A EDUCAÇÃO DO PACIENTE COM BEXIGA NEUROGÊNICA: O PAPEL DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES

PATIENT EDUCATION WITH NEUROGENIC BLADDER: THE NURSE’S ROLE IN COMPLICATION PREVENTION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510111508


Bruna Tatiany Ferreira dos Reis1
Viviane de Oliveira Passos2
Raire Cristine Pereira da Cruz3


Resumo

Este estudo analisa a função do enfermeiro na orientação de pacientes com bexiga neurogênica, focando nas estratégias destinadas a fomentar o autocuidado e evitar complicações relacionadas à condição. Esta é uma pesquisa bibliográfica com enfoque qualitativo e caráter exploratório, fundamentada na análise de artigos científicos nacionais e internacionais publicados entre 2000 e 2025, acessados por meio das bases de dados CAPES, SciELO, PubMed e Google Acadêmico. Foram considerados estudos que tratassem da educação em saúde, cateterismo intermitente limpo, estomaterapia e controle da incontinência urinária. As informações foram classificadas em categorias temáticas, como a educação do paciente, estratégias de enfermagem, prevenção de complicações e efeito da educação na promoção do autocuidado. A análise qualitativa permitiu identificar as principais intervenções educativas utilizadas, destacando a importância do ensino contínuo, do uso de materiais educativos e do acompanhamento individualizado. Constatou-se que a atuação do enfermeiro contribui significativamente para a adesão ao tratamento, redução de infecções urinárias, prevenção de lesões e melhora da qualidade de vida dos pacientes. Os resultados evidenciam que a educação em saúde é uma ferramenta essencial para o fortalecimento da autonomia do paciente, promovendo práticas seguras e efetivas de autocuidado. Assim, o estudo reforça a relevância da enfermagem no manejo da bexiga neurogênica, indicando que a capacitação contínua dos profissionais e a implementação de estratégias educativas estruturadas são fundamentais para a promoção da saúde e da qualidade de vida dos pacientes.

Palavras-chave: Bexiga neurogênica. Educação em saúde. Enfermagem. Autocuidado. Cateterismo intermitente.

Abstract

This study analyzes the role of nurses in counseling patients with neurogenic bladder, focusing on strategies to promote self-care and prevent complications related to the condition. This is a qualitative, exploratory bibliographic study based on the analysis of national and international scientific articles published between 2000 and 2025, accessed through the CAPES, SciELO, PubMed, and Google Scholar databases. Studies addressing health education, clean intermittent catheterization, stomatherapy, and urinary incontinence management were considered. The information was classified into thematic categories, such as patient education, nursing strategies, complication prevention, and the effect of education on promoting self-care. The qualitative analysis identified the main educational interventions used, highlighting the importance of ongoing education, the use of educational materials, and individualized monitoring. It was found that nurses’ work contributes significantly to treatment adherence, reducing urinary tract infections, preventing injuries, and improving patients’ quality of life. The results demonstrate that health education is an essential tool for strengthening patient autonomy, promoting safe and effective self-care practices. Thus, the study reinforces the importance of nursing in the management of neurogenic bladder, indicating that ongoing professional training and the implementation of structured educational strategies are fundamental to promoting patient health and quality of life.

Keywords: Neurogenic bladder. Health education. Nursing. Self-care. Intermittent catheterization.

1 INTRODUÇÃO

A bexiga neurogênica é uma disfunção vesical decorrente de alterações neurológicas que comprometem o armazenamento e a eliminação urinária, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes (SOUZA et al., 2013). O manejo eficaz dessa condição envolve, entre outros aspectos, a educação do paciente para o autocuidado e a prevenção de complicações. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha um papel essencial, fornecendo orientações sobre técnicas de cateterismo intermitente limpo, cuidados com a higiene e monitoramento de sinais de infecção, visando à promoção da saúde e à redução de riscos associados ao tratamento, conforme apontam os mesmos autores.

Pesquisas mostram que a formação apropriada dos pacientes e de seus cuidadores, combinada com o apoio constante da equipe de enfermagem, leva a uma maior adesão ao tratamento e redução nas taxas de infecção do trato urinário.  A participação ativa dos enfermeiros na educação em saúde favorece a autonomia do paciente e a eficácia das intervenções terapêuticas (SOUZA et al., 2013; COSTA et al., 2021). Dessa forma, o objetivo principal deste estudo é ressaltar a importância do enfermeiro na orientação do paciente com bexiga neurogênica, focando na promoção do autocuidado e na prevenção de complicações. Os objetivos específicos são: (1) evidenciar a importância da capacitação do paciente para a adesão ao tratamento e prevenção de complicações; (2) identificar as complicações mais frequentes e analisar o papel da educação em saúde na sua prevenção; (3) descrever as estratégias de enfermagem e os recursos pedagógicos empregados; (4) avaliar o efeito da aprendizagem contínua no autocuidado e na diminuição de complicações; (5) identificar as dificuldades enfrentadas pelo enfermeiro na prática; e (6) indicar as limitações decorrentes da falta da especialidade em estomaterapia.

A bexiga neurogênica tem sido amplamente documentada na literatura médica, apresentando avanços importantes nas técnicas de manejo, especialmente após a adoção consolidada do cateterismo intermitente limpo como uma prática segura e eficaz nas últimas décadas (COSTA et al., 2021). Historicamente, a enfermagem tem acompanhado essa evolução, adotando um papel cada vez mais proativo na educação do paciente, como demonstrado nas diretrizes recentes do Ministério da Saúde (Brasil, 2021).

Segundo Fumincelli (2016), os pacientes com bexiga neurogênica enfrentam complicações frequentes, como infecções urinárias (presentes em até 50% dos casos), danos renais e impactos psicossociais, incluindo depressão e isolamento. A falta de orientação adequada é um fator agravante: estudos apontam que 30% das reinternações por infecção do trato urinário (ITU) em pacientes neurogênicos estão relacionadas a falhas no autocuidado (SILVA et al., 2022).

Nesse contexto, a estomaterapia se apresenta como uma área especializada capaz de proporcionar um suporte diferenciado no tratamento de pacientes com incontinência e disfunções urinárias. O enfermeiro estomaterapeuta tem uma formação especializada para lidar com casos complexos, como a bexiga neurogênica, fornecendo orientações sobre o uso de dispositivos, prevenindo complicações e aprimorando o processo educativo (SOBEST, 2016; PEREIRA et al., 2024). A falta desse especialista em diversos serviços de saúde agrava os desafios enfrentados tanto pelos enfermeiros generalistas quanto pelos pacientes, comprometendo a eficácia do atendimento.

Portanto, este estudo se justifica pela necessidade de reforçar práticas educativas fundamentadas em evidências, enfatizando os desafios enfrentados pelos enfermeiros na orientação de pacientes com bexiga neurogênica e sublinhando a relevância da estomaterapia como área de apoio. Dessa forma, procura-se responder à seguinte questão de pesquisa: Qual é o papel do enfermeiro na educação e prevenção de complicações dos pacientes com bexiga neurogênica?

Este artigo tem como objetivo analisar a função do enfermeiro na orientação do paciente com bexiga neurogênica, destacando as técnicas empregadas na prevenção de problemas, os desafios enfrentados nessa atividade e a importância da estomaterapia como apoio especializado.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 DEFINIÇÃO E CAUSAS DA BEXIGA NEUROGÊNICA

A bexiga neurogênica é uma disfunção vesical resultante de lesões no sistema nervoso que comprometem o controle da micção, podendo levar à incontinência ou retenção urinária. Essa condição pode ser causada por doenças congênitas ou adquiridas, como lesões medulares, acidente vascular encefálico (AVE), esclerose múltipla, doença de Parkinson, neuropatia diabética e traumas pélvicos (SHENOT, 2023; SANTOS et al., 2021)

A micção envolve mecanismos voluntários e involuntários, controlados por centros nervosos que vão desde o córtex cerebral até o plexo intrínseco da parede vesical. Qualquer lesão que interfira nesses mecanismos pode alterar o funcionamento da bexiga, resultando em bexiga neurogênica (SHENOT, 2023).

A bexiga neurogênica pode se manifestar de diferentes formas, como:

  • Bexiga flácida: Caracterizada pela incapacidade de contração adequada, levando à retenção urinária e vazamentos involuntários.
  • Bexiga espástica: Marcada por contrações involuntárias da bexiga, mesmo com pouco volume de urina, frequentemente descoordenadas com o esfíncter urinário.
  •   Forma mista: Combina características das duas formas anteriores (Shenot, 2023).

A neuropatia diabética é uma das principais causas da bexiga neurogênica, devido ao comprometimento das fibras nervosas periféricas que controlam a função vesical. Além disso, doenças neurodegenerativas, como a esclerose múltipla e a doença de Parkinson, também estão associadas ao desenvolvimento dessa condição (SHENOT, 2023).

Além disso, a prevenção de complicações, como infecções urinárias recorrentes e danos renais irreversíveis, depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. O manejo pode incluir ações como cateterismo urinário intermitente, uso de medicamentos para melhorar a função da bexiga e, em casos específicos, procedimentos cirúrgicos. Ademais, estratégias educativas direcionadas ao paciente e seus cuidadores têm um impacto significativo na redução dessas complicações e na melhoria da qualidade de vida. (GOMES & MARTINS, 2023).

Segundo Santos et al. (2021, p. 3):

O processo de micção é controlado por mecanismos voluntários e involuntários, que envolvem centros nervosos distribuídos entre o córtex cerebral, o tronco encefálico e os plexos intrínsecos da bexiga. Qualquer lesão ou comprometimento desse sistema pode alterar o funcionamento vesical, desencadeando quadros de bexiga neurogênica e aumentando o risco de complicações clínicas.

O prognóstico está diretamente ligado ao diagnóstico precoce e à implementação de intervenções apropriadas, com o objetivo de minimizar complicações, como infecções urinárias recorrentes, e preservar a função do trato urinário superior. O tratamento adequado e contínuo é fundamental para minimizar riscos, fomentar a autonomia e assegurar a qualidade de vida do paciente, considerando que as condições clínicas relacionadas à bexiga neurogênica variam bastante entre os indivíduos, o que dificulta a previsão do potencial de reabilitação a longo prazo (LIMA et al., 2022).

2.2 IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO DO PACIENTE NA GESTÃO DA BEXIGA NEUROGÊNICA

A educação em saúde para pacientes com bexiga neurogênica deve abranger instruções sobre métodos de esvaziamento da bexiga, prevenção de infecções do trato urinário e práticas de higiene pessoal. Gomes & Moreira (2022) destacam que programas educativos bem estruturados aumentam a adesão ao tratamento e ajudam a diminuir as taxas de infecção urinária recorrente. Além disso, o uso de recursos pedagógicos, como cartilhas e vídeos, tem se mostrado eficiente, uma vez que simplifica a assimilação das informações e fortalece a confiança dos pacientes no gerenciamento de sua condição (LOPES et al., 2024).

O uso de materiais educativos, como cartilhas e vídeos, facilita a compreensão das informações e aumenta a confiança dos pacientes no manejo da condição (LOPES et al., 2024). Além disso, tecnologias digitais, como aplicativos móveis para monitoramento da micção, têm demonstrado potencial para melhorar a adesão ao tratamento e o controle da condição (MOREIRA et al., 2023). A capacitação dos profissionais de saúde também é crucial para a implementação eficaz dessas estratégias educativas. A colaboração interdisciplinar entre enfermeiros, médicos e terapeutas é essencial para o desenvolvimento de planos de educação personalizados, que considerem as necessidades individuais de cada paciente (CIPRIANO et al., 2013).

2.3 O PAPEL DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO DO PACIENTE

A educação em saúde é fundamental no cuidado de pacientes com condições crônicas que exigem procedimentos específicos, como a bexiga neurogênica. A enfermagem, centrada no cuidado holístico, desempenha um papel essencial não apenas na execução de procedimentos, mas também na capacitação de pacientes e familiares para o autocuidado. A orientação sobre o cateterismo urinário intermitente (CUI) é uma das principais estratégias para o manejo da bexiga neurogênica, promovendo independência e reduzindo complicações. Segundo Fumincelli et al. (2017), a qualidade de vida dos pacientes que utilizam essa técnica melhora significativamente, com aumento da autonomia e redução de intercorrências.

A Resolução Cofen nº 450/2013 reforça a responsabilidade do enfermeiro no procedimento de sondagem vesical, definindo a inserção de cateter como função privativa do profissional, devido ao caráter invasivo do procedimento e aos riscos associados, como infecções do trato urinário e traumas uretrais. Além de executar o procedimento, o enfermeiro deve atuar como educador, capacitando pacientes e cuidadores para a realização segura e eficaz do CUI. Vieira et al. (2014) destacam que o enfermeiro deve ensinar e encorajar o paciente a realizar o autocateterismo intermitente, manipular o dispositivo e manter a higiene íntima, promovendo o autocuidado em pessoas com lesão medular e bexiga neurogênica.

A educação do paciente com bexiga neurogênica envolve não apenas a transmissão de informações técnicas, mas também o desenvolvimento de habilidades práticas para o autocuidado. Estratégias educativas, como a utilização de materiais ilustrativos, têm se mostrado eficazes no reforço das orientações. Fumincelli (2016) desenvolveu um estudo que mensurou e comparou a qualidade de vida de pacientes em uso de CUI, destacando a importância da educação para o sucesso terapêutico.

O treinamento de cuidadores é uma das principais atribuições do enfermeiro no manejo da bexiga neurogênica, especialmente em pacientes pediátricos. Durante o treinamento, o profissional deve enfatizar a higienização correta das mãos e da genitália, o uso de lubrificante para evitar traumas uretrais, bem como a observação do volume e aspecto da urina, que podem indicar possíveis complicações. Além disso, é fundamental orientar sobre sinais de alerta, como hematúria e infecções, e garantir que os cuidadores se sintam confiantes para realizar o procedimento com segurança. O CUI deve ser realizado em ambiente limpo e privado, com atenção à assepsia e ao uso de materiais adequados. A frequência do procedimento, geralmente de 4 a 6 vezes ao dia, e a importância de evitar a hiperdistensão vesical também devem ser abordadas.

Além do CUI, o enfermeiro desempenha papel crucial na orientação sobre outras intervenções, como a cirurgia de Mitrofanoff, indicada para melhorar a qualidade de vida de pacientes com bexiga neurogênica. A técnica cria um conduto cateterizável entre a parede abdominal e a bexiga, permitindo que o paciente realize o CUI de forma mais confortável e indolor. No pós-operatório, o enfermeiro deve orientar sobre os cuidados com a sonda Foley, a higiene local e a técnica do CUI via Mitrofanoff, além de sanar dúvidas e acompanhar a evolução clínica. A educação contínua e o treinamento adequado são essenciais para que os cuidadores se sintam preparados, promovendo autonomia e prevenindo complicações.

Estudos recentes indicam que profissionais da área de saúde que atuam diretamente com crianças portadoras de disfunções vesicais e intestinais desenvolvem experiência prática significativa, acumulando especializações em áreas como Pediatria, Saúde da Criança e Estomaterapia. Essa experiência permite que os enfermeiros forneçam orientações adequadas sobre a técnica de Cateterismo Intermitente Limpo (CIL), enfatizando a higiene das mãos, a preparação de um ambiente limpo e privado, o uso correto do cateter e a frequência adequada do procedimento, além de orientar sobre sinais de possíveis complicações, como hematúria ou estenose uretral (NASCIMENTO; FERREIRA, 2025).

O enfermeiro desempenha um papel fundamental na instrução e orientação de pacientes pediátricos com bexiga neurogênica e suas famílias, tendo como responsabilidade fomentar o autocuidado, prevenir problemas de saúde e incentivar a independência no controle da condição. As pesquisas apontam que, embora todos os enfermeiros entrevistados tenham conhecimento sobre os cuidados domiciliares necessários, somente alguns tiveram contato com o tema durante a graduação. Isso evidencia deficiências na formação acadêmica e a necessidade de formação continuada. (NASCIMENTO; FERREIRA, 2025).

Além disso, a análise quantitativa do estudo mencionado no parágrafo anterior, revela o perfil dos enfermeiros que trabalham na Clínica Cirúrgica Pediátrica. A maioria é do sexo feminino (85,7%), com idade média de 46 anos e experiência profissional significativa. Enquanto 71,4% estão no setor há mais de um ano, 57,1% têm mais de dez anos de experiência com pacientes pediátricos. Todos os participantes possuem especialização lato sensu, especialmente em pediatria e saúde da criança, o que proporciona suporte técnico para a orientação dos cuidadores (NASCIMENTO; FERREIRA, 2025). Apesar disso, somente 57,1% abordaram o tema da bexiga neurogênica durante a graduação. Isso evidencia a importância da formação continuada e de treinamentos específicos para assegurar que todos os profissionais estejam totalmente preparados para orientar e acompanhar os pacientes em suas residências.

Os enfermeiros também identificaram vários sintomas e problemas que podem surgir se a bexiga neurogênica não for tratada corretamente, incluindo incontinência urinária, dificuldade para esvaziar a bexiga, infecções urinárias recorrentes, lesão renal e disfunção vesical. A compreensão desses sinais capacita o enfermeiro a oferecer instruções precisas sobre cuidados preventivos e monitoramento em casa, reforçando a segurança do CIL e promovendo o autocuidado de maneira eficiente (NASCIMENTO; FERREIRA, 2025).

Diante disso, concluímos que o papel do enfermeiro na educação do paciente é, portanto, fundamental para o sucesso do tratamento de condições como a bexiga neurogênica. Por meio de estratégias educativas eficazes, o enfermeiro promove a autonomia do paciente, reduz complicações e melhora a qualidade de vida. A capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, aliada ao uso de recursos educativos inovadores, é essencial para garantir que pacientes e cuidadores estejam preparados para o manejo adequado da condição. Segundo Fumincelli et al. (2017), a prática do autocateterismo urinário intermitente contribui de forma significativa para a qualidade de vida dos pacientes, evidenciando o papel do enfermeiro como agente de mudança e promotor de saúde.

2.4 O SUPORTE FAMILIAR E MULTIDISCIPLINAR NO CUIDADO

O tratamento de pacientes com bexiga neurogênica requer a colaboração de diversos profissionais e a participação ativa da família no processo de autocuidado. Candido et al. (2023) enfatizam que incentivar o autocuidado é uma das abordagens mais eficientes para o tratamento da bexiga neurogênica, destacando a importância da enfermagem em oferecer a formação apropriada para pacientes e cuidadores. Quando feita corretamente, a educação em saúde capacita o paciente a gerenciar sua condição de forma autônoma, reduzindo complicações e melhorando sua qualidade de vida.

Em um contexto mais amplo, o suporte familiar desempenha um papel fundamental no acompanhamento do paciente:

A inclusão da família no processo educativo e no cuidado diário é essencial para o sucesso no tratamento de pacientes com bexiga neurogênica. A educação do cuidador sobre o uso adequado do cateterismo intermitente, por exemplo, reduz a ansiedade do paciente e melhora a adesão ao tratamento, facilitando o processo de autocuidado e promovendo o bem-estar. (COSTA et al., 2022, p. 88)

O apoio multidisciplinar no tratamento de pacientes com bexiga neurogênica ultrapassa a atuação da enfermagem e abrange outros profissionais de saúde. Candido et al. (2023) enfatizam que a colaboração entre médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas é essencial para assegurar um atendimento completo e eficiente, que considera todas as facetas da saúde do paciente, desde as físicas até as emocionais e psicológicas. A troca de informações e estratégias entre esses profissionais ajuda a criar um plano de cuidado mais adequado e personalizado.

A necessidade de um acompanhamento contínuo por uma equipe multidisciplinar é reafirmada por Fumincelli (2016), que enfatiza que a qualidade de vida dos pacientes com bexiga neurogênica está intimamente ligada à capacidade da equipe de saúde de oferecer um cuidado integral. A implementação de estratégias de autocuidado, alinhadas ao suporte emocional da equipe, promove um efeito positivo na saúde física e mental do paciente, o que é particularmente relevante para aqueles que necessitam do uso de cateterismo urinário intermitente.

A literatura também destaca a importância de práticas educativas no cuidado a pacientes com bexiga neurogênica. Cipriano et al. (2013) realizaram uma revisão integrativa sobre as ações educativas para pacientes com disfunção urinária, ressaltando que essas estratégias têm um impacto significativo na adesão ao tratamento e na redução de complicações. A educação sobre o autocuidado, incluindo informações sobre a prevenção de infecções urinárias e a manutenção da higiene adequada, é essencial para garantir a segurança e a saúde do paciente.

Santos et al. (2021) reforçam que o envolvimento da família não deve se limitar apenas à execução das atividades de cuidado, mas também à participação ativa no processo de educação e apoio emocional. Quando os familiares são bem informados e capacitados, eles se tornam agentes ativos no manejo da condição do paciente, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida do indivíduo e do ambiente familiar.

O cuidado multidisciplinar, conforme enfatizado por Pavão et al. (2024), envolve uma abordagem holística que não apenas trata os sintomas físicos da bexiga neurogênica, mas também leva em consideração as questões psicossociais do paciente. Isso inclui a gestão do estresse e da ansiedade associados ao tratamento, o que é particularmente relevante para pacientes em situações de vulnerabilidade, como aqueles com lesão medular.

É importante destacar que o ensino do autocuidado não se limita ao aspecto técnico. Souza et al. (2023) apontam que o fortalecimento da relação de confiança entre o paciente, a família e a equipe de saúde são essenciais para o sucesso do tratamento. A comunicação aberta e empática entre os envolvidos favorece a adesão ao tratamento e minimiza os riscos de complicações, como infecções urinárias recorrentes.

A atuação da enfermagem é crucial para a educação do paciente e de seus familiares. Segundo Silva et al. (2022), enfermeiros desempenham um papel essencial no acompanhamento da saúde do paciente, fornecendo informações claras sobre o manejo da bexiga neurogênica e ajudando a superar obstáculos relacionados à adesão ao tratamento. A criação de programas educativos específicos para pacientes com bexiga neurogênica pode aumentar a eficácia do tratamento e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Por fim, a pesquisa de Lima et al. (2022) reforça que o suporte contínuo e o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar especializada são elementos fundamentais no tratamento de pacientes com bexiga neurogênica. Ao integrar as diferentes disciplinas de saúde, a equipe não só oferece cuidados técnicos, mas também apoia o paciente e a família em sua jornada de adaptação e autocuidado. A colaboração entre os profissionais de saúde e os familiares é, assim, um pilar essencial para a efetividade do tratamento e para o aumento da qualidade de vida do paciente.

2.5 DESAFIOS NA EDUCAÇÃO DO PACIENTE E SOLUÇÕES PROPOSTAS

A bexiga neurogênica, é uma disfunção urinária resultante de danos ao sistema nervoso, que exige atenção especializada e cuidados adequados para garantir a qualidade de vida dos pacientes. A educação em saúde desempenha um papel essencial nesse processo, sendo uma estratégia fundamental para promover o autocuidado dos pacientes. A assistência de enfermagem deve se concentrar em proporcionar orientações eficazes, ajudando os pacientes a entenderem a importância do autocuidado e o manejo correto de suas condições promovendo a sua autonomia.

O papel do enfermeiro na educação do paciente com bexiga neurogênica é abrangente e multifacetado. A literatura destaca que, além do fornecimento de informações sobre a utilização de cateteres intermitentes e cuidados gerais com a bexiga, é crucial o apoio emocional e psicológico.

As estratégias de ensino também precisam ser personalizadas, levando em conta o que cada paciente consegue compreender e suas experiências de vida. De fato, um estudo de revisão realizado por Cipriano et al. (2013) mostra que ensinar os pacientes com bexiga neurogênica a fazer o autocateterismo e a prevenir problemas associados melhora de forma eficaz a qualidade de vida deles. Isso reforça que a personalização do cuidado é um elemento fundamental para o sucesso do tratamento.

A literatura também aponta para a importância de uma equipe multiprofissional no tratamento da bexiga neurogênica. De acordo com Rodrigues e Souza (2022), um cuidado verdadeiramente completo e multidisciplinar só é alcançado quando médicos, enfermeiros e fisioterapeutas trabalham juntos nas orientações dadas ao paciente. Fica evidente que essa abordagem colaborativa é o que garante que todos os aspectos do tratamento, incluindo a saúde física e o suporte emocional, sejam devidamente considerados.

O cateterismo urinário intermitente (CUI) é um recurso comum no manejo da bexiga neurogênica, mas seu sucesso depende diretamente da capacitação do paciente. Como aponta Fumincelli (2016), a qualidade de vida de quem utiliza o CUI está ligada tanto ao domínio da técnica quanto à confiança na própria habilidade de executar o procedimento com segurança. Fica claro, portanto, que o papel do ensino de enfermagem transcende o treinamento técnico, devendo incluir também o fortalecimento psicológico do paciente.

O desenvolvimento da autonomia do paciente e a prevenção de complicações são objetivos cruciais no cuidado da bexiga neurogênica, e a educação é a principal ferramenta para alcançá-los. Cipriano et al. (2012) argumentam que as ações educativas direcionadas a esses pacientes são a base para o sucesso do autocuidado. Isso, por sua vez, reforça a importância de os profissionais de saúde estarem em constante capacitação, a fim de oferecer um cuidado mais eficaz e personalizado que leve a melhores resultados terapêuticos.

O autocuidado em pacientes com bexiga neurogênica vai além da técnica do cateterismo, incluindo um foco essencial na prevenção de infecções urinárias, que são muito comuns nesse grupo. Gomes e Martins (2023) destacam que a qualidade de vida desses pacientes está diretamente ligada a ações preventivas, como a higienização adequada do material e a manutenção de uma rotina de cuidados. Isso evidencia o papel indispensável do enfermeiro, que deve atuar ativamente no reforço contínuo dessas orientações e no acompanhamento de cada paciente.

Em resumo, a educação em saúde voltada para pacientes com bexiga neurogênica constitui um componente essencial no tratamento e no manejo dessa condição. O trabalho da enfermagem, aliado a práticas educativas eficazes, é determinante para capacitar os pacientes, promover sua autonomia, melhorar a qualidade de vida e garantir a adesão terapêutica. A revisão constante e a adaptação das estratégias educativas são indispensáveis para o sucesso em longo prazo.

2.6 A ESTOMATERAPIA E O PAPEL DO ESTOMATERAPEUTA

A enfermagem, enquanto ciência do cuidado, abrange uma ampla gama de áreas de atuação. Dentre elas, a Estomaterapia se destaca como uma especialidade exclusiva para enfermeiros. O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) reconheceu essa especialidade por meio da Resolução n.º 0596/2018. No Art. 1º, define: “Fica reconhecida como Especialidade do Profissional de Enfermagem a Estomaterapia, que se fundamenta nos eixos: estomias, feridas agudas e crônicas e incontinências” (COFEN, 2018, Art. 1º).

Esta especialidade se baseia em três pilares: feridas, estomias e incontinências (TEIXEIRA; MENEZES; OLIVEIRA, 2016). Um desses eixos é a IU, caracterizada pela perda involuntária de urina, que afeta principalmente o público feminino. A sua ocorrência está relacionada a fatores de risco como idade avançada, obesidade e multiparidade, afetando os aspectos físicos, psíquicos, sociais e sexuais das pessoas (BENÍCIO et al., 2016).

 Apesar de sua relevância clínica, pesquisas apontam que o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a IU ainda é limitado, o que pode comprometer a qualidade do atendimento e reforça a necessidade de formação continuada (OLIVEIRA et al., 2018).

O cuidado do enfermeiro deve ser holístico e humanizado, demandando do profissional expertise em várias áreas para embasar sua atuação. Nesse cenário, a formação em enfermagem, desde a graduação até a prática profissional, é essencial para que o enfermeiro busque atualização contínua, aprimorando suas habilidades para lidar com os desafios complexos no atendimento ao paciente (SAVIÉTO; LEÃO, 2016; GONÇALVES et al., 2016).

2.7 A importância da capacitação profissional do enfermeiro no manejo da bexiga neurogênica

A melhoria contínua das habilidades do enfermeiro, por meio de formação e educação continuada, é um requisito fundamental para a qualidade do atendimento à saúde. Isso se torna ainda mais importante em campos de alta complexidade, onde a medicina avança rapidamente, novas tecnologias surgem e as necessidades dos pacientes mudam, exigindo uma atualização contínua ao longo da carreira profissional. (CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO MARANHÃO, 2024)

No caso da bexiga neurogênica, a orientação em saúde para o paciente e seus cuidadores é uma abordagem fundamental para incentivar o autocuidado e evitar problemas como infecções urinárias e lesões renais. Candido et al. (2023) enfatizam que a adesão dos pacientes ao autocuidado está diretamente relacionada à orientação correta e ao apoio constante da equipe de enfermagem. Nesse contexto, a formação especializada dos profissionais é crucial para garantir a eficácia das intervenções e permitir que o paciente ganhe autonomia em seu tratamento.

Destacam-se ainda que a adoção de protocolos padronizados e a confirmação de ferramentas de avaliação do autocuidado reforçam a atuação do enfermeiro, oferecendo suporte para decisões clínicas mais exatas e baseadas em evidências, além de aprimorar a qualidade da interação educativa com o paciente e favorecer maior engajamento e adesão ao tratamento (CANDIDO et al., 2023).

Nesse cenário, a Teoria da Adaptação de Roy fornece um referencial importante para a prática da enfermagem. Segundo Diaz & Cruz (2018), o enfermeiro deve adotar uma abordagem holística ao considerar o indivíduo e seu ambiente, avaliando quatro modos de adaptação: fisiológico, autoconceito, desempenho do papel e interdependência. Os escritores explicam:

O modo função fisiológica é o meio pelo qual o cuidador responde a estímulos como um ser físico. O modo de autoconceito se refere ao conceito que tem o cuidador de si mesmo. O modo de desempenho do papel envolve a forma como o cuidador responde a estímulos em relação aos papéis que ocupa na sociedade e seu desempenho. O modo de interdependência é definido como as relações estreitas entre o cuidador e as outras pessoas. Essas relações envolvem o querer e as habilidades de amar, respeitar e valorizar os outros (DIAZ; CRUZ, 2018, p. 6).

Essa abordagem possibilita que o enfermeiro elabore intervenções personalizadas, incentivando respostas adaptativas e reforçando a habilidade de cuidado da família. A avaliação constante e o monitoramento das respostas do paciente e do cuidador asseguram que o plano de cuidado seja adaptado de acordo com as demandas particulares, favorecendo o bem-estar e evitando complicações (DIAZ; CRUZ, 2018).

As formações incentivam a troca de informações entre professores e alunos, reforçando o processo de ensino-aprendizagem e preparando os futuros profissionais para trabalhar de maneira segura, eficaz e humanizada, principalmente em casos de alta prevalência, como a IU. Ademais, auxiliam no desenvolvimento do pensamento crítico, da independência profissional e da habilidade de instruir tanto outros profissionais quanto pacientes (FERREIRA et al., 2020; GONÇALVES et al., 2016).

Como uma área especializada da enfermagem, a estomaterapia oferece um suporte significativo para o manejo da BN, especialmente em pacientes com disfunções urinárias que requerem cuidados complexos com a pele e mucosas. O enfermeiro estomaterapeuta é capacitado para prevenir complicações, como lesões por umidade, infecções e questões associadas ao uso de dispositivos de esvaziamento vesical. Além disso, ele é responsável por educar os familiares sobre técnicas de cuidado e prevenção (COSTA et al., 2021)

Dessa forma, a formação profissional do enfermeiro ultrapassa a simples aquisição de habilidades técnicas; ela envolve a combinação do conhecimento teórico, científico e humanizado, permitindo que o profissional atue de maneira segura, eficiente e ética. Isso garante que o manejo da BN seja feito corretamente e que os pacientes obtenham melhores resultados de saúde. A educação continuada, combinada com a fundamentação teórica e práticas de enfermagem baseadas em evidências, reforça a função do enfermeiro como educador e cuidador, contribuindo para a qualidade de vida, prevenção de problemas e autonomia de pacientes e familiares (DIAZ; CRUZ, 2018; CANDIDO et al., 2023).

3 METODOLOGIA

Esta é uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa e caráter exploratório, cujo objetivo foi examinar o papel do enfermeiro na educação do paciente com bexiga neurogênica, enfatizando as estratégias para promover o autocuidado e prevenir complicações.

A seleção dos artigos e estudos foi realizada por meio da análise de publicações científicas utilizando as bases de dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), além de artigos científicos disponíveis na SciELO, PubMed e Google Acadêmico. Foram utilizados como descritores combinados os termos em português: bexiga neurogênica, educação em saúde, enfermagem, cateterismo intermitente, estomaterapia e incontinência urinária. Serão incluídos na revisão artigos originais, revisões sistemáticas e estudos de caso que abordassem a educação em saúde, estratégias de ensino e os cuidados oferecidos pela enfermagem aos pacientes com bexiga neurogênica.

A pesquisa será limitada a estudos publicados entre 2000 e 2025, com foco em artigos que abordassem a atuação do enfermeiro na educação de pacientes com bexiga neurogênica, autocuidado, cateterismo intermitente limpo, prevenção de infecções e demais complicações relacionadas à condição. Os critérios de inclusão serão: produções científicas nacionais e internacionais, estudos em português, inglês ou espanhol. Foram excluídos os estudos que não estavam disponíveis na integra, publicações repetidas, estudos que se concentravam exclusivamente em aspectos médicos ou cirúrgicos, sem considerar a prática da enfermagem.

A pesquisa bibliográfica nas bases da CAPES resultou nos seguintes resultados: Estomaterapia e incontinência urinária (2000–2025): 03 (três) trabalhos nacionais, estomaterapia (2020–2024): 102 (cento e dois) trabalhos produzidos no Brasil, bexiga neurogênica (2001–2025): 66 (sessenta e seis) trabalhos nacionais. Após a coleta e leitura dos artigos selecionados, os dados foram organizados em categorias temáticas, como: (1) educação do paciente, (2) estratégias de enfermagem, (3) prevenção de complicações (infecções, lesões por pressão, etc.) e (4) impacto da educação no autocuidado. Essas categorias ajudaram a identificar as melhores práticas de intervenção e as áreas que necessitam de mais atenção dentro do contexto de manejo da bexiga neurogênica.

A análise dos dados será realizada de forma qualitativa, com o objetivo de identificar as principais estratégias educativas utilizadas pela enfermagem e seus impactos na adesão ao tratamento e na prevenção de complicações. A revisão das publicações seguirá um protocolo sistemático que inclui: a identificação das intervenções educativas mais utilizadas, como o cateterismo intermitente limpo e o uso de materiais educativos (cartilhas, vídeos, etc.); a avaliação das complicações mais comuns associadas à bexiga neurogênica e as estratégias adotadas para preveni-las; e o impacto da educação em saúde sobre a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos estudos selecionados indica que educar pacientes com bexiga neurogênica é fundamental para promover o autocuidado, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. A revisão da literatura, que abrangeu publicações de 2000 a 2025, revelou uma quantidade considerável de estudos nacionais, especialmente após 2020, focando na estomaterapia, incontinência urinária e estratégias educativas na enfermagem. É importante ressaltar que a maioria dos estudos destacou a importância do enfermeiro na educação dos pacientes e de seus cuidadores, apontando que a adesão ao tratamento e a diminuição de complicações, como infecções urinárias recorrentes e lesões uretrais, estão diretamente ligadas à orientação profissional (CANDIDO et al., 2023; GOMES & MOREIRA, 2022).

A Tabela 1 resume a distribuição das publicações por tema e período, destacando a predominância de estudos focados em estomaterapia e educação do paciente.

Tabela 1 – Distribuição dos estudos por tema e período de publicação.

Fonte: Autoras (2025)

As pesquisas mostram que o uso de variados recursos educativos, como demonstrações práticas, materiais impressos ilustrativos, vídeos e tecnologias digitais, auxilia na compreensão das informações e reforça a autoconfiança do paciente ao praticar o autocuidado (LOPES et al., 2024; MOREIRA et al., 2023). Notou-se que programas bem estruturados, que oferecem treinamento para cateterismo intermitente limpo e acompanhamento constante, levam a uma maior independência dos pacientes e diminuição de complicações clínicas. Em pacientes pediátricos, o envolvimento da família no processo educativo foi fundamental para a adesão às práticas de autocuidado. Isso demonstra que a educação vai além do paciente e inclui os cuidadores, proporcionando segurança e confiança no manejo da condição em casa (SANTOS et al., 2021; COSTA et al., 2022).

A Tabela 2 resume as principais estratégias educativas empregadas pela enfermagem e seus efeitos documentados nos estudos examinados.

Tabela 2 – Estratégias de ensino e impactos observados

Fonte: Autoras (2025)

A análise também destacou a relevância do trabalho do enfermeiro estomaterapeuta, cuja formação especializada possibilita a identificação de riscos específicos, a prevenção de complicações e a implementação de estratégias educativas mais eficientes (COSTA et al., 2021). O apoio multidisciplinar, que inclui médicos, fisioterapeutas, psicólogos e familiares, também se mostrou importante, permitindo a elaboração de um plano de cuidados integral que abrange os aspectos físicos, emocionais e sociais do paciente (PAVÃO et al., 2024; CIPRIANO et al., 2013). A literatura examinada ressalta que a troca de informações entre profissionais de saúde facilita intervenções personalizadas, adaptadas às necessidades específicas dos pacientes e à prevenção de problemas, além de promover o autocuidado e a adesão ao tratamento.

Além disso, os resultados da revisão indicaram dificuldades encontradas na prática da educação em saúde, como deficiências na formação acadêmica, resistência de certos pacientes às estratégias de autocuidado e escassez de recursos educativos em contextos específicos. A literatura indica que essas dificuldades podem ser minimizadas por meio de capacitações contínuas, implementação de protocolos padronizados, avaliações regulares do autocuidado e estratégias de ensino personalizadas (CIPRIANO et al., 2012; RODRIGUES; SOUZA, 2022). Dessa forma, o enfermeiro tem um papel fundamental na promoção do conhecimento, habilidades e atitudes necessárias para o manejo seguro da bexiga neurogênica, o que ajuda a prevenir complicações, fortalecer a autonomia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

O estudo mostra que educar o paciente, juntamente com o apoio da família e a atuação de equipes multidisciplinares, é uma estratégia fundamental para o tratamento eficaz da bexiga neurogênica. A capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, combinada com a utilização de recursos educativos variados, é essencial para a efetividade das intervenções, assegurando que os objetivos do estudo, incentivar o autocuidado, prevenir complicações e reforçar a autonomia do paciente, sejam alcançados de maneira consistente.

5 CONCLUSÃO

A educação do paciente com bexiga neurogênica é fundamental para incentivar o autocuidado e evitar complicações. Nesse processo, o enfermeiro desempenha um papel fundamental, guiando pacientes e seus familiares, aplicando estratégias de educação e promovendo a autonomia do paciente.

Os objetivos da pesquisa são alcançados ao mostrar que intervenções educativas bem estruturadas, aliadas ao apoio familiar e à atuação multidisciplinar, têm um impacto considerável na adesão ao tratamento e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. O estudo comprova que a capacitação constante dos profissionais e a especialização em estomaterapia aumentam a efetividade das orientações e diminuem os riscos relacionados à condição.

A pesquisa possibilita a conclusão de que a função do enfermeiro vai além da realização de procedimentos técnicos, tornando-se um componente crucial para o manejo seguro e eficiente da bexiga neurogênica. Além disso, constata-se que as lacunas na formação acadêmica e as limitações dos recursos educativos constituem desafios que podem ser amenizados por meio de capacitação constante e protocolos padronizados.

Em conclusão, este estudo contribui para a compreensão das práticas de enfermagem na educação de pacientes com bexiga neurogênica, destacando a importância de estratégias fundamentadas em evidências e do suporte multidisciplinar para garantir resultados positivos em saúde. É aconselhável que estudos futuros investiguem a aplicação de programas educativos específicos e analisem seus efeitos ao longo do tempo.

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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade da Amazônia- Unama. E-mail: br5085835@gmail.com.
2 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade da Amazônia- Unama. E-mail: viviane26passos@outlook.com.
3 Orientadora. Enfermeira, Bacharel e Licenciada pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Mestranda em Psicologia pela UNIR. Especialista em Estomaterapia com habilitação em Laserterapia, Fitoterapia, PRF e Ozonioterapia para tratamento de feridas. Docente na Faculdade da Amazônia (UNAMA) e no Departamento de Enfermagem da UNIR.