REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511150611
Beatriz Lima Marquez1; Gabriela Cristina de Lima1; Gabrielly de Aguiar Lima1; Gessika Torres Araujo1; Jessica Aparecida da Silva Lacerda1; Orientadora Silvana Flora de Melo2; Coorientador Alessandro Correia da Rocha2; Jamila Fabiana Costa3
RESUMO
A sepse representa uma das principais causas de morbimortalidade em Unidades de Terapia Intensiva, exigindo do enfermeiro atuação decisiva na detecção precoce e na condução de estratégias assistenciais seguras. O presente estudo, de natureza bibliográfica e abordagem qualitativa, tem como objetivo analisar a atuação do enfermeiro frente ao diagnóstico precoce da sepse em pacientes adultos com uso de cateter venoso central (CVC). Adotou-se a revisão integrativa da literatura como método, considerando artigos publicados entre 2020 e 2025 nas principais bases científicas — PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Cochrane Library. A busca resultou em 237 artigos, dos quais 39 foram excluídos por duplicidade, 82 selecionados para leitura integral e 26 incluídos na amostra final por atenderem aos critérios de elegibilidade.
Os resultados apontam que o protagonismo do enfermeiro é determinante para a identificação precoce da sepse, destacando-se o uso dos bundles de prevenção e da aplicação do escore qSOFA como ferramentas essenciais para fortalecer a vigilância clínica e reduzir complicações infecciosas. A literatura evidencia que o engajamento da enfermagem na execução de protocolos assistenciais e na capacitação permanente da equipe multiprofissional contribui para a diminuição das taxas de infecção relacionadas ao cateter venoso central e para a redução da mortalidade hospitalar.
Constatou-se ainda que a adesão sistemática às medidas de prevenção, aliada educação continuada, representa estratégia de baixo custo e alto impacto para o enfrentamento da sepse. Assim, a liderança do enfermeiro na implementação dos protocolos e sua capacidade de reconhecer precocemente os sinais clínicos consolidam seu papel como elo entre o cuidado técnico e a segurança do paciente crítico. Conclui-se que o fortalecimento da prática baseada em evidências e o investimento em capacitação profissional são fundamentais para aprimorar o diagnóstico precoce e a qualidade assistencial nas Unidades de Terapia Intensiva.
Palavras-chave: Sepse; Enfermagem; Cateter venoso central; Diagnóstico precoce; Unidade de Terapia Intensiva.
INTRODUÇÃO
A sepse constitui-se como um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea, responsável por elevadas taxas de mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Trata-se de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada diante de uma infecção, capaz de desencadear disfunção orgônica múltipla e rápido colapso hemodinâmico. A Organização Mundial da Saúde reconhece a sepse como prioridade global, estimando milhões de casos anuais e alertando para suas repercussões clínicas, sociais e econômicas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020).
No contexto brasileiro, a letalidade permanece preocupante, com índices superiores a 55%, contrastando com os 25% observados em países desenvolvidos. Essa disparidade reflete falhas estruturais, carência de recursos humanos qualificados e baixa adesão a protocolos assistenciais padronizados (MACHADO; ASSUN˙ˆO, 2021)
Entre os fatores de risco mais frequentes, destaca-se o uso do cateter venoso central (CVC), dispositivo invasivo amplamente empregado no suporte intensivo e frequentemente associado a infecções da corrente sanguínea e evolução para sepse (O’GRADY; ALEXANDER, 2017; COSTA et al., 2020)
Nesse cenário, o diagnóstico precoce representa uma medida determinante para a redução da mortalidade. Cada hora de atraso no início da antibioticoterapia aumenta significativamente o risco de óbito (Kumar; Roberts, 2006). Ferramentas clínicas como o Sequential Organ Failure Assessment (SOFA) e sua versão simplificada, o quick SOFA (qSOFA), têm sido amplamente utilizadas para estratificação de risco e reconhecimento precoce de disfunções orgânicas em pacientes críticos (Singer et al., 2016). Esses instrumentos conferem objetividade avaliação clínica, mas exigem vigilância contínua e interpretação acurada, tarefas que recaem majoritariamente sobre o enfermeiro beira-leito.
As estratégias assistenciais direcionadas prevenção e detecção precoce da sepse incluem a aplicação de protocolos conhecidos como “bundles”, conjuntos de medidas baseadas em evidências científicas que, quando executadas de forma integrada e tempestiva, reduzem substancialmente a incidência de infecções associadas a dispositivos invasivos (PRONOVOST et al., 2006; SILVA; COSTA, 2021)
Tais bundles envolvem higienização rigorosa das mãos, antissepsia da pele, uso de barreiras máximas na inserção do cateter e reavaliação diária da necessidade de manutenção do CVC. A liderança do enfermeiro na implementação desses protocolos, aliada sua capacidade de observação clínica e de coordenação da equipe multiprofissional, configura um diferencial determinante para o enfrentamento da sepse. O protagonismo da enfermagem, sustentado por competências técnicas e pela educação continuada, tem sido reconhecido como fator decisivo na melhoria dos desfechos clínicos e na segurança do paciente crítico (FERRER et al., 2014; VINCENT et al., 2019).
Dessa forma, compreender a atuação do enfermeiro no diagnóstico precoce da sepse associada ao uso do cateter venoso central constitui não apenas uma necessidade científica, mas um imperativo ético para a qualidade assistencial em terapia intensiva. A próxima seção detalha os objetivos deste estudo, que busca analisar de modo aprofundado as contribuições da enfermagem na prevenção e no reconhecimento precoce da sepse.
1.1. OBJETIVO
Analisar a atuação do enfermeiro frente estratégia de diagnóstico precoce da sepse em pacientes adultos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), associada ao uso do cateter venoso central (CVC), destacando sua contribuição na redução da mortalidade e na promoção da segurança do paciente critico.
2. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura com abordagem qualitativa, destinada a sintetizar evidências científicas sobre a atuação do enfermeiro frente estratégia de diagnóstico precoce da sepse em pacientes adultos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) com uso de cateter venoso central (CVC). A revisão integrativa, conforme descrita por Whittemore e Knafl (2005), permite reunir e analisar criticamente o conhecimento existente sobre um fenômeno, assegurando amplitude e profundidade na interpretação dos resultados.
O percurso metodológico foi desenvolvido segundo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020), que estabelece critérios de transparência e reprodutibilidade para revisões científicas (Page; Moher, 2021). As etapas compreendem: definição da questão norteadora, estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão, seleção das bases de dados, busca sistemática, triagem dos artigos, extração das informações e análise interpretativa dos resultados.
A questão de pesquisa foi formulada com base na estratégia PICO, em que P representa pacientes adultos em UTI com uso de CVC; I, a atuação do enfermeiro frente ao diagnóstico precoce da sepse; C, a ausência de protocolos de enfermagem ou de condutas padronizadas; e O, os desfechos relacionados redução de complicações e mortalidade. Essa estrutura orientou a busca e a delimitação dos descritores utilizados (SANTOS; PIMENTA; NOBRE, 2007)
As bases de dados consultadas incluíram PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Cochrane Library, por sua relevância e abrangência internacional. A busca foi realizada entre março e agosto de 2025, utilizando os descritores “sepse”, “diagnóstico precoce”, “cateter venoso central”, “enfermagem”, “intensive care unit” e “central venous catheter”, combinados por operadores booleanos (AND/OR).
Os critérios de inclusão abrangeram artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis em português e inglês, que tratassem da sepse em adultos internados em UTI e abordassem a atuação do enfermeiro na detecção precoce associada ao CVC. Foram excluídos estudos duplicados, teses, dissertações, artigos de opinião, relatos de experiência e publicações que não apresentassem correlação direta entre a temática e o objetivo deste estudo.
A análise dos dados foi conduzida de forma interpretativa e qualitativa, fundamentada na leitura crítica dos artigos selecionados. As evidências foram organizadas em um quadro síntese contendo autor, ano, título ou tema, intervenções analisadas, papel do enfermeiro, estratégias diagnósticas e principais resultados. Essa estrutura possibilitou identificar convergências te ricas e lacunas de conhecimento, reforçando a relevância da enfermagem no manejo e prevenção da sepse em pacientes críticos (GALVˆO; RICARTE, 2019).

Por fim, a análise integrativa seguiu critérios de rigor metodológico e ético, respeitando a fidedignidade das fontes e a imparcialidade na interpretação dos resultados. A literatura selecionada foi discutida luz das contribuições da enfermagem, ressaltando a centralidade desse profissional na vigilância, prevenção e diagnóstico precoce da sepse em pacientes críticos. Assim, a metodologia sustenta a validade científica e prática do estudo, assegurando que suas conclusões possam orientar intervenções clínicas e futuras pesquisas (Vincent et al., 2019; WHO, 2020).
3. REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 A sepse como desafio nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI)
A sepse é definida como uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela resposta inflamatória sistêmica desregulada diante de uma infecção, capaz de desencadear disfunção orgânica e morte. Classificada como problema de saúde pública mundial, é responsável por elevados índices de morbimortalidade, principalmente entre pacientes críticos. A Organização Mundial da Saúde reconhece a sepse como prioridade global, estimando milhões de casos anuais com significativa sobrecarga hospitalar e socioeconômica. Tais dados evidenciam a magnitude desse agravo e sua inserção como prioridade em protocolos internacionais de segurança do paciente (RHODES; EVANS, 2017; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020).
Nas Unidades de Terapia Intensiva, a sepse representa uma das principais causas de internação prolongada, uso de antibióticos de amplo espectro e mortalidade elevada. A literatura aponta que, em países em desenvolvimento, a letalidade associada sepse pode ultrapassar 55%, contrastando com índices em torno de 25% observados em centros de referência internacionais. Essa disparidade reflete diferenças no acesso a tecnologias diagnósticas, adesão a protocolos assistenciais e qualificação das equipes de saúde, revelando que o enfrentamento da sepse demanda estratégias adaptadas realidade local (MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021; VINCENT et al., 2019).
O impacto econômico da sepse também é expressivo, considerando-se os custos relacionados internação prolongada, uso intensivo de insumos hospitalares e necessidade de terapias avançadas. Estimativas apontam que pacientes sépticos consomem recursos até três vezes superiores em comparação com pacientes críticos sem infecção, sendo a causa mais onerosa de hospitalização em muitas UTIs. Além disso, a sepse associa-se a incapacidades funcionais de longo prazo, com aumento da demanda por reabilitação e readmissões hospitalares, ampliando ainda mais o peso sobre os sistemas de saúde (FLEISCHMANN et al., 2016; RANZANI et al., 2017).
A complexidade clínica da sepse decorre de sua rápida progressão, frequentemente iniciada por sinais inespecíficos como febre, taquicardia e alterações respiratórias. A ausência de marcadores precoces específicos dificulta o reconhecimento imediato, favorecendo atrasos na implementação terapêutica. Cada hora de retardo no in cio do tratamento antibiótico está associada ao aumento significativo da mortalidade, demonstrando que a rapidez diagnóstica é tão relevante quanto a adequação da intervenção terapêutica. Nesse sentido, o monitoramento contínuo e a vigilância clínica constituem pilares essenciais para a sobrevida (KUMAR; ROBERTS, 2006; LEVY et al., 2018).
Frente a essa realidade, foram criadas ferramentas de avaliação como o Sequential Organ Failure Assessment (SOFA) e o quick SOFA (qSOFA), amplamente utilizados em UTIs para mensurar a gravidade da sepse e predizer desfechos. Esses instrumentos possibilitam a estratificação de risco e a identificação precoce de deterioração clínica, auxiliando na tomada de decisão da equipe multiprofissional. Contudo, sua eficácia depende da correta aplicação e do julgamento clínico, sobretudo do enfermeiro, que permanece em contato direto e contínuo com o paciente crítico (SINGER et al., 2016; MACHADO et al., 2020).
Outro aspecto fundamental que a sepse não compromete apenas os indicadores clínicos, mas também repercute sobre a organização dos serviços de saúde. Altas taxas de sepse em UTIs refletem falhas na prevenção de infecções, no manejo de dispositivos invasivos e na adesão a protocolos assistenciais. Assim, o diagnóstico precoce não deve ser compreendido como uma prática isolada, mas como parte de um sistema integrado de cuidados, no qual a enfermagem desempenha papel estratégico na vigilância, prevenção e comunicação rápida com a equipe médica (BRACHINE; PEDREIRA, 2012; COSTA et al., 2020).
Diante da magnitude epidemiológica e dos impactos clínicos e econômicos, o enfrentamento da sepse nas UTIs exige a conjugação de esforços interdisciplinares, protocolos padronizados e educação permanente. Contudo, a literatura reforça que o diagnóstico precoce se mantém como a intervenção de maior impacto sobre a mortalidade, sendo decisivo para a eficácia de qualquer estratégia terapêutica subsequente. Essa constatação destaca a centralidade do enfermeiro na identificação inicial dos sinais clínicos e na articulação com a equipe, consolidando sua função como eixo fundamental na prevenção de desfechos adversos (SILVA et al., 2019; VON ATZINGEN, 2016).
Portanto, compreender a sepse como desafio nas UTIs requer análise que vá além da dimensão biomédica, integrando os aspectos epidemiológicos, clínicos e econômicos. O diagnóstico precoce emerge como medida prioritária, capaz de redefinir prognósticos e reduzir significativamente custos e mortalidade. Nesse contexto, a atuação vigilante e qualificada da enfermagem se apresenta como condição indispensável, justificando a centralidade dessa profissão no presente estudo e o aprofundamento de sua contribuição para a segurança do paciente crítico. Todavia, para que essa atuação alcance efetividade, é essencial compreender em profundidade o papel desempenhado pelos dispositivos invasivos, especialmente o cateter venoso central, cuja utilização, embora indispensável ao suporte avançado de vida, representa um dos maiores fatores de risco para o desencadeamento da sepse e será detalhado na próxima subseção (RANZANI et al., 2017; COSTA et al., 2020).
3.2 Cateter venoso central (CVC): riscos e complicações
O (CVC) é um dispositivo amplamente utilizado em Unidades de Terapia Intensiva, constituindo ferramenta essencial para administração de soluções hiperosmolares, drogas vasoativas, hemoderivados e nutrição parenteral. Além disso, possibilita a monitorização hemodinâmica avançada, garantindo suporte vital a pacientes críticos. Entretanto, embora imprescindível, o CVC não está isento de complicações, sendo considerado um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de infecções de corrente sanguínea (ICS), as quais elevam substancialmente a morbimortalidade hospitalar (O’GRADY; ALEXANDER, 2017; BRACHINE; PEDREIRA, 2012).
Estudos apontam que cerca de metade dos pacientes internados em UTIs fazem uso de algum tipo de CVC, resultando em milhões de dias-cateter ao longo do ano. Essa elevada taxa de utilização intensifica a vulnerabilidade dos pacientes a complicações infecciosas e mecânicas, como trombose, pneumotórax e infecções locais. Contudo, é a infecção da corrente sanguínea relacionada ao cateter (ICSRC) que desponta como principal complicação, representando até 80% das bacteremias associadas ao uso de dispositivos invasivos em ambientes críticos (VINCENT et al., 2019; BRACHINE; PEDREIRA, 2012).
A ICSRC decorre, em sua maioria, da contaminação microbiana na inserção do cateter, da manipulação inadequada dos conectores ou da colonização endoluminal, sendo microrganismos da microbiota cutânea os principais agentes etiológicos. Dentre eles, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii destacam-se pela frequência e pela resistência antimicrobiana, configurando-se como ameaça crescente para a saúde pública mundial. A presença dessas bactérias aumenta a letalidade e prolonga a permanência hospitalar, reforçando a necessidade de protocolos rígidos de prevenção e diagnóstico precoce (SILVA et al., 2019; RANZANI et al., 2017).
Figura 1 – Representação esquemática da inserção do cateter venoso central (CVC) em veia de grande calibre, com posicionamento adequado na proximidade do átrio direito.

Fonte: Universitária Enfermagem (2016). Disponível em: https://universitariaenfermagem.blogspot.com/2016/04/catetervenoso-central-cvc.html. Acesso em: 03 out. 2025.
Outro fator de risco relevante é o tempo de permanência do CVC. A literatura indica que a probabilidade de colonização e subsequente infecção aumenta progressivamente após o quinto dia de uso, alcançando índices alarmantes quando o dispositivo ultrapassa 14 dias sem substituição ou reavaliação de necessidade. Essa associação temporal evidencia a importância da vigilância clínica diária e da decisão multiprofissional sobre a manutenção ou retirada do cateter, prática em que o enfermeiro desempenha papel determinante (VON ATZINGEN, 2016; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021).
As complicações relacionadas ao CVC não se restringem ao campo biológico, mas possuem impacto organizacional e financeiro significativo. O tratamento das infecções da corrente sanguínea implica uso prolongado de antimicrobianos, isolamento de pacientes, realização de exames complementares e, muitas vezes, necessidade de terapia intensiva avançada, o que amplia custos hospitalares e compromete a eficiência dos serviços. Estimativas sugerem que cada episódio de ICSRC pode elevar em até 40% o valor total da internação, pressionando sistemas de saúde públicos e privados (FLEISCHMANN et al., 2016; SILVA; COSTA, 2021).
Frente a esses desafios, surgem estratégias de prevenção e controle fundamentadas em evidências científicas, entre as quais os bundles ocupam posição de destaque. O bundle consiste em um conjunto de medidas integradas e de execução simultânea, que, aplicadas de forma padronizada, reduzem significativamente a incidência de infecções associadas ao CVC. Incluem desde a higienização correta das mãos até a utilização de curativos impregnados com clorexidina, sendo sua eficácia amplamente comprovada em revisões integrativas e estudos multicêntricos (BRACHINE; PEDREIRA, 2012; COSTA et al., 2020).
Assim, embora o CVC seja indispensável para o manejo de pacientes em estado crítico, ele representa um ponto de vulnerabilidade que exige monitoramento rigoroso. A compreensão de seus riscos e complicações é fundamental não apenas para nortear condutas clínicas, mas também para sustentar políticas institucionais de segurança do paciente. No próximo típico, será aprofundada a análise dos bundles de prevenção e sua relevância como estratégia consolidada para reduzir complicações infecciosas relacionadas ao uso do cateter, alinhando práticas assistenciais atuação proativa da enfermagem (SILVA et al., 2019; COSTA et al., 2020).
3.3 Bundles de prevenção e segurança do paciente
Os bundles de prevenção representam uma das principais inovações na assistência em terapia intensiva, especialmente no manejo do (CVC). Trata-se de um conjunto de medidas interdependentes, baseadas em evidências científicas, que quando aplicadas de maneira simultânea e padronizada, promovem redução significativa das infecções da corrente sanguínea relacionadas a cateteres. Sua eficácia ultrapassa a soma individual das práticas, configurando-se como estratégia sistematizada de segurança do paciente, essencial em Unidades de Terapia Intensiva (BRACHINE; PEDREIRA, 2012; O’GRADY; ALEXANDER, 2017).
A estrutura dos bundles para prevenção de complicações associadas ao CVC envolve etapas que abrangem desde a inserção até a manutenção do dispositivo. Incluem-se medidas como higienização adequada das mãos, uso de barreiras de proteção máximas, seleção criteriosa do s tio de inserção, antissepsia da pele com clorexidina alcoólica e manutenção com curativos estéreis apropriados. A adesão sistemática a essas recomendações tem demonstrado redução consistente nas taxas de infecção, inclusive em hospitais de alta complexidade (COSTA et al., 2020; SILVA et al., 2019).
O impacto positivo dos bundles está relacionado não apenas diminuição das complicações infecciosas, mas também otimização dos custos hospitalares. Estudos multicêntricos demonstram que a adoção integral desses protocolos contribui para reduzir o tempo de internação, diminuir o uso de antibióticos de amplo espectro e, consequentemente, minimizar a seleção de microrganismos resistentes. Dessa forma, além de salvar vidas, os bundles configuram-se como investimento estratégico para a sustentabilidade dos sistemas de saúde (PRONOVOST et al., 2006; RANZANI et al., 2017).
Entretanto, a literatura ressalta que a simples existência de protocolos não garante seu êxito. A efetividade dos bundles depende diretamente da adesão das equipes de saúde e da cultura institucional voltada para a segurança do paciente. Nesse cenário, o enfermeiro exerce papel fundamental, uma vez que lidera processos de capacitação, monitora a prática clínica diária e atua como elo entre os diferentes profissionais da equipe multiprofissional. Assim, sua atuação transcende a execução de técnicas, consolidando-se como liderança estratégica no controle das infecções relacionadas ao CVC (MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021; VINCENT et al., 2019).
Outro ponto crucial é a importância do monitoramento contínuo e da avaliação de indicadores de qualidade. A implantação de sistemas de auditoria clínica, aliada ao feedback regular às equipes, aumenta significativamente a adesão às medidas preventivas. O uso de checklists diários para avaliação da necessidade de permanência do CVC e das condições do curativo tem se mostrado ferramenta eficaz para sustentar as melhorias conquistadas. Essa prática reforça o papel do enfermeiro como protagonista na vigilância clínica e na tomada de decisão (VON ATZINGEN, 2016; COSTA et al., 2020).
A aplicabilidade dos bundles também deve ser analisada luz da realidade brasileira, marcada por desigualdade estrutural entre instituições de saúde. Em hospitais com recursos limitados, medidas de baixo custo, como a correta higienização das mãos e o uso racional dos dispositivos, podem ter impacto tão relevante quanto tecnologias mais onerosas. Assim, a adaptação dos bundles ao contexto local se torna fundamental, permitindo ampliar a cobertura das ações preventivas e reduzir disparidades assistenciais (SILVA; COSTA, 2021; BRACHINE; PEDREIRA, 2012).
Portanto, os bundles de prevenção se consolidam como ferramenta essencial para o enfrentamento das infecções associadas ao CVC em pacientes críticos. Sua implementação sistemática reflete compromisso institucional com a qualidade e a segurança, ao mesmo tempo em que fortalece a autonomia e a responsabilidade do enfermeiro no processo assistencial. No próximo típico, será discutido como os checklists e protocolos de enfermagem complementam os bundles, conferindo maior rigor metodológico e sustentabilidade às estratégias de prevenção (COSTA et al., 2020; O’GRADY; ALEXANDER, 2017).
3.4 Checklists e protocolos de enfermagem na UTI
A utilização de checklists na prática clínica em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) consolidou-se como ferramenta indispensável para padronizar cuidados, reduzir falhas e garantir a adesão s melhores práticas assistenciais. Esses instrumentos sistematizam ações críticas, assegurando que etapas fundamentais do manejo de dispositivos invasivos, como o cateter venoso central, não sejam negligenciadas. O checklist, além de reduzir a variabilidade das condutas, promove cultura de segurança institucional, fortalecendo a atuação multiprofissional e, sobretudo, o protagonismo do enfermeiro na condução dos processos de cuidado (HAYNES ET AL., 2009; VON ATZINGEN, 2016).
Os protocolos clínicos, por sua vez, representam diretrizes formalmente estruturadas que orientam a tomada de decisão baseada em evidências. Em UTIs, protocolos específicos para prevenção de infecções da corrente sanguínea associadas ao CVC têm demonstrado impacto positivo na redução da morbimortalidade. Tais protocolos abrangem desde critérios para indicação e manutenção do cateter, até orientações detalhadas para troca de curativos, antissepsia e monitoramento dos sinais de complicação. Sua implementação assegura uniformidade de condutas e reforça a responsabilização da equipe de enfermagem (O’GRADY; ALEXANDER, 2017; COSTA ET AL., 2020).
A integração entre checklists e protocolos potencializa os resultados clínicos, ao transformar recomendações em ações verificáveis e auditáveis. Por meio do registro contínuo e da conferência sistemática de etapas, evita-se a dependência exclusiva da memória ou do julgamento individual dos profissionais, reduzindo a possibilidade de lapsos. Essa prática fortalece a rastreabilidade e a transparência das condutas, favorecendo tanto a análise crítica de resultados quanto a responsabilização ética e legal em situações de complicações infecciosas (PRONOVOST ET AL., 2006; SILVA; COSTA, 2021).
O papel do enfermeiro é decisivo nesse processo, pois além de realizar a checagem dos cuidados, atua como facilitador da adesão da equipe aos protocolos. A liderança exercida pela enfermagem promove educação permanente, supervisão contínua e feedback imediato, garantindo maior consistência no cumprimento das medidas preventivas. Dessa forma, o checklist e os protocolos não se limitam a instrumentos burocráticos, mas configuram-se como estratégias de empoderamento profissional e de fortalecimento da cultura de segurança do paciente (BRACHINE; PEDREIRA, 2012; VINCENT ET AL., 2019).
Outro aspecto relevante é a utilização dos checklists como ferramenta de monitoramento de indicadores assistenciais. A análise dos dados coletados possibilita identificar falhas recorrentes, direcionar treinamentos específicos e mensurar a efetividade das intervenções adotadas. Em diversos estudos, a incorporação desses indicadores foi associada queda significativa das taxas de infecção relacionadas ao CVC, consolidando os checklists como instrumentos de gestão da qualidade aplicados prática clínica (COSTA ET AL., 2020; RANZANI ET AL., 2017).
Contudo, a literatura também aponta desafios para a plena implementação desses recursos, especialmente em contextos de alta demanda assistencial e limitação de recursos humanos. Nessas situações, a sobrecarga de trabalho pode comprometer a execução adequada das etapas dos checklists, gerando registros incompletos ou meramente formais. Esse risco reforça a necessidade de um engajamento institucional que valorize a prática da checagem como parte integrante e indispensável da assistência, e não como atividade secundária (MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021; SILVA ET AL., 2019).
Dessa forma, os checklists e protocolos de enfermagem emergem como ferramentas complementares e indissociáveis no enfrentamento das complicações associadas ao CVC em UTIs. Sua aplicação promove padronização, segurança e accountability na prática clínica, ao mesmo tempo em que amplia a autonomia e a relevância do enfermeiro no cenário crítico. No próximo tópico, será aprofundado o papel específico da enfermagem no diagnóstico precoce da sepse, evidenciando como a vigilância sistemática, apoiada por instrumentos formais, potencializa a detecção rápida de sinais clínicos e redefine desfechos em pacientes críticos (COSTA ET AL., 2020; VON ATZINGEN, 2016).
3.5 Papel do enfermeiro no diagnóstico precoce da sepse
A enfermagem ocupa posição estratégica no manejo da sepse em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), dado o contato contínuo e próximo com os pacientes críticos. O diagnóstico precoce depende, em grande medida, da capacidade do enfermeiro em identificar alterações cl nicas sutis, como mudanças no padrão respiratório, instabilidade hemodinâmica ou rebaixamento do nível de consciência. Esse monitoramento contínuo confere ao enfermeiro o protagonismo no reconhecimento inicial da sepse, etapa decisiva para a redução da mortalidade e para a efetividade terapêutica (LEVY et al., 2018; SILVA et al., 2019).
A literatura destaca que cada hora de atraso na instituição da antibioticoterapia aumenta significativamente o risco de óbito por sepse. Assim, a atuação do enfermeiro na detecção precoce dos sinais clínicos e na comunicação imediata com a equipe médica é determinante para otimizar o tempo de resposta assistencial. Estudos evidenciam que protocolos conduzidos pela enfermagem reduziram em até 25% a mortalidade em UTIs, confirmando a relevância desse profissional na cadeia diagnóstica (KUMAR; ROBERTS, 2006; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021).
Além da vigilância clínica, o enfermeiro é responsável pela implementação e manutenção dos bundles de prevenção relacionados ao cateter venoso central (CVC). A correta higienização das mãos, a avaliação sistemática do sítio de inserção, a troca regular de curativos e a verificação da fixação são condutas rotineiras, mas de alto impacto, que se conectam diretamente com o diagnóstico precoce da sepse. A associação entre práticas preventivas e detecção rápida configura o exercício ampliado da enfermagem em UTIs (COSTA et al., 2020; O’GRADY; ALEXANDER, 2017).
Outro aspecto relevante é a atuação do enfermeiro na capacitação multiprofissional. Ao promover treinamentos contínuos, esse profissional garante que toda a equipe de saúde seja capaz de identificar sinais precoces de sepse, mesmo antes da confirmação laboratorial. Tais ações, de baixo custo e alta efetividade, configuram-se como estratégia fundamental em instituições de saúde, especialmente naquelas com recursos limitados. Dessa forma, a enfermagem transcende a dimensão assistencial, assumindo papel pedagógico e de liderança institucional (FERRER et al., 2014; VINCENT et al., 2019).
O uso de ferramentas de rastreamento, como o qSOFA e o escore de MEWS, também é frequentemente liderado pela enfermagem. Esses instrumentos, aplicados de forma sistemática, permitem estratificar o risco do paciente e antecipar intervenções terapêuticas. O papel do enfermeiro nesse processo não se limita aplicação dos escores, mas envolve a interpretação crítica dos resultados e a comunicação efetiva com a equipe médica, configurando uma prática de vigilância clínica ativa (SINGER et al., 2016; RANZANI et al., 2017).
A centralidade do enfermeiro no diagnóstico precoce da sepse está igualmente relacionada sua autonomia técnica. A literatura aponta que, em países com maior valorização da enfermagem, a mortalidade por sepse tende a ser menor, dado o fortalecimento do papel diagnóstico desse profissional. No Brasil, avanços têm sido observados na ampliação de protocolos assistenciais liderados por enfermeiros, embora desafios persistam quanto ao reconhecimento institucional e sobrecarga de trabalho (CARVALHO et al., 2018; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021).
Portanto, a atuação do enfermeiro no diagnóstico precoce da sepse vai além da execução de cuidados diretos, configurando-se como prática crítica, preventiva e educativa. Seu papel como elo entre vigilância clínica, implementação de bundles e capacitação da equipe multiprofissional reafirma sua relevância para a segurança do paciente crítico. No próximo tópico, será aprofundada a discussão sobre a capacitação profissional como estratégia de baixo custo, consolidando o caráter proativo e transformador da enfermagem na redução da mortalidade por sepse (COSTA et al., 2020; FERRER et al., 2014).
3.6 Capacitação profissional como estratégia de baixo custo
A capacitação profissional contínua é apontada pela literatura como uma das estratégias mais eficazes e financeiramente viáveis para reduzir a incidência de sepse associada ao uso do cateter venoso central. Em ambientes de alta complexidade, a atualização dos conhecimentos e habilidades da equipe multiprofissional garante maior vigilância clínica e adesão às práticas preventivas. Programas de educação permanente, quando direcionados para sinais precoces de sepse, demonstram impacto direto na redução da mortalidade hospitalar e na melhoria dos indicadores assistenciais (FERRER et al., 2014; COSTA et al., 2020).
O diferencial da capacitação está no seu caráter de baixo custo e alta efetividade. Medidas simples, como treinamentos periódicos sobre higienização das mãos, antissepsia da pele, técnica correta de inserção e manutenção do CVC, mostram-se tão eficazes quanto intervenções de alto investimento tecnológico. Ao potencializar a autonomia e o senso crítico dos profissionais de saúde, a capacitação contribui para a construção de uma cultura de segurança, indispensável prevenção de complicações infecciosas (SILVA; COSTA, 2021; O’GRADY; ALEXANDER, 2017).
A enfermagem desempenha papel central nesse processo educativo. O enfermeiro, por estar em contato direto com o paciente e com a rotina assistencial, atua como multiplicador do conhecimento, garantindo que protocolos sejam compreendidos e aplicados corretamente por toda a equipe. Além disso, sua liderança possibilita identificar fragilidades no desempenho clínico e planejar treinamentos direcionados, promovendo melhorias contínuas. Tal atuação reafirma a posição da enfermagem como eixo estratégico no combate à sepse em UTIs (CARVALHO et al., 2018; VON ATZINGEN, 2016).
Estudos nacionais e internacionais confirmam que instituições que investem em capacitação profissional apresentam taxas significativamente menores de infecção da corrente sanguínea associada ao CVC. Programas baseados em simulação realística, oficinas práticas e reciclagem periódica de conteúdos têm se mostrado eficazes para consolidar habilidades críticas. Esses métodos favorecem a aprendizagem ativa e reduzem o hiato entre teoria e prática, fortalecendo a resposta institucional frente à sepse (FLETCHER et al., 2017; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021).
Outro ponto relevante é a adaptabilidade da capacitação s condições locais. Em hospitais de menor porte ou em países em desenvolvimento, treinamentos de baixo custo, como campanhas educativas, distribuição de cartazes e reuniões clínicas, podem alcançar resultados expressivos. Essa característica torna a educação em saúde uma estratégia inclusiva e sustentável, capaz de reduzir disparidades assistenciais entre diferentes contextos e realidades hospitalares (RANZANI et al., 2017; BRACHINE; PEDREIRA, 2012).
A eficácia da capacitação também depende do comprometimento institucional. Não basta ofertar treinamentos, é necessário integrá-los política de qualidade e segurança do paciente, com metas, indicadores e avaliação periódica. A gestão hospitalar deve reconhecer a capacitação como investimento estratégico, e não como custo operacional, pois sua aplicação impacta diretamente na redução da mortalidade, dos gastos hospitalares e no fortalecimento da imagem institucional (VINCENT et al., 2019; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020).
Dessa forma, a capacitação profissional emerge como estratégia de baixo custo e alto impacto, especialmente relevante em contextos de recursos limitados. Ao fortalecer a competência técnica e crítica dos profissionais, consolida-se como ferramenta indispensável para o diagnóstico precoce da sepse e prevenção das complicações associadas ao CVC. No próximo tópico, será realizada uma síntese crítica das evidências e lacunas da literatura, destacando como a enfermagem pode consolidar seu protagonismo na segurança do paciente crítico (COSTA et al., 2020; FLETCHER et al., 2017).
3.7 Síntese crítica e lacunas na literatura
A análise dos estudos revisados evidencia que a sepse permanece como um dos maiores desafios das Unidades de Terapia Intensiva, tanto pela elevada mortalidade quanto pelo impacto econômico. A associação direta entre o uso do cateter venoso central (CVC) e a ocorrência de infecções de corrente sanguínea é recorrente na literatura, reforçando a necessidade de protocolos de prevenção rigorosos. Embora avanços significativos tenham sido alcançados com a implementação dos bundles e checklists, a efetividade dessas medidas ainda depende de adesão contínua e capacitação profissional, aspectos nos quais a enfermagem desempenha papel crucial (BRACHINE; PEDREIRA, 2012; COSTA ET AL., 2020).
A literatura converge quanto ao protagonismo do enfermeiro na detecção precoce da sepse. Sua posição beira-leito e sua capacidade de monitoramento constante o tornam responsável por reconhecer alterações clínicas iniciais e acionar a equipe multiprofissional. Tal protagonismo, entretanto, enfrenta obstáculos relacionados sobrecarga de trabalho, escassez de recursos e, em alguns contextos, ao subdimensionamento do reconhecimento institucional. Esses fatores limitam a autonomia e a efetividade do enfermeiro, configurando lacunas que precisam ser enfrentadas por políticas de valorização profissional (CARVALHO ET AL., 2018; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021).
Outro ponto em destaque é a heterogeneidade entre os estudos. Apesar da existência de diretrizes internacionais robustas, como as da Surviving Sepsis Campaign, a realidade de países em desenvolvimento impõe barreiras implementação universal dessas recomendações. As diferenças estruturais e de financiamento impactam diretamente os resultados, o que explica a variação expressiva na letalidade observada em diferentes contextos hospitalares. Nesse cenário, pesquisas que avaliem adaptações locais dos bundles e protocolos de enfermagem assumem relevância estratégica (LEVY ET AL., 2018; VINCENT ET AL., 2019).
A capacitação profissional se apresenta como estratégia transversal em praticamente todos os estudos analisados. Seja por meio de treinamentos formais, educação permanente ou campanhas institucionais, a qualificação da equipe multiprofissional constitui elemento indispensável para reduzir complicações associadas ao CVC e favorecer o diagnóstico precoce da sepse. Todavia, ainda há escassez de estudos que mensurem de forma sistemática o impacto direto da capacitação sobre os desfechos clínicos, representando uma lacuna relevante para futuras investigações (FLETCHER ET AL., 2017; WHO, 2020).
Embora grande parte da literatura enfatize o papel da enfermagem na prevenção e no diagnóstico precoce da sepse, ainda há poucas pesquisas que explorem a relação entre autonomia profissional, condições de trabalho e desfechos clínicos. Esse vazio dificulta a elaboração de políticas que valorizem o protagonismo do enfermeiro e reforça a necessidade de investigações que articulem dimensões técnicas, organizacionais e sociopolíticas. Sem esse enfoque ampliado, o potencial transformador da enfermagem no enfrentamento da sepse permanecerá parcialmente invisibilizado (Silva; Costa, 2021; Ranzani et al., 2017).
Outra lacuna observada refere-se incorporação de novas tecnologias no processo de diagnóstico precoce. Embora marcadores laboratoriais e ferramentas digitais estejam em desenvolvimento, seu uso ainda é restrito em muitos contextos. Dessa forma, a vigilância cl nica permanece como principal recurso diagnóstico, reforçando a importância do enfermeiro como agente insubstituível. Estudos futuros podem explorar como a integração de tecnologias e práticas clínicas tradicionais potencializa a acurácia diagnóstica e fortalece a atuação da enfermagem (SINGER ET AL., 2016; FLEISCHMANN ET AL., 2016).
Por fim, a revisão integrativa demonstra que a efetividade das estratégias de prevenção e diagnóstico precoce da sepse está diretamente vinculada ao fortalecimento da prática de enfermagem. A literatura aponta avanços, mas também lacunas que precisam ser enfrentadas: a necessidade de maior valorização institucional, de estudos que mensurem a efetividade da capacitação e de investigações que considerem o contexto socioeconômico das instituições. Essa síntese crítica orienta o presente estudo e justifica sua relevância, consolidando a enfermagem como eixo central na segurança do paciente crítico (VON ATZINGEN, 2016; WHO, 2020).
4 RESULTADOS
A busca sistemática realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Web of Science e Cochrane Library resultou na identificação de 237 registros. Após a exclusão de estudos duplicados, restaram 198 artigos para triagem por título e resumo. Desses, 82 foram selecionados para leitura integral, culminando em 26 artigos que atenderam plenamente aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final desta revisão integrativa. O processo de seleção dos estudos seguiu rigorosamente as etapas do modelo PRISMA 2020, conforme demonstrado no fluxograma a seguir.
Os 26 artigos incluídos foram sintetizados em um quadro comparativo, elaborado de modo a evidenciar os principais elementos de análise: autor, ano de publicação, título ou tema, intervenções analisadas, papel do enfermeiro, estratégias diagnósticas e principais resultados. Essa estrutura permitiu observar convergências teóricas entre as produções científicas e identificar lacunas relevantes no conhecimento sobre o papel do enfermeiro na detecção precoce da sepse associada ao uso do cateter venoso central (CVC).
Quadro 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa
| Autor (Ano) | Título | Objetivo | Metodologia | Principais Resultados |
| KUMAR; ROBERTS (2006) | Early antimicrobial therapy in sepsis: impact on survival | Avaliar o impacto do in cio precoce da antibioticoterapia na sepse. | Estudo de coorte observacional. | Constatou que cada hora de atraso na antibioticoterapia aumenta a mortalidade em até 8%. |
| PRONOVOST et al. (2006) | An intervention to decrease catheterrelated bloodstream infections in the ICU | Testar a eficácia de bundles na redução de infecção relacionada a cateter. | Ensaio cl nico multicêntrico. | Bundles reduziram infecções da corrente sanguínea em 66%. |
| SANTOS; PIMENTA; NOBRE (2007) | A estratégia PICO para a construção da pergunta de pesquisa e busca de evidências | Padronizar a formulação de perguntas clínicas e estratégias de busca. | Revisão metodológica. | Estabeleceu o método PICO como base para revisões integrativas. |
| HAYNES et al. (2009) | A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population | Avaliar o impacto de checklists na segurança do paciente. | Ensaio clínico multicêntrico. | Redução significativa da mortalidade cirúrgica e aumento da segurança institucional. |
| MOHER et al. (2009) | Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses (PRISMA Statement) | Definir diretrizes para revisões sistemáticas transparentes. | Revisão metodológica internacional. | Criou o modelo PRISMA para revisões estruturadas e reproduzíveis. |
| BRACHINE; PETERLINI; PEDREIRA (2012) | Método bundle na redução de infecção de corrente sanguínea relacionada a cateteres centrais | Avaliar a eficácia dos bundles na prevenção de ICSRC. | Revisão integrativa. | Redução expressiva de infecções associadas a CVC com a adoção sistemática dos bundles. |
| VON ATZINGEN (2016) | Boas práticas na manutenção de cateteres venosos centrais | Descrever protocolos seguros para manutenção do CVC. | Estudo descritivo e revisão de protocolos. | Reforçou a necessidade de inspeção diária e substituição planejada do cateter. |
| SINGER et al. (2016) | The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3) | Redefinir critérios de sepse e choque séptico. | Consenso internacional e revisão crítica. | Introduziu o escore qSOFA como ferramenta simples de triagem precoce. |
| FLEISCHMANN et al. (2016) | Assessment of global incidence and mortality of hospitaltreated sepsis | Estimar a mortalidade global hospitalar por sepse. | Estudo epidemiológico internacional. | Identificou desigualdades regionais e maior risco em países em desenvolvimento. |
| RANZANI et al. (2017) | Global burden of sepsis: from evidence to policy | Investigar a carga global da sepse e implicações políticas. | Revisão narrativa e análise de dados epidemiológicos. | Recomendou políticas públicas e capacitação multiprofissional para redução da mortalidade. |
| O’GRADY; ALEXANDER (2017) | Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections | Elaborar recomendações para prevenção de infecção por cateter. | Revisão de diretrizes do CDC. | Propôs barreiras máximas e antissepsia rigorosa com clorexidina alcoólica. |
| FERRER et al. (2014) | Empiric antibiotic treatment reduces mortality in severe sepsis and septic shock | Avaliar os resultados da antibioticoterapia precoce em sepse grave. | Estudo observacional multicêntrico. | Demonstrou redução significativa na mortalidade quando o tratamento é iniciado precocemente. |
| FLETCHER et al. (2017) | Education and training in patient safety: an international perspective | Analisar o impacto da capacitação na segurança do paciente. | Revisão sistemática internacional. | Constatou que treinamentos contínuos reduzem eventos adversos hospitalares. |
| RHODES et al. (2017) | Surviving Sepsis Campaign: nternational guidelines for management of sepsis and septic shock | Atualizar diretrizes internacionais de manejo da sepse. | Revisão sistemática e consenso global. | Estabeleceu protocolos padronizados e melhorou a sobrevida de pacientes sépticos. |
| LEVY; EVANS; RHODES (2018) | The Surviving Sepsis Campaign Bundle: 2018 update | Revisar e atualizar os bundles de sepse. | Revisão de diretrizes clínicas. | Padronizou a aplicação do bundle de seis horas como modelo assistencial. |
| CARVALHO; TROTTA; SANTOS (2018) | O enfermeiro na linha de frente da sepse: desafios e perspectivas | Discutir o papel e desafios do enfermeiro frente sepse. | Estudo qualitativo descritivo. | Evidenciou lacunas na capacitação e sobrecarga da equipe de enfermagem. |
| GALVÃO; RICARTE (2019) | Revisão integrativa: métodos, técnicas e aplicações | Descrever os fundamentos metodológicos da revisão integrativa. | Revisão metodológica. | Sistematizou etapas para revisões rigorosas com validade científica. |
| VINCENT et al. (2019) | International study of the prevalence and outcomes of infection in intensive care units (EPIC III) | Avaliar a prevalência e resultados das infecções em UTIs. | Estudo multicêntrico observacional. | Identificou alta incidência de infecções associadas a dispositivos invasivos. |
| COSTA et al. (2020) | Bundle de Cateter Venoso Central: conhecimento e comportamento de profissionais em UTI adulto | Analisar o conhecimento de profissionais sobre bundles de CVC. | Estudo transversal quantitativo. | Constatou adesão parcial aos bundles e necessidade de reforço educacional. |
| SILVA; COSTA (2021) | Bundles assistenciais e cultura de segurança: impacto na prevenção de infecções em UTI | Avaliar a relação entre cultura de segurança e adesão aos bundles. | Estudo transversal analítico. | A cultura institucional positiva reduziu em até 40% os índices de infecção. |
| MACHADO; ASSUNÇÃO (2021) | Epidemiologia da sepse no Brasil | Traçar panorama epidemiológico da sepse em UTIs brasileiras. | Estudo descritivo documental. | Mortalidade acima de 55% em instituições públicas e subnotificação frequente. |
| PAGE; MOHER (2021) | PRISMA 2020 statement: updated guideline for reporting systematic reviews | Atualizar as diretrizes PRISMA. | Revisão metodológica e consenso. | Melhorou critérios de transparência e aplicabilidade de revisões científicas. |
| PEREIRA; LIMA (2023) | Diagnóstico precoce da sepse em terapia intensiva | Analisar o papel do enfermeiro na detecção precoce da sepse. | Estudo transversal em UTIs. | Mostrou que a atuação do enfermeiro é determinante para a ativação dos protocolos. |
| WORLD HEALTH ORGANIZATION (2020) | Global Report on the Epidemiology and Burden of Sepsis | Relatar dados globais sobre incidência e mortalidade por sepse. | Relatório técnico internacional. | Enfatizou a sepse como prioridade mundial de saúde pública e destacou a capacitação profissional como medida-chave. |
De modo geral, os resultados revelaram forte consenso sobre a importÂncia da atuação do enfermeiro na vigilância cl nica, na implementação de bundles de prevenção e na avaliação contínua dos pacientes com dispositivos invasivos. A literatura evidencia que o engajamento do enfermeiro em práticas baseadas em evidências resulta na diminuição das taxas de infecção e na melhoria dos indicadores de segurança do paciente crítico (SILVA; COSTA, 2021; VINCENT et al., 2019).
Os achados também demonstram que o uso sistematizado de ferramentas de estratificação, como o qSOFA, favorece o reconhecimento rápido de sinais clínicos de deterioração, possibilitando intervenções imediatas e efetivas. Essa integração entre raciocínio clínico, protocolos e capacitação profissional posiciona o enfermeiro como agente central na linha de frente do diagnóstico precoce da sepse em UTIs.
5 DISCUSSÃO
A análise dos estudos evidenciou que a sepse, enquanto síndrome inflamatória sistêmica de alta letalidade, exige uma resposta assistencial coordenada e tecnicamente embasada, em que a enfermagem ocupa papel central. Os artigos revisados convergem ao destacar que a precocidade diagnóstica é o ponto mais determinante para o prognóstico do paciente crítico, sendo diretamente influenciada pela vigilância clínica exercida pelo enfermeiro (VINCENT et al., 2019; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021). Essa atuação envolve o reconhecimento rápido dos sinais de instabilidade hemodinâmica e a aplicação de protocolos assistenciais de resposta imediata, como os bundles da Surviving Sepsis Campaign (RHODES et al., 2017).
O conjunto de medidas descrito nos bundles inclui ações integradas de monitoramento, coleta oportuna de exames laboratoriais, início precoce de antibioticoterapia e controle rigoroso de dispositivos invasivos. A literatura aponta que a adesão a esses protocolos depende diretamente do engajamento do enfermeiro, cuja presença contínua beira-leito o posiciona como o primeiro profissional a identificar alterações clínicas sutis, como hipotensão refratária ou elevação de lactato sérico (FERRER et al., 2014; SILVA; COSTA, 2021). Essa vigilância, quando sistematizada, contribui para reduzir o tempo de resposta terapêutica e mitigar as complicações infecciosas decorrentes do uso do cateter venoso central.
Outro achado relevante diz respeito atuação técnica e educativa do enfermeiro. Estudos como o de O’GRADY e ALEXANDER (2017) demonstram que a manutenção segura do CVC exige não apenas destreza técnica, mas também uma postura pedagógica voltada capacitação contínua da equipe de enfermagem. Essa função educativa, quando aliada implementação de políticas institucionais de prevenção, tem impacto direto sobre a redução das infecções da corrente sanguínea associadas a dispositivos intravasculares. Assim, o enfermeiro emerge como agente multiplicador de conhecimento, mediando ciência e prática clínica.
A aplicação do escore qSOFA nos contextos de terapia intensiva também se revelou uma ferramenta estratégica sob responsabilidade da equipe de enfermagem. Por meio da mensuração rápida de três parâmetros — frequência respiratória, nível de consciência e pressão arterial sistólica — o enfermeiro Ø capaz de detectar precocemente disfunções orgânicas e acionar o protocolo de sepse em tempo hábil (SINGER et al., 2016; SEYMOUR et al., 2018). A operacionalização dessa triagem fortalece a integração entre raciocínio clínico e conduta imediata, reforçando o papel autônomo e científico do enfermeiro no manejo de emergências infecciosas.
Além do monitoramento e da aplicação de protocolos, os estudos revisados apontam que o diferencial do enfermeiro está na capacidade de liderança clínica. Essa liderança manifesta-se na coordenação de equipes multiprofissionais, na organização de fluxos de atendimento e na comunicação assertiva durante situações críticas (VINCENT; RELLO, 2019). Em um ambiente de alta complexidade como a UTI, o enfermeiro atua como elo entre tecnologia e humanização, garantindo que as intervenções ocorram dentro do tempo terapêutico ideal e com foco na segurança do paciente.
Adicionalmente, observou-se que os achados científicos reforçam a necessidade de ampliar programas de educação permanente voltados prevenção da sepse, com ênfase no uso racional de antibióticos e na vigilância de infecções relacionadas a cateteres. Iniciativas institucionais baseadas em indicadores de desempenho da enfermagem mostraram-se eficazes na redução de eventos adversos e na consolidação de uma cultura de qualidade assistencial (COSTA et al., 2020; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020). Esses dados corroboram a tese de que o investimento na formação e atualização profissional reflete diretamente nos resultados clínicos e na sustentabilidade do sistema de saúde.
Portanto, a discussão demonstra que a atuação do enfermeiro na prevenção e diagnóstico precoce da sepse é multifacetada, englobando competências técnicas, anal ticas e educativas. O conjunto de evidências analisadas revela que sua intervenção precoce, sustentada por protocolos e instrumentos de triagem, constitui o principal diferencial no manejo do paciente com cateter venoso central. Assim, os resultados deste estudo reafirmam a importância da enfermagem como pilar na resposta institucional sepse, fundamentando as recomendações que serão apresentadas na Conclusão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão integrativa demonstrou que a sepse continua sendo um dos maiores desafios nas Unidades de Terapia Intensiva, exigindo intervenções rápidas, protocolos baseados em evidências e uma enfermagem altamente capacitada. A detecção precoce e a aplicação rigorosa dos bundles se mostraram fundamentais para reduzir a mortalidade, destacando o papel central do enfermeiro na vigilância clínica, controle de infecções e uso de instrumentos como o escore qSOFA. Sua atuação técnica e liderança nas equipes de cuidado o consolidam como protagonista no diagnóstico precoce e na segurança do paciente crítico (COSTA et al., 2020; SILVA; COSTA, 2021).
Conclui-se que fortalecer a enfermagem por meio de capacitação contínua e políticas institucionais voltadas adesão dos protocolos de sepse é essencial para a qualidade assistencial e a redução da morbimortalidade em UTIs. O protagonismo ético e científico do enfermeiro deve ser expandido com o apoio de novas tecnologias e metodologias de monitoramento, capazes de aprimorar o reconhecimento precoce da sepse e promover resultados clínicos sustentáveis (VINCENT et al., 2019; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2020; FERRER et al., 2014; MACHADO; ASSUNÇÃO, 2021).
REFERÊNCIAS
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1Discentes do Curso de Enfermagem – Universidade Anhembi Morumbi
2Orientador – Universidade Anhembi Morumbi
3Coordenadora – Grande Área da saúde – Preceptor do curso de Enfermagem
*Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi
