AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE MÃOS DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE EM UMA UTI DE UM HOSPITAL EM CAMPINA GRANDE – PB

MICROBIOLOGICAL EVALUATION OF HEALTH CARE PROFESSIONAL HANDS IN AN ICU HOSPITAL IN CAMPINA GRANDE – PB

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512082055


Laryssa Carla da Silva1
José Isaac Gonzaga da Silva2
Maria Eduarda Aires Silva3
Ítalo Freitas Pereira4
Heronides dos Santos Pereira5
Patrícia Maria de Freitas e Silva6


Resumo 

Em unidades de terapia intensiva (UTIs), a combinação de vulnerabilidade imunológica dos  pacientes com a baixa adesão à prática de higienização das mãos de profissionais de saúde pode  desencadear a propagação de infecções. As infecções associadas à assistência à saúde (IRAS)  provocam custos elevados ao sistema de saúde e apresentam maior ocorrência em vias  respiratórias, trato urinário, corrente sanguínea e procedimentos cirúrgicos. O presente estudo  teve o objetivo de identificar bactérias e fungos (leveduras), por meio de culturas de vigilância,  presentes nas mãos de profissionais de saúde de uma UTI de um hospital de Campina Grande,  bem como a realização de testes de sensibilidade aos antimicrobianos para avaliar a  multirresistência desses microrganismos e o seu impacto no desenvolvimento de infecções  hospitalares pelos pacientes na UTI estudada. Foram analisadas 42 amostras de profissionais  de saúde divididos em enfermeiros (38%), técnicos de enfermagem (33%), médicos (19%) e  fisioterapeutas (10%), com predominância do gênero feminino. Foram isolados 43  microrganismos: 35 (81,4%) Gram-positivos, 4 (9,3%) Gram-negativos e 4 (9,3%) fungos. Para  bactérias Gram-positivas obteve-se Staphylococcus coagulase negativa, com 81,25% sendo  MRCoNS (Meticilin Resistant coagulase-negative Staphylococcus); 14 Staphylococcus aureus,  onde 71% eram sensíveis à oxacilina, enquanto 29% eram MRSA (Meticilin Resistant Staphylococcus aureus). Para bactérias Gram-negativas, Enterobacter aerogenes Enterobacter agglomerans apresentaram resistência completa a amoxicilina + ácido  clavulânico e ampicilina, mas foram sensíveis à ciprofloxacina, gentamicina e meropenem. O  maior crescimento foi observado em coletas onde a higienização ocorreu menos de 30 minutos  antes da coleta. Conclui-se que a resistência bacteriana é um problema entre os profissionais de  saúde, e a taxa de crescimento microbiano está diretamente relacionada aos métodos de  higienização e ao tempo decorrido desta até a coleta. 

Palavras-chave: Cultura de vigilância. Resistência bacteriana. Higiene das mãos.

Abstract 

In intensive care units (ICUs), the combination of patients’ immunological vulnerability and  healthcare professionals’ poor hand hygiene adherence can trigger the spread of infections.  Healthcare-associated infections (HAIs) cause high costs to the healthcare system and are more  common in the respiratory tract, urinary tract, bloodstream, and surgical procedures. This study  aimed to identify bacteria and fungi (yeasts) present on the hands of healthcare professionals in  a Campina Grande hospital ICU through surveillance cultures. Antimicrobial susceptibility  testing was also performed to assess the multidrug resistance of these microorganisms and their  impact on the development of hospital-acquired infections among patients in the ICU studied.  Forty-two samples were analyzed from healthcare professionals, divided into nurses (38%),  nursing technicians (33%), physicians (19%), and physiotherapists (10%), with a predominance  of women. A total of 43 microorganisms were isolated: 35 (81.4%) Gram-positive, 4 (9.3%)  Gram-negative, and 4 (9.3%) fungi. For Gram-positive bacteria, coagulase-negative  Staphylococcus was obtained, with 81.25% being MRCoNS (Methicillin-Resistant Coagulase Negative Staphylococcus); 14 Staphylococcus aureus, of which 71% were sensitive to oxacillin,  while 29% were MRSA (Methicillin-Resistant Staphylococcus aureus). For Gram-negative  bacteria, Enterobacter aerogenes and Enterobacter agglomerans showed complete resistance  to amoxicillin + clavulanic acid and ampicillin, but were sensitive to ciprofloxacin, gentamicin,  and meropenem. The highest growth was observed in collections where sanitization occurred  less than 30 minutes before collection. It is concluded that bacterial resistance is a problem  among health professionals, and the rate of microbial growth is directly related to hygiene  methods and the time elapsed between hygiene and collection. 

Keywords: Surveillance culture. Bacterial resistance. Hand hygiene. 

1. INTRODUÇÃO 

Infecções causadas por bactérias multirresistentes aos antimicrobianos (MDR) estão  relacionadas ao aumento das taxas de infecções hospitalares, sendo imprescindível o  monitoramento desses patógenos no ambiente hospitalar, principalmente controlando as vias  de transmissão dos mesmos (JOACHIM et al., 2023).  

Dessa forma, a vigilância de bactérias MDR permite quantificar a ocorrência de  infecção e colonização por estes agentes, definindo seus níveis endêmicos e epidêmicos. Com  o conhecimento da epidemiologia local do hospital, é possível definir prioridades quanto ao  emprego de recursos em cada unidade, o uso de antibióticos adequados e, assim, estabelecer  uma estratégia de prevenção de transmissão de microrganismos (OLIVEIRA et al., 2019). 

As mãos de profissionais de saúde podem funcionar como elo da cadeia de transmissão  de patógenos do ambiente hospitalar ao paciente (ANVISA, 2013), notadamente em unidades  de Terapia Intensiva, devendo ser alvo constante de controle através de higienização adequada  das mesmas. 

A microbiota das mãos inclui microrganismos residentes e transitórios. Os residentes  fixam-se nas camadas mais internas da pele, apresentando resistência à remoção, porém  exibindo baixa probabilidade de causar infecções transmitidas por contato. Já a microbiota  transitória, por sua vez, é composta por microrganismos que não são inerentemente  patogênicos, mas têm possibilidade de apresentar potencial patogênico, sendo eficazmente  eliminada com higienização adequada das mãos, utilizando água e sabão. Entre os  microrganismos transitórios encontram-se bactérias aeróbias e algumas formadoras de esporos,  fungos e vírus, muitos deles com a capacidade de desencadear IRAS (Fontana; Rossato; Ruoso,  2022). Caso a técnica de lavagem e antissepsia das mãos não seja realizada com precisão, esses  microrganismos têm o potencial de ser transferidos de um paciente para outro pelas mãos dos  profissionais de saúde, aumentando o risco de infecção, especialmente em casos de pacientes  com o sistema imunológico comprometido. Assim a rigorosa higienização das mãos,  combinada com a implementação das precauções padrão e de contato, desempenha um papel  fundamental em limitar a propagação de microrganismos resistentes. Essas medidas, por sua  vez, reduzem significativamente a incidência de infecções evitáveis, contribuindo para a  diminuição da morbimortalidade nos serviços de saúde (Mello e Oliveira, 2021; Portela et al.,  2020).  

Diversas são as infecções que podem afetar os pacientes internados, entretanto as  infecções mais comuns incluem aquelas que afetam o sistema respiratório e urinário, além das  infecções sanguíneas que podem estar relacionadas ou não ao uso de cateter. Os principais  agentes microbianos responsáveis por essas infecções são Klebsiella pneumoniae,  Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp., Escherichia coli,  Enterobacter spp. e Candida spp. (Mir et al., 2021). As infecções originadas em ambientes  hospitalares ou mesmo nos contextos de cuidados de saúde têm representado uma significativa  causa de morbimortalidade em diversos hospitais ao redor do mundo. No que diz respeito às  bactérias Gram-negativas não fermentadoras (BGN-NF), como Pseudomonas spp. Acinetobacter spp., sua capacidade patogênica é amplificada devido à resistência que  desenvolvem a diversos agentes antimicrobianos amplamente utilizados (Silva et al., 2021).  

Um fator crítico na disseminação desses patógenos é a transferência potencial por meio  das mãos dos profissionais de saúde, tanto por contato direto com pacientes colonizados ou infectados com esses agentes, bem como durante procedimentos laborais que envolvam  interações com o ambiente ou superfícies inanimadas próximas aos pacientes (Fontana;  Rossato; Ruoso, 2022).  

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) constitui um cenário onde os pacientes exibem  condições de saúde frágeis, tornando-os vulneráveis ao desenvolvimento de infecções. Quando  essa fragilidade é combinada com uma elevada probabilidade de contrair e/ou disseminar  infecções e considerando o consenso de que a transmissão por contato é uma realidade,  juntamente com a falta de higiene das mãos e a escassa adesão dos profissionais à prática de  higienização, pode ser desencadeada uma dinâmica de propagação de infecções (Bezerra et al.,  2020).  

As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) destacam-se como eventos  adversos de relevância global em hospitais, sendo consideradas complicações evitáveis, e uma  das principais ameaças à segurança dos pacientes. Além disso, acarreta custos substanciais  adicionais ao sistema de saúde (Mello e Oliveira, 2021).  

O objetivo do presente estudo será avaliar a colonização de mãos de profissionais de  saúde por bactérias e fungos em uma UTI de um hospital de Campina Grande- PB, bem como  demonstrar seu perfil de resistência aos antimicrobianos como forma de alertar estes  profissionais sobre a importância de manter suas mãos higienizadas. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Infecção Hospitalar em UTIs 

As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são frequentemente definidas  como eventos adversos resultantes da prestação de cuidados médicos. Reduzir o risco  decorrente da disseminação de microrganismos patogênicos no ambiente hospitalar é um  desafio considerável no contexto do bom funcionamento do setor de serviços à saúde (Lemiech Mirowska et al., 2020). 

O índice de proliferação de infecções está diretamente relacionado ao tempo de  internação dos pacientes e o setor hospitalar em que se encontra, sendo mais recorrente nas  UTIs. O prolongamento da permanência do paciente na UTI provoca o maior tempo de  exposição do indivíduo a bactérias multirresistentes, retardo da reabilitação, aumento da  complexidade de serviços, adicional de custos no tratamento e uma redução na qualidade de  vida e de trabalho dos envolvidos no cuidado, paciente e equipe de saúde (Silva et al., 2022).

As mãos são os principais agentes de propagação de IRAs em pacientes da UTI, além  de contaminar dispositivos médicos que podem agir como fômites, tais como dispensadores de  sabão/álcool, nebulizadores, transdutores de pressão, estetoscópios, cateteres de sucção,  termômetros, sondas de ultrassom e qualquer outro material que seja operado com as mãos.  Assim, a contaminação das mãos de profissionais da saúde tem relação direta com a propagação  dessas infecções (Mazzeffi; Galvagno; Rock, 2021). 

2.2 Microbiota e Higienização das Mãos 

As mãos desempenham um papel crucial na atuação dos profissionais de saúde, sendo  o meio principal para a execução de uma gama de procedimentos na assistência médica.  Consequentemente, a segurança do paciente está estreitamente relacionada à aplicação  adequada e frequente da técnica de higienização das mãos, bem como a consideração de outros  fatores ligados às boas práticas na execução dessa medida, incluindo questões como  infraestrutura e conhecimento sobre a técnica apropriada (Garcia et al., 2022). 

A microbiota presente nas mãos é composta por dois tipos de bactérias: as residentes,  presentes nas camadas mais profundas da pele e são resistentes à remoção; e as transitórias, que  colonizam a porção superficial da pele e são facilmente removidas por meio da lavagem das  mãos. Geralmente, as bactérias transitórias são adquiridas através do contato com pacientes ou  superfícies contaminadas (SOARES et al., 2019).  

Dentre os microrganismos residentes estão presentes, em maior grau, bactérias Gram positivas, comumente Staphylococcus coagulase negativos (SCN). Enquanto na microbiota  transitória pode-se encontrar bactérias, fungos e vírus, os quais estão fortemente associados aos  surtos de infecções hospitalares (SOARES et al., 2019). As bactérias da flora transitória são de  maioria Gram-negativas, com destaque as pertencentes à família Enterobacteriaceae e do  gênero Pseudomonas (Gazi et al., 2022). 

Com isso, as orientações para higienização das mãos, segundo a Organização Mundial  da Saúde (OMS), indicam observar cinco momentos para realizar a higiene adequada nos  serviços de saúde: antes de tocar o paciente; antes de realizar procedimentos limpos/assépticos  incluindo antes de manipular um dispositivo invasivo, independentemente do uso de luvas e  também ao passar de um sítio anatômico contaminado para outro durante o atendimento do  mesmo paciente; após o risco de exposição a fluidos corporais ou excreções incluindo ao passar  de um sítio anatômico contaminado para outro durante o atendimento ao mesmo paciente; após  tocar o paciente, inclusive depois de remover luvas esterilizadas ou não esterilizadas; após tocar superfícies próximas ao paciente, inclusive após remover luvas esterilizadas ou não  esterilizadas (ANVISA, 2013). 

Além de indicar os momentos de higienização, as diretrizes incluem orientações sobre  quando lavar as mãos com sabonete líquido e água e com preparação alcoólica. Para sabonete  líquido e água, tem-se quando as mãos estiverem visivelmente sujas, manchadas de sangue ou  outros fluidos corporais, ou após o uso do banheiro, também quando houver forte suspeita ou  confirmação de exposição a patógenos formadores de esporos. Para a preparação alcoólica,  quando as mãos não estiverem visivelmente sujas; antes e depois de tocar o paciente; após  remover luvas; e antes de manusear medicação ou preparar alimentos (ANVISA, 2013). 

2.3 Resistência das Bactérias Hospitalares aos Antimicrobianos 

A resistência bacteriana aos antimicrobianos é um dos principais problemas enfrentados  pela área da saúde, no século XXI. A Resistência Antibiótica pode ser considerada como a  ‘Pandemia Invisível’ que tem intrigado o mundo inteiro (Chopra et al., 2022). Entretanto, a  resistência dos microrganismos faz parte do fenômeno espontâneo de evolução e seleção  natural, devido a presença de genes de resistência aos antibióticos (ARGs) (Jian et al., 2021). 

Porém, o processo de evolução e o aumento da resistência têm se intensificado devido  a diversos fatores que envolvem o cotidiano dos seres humanos, como o uso indiscriminado de  antibióticos, diagnósticos imprecisos, prescrições desnecessárias ou inadequadas, prática de  automedicação, descarte inadequado de medicamentos, entre outras atitudes enraizadas na  cultura de tratamento. Contudo, ambientes hospitalares precários também podem facilitar a  propagação de bactérias resistentes, destacando assim a importância de procedimentos e  protocolos rigorosos de controle de infecções (Uddin et al., 2021). 

A relevância clínica dessas infecções reside na sua notável resistência a múltiplos tipos  de antibióticos, o que está frequentemente associado a taxas elevadas de morbidade e  mortalidade. Esses microrganismos são frequentemente identificados em casos de pneumonia,  sepse, particularmente, em ITU (infecções do trato urinário) (SOARES et al., 2019). As  Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) apresentam maior concentração e dados epidemiológicos  dos casos de IRAS, devido às características dos pacientes internados nessa área, pois fazem  uso de dispositivos invasivos passíveis à contaminação e formação de biofilmes, como cateter  venoso central, sonda vesical de demora e ventilação mecânica; além do tempo de permanência,  uso de imunossupressores e antibióticos, que provocam maior debilidade do sistema  imunológico e induzem a resistência aos antimicrobianos (Gima et al., 2020).

Dados apontam que a cada 100 pacientes em hospitais para cuidados intensivos, 7  pacientes de países desenvolvidos e 15 pacientes de países em desenvolvimento irão adquirir  pelo menos uma IRAS durante sua estadia hospitalar. Em média, 1 em cada 10 pacientes  afetados morrerá devido a IRAS (OMS, 2022). Segundo a Associação Médica Brasileira, mais  de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido a infecções hospitalares (ANS, 2021). 

2.4 Enzimas de Resistência 

Os mecanismos de resistência desenvolvidos pelas bactérias são diversos, como  exemplo: alterações do sítio de ação (PBPs), redução de permeabilidade da membrana externa  bacteriana, regulação negativa de porinas necessárias para a entrada do antibiótico,  superexpressão de sistemas de efluxo e, por fim, destaca-se a produção de enzimas de  resistência, principalmente as β-lactamases (Tooke et al., 2019). 

O mecanismo enzimático de resistência ocorre quando as bactérias produzem enzimas  que degradam ou inativam o antibiótico, resultando na sua ineficácia. Esse processo envolve  três tipos diferentes de reações enzimáticas, que compreendem a hidrólise, a transferência de  grupos químicos ou as reações de oxirredução. Um exemplo clássico desse tipo de resistência  é a produção de β-lactamase, uma enzima que desintegra o anel β-lactâmico presente em  penicilinas e cefalosporinas (Tiago et al., 2020). 

β-lactamases são enzimas produzidas por bactérias Gram-positivas e Gram-negativas,  que hidrolisam o anel β-lactâmico dos antibióticos, tornando-os agentes inertes e ineficazes. As  enzimas são nomeadas de acordo com o espectro de ação e origem, sendo elas: ESBLs, AmpCs,  carbapenemases e penicilinases. Os ESBLs são enzimas que desativam a maioria das penicilinas,  cefalosporinas e aztreonam, e os microrganismos que possuem esse tipo de enzima continuam  sensíveis aos carbapenêmicos. Apesar de outras classes de antibióticos, como  aminoglicosídeos, alguns organismos produtores de ESBL também podem apresentar genes  adicionais ou mutações que conferem resistência a uma ampla variedade de antibióticos  (Tamma et al., 2020). 

As β-lactamases do tipo AmpC têm a capacidade de hidrolisar vários tipos de agentes  β-lactâmicos, algumas vezes em condições normais de produção de AmpC e outras em  situações onde há um aumento na produção dessa enzima. O aumento na produção de AmpC  por bactérias do grupo Enterobacteriales geralmente ocorre por meio de um dos três  mecanismos: (1) expressão gênica cromossômica, que pode ser induzida; (2) desativação  estável de genes cromossômicos; ou (3) genes AmpC que são expressos de forma constante (muitas vezes carregados em plasmídeos, mas às vezes integrados no cromossomo) (Tamma et  al., 2020). 

As carbapenemases, produzidas por bactérias Gram-negativas, conferem resistência  fenotípica aos antibióticos carbapenêmicos, que provocam a hidrólise da estrutura desta classe.  São enzimas codificadas em plasmídeos e têm a característica de alta transmissibilidade para  outras bactérias (Poirel, 2019). 

No contexto de perfil de resistência, bactérias da família Enterobacteriaceae vêm  ganhando destaque como os principais agentes etiológicos de IRAS. São elas: Klebsiella  pneumoniae, Citrobacter, Enterobacter, Serratia, Providencia, os produtores de β -lactamase  de Espectro Estendido (ESBL) e as Enterobactérias produtoras de carbapenêmicos (EPC)  (Saipriya et al., 2018; Mulani et al., 2019). 

3. METODOLOGIA  

A pesquisa foi realizada em um hospital e maternidade e no laboratório de Microbiologia  da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, em Campina Grande-PB. No hospital, foram  realizadas coletas de materiais clínicos por meio de swab estéril em meio de transporte (ágar  Stuart) para vigilância das mãos dos profissionais da saúde. Os materiais coletados foram  encaminhados à UEPB uma vez por semana no turno da manhã para que os exames de cultura  fossem realizados. O hospital se responsabilizou por transportar as amostras clínicas ao  laboratório de Microbiologia da UEPB. Juntamente com tais materiais clínicos, foram entregues  fichas com os dados dos profissionais devidamente preenchidos.  

No laboratório de Microbiologia da UEPB, as amostras que chegaram em ágar Stuart  foram transferidas para o caldo de enriquecimento BHI (Brain Heart Infusion), onde foram  incubadas na estufa bacteriológica em temperatura de 36-37º C durante 18-24 horas. Os semeios  dos materiais clínicos foram realizados em placas de ágar sangue (Kasvi), ágar EMB (Kasvi) e  ágar manitol salgado (Kasvi). Chromo ágar foi utilizado para pesquisa de fungos do tipo  leveduras. Após a incubação das placas, ocorreu a análise do crescimento bacteriano. Os testes  de identificação para bactérias Gram-negativas foram implementados: ágar TSI, MIO, SIM,  ureia, citrato e fenilalanina. Para Gram-negativos não fermentadores, foram realizados testes de  oxidase para diferenciar Pseudomonas de Acinetobacter. Para identificação de bactérias Gram positivas, foram realizados testes de catalase, coagulase, novobiocina, optoquina e bacitracina.  As bactérias isoladas e identificadas foram submetidas a testes de sensibilidade aos antimicrobianos pela técnica de Kirby & Bauer (1966) segundo os padrões recomendados pelo  BrCAST (Brazilian Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing, 2023).  Os antimicrobianos testados para as bactérias Gram-negativas foram: amicacina,  amoxicilina+ácido clavulânico, ampicilina, aztreonam, cefalexina, cefalotina, cefepima,  cefoxitina, ceftazidima, ceftriaxona, ciprofloxacino, cloranfenicol, gentamicina, meropenem,  piperacilina+tazobactam e sulfametoxazol+trimetoprima. Para as Gram-positivas: amicacina,  amoxicilina+ácido clavulânico, cefalotina, cefoxitina, ciprofloxacino, clindamicina,  cloranfenicol, eritromicina, gentamicina, imipenem, linezolida, penicilina G, sulfazotrim,  teicoplanina, tetraciclina, vancomicina.  

Para Gram-negativos, foram realizados testes fenotípicos para identificação de enzimas  de resistência, como testes de ESBL (Beta-Lactamase de Espectro Estendido), AmpC e  Carbapenemase. Em contrapartida, para Gram-positivos, foram realizadas pesquisas de cepas  MRSA (Meticilin Resistant Staphylococcus aureus) através de discos de oxacilina/cefoxitina.  

Os testes confirmatórios da produção de ESBL (Beta-lactamase de Espectro Estendido)  e AmpC foram realizados através da técnica de disco-aproximação, utilizando discos de  antibióticos. Foram utilizados discos de 30µg de aztreonam, cefepime, ceftazidima, cefotaxima  e amoxicilina associada ao ácido clavulânico devidamente posicionados a 3,5 cm de distância  do disco central de amoxicilina+clavulanato. Os resultados da produção de ESBL (Beta lactamase de Espectro Estendido) foram considerados positivos se, após a leitura das placas,  incubadas a 36-37°C por 24 horas, houve a presença da “ghost zone” ou zona fantasma.  (Kazemian et al., 2019).  

Para o teste de detecção de AmpC, a melhor maneira de observar este fenômeno a nível  fenotípico foi através da metodologia da aproximação do disco. Nesta metodologia, posicionou-se um disco de cefoxitina próximo a um disco de aztreonam ou outro beta-lactâmico para  induzir a formação do halo característico para a formação de uma zona em forma de “D” entre  os dois discos. (Kazemian et al., 2019).  

A detecção da enzima carbapenemase foi observada pela simples resistência da bactéria  aos antibióticos carbapenêmicos, não sendo necessário, de acordo com o BrCAST, 2022, a  realização do teste de Hodge.  

A detecção de cepas MRSA (Meticilin Resistant Staphylococcus aureus) foi definida  através da resistência do Staphylococcus aureus ao disco de oxacilina/cefoxitina.  Após a realização de cada análise, seguindo todas as etapas descritas, foi liberado um  laudo individual para o profissional que participou da pesquisa (Apêndice B) com o resultado  do exame, onde constava a bactéria isolada e o resultado do antibiograma. 

3.1 Tipo de pesquisa  

A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualiquantitativa, transversal,  de natureza descritiva, participativa e exploratória. 

3.2 Local da pesquisa  

O estudo foi realizado nas UTIs do hospital e no laboratório de Microbiologia da  Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, CCBS, em Campina Grande- PB.  

3.3 População e Amostra  

Participaram do estudo todos os 70 profissionais das várias categorias profissionais de  saúde como técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas e médicos, de quaisquer  gêneros e idades que trabalham diretamente com os pacientes nas UTIs daquele hospital.  

3.4 Critérios de inclusão e exclusão  

Foram incluídos na pesquisa quaisquer profissionais da saúde que trabalhem  diretamente com os pacientes dentro das UTIs, de qualquer gênero e idade.  Foram excluídos os profissionais que não são do quadro de saúde da UTI estudada, bem  como aqueles que apresentam alguma ferida ou patologia nas mãos ou dedos no momento da  coleta do material. Também estarão excluídos profissionais que higienizam suas mãos até  uma hora antes da coleta do material.  

3.5 Instrumentos de coleta de dados  

A coleta de dados foi realizada a partir de amostras coletadas das mãos dos profissionais  de saúde das UTIs do hospital por meio de swab estéril. Para cada participante, foi preenchida  uma ficha contendo os seguintes dados: data da coleta, nome do participante, categorial  profissional, local de trabalho, substância utilizada para higienizar as mãos, há quanto tempo  higienizou as mãos aproximadamente, quando costuma higienizar as mãos e possível vinda de  um plantão em outro hospital.  

3.6 Procedimentos de coleta e análise de dados  

Dados dos profissionais de saúde participantes da pesquisa foram coletados na ficha  aplicada no momento da coleta das amostras. Posteriormente essas amostras foram  encaminhadas para o laboratório de Microbiologia da UEPB para a realização de culturas microbiológicas das amostras clínicas em questão, isolando bactérias e fungos colonizadores  das mãos, identificando gênero e a espécie, e executando o teste de sensibilidade aos  antimicrobianos (TSA) das bactérias com a finalidade de um diagnóstico adequado. Os  resultados obtidos com base em cada cultura microbiológica finalizada foram organizados por  ordem de realização e digitalizados em banco de dados eletrônico através de planilha Excel  (Microsoft Office 2019). Em seguida, realizou-se a análise estatística e o estudo descritivo para  a caracterização da população estudada. Os dados foram descritos através de médias e desvio  padrão, frequência absoluta e frequência relativa. 

No final de cada análise, foi liberado um laudo individual, elaborado pelo pesquisador,  contendo o resultado da cultura e o TSA. Um laudo geral, codificado numericamente e sem a  identificação dos participantes, também foi enviado para a Comissão de Controle de Infecção  Hospitalar. 

3.7 Considerações éticas  

Todos os dados e amostras coletadas foram tratados de forma confidencial e foram  utilizados apenas para fins de análise e pesquisa. Para preservar a identidade dos participantes,  foi adotado o uso de códigos numéricos para classificar e identificar os dados. Essa abordagem  permite a análise dos resultados de forma agregada, sem a possibilidade de identificar  individualmente os participantes. Dessa forma, a privacidade e o anonimato dos participantes  foram rigorosamente mantidos, garantindo a confidencialidade e a ética na condução da  pesquisa.  

O trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da  Paraíba. Do ponto de vista normativo, a pesquisa seguiu as normas propostas pela resolução  466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) envolvendo pesquisa em seres humanos.  

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

O presente trabalho realizou a análise de 42 amostras coletadas das mãos de  profissionais da saúde de um hospital de Campina Grande, PB. Foram processadas culturas de  vigilância com o objetivo de traçar o perfil microbiológico do hospital, constatar a resistência  das bactérias aos antibióticos e analisar a eficiência da higienização das mãos dos profissionais  de saúde que trabalham na UTI daquele hospital. As coletas foram divididas entre os seguintes  profissionais: enfermeiros (38%), técnicos de enfermagem (33%), médicos (19%) e fisioterapeutas (10%), com predominância do gênero feminino. A escassez de médicos na  amostra pode ser atribuída à relutância desses profissionais em participar do estudo. A predominância do gênero feminino nas pesquisas voltadas ao âmbito hospitalar está  de acordo com os estudos de Wiedenmayer et al (2020), que entre os participantes da pesquisa  voltada para o impacto da higiene das mãos nos hospitais, houve a presença notável do gênero  feminino (60.2%) e da área de enfermagem (47.5%), já outros grupos profissionais incluíam  clínicos 23.7% (especialistas médicos, médicos, médicos assistentes), atendentes médicos  19.1%, funcionários de laboratório 5.5%, funcionários de farmácia 2.5%, e outros 1.7%. De  acordo com informações publicadas em 2020 pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério  da Saúde do Brasil, as mulheres constituem a maioria da força de trabalho na área da saúde,  totalizando 65%. Já em relação a alta aderência da enfermagem pode estar relacionada ao fato  que é a área com o maior número de profissionais na saúde.  

Gráfico 1 – Microrganismos isolados das mãos dos profissionais da saúde.

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

No gráfico 1, observa-se que foram isolados 43 microrganismos, sendo 35 (81,4%)  bactérias Gram-positivas, seguido de 4 (9,3%) bactérias Gram-negativas e 4 (9,3%) fungos.  Destacando Staphylococcus coagulase negativa como a bactéria mais identificada com 16  (37,2%).  

Na análise de mãos de cirurgiões de em um hospital de Serra Neto (2023), foram  isolados 283 microrganismos, dos quais 217 (76,7%) eram bactérias Gram-positivas  pertencentes a 36 espécies diferentes; 55 (19,4%), bactérias Gram-negativas pertencentes a 24  espécies; e 11 (3,9%), fungos distribuídos em 7 espécies diferentes. Houve predominância de microrganismos Gram-positivos, com a presença de 133 isolados distribuídos em 11 espécies  diferentes do gênero Staphylococcus correspondendo a 61,3% dos isolados; seguido pelos  Gram-negativos Stenotrophomonas maltophilia, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas  aeruginosa; e algumas espécies de fungos foram identificadas incluindo Candida parapsilosisAspergillus versicolor e Trichosporon asahii. Em outro estudo semelhante, por Pegu et al.  (2021) com profissionais da ala cirúrgica de um hospital, foram isolados 18 microrganismos  comensais, sendo os mais predominantes Staphylococcus epidermidis (54,7%), Bacillus cereus  (32%); e 21 organismos patogênicos foram cultivados, sendo os mais predominantes  Staphylococcus aureus (12%), Acinetobacter iwoffii (5,3%) e Leclercia adecarboxylata (4%). 

Há uma consonância entre os trabalhos quanto à prevalência das bactérias Gram positivas em relação aos demais microrganismos. Acredita-se que Staphylococcus coagulase  negativa seja o microrganismo mais isolado nesses estudos devido a essa bactéria fazer parte  da microflora residente do tecido superficial das mãos, a epiderme. Já as outras bactérias fazem  parte da flora transitória, como Staphylococcus aureus e Bacilos Gram-negativos (BGNs), que  estão ligados à possível higiene ineficaz das mãos dos profissionais. As diferentes espécies  encontradas nos estudos, principalmente das bactérias Gram-negativas e dos fungos, podem ser  justificadas pela microflora específica de cada hospital. 

Gráfico 2 – MRSCoNs (Meticilin Resistant coagulase-negative Staphylococcus) e CoNS (Coagulase-negative  Staphylococcus) sensível à oxacilina isolados das mãos dos profissionais de saúde. 

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

No gráfico 2, foram observados 16 Staphylococcus coagulase negativa isolados, dentro  destes, 13 (81,25%) foram MRCoNS (Staphylococcus coagulase negativa resistente à  meticilina), superando o número de CoNS (Coagulase negative Staphylococcus) sensíveis à  oxacilina (18,75% – 03). Em um estudo realizado em Goiás, por Custódio et al. (2009), foram isolados, das mãos de profissionais da saúde de um hospital da cidade, 20 Staphylococcus coagulase negativa, dentro deles 75% (15) apresentaram resistência à oxacilina. Em outro  estudo, por YU et al. (2022), a avaliação microbiológica de uma equipe cirúrgica ginecológica isolou 80 Staphylococcus coagulase negativa e destes 62,5% (50) eram MRCoNS. Dessa forma, os estudos entram em concordância com as evidências de que MRCoNS  são predominantes entre os CoNS isolados. O contato constante entre profissionais de saúde e  pacientes infectados pode explicar a elevada incidência de MRCoNS nas mãos desses  profissionais, demonstrando a possibilidade de transferência de genes de resistência entre  bactérias dentro do mesmo ambiente. O mecanismo de resistência à oxacilina está relacionado  à alteração das proteínas ligadoras de penicilinas (PBPs) codificadas pelo gene MecA, sem  relação com beta-lactamases. A presença da PBP2 faz com que a meticilina (oxacilina) tenha  baixa afinidade pelo local de ligação da bactéria na parede celular, e consequentemente deixam  de ser efetivos (Sasaki et al., 2021). 

Cepas de Staphylococcus resistentes à oxacilina, usualmente são resistentes à outros  grupos de drogas indicadas para o tratamento de Staphylococcus como clindamicina  eritromicina, tetraciclina e, menos frequentemente, à gentamicina e Sulfametoxazol trimetoprima. A oxacilina tem a característica de ser resistente às penicilinases e beta lactamases, sendo considerada um marcador de resistência a antibióticos beta-lactâmicos.  Quando um isolado apresenta tal resistência, deve ser considerado também resistente às classes  de beta-lactâmicos de todas as gerações (Afshari et al., 2022). Por isso os MRCoNS são achados  importantes para a vigilância microbiológica, uma vez que indicam bactérias resistentes dentro  da flora normal da pele. 

Gráfico 3 – MRSA (Meticilin Resistant Staphylococcus aureus) e MSSA (Staphylococcus aureus  sensível à oxacilina) isolados das mãos dos profissionais de saúde.

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

No gráfico 3, é possível visualizar que, dos 14 Staphylococcus aureus isolados, houve  um maior número de Staphylococcus aureus sensíveis à oxacilina, representando 71% (10), já  os MRSA (Meticilin Resistant Staphylococcus aureus) representam 29% (4). 

Dados de outros estudos apontam divergência quanto a presença de MRSA dentre os  Staphylococcus aureus isolados, apontando uma possível justificativa para a transferência de  genes de resistência entre as bactérias da microflora do hospital. O estudo conduzido por Silva  et al (2020), em um hospital do Nordeste do Brasil, demonstrou que dentre as 59 amostras de  Staphylococcus aureus coletadas das mãos de profissionais de saúde, 19% (11) apresentaram  resistência à oxacilina. Por outro lado, no estudo realizado por Salman et al (2018), foi  observada uma diferença significativa, das 62 amostras de Staphylococcus aureus isoladas, 32  (51,61%) foram identificadas como MRSAs. Em outro estudo, de Bride et al (2019), realizado  no sudoeste do Brasil em um hospital público na cidade de Vitória no Espírito Santo, foram  avaliadas 67 cepas de S. aureus, 31 (46,3%) foram identificadas com MRSA e 36 (53,7%) como  sensíveis à oxacilina. 

Com tais dados, pode-se inferir que apesar da baixa quantidade encontrada de MRSAs,  é possível que tenham sido estes os responsáveis por transmitirem os genes de resistência à  oxacilina aos Staphylococcus coagulase negativos da microbiota normal da epiderme dos  profissionais deste estudo. 

Gráfico 4 – Perfil de resistência de todos os Staphylococcus aureus sensíveis à meticilina isolados das mãos dos  profissionais da saúde.

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

No gráfico 4 está representado o padrão de resistência dos Staphylococcus aureus a  diferentes antibióticos. Evidencia-se que a eritromicina e penicilina G foram os antibióticos aos  quais S. aureus apresentou a maior resistência, alcançando 80%, seguidos da clindamicina, com  50%. Sulfametoxazol + trimetoprim apresentou uma taxa de resistência de 30%, enquanto  tetraciclina registrou 20% de resistência. Outros antibióticos, como amicacina, amoxicilina +  ácido clavulânico, ciprofloxacino, gentamicina, exibiram resistência de aproximadamente 10%.  Por fim, os antimicrobianos cefalotina, cefoxitina, cloranfenicol, imipenem, linezolida,  oxacilina, teicoplanina e vancomicina não demonstraram resistência, com uma taxa de 0%. 

No estudo de Monteiro et al (2019), foram isolados 23 Staphylococcus aureus, com  perfil de 78% de resistência à oxacilina, 78% à clindamicina, 70% à eritromicina, 61% ao  ciprofloxacino e 52% à gentamicina; em contrapartida, todas apresentaram sensibilidade à  vancomicina e linezolida. Salman et al (2018) caracterizaram em sua pesquisa 54 S. aureus,  desses 21 (39%) eram MRSA, com padrão de 100% de sensibilidade à amicacina e  vancomicina, 80,9% à clindamicina e 71,4% ao ciprofloxacino; e 33 (61%) MSSA (Meticilin  Sensible Staphylococcus aureus), sendo 100% sensível à oxacilina, cefoxitina, amicacina,  vancomicina e clindamicina, à ceftriaxona apresentou 75,7% de sensibilidade, e ciprofloxacino  84,8%. 

O presente estudo assemelha-se ao de Monteiro et al (2019) em relação à clindamicina  e à eritromicina estarem entre os três antibióticos que apresentaram maior resistência. Além  disso, a resistência aos antibióticos ciprofloxacino, gentamicina e principalmente oxacilina é significativamente mais baixa na atual pesquisa, sendo um dado promissor, uma vez que as  resistências que ocorrem em bactérias presentes nas mãos dos profissionais de saúde refletem  a resistência de bactérias daquele ambiente hospitalar, no caso, a UTI, e consequentemente as  bactérias passíveis de causar infecções hospitalares nos pacientes. 

Com isso, pode-se inferir que para todos Staphylococcus aureus isolados nas mãos dos  profissionais de saúde desta pesquisa, os antibióticos que apresentaram maiores resistências  (igual ou maior que 50%) foram: clindamicina (50%), eritromicina (80%) e penicilina (80%).  Os demais antibióticos apresentaram percentuais de resistência aceitáveis para o ambiente de  UTI. 

Gráfico 5 – Perfil de resistência dos MRSA (Meticilin Resistant Staphylococcus aureus)

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

No gráfico 5, analisa-se o perfil de resistência dos MRSAs, sendo 29% (4) de todos os  Staphylococcus aureus encontrados no estudo, aos antibióticos testados. Como já é esperado  para MRSAs, observou-se uma resistência de 100% às penicilinas (penicilina e oxacilina), cefalosporinas (cefalotina e cefoxitina) e carbapenêmicos (imipenem e meropenem). Além  disso, houve uma resistência de 75% aos amicacina, ciprofloxacino, clindamicina, gentamicina  e sulfametoxazol + trimetoprim. Em relação aos amoxicilina + ácido clavulânico, cloranfenicol  e tetraciclina, a resistência foi de 50%. Por fim, linezolida, teicoplanina e vancomicina não  apresentaram resistências, mantendo-se eficazes contra os MRSAs. 

No estudo de Ferreira et al (2021), realizado em Manaus-AM, foram isolados 284 Staphylococcus aureus, dentre estes 3,1% (9) foram MRSAs. Os antibiogramas dos MRSAs  demonstraram que 88% eram resistentes à ampicilina, 67% à tetraciclina, 44% à eritromicina e 100% à penicilina, oxacilina e cefoxitina. Sharma et al (2019) caracterizaram 62  Staphylococcus aureus e desses 32 (51,61%) eram MRSAs. A sensibilidade aos  antimicrobianos que os MRSAs apresentaram foi de 31,25% para ciprofloxacino, 46,88% para  clindamicina, 40,63% para sulfametoxazol, 3,13% para eritromicina e 53,12% para  gentamicina. 

Pode-se observar uma consistência entre o presente estudo e outros trabalhos, como o  de Ferreira et al, onde é evidente o mesmo padrão característico de resistência dos MRSAs às  penicilinas e cefalosporinas, também encontradas em nosso estudo. No entanto, neste estudo  atual, há uma resistência completa à eritromicina, enquanto, em Ferreira et al, esta taxa é de  44%. Quanto à tetraciclina, observa-se um perfil diferente, com 50% de resistência no nosso  estudo e 67% em Ferreira et al.  

Cada estudo apresenta semelhanças e diferenças que provavelmente são explicadas  pelas diferentes microbiotas de cada hospital, as quais são estabelecidas com base no uso  excessivo de certos antibióticos para cada local. Considerando estudos de vigilância como este  e dados de resistência a antibióticos de infecções hospitalares, pode-se definir quais antibióticos  podem continuar sendo usados em cada hospital e aqueles cujo uso deve ser suspensos  temporariamente em função de sua elevada resistência.  

Gráfico 6 – Perfil de resistência de bactérias Gram-negativas isoladas no estudo 

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

Na presente pesquisa, das bactérias Gram-negativas, apenas foram isolados  microrganismos do gênero Enterobacter, que não fazem parte da flora normal da pele. Do gênero foram isolados: 1 Enterobacter aerogenes e 3 Enterobacter agglomerans, e no gráfico  6 é possível verificar o perfil de resistência dessas bactérias. Enterobacter aerogenes apresentou  resistência (100%) à amoxicilina + ác. clavulânico, ampicilina, cefalexina, cefalotina e  cefoxitina. Além disso, foi 100% sensível à amicacina, aztreonam, cefepima, ceftazidima,  ceftriaxona, ciprofloxacina, cloranfenicol, gentamicina, meropenem, piperacilina + tazobactam  e sulfametoxazol + trimetoprim. Já Enterobacter agglomerans foi 100% resistente à  amoxicilina + ác. clavulânico, ampicilina, cefalexina, cefalotina, cefepima, cefoxitina,  ceftazidima e ceftriaxona; exibiu resistência de 33,33% à amicacina, aztreonam e  sulfametoxazol + trimetoprim; e foi 100% sensível à ciprofloxacino, cloranfenicol,  gentamicina, meropenem e piperacilina + tazobactam. 

Boutarfi et al (2019) isolaram em sua pesquisa 175 bacilos Gram-negativos e desses 77  foram identificados com Enterobacter spp. Os antibióticos testados foram cefelosporinas  (cefepima, cefotaxima e ceftazidima) e monobactâmicos (aztreonam), que apresentaram  resistência de 68,8%, 63,6%, 54,5% e 41,6%, respectivamente. As quinolonas testadas  obtiveram resistência de 46,8% para o ácido nalidíxico, 20,8% para a ciprofloxacino e 11,7%  para a ofloxacino. Os aminoglicosídeos tiveram resistência de 87,0% à tobramicina, e a  gentamicina foi ineficaz contra 54,5% dos isolados. No estudo de Ghasemi et al (2021) foram  30 Enterobacter spp. isolados. Nos antibiogramas foi verificada resistência à ampicilina  (100%), cefepima (93,3%), cefotaxima (33,3%), trimetoprima (33,3%), nitrofurantoína (30%),  imipenem (20%), amicacina (20%), ciprofloxacino (20%), gentamicina (13,3%). 

Na presente pesquisa, Enterobacter aerogenes e Enterobacter agglomerans demonstraram semelhanças em seus padrões de resistência à amoxicilina + ácido clavulânico,  ampicilina, cefalexina, cefalotina e cefoxitina, enquanto mostraram-se completamente sensíveis  à ciprofloxacina, cloranfenicol, gentamicina, meropenem e piperacilina + tazobactam. Em  comparação com os estudos de Boutarfi et al. e Ghasemi et al., pode-se observar uma acentuada  diferença nos perfis de resistência das bactérias isoladas, podendo ser explicada, mais uma vez,  pela diversidade da microflora particular de cada hospital. 

Gráfico 7 – Crescimento microbiano relacionado ao momento em que a higienização das mãos foi realizada e a  substância utilizada

Fonte: Dados de pesquisa, 2024.

O gráfico 7 ilustra o crescimento bacteriano das amostras das mãos dos profissionais de  saúde em relação ao momento de higienização e à substância utilizada para essa limpeza.  Observa-se que em 22 (52,4%) amostras houve crescimento microbiano para higienização das  mãos com água e sabão em menos de 30 minutos da coleta; seguidos por 17 (40,5%) que  utilizaram álcool 70% no mesmo intervalo de tempo; e 5 (11,9%) utilizaram outra substância  para higienizar as mãos também nos 30 minutos. Outros 5 (11,9%) participantes usaram água e  sabão e/ou álcool 70% aproximadamente 1 hora antes da coleta. Cerca de 2 horas antes da  coleta, 4 (9,5%) pessoas afirmaram ter feito a limpeza com água e sabão, e 3 (7,1%) com álcool  70%. Mais de 3 horas antes da coleta, 1 (2,4%) pessoa realizou a higiene com água e sabão.  Entre aqueles que não informaram o momento da higienização, 3 (7,1%) usaram água e sabão,  3 (7,1%) usaram álcool 70%, e 1 (2,4%) utilizou outra substância. Sendo assim, o maior  crescimento microbiano ocorreu nas amostras em que os participantes afirmaram ter realizado  a higienização com água e sabão 30 minutos antes da coleta. 

Breidablik et al. (2020) avaliaram diferentes métodos de desinfecção das mãos em  profissionais da saúde e observaram que o álcool 70% reduziu significativamente a carga  bacteriana em 10 dos 35 participantes, resultando uma média de 2.330 UFC/mL remanescentes.  A água ozonizada apresentou melhor desempenho, com redução em 10 dos 35 participantes e  média de 538 UFC/mL, enquanto o método mais eficaz foi a lavagem com água e sabão, que  diminuiu as bactérias em 6 de 20 participantes, restando apenas 96 UFC/mL. De forma semelhante, Oughton et al. (2009) constataram que as maiores reduções de unidades formadoras  de colônia ocorreram com a lavagem das mãos utilizando água morna e sabonete comum  (redução de 2,14 log₁₀ UFC/mL), seguida de água fria com sabonete comum (1,88 log₁₀  UFC/mL) e água morna com sabonete antibacteriano (1,51 log₁₀ UFC/mL). O álcool em gel  apresentou a menor eficácia, com redução de apenas 0,06 log₁₀ UFC/mL. 

Nota-se uma divergência entre o presente estudo e os de Breidablik et al. e Oughton et  al., com o resultado mais efetivo da lavagem com água e sabão para higienização das mãos. De  acordo com o gráfico 7, o método menos eficaz de higienização ocorreu com esse método 30  minutos antes da coleta, havendo maior crescimento microbiano. Pode-se justificar esse achado  com o comprometimento dos profissionais com a pesquisa, havendo a possibilidade de as  respostas não apresentarem compatibilidade com o real tempo em que realizaram a  higienização. 

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Com base nas análises realizadas, verificou-se a predominância de participantes do  gênero feminino e da área de enfermagem, o que está de acordo com estudos similares  realizados em outras regiões e países, refletindo a composição da força de trabalho na área da  saúde, majoritariamente feminina e com grande representatividade da enfermagem. Os  resultados evidenciaram que dos 42 profissionais participantes, 40,5% (17) do total estavam  com as mãos contaminadas com bactérias com potencial patogênico. 

A análise microbiológica revelou uma predominância de bactérias Gram-positivas nas  mãos dos profissionais, com destaque para Staphylococcus coagulase negativa, consistente com  outros estudos que demonstram a prevalência desse microrganismo devido à sua presença na  microbiota residente da pele. A presença significativa de Staphylococcus aureus, incluindo  cepas resistentes à oxacilina (MRSA), indica possíveis falhas na higienização das mãos e na  adoção de práticas de controle de infecções. O perfil de resistência aos antibióticos mostrou  uma elevada resistência de Staphylococcus aureus à eritromicina, penicilina e clindamicina,  mas completa sensibilidade à vancomicina e linezolida, corroborando com estudos anteriores.  Este perfil de resistência ressalta, não apenas a importância e urgência de uma política de uso  racional de antibióticos, mas também a necessidade de monitoramento contínuo e rigoroso das  práticas de higienização. 

Ademais, o estudo destacou um baixo índice de contaminação por bactérias Gram negativas, apenas com a presença de Enterobacter ssp em 9,52% de profissionais da saúde, as quais apresentaram resistência aos antibióticos mais comuns, sugerindo a necessidade de  práticas mais rigorosas de controle de infecção e um monitoramento contínuo das resistências  bacterianas. 

Ao relacionar o crescimento microbiano ao momento e método de higienização das  mãos observaram-se inconsistências, com destaque para elevada contagem microbiana mesmo  após a higienização recente com água e sabão. Esta observação sugere possíveis discrepâncias  nos dados fornecidos pelos participantes sobre os momentos reais de higienização das mãos,  possivelmente devido a receios de relatar práticas inadequadas.  

Assim, o presente estudo enfatiza a necessidade crítica de reforçar as práticas de  higienização das mãos e a adesão às diretrizes de controle de infecções, além de destacar a  urgência de estratégias eficazes de uso de antimicrobianos, vista a significativa resistência  observada em várias cepas bacterianas. Também contribui para o entendimento da dinâmica  microbiológica no ambiente hospitalar e reforça a importância de políticas contínuas de  treinamento e monitoramento voltadas para a segurança dos pacientes e dos profissionais de  saúde.  

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1Graduada em Farmácia pelo Instituto Universidade Estadual da Paraíba – Campus I. e-mail:  laryssa.carla@aluno.uepb.edu.br
2 Discente do Curso Superior de Farmácia da Universidade Estadual da Paraíba – Campus I. e-mail:  Joseisaacgonzagadasilva@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Farmácia da Universidade Estadual da Paraíba – Campus I. e-mail:  duda.aires@live.com
4Discente do Curso Superior de Medicina da AFYA – Faculdade de Ciências Médicas. e-mail:  freitasitalopereira@gmail.com
5Docente do Curso Superior de Farmácia da Universidade Estadual da Paraíba – Campus I. Mestre em Ciência e  Tecnologia de Alimentos (UFPB) e Doutorado em Recursos Naturais (UFCG). e-mail:  heronidesp@servidor.uepb.edu.br
6Docente do Curso Superior de Farmácia da Universidade Estadual da Paraíba – Campus I. Mestre em Ciências  Microbiológicas (UFMG) e Doutorado em Biotecnologia pelo RENORBIO (UFPB). e-mail:  patriciafreitas@servidor.uepb.edu.br

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