EDUCACIÓN EMOCIONAL EN LA PRIMERA INFANCIA: EL PAPEL DE LA EDUCACIÓN INFANTIL
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507071453
Thais Diandra Fragozo dos Santos1
Ernani José Schneider2
RESUMO
A educação emocional na primeira infância tem sido reconhecida como um fator fundamental para o desenvolvimento integral das crianças, especialmente no contexto da educação infantil, onde elas começam a interagir socialmente fora do ambiente familiar. O presente estudo teve como objetivo geral analisar como a educação emocional é implementada nas instituições de educação infantil e quais são seus efeitos no desenvolvimento das crianças. Para isso, foi realizada uma revisão de literatura baseada em uma pesquisa qualitativa, utilizando bases de dados como Lilacs, Periódicos Capes, Google Acadêmico e Scielo, com estudos publicados entre 2020 e 2024. Os resultados mostraram que práticas pedagógicas como o brincar, a contação de histórias e a música são eficazes no estímulo ao desenvolvimento emocional, promovendo habilidades como empatia, autocontrole e resiliência. Além disso, a formação dos educadores revelou-se essencial para que esses profissionais estejam preparados para trabalhar o aspecto emocional no ambiente escolar. O estudo também destacou a importância da colaboração entre família e escola na criação de um ambiente propício ao desenvolvimento emocional das crianças. Conclui-se que a educação emocional, quando adequadamente implementada, tem um impacto positivo no comportamento e nas relações sociais das crianças.
Palavras-chave: Educação emocional. Primeira infância. Desenvolvimento.
ABSTRACT
Emotional education in early childhood has been recognized as a key factor for the overall development of children, particularly in early childhood education, where they begin to socially interact outside the family environment. This study aimed to analyze how emotional education is implemented in early childhood education institutions and its effects on children’s development. A literature review was conducted based on qualitative research, using databases such as Lilacs, Periódicos Capes, Google Scholar, and Scielo, with studies published between 2020 and 2024. The results showed that pedagogical practices such as play, storytelling, and music are effective in stimulating emotional development, promoting skills like empathy, self-control, and resilience. Additionally, the training of educators proved essential to preparing professionals to address emotional aspects within the school environment. The study also highlighted the importance of collaboration between family and school in creating an environment conducive to children’s emotional development. It concludes that emotional education, when properly implemented, has a positive impact on children’s behavior and social relationships.
Keywords: Emotional education. Early childhood. Development.
1. INTRODUÇÃO
A educação emocional na primeira infância tem ganhado destaque na área educacional, sendo considerada fundamental para o desenvolvimento integral das crianças. Durante os primeiros anos de vida, as crianças passam por importantes processos de formação de suas habilidades emocionais, que influenciam diretamente seu comportamento e suas relações interpessoais ao longo da vida. A educação infantil, nesse contexto, assume um papel primordial, visto que é nesse ambiente que a criança começa a interagir socialmente fora do núcleo familiar e tem a oportunidade de vivenciar situações que promovem o desenvolvimento socioemocional.
A partir dessa perspectiva, a educação emocional na primeira infância pode ser vista como um dos pilares para a formação de indivíduos mais equilibrados emocionalmente, capazes de lidar com desafios, frustrações e convivências de forma saudável. As instituições de educação infantil, em conjunto com a família, desempenham um papel essencial ao proporcionar experiências que favoreçam o reconhecimento, a expressão e a regulação das emoções, aspectos que são determinantes para a construção da autonomia e autoestima das crianças.
O presente estudo delimita-se ao papel da educação infantil no desenvolvimento emocional das crianças na primeira infância. A problemática que orientou esta pesquisa é como a educação emocional tem sido trabalhada nas instituições de educação infantil e quais são os impactos dessa abordagem no desenvolvimento emocional das crianças. A pergunta que guiou esta pesquisa foi: de que maneira a educação emocional pode ser integrada ao cotidiano das instituições de educação infantil, visando favorecer o desenvolvimento emocional saudável das crianças?
Diante dessa problemática, levantaram-se as seguintes hipóteses: a educação emocional pode ser integrada de forma mais efetiva ao currículo da educação infantil; a formação dos educadores pode ser aprimorada para incluir estratégias voltadas ao desenvolvimento emocional das crianças; e as interações sociais nas instituições de ensino infantil podem influenciar positivamente o desenvolvimento socioemocional quando mediadas adequadamente.
O objetivo geral deste trabalho foi analisar como a educação emocional é implementada na educação infantil e seus efeitos no desenvolvimento das crianças. Para alcançar esse objetivo, foram traçados os seguintes objetivos específicos: identificar as práticas pedagógicas utilizadas nas instituições de educação infantil voltadas para o desenvolvimento emocional; analisar a formação dos educadores em relação à educação emocional; e avaliar os impactos dessas práticas no comportamento emocional das crianças.
A relevância deste estudo se justifica pela crescente necessidade de preparar as crianças não apenas do ponto de vista cognitivo, mas também emocional, dada a importância de uma base emocional sólida para o sucesso nas diferentes esferas da vida. O trabalho contribui para o campo educacional ao trazer reflexões sobre a importância da educação emocional e propor práticas que podem ser incorporadas às rotinas das instituições de educação infantil, beneficiando tanto a sociedade quanto a comunidade científica.
A metodologia utilizada foi uma revisão de literatura, baseada em uma pesquisa qualitativa realizada entre 2020 e 2024. As fontes de pesquisa incluíram bases de dados como Lilacs, Periódicos Capes, Google Acadêmico e Scielo, com o objetivo de compilar e analisar estudos anteriores que abordam a educação emocional na primeira infância no contexto da educação infantil.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL NA PRIMEIRA INFÂNCIA
O desenvolvimento emocional na primeira infância é um tema de grande relevância, pois essa fase é marcada por intensas mudanças cognitivas, sociais e afetivas. Conforme Dos Santos e Scoralicklempke (2020), a primeira infância é o período em que a inteligência emocional começa a se formar, influenciando diretamente o comportamento e as relações que a criança estabelecerá ao longo da vida. A inteligência emocional envolve a capacidade de identificar e gerir emoções, um aspecto que se revela essencial para o desenvolvimento saudável da criança. A educação infantil, nesse contexto, desempenha um papel vital ao proporcionar experiências que ajudam a criança a reconhecer, expressar e regular suas emoções.
Segundo Dos Santos et al. (2024), a creche e a pré-escola são espaços fundamentais para o desenvolvimento integral da criança, incluindo a dimensão emocional. No Brasil, a importância dessas instituições é ainda mais evidente, especialmente em um cenário de desigualdades sociais e acesso limitado a recursos de qualidade para a primeira infância. Nesses ambientes, as crianças têm a oportunidade de conviver com outras, aprendendo a compartilhar, a resolver conflitos e a lidar com frustrações, aspectos fundamentais para a construção de uma base emocional sólida. Assim, a educação emocional não é apenas uma necessidade individual, mas também uma demanda social para garantir uma infância plena.
Esswein et al. (2021) destacam que a atenção à saúde emocional dos bebês está fortemente conectada ao vínculo que a criança estabelece com seus cuidadores, sendo um fator determinante para o desenvolvimento de sua segurança emocional. A Rede Cegonha, por exemplo, ao dialogar com a teoria de Winnicott, ressalta a importância da presença de um cuidador sensível e responsivo às necessidades emocionais da criança. Essa relação de cuidado, que começa na família, deve ser ampliada para os contextos de creche e pré-escola, onde educadores também precisam estar preparados para reconhecer e atender às demandas emocionais dos pequenos.
O trabalho de Lopes (2020) explora as concepções de professoras sobre o desenvolvimento social e afetivo na primeira infância, revelando que muitas educadoras ainda têm dificuldades em lidar com o aspecto emocional do desenvolvimento infantil. Essa lacuna aponta para a necessidade de uma formação mais aprofundada dos profissionais da educação infantil, de forma a capacitá-los para promover o desenvolvimento emocional de maneira eficaz. A relação afetiva entre professor e aluno, segundo Lopes, pode ser um facilitador importante para que a criança se sinta segura e acolhida, o que favorece sua participação ativa nas atividades pedagógicas e sociais.
É muito importante considerar que a inteligência emocional não é uma habilidade inata, mas sim uma capacidade que pode e deve ser desenvolvida desde cedo. A escola, em colaboração com a família, tem um papel formador nesse processo. Conforme Dos Santos e Scoralicklempke (2020), as crianças que recebem estímulos adequados para o desenvolvimento emocional apresentam uma maior capacidade de autocontrole, empatia e resiliência. Essas habilidades são essenciais não apenas para o sucesso escolar, mas para o bem-estar e as relações interpessoais em todas as fases da vida.
A formação dos educadores para lidar com o desenvolvimento emocional na educação infantil é, portanto, um ponto de destaque. Esswein et al. (2021) enfatizam que a sensibilidade dos educadores ao reconhecerem as necessidades emocionais das crianças pode fazer toda a diferença na criação de um ambiente escolar que favoreça o bem-estar emocional dos pequenos. Nesse sentido, é necessário que os educadores sejam capacitados para atuar como mediadores nas interações sociais e emocionais que ocorrem no ambiente escolar, criando oportunidades para que as crianças aprendam a gerenciar suas emoções de maneira saudável.
O ambiente escolar, como apontado por Dos Santos et al. (2024), deve ser um espaço de acolhimento e segurança emocional, onde a criança possa explorar e expressar suas emoções sem receios. Através de atividades planejadas e da mediação de conflitos, as instituições de educação infantil podem proporcionar experiências que ajudem as crianças a desenvolver habilidades como a empatia, a assertividade e a autorregulação emocional. Essas competências, quando trabalhadas desde cedo, contribuem significativamente para a formação de indivíduos emocionalmente equilibrados e capazes de enfrentar os desafios sociais e pessoais da vida adulta.
De acordo com Lopes (2020), o desenvolvimento emocional na primeira infância também tem implicações diretas no desenvolvimento social. Crianças que conseguem expressar suas emoções de forma adequada tendem a se relacionar melhor com seus pares, o que promove um ambiente mais cooperativo e menos propenso a conflitos. A educação emocional, nesse sentido, tem o potencial de transformar o ambiente escolar em um espaço de convivência mais harmônico e inclusivo.
Por fim, é relevante destacar que o desenvolvimento emocional na primeira infância não ocorre de forma isolada. Segundo Esswein et al. (2021), a interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais influencia diretamente o modo como a criança desenvolve suas habilidades emocionais. Assim, tanto a família quanto a escola desempenham papéis complementares e fundamentais nesse processo, sendo necessário que haja uma colaboração constante entre os diferentes agentes envolvidos no cuidado e educação da criança.
2.2 O PAPEL DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL
A educação infantil desempenha um papel central no desenvolvimento socioemocional das crianças, sendo um espaço onde os pequenos começam a interagir de maneira estruturada com seus pares e adultos, aprendendo a lidar com suas emoções e a conviver em sociedade. Jankauskas (2024) destaca que o desenvolvimento dessas habilidades vai além do cognitivo, envolvendo também o fortalecimento de competências emocionais, como empatia, autocontrole e resiliência. Essas capacidades são fundamentais para o bem-estar das crianças e para sua adaptação ao ambiente escolar, onde as interações sociais são constantes e essenciais para o aprendizado coletivo.
Ferreira (2024) explora como o desenvolvimento socioemocional na educação infantil está diretamente ligado à construção de uma base sólida para o sucesso futuro da criança, tanto em termos acadêmicos quanto sociais. Ao aprender a identificar e a regular suas emoções, a criança desenvolve a capacidade de resolver conflitos de maneira pacífica, criar vínculos afetivos saudáveis e adaptar-se a diferentes situações. O ambiente escolar, nesse contexto, precisa oferecer não apenas oportunidades de aprendizado cognitivo, mas também de vivências que estimulem o crescimento emocional.
De Souza et al. (2023) apontam que a música pode ser uma ferramenta poderosa no processo de desenvolvimento socioemocional das crianças na educação infantil. Através da música, as crianças têm a oportunidade de expressar suas emoções de forma criativa e aprender a trabalhar em grupo, respeitando o ritmo e as contribuições dos colegas. A prática musical, além de promover o desenvolvimento de habilidades emocionais, também fortalece o senso de pertencimento e cooperação, fundamentais para o convívio social harmonioso.
É muito importante que a parceria entre escola e família seja consolidada para que o desenvolvimento socioemocional das crianças seja devidamente apoiado. De Souza et al. (2024) destacam que o envolvimento dos pais no processo educacional contribui significativamente para a formação de uma base emocional saudável. Quando a escola e a família trabalham em conjunto, as crianças se sentem mais seguras e acolhidas, o que facilita o processo de aprendizagem e o desenvolvimento das habilidades emocionais. Essa colaboração é essencial para que a criança perceba a continuidade entre o ambiente familiar e o escolar, promovendo um ambiente propício para seu crescimento integral.
Jankauskas (2024) também ressalta a importância de promover um ambiente que valorize o desenvolvimento socioemocional na educação infantil. Para ela, o cultivo dessas habilidades está diretamente relacionado ao preparo dos educadores, que devem ser capazes de identificar as necessidades emocionais das crianças e responder a elas de forma adequada. O desenvolvimento socioemocional não pode ser visto como um aspecto secundário da educação, mas sim como parte integrante do processo de formação de cada criança, uma vez que impacta diretamente sua capacidade de aprender e interagir com o mundo ao seu redor.
Ferreira (2024) aponta que o desenvolvimento socioemocional na primeira infância tem um impacto duradouro na vida das crianças, influenciando sua capacidade de formar relacionamentos saudáveis e de lidar com desafios ao longo da vida. Crianças que desenvolvem habilidades emocionais desde cedo tendem a ter melhor desempenho acadêmico e são mais propensas a se tornarem adultos emocionalmente equilibrados. O papel da educação infantil, nesse sentido, é promover oportunidades para que as crianças explorem suas emoções em um ambiente seguro e acolhedor, favorecendo seu desenvolvimento integral.
A música, como destacado por De Souza et al. (2023), oferece uma abordagem lúdica e eficaz para o desenvolvimento socioemocional. Através da prática musical, as crianças aprendem a se expressar, a colaborar com seus colegas e a desenvolver a paciência e o respeito mútuo. Essas experiências musicais podem ser integradas ao currículo da educação infantil como uma maneira de promover o desenvolvimento emocional de forma natural e prazerosa, ao mesmo tempo em que fortalecem habilidades sociais e cognitivas.
De Souza et al. (2024) ressaltam que os pais, como primeiros educadores das crianças, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioemocional. Quando as famílias estão envolvidas no processo educacional, as crianças se beneficiam de um ambiente de apoio que reforça os valores e práticas promovidos na escola. Essa parceria entre pais e educadores é essencial para garantir que as crianças recebam um suporte contínuo e coerente em todas as esferas de sua vida, o que facilita o desenvolvimento de uma base emocional sólida e resiliente.
Jankauskas (2024) reforça a ideia de que o desenvolvimento socioemocional é um componente essencial do currículo da educação infantil, que não deve ser negligenciado. Para ela, os educadores devem ser capacitados para trabalhar com as emoções das crianças, ajudando-as a reconhecer e a lidar com seus sentimentos de forma construtiva. Ao proporcionar um ambiente onde as crianças se sintam seguras para expressar suas emoções, a escola contribui para o desenvolvimento de competências emocionais que serão valiosas ao longo de toda a vida.
Por fim, Ferreira (2024) argumenta que a educação infantil deve ser um espaço de acolhimento emocional, onde as crianças possam explorar e aprender sobre suas emoções de maneira saudável. O desenvolvimento socioemocional não é apenas uma preparação para a vida escolar, mas uma preparação para a vida como um todo, influenciando a maneira como as crianças se relacionam com o mundo e com as outras pessoas. Ao promover um ambiente de apoio emocional, a educação infantil desempenha um papel crucial na formação de indivíduos capazes de enfrentar os desafios da vida com confiança e equilíbrio emocional.
2.3 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL
As práticas pedagógicas voltadas para o desenvolvimento emocional na educação infantil têm como base a criação de um ambiente que valorize a afetividade, o brincar e a expressão emocional. Silva (2024) destaca que o brincar é uma das principais ferramentas para a aprendizagem na infância, pois possibilita que a criança explore suas emoções de maneira lúdica, facilitando o desenvolvimento da inteligência emocional. O brincar permite que a criança interaja com o outro, resolva conflitos e compreenda o mundo ao seu redor, sendo um momento de construção de significados que contribui diretamente para o desenvolvimento emocional.
No contexto educacional, Oliveira (2023) aborda a afetividade como um elemento essencial para a aprendizagem infantil, sobretudo em situações de vulnerabilidade, como no caso de crianças em ambientes hospitalares. A afetividade, quando integrada às práticas pedagógicas, pode transformar o ambiente escolar em um espaço acolhedor e seguro, favorecendo a expressão emocional das crianças. O vínculo afetivo entre professor e aluno é um fator determinante para que a criança se sinta à vontade para expressar seus sentimentos, o que facilita a construção de relações interpessoais mais saudáveis e equilibradas.
Tessarin (2023) reforça a importância do desenvolvimento da afetividade nas práticas pedagógicas à luz da Teoria Histórico-Cultural, que coloca a interação social e o meio cultural como fatores primordiais para o desenvolvimento humano. O ambiente escolar, dentro dessa perspectiva, deve proporcionar oportunidades para que as crianças vivenciem emoções e relações interpessoais de forma saudável. As interações sociais mediadas pelos educadores são fundamentais para o fortalecimento das competências emocionais das crianças, como empatia, autocontrole e colaboração.
A prática da contação de histórias também aparece como uma estratégia relevante para o desenvolvimento emocional. Félix (2024) aponta que a narrativa possibilita à criança não apenas a construção de habilidades cognitivas, mas também a oportunidade de vivenciar emoções de maneira controlada, o que contribui para a compreensão e a gestão dos próprios sentimentos. Durante a escuta de histórias, as crianças podem se identificar com personagens, refletir sobre suas próprias experiências e internalizar modelos de comportamento emocional, que as auxiliam na resolução de conflitos e na convivência com os outros.
O brincar, conforme destacado por Silva (2024), tem um papel fundamental na criação de um ambiente de aprendizagem que estimule o desenvolvimento emocional. As brincadeiras promovem o uso da imaginação, da criatividade e do pensamento simbólico, permitindo que as crianças experimentem diferentes papéis sociais e aprendam a lidar com frustrações e desafios emocionais. Através do jogo, as crianças aprendem a expressar suas emoções e a trabalhar em conjunto, o que favorece o desenvolvimento de competências emocionais essenciais para a vida em sociedade.
Oliveira (2023) enfatiza que a afetividade não deve ser entendida apenas como um aspecto complementar das práticas pedagógicas, mas como um elemento central para a promoção de uma educação que valorize o ser humano em sua integralidade. Em contextos hospitalares, onde a fragilidade emocional das crianças é ainda mais evidente, a presença de educadores afetivos pode fazer toda a diferença no processo de aprendizagem e no desenvolvimento emocional dessas crianças. O afeto, nesse caso, atua como uma ponte para a aprendizagem, tornando o ambiente educacional mais receptivo às necessidades emocionais dos alunos.
Ao discutir a Teoria Histórico-Cultural, Tessarin (2023) sublinha que o desenvolvimento emocional está intrinsecamente ligado ao contexto social em que a criança está inserida. As práticas pedagógicas que promovem interações sociais positivas contribuem para a construção de uma identidade emocional equilibrada. Nesse sentido, o papel do educador é mediar as relações entre as crianças e o meio, criando situações em que as emoções possam ser vivenciadas e compreendidas de maneira construtiva. O ambiente escolar, assim, torna-se um espaço de aprendizagem emocional, onde as crianças podem desenvolver habilidades que serão fundamentais ao longo de suas vidas.
A contação de histórias, conforme explorado por Félix (2024), possibilita que as crianças experimentem emoções em um ambiente controlado, o que facilita o desenvolvimento de estratégias para lidar com sentimentos como medo, tristeza e raiva. Através das histórias, as crianças aprendem sobre o mundo e sobre si mesmas, o que contribui para a construção de uma base emocional sólida. A prática de contar histórias, além de promover a imaginação, oferece oportunidades para que as crianças reflitam sobre suas próprias vivências e aprendam a gerenciar suas emoções de maneira saudável.
O brincar, a afetividade e a contação de histórias, conforme discutido por Silva (2024), Oliveira (2023) e Félix (2024), são práticas pedagógicas que, quando integradas ao currículo da educação infantil, promovem um ambiente propício ao desenvolvimento emocional das crianças. Essas práticas permitem que os pequenos vivenciem e expressem suas emoções de forma segura, favorecendo a construção de uma base emocional que impactará diretamente suas futuras relações sociais e seu desempenho acadêmico.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação emocional na primeira infância, com enfoque no papel da educação infantil, foi abordada ao longo deste trabalho a partir de uma revisão de literatura que permitiu a análise aprofundada das práticas pedagógicas voltadas para o desenvolvimento socioemocional. O objetivo central, que era compreender como a educação emocional é implementada nas instituições de ensino infantil e seus efeitos no desenvolvimento das crianças, foi plenamente alcançado. Foram identificadas práticas pedagógicas que promovem o desenvolvimento emocional, analisada a formação dos educadores sobre o tema e avaliados os impactos dessas práticas no comportamento emocional das crianças.
A pesquisa demonstrou que o desenvolvimento emocional na primeira infância é uma parte essencial do processo educativo, e que a educação infantil pode desempenhar um papel significativo ao proporcionar um ambiente adequado para o reconhecimento, expressão e regulação das emoções. A escola, ao lado da família, constitui um espaço de apoio emocional, onde as crianças têm a oportunidade de conviver socialmente e aprender a lidar com seus sentimentos. As práticas pedagógicas que incentivam o brincar, a contação de histórias e a música se destacaram como ferramentas eficazes para promover esse desenvolvimento.
No que diz respeito à formação dos educadores, foi possível constatar que, embora haja um reconhecimento da importância da educação emocional, ainda existem desafios quanto à capacitação dos profissionais para trabalhar com essa dimensão do desenvolvimento infantil. O estudo apontou a necessidade de uma formação mais específica e contínua, de modo que os educadores estejam melhor preparados para identificar e mediar as emoções das crianças em sala de aula, criando um ambiente seguro e acolhedor que favoreça a aprendizagem e a socialização.
Ao analisar os impactos dessas práticas no comportamento emocional das crianças, verificou-se que as crianças que vivenciam uma educação emocional bem estruturada desenvolvem maior empatia, autocontrole e resiliência. Essas habilidades não apenas melhoram a convivência em grupo e o desempenho escolar, mas também preparam os indivíduos para enfrentar os desafios emocionais ao longo de suas vidas. Assim, a educação emocional desde a primeira infância surge como uma base sólida para o desenvolvimento de indivíduos mais equilibrados emocionalmente.
Com base nas evidências apresentadas, conclui-se que os objetivos específicos traçados no início deste trabalho foram cumpridos de maneira satisfatória. As práticas pedagógicas voltadas para o desenvolvimento emocional foram identificadas e analisadas de forma clara, destacando seu impacto positivo no desenvolvimento das crianças. A formação dos educadores e a relevância das interações sociais no ambiente escolar foram elementos chave para a promoção de uma educação infantil que valorize não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também o emocional. O estudo contribui, assim, para o entendimento da importância da educação emocional na infância e reforça a necessidade de políticas educacionais que incorporem essa dimensão nos currículos das instituições de ensino infantil.
REFERÊNCIAS
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TESSARIN, Maira Juliana. O desenvolvimento da afetividade nas práticas pedagógicas na Educação Infantil à luz da Teoria Histórico-Cultural. 2023.
1Acadêmica da 5ª fase do Curso de Bacharel em Pedagogia – UNIDAVI.
2Orientador do Estágio Supervisionado I do curso de Pedagogia – UNIDAVI
