LINFADENOPATIAS CERVICAIS: DIAGNÓSTICO E MANEJO EM PACIENTES COM SINTOMAS OTORRINOLARINGOLÓGICOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601091057


Jhennifer Oliveira Vimercati
Jhonny Custodio Rosa
Larissa Bonfante Caliman
Letícia Alonso
Luiza Almeida Bazeth
Maria Eduarda Batista Matusoch
Maria Nogueira da Costa
Samyra Bertoli Petri
Vitor Paulo Alvarenga Marques


Resumo

Objetivo: Analisar as evidências sobre a linfadenopatia cervical, suas causas, métodos diagnósticos e estratégias de manejo em pacientes com sintomas otorrinolaringológicos, a fim de fornecer uma compreensão crítica da condição e sugerir direções para futuras pesquisas. Metodologia: Estudo de revisão bibliográfica, realizado com a busca em bases de dados como PubMed, Scielo, ScienceDirect e LILACS. Foram utilizados termos como “linfadenopatia”, “linfonodos”, “cervical lymph nodes”, “diagnosis” e “prognosis”, em português e inglês. Após a análise, foram selecionados 13 artigos relevantes, que abordam aspectos fisiopatológicos, marcadores biológicos, estudos epidemiológicos e intervenções terapêuticas. Resultados: A linfadenopatia cervical pode ser causada por diversas condições, incluindo infecções, doenças autoimunes e neoplasias. Exames de imagem, como ultrassonografia com Doppler, tomografia computadorizada e ressonância magnética, são essenciais para diferenciar causas benignas de malignas. A ultrassonografia é o método inicial, enquanto a tomografia e a ressonância são utilizadas para avaliar casos mais complexos e determinar a extensão da linfadenopatia. Exames laboratoriais, como hemograma e velocidade de hemossedimentação, são úteis para indicar processos infecciosos ou inflamatórios. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e a biópsia excisional são fundamentais para a confirmação diagnóstica, especialmente quando há suspeita de malignidade. Considerações finais: A abordagem multidisciplinar, com exames físicos, laboratoriais e de imagem, é essencial para um diagnóstico preciso. O aprimoramento das técnicas diagnósticas e o desenvolvimento de biomarcadores mais sensíveis são cruciais para a diferenciação precoce entre condições benignas e malignas. A padronização de protocolos diagnósticos e terapêuticos baseados em evidências pode aprimorar o manejo clínico e contribuir para melhores resultados no tratamento dos pacientes. 

Palavras-chave: Linfadenopatia cervical; Diagnóstico; Linfonodos; Neoplasias; Exames de imagem. 

Introdução 

A linfadenopatia cervical é uma alteração clínica frequentemente observada em atendimentos médicos, sobretudo em pacientes com queixas  otorrinolaringológicas. Essa condição caracteriza-se pelo aumento anômalo dos linfonodos cervicais, o que pode indicar tanto processos benignos, como infecções transitórias, quanto condições mais sérias, incluindo neoplasias e desordens autoimunes. A análise minuciosa desse quadro é indispensável devido à diversidade de possíveis causas e à similaridade dos sintomas em diferentes doenças (Silva et al., 2020).  

No âmbito otorrinolaringológico, a linfadenopatia cervical pode se manifestar por meio de sinais variados, como dor de garganta, dificuldade para engolir, rouquidão ou dor irradiada para o ouvido. A identificação diagnóstica desses sintomas, pode ser complexa, especialmente em situações em que doenças inflamatórias e malignas coexistem (Pereira e Santos, 2019).  

A abordagem clínica apropriada demanda uma investigação cuidadosa, englobando coleta detalhada da história clínica, exame físico rigoroso e, quando indicado, exames complementares específicos. Medidas de diagnóstico precoce são essenciais para distinguir patologias benignas de condições graves, contribuindo significativamente para um tratamento mais eficaz e um desfecho clínico positivo para o paciente (Oliveira et al., 2021).  

Metodologia   

Para encontrar os estudos mais relevantes sobre linfadenopatia cervical, a busca foi realizada nas seguintes bases de dados: PubMed, Scielo, Science Direct e LILACS. Para a pesquisa, foram utilizados os descritores “linfadenopatia”,  “linfonodos”, “cervical lymph nodes”, “diagnosis”, “prognosis”, assim como suas  combinações, em artigos no idioma português e inglês.  

Foram incluídos nesta revisão artigos que abordavam mecanismos fisiopatológicos, marcadores biológicos, estudos epidemiológicos e intervenções terapêuticas relacionadas ao tema. Além disso, foram considerados critérios de  relevância do conteúdo e qualidade metodológica dos estudos. Após a busca nas bases de dados, foram encontrados um total de 13 artigos relevantes para a montagem desta revisão sobre as linfadenopatias cervicais, seu diagnóstico e o manejo em pacientes com sintomas otorrinolaringológicos.  Critérios rigorosos de inclusão e exclusão foram estabelecidos com base na  pertinência do conteúdo para a temática, abrangendo mecanismos  fisiopatológicos, marcadores biológicos, estudos epidemiológicos e intervenções  terapêuticas. Foram excluídos estudos duplicados, de acesso restrito ou que não  atendiam aos critérios estabelecidos.  

Uma análise crítica dos estudos selecionados foi realizada, identificando lacunas de conhecimento e pontos convergentes e divergentes. A síntese das informações permitiu a elaboração de um resumo dos principais achados, com  destaque para aspectos relevantes no diagnóstico e manejo dos pacientes com  sintomas otorrinolaringológicos. 

Os resultados obtidos foram contextualizados com a literatura existente, promovendo uma discussão sobre as implicações clínicas e epidemiológicas, além  dos mecanismos subjacentes, proporcionando uma visão abrangente da eficácia  do protocolo. Ademais, foram sugeridas direções para futuras pesquisas, visando  aprimorar ainda mais a compreensão e a prática clínica relacionada a este tema  crucial na medicina.  

Discussão

Os linfonodos são constituídos por pequenas estruturas ovais ou reniformes,  podendo medir de 0,1 a 2,5 cm de comprimento. Essas estruturas são divididas em:  córtex (região periférica) e medula (região central) (CHAMMAS et al.,  2004). Ademais, os linfonodos da cabeça e pescoço possuem localização  superficial ou profunda em relação aos tecidos adjacentes. Os superficiais da  cabeça estão divididos em cinco grupos: occipitais, mastóideos, pré-auriculares,  parotídeos superficiais e da face. São ainda subdivididos em: zigomáticos,  bucinatórios, nasolabiais e mandibulares. Os profundos da cabeça não são  possíveis de serem palpados durante um exame extraoral e são divididos em:  parotídeos profundos e retrofaríngeos (OGASSAVARA et al., 2016).  

Logo, reconhecer a localização e características dos linfonodos da cabeça e  pescoço é necessário para o reconhecer doenças como tuberculose, sarcoidose,  histoplasmose, linfoma de Hodgkin, metástases de tumores extratireoidianos (por  exemplo: pulmão, mama, esôfago, laringe e outros) e tumores diferenciados da  tireoide (OGASSAVARA et al., 2016).  

Assim, a linfadenopatia é caracterizada para descrever os sinais clínicos do  inchaço dos gânglios linfáticos. Podendo ser benigna e autolimitada na maioria dos  casos, tendo como principais causas doenças infecciosas, imunológicas,  neoplásicas e metabólicas. Pode-se depender da apresentação clínica do  paciente, da localização da linfadenopatia e dos fatores de risco subjacentes, logo  o diagnóstico dessa etiologia pode envolver exames de sangue, imagens e biópsia  (SEVIK ELIÇORA S et al., 2024). Ademais, as condições inflamatórias e reativas são  as principais causas de linfadenopatia, sendo uma pequena proporção apresenta  patologia grave, como malignidade (KARTAL et al., 2020).  

A priori, diversos exames podem ser utilizados para o diagnóstico (exames de  imagem, laboratoriais e outros procedimentos diagnósticos). Entretanto, a  ultrassonografia é o método inicial para avaliação de linfonodos cervicais,  permitindo a diferenciação entre características benignas e malignas. A US com  Doppler colorido auxilia na análise do padrão de vascularização dos linfonodos. A  tomografia computadorizada é indicada para avaliação detalhada da extensão da  linfadenopatia e relação com estruturas adjacentes, especialmente em casos  suspeitos de malignidade. A ressonância magnética Útil na caracterização de  tecidos moles e na avaliação de linfonodos profundos ou em áreas de difícil acesso  pela US ou TC. A respeito dos exames laboratoriais, o hemograma completo avalia  alterações como leucocitose ou linfocitose, que podem sugerir infecções ou  doenças hematológicas e a velocidade de hemossedimentação é um indicador de  processos inflamatórios ou infecciosos. Por fim, há também outros processos  diagnósticos, como a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), que se constitui em  um método minimamente invasivo para obtenção de material citológico, auxiliando na diferenciação entre processos benignos e malignos, e a biópsia excisional é  indicada quando a PAAF não é conclusiva ou há suspeita de malignidade,  permitindo análise histopatológica completa do linfonodo (GUANABARA  KOOGAN).  

As linfadenopatias do pescoço apresentam parâmetros clínicos que podem causar  dificuldades diagnósticas. Apresentando, em alguns casos, difícil diagnóstico,  apesar dos resultados de todos os testes realizados. Nesse sentido, quando são  relatados como células linfóides, é realizada uma biópsia excisional para  diferenciar entre hiperplasia linfóide reativa e linfoma, sendo observada a  proporção de PCR/albumina antes da biópsia excisional, o que pode favorecer em mover o paciente para o estágio de biópsia excisional mais rápido sem reduzir o  tempo clínico (SEVIK ELIÇORA S et al., 2024).  

No entanto, o procedimento padrão-ouro para o diagnóstico de linfadenopatia  cervical é a biópsia aberta com exame histológico do tecido excisado. Além disso, a  citologia de agulha fina está sendo usada como primeira linha de investigação no  diagnóstico de inchaço na cabeça e no pescoço, por ser simples, econômico e  menos invasivo, quando comparado com a biópsia (SELLAMI et al., 2019).  

Por conseguinte, a abordagem sistemática e multidisciplinar das linfadenopatias  cervicais é essencial devido à diversidade de causas que podem estar por trás  dessa condição, como infecções, doenças autoimunes e neoplasias. Uma análise  completa, que envolva clínicos, infectologistas, oncologistas, radiologistas e  patologistas, é fundamental para um diagnóstico preciso e para determinar o  tratamento adequado. O aprimoramento das técnicas diagnósticas é fundamental  para melhorar os resultados clínicos nas linfadenopatias cervicais. Um diagnóstico  mais preciso, utilizando exames de imagem e testes laboratoriais avançados,  facilita a diferenciação entre causas benignas e malignas, como linfomas e  metástases. O avanço dessas ferramentas, com maior precisão, permite identificar  doenças em estágios iniciais, o que tem um impacto significativo no sucesso do  tratamento e no prognóstico do paciente. Portanto, investir na evolução dos  métodos diagnósticos é crucial para um manejo eficaz e adequado.  

Conclusão 

A linfadenopatia cervical é uma condição clínica comum, cuja investigação requer  uma abordagem criteriosa para diferenciar processos benignos e malignos. A  avaliação multidisciplinar, associada a exames físicos detalhados, exames  laboratoriais e técnicas avançadas de imagem, tem sido fundamental para um  diagnóstico preciso e um plano terapêutico eficaz. No entanto, apesar dos avanços  conquistados, ainda existem desafios que precisam ser superados para aprimorar  o manejo dessa condição.  

Pesquisas futuras devem focar no desenvolvimento de biomarcadores e testes  moleculares mais sensíveis, capazes de diferenciar precocemente linfadenopatias  benignas e malignas. Além disso, a validação da proporção de PCR/albumina como  critério auxiliar na indicação da biópsia excisional pode otimizar a tomada de  decisão clínica. A padronização de protocolos diagnósticos e terapêuticos,  baseada em evidências, também é essencial para garantir uma abordagem mais  eficiente e reduzir a variabilidade na conduta médica. 

Para alcançar esses objetivos, são necessários estudos clínicos e meta-análises  que avaliem a eficácia dos novos biomarcadores, além de ensaios clínicos para  testar a confiabilidade da relação PCR/albumina como ferramenta diagnóstica.  Revisões sistemáticas e consensos interdisciplinares serão fundamentais para a  definição de protocolos que otimizem o manejo da linfadenopatia cervical.  

O aprimoramento contínuo das técnicas diagnósticas e terapêuticas tem um  impacto direto na qualidade da assistência médica, reduzindo a necessidade de  procedimentos invasivos desnecessários e permitindo o diagnóstico precoce de  condições malignas. Dessa forma, investir na evolução do conhecimento científico  e na implementação de novas estratégias diagnósticas é crucial para garantir  melhores desfechos clínicos e prognósticos mais favoráveis para os pacientes. 

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