A FORMAÇÃO HUMANA INTEGRAL NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA – EPCT: COMO A PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL PODE AJUDAR? 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202502122209


Raysa Soares Moi1
Bianca Isabela Acampora e Silva Ferreira2


RESUMO

Este estudo aborda a Psicomotricidade Relacional como instrumento para se pautar atividades e estratégias de ensino pela via do corpo em que a formação humana integral possa vir a se desenvolver ao longo do curso Técnico Integrado de Hospedagem, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IFF, no âmbito da Educação Profissional, Científica e Tecnológica – EPCT.  O problema norteador foi: Como favorecer a ampliação das práticas de formação humana integral por meio da Psicomotricidade Relacional no Curso Técnico Integrado de Hospedagem? Assim, teve-se como objetivo geral deste estudo, propor atividades que se embasassem na Psicomotricidade Relacional a partir da análise dos documentos de domínio público e no portal do IFF. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi a análise documental. Os resultados foram analisados de forma qualitativa, utilizando a análise de conteúdo, ressaltando-se que, as atividades elaboradas, para ter os resultados mais positivos, podem ser amplamente divulgadas para outros docentes e instituições de ensino. 

Palavras-Chave:  Formação Humana Integral. Psicomotricidade Relacional. Educação Profissional. 

ABSTRACT

This study addresses Relational Psychomotricity as an instrument to guide teaching activities and strategies through the body in which integral human formation can develop throughout the Integrated Accommodation Technician course, from the Federal Institute of Education, Science and Technology Fluminense – IFF, within the scope of Professional, Scientific and Technological Education – EPCT. The guiding problem was: How to promote the expansion of integral human training practices through Relational Psychomotricity in the Integrated Technical Accommodation Course? Thus, the general objective of this study was to propose activities that were based on Relational Psychomotricity based on the analysis of documents in the public domain and on the IFF portal. The methodology used in this research was document analysis. The results were analyzed qualitatively, using content analysis, highlighting that the activities designed, in order to have the most positive results, can be widely disseminated to other teachers and educational institutions.

Keywords: Integral Human Training. Relational Psychomotricity. Professional education.

RESUMEN

Este estudio aborda la Psicomotricidad Relacional como instrumento para orientar actividades y estrategias de enseñanza a través del cuerpo en las que se pueda desarrollar la formación humana integral a lo largo de la carrera de Técnico en Alojamiento Integrado, del Instituto Federal de Educación, Ciencia y Tecnología Fluminense – IFF, en el ámbito de la Carrera Profesional. , Educación Científica y Tecnológica – EPCT.  El problema orientador fue: ¿Cómo promover la ampliación de las prácticas de formación humana integral a través de la Psicomotricidad Relacional en el Curso Técnico Integrado de Alojamiento? Así, el objetivo general de este estudio fue proponer actividades que tuvieran como base la Psicomotricidad Relacional a partir del análisis de documentos de dominio público y del portal IFF. La metodología utilizada en esta investigación fue el análisis de documentos. Los resultados fueron analizados cualitativamente, mediante análisis de contenido, destacando que las actividades diseñadas, para tener los resultados más positivos, pueden ser ampliamente difundidas a otros docentes e instituciones educativas. 

Palabras clave: Formación Humana Integral. Psicomotricidad relacional. Educación Profesional.

1. INTRODUÇÃO

A formação humana integral pode se desenvolver por meio da Psicomotricidade Relacional, propondo-se atividades que possam ser trabalhadas ao longo do curso Técnico Integrado de Hospedagem, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IFF, no âmbito da Educação Profissional, Científica e Tecnológica – EPCT. 

A formação humana integral vem se tornando cada vez mais relevante para a compreensão da relação entre educação e trabalho. No contexto da Educação Profissional, Científica e Tecnológica (EPCT), a Psicomotricidade Relacional desempenha um papel significativo, visto que busca ir além do mero desenvolvimento técnico-profissional. Ela envolve aspectos éticos, estéticos e relacionais, permitindo que os indivíduos se tornem cidadãos conscientes, críticos e participativos. 

Na EPCT, a formação integral inclui habilidades técnicas, mas também valores, atitudes e competências interpessoais. A Psicomotricidade Relacional, desenvolvida por André Lapierre, é uma abordagem que visa trabalhar questões afetivas, emocionais e relacionais. Ela se baseia na compreensão global do ser humano, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. O ato de brincar é central na Psicomotricidade Relacional, permitindo que os indivíduos expressem seus conflitos internos de forma lúdica.

O problema norteador foi: como favorecer a ampliação das práticas de formação humana integral por meio da Psicomotricidade Relacional no Curso Técnico Integrado de Hospedagem? 

O objetivo geral deste estudo foi propor atividades que se embasassem na Psicomotricidade Relacional a partir da análise dos documentos de domínio público e no portal do IFF. 

A metodologia utilizada nesta pesquisa foi a análise documental. Os resultados foram analisados de forma qualitativa. A Psicomotricidade Relacional contribui para a formação integral dos indivíduos, considerando não apenas aspectos técnicos, mas também emocionais e relacionais. Os resultados sobre as atividades elaboradas podem ser amplamente divulgados para outros docentes e instituições de ensino. 

2. ANÁLISE DOCUMENTAL DOS ATOS NORMATIVOS QUE REGEM O CURSO TÉCNICO INTEGRADO DE HOSPEDAGEM, DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FLUMINENSE – IFF NO QUE TANGE À FORMAÇÃO HUMANA INTEGRAL.

A formação humana integral ou Omnilateral refere-se ao desenvolvimento de todas as dimensões e potencialidades do indivíduo no processo educativo. Essas dimensões, segundo Frigotto (2012, p. 267) “envolvem sua vida corpórea material e seu desenvolvimento intelectual, cultural, educacional, psicossocial, afetivo, estético e lúdico”. A formação integral ou omnilateral tem origem em Marx, que apoiava a formação do ser humano integral, abrangendo os aspectos físico, mental, cultural, social e tecnológico.  (CHAGAS; SALAZAR; QUEIROZ, 2020, p. 201).

Neste sentido, para se alcançar uma educação que desenvolva uma formação global do ser humano, considerando o trabalho como princípio educativo,  é  preciso  que  ela  esteja  ancorada  nos princípios  da politecnia, concepção está instituída por Marx em seus escritos sobre a educação e implementada pelos Institutos Federais com o intuito de inserir seus educandos em um contexto em que a formação humana integral é priorizada.

Na análise documental realizada nesta pesquisa, foram lidos e minuciosamente estudados, sendo correlacionados entre si os seguintes atos normativos: 1. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 (LDBEN); 2. Constituição Federal de 1988 (CF/88); 3. Resolução 1/21 do CNE/CP; 4. Diretrizes Nacionais da Educação Profissional e Tecnológica (EPCT). Na correlação, obteve-se os seguintes resultados.

Tabela 1- Resultados da análise documental

São pilares fundamentais das legislações educacionais brasileiras, correlacionando-se entre si e preveem a formação humana integral:
Constituição Federal de 1988 (CF/88)Lei n. 9394/96 (LDBEN)Resolução 1/21 do CNE/CPDiretrizes Nacionais da Educação Profissional e Tecnológica (EPCT)
A CF/88 estabelece os princípios e diretrizes gerais para a educação no Brasil. Ela reconhece a educação como um direito fundamental e assegura a igualdade de acesso e permanência na escola. Define a competência dos entes federativos (União, estados e municípios) na oferta e gestão da educação. Garante a liberdade de ensino, pesquisa e aprendizagem.A LDB é a base normativa para a organização e funcionamento do sistema educacional brasileiro. Ela detalha os princípios e diretrizes da educação, incluindo a formação integral dos indivíduos. Define os níveis e modalidades de ensino (educação básica, ensino superior etc.).Estabelece as competências dos órgãos educacionais e das instituições de ensino. Aborda temas como currículo, avaliação, financiamento e gestão escolar.Essa resolução, emitida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica. Ela está alinhada à LDB e à CF/88, buscando garantir a qualidade da formação docente.Essas diretrizes orientam a educação profissional e tecnológica no país. Buscam integrar a formação técnica com a formação humana integral, preparando os estudantes para o mundo do trabalho e para a cidadania. Consideram aspectos como ética, valores, competências socioemocionais e desenvolvimento integral. Em conjunto, esses documentos legais promovem a construção de uma educação inclusiva, democrática e comprometida com o pleno desenvolvimento dos indivíduos, contribuindo para a formação integral de cidadãos conscientes e atuantes na sociedade brasileira

Fonte: elaborada pelas autoras com base em BRASIL 1988, 1996, 2012 e 2021. 

A EPCT no Brasil possui um arcabouço de leis e normatizações que definem seu papel e orientam a sua operacionalização. A Resolução 1/21 do CNE/CP preconiza princípios e critérios que guiam a implementação de políticas públicas, abordando, em seus princípios e critérios, apenas o respeito aos valores estéticos, políticos e éticos da educação nacional, na perspectiva do pleno desenvolvimento da pessoa, dentre outros pontos citados que contribuem para uma formação humana integral.

Já o Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI 2023.2/2028.1 do IFFluminense, aprovado em 30 de junho de 2023, prevê a formação humana integral e a politecnia no capítulo cinco, referente ao Projeto Político-Pedagógico Institucional, no que tange aos níveis e modalidades de oferta, descritos no trecho a seguir:

A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) está pautada nos seguintes princípios norteadores: da formação humana e formação para o trabalho (trabalho como princípio educativo), numa concepção integradora, unitária, politécnica e omnilateral. Os saberes docentes em EPT devem estruturar-se não somente na formação técnica, mas também na formação humana integral. Para Ramos (2014) a educação profissional se constitui no processo pelo qual os trabalhadores são formados para produzirem sua existência por meio do seu trabalho, o qual se volta para a produção de bens e serviços necessários socialmente. Sendo assim, a discussão do currículo integrado, na perspectiva da formação humana integral, é eminentemente política, pois pretende interferir nos fundamentos e no sentido da educação dos trabalhadores (BRASIL, 2023, p. 111).

Entre outros argumentos se encontra o de que a proposta marxiana de formação politécnica passaria pela formação intelectual, física e tecnológica, o que nos permite entender que o conceito de politecnia pode abarcar a ideia de formação humana integral. Dessa forma, muitos são os atos normativos que norteiam a Educação Profissional, Científica e Tecnológica – EPCT no Brasil, no entanto, ainda temos um caminho longo a percorrer para uma formação humana integral de base sólida nessa modalidade educacional que tem como foco principal preparar o estudante para o mundo do trabalho e para a vida em sociedade.

O Curso Técnico em Hospedagem Integrado ao Ensino Médio, do Campus Cabo Frio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, teve seu PPC aprovado em 28 de abril de 2021, estando em vigência até a presente data, possibilitando certo protagonismo para a Formação Integral, assim como para a politecnia, dispostos na apresentação do curso, na metodologia, na equipe de apoio pedagógico ao docente com uma coordenação de formação integral, na prática profissional integrada – PPI, conforme o trecho citado a seguir:

O campus Cabo Frio conta com um setor de Coordenação de Políticas Educacionais, ligada à Direção Geral, mas que atua diretamente com as Diretorias de Ensino, em articulação com a coordenação dos cursos, docentes, discente e com a Coordenação de Formação Integral, Inclusão e Diversidade. (…) No processo de Reformulação Curricular, os conceitos de formação integral, educação profissional, currículo integrado, trabalho como princípio educativo, pesquisa como prática pedagógica e politecnia foram revisitados e rediscutidos coletivamente, e fundamentaram este PPC (BRASIL, 2021, p. 23 e 32).

Embora o PPC do curso vise um planejamento curricular orientado pelas diretrizes institucionais para uma Prática Profissional Integrada – PPI, podemos observar que a organização da matriz curricular, assim como a divisão dos componentes curriculares, não proporcionam ao educando uma formação global de base sólida, voltada para a formação humana integral. No trecho a seguir, citam-se os objetivos da PPI:

A PPI é um dos espaços no qual se busca formas e métodos responsáveis por promover, durante todo o itinerário formativo, a politecnia, a formação integral omnilateral, a interdisciplinaridade, integrando os núcleos da organização curricular. As visitas técnicas e saídas de campo são PPIs fundamentais durante todas as etapas formativas do Curso de Hospedagem. Essas atividades vão ao encontro do propósito de oferecer uma formação integral… (BRASIL, 2021, p. 76).                                                                                

Outro conceito que ganha destaque no PPC do curso é a Interdisciplinaridade como princípio pedagógico para a superação do ensino fragmentado, integrando a formação básica com a formação profissional. As metodologias de ensino precisam cooperar para a interdisciplinaridade, sendo ela o aporte essencial para o conhecimento científico, pois objetiva compreender o estudo de um determinado objeto por distintos componentes curriculares para integrar os conhecimentos produzidos historicamente.

A concepção de ensino médio integrado prevê a formação omnilateral, a indissociabilidade entre educação profissional e educação básica e a integração entre conhecimentos gerais e específicos como totalidade curricular (RAMOS, 2008).

No que concerne à concepção de totalidade curricular, Moura (2007) concebe um canal entre os princípios da interdisciplinaridade, da contextualização e da flexibilidade, reforçando a necessidade de uma construção coletiva e colaborativa no fazer pedagógico.

Segundo o PPC do curso de Hospedagem (2021), uma das iniciativas de pesquisa no âmbito do curso é o Centro de Estudos Interdisciplinares em Alimentação e Hospitalidade – CEIAH, que visa o desenvolvimento de pesquisas que possibilitem um maior entendimento dos fundamentos da gastronomia e da hospitalidade.

Um dos objetivos do PPI no Curso de Hospedagem é promover a interdisciplinaridade por meio de eventuais projetos. O evento bienal Virada Cultural é um exemplo de PPI voltado para o Curso de Hospedagem, que engloba também outros cursos do campus. É um evento de caráter multidisciplinar e interdisciplinar, que perpassa todos os semestres letivos do curso, de forma transversal, no qual um tema amplo é previamente escolhido e deverá ser tratado por diferentes grupos de estudantes.

As visitas técnicas e saídas de campo são PPIs fundamentais durante todas as etapas formativas do Curso de Hospedagem. Essas atividades vão ao encontro do propósito de oferecer uma formação integral, que visa aliar teoria e prática, e que considera ensino, pesquisa e extensão como indissociáveis no desenvolvimento do curso. (BRASIL, 2021, p.76)

O curso também conta com dois laboratórios específicos da área de formação profissional, que podem ser utilizados para o desenvolvimento de outros componentes curriculares, inclusive com ações de interdisciplinaridade.

De acordo com PPC, o Núcleo Docente Estruturante – NDE, que é uma estrutura instituída pela Portaria Nº 147/2007, tem o intuito de qualificar o envolvimento docente no processo de concepção e consolidação do curso, em consonância com a Resolução CONAES N.º 1, de 17 de junho de 2010. O NDE apresenta algumas competências, e uma delas é zelar pela integração curricular interdisciplinar entre as diferentes atividades de ensino constantes no currículo.

As informações extraídas do documento em análise, confirmam uma intencionalidade da instituição supracitada, ainda que inicial, em contribuir para a efetivação das práticas interdisciplinares no curso Técnico em Hospedagem.

Observa-se que o PPC preconiza a importância do diálogo e da sintonia entre o currículo e as demandas do contexto social atual, tendo os conteúdos uma finalidade, vislumbrando assim, um futuro com sujeitos ativos e reflexivos. O currículo do Curso Técnico em Hospedagem é dinâmico e aberto a flexibilizações e adaptações, proporcionando aos componentes curriculares a oportunidade de adaptar seus conteúdos e práticas às exigências do mundo.

O curso Técnico em Hospedagem Integrado ao Ensino Médio vem sendo ofertado no Instituto Federal Fluminense Campus Cabo Frio desde sua implantação em 2009. Ao longo dos anos de atuação, a identidade político-pedagógica do curso veio se atualizando e se constituindo num espaço de relações, considerando o currículo como um lugar de formação plural, dinâmico e multicultural, articulado aos arranjos produtivos e regionais e às comunidades locais, conforme previsto no Plano de Desenvolvimento Institucional do IFFluminense … (BRASIL, 2021, p. 10).

No processo de Reformulação Curricular, os conceitos de formação integral, educação profissional, currículo integrado, trabalho como princípio educativo, pesquisa como prática pedagógica e politecnia foram revisitados e rediscutidos coletivamente, e fundamentaram o PPC mencionado (BRASIL, 2021, p. 32).

Após a análise do documento norteador do curso, ressalta-se a relevância do desenvolvimento das competências cognitivas, psicomotoras e socioemocionais, mediante aulas com práticas Psicomotoras Relacionais, para a formação pessoal e profissional do técnico em hospedagem, pois ele irá lidar com questões interpessoais e com as variáveis do dia a dia que carecem do domínio dessas competências. Vale mencionar que as disciplinas que potencializam essas competências só são ofertadas no primeiro ano do curso (na área de linguagem), assim como os objetos de conhecimentos propostos não são articulados, resultando na incompletude da formação humana integral dos estudantes. 

2.1 A PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL

A Psicomotricidade Relacional possibilita a interpretação dos sentimentos, faz o indivíduo refletir sobre a forma de viver e potencializa atitudes que valorizam a cooperação e autonomia, colaborando também com maneiras de lidar com os desafios da contemporaneidade. Tendo em vista que cada vez mais cresce o número de pessoas com questões psicoemocionais, principalmente nas profissões que dependem das relações interpessoais e intrapessoais. 

A Psicomotricidade Relacional surgiu na França, e foi concebida por André Lapierre, profissional de Educação Física, que tinha como objeto de estudo o corpo e toda sua estrutura e atividade motora, e sua filha, Anne Lapierre, sendo uma das continuadoras de seu trabalho. Trata-se de um método que investe nas possibilidades de crescimento e de aperfeiçoamento, potencializando a capacidade de desenvolver globalmente a personalidade. No Brasil, esta prática foi disseminada por Leopoldo Vieira, Isabel Bellaguarda, Ibrahim Danyalgil Junior3, dentre outros profissionais que acreditavam que o movimento espontâneo leva ao autoconhecimento e ao reconhecimento de emoções e sentimentos não expressos.

A base da teoria da Psicomotricidade Relacional é a formação global do ser humano, tendo como foco o aspecto relacional, com vistas a desenvolver relações do ser humano consigo, com o outro e com o mundo através da desenvoltura da expressão simbólica. O jogo simbólico espontâneo é a premissa para a Psicomotricidade Relacional, favorecendo o desenvolvimento motor, afetivo, a formação da personalidade e as interações sociais. 

Jogo simbólico, também conhecido como faz-de-conta, define-se por recontar a realidade usando sistemas simbólicos, estimulando a imaginação e a fantasia, favorecendo a interpretação e transformação do mundo concreto. Nesse sentido, entende-se que o adulto joga com as atividades do cotidiano, como sua atuação profissional, uma viagem, a leitura de um livro, etc.

A Psicomotricidade Relacional assume um papel de importância no ambiente escolar, no momento em que ela potencializa o desenvolvimento integral dos estudantes, reforçando assim, a presença desta metodologia nos Institutos Federais, no que tange ao contexto da EPCT, para que os profissionais conheçam os conflitos dos estudantes e explorem suas potencialidades.

Os objetivos da Psicomotricidade Relacional operam sobre fatores psico-afetivos relacionais criados durante a infância, facilitando o desenvolvimento integrado da essência de cada indivíduo e contribuindo para a superação de conflitos neuróticos e dependências, promovendo segurança e autovalorização.

A aplicação da Psicomotricidade Relacional na educação é cada vez mais bem vista entre os especialistas, uma vez que, a escola é um ambiente propício para aplicar a Psicomotricidade Relacional. Jovens e adultos com comportamentos agressivos, inibição, frustração ou baixa autoestima podem se beneficiar dessa abordagem. O foco está na expressão, no movimento e na compreensão das emoções por meio de atividades lúdicas.

2.2 A PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL, A FORMAÇÃO HUMANA INTEGRAL E O ENSINO INTERDISCIPLINAR

A Psicomotricidade Relacional, a Formação Humana Integral e a Interdisciplinaridade são conceitos que podem ser explorados e relacionados no âmbito da sala de aula, em abordagens metodológicas de ensino que visam um desenvolvimento holístico dos indivíduos. Essa correlação teórico-metodológica sugere a reflexão sobre a progressão interpessoal, de forma que a aprendizagem tenha significado de existir para a atuação profissional, pessoal, real e social dos estudantes dos cursos técnicos.

A identidade do sujeito reflete em sua atuação profissional, isso porque ele deve ser visto de forma integral, corpo, mente e intelecto e não fragmentado entre o pessoal e o profissional, uma vez que “[…] biologicamente falando, é muito difícil separar o desenvolvimento humano do desenvolvimento profissional, já que o ser e o fazer estão absolutamente complicados na corporeidade humana” (GUSI, PRIGOL, 2019, p.30).

A Psicomotricidade foca na relação entre a mente e o corpo, enfatizando a importância do movimento no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das pessoas. Já a Psicomotricidade Relacional, por sua vez, potencializa essa perspectiva ao salientar a importância da comunicação não verbal, das relações interpessoais, na qualidade dessas relações e na forma como essas relações afetam o desenvolvimento global do indivíduo.

Os seres humanos são complexos em sua essência, visto isso sua formação pessoal e profissional não devem limitar-se a aquisição de conhecimentos teóricos, mas também desenvolver habilidades necessárias que devam se estender para além do ambiente escolar, englobando todos os aspectos da vida de uma pessoa, levando-o a uma formação humana integral. Assim, a Psicomotricidade Relacional e a formação humana integral podem estar interligadas em um contexto de formação profissional, científica e tecnológica. 

O conceito de Formação Humana Integral tem sido uma preocupação central nos Institutos Federais, que geralmente oferecem uma variedade de cursos técnicos, além de programas de ensino superior, pois possuem o objetivo de preparar os alunos para além do mundo do trabalho, com compreensões abrangentes para desempenharem um papel ativo na sociedade. No entanto, ainda é perceptível a predominância de uma abordagem tradicional de ensino com enfoque no docente e em práticas verticais que buscam condicionar os corpos e os comportamentos dos estudantes a tempos e espaços específicos.

Além disso, de forma mais latente percebemos a influência do dualismo cartesiano corpo/mente, presente principalmente na separação de uma educação física e uma educação intelectual, privilegiando as dimensões motoras e cognitivas dos estudantes e desconsiderando as afetivas, emocionais e sociais (Lapierre, 2008). Nesse sentido, de forma indireta, cabe às aulas de Educação Física conceber um espaço privilegiado para que os estudantes externalizem a agitação acumulada, que muita das vezes é considerada prejudicial à sala de aula. Segundo Lapierre (2008) nesta tradição dualista:

 […] o aluno ideal segue sendo aquele que tem os olhos para ver o professor, os ouvidos para escutar o que o professor diz, uma boca para responder e uma mão, de preferência direita, para escrever. Todo o resto é inútil e em particular esse corpo que tem uma fastidiosa tendência a agitar-se e criar desordem. A esse corpo se envia o professor de Educação Física para que se ensine a disciplinar-se (LAPIERRE, 2008, p. 19).

A ênfase em uma forma fragmentada e tradicional de ensino, com práticas pouco significativas para os estudantes, parece em nada contribuir para formação de sujeitos que vivenciam a sua corporeidade. O conceito da interdisciplinaridade, como reação a essa concepção, vem com a proposta de romper com a fragmentação do ensino, pois salienta que muitos dos problemas relacionados ao contexto social, não podem ser compreendidos e solucionados por um único componente curricular, mas exigem uma abordagem integrada de todos, redistribuindo a responsabilidade da formação humana integral, não deixando a cargo somente das disciplinas de Educação Física e Arte.

De acordo com Morin (2000) é necessária uma educação que vá além da fragmentação disciplinar, que promova a formação integral dos indivíduos, capacitando-os a enfrentar os desafios do século XXI.

Em resumo, a Psicomotricidade Relacional, a Formação Humana Integral e a Interdisciplinaridade podem estar interligadas enquanto integram o ensino de habilidades sociais e emocionais com o desenvolvimento físico e cognitivo. Essa concepção teórico-metodológica pode envolver a criação de atividades que promovam o trabalho em equipe, a empatia e a autorregulação emocional, ao mesmo tempo, em que abordam questões de motricidade e cognição, reconhecendo a importância da colaboração entre as disciplinas para alcançar esse objetivo e um ambiente de aprendizagem inclusivo.

2.3 ATIVIDADES DE PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL PARA A FORMAÇÃO HUMANA INTEGRAL DOS ESTUDANTES DO CURSO TÉCNICO INTEGRADO DE HOSPEDAGEM, DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FLUMINENSE – IFF

Visando alcançar o objetivo geral deste estudo, foram elaboradas oito atividades que envolvem a Psicomotricidade Relacional para a formação humana integral que são descritas a seguir.

a. Jogo do Espelho:
Passo 1: Divida os estudantes em pares.
Passo 2: Cada par deve escolher um líder e um seguidor.
Passo 3: O líder realiza movimentos corporais lentos e o seguidor tenta imitar esses movimentos, como se estivessem se olhando em um espelho.
Passo 4: Após alguns minutos, os papéis são invertidos.
Passo 5: Depois que todos os pares tiverem praticado, discuta sobre a importância da comunicação não verbal e da empatia na interação humana.

b. Circuito Sensorial:
Passo 1: Monte um circuito com diferentes texturas no chão (areia, grama, tapetes felpudos, etc.).
Passo 2: Divida os estudantes em grupos pequenos.
Passo 3: Um de cada vez, os estudantes devem percorrer o circuito descalços, explorando as sensações táteis.
Passo 4: Durante a atividade, os estudantes podem compartilhar suas experiências e emoções com o grupo.
Passo 5: Ao final, discuta como diferentes sensações podem afetar o estado emocional e a percepção do ambiente.

c. Dinâmica do Abraço em Grupo:
Passo 1: Forme um círculo com os estudantes.
Passo 2: Um voluntário no centro do círculo inicia a atividade.
Passo 3: Este voluntário escolhe alguém do círculo e dá um abraço.
Passo 4: A pessoa abraçada agora se torna o voluntário e repete o processo.
Passo 5: Esta dinâmica promove a proximidade física e emocional entre os participantes, reforçando os vínculos sociais.

d. Expressão Corporal com Música:
Passo 1: Coloque uma música instrumental que transmita diferentes emoções.
Passo 2: Peça aos estudantes que se movam livremente pelo espaço, expressando as emoções que sentem conforme a música.
Passo 3: Após a atividade, os estudantes podem compartilhar suas experiências e percepções sobre como a música influencia seus movimentos e estados emocionais.
Passo 4: Isso promove a consciência corporal e a capacidade de expressar emoções por meio do movimento.

e. Construção de Pontes Humanas:
Passo 1: Divida os estudantes em grupos.
Passo 2: Cada grupo deve formar uma “ponte” com seus corpos, conectando-se uns aos outros.
Passo 3: Um de cada vez, os estudantes podem atravessar as pontes criadas por outros grupos.
Passo 4: Isso promove o trabalho em equipe, a confiança e a cooperação entre os estudantes.

f. Jogo da Confiança:
Passo 1: Os estudantes formam pares.
Passo 2: Um estudante fecha os olhos e o outro o guia pela sala, garantindo sua segurança.
Passo 3: Após alguns minutos, os papéis são invertidos.
Passo 4: Os estudantes discutem sobre a importância da confiança mútua e da comunicação clara na interação humana.

g. Contação de Histórias com Movimento:
Passo 1: Escolha uma história com personagens e situações que permitam a representação por meio de movimentos corporais.
Passo 2: Os estudantes leem a história e identificam os momentos-chave para representar.
Passo 3: Em grupos, eles criam sequências de movimentos para representar esses momentos.
Passo 4: Cada grupo apresenta sua versão da história por meio dos movimentos.
Passo 5: Isso promove a criatividade, a expressão corporal e a compreensão emocional das narrativas.

h. Montagem de Coreografias em Grupo:
Passo 1: Divida os estudantes em grupos.
Passo 2: Cada grupo recebe uma música e a tarefa de criar uma coreografia que transmita uma mensagem específica (por exemplo, trabalho em equipe, superação, amizade, etc.).
Passo 3: Eles praticam e refinam suas coreografias.
Passo 4: No final, cada grupo apresenta sua coreografia para os outros, seguido de uma discussão sobre as mensagens transmitidas e as habilidades de colaboração necessárias para criar a apresentação.

As atividades elaboradas e descritas neste estudo sobre Psicomotricidade Relacional visam proporcionar oportunidades para que os estudantes desenvolvam habilidades sociais, emocionais, cognitivas e físicas de forma global e plena, promovendo uma formação humana integral no contexto do curso Técnico Integrado de Hospedagem de nível médio (Educação Profissional, Científica e Tecnológica – EPCT), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IFF.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A Psicomotricidade Relacional é uma abordagem que valoriza a interação entre os aspectos físicos, cognitivos, emocionais e sociais do desenvolvimento humano. Ela pode ser aplicada de várias maneiras para promover a formação humana integral dos estudantes do curso técnico integrado de hospedagem de nível médio.

O problema norteador da pesquisa foi respondido visto que a análise documental tem resultados positivos no que tange à previsão de pressupostos teórico-práticos sobre a formação humana integral e que podem ser divulgados, ampliando suas possibilidades de reflexão e ação.  

O objetivo geral deste estudo foi alcançado, pois, a partir da análise dos documentos de domínio público e no portal do IFF, foram elaboradas oito atividades descritas, que visam favorecer a ampliação das práticas de formação humana integral, por meio da Psicomotricidade Relacional e, que podem ser utilizadas ao longo do curso Técnico Integrado de Hospedagem, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IFF, no âmbito da Educação Profissional, Científica e Tecnológica – EPCT.

A Psicomotricidade Relacional possibilita romper com o modelo de ensino tradicional e fragmentado. Nessa lógica, os docentes precisam refletir sobre a prática pedagógica, preocupando-se com os saberes dos estudantes como um sujeito existencial e de relações mútuas. De modo análogo, acredita-se que os estudantes também possam assumir uma nova postura, posto que os mesmos precisam ser ativos e autônomos na construção dos conhecimentos e no desenvolvimento de competências relacionais para o mundo do trabalho, com vistas a uma formação humana integral. Ressalta-se que, para se ter resultados mais extensos, as atividades elaboradas podem ser amplamente divulgadas para outros docentes e instituições de ensino. 


3Psicomotricistas Relacionais formados por André e Anne Lapierre, criadores do método.


4. REFERÊNCIAS:

ABP, Associação Brasileira de Psicomotricidade. Histórico da Psicomotricidade. Disponível em: https://psicomotricidade.com.br/historico-da-psicomotricidade/. Acesso em: 20 de jul. de 2023.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. 70. ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 2011.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 19 jul. 2023.

BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 6, 20 setembro de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Diário Oficial da União. Brasília, 2012.

BRASIL. Resolução CONSUP/IFFLU nº 20, de 28 de abril de 2021. Aprova a Reformulação do Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Hospedagem Integrado ao Ensino Médio, do Campus Cabo Frio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. Disponível em: https://portal1.iff.edu.br/nossos-campi/cabo-frio/cursos/cursos-tecnicos/curso-tecnico-em-hospedagem. Acesso em: 19 de jul. de 2023.

BRASIL. LEI Nº 13.794, DE 3 DE JANEIRO DE 2019. Dispõe sobre a regulamentação da atividade profissional de psicomotricista e autoriza a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Psicomotricidade. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13794.htm#:~:text=1%20o%20Esta%20Lei%20regulamenta,I%20%2D%20(VETADO)%3B. Acesso em: 23 de set. de 2023.

CHAGAS, E. L. T.; SALAZAR, D. M.; QUEIROZ, J. P. N.  A Formação Humana Integral nas Diretrizes para a Internacionalização no IFAM. Educação Profissional e Tecnológica em Revista, v. 4, n° especial, 2020, p. 201 – Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. ISSN: 2594 – 4827. Disponível em: file:///C:/Users/luuiz/Downloads/640-Texto%20do%20artigo-2092-1-10-20200430%20(1).pdf . Acesso em: 26 de jul. de 2023.

FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade. 2. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

FRIGOTTO, G. Educação omnilateral. In: CALDART, R. S. et al. Dicionário da Educação do Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Expressão Popular, 2012.

GUSI, E.; PRIGOL, E. L. Formação Pessoal e Profissional à luz da Psicomotricidade Relacional. 1. ed. Curitiba: Appris, 2019.

KUENZER, Acacia Zeneida. A reforma do ensino técnico e suas consequências. In: Educação profissional: tendências e desafios. Documento final do II Seminário sobre a Reforma do Ensino Profissional, Curitiba, Sindocefe – PR, 1999.

LAPIERRE, A.. Cuerpo y Psiquismo. Revista Iberoamericana de Psicomotricidad y Técnicas Corporales, 2008, 31(8), 15-20. Recuperado de: https://dialnet.unirioja.es/ejemplar/273906.

MOI, Raysa Soares. Um Breve Histórico, Conceitos e Fundamentos da Psicomotricidade e sua relação com a Educação. In: 6º Seminário Fluminense de Pós-Graduandos em História, 2019, Rio de Janeiro. Anais do 2º Encontro Internacional de Histórias e Parcerias, Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: https://www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org/resources/anais/11/hep2019/1569516955_ARQUIVO_84ce39886d1b511e9c1ba9efecb6d6c5.pdf. Acesso em 26 de jul. de 2023.

MORIN, Edgard. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.

MOURA, Dante Henrique. A formação de docentes para a educação profissional e tecnológica. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. v. 1, n. 1, jun. 2008. p. 23-38.

MOURA, Dante Henrique. Ensino médio e educação profissional: dualidade histórica e possibilidade de integração. In: MOLL, Jaqueline et al. (Org.). Educação profissional e tecnológica no Brasil contemporâneo: desafios, tensões e possibilidades. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 58-79.

MOURA, Dante Henrique. Educação Básica e Educação Profissional e Tecnológica: Dualidade Histórica E Perspectivas de Integração. Revista Holos. Natal, v. 2, Ano 23, p. 4- 30, 2007.

RAMOS, M. Concepção do Ensino Médio Integrado. Secretaria de Educação do Estado do Paraná, Paraná, p. 1-30, mai. 2008.


 1Graduada com Licenciatura Plena em Pedagogia (UVA/2018 PROUNI com bolsa 100 Integral) e Licenciatura em Educação Física (Faveni/2020). Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica, Institucional e Educação Infantil; Gestão, Administração, Supervisão e Orientação Escolar; Educação Especial e Inclusiva; Docência na Educação Profissional e Tecnológica (IFTO); e Metodologias e Práticas para a Educação Básica (IFFAR). Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica – IFFluminense. Email: moi.raysa20@gmail.com;
 2Doutora em Ciências da Educação (Universidad Americana/PY – (diploma rec pela UNIAN/SP). Mestre em Cognição e Linguagem (UENF/RJ). Pós-Graduada em Psicopedagogia. Pós-Graduada em Educação Infantil. Pós-Graduada em Arteterapia em Educação e Saúde. Professora Orientadora – Docente dos cursos de Graduação (Licenciaturas) e do Mestrado ProfEPT – IFFluminense. Email: bianca.ferreira@iff.edu.br