CUIDANDO DE QUEM CUIDA: TREINAMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS PARA EDUCADORES E ALUNOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311050


Muller Miranda Rodrigues¹
Edinaldo dos Passos Alves¹
Gabriel Alves Eufrásio¹
Ma. Henilda Ferro Castro¹
Janilde Cardoso Gomes¹
Jhonatânia Jandira Uchôa Moutinho¹
Juliana Sousa Amorim¹
Kaylla Laíse Barbosa Castro¹
Mariana Alves Reis¹
Orientadora: Ma. Flavia Helena Cabral Silva Reis2


Resumo 

O estudo analisa a importância da capacitação em primeiros socorros no ambiente escolar, considerando que crianças e adolescentes passam grande parte de sua rotina na escola e estão sujeitos a situações de emergência que exigem respostas rápidas e seguras. O objetivo consiste em compreender de que forma o treinamento de educadores e alunos contribui para a construção de um ambiente escolar mais preparado e consciente. A pesquisa fundamenta-se em autores que apontam a falta de conhecimento como fator que compromete o atendimento inicial e reforçam a relevância de capacitações regulares, além de considerar a legislação que orienta a proteção integral e a obrigatoriedade do ensino de primeiros socorros. O estudo caracteriza-se como descritivo e qualitativo, desenvolvido na Unidade Integrada Marcone Caldas, escola de ensino fundamental, por meio de atividades teóricas e práticas envolvendo conteúdos de engasgo, parada cardiorrespiratória, ressuscitação cardiopulmonar e uso do desfibrilador externo automático. Os resultados indicam que grande parte dos alunos e professores desconhece técnicas básicas de primeiros socorros e apresenta dificuldades em reconhecer sinais de urgência, evidenciando lacunas que podem comprometer a segurança no contexto escolar. Ao mesmo tempo, o treinamento demonstrou potencial para ampliar o conhecimento, favorecer a participação ativa dos envolvidos e fortalecer a cultura de cuidado. Conclui-se que a capacitação em primeiros socorros contribui de forma significativa para promover um ambiente escolar seguro, preventivo e preparado para emergências.

Palavras-chave: Primeiros socorros; Escola; Segurança; Capacitação; Emergência.

1. INTRODUÇÃO 

A escola é um espaço onde crianças e adolescentes passam grande parte de sua rotina, o que a torna um ambiente naturalmente sujeito a imprevistos, como quedas, cortes, convulsões, engasgos e outras emergências que exigem resposta imediata. Dentro dessa dinâmica, educadores e estudantes costumam ser os primeiros a presenciar incidentes e iniciar o suporte à vítima, antes mesmo da chegada de profissionais de saúde ou do socorro especializado. Nesse cenário, a falta de capacitação adequada em primeiros socorros pode comprometer a segurança e retardar a assistência inicial, ampliando o risco de agravamento do quadro clínico, o que reforça a necessidade urgente de preparo técnico nesse ambiente escolar (SILVA et al., 2023). 

Nesse contexto, surge a necessidade de compreender de que forma o treinamento em primeiros socorros pode contribuir para a promoção de uma escola mais segura e consciente, levando à formulação da questão norteadora: De que forma o treinamento em primeiros socorros para educadores e alunos pode contribuir para a promoção de um ambiente escolar mais seguro e preparado para situações de emergência? Parte-se das hipóteses de que a falta de conhecimento sobre primeiros socorros compromete a segurança e retarda o atendimento em situações de urgência, enquanto a realização de capacitações periódicas favorece a construção de um ambiente escolar mais seguro, fortalece a autoconfiança dos envolvidos e melhora a resposta diante de emergências. 

Assim, o presente estudo intitulado Cuidando de quem cuida: treinamento de primeiros socorros para educadores e alunos busca evidenciar a importância de promover conhecimentos básicos de primeiros socorros dentro da escola, compreendendo esse processo como parte da formação cidadã e preventiva. Ao capacitar professores e alunos, fortalece-se uma cultura de cuidado mútuo e responsabilidade compartilhada, contribuindo para que a escola se torne um espaço mais seguro, acolhedor e preparado para lidar com situações inesperadas. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

2.1 A importância do ensino de primeiros socorros no ambiente escolar 

A introdução do ensino de primeiros socorros no contexto escolar tem se mostrado fundamental para promover a segurança e a prevenção de acidentes entre estudantes e educadores. Segundo Maciel et al. (2021), intervenções teóricas e práticas voltadas para primeiros socorros “se mostraram satisfatórias quanto aos seus resultados, com melhora significativa no conhecimento … tornando-os aptos a prestarem primeiros socorros em situações no ambiente escolar” Esse achado reforça que capacitar atores escolares pode efetivamente prepará-los para responder a emergências e estabilizar vítimas até a chegada de atendimento especializado. 

Além disso, Rezer et al. (2023) destacam que muitos profissionais da educação “não apresentam conhecimento suficiente sobre primeiros socorros, procedendo de forma incorreta embasados em conhecimentos do senso comum”, e que, quando submetidos a capacitações, mostram-se muito mais preparados para agir adequadamente. Ou seja, a formação formal é capaz de transformar práticas inseguras ou instintivas em condutas fundamentadas e eficazes. 

Também é importante considerar a perspectiva dos professores envolvidos diretamente com os alunos: um estudo de Cabral (2017) mostrou que, em uma amostra de 31 docentes, 22 já haviam enfrentado situações que exigiam noções de primeiros socorros, porém muitos cometeram erros em casos de engasgamento, sangramento nasal e fraturas, evidenciando lacunas significativas no conhecimento que podem comprometer a resposta a emergências. 

Por fim, ao tratar a escola como um espaço estratégico para a educação em saúde, Grimaldi et al. (2020) afirmam que este ambiente representa um “palco rico para o aprendizado sobre primeiros socorros”, reforçando a ideia de que as instituições de ensino têm papel decisivo na disseminação desse tipo de conhecimento entre crianças e adolescentes. 

2.2 Legislação, segurança e cultura de cuidado na escola: fundamentos e práticas 

A escola é um espaço social que vai além do ensino formal, sendo território de proteção integral à criança e ao adolescente. Conforme a Lei nº 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à educação e à dignidade” (BRASIL, 1990, p. 2). Com isso, entende-se que a escola deve estar comprometida com a promoção de um ambiente seguro e protetivo. 

No âmbito da legislação educacional, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/1996, prevê que a educação deve estar vinculada ao “pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania” (BRASIL, 1996, p. 1). Isso implica reconhecer a importância da gestão da segurança e da cultura de cuidado como dimensões fundamentais do processo educativo. 

Nesse contexto, a segurança escolar envolve tanto o cuidado com a estrutura física quanto a prevenção de violências e situações de risco. Segundo o Ministério da Educação, “as escolas devem ter protocolos para a proteção, incluindo instrumentos de identificação e comunicação de situações de vulnerabilidade e risco” (MEC, 2023). A partir disso, emerge a necessidade de articulação entre setores como educação, saúde e assistência social. 

A cultura de cuidado na escola representa mais do que normas: é uma prática relacional. Para Souza e Silva (2021), “cuidar implica acolher, escutar e agir com ética e respeito diante das necessidades do outro”. Nesse sentido, a cultura de cuidado deve ser construída no cotidiano escolar através do diálogo, da escuta e de ações educativas que valorizem o desenvolvimento socioemocional e a convivência pacífica. 

Programas como o Programa Saúde na Escola (PSE), criado pelo Decreto nº 6.286/2007, reforçam essa visão ao integrarem ações de promoção da saúde e prevenção de violências no ambiente escolar. O PSE define que “é função da escola promover a saúde e criar estratégias de proteção da vida” (BRASIL, 2007, p. 3), evidenciando o papel intersetorial dessas políticas. 

Estudos e documentos oficiais reforçam a importância da formação contínua, da prevenção e da implementação de práticas efetivas de cuidado. “Um dos pilares mais importantes da Lei 16.802 é a obrigatoriedade de ensino de prevenção e primeiros socorros em toda a educação básica.” (IMPACTO FOR SCHOOL, 2024). 

Segundo Lange (2022), a segurança no ambiente escolar é fundamental para o bem-estar dos alunos, para a tranquilidade dos pais e responsáveis e para o sucesso na relação de ensino e aprendizagem. Quando a escola oferece um ambiente protegido, organizado e preparado para lidar com situações de risco, cria- se um espaço onde crianças e adolescentes podem se desenvolver plenamente, favorecendo tanto o desempenho acadêmico quanto o equilíbrio emocional. 

A Lei Lucas torna obrigatória a capacitação ou a reciclagem em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino públicos e privados, conforme a Lei nº 13.722/2018. (PACHECO, 2025). Portanto, a legislação educacional, aliada aos programas intersetoriais e às abordagens de promoção da saúde e dos direitos humanos, fundamenta práticas que visam a formação de uma cultura escolar acolhedora, segura e sensível às necessidades de seus sujeitos. 

2.3 Capacitação de educadores e alunos: prevenção e resposta a emergências 

Para Hadge et al. (2022) a falta de conhecimento sobre primeiros socorros afeta toda a população, mas os professores se destacam nesse contexto quando se trata de crianças, uma vez que é na escola que elas vivenciam grande parte das experiências da infância. Ademais, é comum que o medo e o desespero afetem a tomada de decisões em situações de urgência, o que pode ser reduzido ao adquirir conhecimento sobre como agir nessas circunstâncias. Isso destaca a relevância de implementar estratégias educativas relacionadas ao tema da primeiros socorros no contexto escolar, uma vez que ainda há uma falta de informações associadas a esse assunto, o que torna essencial a condução deste estudo no contexto escolar. Ademais, conforme a literatura, são escassos os estudos realizados com foco nesse assunto com os alunos (HEDGE, et al. 2022). 

A rotina de quem trabalha com crianças conta com diversos imprevistos, inclusive casos de emergência que exigem habilidades de primeiros socorros. Nesse sentido, muitas vezes, a falta de conhecimento dessas técnicas de cuidado de emergência pode agravar uma situação que poderia ser resolvida com facilidade. A Lei Lucas, criada em 2018, foi originada pensando em cada um desses aspectos. 

Professores e funcionários escolares certamente já ouviram falar sobre o tema e a importância de se qualificar para ter mais conhecimento sobre primeiros socorros (ARAÚJO, 2024). 

Evidencia-se que a formação em primeiros socorros é essencial nas instituições de ensino, especialmente em escolas infantis quilombolas, onde a vulnerabilidade a acidentes pode ser maior. Este estudo, parte do macroprojeto “Letramento em Saúde na Urgência e Emergência”, avaliou a eficácia de uma intervenção educativa, evidenciando a importância de capacitar educadores para responder adequadamente a emergências (COELHO, 2025). 

Em conformidade com Art. 4º incluída na Lei n.º 9,394, de 20 de dezembro de 1996,alterada pela Lei n.º 12.796, de 4 de abril de 2013, a educação básica é obrigatória e gratuita dos 4(quatro) aos 17(dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma: pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. A educação em saúde pode ser usada como um método de grande valor para precaução das complicações resultantes de acidentes no ambiente escolar, pois auxilia para que as pessoas adquiriram autonomia e liberdade para o aprendizado no tratamento inicial a vítima (RODRIGUES, 2022). 

3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, desenvolvido na Unidade Integrada Marcone Caldas, instituição de ensino fundamental onde foi realizado um treinamento em primeiros socorros com alunos e professores. O estudo ocorreu em dois dias consecutivos e contou com a autorização e acompanhamento da coordenação escolar. Inicialmente, procedeu-se a uma visita técnica à Unidade Integrada Marcone Caldas no município de Raposa, com o objetivo de reconhecer o ambiente, identificar as seis salas participantes e organizar a logística das atividades, o que incluiu definição de horários, divisão dos grupos e preparação dos recursos didáticos necessários. 

A população da pesquisa foi composta por todos os estudantes do 6º ano da Unidade Integrada Marcone Caldas e por todos os professores da instituição. A amostra selecionada correspondeu às seis turmas do 6º ano, formadas por alunos com  faixa  etária  entre  12  e  13  anos,  configurando  uma  amostragem  não probabilística, definida por conveniência, considerando acessibilidade e disponibilidade dos participantes. A participação dos alunos e professores na fase prática ocorreu de maneira voluntária onde obteve-se a participação de 100 alunos e 15 professores. Para o desenvolvimento do treinamento, foram utilizados instrumentos específicos, como manequins de ressuscitação cardiopulmonar, um desfibrilador externo automático de treinamento, recursos visuais e um roteiro teórico estruturado para garantir a padronização das informações. 

O procedimento metodológico teve início com a etapa teórica, conduzida por meio de exposição dialogada, com linguagem acessível e adequada ao contexto educacional da instituição. Foram apresentados os conceitos essenciais sobre engasgo, incluindo distinção entre obstrução parcial e total das vias aéreas, sinais clínicos e importância da intervenção precoce. Também foram discutidas as atualizações da manobra de desengasgo conforme diretrizes vigentes. Em seguida, abordou-se o reconhecimento da parada cardiorrespiratória, a cadeia de sobrevivência e os princípios da ressuscitação cardiopulmonar, complementados pela explicação detalhada sobre a utilização correta e segura do desfibrilador externo automático. 

Na etapa prática, os acadêmicos de enfermagem demonstraram a técnica de desengasgo, explicando posicionamento corporal, localização do ponto de compressão e execução adequada das compressões abdominais. Os alunos voluntários realizaram a prática sob supervisão, recebendo orientações e correções conforme necessário. A prática de ressuscitação cardiopulmonar foi realizada com o auxílio de um boneco de treinamento, no qual os participantes simularam a avaliação da vítima, o início das compressões torácicas e o manejo de situações de parada cardiorrespiratória. O uso do DEA também foi simulado, permitindo aos alunos vivenciar a sequência completa de acionamento, colocação das pás e interpretação das instruções do aparelho. 

A coleta de dados ocorreu mediante observação direta, realizada pelos acadêmicos de enfermagem durante todas as atividades. Foram observados o nível de desempenho, a compreensão teórica e prática e as principais dificuldades apresentadas pelos participantes. Os registros coletados foram analisados por meio de abordagem qualitativa descritiva, permitindo identificar padrões de aprendizagem, avaliar a eficácia do treinamento e compreender sua relevância pedagógica no contexto da Unidade Integrada Marcone Caldas. Todas as etapas da pesquisa respeitaram princípios éticos, garantindo a segurança e integridade dos envolvidos. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A tabela a seguir apresenta os dados obtidos a partir das respostas de 100 alunos, com o objetivo de avaliar o nível de conhecimento e preparo dos estudantes em situações de urgência e emergência. As questões investigaram desde a identificação do número de acionamento do SAMU (192) até a capacidade de reconhecer sinais críticos, como dificuldade respiratória e perda de consciência. Também foram avaliados o acesso prévio a orientações e treinamentos em Reanimação Cardiopulmonar (RCP) e manobra de desengasgo. 

A organização dos resultados em tabela permite visualizar com clareza as principais lacunas e os pontos positivos no conhecimento dos estudantes, contribuindo para a identificação de necessidades formativas e estratégias de prevenção dentro do ambiente escolar.

PERGUNTA CONHECEM SOBRE ASSUNTO NÃO CONHECEM SOBRE ASSUNTO 
Você sabe qual o número de urgência e emergência? 57 43 
Você sabe reconhecer sinais que indicam que é necessário chamar o SAMU (192), Exemplo como dificuldade grave para respirar, sangramento que não estanca ou perda de consciência? 32 68 
Você já recebeu alguma orientação ou treinamento sobre como realizar manobra de RCP? 14 86 
Você já recebeu alguma orientação ou treinamento sobre como realizar manobra de desengasgo? 14 86 

A análise das respostas de 100 alunos evidenciou fragilidades importantes no conhecimento e preparo para situações de urgência e emergência dentro do ambiente escolar. Em relação ao número de emergência, apenas 57% afirmaram saber que o serviço do SAMU é acionado pelo 192, enquanto 43% desconhecem essa informação básica. Esse dado demonstra que uma parcela significativa dos estudantes não possui o conhecimento mínimo necessário para buscar ajuda imediata em situações críticas. 

Quando avaliados sobre a capacidade de reconhecer sinais que indicam a necessidade de acionar o SAMU, como dificuldade extrema para respirar, sangramento intenso ou perda de consciência, 68% relatam que sabem identificar essas situações, enquanto 32% não possuem essa habilidade. Isso indica que mais de um terço dos alunos não saberia distinguir situações de risco real, o que pode atrasar a busca por atendimento e agravar quadros clínicos. 

Além disso, observa-se uma lacuna ainda maior no que diz respeito à prática de primeiros socorros. Apenas 14% dos alunos receberam algum tipo de orientação ou treinamento em Reanimação Cardiopulmonar (RCP), enquanto a maioria, 86%, nunca teve contato com esse conteúdo. Da mesma forma, o conhecimento sobre a manobra de desengasgo é baixo: somente 14% já receberam alguma instrução, 86% nunca foram orientados. Esses resultados reforçam a necessidade de investimentos em programas educativos que insiram o tema de forma sistemática no ambiente escolar, ampliando a segurança e a autonomia dos estudantes diante de emergências. 

Segundo MACHADO, 2024. Quanto à formação, apenas 11,8% dos participantes relataram já ter recebido treinamento em primeiros socorros, enquanto 88,2% nunca passaram por nenhum tipo de capacitação formal. Entre os que tiveram algum tipo de instrução, o SENAI foi citado por 47,8%, seguido por treinamentos realizados em casa (20%) e em ambientes religiosos ou escolares (20%). Esses dados evidenciam a baixa adesão e oferta de capacitação prática entre o grupo avaliado. 

Quando questionados sobre sentir-se preparados para prestar primeiros socorros, 98% afirmaram não se considerar aptos, enquanto somente 2% acreditam estar preparados para agir em uma situação real. Apesar dessa insegurança, 94,1% conhecem o número do serviço de emergência, indicando que, mesmo sem treinamento, há consciência sobre como pedir ajuda. Os números mais lembrados foram: Polícia (190) com 21,6%, SAMU (192) com 5,9%, e o conjunto completo SAMU 192, Bombeiros 193 e Polícia 190, citado por 68,6% dos participantes. 

Sobre os dados a serem informados ao solicitar atendimento de emergência, 66,7% apresentaram respostas adequadas, demonstrando noções básicas de comunicação com o serviço de socorro, enquanto 33,3% forneceram respostas inadequadas. Esses resultados reforçam a importância da precisão e agilidade nos primeiros socorros, uma vez que a atuação rápida e correta pode determinar o desfecho da situação. De modo geral, os dados revelam um grupo com boa percepção da importância dos primeiros socorros 

A tabela abaixo reúne os dados de 15 professores participantes da pesquisa, com a finalidade de analisar o nível de conhecimento e preparo desses profissionais para lidar com situações de urgência e emergência no contexto escolar. Foram abordados aspectos como o conhecimento do número de atendimento do SAMU (192), a capacidade de reconhecer sinais de risco iminente e a experiência prévia com treinamentos em RCP e manobra de desengasgo. 

A apresentação dos resultados em formato tabular facilita a compreensão do nível de preparo dos docentes, permitindo identificar possíveis lacunas que podem influenciar diretamente a segurança e o atendimento inicial em casos emergenciais envolvendo alunos ou demais membros da escola.

PERGUNTA CONHECEM SOBRE ASSUNTO NÃO CONHECEM SOBRE ASSUNTO 
Você sabe qual o número de urgência e emergência? 12 
Você sabe reconhecer sinais que indicam que é necessário chamar o SAMU (192), Exemplo como dificuldade grave para respirar, sangramento que não estanca ou perda de consciência? 
Você já recebeu alguma orientação ou treinamento sobre como realizar manobra de RCP? 13 
Você já recebeu alguma orientação ou treinamento sobre como realizar manobra de desengasgo? 13 

Os dados obtidos com 15 professores demonstram um nível de preparo superior ao dos alunos, porém ainda com lacunas importantes. Entre os docentes, 12 afirmaram conhecer o número de urgência e emergência (192), representando 80% dos respondentes. Apenas um professor (20%) desconhece essa informação, o que evidencia bom nível de consciência sobre os mecanismos formais de acionamento de socorro. 

Sobre o reconhecimento de sinais de urgência, como dificuldade respiratória grave, sangramento abundante ou perda de consciência, 9 professores (60%) afirmam ter capacidade de identificar esses quadros, enquanto 6 (40%) não se sentem seguros para fazê-lo. Embora a maioria demonstre conhecimento, ainda existe um grupo que pode ter dificuldades em reagir adequadamente em situações reais. 

No que se refere ao treinamento prático, percebe-se uma queda no nível de preparo. Apenas 2 docentes (13%) receberam treinamento em RCP, enquanto 2 (13%) nunca foram capacitados. Já em relação à manobra de desengasgo, 13 professores (87%) relatam ter recebido orientação, contra 13 (87%) que não possuem instrução formal. Esses resultados mostram que, mesmo entre profissionais responsáveis pelo cuidado diário dos alunos, ainda há necessidade de capacitações frequentes, atualizadas e obrigatórias, garantindo que todos estejam aptos a agir de forma rápida e eficaz em situações emergenciais no contexto escolar. 

Segundo NOGUEIRA, 2022. Evidencia que a frequência de acidentes é alta tanto na Escola 1 quanto na Escola 2, com 93,3% e 91,7% dos entrevistados relatando a ocorrência de acidentes, respectivamente. A presença de protocolos de atendimento também apresenta diferenças entre as instituições: enquanto 60% dos participantes da Escola 1 afirmam que a escola possui protocolos estabelecidos, esse número é maior na Escola 2, alcançando 75%. Em relação aos tipos de acidentes mais comuns, as quedas se destacam amplamente nas duas escolas, representando 86,7% na Escola 1 e 83,3% na Escola 2. Casos de desmaio e fraturas aparecem em menor proporção, indicando que, embora variados, os acidentes seguem um padrão semelhante entre as instituições. Revela diferenças importantes quanto à capacitação dos profissionais. Na Escola 1, 73,3% dos entrevistados afirmaram não possuir treinamento em primeiros socorros, enquanto na Escola 2 esse percentual foi menor, alcançando 41,7%. Por outro lado, 26,7% da Escola 1 e 58,3% da Escola 2 já participaram de cursos ou formações sobre o tema, demonstrando que a Escola 2 apresenta maior investimento ou acesso à capacitação. Quanto à percepção sobre a importância de receber treinamento, observa-se forte concordância entre os profissionais das duas escolas: 100% dos entrevistados da Escola 1 consideram importante capacitar-se em primeiros socorros, enquanto 91,7% dos entrevistados da Escola 2 compartilham dessa opinião. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O estudo confirma que o treinamento em primeiros socorros contribui de maneira significativa para a promoção de um ambiente escolar mais seguro e preparado, respondendo de forma direta à questão proposta na pesquisa. Os objetivos estabelecidos são atingidos, pois a investigação demonstra que alunos e professores ampliam seu conhecimento, desenvolvem maior segurança para agir diante de emergências e reconhecem a importância da prevenção como parte da rotina escolar. As hipóteses iniciais também se confirmam ao evidenciar que a falta de capacitação interfere negativamente na resposta a situações críticas, enquanto a realização de atividades educativas fortalece a autonomia e melhora a prontidão da comunidade escolar. 

A pesquisa apresenta como contribuição teórica a valorização do ensino de primeiros socorros como componente formativo relevante no contexto educacional. No campo prático, evidencia que intervenções simples, realizadas com metodologia adequada, favorecem a construção de uma cultura de cuidado e reduzem vulnerabilidades presentes no cotidiano escolar. Como limitação, reconhece-se que o estudo contempla apenas uma instituição e um número restrito de participantes, o que sugere a necessidade de ampliar a amostra em futuras investigações. Sugere- se, ainda, a implementação contínua de capacitações e a inclusão de protocolos sistematizados para fortalecer a preparação da comunidade escolar. 

Dessa forma, o trabalho reafirma que o treinamento em primeiros socorros se apresenta  como  estratégia  indispensável  para  prevenir  agravos,  promover segurança e consolidar práticas educativas que valorizam a vida e o bem-estar dos estudantes. 

REFERÊNCIAS 

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