THE NURSE’S ASSISTANCE IN THE PROMOTION OF EXCLUSIVE BREASTFEEDING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512202203
Ana Vilma Gomes Baldez1
Brenda Lorrane Farias Ribeiro2
Dina Brito Ferreira3
Erica Pantoja de Assis4
Vivian Ferreira do Rosário5
Orientadora: Jamilly Karoliny da Silva Miranda6
Resumo
O aleitamento materno exclusivo (AME) nos primeiros seis meses de vida é essencial para a saúde infantil, fornecendo nutrientes adequados, fortalecendo o sistema imunológico e promovendo o vínculo afetivo entre mãe e filho. No entanto, diversos desafios dificultam essa prática, como a falta de informação, o retorno precoce ao trabalho e a influência da indústria de fórmulas infantis. A assistência de enfermagem desempenha um papel crucial na promoção do AME, oferecendo suporte técnico e emocional às mães. Este estudo tem como objetivo analisar a importância da assistência do enfermeiro na promoção do aleitamento materno exclusivo. A metodologia adotada é uma revisão bibliográfica qualitativa baseada em estudos recentes (2019–2024). Os resultados demonstram que a atuação do enfermeiro é essencial na educação materna, desconstrução de mitos e implementação de estratégias que fortalecem essa prática. Conclui-se que investimentos em capacitação profissional e políticas públicas podem aumentar a adesão ao aleitamento materno exclusivo, promovendo melhorias na saúde infantil e materna.
Palavras-chave: Aleitamento materno exclusivo; Enfermagem; Promoção da saúde.
1 INTRODUÇÃO
O leite materno constitui-se como um alimento de elevado valor nutricional, sem custos financeiros e capaz de atender integralmente às necessidades nutricionais do lactente, além de fortalecer o vínculo afetivo entre mãe e filho (Silva et al., 2024).
Além de água, vitaminas e sais minerais, o leite materno contém imunoglobinas, enzimas e lisozimas e muitas outras substâncias que ajudam a proteger a criança contra infecções, incluindo-se anticorpos, hormônios e outros componentes que não estão presentes em fórmulas infantis de leite e tem um papel fundamental na proteção contra diarreias, doenças crônicas e alergias (Silva et al., 2019).
A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva desde o nascimento até os 6 meses, e a manutenção do aleitamento materno com alimentos complementares até os 2 anos de idade ou mais, até que a mãe e bebé o desejem fazer. No entanto, pesquisas mostram que apenas 40% das crianças com menos de seis meses, a cada 5 bebês, 3 não são amamentadas na primeira hora de vida (Galvão e Silva, 2024).
Araújo et al., (2023) apoiam que o aleitamento materno se trata de uma estratégia que mais previne mortes infantis, promovendo também a saúde física, mental e psíquica da criança. O aleitamento materno exclusivo proporciona vantagens ainda mais efetivas do que somente até três ou quatro meses seguido de aleitamento misto. Dentre estas vantagens, destacam-se as seguintes: diminuição do risco de infecção gastrintestinal no bebê; maior perda de peso materno após o parto e aumento do tempo de retorno ao período menstrual. É importante destacar também que alguns estudos apontam que a maioria das crianças hospitalizadas por diarreia recebeu leite artificial, comprovando assim, o efeito protetor do aleitamento materno exclusivo.
A literatura científica evidencia que o aleitamento materno possui associação direta com a promoção da saúde infantil e a redução da mortalidade infantil, além de benefícios à saúde materna, incluindo menor risco para determinados tipos de câncer, redução da incidência de depressão pós-parto e menor prevalência de doenças crônicas não transmissíveis. Adicionalmente, o aleitamento materno adequado demonstra-se crucial para o desenvolvimento integral da saúde e nutrição do lactente (Silva et al., 2024).
A amamentação, portanto, é uma ação natural e já faz parte do instinto da própria mãe.
Mas por alguns fatores de ordens sociais, emocionais, psicológicas, até mesmo os familiares, faz com que a mãe encontre dificuldades na hora do amamentar. De acordo com o Ministério da Saúde (2009), o aleitamento materno ainda não é um ato constante das mães. É importante que as mães tenham entendimento desta importância do aleitamento materno de forma completa até os seis meses de vida do bebê (Mota et al., 2021).
Silva, Lima e Nascimento (2023) discorrem sobre a importância da promoção do aleitamento materno, dando destaque na Atenção Primária em Saúde (APS), em vista de que, o enfermeiro, como profissional de saúde participa desde o início da gestação da parturiente, assim deve estar preparado para intervir nos cuidados extra-hospitalares e interinstituições realizando ações de cuidados em saúde, cuidados com os seios e orientando sobre a nutrição do nascituro.
Diante o exposto, o presente artigo tem como objetivo destacar a atuação do enfermeiro na promoção do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade, além de abordar suas vantagens para mãe e filho.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, de natureza qualitativa, a qual possibilita reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas anteriores sobre uma temática específica. Esse tipo de revisão permite uma compreensão mais ampla e aprofundada do fenômeno estudado, especialmente quando se trata de práticas de saúde e processos de cuidado. A escolha pela revisão bibliográfica fundamenta-se na possibilidade de identificar conhecimentos já consolidados e lacunas existentes na literatura recente. Segundo Gil (2019), esse tipo de estudo é adequado quando se deseja construir reflexões teóricas a partir de fontes secundárias.
A busca dos materiais ocorreu em bases de dados reconhecidas, como: SciELO, LILACS, PubMed e BVS. Essas plataformas foram selecionadas devido à sua amplitude de cobertura e à relevância no cenário científico nacional e internacional, garantindo o acesso a estudos atualizados e com rigor metodológico. As buscas foram realizadas utilizando descritores relacionados ao tema, tais como “aleitamento materno exclusivo”, “enfermagem” e “promoção da saúde”, de modo a assegurar que os materiais recuperados estivessem alinhados ao objeto investigado.
Para assegurar a qualidade e a atualidade das informações utilizadas, foram estabelecidos critérios de inclusão bem definidos. Foram selecionadas publicações que: (1) foram divulgadas entre os anos de 2019 e 2024; (2) estavam disponíveis integralmente; e (3) abordavam diretamente a atuação da enfermagem na promoção do aleitamento materno exclusivo. A delimitação temporal buscou contemplar a produção científica mais recente, considerando que as políticas de saúde e diretrizes de amamentação passam por constantes atualizações.
Da mesma forma, critérios de exclusão foram estabelecidos para delimitar com maior precisão o corpus de análise. Foram excluídos estudos duplicados, incompletos ou que não apresentavam relação direta com a temática central. Essa filtragem contribuiu para a construção de um conjunto de materiais que realmente representassem a temática estudada, evitando dispersões e garantindo maior consistência teórica à revisão.
Após a seleção dos estudos, iniciou-se a etapa de leitura detalhada, organização e sistematização das informações. Esse processo envolveu sucessivas leituras e a categorização dos conteúdos, permitindo a identificação das principais contribuições, convergências e divergências encontradas na literatura. A análise crítica dos estudos possibilitou a construção de eixos temáticos que estruturaram a discussão dos resultados apresentados posteriormente.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 O PAPEL DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO
O enfermeiro desempenha um papel essencial na promoção do aleitamento materno exclusivo (AME), atuando como educador, cuidador, orientador e facilitador de práticas de saúde baseadas em evidências. Sua atuação se inicia ainda no pré-natal e se estende ao puerpério, sendo fundamental para a segurança e autoconfiança da puérpera. Moura et al., (2021) ressaltam que a presença contínua desse profissional favorece a construção de um vínculo de confiança entre mãe e serviço de saúde. Isso ocorre porque o enfermeiro é frequentemente o primeiro profissional a esclarecer dúvidas, desfazer mitos e incentivar a prática da amamentação.
Durante o pré-natal, a atuação do enfermeiro consiste na preparação da gestante para o processo de amamentação, oferecendo informações sobre benefícios, técnicas e possíveis desafios. Nesse período, a educação em saúde cumpre papel estratégico, pois permite que a gestante adquira conhecimento prévio capaz de reduzir a ansiedade no pós-parto. Segundo Silva e Cardoso (2022), grande parte das inseguranças maternas pode ser minimizada quando as mulheres recebem orientações antecipadas sobre a técnica do aleitamento.
Além dessas funções, o enfermeiro desempenha papel relevante na promoção do vínculo afetivo entre mãe e recém-nascido, incentivando práticas como o contato pele a pele e a amamentação na primeira hora de vida, conhecida como “Hora de Ouro”. De acordo com Ferreira, Costa e Nascimento (2023), esse contato precoce aumenta as taxas de AME e facilita a adaptação fisiológica do recém-nascido.
Outra dimensão importante do papel do enfermeiro envolve a educação em saúde direcionada não apenas para a mãe, mas para toda a família. A inclusão de parceiros e outros cuidadores no processo educativo fortalece o apoio emocional e prático necessário durante o ciclo gravídico-puerperal. Oliveira e Santos (2021) afirmam que a participação ativa da família possibilita um ambiente mais favorável à manutenção do aleitamento exclusivo.
Durante as visitas domiciliares, o enfermeiro observa o ambiente familiar da puérpera, identifica dificuldades específicas e oferece orientações personalizadas. Essa prática é essencial para mães que enfrentam limitações socioeconômicas, falta de apoio ou insegurança. Para Santos, Medeiros e Braga (2023), a presença do enfermeiro no contexto domiciliar fortalece a continuidade do cuidado e aumenta a adesão ao AME.
A escuta qualificada é outra competência fundamental na atuação do enfermeiro, permitindo que as necessidades emocionais e psicológicas da puérpera sejam compreendidas e acolhidas. Muitas mães vivenciam sentimentos de insegurança, medo e frustração, especialmente nos primeiros dias pós-parto. Por isso, o enfermeiro precisa adotar uma postura ética, empática e sensível (Araújo et al., 2024).
Outro aspecto relevante é a atuação do enfermeiro na articulação com políticas públicas, campanhas e estratégias de incentivo ao aleitamento. Participar da Semana Mundial da Amamentação, desenvolver projetos comunitários ou realizar ações educativas em escolas e unidades básicas de saúde amplia o alcance da informação e fortalece a cultura do aleitamento. Como observa Machado, Lima e Oliveira (2021), iniciativas comunitárias têm grande potencial para desmistificar crenças e ampliar a adesão ao AME em diferentes contextos sociais.
Destaca-se que o enfermeiro exerce papel fundamental na defesa dos direitos maternos, especialmente no que diz respeito ao acesso à informação, ao apoio emocional e ao atendimento humanizado. Ao reconhecer as singularidades de cada puérpera, o profissional contribui para práticas mais inclusivas, respeitosas e alinhadas aos princípios da equidade. Assim, a promoção do AME depende não apenas de orientações técnicas, mas também de um cuidado ético e integral.
3.2 ESTRATÉGIAS PARA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO
A promoção do aleitamento materno exclusivo (AME) depende da implementação de estratégias efetivas que auxiliem mães, famílias e comunidades a compreenderem sua importância e superarem dificuldades comuns no início da amamentação. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel central na criação, condução e avaliação dessas estratégias, atuando de forma educativa, preventiva e interventiva. A literatura científica demonstra que ações estruturadas e bem planejadas têm impacto direto nas taxas de adesão ao AME, especialmente quando aplicadas durante o pré-natal e o pós-parto imediato.
Uma das estratégias mais eficazes consiste nas ações educativas realizadas durante o pré-natal. O enfermeiro, ao conduzir palestras, rodas de conversa e atendimentos individuais, contribui para a construção do conhecimento materno acerca dos benefícios do aleitamento e da técnica correta de amamentar. Como afirmam Costa e Ribeiro (2022), a educação pré-natal reduz dúvidas, fortalece o vínculo mãe-profissional e prepara a gestante para lidar com os desafios iniciais. Assim, a educação em saúde é uma ferramenta indispensável no fortalecimento do AME.
Além das ações educativas em grupo, o atendimento individualizado possibilita ao enfermeiro identificar dúvidas específicas, crenças culturais e fatores emocionais que possam interferir na prática da amamentação. A abordagem personalizada torna o processo mais eficaz, sobretudo para gestantes de primeira viagem ou em vulnerabilidade social. Segundo Oliveira e Santos (2021), o atendimento individual favorece uma comunicação mais clara e acolhedora, contribuindo para a segurança emocional da gestante.
Outra estratégia importante é a realização de oficinas práticas, nas quais o enfermeiro demonstra, por meio de recursos didáticos e modelos anatômicos, as técnicas de pega correta, posições de amamentação e sinais de sucção eficiente. Tais oficinas possibilitam que gestantes e puérperas visualizem e pratiquem movimentos essenciais para o sucesso do AME. Machado, Lima e Oliveira (2021).
No pós-parto imediato, a estratégia mais recomendada pelas diretrizes nacionais e internacionais é a implementação da “Hora de Ouro”, momento que se caracteriza pelo contato pele a pele entre mãe e bebê e pela primeira mamada na primeira hora de vida. Estudos demonstram que esse contato precoce estimula a produção hormonal materna, favorece a descida do leite e aumenta significativamente as chances de manutenção do AME. Ferreira, Costa e Nascimento (2023) afirmam que mães que vivenciam a “Hora de Ouro” apresentam maior confiança na capacidade de amamentar e menor incidência de dificuldades técnicas.
O uso de materiais educativos, como cartilhas, vídeos, infográficos e aplicativos mobile, também contribui para a promoção do AME, especialmente em cenários onde o acesso à informação é limitado. A tecnologia permite que o conhecimento seja compartilhado de forma simples, acessível e contínua. Araújo et al. (2024) enfatizam que recursos visuais e interativos ampliam o entendimento das orientações e auxiliam mães com baixa escolaridade ou pouca familiaridade com termos técnicos.
Outra estratégia relevante é o fortalecimento dos grupos de apoio ao aleitamento materno. Esses espaços, geralmente conduzidos por enfermeiros, possibilitam a troca de experiências entre mães, o compartilhamento de vivências e o acolhimento das dificuldades enfrentadas no processo de amamentação. Segundo Oliveira e Santos (2021), os grupos de apoio são ambientes terapêuticos que auxiliam na superação de medos, inseguranças e tabus.
O envolvimento da família, especialmente do parceiro, constitui estratégia de grande impacto sobre a adesão ao AME. A literatura mostra que mães que recebem apoio emocional e prático dentro do núcleo familiar apresentam maior persistência na amamentação. Para Silva e Cardoso (2022), quando o parceiro compreende as demandas da amamentação, torna-se aliado fundamental no cuidado materno-infantil.
A capacitação contínua dos profissionais de enfermagem também se destaca como estratégia indispensável. A atualização constante permite que o enfermeiro conheça novas diretrizes, técnicas de manejo e recomendações oficiais. Araújo et al. (2024) destacam que a formação inadequada ainda é uma das principais barreiras na promoção do AME, reforçando a necessidade de cursos, workshops e treinamentos voltados à amamentação.
A articulação com programas e políticas públicas ampliam ainda mais o alcance das ações de promoção do AME. A participação do enfermeiro em campanhas como a Semana Mundial da Amamentação e em iniciativas governamentais fortalece a cultura da amamentação e amplia a visibilidade do tema na sociedade. A atuação comunitária, por meio de palestras em escolas, igrejas ou espaços sociais, reforça o papel educativo do enfermeiro e contribui para a formação de redes de apoio que sustentam a prática do AME.
3.3 DESAFIOS NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
Embora o enfermeiro desempenhe papel fundamental na promoção do aleitamento materno exclusivo (AME), diversos desafios estruturais, institucionais, culturais e emocionais dificultam a efetivação de suas ações. Esses obstáculos interferem diretamente na qualidade do cuidado prestado e, consequentemente, nas taxas de adesão ao AME. Assim, compreender tais desafios é essencial para fortalecer políticas públicas, práticas clínicas e estratégias educativas que sustentem a continuidade do aleitamento.
Um dos principais desafios enfrentados pelos enfermeiros refere-se à sobrecarga de trabalho nos serviços de saúde. Muitas unidades básicas e maternidades apresentam número reduzido de profissionais, o que compromete o tempo destinado ao atendimento humanizado. De acordo com Santos, Medeiros e Braga (2023), a demanda elevada dificulta a realização de orientações individualizadas e acolhedoras. Para esses autores, “a falta de tempo e a carga excessiva de atividades rotineiras impactam negativamente o suporte oferecido às puérperas”.
Além da sobrecarga, a falta de estrutura física adequada representa outro obstáculo importante. A ausência de salas de amamentação, espaços privativos ou materiais didáticos limita o desenvolvimento de ações educativas. (Ferreira, Costa e Nascimento, 2023).
A formação acadêmica insuficiente também aparece na literatura como um dos principais desafios. Apesar de a amamentação ser tema recorrente nas diretrizes nacionais, ainda há lacunas no ensino prático oferecido aos estudantes de enfermagem. Araújo et al. (2024) destacam que muitos profissionais se sentem inseguros para manejar questões complexas, como dificuldades de pega, ingurgitamento, mastite ou re-lactação. Dessa forma, a ausência de capacitação continuada limita a autonomia e a resolutividade da assistência.
Outro obstáculo significativo é a influência da indústria de fórmulas infantis, que frequentemente promove produtos como equivalentes ao leite materno. Essa estratégia, embora regulamentada, ainda alcança muitas gestantes e puérperas, gerando dúvidas e inseguranças. (Brasil, 2023).
Crenças culturais, mitos e desinformações também representam um desafio para os enfermeiros. Em muitas regiões, persiste o mito do leite “fraco”, da necessidade de complementar com chás ou fórmulas, ou da crença de que amamentar “estraga” o corpo da mulher. Silva e Cardoso (2022) afirmam que tais crenças, quando não desconstruídas, comprometem a confiança materna e reduzem a duração do AME. O enfrentamento desses mitos exige paciência, conhecimento e habilidades de comunicação sensível.
A resistência familiar constitui mais um desafio. Em alguns contextos, avós ou outros cuidadores influenciam as práticas maternas com orientações antigas, que muitas vezes contrariam as recomendações atuais. Para Oliveira e Santos (2021), é fundamental incluir a família nas ações educativas, pois o apoio familiar tem forte impacto sobre a decisão materna de manter a amamentação.
A instabilidade das equipes de saúde, marcada por rotatividade profissional e vínculos trabalhistas precários, também afeta diretamente o acompanhamento longitudinal das famílias. Quando há troca constante de profissionais, o vínculo entre enfermeiro e puérpera é fragilizado. De acordo com Machado, Lima e Oliveira (2021), a continuidade do cuidado é fundamental para o sucesso do AME, sobretudo em comunidades vulneráveis.
Outro desafio diz respeito às barreiras emocionais enfrentadas pelas puérperas, como ansiedade, medo, insegurança ou depressão pós-parto. Identificar tais fatores requer sensibilidade e preparo emocional por parte do enfermeiro. Santos, Medeiros e Braga (2023) afirmam que o profissional precisa ser capaz de acolher sentimentos e orientar sem julgamentos, mas muitas vezes faltam condições institucionais para esse tipo de escuta qualificada.
Além das barreiras emocionais, o enfermeiro enfrenta desafios relacionados ao atendimento de mulheres em situações de vulnerabilidade social, como pobreza, violência doméstica ou baixa escolaridade. Essas condições podem dificultar o estabelecimento do AME, exigindo do profissional competências ampliadas. Rodrigues e Farias (2022) ressaltam que a promoção da amamentação deve considerar o contexto social, respeitando as particularidades de cada família.
As limitações no acesso às unidades de saúde, principalmente em áreas rurais e comunidades ribeirinhas, também dificultam a promoção do AME. Nessas localidades, o enfermeiro depende de condições logísticas adequadas e, muitas vezes, enfrenta dificuldades de deslocamento, falta de transporte e escassez de recursos materiais. Segundo Costa e Ribeiro (2022), a distância geográfica intensifica desigualdades no cuidado e exige estratégias diferenciadas de acompanhamento.
Por fim, destaca-se que muitos enfermeiros vivenciam sentimentos de frustração ou impotência diante das limitações institucionais e sociais que dificultam o apoio efetivo ao AME. A ausência de políticas de valorização profissional e o reconhecimento insuficiente do trabalho de enfermagem agravam esse cenário. Para Ferreira et al. (2023), garantir condições dignas de trabalho é essencial para fortalecer a atuação do enfermeiro e ampliar suas possibilidades de intervenção no aleitamento.
Diante desses desafios, torna-se evidente que a promoção do AME exige não apenas conhecimento técnico, mas também suporte institucional, educação permanente, políticas públicas bem estruturadas e articulação com a comunidade. Fortalecer o papel do enfermeiro significa fortalecer a própria prática do aleitamento materno exclusivo, contribuindo para melhorias significativas na saúde materno-infantil.
4 CONCLUSÃO
A promoção do aleitamento materno exclusivo constitui uma das mais importantes práticas de saúde pública voltadas para a proteção, nutrição e desenvolvimento integral da criança. Nesse cenário, a atuação do enfermeiro desempenha papel decisivo para assegurar que mães e famílias recebam o apoio necessário durante o ciclo gravídico-puerperal. Ao longo deste estudo, foi possível evidenciar que o enfermeiro exerce funções educativas, assistenciais, preventivas e acolhedoras que influenciam profundamente a adesão ao AME.
A assistência prestada pela enfermagem contribui para que a puérpera desenvolva autonomia e autoconfiança no processo de amamentar. O vínculo criado entre enfermeiro e mãe, baseado na escuta qualificada, no acolhimento e na orientação técnica, torna-se fundamental para superar inseguranças que frequentemente surgem nos primeiros dias pósparto. Esse vínculo favorece também uma relação mais humanizada e respeitosa, aspectos essenciais para a continuidade da amamentação.
Os resultados discutidos demonstram que a atuação do enfermeiro não se limita ao momento do parto, estendendo-se desde o pré-natal, quando são abordados os benefícios do AME, até o puerpério, momento em que as dificuldades mais comuns se fazem presentes. Ao trabalhar de forma antecipatória, o enfermeiro contribui para que a gestante esteja mais bem preparada para enfrentar os desafios iniciais da amamentação.
Durante o pós-parto, a assistência de enfermagem se revela ainda mais importante, considerando que muitas mães vivenciam desconfortos, dúvidas e inseguranças que, se não forem devidamente orientadas, podem resultar no desmame precoce. Nesse sentido, a presença constante do enfermeiro, oferecendo suporte técnico e emocional, torna-se determinante para o sucesso do AME.
Outro aspecto relevante é a atuação do enfermeiro em diferentes ambientes de cuidado, como maternidades, unidades básicas de saúde e visitas domiciliares. A presença desse profissional em múltiplos cenários possibilita a criação de estratégias individualizadas e contextualizadas, ampliando o alcance das ações de promoção do aleitamento materno.
As ações educativas constituem pilares fundamentais para fortalecer o AME. Quando o enfermeiro utiliza linguagens acessíveis, demonstrações práticas e abordagens sensíveis à realidade de cada família, o impacto dessas orientações se torna muito mais efetivo. A informação correta e contínua oferecida às mães tem o potencial de transformar comportamentos e desmistificar crenças que comprometem a amamentação.
Além do suporte direto às mães, o enfermeiro também desempenha papel importante na articulação com a equipe multiprofissional. Essa articulação assegura que as diversas áreas envolvidas no cuidado atuem de forma integrada, promovendo atendimentos alinhados e coerentes com as melhores práticas de promoção do AME.
Apesar dos avanços, foi possível identificar que diversos desafios ainda dificultam a atuação plena da enfermagem. Entre eles estão a sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos materiais, a falta de capacitação contínua e barreiras culturais que persistem na sociedade. Essas limitações exigem reflexões profundas sobre as condições de trabalho e a valorização da categoria profissional.
A superação desses desafios passa necessariamente pela implementação de políticas públicas que garantam melhores condições de assistência e ampliem o acesso das mulheres ao apoio qualificado dos profissionais de enfermagem. Investimentos em educação permanente, melhorias estruturais e fortalecimento das equipes constituem caminhos essenciais para otimizar o cuidado prestado às famílias.
É necessário reconhecer que a promoção do aleitamento materno não é responsabilidade exclusiva da mãe. Trata-se de uma ação que depende do envolvimento da família, da comunidade, dos serviços de saúde e do poder público. Assim, o enfermeiro atua como ponte entre esses diferentes atores, articulando conhecimentos, práticas e estratégias que fortalecem o AME.
Outro ponto relevante é o papel do enfermeiro como defensor dos direitos maternos e infantis. Ao garantir que a mãe tenha acesso a informações, acolhimento e atendimento humanizado, o enfermeiro contribui para a efetivação de direitos relacionados à saúde, à alimentação e ao desenvolvimento integral da criança.
As reflexões produzidas neste estudo apontam que, para que o AME seja fortalecido, é imprescindível ampliar as ações educativas e os programas de incentivo conduzidos pela enfermagem. O empoderamento das mulheres por meio da informação correta e do suporte emocional adequado tem se revelado um caminho eficaz para prolongar a amamentação.
A atuação da enfermagem também precisa ser compreendida como uma prática social que vai além do ambiente hospitalar. A proximidade desse profissional com as comunidades permite identificar vulnerabilidades e adaptar o cuidado às especificidades culturais, sociais e econômicas de cada população atendida.
Dessa forma, a promoção do aleitamento materno exclusivo depende de esforços contínuos, formação adequada, condições de trabalho dignas e políticas públicas efetivas. O enfermeiro, enquanto protagonista nesse processo, necessita ser valorizado e reconhecido pela relevância de suas ações no âmbito da saúde materno-infantil.
Por fim, conclui-se que a assistência de enfermagem representa um dos elementos mais importantes para garantir a prática do AME. Seu papel envolve cuidado técnico, sensibilidade humana e compromisso ético, constituindo um alicerce indispensável para a saúde de mães e bebês. O fortalecimento dessa atuação representa, portanto, um investimento direto na promoção do bem-estar, da qualidade de vida e do desenvolvimento saudável da primeira infância.
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1 Discente do Curso Superior de ENFERMAGEM do Instituto UNIPLAN Campus BRAGANÇA/PA. e-mail: vilmabaldez7@gmail.com
2 Discente do Curso Superior de ENFERMAGEM do Instituto UNIPLAN Campus BRAGANÇA/PA. e-mail: brenda1999farias@gmail.com
3 Discente do Curso Superior de ENFERMAGEM do Instituto UNIPLAN Campus BRAGANÇA/PA. e-mail: dinabrito739@gmail.com
4 Discente do Curso Superior de ENFERMAGEM do Instituto UNIPLAN Campus BRAGANÇA/PA. e-mail: ericapantojadeassis@gmail.com
5 Discente do Curso Superior de ENFERMAGEM do Instituto UNIPLAN Campus BRAGANÇA/PA. e-mail: vivianmescouto02@mail.com
6 Docente do Curso Superior de ENFERMAGEM do Instituto UNIPLAN Campus BRAGANÇA/PA. e-mail: jamillymiranda854@gmail.com
