APLICATIVOS MÓVEIS COMO FERRAMENTAS PARA A CONECTIVIDADE E INOVAÇÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

MOBILE APPS AS TOOLS FOR CONNECTIVITY AND INNOVATION IN UNIVERSITY LIBRARIES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601131257


Elane Paixão da Silva1
Vera Lúcia Ferreira Muniz2
Tatiana Simplício da Silva3


Resumo: A pesquisa analisa o uso de aplicativos móveis como estratégia de inovação em bibliotecas universitárias, destaca seu papel na ampliação do acesso à informação, na melhoria da experiência do usuário e no fortalecimento da presença digital dessas instituições. Baseia-se em revisão bibliográfica e análise documental, fundamentada em conceitos como experiência do usuário e design centrado no usuário. Os resultados evidenciam que tais aplicativos oferecem funcionalidades como consulta de acervo, renovação de empréstimos, atendimento remoto, promovendo maior autonomia aos usuários. Conclui-se que esses recursos representam avanços estratégicos na modernização das bibliotecas digitais, com oferta de serviços mais eficazes e personalizados.

Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Aplicativos móveis.  Inovação. Experiência do usuário. Acesso à informação.

Abstract: The research analyzes the use of mobile applications as an innovation strategy in university libraries, highlighting their role in expanding access to information, improving the user experience and strengthening the digital presence of these institutions. It is based on a bibliographic review and document analysis, grounded in concepts such as user experience and user-centered design. The results show that such applications offer features such as collection consultation, loan renewal, and remote service, promoting greater autonomy for users. It is concluded that these resources represent strategic advances in the modernization of digital libraries, offering more effective and personalized services.

Keywords: University libraries. Mobile applications. Innovation. User experience. Access to information.

1. INTRODUÇÃO

A popularização de tecnologias móveis transformou a forma de acesso à informação, impulsionando bibliotecas universitárias a adotar soluções digitais ágeis. Nesse cenário, os aplicativos tornaram-se estratégicos, permitindo acesso remoto ao acervo e integração à rotina acadêmica.  Ribeiro e Ferreira (2017) destacam que essas tecnologias ampliam as formas de busca em dispositivos próprios, enquanto Pires e Prado (2017) ressaltam seu papel na disseminação do conhecimento. Assim, este estudo analisa como aplicativos móveis personalizados podem aprimorar a experiência do usuário, unindo usabilidade, personalização e integração institucional. Além disso, conforme Neves, Pinto e Spudeit (2021), configuram-se também como estratégias de marketing informacional.

Nessa perspectiva, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a implementação de aplicativos móveis como estratégia de inovação nas bibliotecas universitárias, com ênfase na ampliação do acesso à informação, na melhoria da experiência do usuário e no fortalecimento da presença digital dessas unidades. Os  objetivos específicos incluem: analisar o conceito e as potencialidades dos aplicativos móveis em dispositivos portáteis no acesso e disseminação da informação no contexto atual; avaliar a contribuição dos aplicativos móveis para a experiência do usuário, considerando critérios como usabilidade, acessibilidade e personalização dos serviços; investigar casos de implementação bem-sucedida de aplicativos móveis em bibliotecas universitárias nacionais e internacionais, identificando melhores práticas e lições aprendidas.

Desse modo, a relevância da pesquisa reside na necessidade de compreender os impactos da adoção de aplicativos móveis nos serviços das bibliotecas universitárias, sobretudo em um cenário de transformação digital que redefine as formas de acesso e interação com a informação. Assim, ao propor uma análise voltada à experiência do usuário, o estudo contribui tanto para a ampliação do debate científico na Biblioteconomia e Ciência da Informação quanto para a prática profissional, oferecendo subsídios que auxiliem gestores e bibliotecários na implementação de estratégias inovadoras. Por fim, ao dialogar com lacunas ainda pouco exploradas na literatura nacional, a pesquisa reforça sua pertinência acadêmica e prática evidenciando o potencial dos aplicativos móveis  para fortalecer a função social e educacional das bibliotecas no ensino superior. 

2. METODOLOGIA

O artigo está estruturado em três capítulos: referencial teórico, metodologia e apresentação dos resultados com recomendações práticas para bibliotecas universitárias. Adota uma abordagem qualitativa e exploratória, voltada a explorar um tema que demanda uma compreensão complexa e detalhada, conforme sustentam Creswell (2014, p.47) e Mattar e Ramos (2021, p. 119).

Apresenta, por conseguinte, um caráter descritivo, cuja função é explicar as características de um fenômeno ou de uma população, estabelecendo relações entre as variáveis (Michel, 2009). A escolha da abordagem qualitativa justifica-se pela capacidade de proporcionar uma análise mais aprofundada e interpretativa do fenômeno investigado, considerando as múltiplas dimensões sociais, tecnológicas e informacionais envolvidas.

O levantamento bibliográfico constituiu o principal procedimento técnico na construção do referencial teórico. Com o intuito de compreender como os aplicativos móveis personalizados podem contribuir para a melhoria da experiência dos usuários em bibliotecas universitárias foram analisados: artigos científicos, dissertações, teses, livros e documentos institucionais publicados nas áreas de Biblioteconomia, Ciência da Informação, Tecnologia Educacional e Marketing Informacional. As bases de dados utilizadas incluíram Scielo e Google Acadêmico.

Ademais, foram consultados exemplos práticos de bibliotecas universitárias que já utilizam aplicativos móveis, tanto em instituições nacionais quanto internacionais, as quais corroboram a relevância das soluções móveis com vistas à ampliação do acesso à informação e otimização da interação com o usuário. Essas experiências foram reunidas e sistematizadas em um quadro comparativo, apresentado na seção 3.4, de modo a identificar funcionalidades recorrentes, estratégias de implementação e impactos percebidos na relação entre biblioteca e usuário.

A estrutura do trabalho está organizada em capítulos que contemplam: introdução, metodologia, fundamentação teórica e apresentação de casos práticos e, por fim, considerações finais e recomendações. Ressalta-se que essa estrutura buscou garantir uma abordagem sistemática e alinhada aos objetivos da  pesquisa.

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 Aplicativos móveis: conceito e potencial de aplicação

Na contemporaneidade, a sociedade global realiza a maior parte de suas interações, sejam profissionais, familiares, de lazer ou outras, por meio de ambientes virtuais, uma realidade cada vez mais presente e em constante expansão. Ao refletir sobre a conexão virtual, é inevitável não associá-la à comunicação e às diversas formas pelas quais ela ocorre, como e-mails, redes sociais, chats, entre outras.

Salienta-se que as tecnologias móveis avançaram graças à portabilidade, conectividade constante e variedade de aplicativos. Esses “apps”, pequenos softwares disponíveis em lojas virtuais, ampliam as funcionalidades dos dispositivos e contribuem para fortalecer vínculos pessoais e profissionais, permitindo a realização de diversas atividades (Silva, 2018).

Nesse cenário, é inegável que dispositivos móveis, ou handhelds, consolidaram-se no cotidiano, oferecendo aos bibliotecários aprimoramento de atividades profissionais (Teruel, 2010). Os aplicativos móveis, ao agilizar o acesso à informação, alinham-se ao objetivo central das bibliotecas: a disseminação do conhecimento. Assim, a biblioteca reforça sua função social, contribuindo para o desenvolvimento comunitário e a geração de conhecimento, indo além da simples disponibilização de informação (Pires; Prado, 2017). 

Nessa perspectiva, destaca-se que a biblioteca é um organismo vivo, em constante transformação. Por isso, deve acompanhar as mudanças que se impõem à sociedade, promovendo melhorias contínuas em seus produtos e serviços, além de fortalecer o vínculo com os usuários — sua razão de existir. Assim, com base na compreensão da biblioteca como um organismo vivo, em constante adaptação às transformações sociais e tecnológicas, torna-se essencial refletir sobre o papel das bibliotecas universitárias na era digital.

3.2 Bibliotecas universitárias na era digital 

Com o avanço constante das tecnologias, surgem expectativas sobre suas aplicações, benefícios e impactos, exigindo das instituições adaptação para manter o desenvolvimento e a competitividade. Nesse contexto, as bibliotecas universitárias buscam se tornar mais atrativas e essenciais, incorporando recursos tecnológicos para ampliar a qualidade e o alcance de seus serviços. Mais do que centros de acesso a acervos físicos, reinventam-se como espaços interativos, dinâmicos e integrados às novas demandas informacionais da sociedade.

Ademais, o acesso à informação é fundamental na vida em sociedade, e a habilidade de interpretá-la tornou-se uma competência crucial. Nas bibliotecas universitárias, esse papel ganha destaque, pois atuam como centros de gestão do conhecimento, contribuindo estrategicamente para o desenvolvimento acadêmico, científico e institucional.

Conforme destacam Pimentel, Bernardes e Santana (2007, p.23) “a biblioteca universitária é como o pilar principal da instituição, pois a sua finalidade é apoiar a realização de pesquisas em consonância com os objetivos programados”. Complementarmente, elas têm como função assegurar esse acesso à comunidade acadêmica, apoiando diretamente a missão institucional das universidades, que envolve a produção do conhecimento e a formação em nível superior.

Frisa-se então que as bibliotecas universitárias devem adotar uma postura proativa, indo além da mediação entre o usuário e o acervo, promovendo a inclusão digital, a formação para o acesso e uso consciente da informação, bem como a orientação na seleção qualificada das fontes. A adoção de tecnologias digitais e a criação de serviços inovadores expandem a atuação das bibliotecas universitárias e reforçam seu papel estratégico no apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão. Nesse sentido, Cunha Neto et al (2025) destacam a oportunidade para bibliotecas universitárias explorarem e ampliarem serviços via aplicativos móveis, aproveitando a onipresença dos dispositivos e as necessidades do usuário contemporâneo.

Desse modo, os aplicativos móveis criados pelas bibliotecas universitárias têm contribuído significativamente para superar as barreiras físicas que antes limitavam o acesso dos usuários, permitindo acesso prático e interativo a todos os serviços da biblioteca e ampliando a atuação dos bibliotecários (Silva, 2018).

Portanto, os aplicativos móveis podem ser vistos como ferramentas importantes que ajudam a conectar os usuários aos serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas universitárias. Reunindo várias funções em um só lugar, facilitando o acesso e aproximando a biblioteca do cotidiano de seus usuários. 

3.3 Inovação e experiência do usuário em ambientes acadêmicos

Em um cenário de incertezas, concorrência e avanços tecnológicos, a inovação é uma necessidade estratégica para as organizações. Nas bibliotecas, essa realidade é intensa: para manter sua relevância acadêmica e social, precisam ser inovadoras e proativas, repensando serviços, modernizando a gestão de recursos, incorporando tecnologias e fortalecendo a conexão com usuários. Na perspectiva de Audy (2017), tal adaptação é urgente, visto que as instituições de educação se encontram em uma encruzilhada, onde precisam incorporar a inovação disruptiva ou correm o risco de serem superadas ou desafiadas por novas instituições ou por aquelas que já adotam essas tecnologias.

Isto posto, para atender a essas novas demandas, os aplicativos móveis despontam como ferramentas estratégicas e grandes aliados na promoção do acesso à informação e no fortalecimento da relação entre biblioteca e usuário.

Tal capacidade de conexão, na qual barreiras geográficas são transpassadas, é  inerente aos dispositivos móveis, conforme se observa em Munhoz (2016), ao sustentar que “em todos os ambientes sociais, a utilização de dispositivos móveis pode aproximar as pessoas, ainda que elas estejam geograficamente separadas, e, assim, facilitar o desenvolvimento de trabalhos conjuntos”. Ao trazer a problemática para o contexto das bibliotecas universitárias, é possível inferir que essa conectividade se manifesta na necessidade de serviços otimizados para o ambiente acadêmico.

A essa discussão, Roldan e Thompson (2013) acrescentam que as bibliotecas universitárias precisam oferecer serviços móveis capazes de atender às demandas de trabalho, estudo e pesquisa dos seus usuários. Para isso, é essencial o desenvolvimento de aplicativos nativos que aproveitem os recursos específicos dos dispositivos móveis, tornando os serviços mais acessíveis, práticos e úteis no cotidiano acadêmico.

Esses aplicativos são desenvolvidos com foco nas reais necessidades dos usuários, priorizando mobilidade, agilidade e comodidade. Oferecem funcionalidades como consulta ao acervo, renovação, reserva, notificações e acesso a conteúdos digitais. Tudo disponível a qualquer hora e lugar, promovendo uma experiência mais fluida e responsiva.

Para o sucesso do projeto, Roldan e Thompson (2013) sugerem nove itens essenciais: que a coordenação do projeto seja da biblioteca, priorizando as necessidades dos usuários; a identificação dos dispositivos e sistemas operacionais mais usados pelo público-alvo para garantir compatibilidade; a definição clara dos recursos e funcionalidades que o aplicativo deve oferecer, explorando capacidades específicas dos dispositivos (como câmera ou GPS); a possibilidade de integração com outros aplicativos gratuitos; a pesquisa de soluções similares já existentes; o uso de um Kit de Desenvolvimento (SDK), preferencialmente do fabricante do dispositivo; a otimização para telas pequenas, evitando rolagem excessiva; e, por fim, um design minimalista e focado na usabilidade, com interfaces limpas e acesso rápido às funcionalidades.

3.4 Exemplos práticos de aplicativos móveis utilizados em Bibliotecas Universitárias 

A adoção de tecnologias móveis em bibliotecas universitárias tem se confirmado como estratégia para modernizar serviços, otimizar processos e melhorar a conexão com o usuário e ainda fortalecer o marketing. O quadro 1exemplifica bibliotecas acadêmicas nacionais e internacionais que utilizam aplicativos, destacando suas funcionalidades e contribuições para a inovação. 

Quadro 1 – Recursos Tecnológicos em Bibliotecas.

BibliotecaPrincipais funcionalidadesDisponibilizado
Biblioteca universitária da USP​Reservar itens emprestados; Renovar itens emprestados; Visualizar Lista de empréstimos ativos; Visualizar Histórico de empréstimos; Visualizar e gerenciar a Lista de reservas; Visualizar mensagens enviadas pela biblioteca.Aplicativo Móvel Bibliotecas USP – Biblioteca da Prefeitura do Campus
Biblioteca central Zila da Universidade Federal do Rio Grande do NorteA instituição disponibiliza um aplicativo que apresenta dois acessos diretos: um para o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), o qual reúne serviços acadêmicos e administrativos, e outro para os repositórios institucionais, por meio do ícone “Bibliotecas UFRN”Bibliotecas UFRN
Biblioteca da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP )De acordo com Santana e Franco (2015) o  aplicativo da Biblioteca da EEFE-USP reúne diversas funcionalidades voltadas à comodidade do usuário, como o acesso às redes sociais da biblioteca, informações detalhadas sobre os serviços oferecidos, mapa de localização, galeria de fotografias e integração com o recurso RSS para agregação de conteúdo.Aplicativo para dispositivos móveis: relato de experiência da biblioteca da escola de educação física e esporte da universidade de São Paulo | Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 11, n. esp, 2015 | 2015 – Brapci
Biblioteca da Universidadede Yale (Yale UniversityLibrary)Self-checkout via app (“Yale Library Self-Checkout”) — usa a câmera do celular para escanear códigos de barras e realizar empréstimos diretamente no campus. Disponível para iOS e Android; requer login com NetID e autenticação multifator library.medicine.yale.edu+3Aplicativo de autoatendimento | Biblioteca de Yale
Iowa State University Library (EUA)Acesso a periódicos acadêmicos via app “BrowZine”: permite navegação por editores, notificações de novos números, prateleira virtual personalizada e integração com serviços como Zotero, Evernote e MendeleyLibrary offers mobile journal access • Inside Iowa State for faculty and staff • Iowa State University
Hong Kong Polytechnic University LibraryO app da biblioteca “PolyU” permite:Navegação interna com realidade aumentada; visualização em tempo real da disponibilidade de espaços e equipamentos; reservas e check-in/out de salas; acesso a registros de empréstimos e alertas personalizados; guia de áudio com experiências estudantis.https://www.lib.polyu.edu.hk/app

Fonte: organizado pelas autoras.

Descrição:  apresenta recursos tecnológicos adotados por bibliotecas universitárias no Brasil e no exterior. Destaca, para cada instituição, as principais funcionalidades oferecidas por seus aplicativos móveis, como renovação e reserva de itens, integração com sistemas acadêmicos, autoatendimento, acesso a periódicos, e recursos interativos como realidade aumentada e guias personalizados.

Com base nesse quadro comparativo as Bibliotecas universitárias, tanto no Brasil quanto no exterior, vêm adotando aplicativos móveis com diferentes enfoques, que variam da oferta de serviços tradicionais à implementação de estratégias voltadas ao engajamento digital e à integração com o ambiente acadêmico. Alguns eixos de análise estão elencados no quadro 2:

Quadro 2 – Desafios na adoção de aplicativos móveis por bibliotecas universitárias

Eixos de análiseDestaques e desafios
Funcionalidades técnicas e operacionaisPrioridades variadas
Experiência do usuário e acessibilidadeMaturidade digital divergente
Integração com ambientes acadêmicos digitaisDiferencial estratégico
Amplitude funcional X especialização de serviçosReflexo da estratégia institucional

Fonte: organizado pelas autoras. 

Descrição:  quadro textual  que resume desafios na adoção de aplicativos móveis por bibliotecas universitárias, abordando prioridades funcionais, maturidade digital, integração com sistemas e estratégias institucionais.

Os desafios apresentados no Quadro 2 mostram que a adoção de aplicativos móveis nas bibliotecas universitárias envolve escolhas estratégicas além de questões técnicas. As prioridades funcionais variam conforme a estrutura institucional: bibliotecas maiores tendem a oferecer aplicativos mais robustos, enquanto outras optam por soluções mais simples e diretas. A maturidade digital divergente também se reflete na usabilidade e acessibilidade, impactando a adesão dos usuários. Já a integração com sistemas acadêmicos desponta como fator decisivo, pois amplia a relevância do aplicativo no cotidiano universitário.  Parágrafo inserido

Em síntese, o equilíbrio entre amplitude e especialização de serviços reflete as estratégias institucionais das bibliotecas e influencia a percepção de valor dos usuários. Os aplicativos móveis têm ampliado a autonomia, a praticidade e a integração com plataformas acadêmicas, fortalecendo a gestão e a oferta de serviços. Experiências nacionais e internacionais evidenciam que esses recursos aumentam a visibilidade das bibliotecas, aprimoram a comunicação com o público e se consolidam como aliados da inovação e da missão educacional.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Com base na revisão da literatura e na análise de casos práticos de bibliotecas universitárias que adotam aplicativos móveis, identificaram-se funcionalidades frequentes, estratégias adotadas para sua implementação e os principais impactos na interação entre biblioteca e usuários.

Os resultados apontam que os aplicativos móveis têm sido utilizados como instrumentos de mediação da informação, promovendo uma interação mais dinâmica e personalizada com os usuários. Dentre as funcionalidades mais recorrentes identificadas nos aplicativos analisados, destacam-se: consulta ao acervo (com possibilidade de busca por título, autor ou assunto); renovação e reserva de materiais; acesso a bases de dados e conteúdos digitais; serviços de referência e atendimento por meio de chat ou formulários; envio de notificações sobre prazos, eventos e novidades; além de mapas interativos e orientações para utilização dos espaços físicos da biblioteca.

Quanto aos impactos observados, os relatos das bibliotecas e os dados secundários analisados indicam avanços significativos, como o aumento da autonomia dos usuários no acesso aos serviços; a diminuição da demanda nos balcões de atendimento presencial; o estreitamento da relação entre a biblioteca e a comunidade acadêmica — especialmente entre os estudantes mais familiarizados com o ambiente digital —, além do fortalecimento da imagem da biblioteca como um espaço inovador, responsivo e alinhado às novas exigências informacionais.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa pesquisa buscou investigar como os aplicativos móveis personalizados podem aprimorar a experiência dos usuários em bibliotecas universitárias. O estudo confirmou que essas ferramentas representam um avanço tecnológico e estratégico, modernizando serviços, ampliando o acesso à informação e valorizando a experiência em ambientes acadêmicos.

Foi constatado que os aplicativos móveis oferecem funcionalidades que vão além do acesso ao acervo, integrando notificações, reservas, renovações, acesso a conteúdos digitais, suporte remoto e comunicação personalizada em uma interface única. Isso reflete o novo papel das bibliotecas na era digital: não apenas espaços para armazenamento de conhecimento, mas centros de interação, produção e disseminação da informação.

A fundamentação teórica e os exemplos práticos analisados reforçaram a relevância da integração entre design centrado no usuário, marketing informacional e inovação tecnológica no contexto das bibliotecas universitárias. A literatura consultada também destacou a importância de um planejamento estratégico que considere as reais necessidades dos usuários, e a compatibilidade tecnológica.

Além dessas constatações, algumas recomendações práticas podem apoiar gestores e bibliotecários na implementação ou aprimoramento de aplicativos móveis, tais como: alinhar o aplicativo à infraestrutura tecnológica disponível e aos objetivos institucionais, evitando funcionalidades que não possam ser sustentadas; incorporar recursos de acessibilidade e usabilidade desde o início, garantindo que diferentes perfis de usuários possam usufruir plenamente do serviço, integrar o aplicativo aos sistemas acadêmicos já consolidados (como Moodle ou Canvas), ampliando sua relevância no cotidiano universitário; definir se o aplicativo terá caráter abrangente ou especializado, de acordo com a estratégia institucional e as demandas da comunidade acadêmica. 

Esse estudo exploratório, baseado em revisão bibliográfica e análise documental, não incluiu entrevistas ou estudos de caso aprofundados com usuários ou equipes técnicas, o que limitou a compreensão prática do impacto dos aplicativos. Por isso, para futuras pesquisas, recomendam-se: realizar pesquisas empíricas com usuários para avaliar a eficácia real dos aplicativos; desenvolver projetos piloto em bibliotecas sem essas tecnologias, analisando seus impactos; conduzir investigações comparativas entre aplicativos nacionais e internacionais, focado em usabilidade, acessibilidade e engajamento.

A transformação digital nas bibliotecas universitárias é uma necessidade frente à sociedade conectada. Aplicativos móveis, bem planejados e centrados no usuário, não apenas qualificam os serviços oferecidos, mas reposicionam a biblioteca como agente ativo no ecossistema acadêmico, cultural e social. Por fim, acredita-se que investir nessas soluções representa uma estratégia essencial para assegurar a permanência e relevância institucional em um cenário informacional dinâmico e competitivo.

Referências 

AUDY, Jorge. A inovação, o desenvolvimento e o papel da Universidade. Estudos avançados, v. 31, p. 75-87, maio  2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/rtKFhmw4MF6TPm7wH9HSpFK/?lang=pt. Acesso em: 11 maio 2025.

CRESWELL, John W. Investigação qualitativa e projeto de pesquisa. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2014. E-book. p.47. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788565848893/. Acesso em: 11 jun. 2025.

CUNHA NETO, J. da et al. Aplicativo móvel como ferramenta de integração e promoção de serviços na biblioteca setorial da escola multicampi de ciências médicas do RN. Cenas Educacionais, [S. l.], v. 8, p. e22157, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.15160220. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/cenaseducacionais/article/view/22157. Acesso em: 23 maio 2025.

MATTAR, João; RAMOS, Daniela K. Metodologia da pesquisa em educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas . São Paulo: Almedina Brasil, 2021. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786586618518/. Acesso em: 11 jun. 2025.

MICHEL, Maria Helena. Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais: um guia prático para acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MUNHOZ, Antonio S. Tecnologias educacionais. Rio de Janeiro: Saraiva, 2016. E-book. p.32. ISBN 978-85-472-0095-4. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-472-0095-4/. Acesso em: 23 maio 2025.

NEVES, Bárbara C.; PINTO, Marli Dias de S.; SPUDEIT, Daniela (orgs.). Marketing na Ciência da Informação: método, perspectivas e desafios. Salvador: EDUFBA, 2021.

PIMENTEL, Graça; BERNARDES, Liliane; SANTANA, Marcelo. Biblioteca Escolar. Brasília: Universidade de Brasília, 2007. (Programa Profuncionário, p. 23).

PIRES, Erick A. de N.; PRADO, Jorge M. K. do. Desenvolvimento de aplicativos móveis para bibliotecas a partir de aspectos da arquitetura da informação. 2017. Revista Biblionline, João Pessoa, PB,  v. 13 n. 4, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4775.2017v13n4.36956. Acesso em: 20 maio 2025.

RIBEIRO, Anna Carolina Mendonça Lemos; FERREIRA, Pedro Cavalcanti Gonçalves. Biblioteca do século XXI: desafios e perspectivas. Brasília: Ipea, 2017. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/7426/1/Biblioteca_do_seculo_xxi.pdf. Acesso em: 8 jun.  2025.

ROLDAN, Maritza M.; THOMPSON, Donoval N. Aplicaciones móviles nativas orientadas a servicios y recursos de bibliotecas universitarias. In: CONGRESO EDUTEC, 16.,2013, Costa Rica. Anais […]. Costa Rica: Universidad Estatal a Distancia, 2013. Disponível em: https://studylib.es/doc/6860264/aplicaciones-m%C3%B3viles-nativas-orientadas-a-servicios-y-rec… Acesso em: 7 maio. 2025.

SANTANA, S. A.; FRANCO, M. L. V.; SANTOS, R. P. Aplicativo para dispositivos móveis: relato de experiência da biblioteca da escola de educação física e esporte da universidade de São Paulo. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 11, n. esp., 2015. Disponível em: https://brapci.inf.br/v/2988. Acesso em: 11 jun. 2025.

SILVA, Felipe Ferreira da. A construção de um aplicativo móvel como produto de informação: uma proposta de mediação da informação para Bibliotecas Universitárias. 2018. Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia) – Centro de Ciências Sociais aplicadas, Universidade Federal do Cariri, Juazeiro do Norte, 2018.

TERUEL, Evandro Carlos. Web mobile. São Paulo: Ciência moderna, 2010.


1,2,3Mestra em Administração.