A CONTRIBUIÇÃO DA MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE (MFC) NO CUIDADO DAS DERMATOSES PREVALENTES

THE CONTRIBUTION OF FAMILY AND COMMUNITY MEDICINE (FCM) IN THE CARE OF PREVALENT DERMATOSES

LA CONTRIBUCIÓN DE LA MEDICINA FAMILIAR Y COMUNITARIA (MFC) EN LA ATENCIÓN DE LAS DERMATOSIS PREVALENTES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202512300835


Ana Blenda Tavares Araújo de Meneses1
Ádria Larisa Meira Frutuoso2
Jaciara Bezerra Marques3
Maria do Socorro Vieira dos Santos4


RESUMO 

A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenhando papel central na coordenação do cuidado. As dermatoses constituem parcela expressiva da demanda nesse nível de atenção, exigindo resolutividade por parte das equipes multiprofissionais. Este estudo teve como objetivo analisar a prevalência das dermatoses na Atenção Primária à Saúde (APS). Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases SciELO, LILACS, PubMed e CAPES Periódicos, abrangendo publicações entre 2020 e 2025. Foram incluídos nove artigos, que evidenciaram a alta prevalência das doenças de pele nos serviços de saúde e a relevância do médico de família no diagnóstico precoce, manejo clínico e acompanhamento longitudinal. A discussão aponta que a MFC fortalece a integralidade do cuidado, amplia a resolutividade da APS e reduz encaminhamentos desnecessários à atenção especializada. Conclui-se que o fortalecimento da MFC, aliado a investimentos em capacitação contínua em dermatologia, é estratégico para qualificar a assistência, consolidar a APS como coordenadora do cuidado e contribuir para o fortalecimento do SUS. 

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde, Saúde Integral, Avulsões Cutâneas 

ABSTRACT 

Primary Health Care (PHC) is recognized as the gateway to the Unified Health System (SUS), playing a central role in coordinating care. Dermatological diseases constitute a significant portion of the demand at this level of care, requiring effective resolution by multidisciplinary teams. This study aimed to analyze the prevalence of dermatoses in Primary Health Care (PHC). This is an integrative literature review conducted in the SciELO, LILACS, PubMed, and CAPES Periódicos databases, covering publications between 2020 and 2025. Nine articles were included, highlighting the high prevalence of skin diseases in health services and the importance of family physicians in early diagnosis, clinical management, and longitudinal follow-up. The discussion indicates that primary care strengthens comprehensive care, increases the resolution of primary care, and reduces unnecessary referrals to specialized care. It is concluded that strengthening the Family Medicine (MFC), combined with investments in ongoing training in dermatology, is strategic for improving care quality, consolidating PHC as a care coordinator, and contributing to strengthening the Unified Health System (SUS). 

Keywords: Primary Health Care, Comprehensive Health, Degloving Injuries 

RESUMEN 

La Atención Primaria de Salud (APS) es reconocida como la puerta de entrada al Sistema Único de Salud (SUS), desempeñando un papel central en la coordinación de la atención. Las enfermedades dermatológicas constituyen una parte significativa de la demanda en este nivel de atención, requiriendo una resolución eficaz por parte de equipos multidisciplinarios. Este estudio tuvo como objetivo analizar la prevalencia de dermatosis en la Atención Primaria de Salud (APS). Se trata de una revisión bibliográfica integradora realizada en las bases de datos SciELO, LILACS, PubMed y CAPES Periódicos, abarcando publicaciones entre 2020 y 2025. Se incluyeron nueve artículos que destacan la alta prevalencia de enfermedades de la piel en los servicios de salud y la importancia de los médicos de familia en el diagnóstico precoz, el manejo clínico y el seguimiento longitudinal. La discusión indica que la atención primaria fortalece la atención integral, aumenta la resolución de la atención primaria y reduce las derivaciones innecesarias a la atención especializada. Se concluye que el fortalecimiento de la Medicina de Familia (MFC), sumado a la inversión en formación continua en dermatología, es estratégico para mejorar la calidad de la atención, consolidar la APS como coordinadora de la atención y contribuir al fortalecimiento del Sistema Único de Salud (SUS). 

Palabras clave: Atención Primaria de Salud, Salud Integral, Lesiones por Desenguantamiento 

1. INTRODUÇÃO 

A atenção primária à saúde (APS) é reconhecida como a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e responsável pela coordenação do cuidado, com capacidade de resolver a maior parte das demandas em saúde da população.1 No Brasil, a Estratégia de Saúde da Família (ESF) constitui o principal modelo de atenção básica, atuando por meio de equipes multiprofissionais que acompanham de forma longitudinal populações adscritas em territórios definidos. Esta organização busca assegurar os princípios da universalidade, da equidade e, sobretudo, da integralidade no cuidado.2 

A Medicina de Família e Comunidade (MFC) desempenha papel estratégico nesse processo, pois integra a organização do cuidado a partir de uma abordagem centrada na pessoa, na família e na comunidade, considerando os determinantes sociais da saúde.3 Estudos recentes destacam a relevância da MFC na consolidação da APS e no fortalecimento do princípio da integralidade, especialmente em contextos de reorganização dos serviços e de necessidade de maior acesso a cuidados resolutivos.4  

A formação e a disponibilidade de profissionais especializados em MFC ainda não acompanham as necessidades do sistema de saúde. A expansão da Atenção Primária à Saúde no Brasil não foi acompanhada pelo aumento proporcional na formação de médicos, sobretudo em Medicina de Família e Comunidade, o que gerou déficit histórico no preenchimento das equipes.3 Mesmo com o programa Mais Médicos, que inseriu milhares de profissionais desde 2013, ainda há postos vagos. O problema envolve tanto a baixa razão de médicos por habitante em comparação a países com sistemas universais de saúde5 quanto o predomínio de uma formação voltada para especialidades hospitalares. 

Diversos estudos informam que a formação em Medicina de Família e Comunidade por meio da residência médica tem contribuído para reduzir encaminhamentos excessivos a outras especialidades, como ginecologia, psiquiatria e pediatria, demonstrando maior resolutividade no âmbito da atenção primária. 6,7 Esse cenário reforça a importância da qualificação dos profissionais da APS para o manejo de condições prevalentes em diferentes áreas. Entre essas demandas, a dermatologia ocupa lugar de destaque, por abranger doenças tanto primárias da pele quanto manifestações secundárias de condições sistêmicas, representando parcela expressiva da procura nos serviços de atenção primária.8 

Pesquisas recentes em ambulatórios universitários brasileiros identificaram alta frequência de afecções como ceratose seborreica, tumores epiteliais benignos e discromias, que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes e exigem diagnóstico clínico assertivo por parte dos médicos generalistas9. Esses achados reforçam a necessidade de capacitação contínua das equipes da ESF para ampliar a resolutividade no manejo das doenças dermatológicas. 

A integralidade, princípio estruturante do SUS, mostra-se indispensável no cuidado em dermatologia, uma vez que a abordagem clínica deve estar articulada a ações preventivas, educativas e de vigilância em saúde.1 Relatórios recentes do Ministério da Saúde enfatizam que estratégias de ampliação da APS, como visitas domiciliares e integração multiprofissional, são fundamentais para o fortalecimento desse princípio no cotidiano dos serviços.2 Além disso, estudos que avaliaram a APS no Brasil por meio do Primary Care Assessment Tool (PCATool) apontaram fragilidades na integralidade, indicando a necessidade de investimentos contínuos na qualificação da atenção.10 

Diante do exposto, verifica-se que a análise da interface entre dermatologia e MFC se justifica pela relevância epidemiológica das dermatoses e pela necessidade de fortalecer a integralidade como estratégia para ampliar a resolutividade da atenção primária. O presente artigo teve como objetivo analisar a contribuição da Medicina de Família e Comunidade no cuidado das dermatoses prevalentes, destacando de que maneira a integralidade qualifica a assistência dermatológica no âmbito da APS e contribui para o fortalecimento do SUS. 

2. MÉTODOS 

Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme as recomendações do PRISMA. Esse método permite reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas, ampliando a compreensão do tema e identificando lacunas no conhecimento.11 A pesquisa foi realizada entre os dias 15 de agosto e 20 de setembro de 2025, em quatro bases de dados: SciELO, LILACS, PubMed e CAPES Periódicos. Foram utilizados como descritores: “dermatoses” OR “doenças de pele” AND “atenção primária”. A questão norteadora foi: Qual a contribuição da Medicina de Família e Comunidade para o cuidado integral das dermatoses prevalentes na Atenção Primária à Saúde? 

Foram incluídos artigos completos, diretrizes e documentos oficiais publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês, que abordassem a temática das dermatoses no contexto da APS, a integralidade do cuidado ou o papel da MFC. Excluíram-se estudos duplicados ou incompletos, publicações anteriores a 2020, artigos que tratassem exclusivamente do contexto hospitalar ou de especialidades sem interface com a APS. Para a pesquisa de documentos, os descritores selecionados foram baseados no MeSH (Medical Subject Headings). O processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos seguiu as recomendações do checklist PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses).11 A chave de pesquisa usada pelos autores em cada uma das bases de dados mencionadas está apresentada na Tabela 1.

Tabela 1. Banco de dados utilizados na estratégia de pesquisa.

Para essa análise, foram utilizadas as listas de verificação do Joanna Briggs Institute (JBI) específicas para estudos de coorte, transversais, de caso-controle e séries de casos. As listas apresentam quatro possibilidades de resposta: “Sim”, “Não”, “Pouco claro” ou “Não aplicável”. Nos casos em que o item não se aplicava ao estudo, o critério era desconsiderado. Foi calculado a partir da proporção de respostas positivas, sendo classificados como alto (até 49%), moderado (50 a 70%) ou baixo (acima de 70%). Dos nove artigos incluídos, sete apresentaram baixo risco de viés e quatro apresentaram risco moderado. Assim, nenhum estudo foi excluído por falhas metodológicas. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Foram identificados inicialmente 386 artigos nas bases de dados PubMed 342, LILACS 4, CAPES Periódicos 15 e SciELO 8. Após a exclusão de 25 artigos duplicados, restaram 361 para análise. Em seguida, 78 artigos foram eliminados por não estarem disponíveis na íntegra, resultando em 283 referências. Na etapa de triagem, 58 artigos foram excluídos por não apresentarem relação com a temática e outros 129 por não responderem à questão de pesquisa, totalizando 96 artigos para leitura completa. Na fase de elegibilidade, foram avaliados os textos integrais, sendo 56 da PubMed, 4 da LILACS, 15 da CAPES Periódicos e 4 da SciELO. Desses, 67 foram excluídos por não atenderem à pergunta do estudo. Assim, ao final do processo de seleção, foram incluídos 9 artigos, distribuídos da seguinte forma: PubMed 4, LILACS 2, CAPES Periódicos 1 e SciELO 2.  

A Figura 1 apresenta o fluxograma com as etapas de seleção dos artigos, detalhando o número de referências encontradas, os critérios de exclusão aplicados e a quantidade final de estudos incluídos na revisão. 

Figura 1. Fluxograma PRISMA para seleção de trabalhos.

Fonte: adaptado e traduzido de PRISMA 2020. 

A análise dos estudos selecionados evidenciou que as dermatoses permanecem como um dos principais agravos de saúde no Brasil, atendidos na Atenção Primária, configurando-se como importante demanda clínica para as equipes multiprofissionais. A seguir, no Tabela 2, apresentamos a análise detalhada dos artigos selecionados para este estudo. O quadro destaca os principais aspectos de cada publicação, facilitando a consulta e a comparação dos resultados. 

Tabela 2. Análise dos artigos selecionados nas bases de dados

Fonte: Elaborado pelo autor, 2025

A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como eixo estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável por coordenar o cuidado, ordenar os fluxos assistenciais e garantir os princípios de universalidade, equidade e integralidade.1 De acordo com o Ministério da Saúde2, a APS deve atuar de forma resolutiva, articulando ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, assegurando a continuidade do cuidado ao longo do tempo. Nesse sentido, a 

Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui o modelo prioritário de organização da APS no Brasil, operando por meio de equipes multiprofissionais que acompanham populações em territórios definidos, com vistas à ampliação do acesso e ao fortalecimento do vínculo entre profissionais e comunidade.4 

A integralidade, por sua vez, é considerada um princípio norteador da prática clínica na APS, uma vez que envolve não apenas o atendimento às condições já instaladas, mas também a implementação de ações intersetoriais, educação em saúde e a articulação entre os diferentes níveis de atenção.13 Estudos como Pereira et al. 10 destacam que a Medicina de Família e Comunidade (MFC) tem papel central nesse processo, por adotar uma abordagem centrada na pessoa, na família e na comunidade, reconhecendo a influência dos determinantes sociais da saúde e promovendo a coordenação do cuidado de forma contínua e abrangente. 

Dessa forma, a consolidação da Atenção Primária à Saúde como eixo estruturante do SUS exige investimentos contínuos em infraestrutura, capacitação das equipes multiprofissionais e fortalecimento de modelos assistenciais que promovam coordenação, resolutividade e integralidade do cuidado.14 A Estratégia Saúde da Família se destaca como principal instrumento para ampliar o acesso, reduzir desigualdades regionais e garantir ações resolutivas no âmbito local.15  

As dermatoses configuram um dos principais motivos de procura por atendimento na APS, representando elevada carga de morbidade e repercussões significativas na qualidade de vida da população.16 Estudos recentes apontam que condições como dermatites, micoses superficiais, psoríase e hanseníase permanecem prevalentes nos serviços de saúde, exigindo diagnóstico clínico preciso e condutas resolutivas para evitar encaminhamentos desnecessários.17 

A atuação do médico de família é determinante para aumentar a resolutividade desses casos, especialmente por sua capacidade de manejar grande parte das condições dermatológicas sem a necessidade de encaminhamento à atenção secundária.5 Abreu18 evidenciou que médicos com formação em Medicina de Família e Comunidade encaminham menos pacientes para níveis especializados, reforçando o papel estratégico da MFC na racionalização do uso dos recursos do sistema de saúde. Entretanto, persistem desafios relacionados à falta de capacitação contínua e ao suporte tecnológico insuficiente em muitos serviços, o que limita a integralidade do cuidado e compromete a resolutividade da APS.19 

Nesse sentido, torna-se imprescindível investir na qualificação permanente das equipes da APS, aliando educação continuada, protocolos clínicos atualizados e o uso de tecnologias como a teledermatologia e o telediagnóstico, que ampliam a capacidade resolutiva e reduzem as desigualdades de acesso.14 Além disso, a integração entre os diferentes níveis de atenção e a valorização da Medicina de Família e Comunidade como eixo de coordenação do cuidado são fundamentais para assegurar a integralidade, a equidade e a efetividade das ações em saúde.20  

A análise conjunta dos artigos selecionados revela um panorama consistente e multifacetado sobre a relevância das dermatoses nos serviços de saúde no Brasil. O principal ponto de convergência entre os estudos é a alta prevalência das queixas dermatológicas, tanto na Atenção Primária à Saúde (APS) quanto em serviços ambulatoriais especializados, consolidando as afecções de pele como um problema de saúde pública de grande magnitude. 

A importância da Atenção Primária como porta de entrada para esses casos é fortemente evidenciada. O estudo de Menegon e Carvalho17 quantifica essa realidade ao apontar que 15,91% das consultas em uma Estratégia de Saúde da Família (ESF) foram motivadas por queixas dermatológicas. Essa constatação, alinhada aos achados de Souza et al.21 no Paraná, reforça a necessidade de que o Médico de Família e Comunidade (MFC) esteja apto a manejar tais condições. A revisão de Zafra22 corrobora essa visão, posicionando o MFC como uma peça-chave para a resolutividade na APS, o que não apenas fortalece o sistema, mas também otimiza recursos ao reduzir encaminhamentos desnecessários. 

Apesar da alta capacidade de resolução na APS, o estudo de Menegon e Carvalho17 também aponta um dado crítico: 25,7% dos pacientes necessitaram de encaminhamento, o que sinaliza a existência de um volume significativo de casos que exigem atenção especializada. É nesse contexto que os estudos realizados em ambulatórios universitários23, 24, 16, 9 oferecem um olhar complementar. Eles detalham o perfil das dermatoses mais prevalentes em serviços de referência, com destaque para tumores epiteliais benignos (como a ceratose seborreica), discromias, eczemas, acne e micoses. Essas informações são cruciais, pois indicam quais condições mais desafiam a APS e demandam maior aprofundamento técnico. 

Outro ponto de destaque é o perfil epidemiológico dos pacientes. Os estudos de Patrus et al.24 e Azevedo et al.9 observaram uma predominância do sexo feminino nos atendimentos, enquanto Souza et al.21 destacaram a vulnerabilidade de crianças e idosos. Essas variações demográficas sugerem que as necessidades dermatológicas mudam conforme a idade e o sexo, uma informação vital para o planejamento de ações de saúde direcionadas. 

Por fim, uma conclusão unânime entre os autores é a aplicação prática de seus achados. Conhecer a prevalência e o perfil das dermatoses não é um exercício meramente acadêmico; é uma ferramenta essencial para a gestão em saúde. Como defendido por Brandão et al.23 e Azevedo et al.9, esses dados devem orientar a formulação de políticas públicas, a alocação de recursos e, fundamentalmente, a capacitação contínua dos profissionais de saúde. A recorrência da recomendação de treinamento para médicos da APS em quase todos os artigos sublinha uma lacuna que precisa ser preenchida para garantir um atendimento dermatológico mais eficiente e resolutivo para a população. 

Portanto, a literatura revisada converge para a importância da MFC como especialidade fundamental para o fortalecimento do SUS, visto que sua atuação potencializa a integralidade, amplia a resolutividade da APS e favorece o cuidado das dermatoses prevalentes. Investimentos em formação e capacitação contínua em dermatologia no âmbito da MFC mostram-se essenciais para que a APS cumpra seu papel de coordenadora do cuidado, garantindo acesso equânime e resolutivo para a população. 

4. CONCLUSÃO 

As evidências analisadas demonstram que a Medicina de Família e Comunidade exerce papel essencial no cuidado das dermatoses prevalentes na Atenção Primária à Saúde. O fortalecimento dessa especialidade, aliado à capacitação contínua em dermatologia, contribui para ampliar a resolutividade, reduzir encaminhamentos desnecessários e consolidar a integralidade do cuidado, reforçando o protagonismo da APS na organização do SUS. 

REFERÊNCIAS 

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  21. Souza, et al. [Referência não encontrada no texto original – Recomenda-se buscar a referência completa de Souza et al., 2021 no Paraná para inserção adequada]. 
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1Residência em Medicina de família e comunidade – UFCA, draanablendatavares@gmail.com
2Residência em Medicina de Família e Comunidade pela UFCA, adrialarisameira@gmail.com
3Mestre em Ciências – Saúde Coletiva – UNIFESP. jaciara.bezerra@ufca.edu.br
4Docente da Faculdade de Medicina- FAMES/UFCA, socorro.vieira@ufca.edu.br