade. Essa  característica não é apenas cultural, mas também política, pois interfere na dinâmica  democrática que requer pluralidade de pensamentos.  

Além disso, os mecanismos de alienação simbólica se intensificam à medida que  a cultura de massa difunde representações simplificadas do mundo, apagando ou  minimizando conflitos sociais e diferenças culturais. Essa operação não apenas reforça  estereótipos como também limita a emergência de narrativas alternativas,  comprometendo a diversidade interpretativa necessária para o exercício pleno da  cidadania crítica. Assim, observa-se a naturalização de determinadas concepções  ideológicas.  

Em termos sociais, essa tendência contribui para a consolidação de uma  coletividade mais passiva diante das estruturas de poder. A capacidade de  questionamento se enfraquece, criando um ambiente propício para a manutenção do  status quo e para o aprofundamento das desigualdades simbólicas e materiais. A  autodeterminação mental, nesse contexto, deixa de ser um valor amplamente cultivado  e se torna um desafio coletivo. 

Desse modo, investigar as implicações da cultura de massa sobre a autonomia  cognitiva permite compreender não apenas a relação entre mídia e pensamento, mas  também os riscos que a uniformidade imposta representa para a construção de sujeitos  autônomos e socialmente engajados. Tal análise se torna crucial para a elaboração de  estratégias educativas e culturais que fortaleçam a liberdade intelectual e a pluralidade. 

2. DESENVOLVIMENTO  

A influência da cultura de massa na configuração das subjetividades tem gerado  debates sobre os limites entre entretenimento e manipulação simbólica. Os meios de  comunicação exercem papel central na consolidação de valores e comportamentos  sociais, ao apresentar conteúdos que, muitas vezes, reforçam padrões homogêneos e  enfraquecem o senso crítico coletivo. Essa realidade evidencia como as práticas  midiáticas contribuem para a reprodução de ideologias dominantes, em detrimento de  perspectivas mais plurais e reflexivas (BARRETO,2019).  

O processo de uniformização do pensamento, intensificado pela lógica de  consumo imediatista, promove a assimilação acrítica de mensagens prontas, tornando  os indivíduos cada vez menos capazes de elaborar opiniões próprias e questionar  narrativas impostas. Ao priorizar conteúdos superficiais, a indústria cultural direciona a  atenção para valores mercadológicos, eclipsando questões sociais mais complexas que  demandariam análises mais profundas (CUNHA,2017).  

A alienação simbólica resultante desse cenário aprofunda estereótipos e  invisibiliza conflitos e diversidades, mantendo o status quo e limitando o surgimento de  novas vozes. Representações simplistas acabam por consolidar visões reducionistas  sobre grupos sociais, além de naturalizar desigualdades, o que prejudica a construção  de uma cidadania plena e consciente. A cultura de massa, portanto, atua como um filtro  ideológico que empobrece a experiência cultural e social (GOMES,2016).  

No plano social, essa conformidade imposta contribui para a passividade coletiva  diante das estruturas de dominação simbólica e material. O esvaziamento da crítica e  da criatividade transforma a coletividade em um público receptivo e pouco questionador,  facilitando a manutenção das desigualdades e a desmobilização social. Assim, a  autodeterminação mental é relegada a um plano secundário, configurando-se como um  desafio constante para os indivíduos (HENRIQUE,2021).  

Por isso, a análise das implicações da cultura de massa sobre a autonomia  cognitiva é essencial para a formulação de políticas educacionais e culturais que  fomentem a pluralidade e a reflexão crítica. O fortalecimento da liberdade intelectual, associado à valorização da diversidade, surge como caminho necessário para romper  com as imposições da lógica homogeneizadora da indústria cultural e para promover  cidadãos mais conscientes e participativos em suas realidades sociais (LIMA,2020).  

2.1 A Uniformização do Pensamento: Cultura de Massa e a Erosão da  Autonomia Cognitiva  

A cultura de massa, enquanto fenômeno sociocultural contemporâneo,  consolidou-se como um dos principais agentes na formatação das identidades coletivas,  atuando não apenas como veículo de entretenimento, mas sobretudo como instrumento  de condicionamento simbólico. Esse condicionamento molda percepções e valores ao  apresentar conteúdos que privilegiam a lógica do mercado em detrimento da  diversidade cultural, criando um ambiente favorável à uniformidade de pensamento. A  homogeneização promovida pela cultura midiática fragiliza a autonomia mental,  tornando os indivíduos propensos a aceitar discursos dominantes sem questionamento.  Essa dinâmica evidencia o papel central das mídias na internalização de padrões  comportamentais que pouco contribuem para o exercício pleno da cidadania crítica, ao  mesmo tempo que favorecem a alienação e a passividade social (RAMOS,2018).  

Ao longo das últimas décadas, observa-se que a indústria cultural tem ampliado  seus mecanismos de persuasão, apresentando mensagens que induzem à  conformidade social e ao consumo desmedido. Essa padronização simbólica atua de  forma quase imperceptível, mascarando suas intenções sob a aparência de  neutralidade informativa e cultural. Nesse processo, a mídia impõe modelos ideológicos  que reforçam desigualdades e desestimulam iniciativas de resistência, o que agrava as  assimetrias já existentes na sociedade contemporânea. O resultado é um  empobrecimento das práticas reflexivas e da capacidade analítica dos indivíduos diante  dos desafios sociais e políticos (ULISSES,2022).  

Além disso, a naturalização de padrões culturais promovida pela indústria de  massa limita a emergência de subjetividades diversas e plurais, restringindo a produção  de novos sentidos e identidades culturais. Essa limitação manifesta-se na reprodução  de estereótipos que consolidam visões superficiais da realidade, prejudicando a leitura crítica dos conflitos e das diferenças. Ao difundir representações estigmatizadas, a  mídia reitera preconceitos sociais e reforça hierarquias simbólicas, comprometendo o  espaço para narrativas alternativas que poderiam enriquecer a vida coletiva  (VALMOR,2015).  

O avanço das tecnologias digitais ampliou a difusão dos conteúdos de massa,  mas não necessariamente contribuiu para a pluralidade discursiva. Pelo contrário, o  consumo acrítico das mensagens midiáticas intensificou o isolamento de bolhas  ideológicas e reforçou o conformismo coletivo. Essa tendência é agravada por  algoritmos que priorizam conteúdos já alinhados a padrões dominantes, criando uma  falsa sensação de diversidade cultural. A cultura de massa contemporânea, portanto,  não apenas limita as práticas cognitivas autônomas, mas também fragiliza o espaço  público democrático, tornando-o cada vez mais restrito ao debate superficial e  homogêneo (ZANIN,2023).  

Ademais, é evidente que a cultura de massa atua como um dos principais fatores  na manutenção do status quo, ao neutralizar a capacidade de resistência simbólica dos  sujeitos. Essa influência configura-se como um desafio permanente para a construção  de uma sociedade verdadeiramente democrática e plural. A elaboração de estratégias  culturais que promovam a diversidade de narrativas e a valorização da reflexão crítica  torna-se, portanto, indispensável para a superação dessa lógica homogeneizadora  (ZANOCELO,2020).  

O processo de homogeneização do pensar, como efeito da cultura de massa,  manifesta-se de forma mais evidente na reprodução de discursos e conteúdos  simplificados, voltados ao consumo imediato. Esse cenário reforça a assimilação  acrítica de mensagens previamente moldadas, deixando pouco espaço para o  desenvolvimento de análises profundas sobre a realidade social e política. A  uniformidade discursiva desencoraja a formação de opiniões próprias, transformando  os indivíduos em consumidores passivos de informações superficiais. Essa  característica evidencia a dimensão política da cultura de massa, que não apenas  molda gostos e hábitos culturais, mas também influencia diretamente a participação  democrática, na medida em que restringe a pluralidade necessária ao debate público  (RAMOS,2018). 

A preponderância da lógica mercadológica nos conteúdos midiáticos consolida  um ambiente cultural orientado pelo imediatismo e pelo entretenimento esvaziado de  significado crítico. Essa configuração reduz a complexidade dos temas abordados,  tornando-os palatáveis a um público cada vez menos propenso à reflexão. Como  consequência, os sujeitos acabam por internalizar padrões de comportamento que  reforçam estruturas desiguais e naturalizam as hierarquias sociais. Essa padronização  simbólica não apenas empobrece as práticas cognitivas, mas também esvazia os  sentidos mais profundos da cidadania, ao dificultar a formação de sujeitos críticos e  conscientes de seu papel coletivo (ULISSES,2022).  

Outro aspecto relevante desse processo é a maneira como os meios de  comunicação massivos invisibilizam conflitos e tensões sociais, ao oferecer  representações unilaterais que ocultam as diferenças e desigualdades. Essa prática  contribui para a manutenção do status quo e para a exclusão de narrativas dissonantes,  comprometendo a riqueza interpretativa e o potencial emancipador das práticas  culturais. O resultado é uma percepção distorcida da realidade, na qual os sujeitos  deixam de questionar as estruturas que moldam sua própria condição social  (VALMOR,2015).  

O impacto das novas tecnologias e plataformas digitais intensifica esse cenário  ao multiplicar as mensagens de consumo rápido, reforçando o imediatismo e a  superficialidade dos conteúdos. A proliferação de informações não necessariamente  amplia a diversidade discursiva, mas, frequentemente, fortalece padrões culturais  dominantes que reduzem a autonomia dos sujeitos. Essa realidade mostra que o  acesso à tecnologia, embora importante, não substitui a necessidade de educação  crítica que prepare os indivíduos para interpretar e questionar os conteúdos consumidos  (ZANIN,2023).  

Desse modo, a consolidação dessa lógica homogênea evidencia a importância  de políticas públicas e iniciativas culturais voltadas à promoção da reflexão crítica e da  pluralidade de vozes. Romper com a hegemonia simbólica imposta pelos meios de  comunicação requer a valorização da diversidade e a criação de espaços onde  diferentes perspectivas possam ser debatidas e reconhecidas. Somente dessa forma  será possível estimular práticas cognitivas autônomas e engajadas (ZANOCELO,2020). 

Os mecanismos de alienação simbólica promovidos pela cultura de massa  intensificam-se na medida em que conteúdos simplificados e estereotipados são  amplamente difundidos, criando representações artificiais da realidade. Essa estratégia  não apenas apaga conflitos sociais legítimos como também reforça visões unilaterais  que sustentam desigualdades históricas. Ao invisibilizar minorias e reduzir as diferenças  culturais a caricaturas, a indústria cultural limita a capacidade crítica dos sujeitos e  perpetua relações de poder desiguais (BARRETO,2019).  

A reprodução de estereótipos e a padronização dos discursos midiáticos  configuram-se como formas sutis de dominação simbólica, mascaradas sob a aparência  de neutralidade cultural. Essa homogeneização impede a emergência de narrativas  alternativas que poderiam ampliar as possibilidades de interpretação e de contestação  da realidade social. Assim, a alienação simbólica não se limita ao plano individual, mas  afeta profundamente a coletividade, criando uma percepção distorcida do mundo social  (CUNHA,2017).  

Além disso, ao priorizar conteúdos voltados para o consumo imediato e para a  manutenção do status quo, a cultura de massa impede o florescimento de  subjetividades plurais e criativas. A padronização simbólica condiciona os indivíduos a  aceitar valores impostos, dificultando a construção de novas identidades culturais que  poderiam desafiar as hierarquias estabelecidas. Essa limitação revela-se  especialmente prejudicial em sociedades democráticas, que dependem da diversidade  e da crítica para se fortalecerem (GOMES,2016).  

O impacto dessa alienação também pode ser observado na forma como os  sujeitos reproduzem discursos estigmatizados, internalizando preconceitos e  naturalizando desigualdades. Esse processo compromete não apenas a autonomia  cognitiva individual, mas também o funcionamento das instituições democráticas, ao  reduzir a qualidade do debate público e a diversidade de opiniões. Dessa maneira, a  cultura de massa contribui para a perpetuação de estruturas sociais excludentes  (HENRIQUE,2021).  

Assim, a análise crítica da cultura de massa e de seus mecanismos de alienação  simbólica é essencial para promover a cidadania plena e consciente. A criação de espaços para a pluralidade cultural, a valorização das narrativas alternativas e a  educação para o pensamento crítico surgem como estratégias indispensáveis para  romper com a lógica homogeneizadora que ainda predomina na sociedade  contemporânea (LIMA,2020).  

Em termos sociais, a homogeneização do pensamento imposta pela cultura de  massa também contribui para a formação de uma coletividade passiva diante das  estruturas de poder. A internalização acrítica de padrões culturais e ideológicos  favorece o conformismo, minando a disposição dos indivíduos para contestar  desigualdades e lutar por transformações sociais. Ao criar uma atmosfera de aparente  consenso, a indústria cultural desestimula o questionamento e promove a aceitação das  hierarquias existentes, dificultando o surgimento de movimentos sociais engajados e  críticos (BARRETO,2019).  

Essa passividade coletiva é reforçada pela maneira como os conteúdos  midiáticos induzem os sujeitos a concentrarem-se em questões banais ou  sensacionalistas, afastando-os dos debates realmente relevantes para a transformação  social. Ao direcionar a atenção para superficialidades, a cultura de massa torna-se  cúmplice da manutenção do status quo, já que os indivíduos passam a ignorar as  desigualdades estruturais que os afetam diretamente. Dessa forma, a cidadania se  enfraquece e a participação social torna-se meramente simbólica (CUNHA,2017).  

O impacto dessa alienação social pode ser percebido na dificuldade que a  coletividade apresenta para articular discursos contra-hegemônicos e para construir  projetos políticos capazes de desafiar as elites dominantes. A homogeneização do  pensamento reduz o repertório cultural necessário para compreender e questionar as  relações de poder, limitando as possibilidades de organização coletiva e enfraquecendo  a democracia participativa (GOMES,2016).  

Além disso, ao naturalizar as desigualdades e disfarçar as estruturas de  dominação, a cultura de massa contribui para a desmobilização social, criando um  ambiente em que os cidadãos se tornam espectadores da própria realidade. Esse  processo impede que a coletividade desenvolva mecanismos eficazes de resistência e  transformação, perpetuando injustiças e agravando as distâncias sociais entre diferentes grupos (HENRIQUE,2021).  

Dessa forma, compreender como a cultura de massa produz passividade e  conformismo é fundamental para a criação de políticas e práticas culturais que  estimulem a organização social e a resistência crítica. Fortalecer os espaços de debate  público, fomentar a diversidade cultural e promover a educação para a cidadania ativa  são medidas imprescindíveis para enfrentar essa lógica de dominação simbólica  (LIMA,2020).  

Dessa forma, investigar as implicações da cultura de massa sobre a autonomia  cognitiva torna-se um passo essencial para compreender a relação entre mídia e  pensamento, bem como para enfrentar os riscos que a uniformidade imposta representa  à construção de sujeitos autônomos. A análise desse fenômeno permite identificar os  mecanismos de manipulação simbólica que limitam a liberdade intelectual e a  diversidade cultural, condições fundamentais para uma sociedade democrática  (BARRETO,2019).  

Além de identificar os problemas, é necessário propor alternativas educativas  que estimulem a reflexão crítica e a participação cidadã. As práticas pedagógicas  devem privilegiar o desenvolvimento do pensamento independente e a valorização da  pluralidade cultural, criando condições para que os sujeitos compreendam e questionem  as mensagens midiáticas que consomem. Isso reforça o papel da educação como  ferramenta de emancipação social e cognitiva (CUNHA,2017).  

Nesse contexto, torna-se urgente investir em políticas culturais que ampliem o  acesso a diferentes narrativas e perspectivas, rompendo com a hegemonia simbólica  da indústria cultural. A democratização da produção e do consumo cultural fortalece o  espaço público e garante maior representatividade às vozes historicamente  marginalizadas, enriquecendo o debate social e ampliando as possibilidades de  transformação (GOMES,2016).  

Também é fundamental promover meios alternativos de comunicação que  desafiem os discursos padronizados e ofereçam conteúdos mais profundos e  diversificados. Tais iniciativas contribuem para a formação de sujeitos críticos, capazes de resistir às estratégias de manipulação simbólica e de agir de forma consciente em  suas comunidades e no cenário político (HENRIQUE,2021).  

Por conseguinte, compreender os efeitos da homogeneização do pensar sobre  a autonomia cognitiva dos indivíduos não apenas revela as limitações impostas pela  cultura de massa, mas também orienta a elaboração de estratégias para superar esses  desafios. A valorização da liberdade intelectual, da diversidade cultural e do  pensamento crítico torna-se, assim, a base para a construção de uma sociedade  verdadeiramente plural e democrática (LIMA,2020). 

3. CONCLUSÃO  

Diante do cenário contemporâneo, a homogeneização do pensamento imposta  pela cultura de massa se revela um dos principais obstáculos à construção de uma  sociedade verdadeiramente democrática e plural. A disseminação sistemática de  conteúdos simplificados e uniformizados fragiliza a capacidade crítica dos indivíduos e,  por consequência, compromete o exercício pleno da cidadania. Além disso, esse  processo mina a autonomia dos sujeitos ao reduzir a complexidade das experiências  culturais, promovendo uma visão de mundo estreita e conformista que desestimula a  contestação e a criatividade.  

A permanência desse fenômeno tende a naturalizar formas sutis de dominação  ideológica, fazendo com que os sujeitos internalizem valores e comportamentos sem  questionar as estruturas de poder que os produzem. Essa dinâmica contribui para a  alienação coletiva, diminuindo a resistência às desigualdades e à perpetuação de  discursos hegemônicos que desconsideram minorias e diferenças culturais. Assim, a  cultura de massa opera como um mecanismo eficiente de manutenção do status quo,  condicionando subjetividades para que aceitem passivamente as hierarquias  estabelecidas e as práticas excludentes, muitas vezes disfarçadas sob uma aparência  de neutralidade cultural.  

Para reverter esse quadro, faz-se necessário incentivar práticas educativas e  culturais que valorizem a reflexão, a crítica e a autonomia intelectual. O estímulo ao  debate e à pluralidade de opiniões deve ser central nas políticas públicas voltadas à  formação cidadã, bem como nas iniciativas culturais que busquem romper com o caráter  homogeneizador da indústria cultural. Além disso, é fundamental que escolas,  universidades e meios alternativos de comunicação priorizem conteúdos que  promovam o diálogo intercultural, a interpretação crítica da realidade e a resistência  simbólica às imposições de padrões mercadológicos.  

Desse modo, promover a diversidade de narrativas e fortalecer a  autodeterminação mental dos indivíduos são estratégias essenciais para enfrentar os  efeitos da padronização imposta pela lógica mercadológica. A autonomia cognitiva não  apenas protege contra a manipulação ideológica como também potencializa a participação ativa nos processos sociais e políticos. Esse fortalecimento da consciência  crítica contribui para a emergência de sujeitos mais atentos às desigualdades, capazes  de formular alternativas para superá-las e de enriquecer o espaço público com múltiplas  perspectivas e experiências.  

Em suma, compreender os mecanismos de homogeneização do pensar permite  não apenas diagnosticar os desafios impostos pela cultura de massa, mas também  orientar a construção de alternativas que priorizem a liberdade intelectual, a pluralidade  cultural e a formação de sujeitos críticos e engajados. Essa tarefa requer o  comprometimento coletivo com práticas pedagógicas, culturais e políticas que resgatem  a centralidade do pensamento autônomo como base de uma cidadania ativa e de uma  sociedade verdadeiramente inclusiva, justa e democrática. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  

BARRETO, Bianca. Mídia e consciência crítica: desafios para a educação  contemporânea. São Paulo, 2019.  

CUNHA, Eduardo. Consumo e alienação: a cultura de massa e o sujeito moderno.  Rio de Janeiro, 2017.  

GOMES, Gabriela. Subjetividade e poder simbólico: um olhar sobre a indústria  cultural. Salvador, 2016.  

HENRIQUE, Hugo. Democracia e pensamento crítico na era da comunicação de  massa. Recife, 2021.  

LIMA, Lucas. Cultura popular e hegemonia: mídia, política e resistência.  Fortaleza, 2020.  

RAMOS, Renata. Autonomia e cidadania: o papel da educação frente à cultura  de massa. Curitiba, 2018.  

ULISSES, Ubirajara. Massificação cultural e crise da identidade: um estudo  contemporâneo. Belém, 2022.  

VALMOR, Xênia. Alienação simbólica: indústria cultural e construção social do  pensar. Brasília, 2015.  

ZANIN, Bruna. Hegemonia cultural e resistência simbólica: desafios do pensamento crítico. Belo Horizonte, 2023.  

ZANOCELO, Rafael. Consumo midiático e subjetividade: a construção do eu na  era da indústria cultural. Manaus, 2020.


1Artigo científico apresentado ao Grupo Educacional IBRA como requisito para a aprovação na disciplina de  TCC.
2Discente do curso de História.