DOS ESPAÇOS ÀS PESSOAS: CONDIÇÕES DE TRABALHO E SATISFAÇÃO DOS AGENTES DE SAÚDE ESCOLAR NO PROGRAMA SAÚDE ESCOLAR DE UBERLÂNDIA-MG

FROM SPACES TO PEOPLE: WORKING CONDITIONS AND SATISFACTION OF SCHOOL HEALTH AGENTS IN THE SCHOOL HEALTH PROGRAM OF UBERLÂNDIA‑MG

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512061543


Esmeralda Simonete de Assunção
João Carlos de Oliveira


Esse artigo teve como objetivo compreender as condições laborais e impactos sobre saúde e satisfação no trabalho dos Agentes de Saúde Escolar, que atuam diretamente nas escolas, no contexto do Programa de Saúde no Município de Uberlândia. Entre 5 de junho de 2025 e 30 de junho de 2025, 21 ASEs responderam a questões abertas, disponibilizadas via Formulários do Google, que versavam sobre condições de trabalho, impactos sobre a saúde física e mental e perspectivas de pós-trabalho no PSE. As respostas foram analisadas sob perspectiva qualitativa, por meio de Análise de Conteúdo Temática, explorando os temas e elaborações mais recorrentes nas respostas dos participantes. Como resultados, observou-se ênfase na precariedade de recursos, adoecimento emocional, mental e físico associado a estresse no trabalho, associado à gestão do programa e sensação de impotência diante das amplas e complexas demandas das comunidades atendidas.

Palavras-Chave: Agente de saúde escolar. Condições de trabalho. Satisfação no Trabalho.

This article aimed to understand the working conditions and impacts on the health and job satisfaction of School Health Agents, who work directly in schools within the context of the Uberlândia Municipal Health Program. Between June 5, 2025, and June 20, 2025, 21 School Health Agents (SHAs) responded to open-ended questions, made available via Google Forms, addressing working conditions, impacts on physical and mental health, and post-work prospects in the SHA. The responses were analyzed from a qualitative perspective using Thematic Content Analysis, exploring the most recurring themes and elaborations in the participants’ responses. The results highlighted the precariousness of resources, emotional, mental, and physical illness associated with work stress, program management, and feelings of powerlessness in the face of the broad and complex demands of the communities served.

Keywords: School health agente. Working conditions. Job satisfaction.

Introdução

O trabalho possibilita compreende dimensões de realização profissional e pessoal, impactos sobre a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, as condições em que é exercido, determinam, ao menos em parte, a forma como ele afeta os indivíduos. O trabalho pode estar associado a benefícios (satisfação e remuneração) ou a fatores avaliados negativamente, tais como adoecimento, frustração, que poderão influenciar na qualidade de vida (QV) e na saúde dos trabalhadores (Salanova; Gracia; Peiró, 1996).

O processo de trabalho é uma atividade voltada para a produção de valores de uso, apropriação de recursos naturais para suprir as necessidades humanas, de forma a transformar o meio, as relações sociais, a paisagem etc. (Marx, 1996). O trabalho pode ser então reconhecido como constitutivo do ser humano, na perspectiva de que o homem, através do trabalho, age sobre a natureza, provocando alterações significativas na natureza e em si mesmo, numa imbrincada relação entre o pensar e o agir (Merhy; Franco, 2006).

O interesse em compreender mecanismos de saúde e doença, de adoecimento e de cura, desperta interesse que encontra registros já nos textos da Antiguidade Clássica. Muito além da simples busca por uma definição técnica, textos clássicos já buscavam contribuir sentidos filosóficos de saúde, doença, assim como de categorias como “morte”, “vida”:

Até onde alcançam, os registros históricos atestam que a “arte de curar” não foi praticada sem que, paralelamente, deixasse de se apresentar o desejo de fundamentá-la e legitimá-la. O médico, obrigado a decidir e a agir, sente necessidade de justificar suas opções – se não para o paciente, pelo menos para si mesmo. Esse desejo de justificativas é fulcro de preocupações teoréticas. (Hegenberg, 1998, p. 17)

Nas ciências médicas de origem ocidental parece ter prevalecido um modelo hegemônico biomédico-curativo, que define a saúde enquanto “ausência de doenças”. Mas desde 1946, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a definir a saúde como um estado complexo de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente ausência quadro patológico diagnosticável. Conforme a Constituição Federal do Brasil, de 1988, a saúde passa a ser enquanto direito essencial de todos os cidadãos, o que significaria um marco importante para a definição das políticas públicas para este setor (Almeida Filho, 2011).

No final do século XVIII, em um contexto de aceleração do ritmo produtivo, e emergência do sistema capitalista, avolumam-se discussões sobre causa social da saúde, relacionada às condições de labor dos trabalhadores. No final do século XIX, aprimoram-se estudos em epidemiologia, parasitologia, e as causas das doenças eram majoritariamente associadas aos microrganismos. Ainda que tenha legado incontestáveis contribuições para o aprimoramento das práticas sanitárias, o modelo unicausal positivista, teria a fragilidade de enfatizar apenas em aspectos verificáveis em laboratório, sem muitas ferramentas para esclarecer sobre a origem e propagação das doenças não contagiosas, por exemplo. Além disso, atribuía-se pouca, ou nenhuma atenção, aos aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais hoje reconhecidos como essenciais para a compreensão da saúde (Batistella, 2007).

A compreensão do processo saúde-doença demanda hoje abordagens capazes de reconhecer a natureza histórica, multifatorial e dinâmica do processo saúde-doença. Caracterizar as concepções de saúde de um determinado grupo, sociedade ou território, possibilita a compreensão das crenças, percepções, valores, expectativas e da própria atitude perante a vida e o trabalho (Czeresnia; Maciel; Oviedo, 2013).

O campo Saúde do Trabalhador (ST) surgiu por volta dos anos de 1970, concomitantemente ao Movimento da Reforma Sanitária, conforme demanda de aprofundamento na discussão e práticas da Medicina do Trabalho (MT) e da Saúde Ocupacional (SO). O modelo biomédico-curativo, hegemônico até então, era centrado no indivíduo, ou mesmo restrito a elementos quantitativos e/ou laboratoriais, que associava a causa da doença quase exclusivamente aos fatores de riscos ambientais. O adoecimento era detectável quase que exclusivamente por análise de amostras e tecidos biológicos, e estes paradigmas passam a ser considerados insuficientes para a compreensão da relação entre saúde e trabalho.

A ampliação da compreensão do conceito de saúde, bem como a revisão das práticas de intervenção no sentido de promoção da mesma, passa a caracterizar as iniciativas de aprimoramento do campo da ST (Porto; Martins, 2019; Lacaz Et Al., 2020). O campo ST se constitui gradativamente enquanto campo em construção, que abrange práticas e conhecimento interdisciplinares, voltados a compreender e intervir nas relações de trabalho e seus impactos no processo saúde-doença. A superação das concepções simplistas entre causa e efeito, amplia o entendimento de determinadas características do trabalho com potencialmente impactantes sobre a saúde.

A relação entre saúde e trabalho passou a ser considerada enquanto ligada às questões materiais, tal como classificação de riscos no ambiente de trabalho, quanto aos elementos qualitativos de como o trabalho é organizado (Gomez; Vasconcellos; Machado, 2018). A noção de organização do trabalho se relaciona ao significado de determinação social da saúde, que segundo Porto e Martins (2019), implica em mudanças estruturais nas relações de poder, de forma a impedir a exploração e a alienação próprias da sociedade capitalista. O entendimento das relações sociais como determinantes do processo saúde-doença mobiliza um campo de participação ativa do trabalhador na direção do desenvolvimento de políticas públicas e ações coletivas de promoção da saúde, com vistas a uma sociedade mais justa e democrática.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 196, definiu a saúde como sendo um “[…] direito de todos e dever do Estado”, que seria garantido através de “[…] políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988, art. 196), princípios estes que nortearam a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nessa direção, compreende-se que a conjuntura do contexto brasileiro do início do século XXI, marcada pela expansão do capitalismo neoliberal, fragiliza as leis de proteção do trabalho e dos trabalhadores em benefício da máxima acumulação de capital, que acentua exploração da força de trabalho, provoca desvalorização salarial, e estipula as “reformas” trabalhistas e da previdência social, na prática, o desmantelamento destas políticas. Novas modalidades de gestão dos processos de trabalho se instauram em detrimento da saúde dos trabalhadores, em com objetivo de otimização de lucros (Alves, 2009; Antunes, 2015).

O mundo do trabalho foi também afetado pela maior crise sanitária dos últimos tempos, a pandemia da Covid-19. Por meio da Portaria nº 188, de 03 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional. Os trabalhadores ficaram à mercê novas formas de desgaste de sua saúde física/psíquica, como no caso da intensificação do trabalho na modalidade online, expressivos casos de contaminação no ambiente de trabalho, no caso das atividades que se mantiveram presencialmente (Koh, 2020). A organização do trabalho sofreu reconfigurações e o trabalhador demandado pelo “mercado” passa a ser aquele gestor de si mesmo, disposto a readaptar-se diante de variedade de funções, demandas, tarefas e expectativas das empresas (Scopinho; Sato; Oliveira, 2020).

O Programa Saúde na Escola (PSE), atualmente designado como Programa Saúde Escolar, foi instituído pelo Decreto n. 6.286, de 05 de dezembro de 2007, enquanto iniciativa interministerial dos Ministérios da Saúde e Educação, com objetivo de fortalecer ações de promoção à saúde e prevenção, no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), com ações diretamente voltadas para os estudantes das escolas públicas (Brasil, 2007).

O PSE consiste numa estratégia de integração entre Saúde e Educação, contribuindo para a concretização da cidadania e da qualificação das políticas públicas brasileiras (Brasil, 2022); e traz na sua concepção articulação entre Escola e a Atenção Primária à Saúde (APS) é a base do PSE.

A intersetorialidade, característica intrínseca ao programa, entre as redes públicas de saúde e educação, implica mais do que oferecer serviços em comum em um mesmo território, objetivando à sustentabilidade das ações a partir da definição de redes de corresponsabilidade. A efetivação do programa envolve o debate sobre qual o modelo de atenção deve ser priorizado ao público escolar; e que modelo de gestão intersetorial deve ser preconizado nesses serviços (Brasil, 2023).

Uberlândia é, até então, a única cidade do Brasil que tem Agentes de Saúde Escolar como cargo específico do seu quadro funcional, sendo considerada referência nacional nas ações do Programa Saúde na Escola. O fato de tratar-se de um cargo específico, favorece a permanência dos servidores no cargo de ASE, ao invés de passarem por constantes remanejamentos de função, caso estivessem alocados em diferentes secretarias e sob diferentes denominações do cargo.

O município de Uberlândia foi convidado a participar da gravação de um vídeo apresentado na rede social do Ministério da Saúde e no Evento Latino-Americano em celebração aos 15 anos do Programa Saúde na Escola, ocorrido em 12 de abril de 2022. Representantes do Ministério da Saúde visitaram a cidade no mês de março, e produziram imagens das ações do programa, bem como depoimentos acerca das ações exitosas realizadas (Uberlândia, 2022)

O cargo de “Agente de Saúde Escolar”, em Uberlândia-MG, surgiu da fusão entre dois cargos anteriores: de Agente de Controle de Zoonoses (ACZ) e Agente Sanitário (AS), por realizarem atividades em comum, sendo que no PSE, uma das prerrogativas de atuação é o tema “combate ao Aedes aegypti”. Contudo, os ASEs desenvolvem ações voltadas para várias outras temáticas relacionadas à saúde de um modo geral, com foco no público infanto-juvenil (Brasil, 2012).

Os ASEs distribuídos pelos territórios e instituições escolares, conjuntamente com os profissionais da Educação, orientados pela Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), considerando também o Projeto Político Pedagógico das Escolas elaboram o calendário de ações para cada instituição. Um eixo central da PNAB é justamente a integração de diferentes saberes, em uma abordagem intersetorial e transdisciplinar (Brasil, 2012).

Geralmente as Unidades de Básicas de Saúde (UBS) estão localizadas próximas às instituições escolares, o que facilita na organização de campanhas de vacinação nas escolas, e no encaminhamento de estudantes para os “postinhos” caso os ASEs julguem necessário. O ASE torna-se, portanto, importante mediador, na garantia do acesso a serviços de saúde. Além disso, desenvolvem papel crucial na condução de projetos de educação ambiental e de promoção da saúde, com foco na prevenção (Brasil, 2012).

O ASE permite o diálogo entre a escola e a unidade de saúde, sendo referência técnica do PSE, com intuito de promover a assistência e o acompanhamento dos estudantes, a depender das demandas, sendo também mediadores das ações de Educação em Saúde e abordando temas orientados pelo Ministério da Saúde (MS). Dentre os temas desenvolvidos por meio de oficinas, palestras, rodas de conversa etc. conforme determinado pela Portaria Interministerial n. 1.055, de 25 de abril de 2017 estão:

I. Ações de combate ao mosquito Aedes aegypti;

II. Promoção das práticas corporais, da atividade física e do lazer nas escolas;

III. Prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas;

IV. Promoção da cultura de paz, cidadania e direitos humanos;

V. Prevenção das violências e dos acidentes;

VI. Identificação de educandos com possíveis sinais de agravos de doenças em eliminação;

VII. Promoção e avaliação de saúde bucal e aplicação tópica de flúor;

VIII. Verificação e atualização da situação vacinal;

IX. Promoção da alimentação saudável e prevenção da obesidade infantil;

X. Promoção da saúde auditiva e identificação de educandos com possíveis sinais de alteração.

XI. Direito sexual e reprodutivo e prevenção de DST/Aids;

XII. Promoção da saúde ocular e identificação de educandos com possíveis sinais de alteração (Brasil, 2017).

Além de ações em educação em Saúde, os ASEs promovem testes de acuidade visual entre estudantes, pesagem e verificação de altura, para fins de mensuração do IMC (Índice de Massa Corpórea), organizam campanhas de vacinação nas próprias escolas (Corrêa, 2024; Esteves, 2019)

O mundo do trabalho é tema recorrente no meio acadêmico, sobretudo, especialmente nas investigações sobre a relação entre trabalho e a saúde. Os mecanismos contemporâneos de gestão do trabalho têm se mostrado enquanto fatores de risco à saúde do trabalhador. A precarização e terceirização são características deste momento de intensificação da lógica neoliberal, mas até mesmo o trabalhador do serviço público, condição dos ASEs, a realidade não é muito diferente. Entre os servidores públicos, prevalecem afastamentos relativos a doenças osteomusculares e relacionados aos agravos à saúde mental (Alencar; Merlo, 2018; Ribeiro; Giongo; Pezez, 2021).

Os ASEs ocupam esse lugar dual, de agentes da promoção da saúde, mas também de trabalhadores sujeitos ao adoecimento, ao desgaste físico e mental, à exposição às doenças sazonais, dentre tantos os aspectos que afetam a saúde, bem estar e satisfação no trabalho. Sendo, portanto, sujeito e objeto das políticas de promoção da saúde, tornam-se categoria estratégica para compreensão das implicações das configurações atuais do mundo do trabalho sobre a saúde e bem estar dos trabalhadores.

O objetivo geral do artigo é verificar como os ASEs percebem os impactos das condições de trabalho sobre a saúde e satisfação no trabalho.

Também são objetivos do artigo apreender detalhes das condições de trabalho no âmbito do PSE; verificar aspectos da gestão e organização dos ASEs; e compreender quais dimensões do trabalho realizado os trabalhadores associam à satisfação nas atividades laborais.

Trata-se de um estudo qualitativo. Foram incluídos na pesquisa 21 servidores concursados, no cargo de provimento efetivo de Agente de Saúde Escolar, que atuam no Programa Saúde Escolar, de ambos os sexos, que concordaram em participar da pesquisa e em fornecer informações conforme Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram que não estavam em efetivo exercício no período de coleta das respostas.

O meio de coleta utilizado foram Formulários do Google, com questões objetivas e também questões abertas, enviados eletronicamente, de forma que, a adesão ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) se dava pela seleção do botão “Li e concordo com os termos”. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa com seres humanos da Universidade Federal de Uberlândia (CEP/UFU), sob CAAE: 87317725.9.0000.5152, seguindo as diretrizes da resolução 466 de 2012 e 510 de 2016 do Conselho Nacional de Saúde. Os ASEs responderam aos formulários entre os dias 5 de junho de 2025 e 20 de junho de 2025, as respostas foram extraídas via recurso Planílhas do Google para posterior análise e interpretação.

As respostas foram baixadas na íntegra e o sigilo e a privacidade dos participantes foi garantida com a supressão de informações pessoais que permitissem identificações. Os nomes dos participantes foram substituídos pela letra “P” (de participante) seguida do número arábico, conforme a ordem cronológica de captação de cada resposta do estudo. As narrativas dos participantes foram submetidas à análise de conteúdo, na modalidade temática (Bardin, 2016).

Os dados coletados nas pesquisas com abordagem qualitativa devem ser analisados de forma coerente, empregando técnicas que permitam um olhar dinâmico e reflexivo. Análise de Conteúdo (AC) entendida enquanto conjunto de técnicas que busca a compreensão dos sentidos expressos pelos participantes de uma pesquisa, ou mesmo extraídos de documentos registrados em diferentes formatos e suportes, a AC tem sido empregada em estudos de diferentes áreas: pesquisas educacionais, ciências da saúde, pesquisas em saúde do trabalhador etc (Corrêa, 2024; Borges, 2022;Valle, Ferreira, 2025).

O rigor metodológico não seria “medido pela nomeação do tipo de pesquisa, mas pela descrição clara e pormenorizada do caminho seguido pelo pesquisador para alcançar os objetivos e pela justificativa das opções feitas neste caminho” (Bardin, 2016., p. 96). Diante disso, foram localizadas as categorias de sentido recorrentes nas respostas fornecidas pelos ASEs que responderam aos questionários, de forma a identificar como eles percebem a relação entre condições de trabalho, impactos sobre a saúde, e sobre a satisfação no trabalho.

Desenvolvimento

A partir das respostas abertas fornecidas pelos ASEs, participantes da pesquisa, foram destacadas categorias de sentido recorrentes nas afirmações dos mesmos.

Categoria 1 – A satisfação no trabalho está associada aos benefícios do PSE para as crianças e adolescentes atendidos, e expressão de gratidão dos mesmos.

Uma primeira pergunta aplicada aos ASEs foi a seguinte: “Você considera que seu trabalho lhe proporciona satisfação pessoal e profissional? Se sim, explique quais aspectos trazem a satisfação”. A resposta do Participante 1 foi : “Sim. O teste de Acuidade Visual. Vê as crianças usando óculos”, ou seja, o fato de que, após detectada dificuldade visual dos estudantes, as famílias providenciam tratamento, traduz-se em satisfação. A resposta do Participante 4 não menciona atividade específica do PSE, mas afirma que a gratidão das crianças traduz-se em satisfação: “Sim, quando recebo o agradecimento e vejo a satisfação de uma criança”. De forma muito semelhante, o Participante 5 evoca a questão da gratidão das crianças: “Sim , quando uma criança te reconhece e mostra o que foi importante pra ela, tudo que vc proporcionou.”

De forma parecida, os participantes 7, 8 e 21, remetem à gratidão da comunidade escolar, tendo respondido respectivamente: “Sim pois vemos o retorno na promoção em saúde do aluno”; “Sim, A satisfação é grande quando percebo que fiz a diferença na vida do aluno, na forma de um exame de vista, vacina em atraso  ou uma palavra de orientação sobre temas relacionado à saúde do aluno ou de sua família”; e “Sim. Quando o aluno ou seus pais me agradece por esta usando óculos, através  dos teste que fazemos na escola e encaminhamos para o médico”.

O trabalhador geralmente precisa estabelecer relações, estabelecer vínculos afetivos, elementos que seriam fundamentais para promoção do bem estar do outro. Nesse caso, o vínculo afetivo com as crianças e adolescentes, as expressões de gratidão dos mesmos, reforça a ideia do trabalho como central na vida dos trabalhadores participantes da pesquisa (Codo e Gazzotti, 1999).

Categoria 2 – Condições físicas e materiais do trabalho dos ASEs são aspecto negativo

O questionário dirigido aos ASEs trazia a questão “Quais aspectos do seu cotidiano de trabalho você considera negativos?”, donde percebeu-se recorrência das queixas sobre falta de estrutura e de recursos materiais para a realização do trabalho no PSE. A falta de estruturas e materiais adequados é apontada como elemento de frustração, pois impediria a realização das atividades de forma mais efetiva. Para o Participante 1: “Falta de um espaço físico delimitado no ambiente escolar, barulho, falta de acústica no ambiente escolar”, ou seja, o ambiente escolar deveria contar com espaços específicos para as ações do PSE. O participante 2, de forma semelhante aponta: “Barulho, local inadequado e falta de material para trabalhar” como elementos negativos. O participante 3 atrela a falta de materiais a um possível prejuízo aos resultados das atividades: “Falta de materiais para um trabalho mais eficaz”.

De forma semelhante, o Participante 14 aponta como aspectos negativos: “Falta de apoio, com materiais e insumos para desenvolver algumas atividades”, corroborado pelo Participante 15, que afirma faltarem “recursos humanos, material, financeiro, reconhecimento da importância do trabalho efetivo no impacto social e saúde dos atendidos pelo programa”. O participante 18 aponta especificamente a falta de materiais sobre educação reprodutiva: “Falta de material para o desenvolvimento de certas atividades como por exemplo saúde sexual e reprodutiva”.

Estas manifestações sugerem a necessidade de repensar a destinação de verbas para o PSE, pois no que se refere aos repasses federais, não está prevista a aquisição de materiais de uso permanente:

O incentivo financeiro para manutenção das ações do PSE integra o Bloco de Custeio das Ações e Serviços Públicos de Saúde, ou seja, deve ser utilizado para implementação e manutenção das ações de custeio do Programa, sendo vedada a utilização deste para aquisição de material permanente(…)  Ademais, houve repasse de recurso também por parte do MEC, voltado para financiamento de materiais para a implementação do PSE (Fernandes, et. Al. 2022, p. 21).

Esta insuficiência de materiais e instalações torna-se recorrente no âmbito da educação pública em geral, não apenas para desenvolvimento de ações do PSE. Em pesquisa focada em instalações escolares do Maranhão, a precarização material foi destacada pelos autores:

No decorrer do período, identifica-se uma constante carência de materiais escolares, que será determinante no processo de escolarização das crianças, interferindo inclusive na relação pedagógica estabelecida mediante a adoção de um determinado método de ensino (Castellanos, Farias, 2024. p. 7).

Em estudo conduzido em Miranorte-TO, foi constatada a falta de materiais e de instalações consideradas satisfatórias à execução das atividades em Educação Física, o que justamente compromete aspectos da promoção da saúde das crianças e adolescentes (Carvalho, Barcelos, Martins 2020). Os espaços e materiais usuais das práticas em Educação Física poderiam ser compartilhadas para ações do PSE, mas aparentemente costumam também estar em falta em várias escolas.

Um dos participantes expressa inclusive desconfiança sobre destinação de verbas do PSE diante da constatação de precariedade de materiais, ao discorrer sobre mudanças necessárias nas condições de trabalho:

Plano de cargos e carreiras mais atrativo, espaço adequado para o desenvolvimento das ações nas escolas, premiação para os melhores agentes, materiais sempre disponíveis, visto que, existe uma verba específica que vem do ministério da saúde para o PSE, porém não sabemos quem faz a gestão dessa verba, muito menos qual o valor e onde é aplicada (P4).

Portanto, os ASEs expressam descontentamento com as condições de infraestrutura e disponibilização de materiais que seriam necessários ao trabalho no PSE, e evocam inclusive falta de transparência em destinação de recursos para o programa.

Categoria 3 – Elementos de sobrecarga nas atividades do PSE

Quando questionados sobre possibilidades de melhoria nas condições de trabalho no PSE, como na questão “Atualmente, quais mudanças poderiam representar melhorias nas condições de trabalho dos Agentes de Saúde Escolar?”, os participantes apontaram recorrentemente, a questão da sobrecarga de trabalho. Para o Participante 6 uma mudança necessária seria: “Conseguirmos trabalhar com uma quantidade menor de crianças e ter materiais suficientes”. Para o Participante 9 um número insuficiente de ASEs estaria impactando negativamente nas condições de trabalho, sendo necessário: “Mais agentes para auxiliar nas demandas e diminuir a quantidade de alunos para uma melhor qualidade das ações.”

A questão da sobrecarga foi retomada por vários outros participantes:

Mais profissionais atuando no PSE, hoje estamos com um número reduzido de Agentes Sanitários, o que faz com que alguns colegas tenham muitas Escolas para atenderem, o que torna impossível a criação de vínculo entre profissionais e educandos (P13).

Quantidade menor de alunos por agente, recursos materiais (P15).

Um elemento apontado como agravante da sobrecarga de trabalho seria o papel desempenhado pelas atividades burocráticas, que prejudicaria a execução de atividades mais práticas junto às comunidades escolares, conforme expressado pelo Participante 12: “Poderíamos ter mais tempo disponível pra trabalhar comas crianças ao invés de preencher dados”.

O(a) trabalhador(a) da saúde em geral é, elemento essencial para a promoção da saúde, desde a Atenção Básica, até os de alta complexidade. Paradoxalmente, o excesso de demanda, que por sua vez gera sobrecarga de trabalho, favorece o adoecimento, a falta de prazer e satisfação no exercício das atividades laborais (Souza e Virgens, 2013).

Em estudo também voltado para os ASEs, também de Uberlândia-MG, a questão do cansaço e sobrecarga também foi identificada via aplicação de técnica de grupo focal:

O cansaço físico foi muito presente nas falas, assim como a falta de espaço físico adequado e excesso de ruído. Foi identificado o adoecimento emocional gerado no retorno ao trabalho na pandemia, que causou um grande estresse nos ASEs, gerando uma grande expectativa enquanto profissionais da saúde, o que contribuiu para que muitos desses profissionais adoecessem nesse período (Corrêa, 2024, p. 57)

A sobrecarga apontada pelos ASEs parece estar diretamente relacionada com as prerrogativas neoliberais que apontam para o “corte de gastos” nos setores públicos, já que a realização de concursos acaba sendo tratada como “gasto” e não investimento.

Categoria 4 – Não conseguir atender a todas as demandas das crianças e adolescentes causa frustração

Foi recorrente também entre as respostas fornecidas pelos ASEs do PSE de Uberlândia-MG, a afirmação de que, quando não conseguem suprir determinada demanda das crianças e adolescentes, os mesmos sentem-se frustrados. De forma similar, o sentimento seria o mesmo quando a vulnerabilidade da comunidade atendida está aquém da possibilidade de ação destes trabalhadores. Isso teria impacto sobre a saúde mental dos ASEs:

Conviver com situações de baixo poder aquisitivo, social e cultural de algumas crianças e seus familiares (P1).

Ansiedade por não conseguir fazer grandes mudanças (P6)

O que mais impacta na nossa saúde mental são os problemas que não conseguimos resolver (P7).

São vários, principalmente na minha saúde mental, por vezes somos acionados em situações bastante difíceis como por exemplo uma criança em situação de vulnerabilidade com uma família desajustada (P18).

A sensação de impotência diante dos problemas, vulnerabilidades e demandas da comunidade atendida seria então um agravo à saúde mental dos ASEs, aspecto já apontado em estudo anterior, sobre a mesma categoria profissional e mesmo município (Corrêa, 2024). Aparentemente, os ASEs absorvem para si a responsabilidade sobre aspectos da comunidade atendida, ou mesmo das condições materiais de execução das ações do PSE, que objetivamente, extrapolam suas possibilidades de ação.

Conclusão

A investigação sobre a forma como os ASEs percebem as condições de trabalho no PSE, os impactos sobre o processo saúde-doença e sobre a satisfação no trabalho dos mesmos, trouxe elementos importantes na perspectiva dos sujeitos diretamente envolvidos nesse contexto.

Os achados reforçam a natureza multidimensional dos fenômenos associados à saúde dos trabalhadores, já que foram apontados elementos tais como excesso de barulho, falta de instalações adequadas e de materiais próprios para o desenvolvimento do PSE. Também foram apontados elementos mais subjetivos, como a satisfação inerente aos momentos em que os ASEs percebem resultados práticos positivos do programa para a comunidade atendida. Da mesma forma, as expressões de gratidão das crianças e adolescentes atendidos reforça esta satisfatória.

Por outro lado, quando as vulnerabilidades e demandas expressas pela comunidade atendida estão aquém das possibilidades de ação dos ASEs isso gera frustração e tem prováveis impactos negativos sobre a saúde mental destes trabalhadores. Esse sentimento de frustração, e em alguma medida, de auto responsabilização, por parte dos ASEs, sugere que os mesmos não percebem relações diretas entre a precarização das suas condições de trabalho, das políticas públicas em Saúde, e todo um projeto neoliberal em avanço.

Referências

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