THE FINANCIAL STRATEGY USED BY FEDERAL PUBLIC SERVANTS IN MID-LEVEL POSITIONS AT THE FLUMINENSE FEDERAL UNIVERSITY – LAW SCHOOL IN NITERÓI IN FIXED-INCOME INVESTMENTS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503311930
Jayme de Souza Junior1
Pedro Luiz Barros Soares2
João Paulo Gibson Nunes3
Resumo
Este trabalho tem como objetivo descobrir quais são as estratégias realizadas pelos servidores públicos federais de cargos de nível médio da universidade federal Fluminense da Faculdade de direito em Niterói em aplicações de renda fixa, um tipo de investimento, muito usado por pessoas físicas que tenham um perfil conservador, um perfil avesso ao risco, o investimento em renda fixa mostrando suas características e peculiaridades. Com isso, permite ao investidor fazer uma análise robusta dessa aplicação, procurando, de acordo com seus objetivos, identificar o melhor tipo de produto para se investir. Com isso, inicialmente, será descrita a evolução do dinheiro na história humana e uma descrição dos órgãos atuantes no mercado financeiro, para que tenhamos uma visão geral, com o intuito de saber onde o investimento em renda fixa está localizado dentro do Sistema Financeiro Brasileiro. Portanto, nesse trabalho, chega-se à conclusão que o Investimento em Renda fixa é uma aplicação que pessoas físicas de perfil conservadoras possam investir, devido ao fato dessa aplicação apresentar poucos riscos.
Palavras-chave: Investimento em renda fixa. Perfil conservador. Servidores Públicos.
1. INTRODUÇÃO
Devido à instabilidade econômica vivida pelo Brasil nesta última década, saber investir tornou-se uma importante ferramenta para um futuro Administrador de Empresas, que exercerá essa profissão lidando tanto com o ambiente externo e interno de uma determinada organização. Uma das opções de investimento, que é considerado seguro pela maioria dos especialistas da área financeira, é o investimento de renda fixa, pois permite com antecedência ou quase, visto aqueles produtos que estão atrelados a algum indexador, como por exemplo, o CDB – pós fixado atrelado a CDI, indexador que representa a taxa ótima de juros, saber os rendimentos (juros) finais da operação, e com isso, permite o investidor fazer um planejamento, para atingir os seus objetivos, devido ao fato de já saber o lucro que seu investimento terá durante o prazo que ficará investido, podendo ser dias, meses ou anos (GITMAN, 2004).
O mercado Financeiro é um mercado muito amplo, com isso, há diversas possibilidades de investimentos. Conhecer a sua estrutura, dá ao aplicador a noção geral de como esse mercado funciona e quem são os órgãos que fazem parte dele. Nesse mercado, os investimentos são divididos em dois: investimento em renda variável e fixa. Na renda variável, o investidor não sabe, no momento da aplicação, a sua remuneração final, com isso, há imprevisibilidade é uma das principais características desse investimento, por isso, neste trabalho dar-se-á ênfase no investimento de renda fixa, que é considerado uma aplicação conservadora, pois o principal objetivo deste artigo é responder a seguinte pergunta: Quais os produtos financeiros recomendáveis para uma pessoa física de perfil conservador, avesso ao risco, que pretende ingressar no mundo dos investimentos?
Tendo em vistas a questão dos servidores federais de cargo de nível médio da Universidade Federal Fluminense da Faculdade de Direito em Niterói, objetivo geral desse projeto é fazer uma análise da gestão financeira desses servidores, com o objetivo de averiguar se os mesmos utilizam uma parte de seus vencimentos básicos em investimento de renda fixa, contribuindo assim, para o alcance de objetivos futuros como aposentadoria, ou mesmo, uma viagem nas férias, melhorando seu desempenho de suas atividades na repartição.
Tendo em vista esta questão, o presente trabalho de conclusão do curso tem como objetivo geral: fazer uma análise sobre o investimento em renda fixa, analisando os principais produtos e descrevendo-os, mostrando suas características e peculiaridades.
Para o alcance desse objetivo geral foram estabelecidos como objetivos específicos: contextualizar o dinheiro na sociedade, fazendo assim, a evolução dele perante os vários séculos da humanidade. Descrever a estrutura do Mercado Financeiro Brasileiro, pontuando os principais órgãos e as suas atribuições. Descrever e verificar os principais produtos e indexadores dos investimentos em renda fixa. Mostrar que o investimento em renda fixa pode ser o investimento mais adequado para as pessoas físicas de perfil conservador.
Os objetivos específicos deste estudo consistem, primeiramente, em elaborar uma pesquisa de campo com o propósito de obter informações sobre as finanças pessoais dos servidores públicos federais, especialmente no que se refere aos investimentos realizados e à forma como esses influenciam o desempenho nas atividades do cargo. Em segundo lugar, pretende-se pesquisar diversos estudos elaborados nos últimos dez anos acerca do investimento em renda fixa, com o intuito de traduzir a teoria à prática no contexto da Universidade. Por fim, busca-se realizar uma análise estatística com base nos dados obtidos, de modo a gerar informações que possam ser encaminhadas à instituição para subsidiar a criação de programas voltados à educação financeira dos servidores, com ênfase nas aplicações em renda fixa.
Acredita-se que os servidores da Faculdade de Direito da UFF de Niterói, ao terem uma boa gestão financeira de seus recursos, investindo em ativos de renda fixa, poderia aumentar seu desempenho nas funções de seus cargos, visto que trabalhariam com mais motivação, não levando os problemas de origens internas para as atividades da repartição. Dessa forma, o conhecimento em investimento permite ao servidor construir uma renda extra para alcançar seus planos: uma viagem, um show, ou mesmo um vídeo game, estimulando assim a conquistálos.
Com esse estudo, busca-se conhecer as características desses servidores no âmbito de suas finanças pessoais e traçar um perfil para que a Universidade Federal Fluminense possa conhecê los melhor e, com isso, desenvolver programas para incentivá-los a utilizar uma parte do vencimento básico, para obter uma renda extra que pode ser utilizada como diversas finalidades como por exemplo: uma viagem nas férias, ou mesmo, na aposentadoria.
Observa-se que a maioria da população brasileira possui altos índices de endividamento, devido a má gestão de seus recursos financeiros, permitindo assim, a criação de obrigações que muitas das vezes não podem ser pagas. Com esse cenário em mente, o desempenho dessas pessoas tende a piorar nas suas atividades cotidianas. No serviço público, a situação é similar, visto que, embora pertença a uma classe distinta dos trabalhadores da iniciativa privada, o mau uso dos seus vencimentos acarretam em distorções no seu trabalho principal: servir a sociedade.
Esse estudo visa resolver o problema da não preocupação com as finanças pessoais dos servidores públicos federais de cargo de nível médio da Universidade Federal Fluminense na Faculdade de Direito, que embora possuam a estabilidade para se manter no cargo, não procuram utilizar o capital dinheiro para obter uma vida financeira saudável, evitando assim, contrair dívidas, fato que impactam diretamente nas funções de seus cargos.
O investimento em renda fixa, principal objetivo do trabalho é considerada a porta de entrada para que as pessoas comecem a aplicar seu dinheiro, pois é uma aplicação, no qual a sua principal característica é a previsibilidade, ou seja, antes de investir, o investidor tem uma noção de quanto ganhará no futuro, sendo assim, o iniciante consegue observar a evolução do seu capital, com poucos riscos.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Segundo Freitas (2005), o dinheiro é o elemento usado como intermediador nas relações comerciais entre pessoas físicas e pessoas jurídicas. Ele passou por várias transformações até chegar ao que nós conhecemos hoje. No começo da humanidade, não havia um objeto responsável pela intermediação, o homem produzia o suficiente para a sua subsistência, mas com o passar dos anos, devido ao aumento dos grupos de população, começou a aumentar a produção de, gerando, assim, excedente na produção.
Com isso, os donos da produção tinham que ir para outras localidades para tentar trocá-los por outras mercadorias que ele não produzia. Esse lugar é conhecido como mercado, local onde há troca de interesses, e como não havia nenhuma ferramenta para fazer a valoração dos produtos, acontecia o Escambo, troca de mercadorias por outra, complementa (FREITAS, 2005).
Neste cenário Kenski (2012) afirma que no percurso da história humana diversas matérias foram usadas como moeda de troca, por exemplo, os chocolates entre a civilização Asteca, Mulheres escravizadas nos antigos irlandeses e o bacalhau entre os noruegueses, na Idade Média. Com o passar dos anos, devido à dificuldade de locomoção de produtos, para a realização das trocas, foram criadas moedas feitas a ouro e metal para facilitar as permutas de produtos.
Figura 1 – Ilustração do Escambo (troca) do início da civilização
Fonte: Mapa do Sucesso (2017)
Com o aumento da produção, influenciada pelo aumento dos grupos humanos, houve o surgimento de muitas mercadorias, tendo assim, uma enorme dificuldade para se estabelecer trocas justas, desse modo, dois elementos foram usados como referência, o Gado, pois fornecia o leite e seus derivados e o sal, peça rara naquele período. Coimbra (2018) acentua esse pensamento:
Com o avanço dos meios de transportes, os grupos de pessoas começaram a estreitar relações, com isso foi necessário a criação de um objeto que seria usado como intermediário da relação, a moeda, para que conseguissem mensurar o valor de cada produto (FREITAS, 2015).
De acordo com a Casa da Moeda brasileira (2015), as primeiras moedas, tal como conhecemos hoje, peças representando valores, geralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no século VII A. C. Contudo, essas moedas eram feitas de uma maneira rudimentar, porém foi de grande evolução na época.
Figura 2 – Primeiras moedas da história
Fonte: newgreenfil.com (2019)
No avançar do tempo com o surgimento da moeda, surgiu a necessidade de se resguardar contra roubos e, por isso, surgiu a figura dos Bancos, conforme explica o site da Casa da Moeda do Brasil (2015):
“A necessidade de guardar as moedas em segurança deu surgimento aos bancos. Os negociantes de ouro e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passaram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guardadas. Esses recibos (então conhecidos como “goldsmith´s notes”) passaram, com o tempo, a servir como meio de pagamento por seus possuidores, por serem mais seguros de portar do que o dinheiro vivo. ”.
Figura 3 – Monte dei Paschi di Siena – banco mais antigo do mundo, fundado em 1472
Fonte: Vivatoscana.com (2016)
Com o passar do tempo, os governos, com o intuito de se prevenir contra falsificação de moedas, começaram a controlar sua emissão e, assim, medindo o poder de compra e pagamento delas. Com isso, a confecção contemporânea de moedas apresenta um padrão muito rígido, dificultando assim, sua criação por meios ilícitos. No mundo moderno, há outras formas de moedas criadas e regulamentadas pelos governos para dar praticidade na hora das compras, como por exemplo, o cartão de crédito. (BATISTA, 2019).
O dinheiro, de origem bem antiga, ainda continua vigente na sociedade contemporânea, fazendo a intermediação entre compradores, porém o dinheiro, em forma de papel, está, cada vez mais, dando lugar a outras formas, como por exemplo o cartão de crédito e débito e mais recentemente as moedas virtuais, os bitcoins (ULRICH, 2014).
Portanto, essas explicações contribuem para a pesquisa, pois mostram como se deu a evolução do dinheiro e como ele é importante para se viver em sociedade, visto que ele é usado como intermediador nas relações de compra e venda (ULRICH, 2014).
Com isso, no próximo capítulo, será mostrado a definição de Mercado Financeiro e como está estruturado o Sistema Financeiro Nacional, com seus órgãos e suas atribuições.
2.1 MERCADO FINANCEIRO
2.1.1 DEFINIÇÃO
Conhecer o Mercado Financeiro se tornou essencial, e com o passar dos anos, a necessidade de entendê-lo aumentou devido ao papel que ele exerce na economia de um país e, ao mesmo tempo, com a amplitude que suas operações estão alcançando (ASSAF NETO, 2006).
No ambiente econômico, operam as empresas que estão rodeadas por agentes econômicos poupadores (ou seja, com excesso de recursos) e agentes econômicos deficitários (ou seja, com falta de recursos). Esses agentes são as famílias, empresas e o governo. No orçamento familiar, quando o orçamento der para cobrir todos os custos da casa (energia elétrica, telefone, água, internet etc.) e ainda sim, sobrar dinheiro, é dito que a família é superavitária, porém quando acontecer o oposto, ou em outras palavras, há falta de recursos para suprir as necessidades mensais, fato que, faz com que essa família precise de um empréstimo, então essa família é deficitária. O mesmo raciocínio pode ser usado para as empresas e o governo: se no orçamento for possível pagar todas os custos (empresas) e Demandas sociais (Governo) e, mesmo assim, sobrar algum capital para investir, trata-se de Agentes superavitários, contudo quando incorrer em déficit, ou seja, quando a dotação for insuficiente e eles estiverem dispostos a recorrer ao mercado financeiro em busca de recursos, denominam-se Agentes Econômicos Deficitários (VEIGA, 2009).
Segundo Fortuna (2005) denomina-se Mercado Financeiro o ambiente, no qual, os superavitários (poupadores), sem ambição de investir em algum empreendimento próprio, encontram-se com os deficitários, através de uma instituição que faz a intermediação. Complementa Veiga (2009) afirmando que o Mercado Financeiro é o responsável por fazer a “ponte” entre os agentes Econômicos.
De acordo com Veiga (2009) o objetivo da intermediação financeira é fazer a aproximação entre a demanda e a ofertas de produtos no Mercado das Finanças, em outras palavras, ele tem o objetivo de captar os recursos dos poupadores e transferi-los aos deficitários.
A intermediação financeira é a aproximação entre a oferta e a procura de recursos no mercado financeiro. O processo de intermediação financeira significa a captação de recursos excedentes dos agentes econômicos poupadores e a cessão destes recursos aos agentes econômicos deficitários (VEIGA, 2009).
Figura 4 – Processo de Intermediação Financeira
Fonte: Bebczuk (2003)
De acordo com a lei da reforma bancária
“Instituições financeiras são as pessoas jurídicas públicas e privadas que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros” (Lei nº 4.595/64, Art. 17)
Veiga (2009) define instituições financeiras como pessoas, podendo ser físicas ou jurídicas, ou mesmo privadas e públicas, que tem como função captar, intermediar e utilizar valores próprios ou de terceiros, em moeda local, ou estrangeira.
O Mercado Financeiro é dividido em segmentos, e embora haja essa divisão, na prática essas operações financeiras se interligam por meio de amplo sistema de comunicações. E ainda por cima, todos usam a mesma taxa básica de juros, Taxa Selic. (ASSAF NETO, 2006). No mesmo campo de visão, Veiga (2009) complementa que devido à complexidade do mercado determinou a necessidade de haver uma divisão operacional do Mercado Financeiro em quatro: Mercado Monetário, Mercado de Crédito, Mercado Cambial e Mercado de Capitais.
O Mercado Monetário contém operações de curto e curtíssimo prazos, agindo dessa forma para um controle rápido da liquidez da economia e da taxa básica de juros da economia. (ASSAF NETO, 2006). Olhando na mesma direção, Gitman (2010) colabora definindo-o como um mercado criado através de uma relação entre as pessoas ofertantes e demandantes de curto e curtíssimo prazo. Veiga (2009) define:
“O Mercado Monetário é o segmento do mercado financeiro voltado ao desenvolvimento de atividades de intermediação financeira, relativas ao controle da liquidez monetária da economia, do financiamento dos tesouros nacional, estaduais e municipais e ao eventual suprimento de caixa das instituições financeiras”
Nesse mercado são negociados os títulos públicos, que tem como objetivo financiar o orçamento público, tais como o NTF – Notas do Tesouro Nacional, e diversos outros títulos públicos emitidos pelos Estados e Municípios. Além disso, CDI’s, exclusivamente entre instituições Financeiras, visto que, essas não podem terminar o dia no “Vermelho”, devido a lei de “ouro” e títulos privados, como CDB e Debêntures (ASSAF NETO, 2006).
Outra forma de mercado é o mercado de Crédito, que é um segmento do mercado financeiro de curto e médio prazos (ASSAF NETO, 2006). “Destinados às operações de crédito pessoal, crédito direto ao consumidor e financiamento de capital de Giro” (VEIGA, 2009).
Dessa forma é um mercado constituído, em suma, por bancos comerciais e Sociedades Financeiras. (ASSAF NETO, 2006). Dando a sua contribuição, Veiga (2009) complementa que os bancos múltiplos também fazem parte desse mercado.
Ainda de acordo com Veiga (2009), as Letras de Câmbio (LC), os Certificados de Depósitos Bancários (CDB) e os Recibos de Depósitos Bancários (RDB) são os principais produtos nesse mercado.
De acordo com Assaf Neto (2006), mercado de crédito é um mercado responsável pelas conversões de moedas de um país pelo outro. Essa conversão é importante devido ao comércio internacional. Fortuna (2005) afirma que no Brasil, as práticas “cambiais” não podem ser feitas de uma maneira livre e, com isso, devem ser realizadas através de uma instituição bancária autorizada.
Dando a sua colaboração, Veiga (2009) completa que nesse mercado é realizado transações “à vista” ou de curtíssimo prazo, participando assim, o Banco Central do Brasil, bancos múltiplos, bancos de investimento, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e as corretoras de câmbio.
Com isso o mercado de Capitais tem como umas das características ser de médio e longo prazos, podendo, inclusive, ser de prazo indeterminado, como por exemplo, as ações. (ASSAF NETO, 2006). Contudo Gitman (2004) define como “aquele que permite transações entre ofertantes e demandantes de fundos de longo prazo”.
De acordo com Veiga (2009), o mercado de Capitais tem como objetivos o financiamento do capital de giro e do capital permanentes das empresas, aquisição de moradia, ou mesmo prédios comerciais.
Neste segmento operam os bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, sociedades corretoras de títulos etc… e entre os principais títulos desse mercado são: ações, debêntures, poupança, letras imobiliárias e as letras hipotecárias (VEIGA, 2009).
Tabela 1 – A Segmentação do Mercado Financeiro
Segmentos | Prazos | Finalidade | Tipo de intermediação |
Monetário | Curto | Controle de liquidez monetária da economia | Bancário e não bancário |
Crédito | Curto, médio | Consumo e Capital de giro | Bancário e não bancário |
Câmbio | Curto e à vista | Conversão de moedas | Bancário e auxiliar |
Capitais | Médio, longo | Investimentos, capital de giro e operações | Não bancário |
Fonte: CVM – Comissão de Valores Monetários
2.1.2 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
O Sistema Financeiro Nacional é um conjunto de instituições financeiras e instrumentos financeiros que tem como objetivo fazer a transferência dos recursos dos agentes superavitários para os deficitários (ASSAF NETO, 2006).
Segundo Veiga (2009), o SFN é composto por órgãos normativos, entidades supervisoras e operadores.
Tabela 2 – Composição e Segmentos do Mercado Financeiro
Fonte: BACEN – Banco Central
2.1.2.1 ÓRGÃOS NORMATIVOS
2.1.2.1.1 CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL (CMN)
De acordo com Assaf Neto (2006) o CMN é a entidade principal do Sistema Financeiro Nacional. Ele é o responsável pela fixação das diretrizes das políticas monetária, de crédito e cambial do país.
2.1.2.1.2 CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS
É a entidade máxima do mercado de seguros privados. Ele é o responsável por dar a direção e as normas políticas para os seguros privados (VEIGA, 2009).
2.1.2.1.3 CONSELHO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
É a entidade máxima do mercado de previdência complementar. É vinculado ao Ministério da Previdência Social. Ele tem a função de regular, normatizar e coordenar as atividades da previdência Complementar (VEIGA, 2009).
2.1.2.2 ENTIDADES SUPERVISORAS
2.1.2.2.1 BCB – BANCO CENTRAL DO BRASIL
De acordo com o regimento interno do Banco Central do Brasil, o BCB é uma autarquia de cunho federal ligado ao Ministério da Fazenda, criado pela lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964 com sede e foro na Capital da República (Brasília) e com atuação em todo o território Brasileiro.
Assaf Neto (2006) complementa que o Bacen é o principal órgão do poder executivo relacionado às políticas traçadas pelo Conselho Monetário e é o órgão responsável por fiscalizar as instituições dentro do SFN – Sistema Financeiro Nacional.
Fortuna (2005) destaca que é através do Bacen que o Governo atua de uma maneira direta no Sistema Financeiro e não diretamente, na economia.
2.1.2.2.2 CVM – COMISSÃO DE VALORES MONETÁRIO
A CVM é uma autarquia (Pessoa Jurídica de direito público) ligada ao Ministério da Fazenda que atua sob a conduta do Conselho Monetário Nacional – principal órgão do Sistema Financeiro Brasileiro (ASSAF NETO, 2006).
Esse órgão foi criado pela Lei 6.385, no dia 07/12/1976, ficando conhecida como a Lei da CVM. Foi fixada como órgão normativo do Sistema Financeiro Nacional, com atuação voltada para o desenvolvimento e fiscalização do mercado de valores mobiliários que não são criados pelo sistema financeiro e o tesouro direto (FORTUNA, 2005).
2.1.2.2.3 SUSEP – SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS.
É o órgão responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguros, capitalização e previdência privada aberta (todos podem aderir). É vinculada ao Ministério da Fazenda (VEIGA, 2009).
Segundo Fortuna (2005) duas das atribuições da SUSEP são: proteger a liquidez e a solvência das instituições que integram o mercado e dar condições para que a CNSP -Conselho Nacional de Seguros Privados – atue.
2.1.2.2.4 PREVIC – SUPERINTENDÊNCIA NACIONAL DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
A PREVIC foi criada pela MP (medida provisória) de 30/12/2004, com o objetivo de substituir o SPC – Secretaria de Previdência Complementar- é uma autarquia de natureza especial, que é responsável pela supervisão e fiscalização das atividades da previdência privada fechada (FORTUNA, 2005).
2.1.2.3 ÓRGÃOS OPERADORES
São instituições financeiras que realizam as intermediações financeiras. O conjunto dessas instituições é denominado subsistema de intermediação. Essas instituições só podem atuar com autorização do Banco Central (BACEN) (VEIGA, 2009).
Essas instituições não podem captar depósitos à vista. São pessoas jurídicas de direito público ou privado que têm o objetivo de captar e ceder recursos de terceiros. Com isso, operam em segmentos especializados através de mecanismos específicos. Neste conjunto, destacam-se os bancos de investimentos e a bolsa de valores (VEIGA, 2009).
2.1.2.3.1 BANCO DE INVESTIMENTOS
Segundo Assaf Neto (2006) os bancos de investimentos são grandes distribuidores de créditos de médio e longo prazo no mercado. Supre os agentes que não têm recursos para investir em capital de giro e capital fixo. Além das suas próprias reservas e das suas próprias operações, os bancos de investimentos operam com recursos de terceiros, principalmente os Certificados de depósitos bancários (CDB).
2.1.2.3.2 BOLSA DE VALORES
É na bolsa de valores que são negociados os títulos e ações. Ela mantém um sistema organizado de negociação. Essas negociações podem ser consideradas a termo, ou seja, com prazo definido ou à vista. Os processos de compra e venda são feitos em pregões. Na atualidade, eles são online. Na Bolsa de Valores são negociados títulos e valores mobiliários de emissão das sociedades anônimas de capital aberto, em outras palavras, capital aberto para ser adquirido por outras pessoas, registradas na CVM (FORTUNA, 2005).
3. INVESTIMENTO EM RENDA FIXA
3.1 DEFINIÇÃO
Os investimentos são divididos em dois grupos: variáveis e fixos. Na renda variável, o investidor não sabe, no momento do investimento, quanto ganhará no futuro, visto que esse tipo de negociação é marcado pela imprevisibilidade do rendimento, em outras palavras, o investidor poderá obter lucros acima da média, na média, ou em situações desastrosas, obter prejuízos. O mais famoso mercado de renda variável é o mercado de ações, no qual empresas, de diversos ramos, abrem suas ações, com o objetivo de adquirir dinheiro para seus projetos (SOUZA, 2010).
Na renda fixa, o pensamento é o oposto. Nela, o investidor tem uma noção de quanto ganhará no futuro, sendo definida como um investimento em que o valor futuro é conhecido no início de sua aplicação, ou seja, a pessoa, por exemplo, compra um CDB – Certificado de Depósito Bancário de um determinado banco e será remunerada com os juros estabelecidos pelo próprio banco (BERGER, 2012). Com isso, pessoas com perfil avesso ao risco, preferem essa aplicação, pois tem como principal característica a previsibilidade (INDECH, 2018).
Complementa Souza (2010) que a remuneração de um investimento em renda fixa pode ser pré-fixada, pós-fixada e mista. Na pré-fixada, o aplicador sabe, antes de fazer a ação, o quanto ganhará no futuro, ou seja, o valor total da sua aplicação, em outras palavras, se o investidor aplicar R$1000 em um CDB que rende 10% a.a., então ele saberá que no final desses 365 dias, ele terá uns juros de R$ 100 e um montante de R$1100. Na pós-fixada, o aplicador não sabe ao certo quanto ganhará no futuro, visto que ela é guiada por um indexador, que varia conforme a conjuntura econômica do país, porém mesmo que não há uma mudança na taxa indexadora, ainda sim, a mudança é pequena se comparado com o mercado de ações. Na mista, como o próprio nome diz, há uma mistura entre a pré e a pós fixada, visto que uma parte do rendimento você saberá, porém, a outra parte estará associada a um indexador.
3.2 PRINCIPAIS INDEXADORES
Conforme foi apresentado, os investimentos de renda fixa podem ter seus rendimentos atrelados a um indexador. De acordo com Indech (2018), os principais indexadores são: taxa CDI (taxa de juros interbancária), IPCA (índice de preços ou inflação), IGP-M (índice de inflação), SELIC (taxa básica de juros).
3.2.1 TAXA CDI
No mercado Interfinanceiro estão as instituições financeiras, no qual atuam como compradores e vendedores de dinheiro. Essas operações são lastreadas pelo CDI – Certificado de Depósito Bancário. No Brasil, por determinação do BACEN – Banco Central – os bancos não podem fechar o dia no “vermelho” por isso negociam entre si através de uma taxa, CDI. Ela é considerada a taxa ótima de juros, visto que ela não sofre intervenções oficiais diretas, com isso, reflete de maneira mais livre, as vontades do mercado. Ela é considerada um dos principais indexadores no mercado de renda fixa, visto que os principais produtos têm nela o principal indexador (ASSAF NETO, 2003).
A CETIP – Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos – tem como função fazer o registro de todas as negociações de uma maneira eletrônica, com os Certificados de Depósitos Interbancários não são diferentes, ou seja, como ela é responsável por fazer o registro, ela é a única que tem condições de fazer a média desse indexador. Atualmente, a taxa CDI está em 4,9% a.a., a taxa CDI mais baixa da história do Brasil (CETIP,2019).
3.2.2 IPCA
O IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. Ele é baseado na cesta de consumos de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com a pesquisa feita entre os dias 1º e 30 de cada mês, em 11 regiões metropolitanas no Brasil (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre). É através desse índice que o BACEN mede a inflação (aumento dos preços) do Brasil. Muitos produtos de renda fixa são atrelados ao IPCA, por exemplo Tesouro IPCA (NTN – B Principal) (FORTUNA, 2005).
De acordo com o IBGE (2019), a taxa IPCA acumulada está atualmente em 2,54% e a variação mensal da taxa IPCA para o mês de outubro está 0,10.
Figura 3 – Variação mensal
Fonte: IBGE (2019)
3.2.3 IGP-M
O Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) é medido pela FGV e é divulgado no final de cada mês de referência. Até o plano real, o seu objetivo era atualizar um título do governo, as Notas do Tesouro Nacional, títulos privados como as debêntures e aluguéis comerciais e residenciais (FORTUNA, 2005). De acordo com o Portal Brasil, o IGP-M é o índice utilizado para observar os aumentos de energia elétrica e os contratos de aluguéis, contudo o IGP-M ainda continua sendo usado por algumas instituições como índice nos rendimentos de renda fixa.
3.2.4 SELIC
De acordo com o Banco Central, a taxa SELIC é a taxa básica de juros da economia. Considerada o principal instrumento de política monetária do BACEN. Ela tem o poder de influenciar todas as outras taxas de juros do país. Ela é definida semanalmente através do COPOM (Comitê de Política Econômica). O COPOM foi instituído em 1996 e tem como finalidade fornecer as direções básicas do comportamento das taxas e, definindo assim, suas metas (FORTUNA, 2005).
O COPOM (2019) em sua 226º reunião, definiu a taxa Selic de 5% a.a., taxa básica de juros mais baixa da história, com expectativas de diminuir cada vez mais.
3.2.5 FGC
De acordo com Fortuna (2005), o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) é uma associação civil que não visa o lucro e que tem personalidade jurídica de Direito Privado. Ela tem como função ser como um “salva-vidas” de correntistas, poupadores e investidores em caso de falência de uma instituição.
Segundo o livro da CVM (2019), ele é mantido através de contribuições mensais de 0,0125% sobre todos os investimentos aplicados por um investidor em uma instituição financeira. Essa contribuição é feita diretamente pela instituição e não passa pelo investidor.
O FGC, até o final de 2017, podia recuperar os depósitos e créditos até 250 mil reais por CPF/CNPJ e por Instituição Financeira. Contudo, essa regra foi modificada pelo CMN que aprovou uma regra que estabeleceu um teto de 1(um) milhão de reais por CPF/CNPJ, a cada período de 4 anos. Muitos produtos de renda fixa são assegurados pelo FGC, como por exemplo, o CDB, ou seja, o FGC é o responsável por proteger os investimentos dando a eles a condição de serem chamados de seguros (INDECH,2018).
3.3 PRINCIPAIS PRODUTO DE RENDA FIXA
Para Indech (2018) os produtos de renda fixa no mercado brasileiro são divididos em duas classes: Títulos Privados (fornecidos por organizações privadas) e Títulos Públicos (fornecidos pelo governo).
3.3.1 TÍTULOS PRIVADOS
Os principais títulos no mercado atualmente são: CDB, RDB, LCI, LCA, CRI, CRA, LC, LF, Debêntures e a Poupança (INDECH, 2018).
3.3.2 CDB E RDB
Para a CVM (2019), o CDB – Certificado de Depósito Bancário é um título que representa um empréstimo que o investidor realiza com uma instituição financeira, na qual, ele receberá uma taxa de juros, que pode ser pré-fixada, pós-fixada, ou mista, acordadas no momento da compra. Além disso, essa instituição poderá fornecer liquidez diária (ou seja, o investidor poderá resgatar a qualquer hora) ou liquidez no vencimento (ou seja, o rendimento é liberado somente no final do vencimento). Ele é emitido por Bancos Múltiplos, Comerciais, Investimentos, de Desenvolvimento e Caixas Econômicas.
Complementa Assaf Neto (2003) que o CDB pode ser negociado antes do vencimento por intermédio de uma consulta ao banco que emitiu o título.
É considerado um investimento seguro, visto que é garantido pela FGC (Fundo Garantidor de Crédito), porém é cobrado IOF – Imposto sobre operações Financeiras retirado antes de completar 30 dias (1 mês). Além disso, é cobrado o imposto de renda seguindo uma tabela, que é regressiva, na qual quanto mais tempo deixar o dinheiro investido, menor será a cobrança desse imposto de renda. Por exemplo, se o investidor investir em um título, no qual, o prazo de vencimento dela seja menor que 6 meses, ele sofrerá uma redução de 25,5% dos seus rendimentos, conforme explicita a tabela abaixo. Por isso, o ideal, ao investir é ficar com o título pelo menos por dois anos, pois assim, terá uma incidência menor de imposto de renda, que neste caso, será de 15% sobre os rendimentos do período (INDECH, 2018).
Tabela 1 – Tabela Regressiva do Imposto de Renda em investimento de renda fixa
Tributação | Aplicações |
25,5% | Até 6 meses |
20% | De 6 meses a 1 ano |
17,5% | De 1 ano a 2 anos |
15% | Depois de 2 anos |
Fonte: Fortuna (2005)
O RDB – Recibo de Depósito Bancário possui a maioria das características do CDB, porém a diferença básica entre eles é que o CDB pode ser transferido por meio de endosso, por isso, pode ser negociado no mercado, porém o RDB é nominativo e intransferível (ASSAF NETO, 2005).
3.3.3 LCI e LCA
As LCI – Letras de Créditos Imobiliárias – foram criadas pela lei 10.931, de 02/08/04, para ser um novo instrumento financeiro, com o objetivo de financiar o setor imobiliário (FORTUNA, 2005).
A CVM (2019) complementa que a LCI é emitida pelos Bancos comerciais, múltiplos e de investimento, Caixa Econômica Federal e outras instituições que tenham autorização do Banco Central para fazer operações de crédito imobiliários. Seus rendimentos podem ser prefixados ou pós-fixados. É garantida pelo FGC, com isso, sendo considerado um investimento seguro, se for investido até 250 mil por CPF e Instituição Financeira, regras no qual, a FGC garante o ressarcimento desse investimento em caso de quebra da instituição criadora do Título.
Adicionando detalhes desse produto, Indech (2018) acrescenta que a principal característica desse título é que não há incidência de Imposto de Renda sobre os seus rendimentos, fato que permite maiores ganhos em comparação a maioria das aplicações de renda fixa. Para investir nesse título, o investidor deve ter em mãos, pelo menos, R$ 1000, pois a maioria das instituições que emitem esse título, pedem um investimento mínimo neste valor.
A LCA – Letra de Crédito do Agronegócio – apresenta as mesmas características de uma LCI, tendo também a segurança do FGC e não há incidência de Imposto de Renda. Contudo a LCA, conforme o próprio nome explícito, os recursos que ela obtém vão para área do Agronegócio, diferentemente da LCI que vão para o setor Imobiliário.
3.3.4 CRI e CRA
Para Incech (2018) a CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários – e a CRA – Certificado de Recebíveis Agrícolas são títulos de renda fixa com a finalidade de financiar o setor Imobiliário e o Agrícola respectivamente. Sua remuneração pode ser pré ou pós-fixada. Diferentemente dos títulos anteriores, esse título é emitido por Securitizadoras. A CVM (2019) a define como:
Securitizar é transformar direitos creditórios – como os provenientes das vendas a prazo nas atividades comerciais, financeiras ou da prestação de serviços – em títulos negociáveis no mercado. Uma sociedade securitizadora é uma companhia de natureza não financeira, cuja finalidade é a aquisição e securitização de créditos imobiliários. Constituída como sociedade anônima e registrada junto à CVM, pode, além do CRI, emitir outros títulos de crédito (por exemplo: debêntures), realizar negócios e prestar serviços compatíveis com as suas atividades.
Uma vantagem em relação ao CDB é que esse título não ocorre incidência de imposto de renda, porém não há garantia do FGC. Outro ponto importante é que nessas securitizadoras ocorrem o Regime Fiduciário, ou seja, garantem a segregação do risco do investidor, pois os recebíveis estão em uma conta separada do patrimônio da companhia, com isso, caso uma securitizadora tenha dificuldades financeiras, o pagamento dos investidores não será afetado (INDECH, 2018).
3.3.5 LC
As Letras de Câmbio são emitidas pelos financiados dos contratos de crédito, com isso sendo aceitas pelas instituições financeiras que participam da operação (ASSAF NETO, 2006).
Acrescentando, Incech (2018) que embora não faça relação com investimentos em moedas, as instituições financeiras utilizam essa ferramenta para obter recursos para empréstimos às pessoas físicas e jurídicas que fizeram algum tipo de financiamento. Com isso, esse título é gerado pelas instituições que atuam com crédito pessoal e consignado. Outro ponto importante é que o termo câmbio vem da cobrança desses créditos. Outro ponto positivo é que a LC é garantida pelo FGC.
De acordo com o livro da CVM (2019), as Letras de Câmbio são um investimento seguro, pois é garantido até o limite de 250 mil por CPF e instituições financeiras, caso a emissora deste título entre no estado de Valência. O ponto negativo é que sofre incidência de imposto de renda, seguindo a Tabela 3 – Tabela Regressiva do Imposto de Renda em investimento de renda fixa. É um investimento indicado para investidores que buscam diversificação nas suas aplicações e para começar a investir é necessário R$1000 que é aplicação mínima deste título.
3.3.6 LF
Para Indech (2018), as Letras Financeiras são produtos emitidos por instituições financeiras que têm o objetivo de captar recursos de longo prazo. Ela tem vencimento maior que 2 anos e um valor de emissão elevado. Contudo, o valor de remuneração, que pode ser pré ou pós fixados, é mais elevado que os outros investimentos vistos. Com isso, esse tipo de investimento é indicado para pessoas físicas que têm um aporte financeiro grande, devido ao valor mínimo inicial de 150 mil reais.
Contudo, segundo o livro da CVM (2019), o LF não é assegurado pelo FGC, fato que se a Instituição Financeira quebrar, o investidor não será ressarcido sobre o valor que investiu nesse título. O imposto de Renda segue a tabela 3 – tabela regressiva do Imposto de Renda dos investimentos em renda fixa. E ainda, se o investidor resolver tirar o dinheiro antes de 30 dias (1 mês) sofrerá a incidência de IOF – Imposto sobre Operações Financeiras.
3.3.7 DEBÊNTURES
As Debêntures são títulos de créditos fornecidos pelas sociedades anônimas, garantindo, assim, os seus ativos como garantia. Os recursos desse produto têm destinação para o financiamento de capital de giro e capital fixo das empresas. As operações com debêntures são registradas na CVM (ASSAF NETO, 2006).
Indech (2018) em seu livro, complementa que quem investe em debêntures se torna credor daquela empresa. No Brasil, esse título é considerado uma das formas mais antigas de captação de recursos. Ela contém um risco maior do que das outras operações, visto que ela é emitida por empresas e, além disso, não possui garantia pelo FGC.
3.3.8 POUPANÇA
É considerada a aplicação mais simples e tradicional no Brasil. Ela é uma das poucas aplicações que podem ser aplicadas pequenas somas e ainda ter rentabilidade, só que o investidor deve ficar alerta quanto a “data de aniversário” (FORTUNA, 2005).
De acordo com a CVM (2019), a data de aniversário é o dia em que o investidor coloca o dinheiro na conta. Por exemplo, se o investidor colocar o dinheiro no dia 16, esse dia será considerado a data de aniversário dele. Contudo, na data de aniversário há uma outra vertente, se o investidor retirar o dinheiro antes dela chegar, ele perderá todo o rendimento daquele mês.
De acordo com a legislação atual (lei 12.703), a remuneração da poupança é dividida em duas parcelas. A primeira é a remuneração básica, dada pela TR – Taxa Referencial. A segunda parcela tem como referência a taxa básica de juros – taxa Selic, ou seja, se a taxa Selic for maior que 8,5%, a remuneração da poupança será 0,5%a.m. Se a taxa Selic for menor que 8,5% a.a., a rentabilidade da poupança será 70% da taxa Selic, mensalizada.
Indech (2018) complementa que a poupança é segura, visto que é garantida pelo FGC, contudo, dentre os investimentos citados, é o que apresenta menor rendimento. Não há incidência de IOF. Por ser um investimento simples, não há um limite mínimo para aplicação, com isso se um investidor, por exemplo, quiser colocar R$ 1,00 na Poupança, ele tem essa opção, porém o mesmo terá que esperar por 30 dias, para obter rendimentos.
3.3.9 TÍTULOS PÚBLICOS
De acordo com o site oficial do Tesouro Direto (2019), o Tesouro Direto é um programa elaborado pelo Tesouro Nacional junto com a B3 (Bolsa de Valores), com o objetivo de vender títulos públicos para as pessoas físicas totalmente online.
Ainda segundo o site, o programa apareceu em 2002, com a finalidade de colocar os títulos públicos a disposição para qualquer público, com isso, permite investimentos a partir de R$ 30,00. O Tesouro Direto é considerado seguro, pois é garantido pelo Tesouro Nacional, com isso, são considerados os investimentos mais seguros no Brasil; 100% digital, porque todas as transações são feitas online; flexível, porquanto o investidor pode escolher o melhor título para ele, de acordo com os seus objetivos e, se por algum motivo, acontecer um imprevisto, poderá resgatar o título a preço de mercado a qualquer momento, e acessível, uma vez que com apenas R$ 30,00 é possível fazer um investimento.
Diferentemente dos títulos privados (que o aplicador empresta dinheiro para organizações privadas), nos títulos públicos, o investidor concede dinheiro para o governo, para que no futuro seja remunerado com os juros desse investimento. Esses recursos que o governo obtém desses títulos servem para promover investimentos nas áreas de saúde, educação etc. (BERGER, 2015).
Nos títulos públicos há incidência de imposto de renda, seguindo a tabela regressiva dos títulos privados de renda fixa (tabela 3), e além disso há uma pequena taxa, chamada Taxa BMF/BOVESPA, que é de 0,30% a.a. sobre o valor aplicado (ASSAF NETO, 2006).
De acordo com Indech (2018), os principais títulos no mercado são: Tesouro Selic, Tesouro Pré-fixado, Tesouro Prefixado com juros semestrais, Tesouro IPCA e Tesouro IPCA com Juros pré-fixados.
3.3.10 TESOURO SELIC
Tesouro Selic ou LFT – Letras Financeiras do Tesouro têm seus rendimentos atrelados à taxa Selic, taxa básica de juros, garantindo, assim, uma rentabilidade de mercado ao investidor. Com isso, o investidor recebe o valor nominal acrescido do rendimento obtido (ASSAF NETO, 2006).
De acordo com o site do Tesouro Direto (2019), o Tesouro Selic é um investimento para quem vai começar a investir no Tesouro Direto. Ele é recomendado para investidores que pretendem fazer uma reserva de emergência e é considerado um título de curto prazo. Além disso, é aquele que possui um risco menor, caso o investidor resolva vendê-lo antecipadamente.
Complementa Indech (2018) que o Tesouro Selic é indicado para aplicadores que tenham um perfil mais conservador e que tenham objetivos de curto prazo.
Tabela 2 – Exemplo de Tesouro Selic
TESOURO SELIC – 2025 | |
Rentabilidade anual: | SELIC + 0,02% |
Investimento mínimo: | R$ 104,08 |
Vencimento: | 01/03/2025 |
Fonte: Tesouro Direto (2019)
3.3.10.1 TESOURO PRÉ-FIXADO
Tesouro Prefixado ou LTN – Letra do Tesouro Nacional é um título que carrega uma taxa de juros fixos, em outras palavras, o investidor sabe ao certo quanto receberá no final do investimento. Por exemplo, se o investidor x, colocar R$ 1000 em um título que rende 10%a. a, no final do ano ele terá uma remuneração de R$ 1100 (ASSAF NETO, 2006).
Aliado a esse pensamento, o site do Tesouro Direto (2019) complementa que esse é o investimento considerado ideal para aqueles investidores que preferem saber quanto um título irá render. Com isso, é destacado as seguintes vantagens: assegura um rendimento fixo, evita mudanças de rendimentos e é ideal para objetivos de médio e longo prazo.
Tabela 3 – Exemplo de Tesouro Prefixado
TESOURO PREFIXADO – 2025 | |
Rentabilidade anual: | 6,36% |
Investimento mínimo: | R$ 36,51 |
Vencimento: | 01/01/2025 |
Fonte: Tesouro Direto (2019)
3.3.10.2 TESOURO PREFIXADO COM JUROS SEMESTRAIS
Tesouro Prefixado com juros semestrais ou NTN-F funciona semelhante ao título anterior, porém nesse o investidor recebe cupons de juros a cada 6 meses. Não é indicado para quem pretende investir a longo prazo, pois devido a esses cupons, o “efeito” dos juros compostos acaba sumindo (INDECH, 2018).
Dando a sua contribuição, o site do Tesouro Direto (2019) que esse investimento é indicado para os investidores que precisam de um complemento em suas rendas, pois pagam juros a cada semestre.
3.3.10.3 TESOURO IPCA
Tesouro IPCA ou NTN-B – PRINCIPAL são títulos pós-fixados que está atrelado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), ou seja, a taxa de inflação do mercado juntamente com um “prêmio” que é uma taxa de juros (FORTUNA, 2005).
Além disso, esse investimento é indicado para os investidores que buscam uma rentabilidade real, em outras palavras, buscam os juros retirando a inflação no período investido. Sendo assim, a principal característica dele é que o dinheiro irá render de acordo com a inflação (INDECH, 2018).
Complementando o raciocínio, Tesouro Direto (2019) conclui que esse investimento é o ideal para investidores que buscam uma rentabilidade a longo prazo.
Tabela 4 – Tesouro IPCA
TESOURO IPCA – 2024 | ||
Rentabilidade anual: | IPCA + 2,25% | |
Investimento mínimo: | R$ 58,43 | |
Vencimento: | 15/08/2024 |
Fonte: Tesouro Direto (2024)
3.3.10.4 TESOURO IPCA COM JUROS PRÉ-FIXADOS.
Tesouro IPCA com Juros pré-fixados ou NTN – B funciona da mesma forma do título acima, porém o mesmo recebe cupons a cada 6 meses, fato que o investidor que deseja a investir a longo prazo, esse título não é recomendável, visto que retira o “poder” dos juros Composto, ou seja, juros sobre juros (FORTUNA, 2005).
É um título para investidores que desejam complementar sua renda, visto que pagam juros semestrais a cada 6 meses (TESOURO DIRETO, 2019).
3.4 RESUMOS DOS PRINCIPAIS PRODUTOS DE RENDA FIXA
Tabela 5 – Resumo dos principais produtos de renda fixa

Fonte: guia.perspective.com.br (2019)
3.5 PERFIS DE INVESTIDORES
De acordo com o site Portal do Investidor (2019), antes de iniciar qualquer aplicação financeira, é essencial que o investidor conheça seu próprio perfil, a fim de evitar surpresas desagradáveis e tomar decisões mais alinhadas aos seus objetivos e à sua tolerância ao risco. Considerando a máxima do mercado financeiro de que “quanto maior o risco, maior o retorno”, a identificação do perfil do investidor torna-se uma etapa fundamental no processo de alocação de recursos. Em geral, são reconhecidos três perfis principais de investidores: conservador, moderado e arrojado.
O investidor conservador é aquele que demonstra aversão ao risco. Ele prefere obter rendimentos mais modestos, desde que acompanhados de maior segurança, evitando aplicações que possam apresentar grande volatilidade. Para esse perfil, os investimentos em renda fixa são os mais indicados, por serem considerados os mais seguros do mercado nacional. Títulos como poupança, CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto são comumente escolhidos por esses investidores, justamente por proporcionarem maior previsibilidade nos retornos.
Já o investidor moderado busca um equilíbrio entre segurança e rentabilidade. Ele está disposto a aceitar um nível moderado de risco em troca de uma rentabilidade potencialmente mais atrativa, diversificando sua carteira entre produtos de renda fixa e de renda variável. Esse perfil revela uma postura mais flexível, porém ainda cautelosa, ao realizar suas aplicações.
Por fim, o investidor arrojado é aquele que prioriza a rentabilidade, mesmo que isso implique assumir riscos significativamente maiores. Seu foco está em obter ganhos expressivos, ainda que haja a possibilidade concreta de perdas. Esse tipo de investidor tende a concentrar seus recursos em ativos de renda variável, como ações e fundos multimercado, buscando altos retornos, mesmo com a volatilidade inerente a esses produtos financeiros.
4. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, com abordagem descritiva e exploratória, voltada à compreensão das estratégias financeiras utilizadas por servidores públicos federais de cargos de nível médio da Universidade Federal Fluminense, especificamente os lotados na Faculdade de Direito de Niterói, no que se refere à aplicação de recursos em produtos de renda fixa.
4.1 TIPO DE PESQUISA
De acordo com Gil (2008), a pesquisa descritiva tem como propósito principal a descrição das características de determinado fenômeno ou a definição de relações entre variáveis. Já a pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito. Assim, este estudo, ao descrever os comportamentos financeiros desses servidores e ao explorar suas decisões de investimento, reúne as características de ambas as classificações.
A abordagem qualitativa foi adotada em virtude da ênfase na compreensão dos significados atribuídos pelos participantes ao ato de investir em renda fixa, não se restringindo à mensuração estatística, mas privilegiando as percepções, motivações e contextos que embasam tais escolhas financeiras. Como pontuam Minayo (2001) e Silva & Menezes (2000), a pesquisa qualitativa valoriza o ambiente natural, as experiências individuais e os significados sociais dos fenômenos.
Os procedimentos metodológicos adotados neste estudo envolveram a realização de uma pesquisa bibliográfica, com base em livros, artigos científicos, legislações e publicações de órgãos oficiais, como BACEN, CVM, IBGE e Tesouro Direto, os quais forneceram o embasamento teórico necessário para a compreensão do Sistema Financeiro Nacional, dos perfis de investidores e das características dos produtos de renda fixa. Além disso, foi conduzida uma pesquisa documental, a partir da análise de estudos anteriores que abordam o comportamento financeiro de servidores públicos e a adoção de estratégias de investimento de perfil conservador. Complementarmente, realizou-se um levantamento de campo por meio de entrevistas semiestruturadas com servidores públicos federais da Universidade Federal Fluminense, especificamente da Faculdade de Direito, os quais, mediante consentimento, relataram seus hábitos de consumo, padrões de poupança e formas de aplicação financeira. As informações foram coletadas com ênfase nas experiências pessoais e na percepção subjetiva dos participantes sobre a gestão de suas finanças.
4.2 UNIVERSO
O universo da pesquisa é composto por servidores públicos federais ocupantes de cargos de nível médio da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, localizada em Niterói, Estado do Rio de Janeiro. A amostra foi não probabilística, por conveniência, sendo composta por servidores acessíveis ao pesquisador e dispostos a colaborar com o estudo. A escolha da amostra seguiu o critério da saturação teórica, conforme proposto por Flick (2009), ou seja, as entrevistas foram realizadas até que novas respostas não acrescentassem informações relevantes à análise. Abaixo está a tabela que mostra os participantes e algumas informações deles. Os nomes são fictícios para preservar a identidade.
Tabela 6 – Servidores entrevistados


Fonte: Elaborado pelo autor
4.3 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
A principal técnica de coleta de dados foi a entrevista semiestruturada, com roteiro previamente elaborado, composto por questões abertas relacionadas à percepção dos participantes sobre investimentos, conhecimento sobre renda fixa, frequência e motivação de aplicações financeiras, objetivos pessoais atrelados à rentabilidade e eventuais dificuldades para investir. As entrevistas foram gravadas com autorização dos participantes e posteriormente transcritas para análise.
4.4 TÉCNICA DE ANÁLISE
Os dados coletados foram submetidos à análise de conteúdo, conforme Bardin (2011), permitindo a categorização das respostas em temas recorrentes, como: conhecimento financeiro, objetivos de investimento, critérios de escolha dos produtos, percepção de risco e uso da renda fixa como ferramenta de estabilidade pessoal e profissional.
Além disso, os resultados foram confrontados com o referencial teórico, buscando verificar a congruência entre a prática dos servidores e os pressupostos da literatura financeira voltada ao perfil conservador de investidores.
4.5 LIMITAÇÕES DO ESTUDO
A principal limitação refere-se ao recorte amostral reduzido, circunscrito a uma única unidade acadêmica da UFF e a servidores de nível médio. Assim, embora os dados possam indicar tendências relevantes, não se pretende generalizar os achados para toda a população de servidores públicos federais. Ainda assim, os resultados oferecem insumos valiosos para reflexões institucionais e para o desenvolvimento de programas de educação financeira voltados ao funcionalismo público.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A análise dos dados coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com seis servidores públicos federais de cargos de nível médio da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, revela percepções significativas sobre a relação desses profissionais com o planejamento financeiro pessoal, especialmente no que se refere à aplicação em produtos de renda fixa. A seguir, apresentam-se as principais categorias emergentes, ilustradas por falas representativas dos entrevistados, cujos nomes foram substituídos por pseudônimos a fim de preservar a confidencialidade dos participantes.
5.1 Perfil Financeiro Conservador
A totalidade dos entrevistados demonstrou aversão a riscos elevados, optando por modalidades de investimento que oferecem segurança e previsibilidade. Tal comportamento está de acordo com a literatura, que associa o perfil conservador à preferência por aplicações em renda fixa, como CDBs, Tesouro Direto e poupança (Indech, 2018; Fortuna, 2005).
Eu prefiro saber quanto vou ganhar do que arriscar e perder. Já tive amigos que investiram em ações e perderam muito. Com o Tesouro Selic eu durmo tranquilo. (servidor João)
Minha prioridade é não correr riscos. Pode não render tanto, mas o importante é saber que o dinheiro está seguro. (servidora Carla)
As falas evidenciam o predomínio de decisões pautadas pela estabilidade financeira e pelo baixo apetite ao risco, o que reforça a importância da renda fixa como instrumento de segurança patrimonial para esse público específico.
5.2 Baixo Nível de Educação Financeira Formal
Apesar da adesão a produtos financeiros conservadores, a maioria dos entrevistados admitiu ter pouco ou nenhum conhecimento formal sobre finanças. As decisões são, em grande parte, intuitivas ou orientadas por experiências pessoais e conselhos informais.
Não entendo muito bem essas coisas de economia. Só fui aprender um pouco sobre CDB e LCI porque meu sobrinho estuda isso e me falou. (Servidora Márcia)
Nunca fiz nenhum curso sobre finanças, vou aprendendo na prática mesmo. Gosto de ver vídeo no YouTube, mas ainda fico inseguro. (servidor Paulo)
Essa constatação aponta para a necessidade de ações institucionais de educação financeira voltadas aos servidores, a fim de promover uma cultura de gestão consciente dos recursos e ampliar o conhecimento sobre as alternativas de investimento disponíveis no mercado.
5.3 Finalidade do Investimento: Preparo para Aposentadoria e Realização de Sonhos
Os investimentos, ainda que modestos, são motivados por objetivos de longo prazo, como aposentadoria, viagens, reforma da casa ou segurança para emergências médicas. Há uma clara associação entre a prática de poupança e a busca por tranquilidade no futuro.
Eu invisto pensando na minha aposentadoria. Não quero depender só do governo. O Tesouro IPCA é bom porque protege da inflação. (servidora Ana)
Estou juntando pra reformar minha casa. Coloco todo mês um pouco no CDB. Sei que não vai render muito, mas já ajuda. (servidor Rogério)
Essas falas revelam o uso estratégico da renda fixa como ferramenta de construção de objetivos pessoais, além de seu papel como instrumento de segurança psicológica e emocional para os servidores.
5.4 Frequência e Constância das Aplicações
Foi observado que, embora todos realizem algum tipo de investimento, apenas dois entrevistados declararam fazê-lo com regularidade mensal. Os demais aplicam de forma eventual, conforme disponibilidade orçamentária.
Quando sobra no fim do mês, eu aplico. Mas nem sempre dá. Às vezes tem imprevistos. (servidora Carla)
Coloco R$ 300 por mês no CDB automático do banco. Já virou parte da minha rotina. (servidor Rogério)
A constância nas aplicações está diretamente relacionada ao planejamento financeiro pessoal e à disciplina orçamentária, apontando para níveis distintos de maturidade financeira dentro do mesmo grupo funcional.
5.5 Barreiras Identificadas: Endividamento e Falta de Orientação
Dois entrevistados relataram dificuldades para investir devido a dívidas acumuladas ou falta de orientação específica sobre como começar a investir, o que reforça o diagnóstico de fragilidade no planejamento financeiro entre parte dos servidores.
Já estive endividado e sei como é difícil. Só consegui sair disso depois de fazer um empréstimo com juros baixos e parcelar. (servidor João)
Queria muito investir mais, mas não sei por onde começar. Meu gerente só oferece produtos do banco, não sei se é a melhor opção. (servidora Márcia)
Esse cenário sugere a necessidade de estratégias educativas promovidas pela própria Universidade, como oficinas, palestras e programas contínuos de capacitação financeira voltados ao público interno.
5.6 Discussão dos Resultados
A análise qualitativa indica que os servidores entrevistados apresentam um perfil alinhado ao modelo conservador clássico de investidor, conforme tipologias descritas por Gitman (2004) e Indech (2018). As escolhas por produtos como Tesouro Direto, CDB e poupança refletem uma preocupação com estabilidade e controle, em detrimento da busca por rentabilidades mais elevadas.
Contudo, a predominância de um conhecimento empírico e informal sobre finanças evidencia uma lacuna significativa na formação desses servidores quanto à educação financeira formal, o que limita seu potencial de otimização de rendimentos e diversificação da carteira. Observa-se ainda que a renda fixa é percebida não apenas como instrumento de lucro, mas como ferramenta de proteção e previsibilidade, fortemente relacionada ao bem-estar no ambiente de trabalho e à saúde mental.
As falas também apontam para a influência positiva de hábitos de poupança no comportamento profissional, pois servidores que possuem maior estabilidade financeira relatam maior motivação e desempenho funcional, o que corrobora a hipótese inicial do estudo.
6. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este trabalho foi possível concluir que o investimento em renda fixa é a aplicação para as pessoas físicas conservadores. A pessoa física de perfil conservadora é avessa ao risco, por isso esse tipo de investimento é propenso para elas, porque os riscos são considerados baixos pelos doutrinadores do tema, com isso foi investigado as principais estratégias dos servidores públicos federais de nível médio da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.
O investimento de renda fixa foi mostrado como melhor colocado para pessoas conservadores, e foi considerado como a principal escolha desses servidores, visto que os seus rendimentos podem ser conhecidos(pré-fixada), ou quase (pós-fixada ou misto) e com isso, o risco de perda é praticamente zero. Contudo, pode-se obter bons rendimentos se tiver um bom conhecimento. Por exemplo, um bom CDB pode render mais que uma ação em um determinado ano, pois embora o Certificado de Depósito Bancário a expectativa de rendimento seja menor, há a certeza que haverá rendimentos no final, diferentemente de um investimento de renda variável.
Conhecer o mercado financeiro é de suma importância para um investidor, pois é o local, no qual ele estará investindo o dinheiro para obter os juros (rendimentos). Ter uma breve noção da sua estrutura dar-lhe-á bons aparatos técnicos para decidir de uma maneira consciente.
Para investir deve-se levar em consideração diversos fatores dentre os mais importantes,destacam-se: objetivo, tempo, impostos, e sobretudo, os rendimentos futuros.
Cada pessoa tem um objetivo diferente. Um estudante pode ter como objetivo comprar um carro, uma outra pessoa pode estar querendo se aposentar, ou seja, os objetivos são diversos.
O tempo é o fator que está na “moda” nos dias atuais. Tudo tem que ser rápido. Porém, quando se fala de investimento, o longo prazo pode ser mais interessante, visto que investimentos longos tem uma tendência de serem mais vantajosos quanto a sua rentabilidade.
Saber o objetivo e o tempo, dar-lhe-á uma pequena ideia sobre os impostos, conforme mostrado no trabalho acima, pois se houver uma mudança de ideia no “meio do caminho”, a taxa corresponde poderá retirar uma parte da sua remuneração.
Os rendimentos futuros serão o “lucro” do investimento. É nele que o investidor será remunerado por ter “emprestado” o seu dinheiro para uma instituição bancária, ou mesmo para o governo federal.
Portanto, o trabalho conseguiu obter o seu êxito de mostrar que os investimentos em renda fixa são aplicações para pessoas que não gostam de correr riscos, sendo descoberto que é a principal escolha para esses servidores fazer render suas poupanças, devido à segurança que eles entregam a esses profissionais, fazendo um breve introdução sobre a evolução do dinheiro, passando pela apresentação da estrutura do Mercado Financeiro e terminando com a apresentação dos diversos produtos que compõem a renda fixa, para que a pessoa, de acordo com os seus objetivos, possa escolher o melhor investimento para ela.
7. REFERÊNCIAS
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ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2006.
BATISTA, Rafael. Como surgiu o dinheiro. Mundo Educação. 2019 disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/curiosidades/como-surgiu-dinheiro.htm. Acesso em: 25/08/2019
BEBCZUK, Ricardo N. Asymmetric Information in Financial Markets. 1º.ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.
BERGER, Paulo Lamosa. Mercado de Renda Fixa no Brasil. Ênfase em Títulos Públicos. 1º.ed. São Paulo: Interciência, 2015.
BRASIL. Lei nº 4.595/64, de 31 de dez. de 1964. Dispõe sobre a Política e as Instituições Monetárias, Bancárias e Creditícias, cria o Conselho Monetário Nacional e dá outras providências, Brasília, DF, dez 1964.
BRASIL. LEI Nº 12.703, DE 7 DE AGOSTO DE 2012. Altera o art. 12 da Lei nº 8.177, de 1º de março de 1991, que estabelece regras para a desindexação da economia e dá outras providências, o art. 25 da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, que dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências, e o inciso II do art. 167 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos e dá outras providências. Brasília, DF, ago. 2012
BRASIL. BACEN. Regimento Interno do Banco Central do Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/Adm/RegimentoInterno/RegimentoInterno.pdf. Acesso em: 24/11/2019
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1Discente do Curso Mestrado em Administração do PPGAD da Universidade Federal Fluminense Campus Valonguinho e-mail: jaymesouzajunior@id.uff.br
2Mestre Administração do PPGAD da Universidade Federal Fluminense Campus Valonguinho e-mail: plbsoares@gmail.com
3Discente do Curso Mestrado em Administração do PPGAD da Universidade Federal Fluminense Campus Valonguinho e-mail: jpgnunes@yahoo.com.br