MORTALIDADE POR SEPTICEMIA EM SÃO PAULO: ANÁLISE POPULACIONAL SEGUNDO IDADE, SEXO E RAÇA/COR (2011-2021)

SEPTICEMIA-RELATED MORTALITY IN SÃO PAULO: A POPULATION-BASED ANALYSIS BY AGE, SEX, AND RACE/COLOR (2011-2021)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601151503


Ana Flávia Nunes de Siqueira Arouca
Vitor Henrique Nunes de Siqueira Arouca


Resumo

Este estudo teve como objetivo analisar a tendência da mortalidade por septicemia no município de São Paulo, Brasil, entre 2011 e 2021, segundo faixa etária, sexo e raça/cor.

Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, de base populacional, realizado a partir de dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponibilizados pelo DATASUS.

Foram incluídos todos os óbitos registrados no município de São Paulo (código 355030), classificados segundo a CID-10 como septicemia, no período analisado. As variáveis estudadas compreenderam o ano do óbito, sexo, raça/cor e duas classificações de faixa etária. Os dados foram analisados de forma descritiva, por meio de frequências absolutas, permitindo a identificação de padrões temporais e diferenças entre os grupos populacionais. No período de 2011 a 2021, foram registrados 65.411 óbitos por septicemia. Observou-se maior concentração de óbitos em indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos, especialmente na faixa etária de 80 anos ou mais. Houve predominância do sexo masculino e maior número de óbitos entre indivíduos autodeclarados brancos, embora uma parcela significativa dos registros apresentasse ausência de informação quanto à raça/cor. Os resultados evidenciam a relevância da septicemia como causa de mortalidade, especialmente entre idosos, destacando a necessidade de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado dessa condição no contexto da saúde pública.

Palavras-chave: Septicemia. Mortalidade. Epidemiologia. Sistema Único de Saúde. Saúde pública.

INTRODUÇÃO

A septicemia constitui uma condição clínica grave, caracterizada por resposta inflamatória sistêmica desencadeada por infecção, estando associada a elevada morbimortalidade em todo o mundo. Trata-se de importante problema de saúde pública, especialmente em populações envelhecidas e em contextos de maior vulnerabilidade social.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a septicemia permanece como uma das principais causas de óbito hospitalar, sendo frequentemente relacionada a atraso no reconhecimento clínico, presença de comorbidades e limitações no acesso aos serviços de saúde. No Brasil, a carga da septicemia é significativa, com impacto direto nos indicadores de mortalidade e nos custos do sistema de saúde.

O município de São Paulo, por sua elevada densidade populacional e complexidade da rede assistencial, apresenta cenário relevante para análise epidemiológica dessa condição.

A compreensão do perfil dos óbitos por septicemia, segundo características demográficas, contribui para o planejamento de ações de prevenção e qualificação da assistência.

Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a tendência da mortalidade por septicemia no município de São Paulo, entre 2011 e 2021, considerando a distribuição por faixa etária, sexo e raça/cor.

1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

A septicemia representa uma das principais causas de internação e óbito em unidades hospitalares, especialmente em unidades de terapia intensiva. A literatura evidencia que o risco de morte por septicemia aumenta progressivamente com a idade, em razão do declínio da resposta imunológica, da maior prevalência de doenças crônicas e da exposição frequente a procedimentos invasivos.

Estudos epidemiológicos demonstram diferenças na mortalidade por septicemia entre os sexos, com maior ocorrência entre homens, possivelmente relacionada a fatores biológicos, comportamentais e de acesso aos serviços de saúde. Além disso, desigualdades raciais e socioeconômicas também influenciam os desfechos clínicos, refletindo disparidades estruturais no sistema de saúde.

No Brasil, análises baseadas em dados do DATASUS têm sido amplamente utilizadas para caracterizar o perfil da septicemia, embora limitações relacionadas à subnotificação e à incompletude de algumas variáveis, como raça/cor, ainda persistam.

METODOLOGIA 

Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo, de base populacional. Foram utilizados dados secundários de mortalidade provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponibilizados pelo DATASUS.

Foram incluídos todos os óbitos registrados no município de São Paulo (código municipal 355030) entre 2011 e 2021, classificados segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) como septicemia.

As variáveis analisadas foram: ano do óbito, sexo, raça/cor e duas classificações de faixa etária (Faixa Etária 1 e Faixa Etária 2), conforme disponibilizadas pelo sistema. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e analisados por meio de estatística descritiva, com apresentação de frequências absolutas.

Por se tratar de estudo com dados de domínio público, sem identificação individual, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

No período de 2011 a 2021, foram registrados 65.411 óbitos por septicemia no município de São Paulo. A análise por faixa etária evidenciou aumento expressivo da mortalidade com o avanço da idade, concentrando-se principalmente em indivíduos com 60 anos ou mais. A faixa etária de 80 anos e mais apresentou o maior número absoluto de óbitos, totalizando 17.966 registros no período.

Em relação ao sexo, observou-se predominância de óbitos no sexo masculino, com 34.313 registros, em comparação a 31.098 óbitos no sexo feminino. Essa diferença manteve-se relativamente constante ao longo dos anos analisados, corroborando achados de estudos prévios que apontam maior vulnerabilidade masculina à septicemia.

Quanto à raça/cor, a maior proporção de óbitos ocorreu entre indivíduos autodeclarados brancos (28.817), seguidos por pardos (14.166) e pretos (3.665).

Destaca-se, entretanto, o elevado número de registros classificados como “sem informação” (18.337), o que limita análises mais aprofundadas sobre desigualdades raciais e evidencia fragilidades no preenchimento dos sistemas de informação.

Observou-se variação anual no número de óbitos, com tendência de aumento gradual até 2019, seguida de redução em 2020 e 2021, possivelmente influenciada por mudanças no perfil de internações e no registro de causas de óbito durante a pandemia de COVID-19.

2 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A mortalidade por septicemia no município de São Paulo apresentou elevada magnitude no período de 2011 a 2021, com maior concentração de óbitos entre idosos, predominância no sexo masculino e maior frequência entre indivíduos autodeclarados brancos. Os achados reforçam a septicemia como importante problema de saúde pública, especialmente em populações envelhecidas.

A elevada proporção de registros sem informação sobre raça/cor evidencia a necessidade de aprimoramento da qualidade dos dados. Estratégias voltadas ao diagnóstico precoce, à qualificação da assistência hospitalar e à vigilância epidemiológica são fundamentais para a redução da mortalidade por septicemia.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). DATASUS. Disponível em: https://datasus.saude.gov.bra. Acesso em: 2025.

RHEE, C.; DANTES, R.; EPSTEIN, L. et al. Incidence and trends of sepsis in US hospitals using clinical vs claims data, 2009-2014. JAMA, V. 318, n. 13, p. 1241-1249, 2017.

VINCENT, J. L.; MARSHALL, J. C.; NAMENDYS-SILVA, S. A. et al. Assessment of the worldwide burden of critical illness: the intensive care over nations (ICON) audit. The Lancet Respiratory Medicine, v. 2, n. 5, р. 380-386, 2014.

WESTPHAL, G. A.; PEREIRA, A. B.; FACCHINI, M. et al. Characteristics and outcomes of patients with severe sepsis and septic shock in Brazilian intensive care units. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 24, n. 2, p. 115-122, 2012.