REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202509251542
Bianca Medon dos Santos
Jéscylla Vida
Orientador: Prof. Me. Fábio Tormem
RESUMO
O objetivo deste estudo é examinar a eficácia da técnica de liberação miofascial na redução de dores e na recuperação de lesões musculoesqueléticas em jogadores profissionais de vôlei. Uma revisão bibliográfica qualitativa foi conduzida usando uma seleção de artigos publicados entre 2009 e 2024 nas bases de dados SciELO, PubMed, PEDro, LILACS e Google Acadêmico. Os resultados mostraram que a liberação miofascial oferece benefícios como o aumento linear da dor, melhora na flexibilidade muscular e recuperação da mesma. Pode – se concluir que a técnica de Liberação Miofascial é uma estratégia terapêutica eficaz para a prevenção e tratamento de lesões musculoesqueléticas, sendo indicada para a fisioterapia esportiva, em especial o voleibol de alto rendimento, Conclui – se que a técnica é muito utilizada, trazendo resultados eficaz tanto para a prevenção quanto no tratamento de lesões, sendo recomendada na fisioterapia esportiva, em especial para atletas de voleibol com um alto rendimento.
Palavras-chave: Liberação miofascial; Voleibol; Fisioterapia esportiva; Lesões musculoesqueléticas.
ABSTRACT
The objective of this study is to examine the effectiveness of the myofascial release technique in reducing pain and recovering from musculoskeletal injuries in professional volleyball players. A qualitative literature review was conducted using a selection of articles published between 2009 and 2024 in the SciELO, PubMed, PEDro, LILACS, and Google Scholar databases. The results showed that myofascial release offers benefits such as a linear decrease in pain, improved muscle flexibility, and improved recovery. It can be concluded that the myofascial release technique is an effective therapeutic strategy for the prevention and treatment of musculoskeletal injuries, and is recommended for sports physiotherapy, especially high-performance volleyball. It is concluded that the technique is widely used, yielding effective results for both injury prevention and treatment, and is recommended in sports physiotherapy, especially for high-performance volleyball athletes.
Keywords: Myofascial release; Volleyball; Sports physiotherapy; Musculoskeletal injuries.
INTRODUÇÃO
A terapia manual de liberação miofascial vem ganhando cada vez mais atenção como um tratamento não invasivo para diversas condições musculoesquelética como lesões na fáscia muscular.
Há mais de um século o tratamento manual do corpo humano é realizado através do sistema fascial. Durante a década de 1930, a ciência da anatomia concentrou-se nas camadas fasciais da região do pescoço, com o objetivo de descobrir os caminhos de transmissão de certos patógenos. Mais tarde, quando começaram as pesquisas sobre a função do tecido conjuntivo no sistema imunológico, o papel do tecido conjuntivo em geral atraiu muito mais interesse.
No entanto, as camadas de tecido conjuntivo e suas formações especiais, as fáscias, receberam muito menos atenção do que as áreas clássicas do sistema musculoesquelético, sistemas orgânicos e sistemas nervosos. O papel desempenhado pelo tecido conjuntivo para e entre esses três sistemas individuais era pouco conhecido.
A definição de ponto gatilho se dá por “um ponto localizado e de alta irritabilidade na forma de nódulo em uma área rígida de um músculo estriado esquelético sensível á palpação “ (Travell & Simons, 1993).
Esses pontos chamados de pontos gatilhos podem variarem tamanho, desde uma pequena protuberância, como uma ervilha, até um grande inchaço, podendo ser sentidos na superfície do corpo, entremeados no interior das fibras musculares. Se forem sensíveis à palpação podem ser considerados pontos-gatilho. O tamanho de um ponto-gatilho varia de acordo com o tamanho, o formato e o tipo de músculo no qual é gerado. Por outro lado, é constante nos pontos-gatilho o fato de serem tão sensíveis à palpação que, quando pressionados, o paciente se retrai por causa da dor, relatando uma forte “agulhada” e apresentando espasmos.
A fáscia desempenha funções gerais e especiais no corpo e é organizada de diversas maneiras. Mais próxima da superfície, está a fáscia superficial, que fica abaixo da pele, entre camadas de gordura. Depois temos a fáscia profunda, que cobre os músculos, ossos e vasos sanguíneos.
Cada Músculo está envolto em fáscia. Essas camadas são importantes porque permitem que os músculos que ficam próximos ou em cima uns dos outros se movam livremente sem afetar as funções uns dos outros. A fáscia também auxilia na transição de força através do sistema musculoesquelético.
É importante o papel que a fáscia tem no trabalho dos músculos, auxiliando a contração das células musculares para gerar força e afetando a rigidez muscular.
A liberação miofascial (LM) é uma técnica de terapia manual que visa aliviar a tensão e restrições no tecido conjuntivo (fáscia), promovendo melhora na mobilidade e flexibilidade muscular (Wilke et al., 2021).
Estudos têm demonstrado que a LM pode resultar em melhorias significativas no desempenho esportivo e na redução da dor em atletas. A prática regular da LM tem se mostrado eficaz na diminuição da dor muscular tardia e na melhora da amplitude de movimento (Healey et al., 2014).
A fáscia é um tecido conjuntivo propriamente dito, denso e ininterrupto, que circunda e conecta os músculos, estruturas nervosas e vísceras, sendo um importante elemento de comunicação mecânica entre os vários sistemas corporais. Este tecido tem como principal função realizar a transmissão de força tensional, sendo que o sistema de forças é originado de sua função de revestir e conectar estruturas. Dada a sua característica de alta inervação e células responsáveis por oferecer noção de pressão e estiramento, este tecido frequentemente está relacionado a queixas álgicas e, além disso, colabora na percepção postural (DIAS JUNIOR, 2020).
A liberação miofascial é uma técnica manual que alivia dor e tensão muscular. Age sobre o tecido conjuntivo atua melhorando a mobilidade e função dos músculos e fáscia. Libera aderências faciais e recuperar a elasticidade normal do tecido. É indicada para atletas e pessoas com restrições faciais, tanto para tratamento quanto prevenção de lesões. Atua no relaxamento muscular, melhora da circulação e ganho de mobilidade. É muito usada em terapias corporais, estética e reabilitação.
O que pode causar lesões da fáscia são: traumas diretos, como quedas ou impactos, podem causar rupturas e inflamações na fáscia. Também se tem má postura, especialmente prolongada, sobrecarrega certas áreas da fáscia gerando tensão e dores. Já para o caso dos atletas se tem as lesões da fáscia devido a repetições de movimentos, por ser muito comum na prática esportivas, onde podem gerar microlesões e inflamação crônica na fáscia.
As consequências dessas lesões seriam de: restrições de movimentos limitando a amplitude e fluidez do movimento, a dor gerada na fáscia pode variar de leve a intensa, afetando a qualidade do movimento, e por fim a inflamação crônica pode levara danos teciduais e disfunções a longo prazo. Esses fatores podem gerar os famosos “pontos-gatilho”.
O ponto-gatilho muscular é uma área do músculo onde se forma um pequeno nódulo, que pode ser sentido ao toque como uma parte mais dura ou tensa, podendo causar dor local ou referida. Ainda não se sabe exatamente todos os detalhes da sua causa, mas acredita-se que ele aparece quando o músculo é sobrecarregado, sem descanso.
Os pontos-gatilho miofasciais podem estar envolvidos em todos os tipos de dor musculoesquelética ou de dor muscular mecânica, A dor ou outros sintomas podem ser decorrentes da ativação dos pontos-gatilho, considerando-se além disso que a dor pode se tornar crônica em virtude de pontos-gatilho latentes ou inativos. Estudos e pesquisas realizados em populações de pacientes selecionadas com base em diversas regiões do corpo confirmam uma alta prevalência de dor nos pontos-gatilho.
Os músculos exercem forças e, portanto, são os principais elementos de contribuição para o movimento humano. Músculos são utilizados para manter a posição, elevar ou baixar uma parte do corpo, retardar um segmento que se movimenta com velocidade e gerar grande velocidade no corpo ou em um objeto que é impelido no ar.
O músculo esquelético é muito elástico e pode ser alongado ou encurtado em velocidades razoavelmente altas sem grandes danos ao tecido. O desempenho do músculo sob cargas e velocidades variadas fica determinado pelas quatro propriedades do tecido muscular esquelético: irritabilidade, contratilidade, extensibilidade e elasticidade.
No desempenho de uma habilidade motora, é utilizada apenas uma parte muito pequena da capacidade motora potencial do sistema musculoesquelético, na qual onde o músculo é usado exageradamente ou repetidamente o movimento leva a lesões musculoesqueléticas ou até mesmo um banda de tensão gerando múltiplos pontos gatilhos.
Quando o músculo sofre um estímulo excessivo, os filamentos de actina e miosina travam e não conseguem mais deslizar normalmente e o sarcômero mantém essa contração. Se essa situação persistir por um período de tempo prolongado, essas alterações podem conduzir a um ciclo vicioso. Esse esforço excessivo pode causar: Sobrecarga do músculo; Falta de circulação sanguínea (isquemia); Aumento de substâncias inflamatórias. Tudo isso junto causa um pequeno dano no músculo, que forma uma área mais dura, com pouca circulação e cheia de resíduos. Essa área é onde surge o ponto gatilho (PGM).
Uma vez que a lesão física geralmente pode ser definida como qualquer estresse imposto ao corpo que impeça o organismo de funcionar adequadamente e faça com que se inicie um processo de reparação, uma lesão no esporte pode ser então definida como qualquer tipo de lesão, dor ou dano físico que ocorra como resultado do esporte, exercício ou atividade física. Embora o termo lesões no esporte possa ser empregado para definir qualquer lesão confirmada como resultante do esporte, ele é geralmente utilizado para lesões que acometem o sistema musculoesquelético, que inclui os músculos, ossos, tendões, cartilagem e também a provocação de bandas de tensões geradas por um aglomerado de pontos gatilhos.
Para que o objetivo seja melhorar o desempenho esportivo, não há melhor caminho para alcançá-lo que permanecer livre de lesões. Quando adequadamente implementados e seguidos de forma rotineira, eles apresentam o potencial de reduzir a incidência de lesões no esporte em mais de 50%.
Os melhores resultados são alcançados quando todas as técnicas são empregadas em combinação umas com as outras. Quando se trata de lesões no esporte, a prevenção é melhor que a cura. No qual se tem um bom aquecimento adequadamente cada o esporte praticado, a importância de uma rotina de aquecimento estruturada não deve ser subestimada. O aquecimento antes de qualquer atividade física apresenta vários benefícios, mas, primeiramente, sua proposta principal é preparar o corpo e a mente para uma atividade mais extenuante. Um dos objetivos dessa preparação é ajudar a aumentar a temperatura central do corpo e, ao mesmo tempo, elevar a temperatura muscular. Aumentar a temperatura muscular ajudará a tornar os músculos relaxados, flexíveis e maleáveis.
Com isso, previne uma série de lesões e se tem menos tensionamento muscular.
Muitos indivíduos descartam a fase de resfriamento por considerá-lo uma perda de tempo, ou simplesmente sem importância. Na verdade, o resfriamento é tão importante quanto o aquecimento, O principal objetivo do resfriamento é promover a recuperação do corpo, ou seja, o retorno do corpo a um estado pré-exercício fisico ou pré-atividade. Durante uma atividade física extenuante, o corpo passa por vários processos estressantes; fibras musculares, tendões e ligamentos ficam danificados e toxinas se formam dentro do corpo. O resfriamento, quando de forma adequada realizado ajudará o corpo em seu processo de reparo; uma condição em que o resfriamento ajudará especificamente é a dor muscular pós-exercício.
Treinamento excessivo é o resultado da imposição ao corpo de um trabalho ou estresse maior do que ele pode suportar. Há uma grande diferença entre sentir-se apenas um pouco cansado ou em ciclo baixo e ficar realmente exausto ou treinar excessivamente. É importante ser capaz de notar a diferença para permanecer livre de lesões. Nada interrompe um desempenho esportivo progressivo mais rapidamente do que a incapacidade de reconhecer os sinais da presença real de exaustão e treinamento excessivo. Um dos maiores desafios para se atingir objetivos de condicionamento é a consistência. Se o atleta adoece com frequência, apresenta-se exausto e treina de modo excessivamente repetitivo, torna-se muito difícil permanecer livre de lesões.
Benefícios da liberação miofascial são: Alívio da dor: se tem uma redução eficaz da tensão e desconforto muscular; Melhora da mobilidade: aumento da amplitude de movimento e circulação dos tecidos musculares; e a Prevenção de lesões: contribui para a recuperação e saúde funcional muscular.
O voleibol é uma modalidade esportiva que exige do atleta elevadas performances física, envolvendo ações como de saltos, deslocamentos rápidos e golpes realizados com os membros superiores, o que torna os atletas expostos a lesões musculoesqueléticas. A sobrecarga biomecânica da modalidade, somadas com à alta frequência de treinamentos e competições, aumentam a probabilidade de surgimento de dores musculares e disfunções articulares.
Diante dessas condições, a fisioterapia esportiva busca estratégias de prevenção e reabilitação que sejam eficientes para manter o desempenho atlético e promover a longevidade esportiva dos praticantes de forma mais eficaz.
Na liberação miofascial destaca-se como uma técnica manual que atua diretamente sobre a fáscia, auxiliando na recuperação muscular e no alívio de restrições teciduais. Considerando a importância da prevenção e do tratamento de lesões no voleibol, o presente estudo tem como objetivo investigar, por meio de uma revisão bibliográfica, a eficácia da técnica de liberação miofascial na redução de dores e na recuperação de lesões musculoesqueléticas em jogadores profissionais da modalidade.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A liberação miofascial é uma técnica terapêutica muito utilizada na fisioterapia esportiva, sendo aplicada de forma manual ou instrumentalmente sobre a fáscia, com o objetivo de restaurar a mobilidade e a função dos tecidos musculoesqueléticos. A fáscia, é um tecido conjuntivo que envolve músculos e órgãos, podendo-se a desenvolver aderências que limitam a mobilidade e provocando dor (DIAS JUNIOR, 2020).
Segundo Barreto et al. (2019), a técnica de liberação miofascial tem como objetivo reorganizar as estruturas faciais, promovendo aumento da flexibilidade muscular, redução de tensões e melhora na mobilidade dos atletas. A maioria dos estudos revisados pelos autores utilizou o rolo de espuma como instrumento principal da aplicação dessa técnica.
Em um estudo com atletas durante um período competitivo, Costa et al. (2012) demonstraram que a manipulação miofascial foi eficaz para aumentar o limiar doloroso, sendo superior ao grupo placebo e ao grupo controle. Esses achados reforçam o uso da técnica como forma de recuperação de microtraumas decorrentes da prática esportiva.
No voleibol, a sobrecarga sobre os membros superiores predispõe os atletas a desenvolverem patologias como a síndrome do impacto do ombro. De acordo com Lustosa (2023), a fisioterapia apresenta alta eficácia na reabilitação de atletas acometidos por essa síndrome, promovendo alívio da dor e restabelecimento funcional.
O estudo de Lima (2021), realizado com jogadores universitários de voleibol, analisou os efeitos de auto liberação miofascial na potência do salto vertical. Embora não tenha havido melhora significativa na performance, os atletas relataram sensação de relaxamento e recuperação muscular.
Estudos recentes reforçam a importância da liberação miofascial como recurso terapêutico eficaz em diversas condições musculoesqueléticas. Rocha et al. (2023) demonstraram que a aplicação da técnica promove melhora significativa na dor e funcionalidade de pacientes com fascite plantar, restaurando o movimento ligamentar e devolvendo a qualidade de vida.
Em revisão sistemática realizada por Martins et al. (2019), observou-se que a liberação miofascial, tanto manual quanto instrumental, mostrou-se eficaz na redução de dores musculares e no aumento da amplitude de movimento, embora existam controvérsias quanto à padronização da técnica e seus mecanismos fisiológicos.
Além disso, Bruch et al. (2023) destacaram que a auto liberação miofascial, especialmente por meio de rolos de espuma (foam rollers), melhora a flexibilidade muscular de forma aguda, mesmo em adultos jovens e ativos, indicando benefícios imediatos em contextos esportivos como o voleibol.
Por fim, a revisão de Barros (2022) destaca que a liberação miofascial não apenas aumenta a flexibilidade, mas também promove melhora da circulação sanguínea e redução da rigidez muscular, sendo eficaz na prevenção e tratamento de lesões comuns em modalidades de alta demanda física como o voleibol.
O presente trabalho caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo. A revisão bibliográfica é uma etapa fundamental para o embasamento teórico de pesquisas científicas, permitindo a análise crítica e comparativa dos conhecimentos já produzidos sobre voleibol.
METODOLOGIA
A pesquisa acima foi realizada por meio da seleção de artigos científicos disponíveis em bases de dados nacionais e internacionais como: SciELO, PubMed, PEDro, LILACS e Google Scholar. Os critérios para a inclusão foram os de: estudos publicados nos últimos quinze anos (2009 a 2024), em português, inglês ou espanhol, que abordassem a liberação miofascial aplicada a atletas, especialmente jogadores de voleibol, e que estivessem disponíveis na íntegra em formato digital (PDF).
Foram utilizadas as seguintes palavras chaves para pesquisa: ‘liberação miofascial’, ‘fisioterapia esportiva’, ‘atletas’, ‘voleibol’, ‘lesões musculoesqueléticas’ e ‘dor muscular’. Após a aplicação dos critérios para a escolha, foram selecionados os artigos mais relevantes, considerando a originalidade, qualidade metodológica importante o para tema proposto.
Os dados alcançados a partir dos artigos selecionados foram organizados e analisados de forma descritiva, com destaque nos efeitos da técnica de liberação miofascial na prevenção, recuperação e melhora funcional de atletas praticantes de voleibol.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos artigos selecionados mostra a eficácia da técnica de liberação miofascial na recuperação de lesões musculoesqueléticas e na redução de dores em atletas, incluindo jogadores de voleibol. Foi possível observar que a aplicação da técnica promove benefícios como aumento do limiar de dor, melhora da flexibilidade e otimização da mobilidade funcional.
De acordo com Costa et al. (2012), a manipulação miofascial foi eficaz em aumentar significativamente o limiar doloroso em atletas durante o período competitivo, destacando sua importância no manejo das dores associadas aos microtraumatismos comuns no esporte de alto rendimento.
Dias Junior (2020), em um estudo de caso com atleta amador, relatou a ausência de novas lesões musculares e melhora considerável na recuperação muscular após a aplicação semanal da liberação miofascial. Esses achados corroboram os benefícios da técnica tanto na prevenção quanto na recuperação de lesões.
Barreto et al. (2019) reforçam a eficácia da técnica ao destacar que a liberação miofascial, aplicada principalmente com o rolo de espuma, promove aumento significativo da flexibilidade muscular, fator essencial para atletas que dependem da amplitude e da explosão de movimentos, como no voleibol.
No contexto específico do voleibol, Lima (2021) analisou a aplicação de auto liberação miofascial e observou efeitos positivos no relaxamento muscular, mesmo que não tenha ocorrido aumento direto no desempenho de salto vertical. Tais resultados indicam que a técnica pode ser eficaz na preparação e na recuperação muscular dos jogadores.
Rocha et al. (2023) corroboraram os achados anteriores ao evidenciar que a liberação miofascial aplicada em casos de fascite plantar proporcionou restauração do movimento e alívio da dor, sendo considerada um método seguro e eficaz na prática fisioterapêutica.
No estudo de Martins et al. (2019), a técnica de liberação miofascial demonstrou benefícios consistentes na diminuição da dor e no ganho de flexibilidade funcional, embora os autores ressaltem a necessidade de maior padronização nas futuras pesquisas.
Adicionalmente, Bruch et al. (2023) mostraram que a autoaplicação da técnica com rolos de espuma pode gerar ganhos rápidos de flexibilidade, beneficiando atletas em processos de aquecimento e recuperação.
Assim, a liberação miofascial se apresenta como uma estratégia terapêutica relevante na fisioterapia esportiva, auxiliando de forma significativa para o desempenho e a longevidade dos atletas profissionais de voleibol.
CONCLUSÃO
A liberação miofascial é uma técnica terapêutica que tem se mostrado altamente eficaz no contexto da fisioterapia esportiva, especialmente no tratamento e prevenção de disfunções musculoesqueléticas em atletas, como os jogadores de voleibol. Sua aplicação pode ser realizada diariamente, antes, durante ou após a prática esportiva, atuando diretamente nos pontos gatilhos para aliviar dores e reduzir tensões musculares causadas pelo uso excessivo. Fisiologicamente, a técnica promove aumento da circulação sanguínea, melhora o transporte de nutrientes e oxigênio, facilita a eliminação de substâncias inflamatórias e eletrólitos, reduzindo inchaços e dores. Além disso, favorece a regeneração da fáscia, melhora a vascularização local e contribui para uma função muscular mais eficiente e flexível. A análise de estudos científicos reforça esses benefícios, evidenciando que a liberação miofascial eleva o limiar de dor, reduz a rigidez muscular, otimiza a mecânica dos tecidos e melhora a flexibilidade — fatores essenciais para o desempenho esportivo e a prevenção de lesões. Embora alguns trabalhos indiquem que os efeitos da técnica sobre o desempenho em testes específicos, como força ou salto vertical, possam ser limitados, os ganhos em relaxamento muscular e recuperação funcional são inquestionáveis. Assim, conclui-se que a liberação miofascial é uma ferramenta segura, sem contra-indicações significativas, e altamente recomendada como parte do cuidado fisioterapêutico preventivo e de reabilitação em atletas de alta performance.
Quadro 1 – Artigos utilizados na revisão bibliográfica
| Título | Autor | Ano | Tipo de Estudo | Principais Resultados |
| Liberação miofascial aumenta a flexibilidade muscular em atletas | Barreto et al. | 2019 | Estudo experimental | Aumento significativo da flexibilidade muscular com uso do rolo de espuma. |
| Efeitos da liberação miofascial em atletas: uma revisão integrativa | Barros, Amanda G. Z. | 2022 | Revisão integrativa | Evidenciou melhora da circulação sanguínea, flexibilidade e redução da rigidez muscular. |
| O efeito da manipulação miofascial sobre o limiar doloroso em atletas durante período competitivo | Costa et al. | 2012 | Estudo experimental | Aumento do limiar doloroso, superior ao grupo placebo. |
| Liberação miofascial na prevenção de lesão muscular: relato de caso | Dias Junior, Julio Cesar | 2020 | Relato de caso | Redução de novas lesões e melhora da recuperação muscular. |
| O efeito agudo da auto liberação miofascial na potência de salto vertical em atletas de vôlei | Lima, Caio V. A. A. | 2021 | Estudo experimental | Não houve melhora significativa no salto, mas houve relaxamento e recuperação muscular. |
| A eficácia da fisioterapia na reabilitação de pacientes atletas diagnosticados com síndrome do impacto do ombro | Lustosa, Tais Norma | 2023 | Estudo observacional | Alta eficácia na reabilitação, alívio da dor e restabelecimento funcional. |
| Evidências da técnica de liberação miofascial no tratamento fisioterapêutico: revisão sistemática | Martins et al. | 2019 | Revisão sistemática | Redução da dor e aumento da amplitude de movimento, apesar da falta de padronização. |
| Efeito agudo da auto liberação miofascial na flexibilidade de adultos jovens | Bruch, Cristiane | 2023 | Estudo experimental | Melhora aguda da flexibilidade muscular. |
| Benefícios da liberação miofascial em fascite plantar: revisão bibliográfica | Rocha et al. | 2023 | Revisão bibliográfica | Melhora significativa na dor e funcionalidade, restaurando o movimento ligamentar. |
| Myofascial release therapy: A systematic review of evidence and clinical applications | McDonald; Thompson; Draper-Rodi | 2024 | Revisão sistemática | Mostrou eficácia clínica na redução da dor e melhora funcional em diferentes contextos. |
Quadro 2 – Demais fontes utilizadas na fundamentação teórica
| Título | Autor | Ano | Tipo de Estudo/Obra | Principais Contribuições |
| Manual de massagem | Boigey, M. | 1986 | Livro | Aborda técnicas clássicas de massagem terapêutica, usadas como base para comparação com a liberação miofascial. |
| Técnicas de massagem de Beard | Domenico, G.; Wood, E. C. | 1998 | Livro | Apresenta fundamentos de massagem clínica, aplicáveis ao estudo da fáscia. |
| Fundamentos de massagem terapêutica | Fritz, S. | 2002 | Livro | Explica princípios da massagem terapêutica, auxiliando no entendimento das técnicas manuais. |
| Técnicas neuromusculares modernas – TMN | Chaitow, L. | 2001 | Livro | Introduz técnicas manuais relacionadas ao tratamento da dor e pontos-gatilho. |
| Pontos-gatilhos: uma abordagem concisa | Chaitow, L.; Fritz, S. | 2006 | Livro | Descreve a fisiopatologia dos pontos-gatilho, relevantes no contexto da fáscia. |
| Medicina de reabilitação | Lianza, S. | 2001 | Livro | Discute recursos fisioterapêuticos aplicados em reabilitação. |
| Bases biomecânicas do movimento humano | Hall, Susan J. | 2016 | Livro | Fundamenta a compreensão do movimento humano e lesões musculoesqueléticas. |
| Recursos terapêuticos em fisioterapia | Starkey, C. | 2001 | Livro | Descreve recursos fisioterapêuticos aplicados em reabilitação esportiva. |
| Lesões no esporte: uma abordagem anatômica | Walker, Brad | 2010 | Livro | Aborda a prevenção e tratamento de lesões no esporte. |
| Manual da liberação miofascial | Inchauspe, Ramiro; Nunes, Rommel | 2016 | Livro | Referência específica sobre liberação miofascial e suas aplicações clínicas. |
| BBC News Brasil: “A importância da fáscia – a rede corporal que intriga cientistas” | BBC News Brasil | 2024 | Reportagem | Populariza o tema da fáscia e sua relevância científica. |
| Muscular System: Muscle Structure (SEER Training Modules) | National Cancer Institute | 2024 | Site institucional | Explica a estrutura muscular, base para entendimento fisiológico. |
REFERÊNCIAS
BARRETO, Elison et al. Liberação miofascial aumenta a flexibilidade muscular em atletas. DêCiência em Foco, v. 3, n. 1, p. 129-139, 2019.
BARROS, Amanda G. Z. Efeitos da liberação miofascial em atletas: uma revisão integrativa. Ânima Educação, 2022.
BBC NEWS BRASIL. A importância da fáscia – a rede corporal que intriga cientistas. BBC, 9 jul. 2024.
BOIGEY, M. Manual de massagem. Paris: Masson, 1986.
BRUCH, Cristiane. Efeito agudo da auto liberação miofascial na flexibilidade de adultos jovens. Revista Saúde e Desenvolvimento, 2023.
CHAITOW, L. Técnicas neuromusculares modernas – TMN. São Paulo: Manole, 2001.
CHAITOW, Leon; FRITZ, Sandy. Pontos-gatilhos: uma abordagem concisa. Barueri, SP: Manole, 2006.
COSTA, Natalia A. da et al. O efeito da manipulação miofascial sobre o limiar doloroso em atletas durante período competitivo. Terapia Manual, v. 10, n. 50, p. 486-490, 2012.
DIAS JUNIOR, Julio Cesar. Liberação miofascial na prevenção de lesão muscular: relato de caso. Vittalle, v. 32, n. 1, p. 223-234, 2020.
DOMENICO, G.; WOOD, E. C. Técnicas de massagem de Beard. 4. ed. São Paulo: Manole, 1998.
FRITZ, S. Fundamentos de massagem terapêutica. 2. ed. São Paulo: Manole, 2002.
HALL, Susan J. Bases biomecânicas do movimento humano. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2016.
INCHAUSPE, Ramiro; NUNES, Rommel. Manual da liberação miofascial. São Paulo: Phorte, 2016.
LIANZA, S. Medicina de reabilitação. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2001.
LIMA, Caio V. A. A. O efeito agudo da auto liberação miofascial na potência de salto vertical em atletas de vôlei. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, 2021.
LUSTOSA, Tais Norma. A eficácia da fisioterapia na reabilitação de pacientes atletas diagnosticados com síndrome do impacto do ombro. Revista Ibero Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 2023.
MARTINS, Anna Paula et al. Evidências da técnica de liberação miofascial no tratamento fisioterapêutico: revisão sistemática. Arquivos de Ciências do Esporte, v. 7, n. 1, p. 8-12, 2019.
MCDONALD, Lauren; THOMPSON, Gregory J.; DRAPER-RODI, James. Myofascial release therapy: A systematic review of evidence and clinical applications. Journal of Bodywork and Movement Therapies, 2024.
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STARKEY, C. Recursos terapêuticos em fisioterapia. São Paulo: Manole, 2001.
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