A EFICÁCIA DO DISJUNTOR DE HAAS PARA O TRATAMENTO ORTODÔNTICO: REVISÃO DE LITERATURA

THE EFFECTIVENESS OF THE HAAS EXPANDER FOR ORTHODONTIC TREATMENT: LITERATURE REVIEW

LA EFICACIA DEL INTERRUPTOR DE HAAS EN EL TRATAMIENTO ORTODÓNTICO: REVISIÓN DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511181515


Brenda Miranda Braga Leite1
Caroline Curcino dos Santos2
Maíra Dias Fraga Teixeira3
Maria Eduarda Oliveira Silva4
Daniel Ferraz Lima5


RESUMO

Introdução: A utilização de aparelhos ortodônticos é um marco na história da odontologia. Atualmente, milhões de pessoas utilizam desse mecanismo para a correção de anomalias dentárias e esqueléticas na face, dos quais alguns necessitam expandir a maxila (REF). Para isso, são empregados pequenos artefatos chamados de disjuntores. Objetivo: o objetivo deste trabalho foi analisar criticamente a literatura acerca da utilização do disjuntor de HAAS, para entender melhor sobre o seu funcionamento, vantagens e desvantagens. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliográfica integrativa por meio de bases de dados como Google Acadêmico, Scielo e PubMed. Conclusão: Diante das evidências analisadas, conclui-se que o disjuntor de HAAS se destaca como um método eficaz e amplamente indicado para o tratamento da atresia maxilar em pacientes jovens. Sua estrutura mista permite uma expansão equilibrada e estável, promovendo resultados tanto esqueléticos quanto funcionais.

Palavras-chave: Disjuntor de HAAS; atresia maxilar; expansão da maxila; aparelhos ortodônticos. 

ABSTRACT

Introduction: The use of orthodontic appliances is a milestone in the history of dentistry. Currently, millions of people use this mechanism to correct dental and skeletal anomalies in the face, some of whom require maxillary expansion (REF). For this purpose, small devices called expanders are used. Objective: The objective of this study was to critically analyze the literature regarding the use of the HAAS expander, in order to better understand its functioning, advantages, and disadvantages. Methodology: An integrative literature review was conducted using databases such as Google Scholar, Scielo, and PubMed. Conclusion: Based on the analyzed evidence, it is concluded that the HAAS expander stands out as an effective and widely recommended method for the treatment of maxillary atresia in young patients. Its mixed structure allows for balanced and stable expansion, promoting both skeletal and functional results.

Keywords: HAAS expander; maxillary atresia; maxillary expansion; orthodontic appliances.

RESUMEN

Introducción: La utilización de aparatos ortodónticos es un hito en la historia de la odontología. Actualmente, millones de personas utilizan este mecanismo para la corrección de anomalías dentales y esqueléticas en la cara, de los cuales algunos necesitan expandir el maxilar (REF). Para ello, se emplean pequeños dispositivos llamados disyuntores. Objetivo: el objetivo de este trabajo fue analizar críticamente la literatura acerca de la utilización del disyuntor de HAAS, para comprender mejor su funcionamiento, ventajas y desventajas. Metodología: Se realizó una revisión bibliográfica integradora mediante bases de datos como Google Académico, Scielo y PubMed. Conclusión: Ante las evidencias analizadas, se concluye que el disyuntor de HAAS se destaca como un método eficaz y ampliamente indicado para el tratamiento de la atresia maxilar en pacientes jóvenes. Su estructura mixta permite una expansión equilibrada y estable, promoviendo resultados tanto esqueléticos como funcionales.

Palabras clave: Interruptor de HAAS; atresia maxilar; expansión del maxilar; aparatos ortodónticos.

1. Introdução

A utilização de aparelhos ortodônticos é um marco na história da odontologia. Atualmente, milhões de pessoas utilizam desse mecanismo para a correção de anomalias dentárias e esqueléticas na face, dos quais alguns necessitam expandir a maxila (REF). Para isso, são empregados pequenos artefatos chamados de disjuntores (Pruneda, 2007). Tais artefatos atuam sobre o osso maxilar exercendo pressão constante, gerando uma força capaz de abrir a sutura palatina mediana, logo, aumentando o perímetro do arco dentário superior (Ghergu et al., 2019). Existem diferentes tipos de disjuntores, e cada um atua de uma forma para conseguir a expansão maxilar. Neste contexto, destaca-se o disjuntor de HAAS, que diferentemente de outros disjuntores como o Hyrax, apresenta uma estrutura acrílica que se apoia na mucosa palatina, o que contribui para uma distribuição mais uniforme da força expansiva, reduzindo efeitos indesejados como a inclinação dos dentes de ancoragem (Bishara, Staley, 1987). No entanto, a presença do acrílico também pode gerar desafios clínicos, como maior acúmulo de biofilme e desconforto inicial para o paciente (Ren et al., 2014; Muradova, Özçirpici, 2019).

Diversos estudos ao longo do tempo comprovaram a eficácia do disjuntor de HAAS, quando bem indicado (Barreto et al., 2005; Claro et al., 2003; Capelozza Filho, Silva Filho, 1997; De Lima Júnior, 2023; Baratieri et al, 2010). A sua eficácia tem sido estudada na literatura ortodôntica, porém com resultados variáveis dependendo da idade do paciente, do protocolo de ativação e das características individuais da sutura palatina (Cardinal et al., 2018). Neste cenário, abordagens aprofundadas sobre as indicações e contraindicações do disjuntor de HAAS comparando-se com outros disjuntores existentes, ainda têm sido pouco discutidas. Por isso, o presente estudo tem como objetivo analisar criticamente a literatura acerca da utilização do disjuntor de HAAS, para entender melhor sobre o seu funcionamento, vantagens e desvantagens, contribuindo assim para o avanço nas técnicas de tratamento de modo a atender melhor os pacientes que necessitam desse tipo de aparelho.

2. Referencial Teórico

2.1 Crescimento craniofacial na infância e a necessidade de intervenção ortodôntica com disjuntor

O crescimento craniofacial é um processo complexo e contínuo que ocorre de maneira coordenada entre ossos, músculos e tecidos moles, sendo influenciado por fatores genéticos, funcionais e ambientais. durante a infância, esse desenvolvimento é fundamental para a harmonia estética e funcional do sistema estomatognático, garantindo o equilíbrio entre respiração, mastigação e fala. a maxila, em especial, desempenha papel essencial nesse processo, pois seu crescimento adequado permite o correto alinhamento dentário e a proporcionalidade facial (Ursi, Mcnamara Júnior, 1997). No entanto, desvios no desenvolvimento craniofacial podem ocorrer por diversas razões, como herança genética, hábitos orais deletérios, alterações respiratórias e interferências funcionais, comprometendo o crescimento transversal da maxila. (Monlleó, Gil-Da-Silva-Lopes, 2006).

Quando o crescimento maxilar é insuficiente, observa-se uma discrepância entre a largura das arcadas dentárias, o que pode resultar em mordida cruzada posterior, desvio de linha média, apinhamento dentário e até alterações na postura mandibular. além dos impactos oclusais, tais desarmonias repercutem também na estética facial e na qualidade de vida do paciente, podendo afetar a função respiratória e o equilíbrio muscular orofacial (Pruneda, 2007). Diante desse quadro, a ortodontia preventiva e interceptativa assume papel determinante, atuando na correção precoce dessas alterações durante a fase de crescimento ósseo ativo, quando a resposta esquelética à intervenção é mais previsível e eficiente (Ghergu et al., 2019).

Entre as abordagens terapêuticas utilizadas para corrigir a deficiência transversal da maxila, destaca-se a expansão rápida da maxila (erm), frequentemente realizada por meio do disjuntor de HAAS. esse aparelho atua promovendo a separação da sutura palatina mediana através da aplicação de forças ortopédicas controladas, resultando em um aumento efetivo da largura maxilar (Bishara, Staley, 1987). O procedimento visa restabelecer o equilíbrio entre as bases ósseas e criar espaço adequado para o alinhamento dentário, evitando intervenções mais invasivas em fases posteriores do desenvolvimento. O disjuntor de HAAS, por sua configuração que combina apoio dentário e mucoso, distribui as forças de maneira equilibrada, favorecendo uma expansão esquelética mais estável e fisiológica, especialmente em pacientes jovens (Lima et al., 2024).

A utilização do disjuntor de HAAS representa uma das alternativas mais eficazes e amplamente estudadas na ortodontia moderna, demonstrando resultados consistentes na correção da deficiência maxilar transversal e na promoção de um desenvolvimento facial mais harmônico. Dessa forma, o acompanhamento ortodôntico durante a infância não apenas corrige irregularidades estruturais, mas também contribui para a construção de uma base funcional e estética saudável para toda a vida (Bernd, 2011).

2.2 Vantagens e limitações do disjuntor de HAAS no tratamento da atresia maxilar

O disjuntor de HAAS é amplamente reconhecido na ortodontia como um dos métodos mais eficazes para a correção da atresia maxilar, especialmente em pacientes jovens. Desenvolvido na década de 1960, o aparelho combina apoio dentário e mucoso, sendo fixado aos dentes posteriores e em contato direto com o palato por meio de uma estrutura acrílica. Essa configuração permite uma distribuição mais equilibrada das forças expansivas sobre a maxila, promovendo não apenas a separação da sutura palatina mediana, mas também uma remodelação óssea fisiológica e estável (Bishara, Staley, 1987). O principal benefício do disjuntor de HAAS reside justamente nessa capacidade de estimular a expansão esquelética, corrigindo a deficiência transversal da maxila e restabelecendo a harmonia facial e funcional do paciente (Lima et al, 2024).

Entre as vantagens mais relevantes, destaca-se sua eficácia em promover resultados expressivos em um período relativamente curto de tempo, quando utilizado em pacientes em fase de crescimento ativo. A expansão obtida não se limita apenas ao nível dentário, mas alcança alterações esqueléticas significativas, ampliando a cavidade nasal e favorecendo a respiração (Matos, 2022). Essa melhora na função respiratória é frequentemente observada em crianças com padrão respiratório bucal, trazendo impactos positivos também na postura e na qualidade do sono. Além disso, o uso do disjuntor de HAAS pode evitar procedimentos cirúrgicos mais complexos, quando o diagnóstico e a intervenção ocorrem precocemente, durante o período de maior plasticidade óssea (Usinger; Dallanora, 2017).

Contudo, como todo método terapêutico, o disjuntor de HAAS apresenta limitações e possíveis desvantagens. O desconforto inicial é uma queixa comum entre os pacientes, especialmente nos primeiros dias de ativação, podendo causar dor leve, dificuldade de fala e adaptação alimentar (Matos, 2022). Outro ponto a ser considerado é o acúmulo de resíduos alimentares sob a base acrílica, exigindo rigorosa higiene bucal para evitar inflamações gengivais e halitose. Em alguns casos, também podem ocorrer inclinações dentárias indesejadas ou recidivas parciais após a remoção do aparelho, se não houver contenção adequada ou se o período de estabilização for insuficiente. Além disso, a expansão obtida é mais previsível e estável em pacientes mais jovens, perdendo eficácia à medida que ocorre o fechamento progressivo da sutura palatina mediana (Scanavini, 2006).

A idade do paciente é, portanto, um fator determinante para o sucesso do tratamento. Estudos indicam que a expansão rápida da maxila com o disjuntor de HAAS apresenta resultados ideais em crianças e adolescentes até aproximadamente 13 a 15 anos de idade, fase em que a sutura palatina ainda não está completamente ossificada (Scanavini, 2006). Após essa idade, a resistência óssea aumenta significativamente, tornando o procedimento menos eficaz e, em alguns casos, inviável sem o auxílio de técnicas cirúrgicas ou expansores assistidos por mini-implantes. Dessa forma, o diagnóstico precoce da atresia maxilar e o início oportuno da terapia são fundamentais para alcançar uma resposta ortopédica satisfatória e duradoura (Caldas; Bittencourt e Torres, 2019).

O disjuntor de HAAS representa uma ferramenta terapêutica de grande relevância na ortodontia interceptativa, com benefícios amplamente comprovados na correção da atresia maxilar. Sua eficácia depende diretamente da idade, da colaboração do paciente e do acompanhamento criterioso do ortodontista (Weissheimer, 2008). Apesar de algumas limitações inerentes ao método, quando bem indicado e aplicado no momento adequado, o aparelho oferece resultados consistentes e contribui para o desenvolvimento harmonioso do complexo craniofacial (Da Silva; Da Conceição Ferreira, 2022). 

3. Metodologia

Essa pesquisa trata-se de uma revisão de literatura integrativa. A questão norteadora foi: “O disjuntor de HAAS é eficaz para o tratamento ortodôntico de indivíduos com atresia maxilar? Quais são suas vantagens e desvantagens?”. Para a busca literária foram utilizadas as seguintes bases de dados: Google Acadêmico, Scielo e PubMed, por meio dos descritores: Disjuntor de HAAS, expansão maxilar, atresia maxilar e expansão do palato, aplicando-os isolados ou por meio dos operadores booleanos “And” ou “Or”.

Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos que possuíam título e conteúdo condizentes com a proposta do presente trabalho, artigos que apresentaram versões em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, revisões sistemáticas, integrativas, meta-análises, estudos de caso clínico com pacientes que fizeram uso do disjuntor de HAAS, estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados, estudos que estavam presentes nas plataformas de bases de dados Google Acadêmico, Scielo e Pubmed e que tinham acesso gratuito e na íntegra.

Foram desconsiderados trabalhos em que pacientes que fizeram uso do Disjuntor de HAAS mas abandonaram o tratamento, pacientes que fizeram uso do Disjuntor de HAAS por apenas 2 meses, pacientes que não foram à todas as consultas de manutenção, artigos que não forneçam informações claras sobre a utilização do Disjuntor de HAAS, estudos em animais e In Vitro, estudos onde o Disjuntor foi utilizado em pacientes adultos. Inicialmente, a escolha dos artigos foi realizada após leitura minuciosa dos títulos e resumos. Em seguida, os estudos foram lidos na íntegra e, então, selecionados apenas aqueles que responderam à pergunta do tema. A análise dos dados foi realizada de forma descritiva. Esta pesquisa, por se tratar de uma revisão literária, não apresenta riscos de qualquer natureza para seres humanos e não necessitou ser submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).

Figura 1: Fluxograma das etapas da pesquisa, seguindo o modelo PRISMA.

4. Resultados e Discussões

A tabela 1 permite verificar o autor (autores) do estudo, ano de publicação, periódico e resultados dos estudos utilizados para elaboração da discussão.

Tabela 1: Trabalhos utilizados na discussão

AUTOR / ANOTÍTULOPERIÓDICORESULTADOS
Ursi Weber; mcnamara Junior, James., 1997.Crescimento craniofacial em pacientes apresentando maloclusöes de Classe II e oclusão normal, entre os 10 e os 12 anos de idadeRev. dent. press ortodon. ortop. maxilarO crescimento dos dois grupos foi, durante o período avaliado de 24 meses, muito semelhante em todos os seus aspectos, indicando que as diferenças encontradas devem ser atribuídas ao crescimento na primeira década de vida
Isabela Lopes Monlleó,; Vera Lúcia Gil-Da-Silva-Lopes., 2006 Anomalias craniofaciais: descrição e avaliação das características gerais da atenção no Sistema Único de SaúdeCadernos de Saúde PúblicaA ausência de especialistas da área cirúrgica foi o principal motivo de não preenchimento dos critérios norte-americanos, enquanto a ausência de geneticistas clínicos, para os critérios. 
Pruneda M, et al., 2007.Prevalencia de maloclusiones dentales en un grupo de adolescentes mexicanos y su relación con la edad y el géneroActa odontológica venezolanaA população foi encontrada para ter uma prevalência elevada das maloclusiones da classe I, comparados com a classe II e III.Nenhuma diferença estatística significativa foi observada para a idade, entretanto uma diferença estatística significativa pode ser observada pelo gênero.
Ghergu,  J.  A et al., 2019.Nonsurgical  maxillary  expansion  in  adults: report on clinical cases using the Hyrax expanderMinerva StomatologyEm seu estudo, o autor destacou que a expansão maxilar em adultos não foi tão eficiente quanto em pacientes no período de plasticidade óssea.
Bishara, Samir E.; Staley, Robert N, 1987.Maxillary expansion: clinical implicationsAmerican Journal of Orthodontics and Dentofacial OrthopedicsO estudo aponta as implicações clínicas da expansão da maxila, e conclui que o disjuntor de HAAS possui uma boa distribuição de forças.
Lima, Daniel Ferraz et al, 2024.Fatores determinantes na escolha dos disjuntores de HAAS e hyrax e os aspectos psicológicos envolvidos: revisão de literaturaRevista FocoApós a Expansão Rápida da Maxila  alguns  pacientes  reclamam  do  diastema  que  compromete  a  estética  e fonética  durante  o  tratamento.  Os  pacientes  devem  ser  conscientizados  das consequências do tratamento proposto
Bernd, Guilherme Picolli 2011 Efeitos imediatos da expansão rápida da maxila na altura e espessura alveolar, com os disjuntores tipo HAAS e Hyrax, em tomografiasDissertação de mestradoOs resultados indicam que ambas as metodologias apresentaram resultados adequados para a mensuração da espessura óssea, já para as medidas de altura óssea, a metodologia B demonstrou maior precisão
Caldas, Luciana Duarte; Bittencourt, Marcos Alan Vieira; Torres, Sandra Regina, 2019Complicações decorrentes da expansão rápida da maxila com aparelho dentomucossuportado: relato de quatro casos clínicos. Revista Clínica de Ortodontia Dental PressComo resultados, esse trabalho trouxe algumas complicações que podem aparecer com a rápida expansão da maxila. 
Matos, Alessandra., 2022.Discrepâncias transversais: Disjuntor HAAS Versus Disjuntor Hyrax–Revisão narrativa. PQDT-GlobalA expansão da maxila no plano transversal com o expansor HAAS ou Hyrax é clinicamente semelhante, porém o Hyrax parece produzir maior efeito ortopédico apesar de implicar maior compromisso periodontal dos dentes que o suportam.
Usinger, Rafael Luís; Dallanora, Lea Maria Franceschi, 2017. Disjunção rápida da maxila–revisão de literatura. Ação OdontoOs aparelhos mais utilizados são o disjuntor de HAAS (dentomucossuportado), o disjuntor de Hyrax (dentossuportado) e o disjuntor McNamara (dentossuportado com cobertura de acrílico).
Scanavini, Marco Antônio et al., 2006. Avaliação comparativa dos efeitos maxilares da expansão rápida da maxila com os aparelhos de HAAS e Hyrax. Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia FacialConstatou-se que os dois aparelhos disjuntores apresentaram resultados semelhantes, com a ocorrência de deslocamento da maxila em direção inferior, sem rotação, que se manteve ao final do nivelamento e ocorrência de um deslocamento anterior logo após a disjunção, que retornou aos valores pré-disjunção ao final do nivelamento.

De acordo com Ursi e Mcnamara júnior (1997), o crescimento craniofacial é um processo dinâmico e contínuo, no qual ossos, músculos e tecidos moles se desenvolvem de forma integrada, influenciados por fatores genéticos, funcionais e ambientais. Durante a infância, essa harmonia é essencial para garantir o equilíbrio entre estética e função, proporcionando desenvolvimento adequado da mastigação, fala e respiração. 

No entanto, monlleó e gil-da-silva-lopes (2006) destacam que esse crescimento pode ser comprometido por influências genéticas, hábitos orais deletérios ou alterações respiratórias, resultando em distúrbios no desenvolvimento transversal da maxila. Quando o crescimento maxilar é insuficiente, surgem desequilíbrios como mordida cruzada posterior, apinhamento dentário e desvios de linha média, com repercussões na postura mandibular e na estética facial (Pruneda, 2007).

A literatura científica evidencia de forma consistente o papel essencial da ortodontia preventiva e interceptativa na correção precoce das alterações esqueléticas e dentárias, especialmente durante o período de maior atividade osteogênica. Ghergu et al. (2019) destacam que intervenções realizadas nessa fase apresentam melhores respostas às forças ortopédicas, o que reforça a importância da atuação precoce. Nesse mesmo contexto, Bishara e Staley (1987) apontam a expansão rápida da maxila (ERM) como um dos métodos mais eficazes para corrigir deficiências transversais, por promover a separação controlada da sutura palatina mediana, favorecendo a remodelação óssea.

Entre os dispositivos utilizados para essa finalidade, o disjuntor de HAAS é amplamente reconhecido por sua configuração mista, com apoio dentário e mucoso, que distribui as forças de forma equilibrada, reduzindo sobrecarga sobre os dentes e promovendo resultados esqueléticos mais estáveis e fisiológicos (Lima et al., 2024). Essa característica confere ao aparelho uma vantagem clínica significativa, sobretudo em pacientes jovens, cuja plasticidade óssea permite resultados mais previsíveis e duradouros.

Lima et al. (2024) reforçam que o uso do disjuntor de HAAS não se limita à expansão óssea, mas contribui também para a melhora funcional do sistema estomatognático, restabelecendo o equilíbrio entre as bases ósseas e ampliando o espaço para o alinhamento dentário. Essa abordagem preventiva evita, em muitos casos, a necessidade de procedimentos mais invasivos em fases posteriores do desenvolvimento, configurando-se como uma intervenção segura e eficiente. Em consonância, Bernd (2011) ressalta que o acompanhamento ortodôntico durante a infância é determinante para prevenir complicações oclusais e estéticas, assegurando um crescimento facial mais harmonioso.

No que diz respeito à eficácia biomecânica do aparelho, Bishara e Staley (1987) descrevem o disjuntor de HAAS como uma das técnicas mais eficientes no tratamento da atresia maxilar, especialmente durante o crescimento ativo. A combinação da ancoragem dentária com a base acrílica palatina permite uma expansão fisiológica e estável, promovendo a separação gradual da sutura mediana. Nessa mesma linha, Lima et al. (2024) e Matos (2022) enfatizam que o principal benefício do aparelho reside em sua capacidade de estimular a expansão esquelética, restabelecendo a harmonia facial e funcional do paciente e, quando empregado no tempo adequado, prevenindo a necessidade de tratamento cirúrgico.

Além dos efeitos ortopédicos, Matos (2022) destaca os impactos funcionais decorrentes da expansão obtida, que alcançam não apenas os dentes, mas também estruturas ósseas e a cavidade nasal, melhorando a respiração e a postura corporal. Essa modificação funcional é especialmente benéfica em crianças com padrão respiratório bucal, refletindo positivamente na qualidade do sono e no bem-estar geral. Usinger e Dallanora (2017) corroboram que a aplicação precoce do disjuntor de HAAS aproveita o período de maior plasticidade óssea, possibilitando resultados satisfatórios com medidas conservadoras e evitando intervenções invasivas futuras.

Apesar das evidências favoráveis, as limitações clínicas do método também merecem destaque. Matos (2022) alerta que o uso do disjuntor pode causar desconforto inicial, devido à pressão sobre a sutura e às alterações oclusais resultantes da expansão. Queixas de dor leve, dificuldade de fala e adaptação alimentar são frequentes, assim como o acúmulo de resíduos sob a base acrílica, o que exige rigor na higiene oral para prevenir inflamações gengivais e halitose. Além disso, a ausência de contenção adequada ou o tempo insuficiente de estabilização podem ocasionar recidivas parciais, tornando essencial o acompanhamento profissional e a orientação do paciente para garantir adesão e sucesso terapêutico.

Outro ponto amplamente discutido pela literatura é a influência da idade na previsibilidade dos resultados. Scanavini (2006) observa que a ERM apresenta melhores resultados em crianças e adolescentes até cerca de 13 a 15 anos, quando a sutura palatina mediana ainda não está completamente ossificada. Após esse período, a resistência óssea aumenta e reduz a resposta ortopédica, podendo exigir o uso de expansores assistidos por mini-implantes ou até intervenção cirúrgica. Caldas, Bittencourt e Torres (2019) reforçam essa perspectiva, salientando que o diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento são determinantes para assegurar uma resposta óssea adequada e duradoura.

Dessa forma, a análise integrada dos autores permite concluir que o disjuntor de HAAS mantém papel de destaque na ortodontia interceptativa, não apenas como recurso mecânico de expansão, mas como uma ferramenta de promoção de equilíbrio, saúde e bem-estar durante o desenvolvimento craniofacial. Sua eficácia depende diretamente do diagnóstico precoce, do momento ideal de aplicação e do manejo clínico adequado, fatores que, quando respeitados, garantem resultados funcionais e estéticos superiores, consolidando sua relevância na prática ortodôntica contemporânea.

5. Conclusão 

Diante das evidências analisadas, conclui-se que o disjuntor de HAAS se destaca como um método eficaz e amplamente indicado para o tratamento da atresia maxilar em pacientes jovens. Sua estrutura mista permite uma expansão equilibrada e estável, promovendo resultados tanto esqueléticos quanto funcionais. Além de corrigir deficiências transversais, o aparelho contribui para o equilíbrio do sistema estomatognático e o desenvolvimento facial harmonioso. Observa-se, entretanto, que sua eficácia depende da idade do paciente, da correta indicação clínica e do acompanhamento profissional adequado. O disjuntor de HAAS mantém relevância significativa na ortodontia interceptativa, sendo uma alternativa segura, previsível e eficiente quando aplicada no momento oportuno.

Agradecimentos

Agradecemos primeiramente a Deus, por nos conceder força e sabedoria durante toda essa jornada. À nossa família, pelo amor, paciência e apoio incondicional em cada etapa. Aos professores, pela dedicação e por compartilharem seus conhecimentos com tanto comprometimento. Aos colegas e amigos, pela parceria e incentivo ao longo do caminho. E a todos que, de alguma forma, contribuíram para a realização deste trabalho, nossa sincera gratidão.

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1Graduanda em Odontologia. Faculdade Independente do Nordeste. Avenida Luís Eduardo Magalhães, 1305, Candeias, Vitória da Conquista, Bahia. CEP: 45055-030. E-mail: mirandabrenda495@gmail.com
2Graduanda em Odontologia. Faculdade Independente do Nordeste. Avenida Luís Eduardo Magalhães, 1305, Candeias, Vitória da Conquista, Bahia. CEP: 45055-030. E-mail: carolinecurcinot@gmail.com
3Graduanda em Odontologia. Faculdade Independente do Nordeste. Avenida Luís Eduardo Magalhães, 1305, Candeias, Vitória da Conquista, Bahia. CEP: 45055-030. E-mail: mairafragateixeira@gmail.com
4Graduanda em Odontologia. Faculdade Independente do Nordeste. Avenida Luís Eduardo Magalhães, 1305, Candeias, Vitória da Conquista, Bahia. CEP: 45055-030. E-mail: oliveirasilvamariaeduarda347@gmail.com
5Mestre em Ortodontia. Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE). Rua Juiz de Paz José Lemos, 695, Vila Bretas, CEP 35030-260. Governador Valadares. Minas Gerais. E-mail: danielferraz@fainor.com.br