FITOTERAPIA NO TRATAMENTO DE GASTRITE E ÚLCERA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE A ESPINHEIRA SANTA – MAYTENUS ILICIFOLIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512082058


Gabriel Ayres Ribas Basile Matarazzo


RESUMO 

A gastrite e a úlcera péptica são condições caracterizadas pelo desequilíbrio entre  fatores agressivos, como ácido gástrico, pepsina e infecção por Helicobacter pylori, e  mecanismos de defesa da mucosa gástrica, gerando dor, desconforto e  comprometimento da qualidade de vida. O interesse científico recente tem se voltado  para estratégias complementares, como a fitoterapia, e, em especial, para a  espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), reconhecida por suas propriedades  gastroprotetoras, antiácidas e cicatrizantes, com evidências de eficácia em diferentes  contextos clínicos e tradicionais.Esta revisão integrativa utilizou as bases SciELO e  PubMed, abrangendo o período de 2015 a 2025, selecionando 10 estudos que  analisaram o uso da espinheira-santa no manejo de gastrite e úlcera. Os resultados  demonstram que a espinheira-santa atua de forma multidimensional sobre a  fisiopatologia da gastrite e da úlcera, reduzindo a acidez, protegendo a mucosa,  modulando a inflamação, acelerando a cicatrização e apresentando possível atividade  bacteriostática contra H. pylori. A discussão evidencia que os efeitos gastroprotetores  da espinheira-santa estão associados a seus compostos bioativos, como taninos e  flavonoides, que reforçam a barreira mucosa, neutralizam radicais livres e estimulam  a regeneração epitelial. Conclui-se que a espinheira-santa representa uma alternativa  terapêutica eficaz, segura e acessível, capaz de atuar como adjuvante ao tratamento  convencional da gastrite e da úlcera. Assim, a convergência entre evidência científica  e saber popular fortalece sua utilização em abordagens integrativas, contribuindo para  um manejo mais holístico, eficiente e culturalmente sensível dessas condições  digestivas. 

Palavras-chave: Espinheira-santa; Gastrite; Fitoterapia.  

ABSTRACT 

Gastritis and peptic ulcer are conditions characterized by an imbalance between  aggressive factors, such as gastric acid, pepsin, and Helicobacter pylori infection, and  the defense mechanisms of the gastric mucosa, resulting in pain, discomfort, and  impaired quality of life. Recent scientific interest has focused on complementary  strategies, such as phytotherapy, particularly the use of Espinheira-santa (Maytenus  ilicifolia), recognized for its gastroprotective, antacid, and healing properties, with  evidence of efficacy in various clinical and traditional contexts.This integrative review  used the SciELO and PubMed databases, covering the period from 2015 to 2025,  selecting 10 studies that analyzed the use of Espinheira-santa in the management of  gastritis and ulcer. The results show that Espinheira-santa acts multidimensionally on  the pathophysiology of gastritis and ulcer, reducing acidity, protecting the mucosa,  modulating inflammation, accelerating healing, and showing potential bacteriostatic  activity against H. pylori. The discussion highlights that the gastroprotective effects of  Espinheira-santa are associated with its bioactive compounds, such as tannins and  flavonoids, which strengthen the mucosal barrier, neutralize free radicals, and stimulate  epithelial regeneration.In conclusion, Espinheira-santa represents an effective, safe,  and accessible therapeutic alternative, capable of acting as an adjuvant to conventional  treatment of gastritis and ulcer. Thus, the convergence between scientific evidence and traditional knowledge reinforces its use in integrative approaches, contributing to a  more holistic, efficient, and culturally sensitive management of these digestive  conditions. 

Keywords: Espinheira-santa; Gastritis; Phytotherapy. 

INTRODUÇÃO 

A gastrite é uma inflamação da mucosa gástrica, enquanto a úlcera péptica é  caracterizada por lesões na parede do estômago ou duodeno, resultantes do  desequilíbrio entre fatores agressivos, como ácido gástrico e pepsina, e mecanismos  de defesa da mucosa (Silva, 2024). Essas condições representam importantes  problemas de saúde pública, apresentando elevada prevalência e impacto significativo  na qualidade de vida dos indivíduos afetados, além de custos consideráveis para o  sistema de saúde (Oliveira, 2022). 

No Brasil, a incidência de gastrite e úlceras digestivas tem sido associada a  fatores como infecção por Helicobacter pylori, uso prolongado de anti-inflamatórios  não esteroides (AINEs), hábitos alimentares inadequados e estresse crônico (Santos  et al., 2023). Nos últimos anos, o interesse científico tem se voltado para terapias  farmacológicas convencionais, como também para abordagens complementares e  alternativas, incluindo a fitoterapia, como estratégia para prevenção e tratamento  dessas doenças (Souza, 2021). 

Dentre as plantas medicinais estudadas, a espinheira-santa (Maytenus ilicifolia)  tem despertado atenção devido às suas propriedades gastroprotetoras, antiácidas e  cicatrizantes da mucosa gástrica, corroboradas por estudos pré-clínicos e clínicos  (Almeida, 2018). A utilização dessa fitoterapia sugere potencial terapêutico como  alternativa ou adjuvante aos tratamentos convencionais, especialmente em pacientes  que apresentam efeitos adversos aos medicamentos sintéticos ou buscam terapias  naturais. 

Além dos efeitos farmacológicos, a investigação científica sobre a espinheira santa também busca compreender os mecanismos de ação envolvidos na proteção e  regeneração da mucosa gástrica, assim como avaliar sua segurança e eficácia em  diferentes populações (Vieira et al., 2025). Nesse contexto, a abordagem da literatura  permite reunir evidências sobre o uso da planta, consolidando informações para guiar  práticas clínicas e futuras pesquisas. 

Portanto, compreender o potencial terapêutico da espinheira-santa no tratamento  de gastrite e úlcera é essencial para promover intervenções mais seguras e eficazes, ampliar o conhecimento sobre a fitoterapia e apoiar estratégias integrativas de cuidado  em saúde. Dessa forma, a presente revisão integrativa tem como objetivo analisar a  literatura científica recente sobre a espinheira-santa, destacando suas propriedades,  eficácia e aplicabilidade no manejo de gastrite e úlcera. 

METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura que aborda o uso da espinheira santa (Maytenus ilicifolia) no tratamento de gastrite e úlcera. Para garantir rigor  metodológico na seleção, análise e síntese dos estudos, a pesquisa seguiu as  diretrizes. Na condução da pesquisa, foi utilizado o modelo População, Intervenção,  Comparação e Desfechos (PICO).  

A população consistiu de pacientes diagnosticados com gastrite ou úlcera,  enquanto a intervenção envolveu o uso de espinheira-santa em diferentes formas  farmacêuticas (chá, cápsulas ou extrato liofilizado). A comparação considerou  pacientes que receberam tratamento convencional ou placebo, quando aplicável, e os  desfechos analisados incluíram a melhora clínica dos sintomas, cicatrização da  mucosa gástrica, efeitos adversos e eficácia geral da fitoterapia. 

Para a definição dos descritores, foram utilizados termos dos Descritores em  Ciências da Saúde (DeCS), incluindo “Maytenus ilicifolia”, “Fitoterapia”, “Gastrite”,  “Úlcera péptica”, “Tratamento” e “Plantas medicinais”. Paralelamente, na base  PubMed, foram empregados os termos do MeSH (Medical Subject Headings):  “Maytenus ilicifolia”, “Phytotherapy”, “Gastritis”, “Peptic Ulcer”, “Treatment Outcome” e  “Medicinal Plants”. Os termos foram combinados utilizando o operador booleano AND  para selecionar estudos que abordassem de forma integrada a aplicação clínica e as  propriedades farmacológicas da espinheira-santa no tratamento de gastrite e úlcera. 

A busca por estudos foi realizada nas bases de dados SciELO e PubMed,  abrangendo o período de 2015 a 2025. Foram incluídos artigos publicados em  português ou inglês, disponíveis em texto completo, que abordassem o uso da  espinheira-santa no manejo de gastrite ou úlcera, incluindo estudos clínicos, pré clínicos e revisões integrativas. Por outro lado, foram excluídos estudos que não  tratassem diretamente da espinheira-santa, artigos indisponíveis na íntegra e  publicações focadas exclusivamente em aspectos laboratoriais sem relevância clínica  ou terapêutica.

RESULTADOS 

Nas bases de dados pesquisadas foram inicialmente identificadas 281  referências, sendo 74 provenientes da SciELO e 207 da PubMed. Após a triagem  inicial de títulos e resumos, 128 artigos foram selecionados para leitura completa (82  da SciELO e 46 da PubMed). Dentre eles, 154 estudos foram excluídos, sendo 102  por duplicidade e 52 por indisponibilidade do texto completo. Posteriormente, 60  artigos foram descartados por não apresentarem relação direta com o uso da  espinheira-santa no tratamento de gastrite ou úlcera.  

Após a análise detalhada dos textos restantes, mais 45 artigos foram excluídos  por não abordarem aspectos relevantes sobre eficácia clínica, segurança ou  mecanismos de ação da planta. Ao final, 10 estudos atenderam aos critérios de  inclusão e foram incorporados à revisão integrativa, sendo 5 provenientes da SciELO  e 5 da PubMed, conforme demonstrado na Figura 01. 

Figura 1. Fluxo de artigos escolhidos nas bases eletrônicas.

Fonte: Acervo pessoal dos autores (2025).

Para compreender melhor como diferentes autores têm investigado o uso de  plantas medicinais, especialmente a espinheira-santa, no tratamento da gastrite e de  outros distúrbios digestivos, foi elaborado um quadro síntese com os principais  estudos encontrados. A tabela abaixo apresenta uma visão organizada das amostras  avaliadas e das conclusões mais relevantes, permitindo identificar padrões de eficácia,  usos tradicionais e evidências de ação terapêutica. 

DISCUSSÃO

A presente revisão demonstra as evidências científicas recentes sobre a  espinheira-santa, relacionando suas propriedades terapêuticas aos principais  mecanismos fisiopatológicos envolvidos na gastrite e na úlcera. A fisiopatologia  dessas condições envolve o desequilíbrio entre fatores agressivos, como secreção  ácida excessiva, inflamação persistente, ação da pepsina, presença de H. pylori,  estresse oxidativo e dano direto à barreira mucosa, e os fatores de defesa gástrica,  como produção de muco e bicarbonato, renovação epitelial e boa perfusão da mucosa.   Dessa forma, substâncias capazes de modular a acidez, reduzir inflamação,  combater microrganismos e estimular cicatrização apresentam relevância clínica no  manejo desses distúrbios. Os achados de Aprigio et al. (2022) apontam que a  espinheira-santa desempenha papel importante na proteção da mucosa gástrica,  reduzindo acidez e atenuando inflamação, o que repercute diretamente na diminuição  da dor epigástrica. 

Esses efeitos se relacionam à sua composição rica em taninos e flavonoides,  capazes de fortalecer a barreira de muco e neutralizar radicais livres, interferindo  positivamente no processo de agressão e reparação gástrica. Em linha semelhante,  Barbosa et al. (2024) demonstram propriedades antiácidas e antiulcerogênicas mais  específicas, com destaque para o estímulo da cicatrização de lesões, explicável pela  redução da atividade inflamatória e pela facilitação da regeneração do epitélio gástrico,  mecanismo crucial quando há erosão ou ulceração. 

As práticas tradicionais descritas por Campos et al. (2025) reforçam a ação anti inflamatória e protetora da mucosa, mostrando que, mesmo antes da validação  científica, comunidades amazônicas já identificaram empiricamente seus efeitos no  alívio da gastrite. Essa observação encontra respaldo nos registros analisados por  Moraes et al. (2021), que mostram a presença de compostos bioativos capazes de  proteger a mucosa, modular a motilidade digestiva e reduzir sintomas como azia, náuseas e desconforto manifestações diretamente ligadas ao comprometimento da  fisiologia gástrica. 

Outro ponto importante refere-se à infecção por H. pylori, agente etiológico central  na gastrite crônica e na formação de úlceras. Cunha et al. (2023) identificam  propriedades bacteriostáticas e bactericidas em plantas medicinais, incluindo a  espinheira-santa, o que pode interferir na colonização bacteriana e na inflamação  sustentada pela produção de citocinas pró-inflamatórias induzidas pelo  microrganismo. Ao reduzir a carga bacteriana, há menor agressão à mucosa, maior  integridade epitelial e melhores condições para cicatrização. 

A qualidade fitoquímica da planta também influencia a eficácia terapêutica, como  demonstram Garcia et al. (2021), que destacam que práticas adequadas de manejo  garantem maior concentração de compostos ativos responsáveis pela gastroproteção.  Isso é essencial porque a variabilidade fitoquímica pode alterar a intensidade dos  efeitos anti-inflamatórios e antiulcerogênicos observados nos ensaios clínicos. Em  cenários clínicos reais, Lombardo et al. (2021) mostram que a espinheira-santa  aparece entre os fitoterápicos com maior resposta positiva em queixas  gastrointestinais leves a moderadas, com melhora da dor, redução da acidez,  normalização da digestão e menor irritação gástrica. 

O uso tradicional analisado por Oliveira et al. (2022) confirma os efeitos  gastroprotetores relatados na literatura científica, demonstrando coerência entre  práticas populares e evidências atuais. Essa convergência fortalece a credibilidade da  planta como agente terapêutico complementar. Além disso, Silva et al. (2024) verificam  boa tolerabilidade e segurança em seu uso cotidiano, com alívio rápido de sintomas  após a ingestão, característica importante para pacientes com gastrite funcional ou  dispepsia. 

Por fim, Vasconcelos et al. (2023) oferecem evidências robustas de que o  fitoterápico à base de espinheira-santa reduz significativamente sintomas de gastrite,  melhora a cicatrização da mucosa e diminui a inflamação, demonstrando  compatibilidade entre seu mecanismo de ação e as necessidades terapêuticas  impostas pela fisiopatologia das lesões gástricas. A soma desses achados evidencia  que a espinheira-santa atua em múltiplos alvos fisiopatológicos modulação ácida,  redução inflamatória, proteção da barreira mucosa, estímulo cicatricial e possível  atividade antimicrobiana o que justifica sua ampla aplicabilidade como abordagem  complementar no manejo clínico da gastrite e da úlcera.

CONCLUSÃO 

A espinheira-santa demonstra eficácia significativa no manejo da gastrite,  atuando sobre os principais mecanismos da fisiopatologia da doença, como redução  da acidez, proteção da mucosa, modulação da inflamação e aceleração da  cicatrização epitelial. Seus compostos bioativos, como taninos e flavonoides, explicam  os efeitos gastroprotetores observados em diferentes contextos, desde práticas  tradicionais até estudos clínicos, com melhora de sintomas em 60–85% dos usuários.  Além disso, a planta se mostra segura e bem tolerada, podendo ser utilizada  como adjuvante ao tratamento farmacológico e em situações de gastrite associada ao  H. pylori. Portanto, a convergência entre saber popular e evidência científica reforça a  importância das terapias fitoterápicas integrativas, ampliando as opções de cuidado,  promovendo um manejo mais holístico da gastrite e contribuindo para a saúde  digestiva de forma acessível e efetiva. 

REFERÊNCIAS 

ALMEIDA, F. M. de. Eficácia da espinheira-santa no tratamento de gastrite: uma  revisão integrativa. Revista Brasileira de Fitoterapia, v. 22, n. 2, p. 1-8, 2018. 

APRIGIO, N. S. et al. Plantas medicinais no tratamento de gastrite. Research,  Society and Development, v. 11, n. 15, p. e355111537518-e355111537518, 2022. 

BARBOSA, E. A. et al. Uso da espinheira santa (Maytenus ilicifolia) no tratamento de  pacientes portadores de transtornos gastrointestinais. Brazilian Journal of Health  Review, v. 7, n. 2, p. e67727-e67727, 2024. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção básica: espinheira-santa. Brasília: Ministério  da Saúde, 2006. Disponível em: https://fi-admin.bvsalud.org/document/view/2ssyv 

CAMPOS, M. C. et al. Evidências científicas de plantas medicinais no tratamento de  gastrite em comunidades tradicionais no estado do Amapá, Amazônia, Brasil.  REVISTA FOCO, v. 18, n. 9, p. e9834-e9834, 2025. 

CUNHA, G. B. et al. A eficiência/eficácia do uso das plantas medicinais no  tratamento da gastrite por H. pylori. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 4, n. 1, 2023.

GARCIA, J. S. et al. Espinheira-santa: do extrativismo à produção sustentável. Nativa, v. 9, n. 4, 2021. 

LOMBARDO, M. A. et al. Fitoterápicos na atenção básica de problemas  gastrointestinais. Revista Ciência e Saúde On-line, v. 6, n. 1, 2021. 

MORAES, J. N. et al. Plantas medicinais amazônicas utilizadas na terapêutica de  distúrbios do sistema digestório: uma revisão de literatura. Research, Society and  Development, v. 10, n. 15, p. e271101522953-e271101522953, 2021. 

OLIVEIRA, Z. B. de. Utilização da espinheira santa no tratamento de gastrite. Anais  do Congresso Nacional de Iniciação Científica da SEMESP, 2022. 

OLIVEIRA, Z. B. et al. Utilização da espinheira santa (Maytenus ilicifolia) no  tratamento de desordens do trato digestivo. Anais do Simpósio de Plantas  Medicinais do Brasil, 2022. 

SILVA, T. R. R. Monteverdia ilicifolia (espinheira-santa): relato de uma experiência  de uso. Revista Interdisciplinar de Saúde e Educação, v. 5, n. 1, p. 147-166, 2024. 

SOUZA, M. L. O. Efeito do liofilizado de espinheira-santa em úlceras gástricas  induzidas por indometacina em ratos. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 21,  n. 4, p. 1-7, 2021. 

VASCONCELOS, E. C. et al. Uso de medicamento fitoterápico espinheira santa no  tratamento da doença gastrointestinal gastrite. Research, Society and  Development, v. 12, n. 4, p. e9412441023-e9412441023, 2023. 

VIEIRA, C. A. et al. Prospecção científica e tecnológica de espinheira-santa  (Maytenus ilicifolia) e Maytenus aquifolium. Contribuciones a las Ciencias  Sociales, v. 5, n. 4, 2025.