REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512111302
Gabriela Pereira da Silva Aragão
Orientadora: Ma. Luciana Freitas Bezerra
RESUMO
O presente artigo discorre sobre as principais dificuldades enfrentadas diariamente pela população idosa em relação à saúde bucal. Além disso, evidencia as patologias orais mais recorrentes e aborda o papel do cirurgião dentista na odontogeriatria, bem como sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida desse grupo etário e a relevância dos cuidados de promoção e prevenção. A odontologia, por meio de intervenções preventivas e restauradoras, contribui para a recuperação das funções orais, promovendo maior autonomia do idoso em atividades diárias, como alimentação e higiene bucal. A saúde oral impacta diretamente a autoestima e a socialização do indivíduo, e a população idosa, em grande parte, tem esse aspecto frequentemente negligenciado, o que pode gerar sérias consequências, como prejuízos funcionais, estéticos, nutricionais e psicossociais. Muitos idosos encontram obstáculos ao buscar atendimento odontológico, como questões socioeconômicas, mobilidade reduzida, comorbidades crônicas e residência em áreas rurais, o que dificulta o acesso aos cuidados necessários. Contudo, o papel do cirurgião-dentista é garantir que a Odontologia atenda de maneira eficaz e promova não apenas a saúde oral, mas também o bem-estar e a qualidade de vida integral ao idoso.
Palavras-chave: Odontogeriatria; Saúde Bucal do Idoso; Teleodontologia; Qualidade de vida; Equipe Multidisciplinar.
ABSTRACT
This article discusses the main difficulties faced daily by the elderly population regarding oral health. In addition, it highlights the most recurrent oral pathologies and addresses the role of the dentist in geriatric dentistry, as well as their contribution to improving the quality of life of this age group and the relevance of preventive and promotional care. Dentistry, through preventive and restorative interventions, contributes to the recovery of oral functions, promoting greater autonomy for older adults in daily activities such as eating and oral hygiene. Oral health directly affects an individual’s self-esteem and socialization, and the elderly population, in many cases, has this aspect frequently neglected, which can lead to serious consequences, such as functional, aesthetic, nutritional, and psychosocial impairments. Many older adults encounter obstacles when seeking dental care, such as socioeconomic issues, reduced mobility, chronic comorbidities, and living in rural areas, which hinder access to necessary treatment. However, the role of the dentist is to ensure that Dentistry provides effective care and promotes not only oral health, but also the overall well-being and quality of life of the elderly.
Keywords: Geriatric Dentistry; Oral Health of the Elderly; Teledentistry; Quality of Life; Multidisciplinary Team.
1. INTRODUÇÃO
O presente artigo consiste em uma revisão de literatura que tem como objetivo compreender os principais desafios enfrentados pela população idosa em relação à saúde bucal. É fulcral evidenciar o papel do cirurgião-dentista na promoção e prevenção de doenças, bem como na melhoria da qualidade de vida desses indivíduos.
Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, o país possui 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa cerca de 15,6% da população total (IBGE, 2022). A Odontogeriatria é a especialidade da odontologia que tem como objetivo cuidar desse grupo etário, com atenção às predisposições a doenças sistêmicas, atuando tanto na prevenção quanto no tratamento curativo.
A falta de informação sobre a conduta de cuidados bucais dos idosos, tanto por parte do próprio idoso quanto da família, faz com que familiares e cuidadores tratem a perda dentária como algo normal do envelhecimento. Isso se deve à falta de atenção especializada em Odontogeriatria.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
O presente estudo tem como objetivo discorrer sobre os desafios enfrentados diariamente pela população idosa em relação à saúde bucal, decorrentes da deficiência de informações e da presença de comorbidades. Além disso, busca destacar a importância da atenção à saúde bucal do idoso e seus impactos na qualidade de vida, visando reduzir a incidência das patologias bucais mais recorrentes.
2.2 Objetivos específicos
- Salientar as principais dificuldades enfrentadas pelos idosos em relação à saúde bucal.
- Identificar os problemas bucais mais recorrentes nessa população.
- Evidenciar a importância dos cuidados preventivos para evitar doenças bucais.
- Abordar os principais tratamentos curativos voltados às patologias bucais.
- Destacar o papel do cirurgião dentista na odontogeriatria.
3. METODOLOGIA
A abordagem metodológica adotada neste trabalho consiste em uma revisão narrativa de literatura sobre o papel da odontologia na saúde bucal e qualidade de vida do idoso, com o objetivo de garantir um atendimento humanizado.
A execução deste trabalho envolveu a coleta de informações de forma criteriosa nas bases de dados científicas: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e PubMed.
Os critérios de inclusão adotados foram artigos publicados entre 2020 e 2025 que apresentassem informações relevantes sobre o tema. A pesquisa foi norteada pelas seguintes palavras-chave: “Odontogeriatria”, “Saúde bucal do idoso”, “Qualidade de vida”, “Teleodontologia” e “Equipe Multidisciplinar”. Os critérios de exclusão foram artigos com mais de cinco anos de publicação e que não eram pertinentes à finalidade do estudo. Artigos publicados em outros idiomas foram traduzidos para análise crítica posterior.
4. REVISÃO DE LITERATURA
4.1 A saúde bucal e os desafios enfrentados pelos idosos
A saúde bucal exerce influência direta sobre a autoestima e a convivência social do indivíduo. Muitos encontram barreiras ao buscar atendimento odontológico, como questões socioeconômicas, mobilidade reduzida, comorbidades crônicas, residência em áreas rurais, pandemia, entre outras. A Teleodontologia é uma tecnologia que consiste em uma alternativa promissora que pode proporcionar a essas pessoas a atenção e o acompanhamento necessários para o bem-estar físico e emocional (Ben-Omran et al., 2021; Niknam et al., 2023).
As patologias orais presentes nos pacientes idosos resultam de hábitos acumulados ao longo da vida, como a carência de higiene bucal, de serviços odontológicos, além do tabagismo e do etilismo. Diante da necessidade de fortalecer a atenção à saúde da população de idade avançada, as políticas públicas devem priorizar ações de cuidado, prevenção e expansão dos serviços especializados para esse grupo, visando aprimorar a qualidade de vida (Azami-Aghdash et al., 2021; Andrade et al., 2025; Teixeira; Souza Júnior, 2025).
4.2 Principais problemas bucais recorrentes na população idosa
Os idosos, seus familiares e cuidadores devem ser orientados quanto à importância dos cuidados com a saúde da boca, da reabilitação protética em casos de ausência dentária e do risco aumentado de agravo de condições como cárie e doença periodontal, que podem comprometer o bem-estar desse paciente. Além disso, comorbidades sistêmicas, como diabetes, frequente nessa faixa etária, podem agravar esses problemas e elevar o risco de infecções orais. (Janto et al., 2022; Liu et al., 2022).
A perda dentária, comum entre idosos, está associada a prejuízos funcionais, estéticos, nutricionais e psicossociais, podendo desencadear dificuldades mastigatórias, alterações na fala e impactos na autoestima. Esse comprometimento funcional é frequentemente decorrente de histórico de cárie, doença periodontal e limitada utilização de serviços ao longo da vida (Cortez et al., 2023; Santos et al., 2022).
Pesquisas recentes também demonstram o aumento da procura por reabilitação oral e cuidados preventivos, o que requer a atuação de equipes multidisciplinares para desenvolver estratégias voltadas à prevenção, recuperação funcional e acompanhamento contínuo.(Yu et al., 2024; Lipsky et al., 2024).
4.3 O papel do cirurgião-dentista na odontogeriatria
O cirurgião-dentista desempenha um papel de suma importância na odontogeriatria, oferecendo ações de prevenção e promoção de saúde. Muitos idosos chegam ao consultório com queixas que vão além de problemas bucais, incluindo experiências de negligência ou inseguranças. A escuta e o atendimento humanizado envolve acolher o paciente de forma integral, respeitando suas limitações, particularidades e valorizando suas necessidades e história.
Portanto, seu trabalho consiste em promover longevidade com qualidade, garantindo que o idoso mantenha a capacidade de sorrir, falar e mastigar com dignidade, elementos vitais para a autoestima e a interação social. O cirurgião-dentista torna-se, assim, um fator determinante para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar por meio da Odontologia. (Janto et al., 2022; Lipsky et al., 2024).
5. RESULTADOS
Os estudos analisados evidenciam que a negligência da saúde bucal do idoso pode gerar sérias consequências como o aumento do risco do desenvolvimento ou agravamento de doenças sistêmicas, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares, e até mesmo septicemia. É fundamental discorrer sobre os desafios que esse grupo enfrenta diariamente, as patologias bucais mais frequentes, a importância da higiene oral, do uso da prótese dentária quando necessário, entre outros cuidados.
A atenção e o cuidado à saúde bucal do idoso contribuem significativamente para a qualidade de vida e a longevidade desse paciente, diminuindo o risco de infecções, evitando tratamentos invasivos e melhorando a digestão, a fala, a mastigação e a autoestima. Essa população apresenta necessidades de saúde oral específicas que diferem das outras faixas etárias; o uso de múltiplos medicamentos pode causar hipossalivação e xerostomia, enquanto problemas dentários e próteses mal adaptadas podem levar a dietas restritivas que impactam o estado nutricional do indivíduo. A dor, o mau hálito e a aparência insatisfatória também podem prejudicar sua interação social e convivência. Portanto, o papel do cirurgião-dentista é garantir que a Odontologia atenda de forma eficaz e promova não apenas saúde bucal, mas qualidade de vida integral ao idoso.
6. DISCUSSÃO
É consenso na literatura que a saúde bucal está diretamente relacionada ao bem-estar emocional do paciente. O idoso sofre com modificações na cavidade oral que dificultam a capacidade mastigatória e a deglutição, como a diminuição da saliva e do paladar. O edentulismo, o uso de próteses desconfortáveis, a halitose e o comprometimento mastigatório e fonético, podem gerar vergonha, insegurança e isolamento social. O indivíduo que se sente constrangido com sua condição oral tende a evitar o convívio com outras pessoas, o que pode resultar em quadros de ansiedade e depressão.
Evidencia-se também a necessidade de criar estratégias e planos de intervenção para aumentar a participação de pacientes e suas famílias no ambiente odontológico. A integração dos cuidados odontológicos com a saúde geral é fundamental, especialmente diante das comorbidades existentes. Os métodos de prevenção são o pilar da Odontogeriatria, com o propósito de preservar a capacidade funcional do sistema estomatognático, por meio de procedimentos como profilaxia, educação e orientação de higiene oral, visando reduzir a incidência de patologias bucais.
7. CONCLUSÃO
Conclui-se com este estudo que a atuação do cirurgião-dentista vai além dos métodos de promoção e prevenção, pois a função exige o acompanhamento integral do indivíduo, com amor, paciência e acolhimento, respeitando suas particularidades e inseguranças. A odontogeriatria não se restringe à saúde bucal e às patologias orais, tendo em vista que as consequências da desinformação por parte do idoso, familiares e cuidadores, impactam significativamente o estado físico e emocional do paciente, seu bem-estar e sua condição de vida. Diante da necessidade de fortalecer a atenção à saúde da população idosa, as políticas públicas devem priorizar ações de assistência e cuidado. É essencial que novas estratégias sejam adotadas para mitigar a incidência de doenças bucais, evitar o agravamento de comorbidades existentes e facilitar o acesso ao atendimento odontológico específico e necessário, como a Teleodontologia, uma tecnologia que oferece à população idosa os cuidados indispensáveis.
8. REFERÊNCIAS
ANDRADE, B. de et al. Fatores associados às desigualdades socioeconômicas no uso de serviços odontológicos entre idosos brasileiros: uma análise de decomposição Oaxaca-Blinder. BMC Saúde Bucal, v. 25, n. 1, p. 1392, 2025. Doi: 10.1186/s12903-025-06709-5.
AZAMI-AGHDASH, S. et al. Oral health–related quality of life in elderly: a systematic review and meta-analysis. Iranian Journal of Public Health, v. 50, n. 4, p. 689–700, 2021. Doi: 10.18502/ijph.v50i4.5993.
BEN-OMRAN, M. O. et al. O uso da teleodontologia para facilitar a saúde bucal de idosos: uma revisão de escopo. Journal of the American Dental Association, v. 152, n. 12, p. 998–1011.e17, 2021. Doi: 10.1016/j.adaj.2021.06.005.
CORTEZ, G. F. P. et al. Razões e consequências da perda dentária em adultos e idosos no Brasil: uma metassíntese qualitativa. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 5, p. 1413–1424, 2023. Doi: 10.1590/1413-81232023285.01632022.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2022: População por faixa etária. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br.
JANTO, M. et al. Saúde bucal entre idosos, impacto na qualidade de vida, acesso de pacientes idosos a serviços de saúde bucal e métodos para melhorar a saúde bucal: uma revisão narrativa. Journal of Personalized Medicine, v. 12, n. 3, p. 372, 2022. Doi: 10.3390/jpm12030372.
LIU, F. et al. Múltiplos resultados relacionados à saúde bucal da saúde holística em idosos: uma revisão abrangente de revisões sistemáticas e meta-análises. Frontiers in Public Health, v. 10, p. 1021104, 2022. Doi: 10.3389/fpubh.2022.1021104.
LIPSKY, M. S. et al. Oral health and older adults: a narrative review. Dentistry Journal, v. 12, n. 2, p. 30, 2024. Doi: 10.3390/dj12020030.
NIKNAM, F. et al. Teleodontologia, suas tendências, escopo e futuro quadro na medicina bucal: uma revisão de escopo entre janeiro de 1999 e dezembro de 2021. Archives of Public Health, v. 81, n. 1, p. 104, 2023. Doi: 10.1186/s13690-023-01128-w.
SANTOS, A. S. F. et al. Uso de serviços de saúde bucal entre idosos brasileiros: mediação pela perda de dentes. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 7, p. 2777–2788, 2022. Doi: 10.1590/1413-81232022277.22122021.
TEIXEIRA, A. K. M.; SOUZA JÚNIOR, P. R. B. Evolução das desigualdades socioeconômicas na saúde bucal e no uso de serviços odontológicos na população adulta do Brasil entre 2013 e 2019. Cadernos de Saúde Pública, v. 41, n. 8, p. e00162324, 2025. Doi: 10.1590/0102-311XEN162324.
YU, J. et al. Pesquisas sobre pontos críticos e tendências sobre saúde bucal em idosos de 2013 a 2023: uma análise bibliométrica e visual. Heliyon, v. 10, n. 3, p. e25243, 2024. Doi: 10.1016/j.heliyon.2024.e25243.
