CUIDADOS DE ENFERMAGEM À CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): A IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO HUMANIZADO

NURSING CARE FOR CHILDREN WITH ASD: THE IMPORTANCE OF HUMANIZED CARE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512231915


Anne Beatriz Sousa Rodrigues1
Erik Ryan de Araújo David2
Gabriela Oliveira de Sousa3
Maria de Nazaré Monteiro Araújo4
Maria do Nascimento da Silva Ribeiro5
Jamilly Karoliny da Silva Miranda6


Resumo

O presente artigo aborda os cuidados de enfermagem à criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a importância de uma abordagem sensível e adaptada às necessidades específicas desse público. A pesquisa se fundamenta em uma revisão da literatura, analisando estratégias e boas práticas para promover um atendimento humanizado e eficaz. São discutidos aspectos como a comunicação, a adaptação do ambiente hospitalar e o papel da equipe multidisciplinar no suporte ao desenvolvimento e bem-estar da criança com TEA. O estudo evidencia a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para garantir um atendimento inclusivo e de qualidade, reduzindo barreiras no acesso e na permanência dos pacientes nos serviços de saúde.

Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista (TEA). Humanização. Criança. Enfermagem.

Abstract

The present article addresses nursing care for children with Autism Spectrum Disorder (ASD), highlighting the importance of a sensitive approach adapted to the specific needs of this population. The research is based on a literature review, analyzing strategies and best practices to promote humanized and effective care. Aspects such as communication, hospital environment adaptation, and the role of the multidisciplinary team in supporting the development and well-being of children with ASD are discussed. The study highlights the need for healthcare professionals’ training to ensure inclusive and high-quality care, reducing barriers to access and patient retention in healthcare services.

Keywords: Autism Spectrum Disorder (ASD). Humanization. Child. Nursing.

1 INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido cada vez mais estudado devido à sua crescente prevalência e ao impacto significativo na vida das pessoas diagnosticadas e de suas famílias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TEA compreende um conjunto de condições caracterizadas por dificuldades na comunicação, na interação social e por padrões de comportamento repetitivos e restritos. A Organização Pan-Americana da Saúde (2020) descreve que o transtorno se manifesta na infância, geralmente antes dos cinco anos, e persiste ao longo da vida, demandando acompanhamento contínuo e especializado.

Diante desse contexto, é essencial que os serviços de saúde estejam preparados para oferecer um atendimento integral e qualificado, garantindo suporte adequado às necessidades específicas das crianças com TEA. Nessa perspectiva, o estudo de Sandri, Pereira e Corrêa (2022) aborda a atuação dos profissionais de enfermagem em unidades de pronto atendimento, evidenciando a importância de práticas assistenciais que considerem as particularidades do espectro autista, a comunicação adequada, o acolhimento e o envolvimento da família no processo de cuidado.

O crescente número de diagnósticos reforça a importância da capacitação dos profissionais da saúde, especialmente da equipe de enfermagem, que desempenha um papel fundamental nesse cuidado. Nesse sentido, Martini et al. (2024) destacam que a capacitação profissional é fundamental para a identificação dos sinais do TEA e para a qualificação das práticas de cuidado, especialmente em contextos que exigem respostas rápidas e sensíveis às particularidades do transtorno. No entanto, ainda existem desafios importantes, como a falta de conhecimento técnico específico e a carência de preparo para lidar com as exigências desse público nos diversos ambientes de atendimento.

A partir dessa realidade investigada, configura-se a problemática que dá origem à presente pesquisa: de que maneira a atuação da enfermagem tem se efetivado no cuidado às crianças com Transtorno do Espectro Autista e quais limitações relacionadas à formação e à capacitação profissional impactam a oferta de uma assistência qualificada, eficaz e humanizada?Embora a formação acadêmica em enfermagem contemple o cuidado a diferentes grupos sociais, muitas vezes não aprofunda as particularidades do atendimento a crianças com TEA – o que se mostra necessário diante das diretrizes do DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da quinta edição, com texto revisado (ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 2022). A ausência de capacitação específica pode comprometer a qualidade da assistência prestada, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais humanizada e baseada em estratégias eficazes (Olibani et al., 2024).

Diante das crescentes demandas relacionadas ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos serviços de saúde, torna-se imprescindível refletir sobre a qualificação da assistência prestada, especialmente no âmbito da enfermagem. Nesse sentido, a

presente pesquisa justifica-se pela necessidade de contribuir para a capacitação contínua e para o aprimoramento informacional dos profissionais de enfermagem, visando à oferta de uma assistência qualificada, individualizada e sensível às necessidades específicas das crianças com TEA e de suas famílias. A relevância do estudo reside tanto no fortalecimento teórico acerca dos cuidados de enfermagem direcionados a essa população quanto na possibilidade de subsidiar práticas profissionais mais humanizadas e eficazes, capazes de promover melhorias na qualidade do cuidado às crianças neurodivergentes.

Assim, o objetivo geral desta pesquisa consiste em compreender os cuidados de enfermagem voltados para crianças com TEA, analisando as competências necessárias para a realização de um atendimento eficaz e humanizado. Especificamente, busca-se revisar estudos científicos que abordam a atuação da enfermagem nesse contexto, identificar lacunas existentes na produção científica e apontar estratégias que possam contribuir para o aprimoramento da prática assistencial, delimitando, ao final, o objeto de estudo desta investigação.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento e está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais com o Texto Revisado (DSM-5-TR, 2022). Esse manual é amplamente utilizado por profissionais da saúde mental para embasar o diagnóstico e a avaliação de diversos transtornos, incluindo o TEA, pois apresenta critérios específicos que orientam essa identificação.

De acordo com o DSM-5-TR (2022), o TEA é caracterizado por déficits persistentes na comunicação social, assim como pela presença de comportamentos restritivos e repetitivos. Essas manifestações podem variar de intensidade e formas, sendo únicas para cada indivíduo, o que justifica a utilização do termo “espectro” para definir o transtorno. As dificuldades comunicativas podem envolver tanto a linguagem verbal quanto a não verbal, interferindo diretamente nas interações sociais.

Além das características clínicas, o diagnóstico do TEA tem implicações importantes no desenvolvimento infantil. Crianças com TEA podem apresentar atrasos no desenvolvimento da linguagem, na aquisição de habilidades sociais e no comportamento adaptativo. Essas dificuldades exigem acompanhamento especializado desde os primeiros sinais, visando promover maior autonomia e qualidade de vida.

O impacto do diagnóstico do TEA não se restringe à criança, afetando também a dinâmica familiar. Conforme apontado por Oliboni et al. (2024), o processo de diagnóstico e as demandas de cuidado contínuo geram desafios significativos para as famílias. Isso reforça a importância de um suporte multiprofissional, tanto para o desenvolvimento da criança quanto para o bem-estar dos cuidadores, que frequentemente enfrentam sobrecarga emocional e dificuldades na adaptação à nova realidade.

2.2. CUIDADOS DE ENFERMAGEM E CRIANÇA COM TEA: 

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a criança é todo indivíduo com até 12 anos incompletos, merecendo proteção integral. No caso da criança com TEA, os cuidados de enfermagem devem ser humanizados e adaptados às suas necessidades específicas, considerando suas particularidades sensoriais, emocionais e de comunicação, sempre com o apoio da família. 

Nesse sentido, o cuidado de enfermagem voltado para crianças neurodivergentes desempenha um papel essencial na promoção da saúde e da qualidade de vida desse público. Desse modo, os profissionais de enfermagem estão diretamente envolvidos em intervenções terapêuticas e no apoio ao diagnóstico, contribuindo para um atendimento mais eficaz e humanizado. Nesse contexto, destaca-se a importância da equipe de enfermagem no atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como a necessidade de reconhecer as características do TEA e de compreender como ocorre a abordagem de enfermagem a esse público, conforme evidenciado por estudos de revisão da literatura (Saraiva et al., 2024; Neves et al., 2020).

Desse modo, também Mota et al. (2022) indicam que a enfermagem, por ser frequentemente responsável pelo primeiro contato com a criança e sua família nos serviços de saúde, assume papel fundamental durante o processo de anamnese. Essa atuação inicial favorece a identificação das necessidades específicas da criança com TEA, contribuindo para a construção de um cuidado mais acolhedor, humanizado e eficaz desde os primeiros momentos do atendimento.

Com isso, ao considerar as contribuições de Jiang et al. (2022), observa-se que a compreensão dos mecanismos biológicos e moleculares do TEA é fundamental para subsidiar a prática do cuidado em saúde, inclusive no âmbito da enfermagem. O estudo destaca que a disfunção nas vias de sinalização celular, como aquelas relacionadas à sinapse e à neuroplasticidade, interfere no desenvolvimento cerebral, o que reforça a necessidade de intervenções terapêuticas mais direcionadas e personalizadas. Essa compreensão contribui para que os profissionais de enfermagem reconheçam fatores genéticos, neurológicos e ambientais associados ao transtorno, favorecendo a elaboração de estratégias de cuidado mais adequadas às necessidades específicas das crianças com TEA.

Desse modo, para garantir um atendimento de qualidade, é fundamental que os profissionais de enfermagem recebam capacitação específica sobre o TEA. O conhecimento das particularidades do transtorno permite a adoção de estratégias individualizadas, respeitando as necessidades e limites de cada criança, além de contribuir para a redução de estímulos que possam gerar desconforto ou crises.

Nesse contexto, a formação contínua da equipe de enfermagem torna-se indispensável. Ao investir em qualificação profissional, os serviços de saúde asseguram um cuidado mais sensível, empático e alinhado às demandas específicas das crianças com TEA e de suas famílias, fortalecendo o papel da enfermagem como agente central na atenção integral a esse público.

2.3. DESAFIOS NO ATENDIMENTO DA CRIANÇA COM TEA:

O atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta uma série de desafios que exigem preparo e sensibilidade dos profissionais de saúde. Muitos desses desafios não se limitam aos aspectos clínicos, mas envolvem também as experiências das famílias, que frequentemente enfrentam dificuldades no acesso a serviços especializados e na obtenção de um diagnóstico precoce. Como pontua Oliboni et al. (2024, p. 2-3) comentam que 

A complexidade do TEA na primeira infância decorre não somente de desafios como comprometimento da comunicação, da interação social e de comportamentos repetitivos, mas também cria demandas específicas para as famílias. Essas demandas frequentemente requerem um grande investimento de tempo, energia e dedicação quase que exclusiva à criança, levando, por vezes, à necessidade de um membro da família ser designado como cuidador principal. Isso, por sua vez, pode resultar na renúncia a vários aspectos da vida pessoal ou profissional, a fim de fornecer o melhor cuidado possível à criança.

Para além das dificuldades apresentadas, outros obstáculos estão relacionados às características específicas do transtorno do espectro autista, como a resistência ao toque, a hipersensibilidade a estímulos sensoriais como sons, luzes, texturas e as limitações na comunicação verbal. Esses fatores podem desencadear desconforto, ansiedade e crises durante os atendimentos em saúde, tornando mais complexa a realização de procedimentos básicos e o estabelecimento de vínculo entre a criança e a equipe multiprofissional (Mota et al., 2022; Neves et al., 2020).

Nesse sentido, a literatura evidencia a escassez de estudos voltados aos diagnósticos e às intervenções de enfermagem no cuidado de crianças com TEA (Almeida et al., 2024). Os autores também apontam os desafios enfrentados na assistência de enfermagem, com destaque para as dificuldades vivenciadas pelas mães, bem como a importância de uma comunicação eficaz entre a equipe de saúde e a família para a promoção de um cuidado mais humanizado e resolutivo.

Para os profissionais de saúde, essas particularidades exigem a adoção de estratégias diferenciadas e uma abordagem centrada na criança. É necessário adaptar o ambiente, respeitar os limites da criança e utilizar formas alternativas de comunicação, como o uso de recursos visuais e linguagem não verbal, para tornar o atendimento mais eficaz e acolhedor.

Assim, os desafios no atendimento a crianças com TEA não se referem apenas ao conhecimento técnico, mas também à necessidade de empatia, paciência e formação específica. Compreender o ponto de vista da criança e da família contribui significativamente para a construção de um cuidado mais humano, respeitoso e adequado às suas reais necessidades.

2.4. ASSISTÊNCIA HUMANIZADA E CRIANÇA COM TEA: 

As abordagens humanizadas no atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são fundamentais, pois destacam a importância de estratégias terapêuticas eficazes que vão além do cumprimento de protocolos clínicos, promovendo um cuidado mais empático, acolhedor e individualizado. 

Nesse sentido, Rodrigues et al. (2023, p. 2) destaca que 

O Sistema Único de Saúde (SUS) realiza estratégias de vigilância em saúde voltadas para o desenvolvimento da criança, iniciadas na primeira semana de vida e mantidas até os dois anos de idade. A abordagem dos profissionais de saúde à criança autista requer conhecimento, habilidades e medidas assistenciais individualizadas. Desse modo, o cuidado e as estratégias devem ser traçados e moldados de acordo com cada indivíduo.

Uma das estratégias centrais destacadas pelos autores refere-se à criação de ambientes hospitalares previsíveis e organizados. Espaços com rotinas estruturadas, baixa variação de estímulos e previsibilidade nas ações contribuem para a redução da ansiedade e do medo, frequentemente presentes em crianças com TEA diante de situações novas ou desconhecidas, favorecendo, assim, sua adaptação e maior engajamento no tratamento (Mota et al., 2022; Sandri; Pereira; Corrêa, 2022)

Nesse sentido Saraiva et al. (2024, p. 2287) mostra que 

As  tecnologias  assistivas  e  as  terapias  digitais  também  têm  emergido  como abordagens promissoras para o manejo do TEA […]. Intervenções baseadas em tecnologia, como aplicativos de comunicação aumentativa e alternativa (CAA)  e  jogos  terapêuticos,  têm  mostrado  potencial  para  melhorar  habilidades  de comunicação e interação social […]. Essas tecnologias oferecem uma abordagem inovadora e acessível para a intervenção terapêutica no TEA.

Além disso, o ambiente e a comunicação também desempenham um papel fundamental na humanização do atendimento. O uso de recursos de comunicação alternativa e aumentativa, como figuras, gestos e dispositivos eletrônicos, pode facilitar a interação entre a equipe de saúde, a criança e seus familiares, especialmente em casos de dificuldades na fala. Essas ferramentas contribuem para diminuir o estresse durante os procedimentos e promovem maior compreensão e confiança.

Dessa forma, as abordagens humanizadas se revelam indispensáveis para a construção de uma relação de cuidado mais efetiva. Elas não apenas promovem o bem-estar da criança durante o atendimento, como também fortalecem o vínculo entre a equipe multiprofissional e a família, resultando em melhores resultados terapêuticos e maior satisfação com os serviços de saúde.

2.5. SÍNTESE DAS REFERÊNCIAS: 

Este estudo apresenta uma síntese das principais referências utilizadas, organizadas de forma a apoiar a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e os cuidados de enfermagem. As contribuições de autores e obras selecionadas fundamentam teoricamente os tópicos discutidos no artigo.

A seguir, estão destacados os principais autores que serviram de base para a construção deste trabalho.

Tabela 1 – Levantamento Bibliográfico.

AUTORRESUMOANO
MADURIERA, Emanuely Ronceti et al.Discute a melhoria da qualidade de vida de crianças com TEA e a capacitação de profissionais de enfermagem para um cuidado humanizado.2025
GUERRA, Avaetê de Lunetta e RodriguesDiscute metodologias e classificação de pesquisas científicas, destacando suas aplicações no campo acadêmico.2024
OLIBONI, A. C.; BARANDRECHT, E.; MILANI, D.; HARMUCH, C.Revisão de literatura sobre as experiências de familiares de crianças com TEA, abordando desafios e perspectivas no cuidado.2024
SARAIVA, et al.Revisão bibliográfica sobre a etiologia, diagnóstico e intervenções terapêuticas no TEA, destacando abordagens atuais de tratamento.2024
VIEIRA DOS SANTOS, J. et al.Analisa potencialidades e limitações da assistência de enfermagem a crianças com TEA, por meio de uma revisão integrativa.2024
SILVA, M. V. B. da et al.Discute desafios e potencialidades do cuidado de enfermagem ao binômio mãe-filho no contexto do TEA, analisando o suporte prestado.2024
XAVIER, H. L. P.; TENÓRIO, H. A. de A.; SANTOS, E. A. dosRevisão da literatura sobre os desafios do enfermeiro na humanização da atenção básica à saúde.2024
ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIAO DSM-5 (Texto Revisado) é um manual de referência para o diagnóstico de transtornos mentais, incluindo o TEA, abordando critérios diagnósticos, características e impacto no desenvolvimento.2022
DE ARAÚJO SANDRI, Juliana Vieira et al.Discute o cuidado a pessoas com TEA e suas famílias em pronto atendimento, enfatizando estratégias de acolhimento e intervenção.2022
DA COSTA, B. L. L. et al.Explora a humanização da assistência de enfermagem em unidades de terapia intensiva, abordando estratégias para um cuidado mais empático.2022
GIL, A. C.Apresenta diretrizes para a elaboração de projetos de pesquisa, abordando metodologia, estruturação e desenvolvimento científico.2022
MIHANDOUST, S.; KHADEMI, M.; RADFAR, M.Analisa qualitativamente as fases do luto em pais de crianças com TEA, explorando o impacto emocional do diagnóstico.2021
ORGANIZAÇÃO PAN- AMERICANA DA SAÚDEApresenta informações sobre o TEA, incluindo aspectos diagnósticos, epidemiológicos e diretrizes de atenção à saúde.2020
VIANA, Ádria Lorena Oliveira et al.Explora práticas complementares no cuidado infantil ao TEA, enfocando estratégias alternativas de atenção à saúde.2020
BONFIM, Tassia de Arruda et al.Investiga as experiências familiares ao descobrir o TEA e suas implicações para a enfermagem familiar.2020
Fonte: elaboração dos autores, 2025.


3 METODOLOGIA 

A pesquisa foi desenvolvida foi realizada em etapas, que possibilitaram a organização, a sistematização e a análise dos dados, garantindo rigor metodológico e possibilidade de replicação do estudo. As etapas compreenderam: (i) definição do tipo de pesquisa e do objeto de estudo; (ii) levantamento das fontes bibliográficas; (iii) aplicação dos critérios de inclusão e exclusão; e (iv) análise e interpretação dos dados selecionados.

3.1. Tipo de pesquisa: 

A pesquisa adotada neste estudo é de natureza qualitativa, com enfoque bibliográfico, uma vez que se busca compreender o tema a partir da análise e interpretação de produções acadêmicas e científicas já existentes. Essa escolha se justifica pela necessidade de aprofundar a discussão teórica sobre os cuidados de enfermagem voltados às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), relacionando diferentes perspectivas e evidências disponíveis na literatura. 

A abordagem bibliográfica possibilita reunir e analisar informações atualizadas, enquanto a qualitativa permite interpretar esses dados de forma reflexiva, destacando as habilidades e práticas essenciais para um atendimento mais humanizado e eficaz. Dessa forma, para compreender a pesquisa bibliográfica, Sousa, Oliveira e Alves (p. 65-66) explica que

A pesquisa científica é iniciada por meio da pesquisa bibliográfica, em que o pesquisador busca obras já publicadas relevantes para conhecer e analisar o tema problema da pesquisa a ser realizada. Ela nos auxilia desde o início, pois é feita com o intuito de identificar se já existe um trabalho científico sobre o assunto da pesquisa a ser realizada, colaborando na escolha do problema e de um método adequado, tudo isso é possível baseando-se nos trabalhos já publicados. A pesquisa bibliográfica é primordial na construção da pesquisa científica, uma vez que nos permite conhecer melhor o fenômeno em estudo.

Assim como também é apresentado por Guerra (2024, p. 2), que a “pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental utilizam fontes secundárias de informação, como livros, artigos, relatórios e documentos, para embasar o estudo”. Sendo um principal ponto para iniciar uma pesquisa e entender conceitos, tal como é realizado neste artigo.

Já a pesquisa qualitativa busca compreender fenômenos complexos em seu contexto natural, priorizando a interpretação de experiências, percepções e comportamentos humanos. Nesse sentido, ela permite explorar aspectos da realidade que vão além de números e estatísticas, enfocando as relações sociais, culturais e individuais. Como destaca Guerra (2024, p. 4)

3.2. Fontes de dados: 

Foi realizada uma revisão da literatura, adotando como critérios de seleção dos artigos aqueles mais citados na área, além de incluir trabalhos de autores e pesquisadores de referência sobre o tema. As bases de dados utilizadas incluem Scielo, PubMed, LILACS, Google Acadêmico e Periódicos da CAPES.

O recorte temporal da pesquisa prioriza publicações recentes, abrangendo o período de 2020 a 2025. Nesse sentido, estabelecer um recorte de tempo nas pesquisas bibliográficas é fundamental para garantir a relevância e a contextualização das fontes utilizadas. 

De acordo com Gil (2022), delimitar o período de estudo permite ao pesquisador focar no objeto de pesquisa de maneira mais objetiva e precisa, evitando a dispersão e garantindo uma análise mais aprofundada. Esse recorte também permite compreender como o tema evoluiu ao longo do tempo, proporcionando uma visão mais clara e atualizada sobre as questões em estudo.

3.3. Critérios de inclusão e exclusão: 

Os critérios de seleção dos estudos, artigos e periódicos foram definidos com base na relevância para a pesquisa. Dessa forma, foram selecionados aproximadamente 10 artigos de autores considerados fundamentais para a construção deste trabalho.

Para a seleção de autores e artigos, foram considerados aqueles de maior relevância para a área de estudo. Foram excluídas as publicações que não se enquadravam no período de 2020 a 2025. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A assistência de enfermagem à criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige uma abordagem qualificada e sensível às necessidades específicas desse público. O enfermeiro desempenha um papel fundamental nesse processo, sendo responsável por garantir um atendimento adequado por meio de competências técnicas e humanizadas. No entanto, diversos desafios ainda dificultam a prestação desse cuidado, como a falta de formação específica, barreiras na comunicação e a inadequação do ambiente hospitalar. 

Diante disso, a humanização do cuidado se torna uma competência essencial, permitindo que a assistência seja mais acolhedora e eficaz. Neste contexto, a partir deste item, serão discutidos o papel da enfermagem na assistência à criança com TEA, os desafios enfrentados nesse atendimento e a importância da humanização como parte fundamental do processo de cuidado.

4.1. O papel da enfermagem na assistência à criança com TEA: competências e responsabilidades

O papel da enfermagem no cuidado à criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é essencial, pois os enfermeiros são frequentemente os primeiros a identificar as necessidades específicas dessas crianças. Para um atendimento eficaz, é crucial que o profissional compreenda as características do transtorno, como dificuldades de comunicação e comportamentos repetitivos, adaptando os cuidados de forma personalizada ou conforme padrões adequados. Compreendendo esses aspectos, os profissionais e futuros enfermeiros podem melhor atender e identificar as especificidades desse grupo.

De acordo com Maduriera, Sossai e Filetti (p. 241, 2024) 

O papel do enfermeiro no processo de diagnóstico e no apoio às famílias é de extrema importância. Durante a consulta de enfermagem, o enfermeiro tem a oportunidade de realizar uma anamnese detalhada, investigando o histórico e os aspectos comportamentais da criança.

Desse modo, entende-se a importância do papel do enfermeiro na identificação de sinais precoces e no apoio às famílias é fundamental, pois envolve a realização de uma anamnese detalhada e a observação dos aspectos comportamentais da criança com TEA. Nesse sentido, a enfermagem, ao estabelecer o primeiro contato com a criança e sua família, desempenha papel essencial, favorecendo a identificação das necessidades específicas e a promoção de um cuidado humanizado e eficaz desde o início do atendimento (Saraiva et al., 2024; Mota et al., 2022).

Nesse contexto, a formação do profissional de enfermagem deve priorizar o desenvolvimento de competências e habilidades específicas, como a identificação precoce dos sinais do transtorno e a adoção de estratégias de comunicação e cuidado adequadas. Além disso, é essencial que o enfermeiro esteja preparado para orientar as famílias e colaborar com a equipe multidisciplinar, garantindo um atendimento mais eficaz e humanizado.

Conforme destacam Santos et al. (2024, p. 3151):

A atuação do(a) enfermeiro(a) com crianças autistas requer habilidades e estratégias específicas para lidar com as alterações comportamentais, desenvolver o cuidado individualizado e exercer a escuta qualificada. Entretanto, é comum que a formação acadêmica voltada para esse público seja deficitária e que não haja um plano de educação permanente para os profissionais em atuação.

Observa-se, portanto, que embora a atuação do enfermeiro com crianças autistas exija habilidades específicas, como a adaptação do cuidado e uma escuta qualificada, a formação acadêmica ainda é insuficiente para preparar adequadamente os profissionais. A falta de programas de educação permanente e capacitação contínua representa um grande desafio, comprometendo a qualidade da assistência prestada e deixando muitos enfermeiros despreparados para atender às necessidades complexas desse público.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (2020), o enfermeiro desempenha um papel fundamental na identificação precoce dos sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA), contribuindo diretamente para o diagnóstico e o encaminhamento adequado da criança aos serviços especializados. Para isso, é essencial que o profissional esteja capacitado a atuar de forma integrada com a equipe multiprofissional, participando ativamente do processo investigativo e reconhecendo a necessidade de exames complementares quando apropriado. 

Entretanto, conforme Xavier et al. (2024), além das competências técnicas, o enfermeiro deve desenvolver habilidades relacionais e emocionais, como empatia e escuta ativa, fundamentais para a humanização do cuidado com crianças com TEA e suas famílias. A elaboração de planos de cuidado individualizados e o acompanhamento contínuo do tratamento também são responsabilidades fundamentais da enfermagem.

Autores como Viana et al. (2020) reforçam a importância da formação qualificada e contínua para atuar no cuidado a crianças com TEA. Essa preparação permite aos profissionais lidar com as especificidades desse público, promovendo um atendimento mais humano e alinhado às demandas contemporâneas. Os autores ainda afirmam:

[…] é necessária a (in)formação destes profissionais para (des)construírem o senso antigo de que o autismo é tratado somente com práticas convencionais. O Enfermeiro deve colaborar na identificação visto que é de sua competência possuir um olhar holístico-científico para observação e confirmação clinica nas consultas na atenção primária, contribuindo para o progresso das terapias complementares. (VIANA et al., p. 55, 2020)

A orientação das famílias sobre os cuidados necessários com crianças com TEA também constitui uma função essencial do enfermeiro, auxiliando na adaptação ao ambiente e no enfrentamento de desafios comportamentais. Apesar de o cuidado envolver obstáculos como resistência ao toque e hipersensibilidade sensorial, a capacitação contínua da equipe de enfermagem é fundamental para garantir um atendimento de qualidade, centrado no respeito às particularidades dessas crianças.

Conforme pontua Silva et al. (2024, p. 2):

A assistência de enfermagem, quando implementada de maneira sistematizada, pode contribuir para a melhora do enfrentamento dos problemas vivenciados pelas mães e seus familiares, uma vez que o cuidado de enfermagem estabelece relações de vínculo, mostrando-se como uma importante ferramenta para atividades de promoção, prevenção e proteção da saúde.

Dessa forma, a atenção de qualidade à criança com TEA não se limita apenas ao atendimento clínico, mas também deve incluir suporte integral à família. Assim, destaca-se a importância do desenvolvimento de competências técnicas e emocionais por parte do profissional de enfermagem, visando oferecer um cuidado seguro, humanizado e eficaz às crianças com Transtorno do Espectro Autista.

4.2. Desafios e barreiras no atendimento de enfermagem a crianças com TEA

O atendimento de enfermagem a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrenta diversos desafios. Um dos principais é a resistência ao toque, devido à hipersensibilidade sensorial, que dificulta procedimentos médicos. A adaptação das abordagens, como o uso de comunicação visual ou ambientes tranquilos, é fundamental para minimizar o desconforto da criança.

Durante a assistência, é essencial manejar a agitação e as barreiras de comunicação por meio da redução de estímulos, do uso de comunicação clara e direta, do apoio dos cuidadores, da oferta de recursos calmantes e da minimização do tempo de espera, considerando que a falta de atendimento adequado às crianças com TEA está relacionada à ausência de uma base informacional sólida, iniciada ainda na formação inicial, durante a graduação. (Bennemann; Brum, 2024; Viana et al., 2020). Isso traz à tona as barreiras que esses profissionais enfrentarão ao atender esse público. Nesse sentido, Silva et al. (p. 10, 2024) pontua que

Os resultados desta revisão mostraram que, entre os desafios observados para a assistência de enfermagem a crianças com TEA, destacam-se as dificuldades relacionadas à compreensão sobre a condição, como descrever o transtorno, sua definição, conceito, causas e instrumentos de triagem e intervenção disponíveis para uso. Tal fato pode ser possivelmente explicado por déficits que ocorrem na formação acadêmica dos profissionais de enfermagem. Além disso, a comunicação também representa uma barreira significativa, pois muitas crianças com TEA têm dificuldades em se expressar verbalmente. Técnicas alternativas, como o uso de imagens e tecnologias assistivas, são essenciais para garantir uma comunicação eficaz e para que os enfermeiros compreendam as necessidades das crianças.

No entanto, a falta dessas práticas complementarem é uma barreira para proporcionar um atendimento mais adequado às crianças com TEA. Dessa forma, são entendidas que

As terapias complementares são de extrema importância na aceleração da evolução positiva do tratamento, contribuindo para o desenvolvimento físico, motor, e na comunicação verbal e não verbal, para assim, inclui-lo na sociedade de forma mais precisa garantindo a autonomia e interação da criança autista. A musicoterapia e a dançaterapia, estimulam o sistema neuromotor a auxiliar no processo mente-corpo-saúde, dando leveza aos movimentos, equilíbrio e coordenação, além de melhorar a comunicação da criança de forma a aumentar o vínculo social e familiar. (VIANA et al., p. 54, 2020)

Embora o acolhimento e a inclusão das crianças com TEA sejam reconhecidos como aspectos relevantes, os profissionais de enfermagem enfrentam uma elevada demanda de atendimentos nas unidades de saúde, hospitais e espaços da atenção básica, o que limita suas ações e contribui para a percepção de que o cuidado às emoções e aos comportamentos não integra suas responsabilidades, dificultando a efetivação de práticas sensíveis, empáticas e adaptadas às necessidades específicas dessas crianças e levando à priorização dos aspectos técnicos em detrimento das dimensões emocionais e comportamentais do atendimento (Viana et al., 2020; Silva; Cruz; Cruz, 2024).

Os autores Maduriera, Sossai e Filetti (2024, p. 242) ainda citam que “a insuficiente atenção dos profissionais de saúde e a falta de escuta ativa são fatores que dificultam a oferta de um cuidado integral e eficaz tanto para os indivíduos diagnosticados quanto para suas famílias”. Além disso, a falta de preparo específico e de protocolos para o atendimento de crianças com TEA nos ambientes de saúde dificulta a assistência adequada, como apresentam Maduriera, Sossai e Filetti (2024, p. 243), ao citarem os trabalhos de Bonfim et al. (2023).

A atuação da enfermagem vai além do diagnóstico, envolvendo acolhimento e orientação sobre o tratamento, que só será efetivo se o enfermeiro tiver um conhecimento profundo das manifestações comportamentais e sensoriais do autismo.

Portanto, a capacitação contínua dos profissionais de enfermagem e a criação de protocolos adaptados às necessidades do TEA são essenciais para melhorar a qualidade do atendimento e garantir um cuidado mais humanizado e eficaz.

4.3. A humanização do cuidado como competência essencial na assistência à criança com TEA

A humanização do cuidado é uma competência essencial no atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), pois envolve a compreensão profunda das necessidades individuais e o respeito às limitações de cada criança. Esse processo requer que os profissionais de enfermagem ofereçam uma abordagem empática, estabelecendo vínculos de confiança com a criança e seus familiares. 

A humanização vai além dos aspectos técnicos, promovendo um ambiente acolhedor e seguro, que favoreça o bem-estar e a participação ativa da criança no processo de cuidado. Com isso, destaca-se o que pontua Costa et al. (2022, p. 3850)

A humanização não é uma técnica ou um artifício; é um processo que envolve todo o ambiente e os sujeitos nele inseridos, compreendendo o ser humano de forma holística, para além do seu quadro patológico. Deste modo, humanizar é mais do que conversar e ser bondoso: trata-se de um processo complexo, que envolve diferentes atores e é marcado por mudanças de comportamentos e atitudes pautadas na empatia, na singularidade e na integralidade.

Assim, percebe-se um atendimento individualizado, pautado no respeito ao indivíduo, compreendendo suas necessidades e especificidades, algo que vai além de protocolos fixos, pois há uma valorização do ser humano (Costa et al., 2022). No contexto do TEA, a humanização implica também em adaptar as práticas de enfermagem às necessidades sensoriais e emocionais das crianças, levando em consideração a dificuldade que muitas delas apresentam em se comunicar ou em lidar com estímulos excessivos. 

Nesse sentido, evidencia-se a importância da adoção de práticas alternativas e seguras no cuidado às crianças com TEA, incluindo o uso de recursos musicais, visuais e outras abordagens inovadoras, como as tecnologias assistivas, as quais contribuem para o aprimoramento da comunicação, da interação e do desenvolvimento infantil, tornando o atendimento mais acessível, eficaz e alinhado aos princípios da humanização do cuidado (Bennemann; Brum, 2024; Rodrigues et al., 2024; Viana et al., 2020; Saraiva et al., 2024).

Logo, técnicas como a comunicação alternativa, o uso de rotinas previsíveis e a criação de ambientes mais tranquilos podem fazer toda a diferença no sucesso do atendimento. Além disso, a sensibilização dos profissionais para os aspectos comportamentais do transtorno é fundamental para garantir uma assistência mais eficaz e respeitosa. 

No entanto, apesar de ressaltar a importância de uma abordagem mais humanizada no atendimento às crianças com TEA, ainda existem desafios significativos para sua implementação. Conforme apontam Xavier, Tenório e Santos (2024, p. 7), 

A promoção da humanização traz consigo inúmeros desafios para equipe de enfermagem, considerando que sua efetivação não depende unicamente na ação do enfermeiro no exercício de sua profissão, no serviço de atenção básica ao paciente, inclusive, pela necessidade de alguns recursos materiais, que quase sempre faltam nas unidades de atenção básica.

Portanto, esses desafios podem estar relacionados à falta de capacitação adequada dos profissionais, à escassez de recursos e infraestrutura nas instituições de saúde e educação, bem como à necessidade de maior conscientização e sensibilização da sociedade sobre a importância de práticas inclusivas e personalizadas.

Essa abordagem humanizada é crucial não apenas para melhorar a qualidade do atendimento, mas também para fortalecer o vínculo entre os profissionais de saúde e as famílias, que muitas vezes enfrentam desafios diários no cuidado de uma criança com TEA. Ao adotar práticas humanizadas, os enfermeiros promovem não apenas a saúde física da criança, mas também o seu bem-estar emocional e psicológico, o que contribui para um desenvolvimento mais saudável e uma melhor qualidade de vida.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, este trabalho buscou responder às questões levantadas inicialmente, refletindo sobre a importância do papel da enfermagem no cuidado da criança com TEA, os desafios específicos desse atendimento e as habilidades essenciais para o profissional da área. A partir da análise realizada, foi possível compreender a relevância de uma abordagem humanizada e adaptada, bem como a necessidade de capacitação contínua para garantir um atendimento mais eficaz e inclusivo.

O papel da enfermagem no cuidado da criança com TEA é essencial para garantir um atendimento humanizado e adequado às suas necessidades. Além de monitorar a saúde e o desenvolvimento infantil, os profissionais oferecem suporte às famílias, auxiliando na adaptação dos cuidados diários. A utilização de abordagens personalizadas, respeitando as particularidades sensoriais e comportamentais, contribui para um ambiente seguro e acolhedor.

Os desafios nesse atendimento incluem a falta de capacitação específica, a hipersensibilidade sensorial das crianças e a necessidade de adaptação dos espaços de saúde. Procedimentos médicos podem gerar ansiedade, exigindo estratégias diferenciadas por parte da equipe de enfermagem. Além disso, a escassez de recursos e a ausência de protocolos padronizados dificultam a implementação de práticas mais inclusivas e eficazes.

Habilidades como empatia, paciência e escuta ativa são fundamentais para o profissional de enfermagem no atendimento à criança com TEA. A capacidade de adaptação e o conhecimento sobre estratégias diferenciadas, como comunicação visual e linguagem adaptada, tornam o atendimento mais acessível e eficiente.

Diante da complexidade desse cuidado, é essencial ampliar pesquisas sobre práticas humanizadas na enfermagem. Estudos contínuos podem contribuir para o aprimoramento das diretrizes assistenciais, garantindo um atendimento mais qualificado e respeitoso, que valorize a individualidade e o bem-estar das crianças com TEA.

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¹Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Campus de Bragança. E-mail: biaanne1701@gmail.com;
²Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Campus de Bragança. E-mail: edavid8922@gmail.com;
³Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Campus de Bragança. E-mail: g.o.sousa1012@gmail.com;
⁴Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Campus de Bragança. E-mail: mariasilvamonteiro1212@gmail.com;
⁵Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Campus de Bragança. E-mail: maria25nascimento25@gmail.com;
⁶Docente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Campus de Bragança. E-mail: jamillymiranda854@gmail.com.